Ayurveda na pele madura | Saúde, Beleza e Regeneração

Na Ayurveda, uma pele saudável é fruto de boa hidratação e de nutrição de qualidade, tanto ao nível físico – os alimentos que escolhemos ingerir – como também da nutrição emocional, mental e espiritual. Uma pele luminosa é sinal de um corpo mimado e feliz.

Cuidar de peles que desfrutaram de muito sol

A exposição solar prolongada pode com o tempo gerar as chamadas de lentiginas solares ou manchas do fígado. São zonas onde a melanina foi produzida em excesso, e concentrou-se com maior intensidade, gerando uma área plana e mais escura do que a pele circundante. As lentiginas são habitualmente inofensivas, e por vezes confundidas com cancro de pele.

Quando somos expostos ao sol por longas horas, o corpo produz melanina em excesso para proteger a pele dos prejudiciais raios UV. O uso de lâmpadas e camas de bronzeamento comerciais também pode contribuir para o desenvolvimento de manchas da idade.

As lentiginas aparecem principalmente em regiões do corpo regularmente expostas ao sol, como rosto, olhos, ombros, braços e parte superior dos pés. Tendem a formar-se em pessoas com mais de 40 anos, podendo mesmo assim afetar pessoas mais jovens, sendo a prevenção a melhor escolha.

Prevenir, guardar e nutrir a pele madura

Com o calor tendemos a usar roupas mais leves, e expormos mais a pele. Contudo, em várias culturas onde o Sol abunda, e oferece longas horas de exposição, criou-se o hábito de resguardar a pele, com roupa comprida que cobrem todo o corpo, chapéus de abas largas, óculos escuros, e mesmo com o uso de um guarda chuva para evitar o excesso de exposição. Adequar o vestuário à exposição solar é o primeiro e importante ato de prevenção.

Na Índia um dos grandes protetores da pele face ao Sol é o venerado óleo de coco. Aplicado na pele depois do banho, ele ajuda a criar um suave filtro solar, além de fornecer antioxidantes e propriedades curativas que podem ajudar a impedir que os raios solares danifiquem a pele.

O aloé vera é outro respeitado cuidador da pele. Habitualmente ao gel são adicionadas algumas gotas de sumo de limão, que depois de misturados podem ser aplicados nas zonas do corpo afetadas pelo excesso de pigmentação, podendo também ser usado na prevenção e limpeza da pele naturalmente exposta ao sol. Esta mistura deve ser mantida por cerca de 20 minutos antes de lavá-la com água fria.

Pode também ser usado o iogurte para o mesmo efeito, deixando-o repousar também por um mínimo de 20 minutos. O ácido lático torna a pele mais clara onde quer que existam lentiginas. Para além do iogurte podem ser usados o sumo de pepino ou o sumo de tomate sobre a pele antes de dormir, para ajudar a aligeirar as manchas da idade.

O abacate é uma excelente fonte de vitamina E, e depois de esmagado e misturado com uma colher de chá de mel, a mistura pode ser aplicada por 20 minutos sobre o rosto ou zonas afetadas. Recomenda-se a utilização por duas ou três vezes por semana.

Uma outra fórmula mais atual junta o sumo de cebola com igual quantidade de vinagre de maçã. A mistura pode ser borrifada na área afetada e deixada repousar por 20 minutos antes do banho. O extrato de metanol da casca seca de cebola vermelha (Allium cepa) mostrou uma potente atividade inibidora da biossíntese de melanina em células de melanoma. O limão contém ácido cítrico, que é um agente clareador natural. Este ácido pode aliviar as manchas da idade através da aplicação do sumo antes de deitar.

Todas estas sugestões devem ser usadas repetidamente por um mínimo de 3 meses paras os resultados começarem a aparecer. A sua aplicação deve ser acompanhada da ingestão de bastante água, e o consumo de alimentos ricos em vitamina D.

Ervas ayurvédicas para uma pele saudável

O estudioso ayurvédico Charaka em Charak Samhita menciona várias ervas medicinais que são varnya, ou seja, medicamentos que dão tez à pele. Estas são algumas das ervas mencionadas no  Charak Samhita:

  • Chandana (Santalum album L.) (Sândalo indiano)
  • Tunga (Calophyllum inophyllum L.)
  • Padmaka (Prunus cerasoides D. Don) (cereja selvagem do Himalaia)
  • Usheera (Vetiveria zizanioides L.)
  • Madhuka (Glycyrrhiza glabra L.) (alcaçuz)
  • Manjishtha (Rubia cordifolia L.)
  • Sariva (Hemidesmus indicus [L.] (salsaparrilha indiana)
  • Payasya (Pueraria tuberosa [Willd.] DC) (Kudzu indiano)
  • Sita Lata (Cynodon dactylon [L.] Pers) (relva das Bermudas)

As ervas medicinais acima mencionadas estão disponíveis de várias formas no mercado, e podem ser usadas interna ou externamente para melhorar o tom de pele.

Frutas para melhorar a textura da pele:

Draksa – Vitis Vinifera – Uvas

Esta fruta é de sabor doce. Ajuda a acalmar o Vata e o Pitta. É um afrodisíaco. As uvas contêm vitamina C e antioxidantes. (A vitamina C é necessária para a formação de colagénio, uma proteína semelhante a fibra que ajuda a reter a elasticidade da pele e pode ajudar a reverter o envelhecimento) .

Papaya – Carica Papaya

É de sabor doce. Ajuda a eliminar toxinas do corpo. Rica em fibras, vitamina C. Os antioxidantes presentes na papaia podem ajudar a fortalecer a imunidade e eliminar os radicais livres.

Dhadima – Romã – Punica Granatum

As romãs são de sabor doce. Pacificam o Vata, o Pitta e o Kapha. Contém antioxidantes, como proantocianidinas e flavonóides, que podem ajudar a retardar o envelhecimento.

Kharjura – Phoenix Dactylifera – Tâmaras

As tâmaras são de sabor doce. Purificam o sangue e pacificam o Pitta. As tâmaras contêm vitamina B5 (ácido pantoténico) que pode reparar os danos causados pelos radicais livres. Melhoram a textura da pele.

Amalaki – Groselha Indiana

É muito rica em vitamina C, fósforo, ferro, caroteno e vitamina B. A amalaki também é um potente antioxidante e atua como um agente antienvelhecimento.

Legumes para melhorar a textura da pele:

Karela – Abóbora amarga – Momordica Charantia

A karela tem um sabor picante. Ajuda a reduzir a ocorrência de infecções de pele. Atua como um fator anti-envelhecimento se for incluído na dieta. Purifica o sangue e evita a ocorrência de doenças do sangue.

Especiarias que favorecem a pele:

Canela

A canela ajuda a aumentar a produção de colagénio, o que permite que a pele obtenha firmeza e elasticidade. Ferver paus de canela com água e beber a decoção depois de a coar.

Gengibre

Incluir o gengibre na dieta é muito benéfico para a saúde geral. O gengibre contém gingerol, um composto anti-inflamatório que pode ajudar a prevenir manchas da idade.

Açafrão da índia

O açafrão da índia é usado numa ampla variedade de cosméticos. Ele ajuda a purificar o sangue e pode ajudar a pele a obter brilho. Uma pitada de açafrão da índia pode ser adicionada ao leite morno, e consumido à noite.

Cominhos

Os cominhos têm propriedades desinfetantes que podem ajudar a limpar a pele de toxinas e infeções. Pode-se ferver água com sementes de cominhos e tomar-se regularmente a decocção.

Todas as sugestões deverão ser acompanhadas do parecer de um médico ayurvédico, para melhor ajuste à constituição particular de cada pessoa.

Pele regenerada | Benefícios do óleo segundo a Ayurveda

A pele é um importante órgão de assimilação e na medicina ayurvédica é enfatizado o seu potencial de absorção, sendo recomendado que apenas coloquemos sobre a pele algo que possamos ingerir. Conheça vários óleos naturais que pode aplicar na pele e os benefícios que trazem ao organismo.

O óleo é um excelente nutriente para a pele, evita a secura, aumenta a humidade e previne o envelhecimento precoce. Os óleos contêm proteínas, hidratos de carbono e outros ingredientes essenciais que são absorvidos pelas aberturas nos folículos capilares e assimilados pelo Bhrajaka Pitta, uma subdivisão do Pitta.

As substâncias nutritivas deixam a pele saudável e fornecem os nutrientes corretos ao plasma, ao sangue e aos músculos (primeiro, segundo e terceiro nível de tecido). A diminuição da atividade metabólica acontece quando uma substância inadequada é posta sobre a pele. Qualquer substância colocada sobre a pele é imediatamente absorvida pelo plasma e depois pelo sangue e pelos músculos. Assim, as substâncias químicas e outras substâncias inorgânicas aplicadas sobre a pele são distribuídas pelo corpo inteiro, e com o passar do tempo elas transformam-se em matérias tóxicas que acabam por entupir os canais subtis da pele, plasma, sangue e músculos.

O uso de óleo é importantíssimo para a prevenção e a eliminação dessas toxinas nas camadas exteriores do corpo. Já o uso de cremes, loções e óleos refinados, para além de serem prejudiciais, suprimem a função metabólica e fazem aumentar a quantidade de toxinas no corpo, minorando a saúde a longo prazo. Os óleos vegetais orgânicos, por sua vez, funcionam como alimentos, pois são nutritivos, contém muitas vitaminas, minerais, enzimas e prana que fortalecem e fornecem nutrientes muitas vezes em falta no organismo. Porém, para apresentar essas qualidades o óleo tem de ser extraído a frio, já que o processo de extração a quente diminui o potencial nutritivo do óleo.

Quando aplicados nas massagens os óleos nutrem e suavizam a pele e os músculos. Além disso, depois de absorvidos pelo corpo, colaboram para a lubrificação dos pulmões e do intestino grosso, que são os lugares do corpo onde mais se acumula o humor Vata. Alguns óleos também nutrem os tecidos mais profundos, como os ossos, medula óssea, tecido nervoso e fluidos reprodutivos. Uma vez que a massagem com óleo pode ser classificada como uma terapia de fortalecimento, também é muito útil para revigorar as pessoas doentes e convalescentes.

A aplicação quotidiana de óleo sobre a pele é a forma mais eficaz de nutrir os diversos níveis do corpo. Para aumentar a potência dos óleos pode-se carregá-los de prana, recitando mantras sobre eles, ou acrescentar-lhes ervas medicinais ou óleos essenciais. O uso dessas ervas também tem o poder de dirigir o prana para uma ação terapêutica específica.

Na Ayurveda também são utilizados os pós, ou seja, um pó de qualidade medicinal, finíssimo e peneirado. As ervas também são usadas sob a forma de pó para dar uma qualidade áspera e abrasiva à massagem, quando necessário. O uso de pós é recomendado para kapha e Pitta; já os tipo Vata, com pele mais seca devem evitar esse tipo de tratamento.

Os óleos medicinais na massagem

O corpo, tal como uma máquina, necessita de óleo. O óleo é utilizado na cozinha devido à sua capacidade de distribuir uniformemente o calor, e é utilizado no corpo também pela mesma razão. Na medicina indiana existem centenas de tipos de óleos medicinais e a escolha do óleo adequado irá depender do diagnóstico do desequilíbrio dos Doshas, por isso é fundamental que antes de iniciar o tratamento com a massoterapia seja apontado a Vikriti (desequilíbrio) do paciente para que o óleo adequado seja indicado.

Desta forma os óleos medicinais são geralmente utilizados pelos médicos ayurvédicos para tratar as enfermidades causadas por um transtorno de Vata (ar) e diversos tipos de enfermidades cutâneas. A pequena quantidade de óleo que permanece no corpo depois da massagem, e do banho que se toma, confere resistência frente às trocas extremas de temperatura e de pressão do ambiente exterior.

É benéfico aplicar-se o azeite ou óleo de sésamo no umbigo antes de deitar à noite, pois desta forma elimina-se a secura de todo o corpo. Através de uma rede de setenta e dois nervos subtis (os nadis), o umbigo – a primeira fonte de nutrição e de vida para o feto – conecta-se com o resto do corpo.

Na Índia, costuma-se aplicar óleo regularmente no corpo para evitar picadas; nos órgãos genitais, para prevenir as infeções; no nariz, com o fim de evitar a secura; nos olhos, para limpá-los e fortalecê-los; nas orelhas, para limpá-las. Quando se aplica óleo numa articulação da coluna e no crânio em geral, o sistema nervoso acalma-se, fortalece-se a memória e melhora-se a vista.

Tipos de óleo e as suas propriedades e aplicações

É possível utilizar diversos tipos de óleo para massagem, tendo em conta o dosha que está afetado.

Óleo de mostarda

É um óleo muito popular na Índia para massagem pois possui propriedades medicinais que aliviam a tensão e rigidez muscular sendo muito utilizado pelos lutadores e fisiculturistas. É grosso, amargo, untuoso, picante, escorregadio, pungente, forte e amornante, proporcionando calor. Atua purificando o sangue e eliminando toxinas, está indicado no caso de doenças de Kapha e Vata desequilibrado, e aumenta Pitta e o calor corporal.

Benefícios: É um excelente medicamento para a queda de cabelos e pode ser usado nos casos de reumatismo, artrite e gota quando associado a cânfora. É antidepressivo e fungicida, alivia a dor e cura a inflamação e as feridas de todo o tipo. É também desinfetante e, se aplicado imediatamente nos cortes, detém a hemorragia. Ao colocá-lo sobre a pele é absorvido rapidamente, e relaxa os músculos, os ligamentos e os nervos. Devolve a flexibilidade aos músculos depois de uma crise de bronquite ou de um processo febril, desinfeta o sangue e abre os poros.

Azeite

O azeite é untuoso, levemente amargo, e amornante. Aumenta o Pitta e é nutritivo. Contém proteínas, minerais e oleína. Pode ser usado na massagem ainda que seja mais espesso que os outros óleos.

Benefícios: É considerado um óleo quente e é utilizado nos casos de reumatismo, gota, artrite, muitas vezes em associação com o óleo de sésamo. Atua na prevenção de osteoporose. Detém as infeções. Tem um efeito benéfico sobre a flora do trato digestivo. Ativa o fluxo da bílis e estimula o metabolismo das gorduras. É recomendado para quem padece de gota, artrite, dores musculares, luxações e pólio. Muito nutritivo. Absorve a radiação solar. Fortalece os músculos, a pele e os nervos; cura as inflamações e melhora a pigmentação.

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Óleo de sésamo

O óleo de sésamo é o mais utilizado para massagem, na Índia e também na escola de Tui Na ou massoterapia chinesa. É também o favorito dos médicos Ayurvédicos, que o empregam como base para óleos medicinais. Este óleo absorve mais Prana que os demais óleos vegetais. É usado como base para as fórmulas mais complexas de óleos medicinais. O óleo de sésamo é untuoso, grosso, pesado, doce, amargo, adstringente e quente.

O óleo de sésamo conserva-se por um longo tempo sem se tornar rançoso porque contém antioxidantes naturais, sesamol e sesamoline. Contém também minerais como o ferro, fósforo, magnésio, cobre, ácido silício, cálcio e microelementos. É rico em ácido linoleico; o seu conteúdo em lecitina tem um efeito benéfico sobre as glândulas endócrinas e especialmente sobre os nervos e células cerebrais. Contém oito aminoácidos essenciais fundamentais para o cérebro, e talvez por este motivo tem uma longa história como óleo para o cabelo e para massagens na cabeça.

Benefícios: É um óleo apropriado ao Vata aumentado, pode ser utilizado moderadamente em indivíduos kapha, mas deve ser evitado nas doenças devido a desequilíbrio de Pitta por ser um óleo quente (o que tende a agravar Pitta corporal). Está indicado nos casos de inchaço, quadros dolorosos, alterações musculares, pele seca, envelhecimento precoce, promove a saúde dos seios e da pele, atua rejuvenescendo, aumentando a vitalidade e o sémen, cura a gota e a artrite. A massagem com este óleo no couro cabeludo trata as caspas e restitui o brilho natural do cabelo.

Óleo de coco

O óleo de coco é doce, relativamente leve, untuoso e refrescante. Este óleo contém minerais, proteínas, hidratos de carbono e glicéridos. Por ser relativamente fino, forma uma película leve e facilmente absorvida pela pele, e desta maneira o corpo pode absorver mais Prana da atmosfera em forma de oxigénio, iões negativos e radiação solar, e deste modo a sua textura enriquece. Por esta razão é um bom óleo para proteção solar com um factor 15. É adequado também para os que vivem em climas muito quentes.

Benefícios: Devido às suas propriedades frias é indicado para os distúrbios do tipo Pitta. Está indicado nos quadros com alterações cutâneas como fissuras, erupções, queimaduras, inflamações, eczemas e infeções por fungos porque possui propriedades antissépticas. Cura o inchaço quando usado cru, por via oral ou agregado nas saladas. Também se pode utilizá-lo para sedar e refrescar as pessoas que tem a cabeça quente. No norte da Índia, este óleo é o favorito das mulheres porque faz o cabelo ficar são, brilhante e espesso.

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Óleo de amêndoas

Este óleo é doce, untuoso, pesado e quente, sendo indicado nas desordens de Kapha. Contém proteínas, minerais e oleína, em quantidades semelhantes ao azeite. Este óleo é ideal para massagem. Afirma-se no Oriente que se este óleo for colocado ao sol por 40 dias, num frasco de vidro cor de laranja, assume propriedades especiais trazendo alegria, afastando o pessimismo, dissolvendo a ansiedade e purificando o sangue.

Benefícios: Quando utilizado para dar massagem é excelente para os músculos e ligamentos, cura as queimaduras da pele, aumenta o sémen e a vitalidade dos homens e cura qualquer tipo de inchaço e de secura. Pode ser utilizado como tónico para o cabelo, elimina a caspa e a secura do couro cabeludo, e também é benéfico para o cérebro.

Óleo de rícino

Este óleo é doce, amargo, adstringente, pesado e gorduroso e também gera calor. É adequado para os indivíduos dominados por Vata. Elimina a pele seca e melhora a cútis quando utilizado externamente. Tem propriedades curativas e um efeito nutritivo e alcalino sobre o corpo. Penetra profundamente na capa protetora que se encontra abaixo da pele.

Por via oral, é um bom laxante; cura a obstipação e muitas afeções abdominais como a flatulência, cólicas e úlceras. É útil para eliminar as toxinas que foram absorvidas pelos alimentos indigestos. Aumenta a longevidade e a força.

Compota Ayurvédica | O sabor curativo da curcuma

É habitual encontrarem-se nas formulações de compostos de ervas clássicas para o tratamento e prevenção de vários desequilíbrios sob a forma de compotas medicadas. As decocções de várias plantas são cozidas com frutos, também pelas suas propriedades medicinais, e com outras plantas doces gerando uma pasta doce conhecida como Prasham ou Avaleha.

Estas compostas são conhecidas como sendo dos rejuvenescedores mais poderosos da Ayurveda. A base doce atua como um transportador (Anupana) dos princípios ativos das plantas, e ajuda a atuarem profundamente no corpo, para que o possam nutrir na sua totalidade. A mais famosa compota ayurvédica é a chamada Chyavanprash, que recebeu o nome de um grande sábio que a preparou para recuperar a sua vitalidade juvenil. Outra formulação menos conhecida é denominada de Brahma Rasayan, concebida também com o propósito de tonificar, nutrir e rejuvenescer o corpo.

Compota de curcuma (Açafrão-da-índia)

Dentro do maravilhoso mundo das plantas medicinais, poucas têm tantas qualidades e usos medicinais tão diversos quanto a curcuma. Durante séculos, muitas culturas usaram esta versátil rizoma para tratar muitas desequilíbrios e doenças. Quando combinada com outros ingredientes pode ser transformada em compota ou geleia de curcuma que aumenta a sua biodisponibilidade e eficácia no organismo.

A ação medicinal mais conhecida da curcuma é o seu poder anti-inflamatório, contudo também atua como emenagoga, tónico sanguíneo, carminativa, antibacteriana, colagoga, alterativa, anti-plaquetária, hipolipidémica, antioxidante e anti-cancerígena.

A curcuma é nativa do sul da Ásia e a Índia é o maior produtor do mundo. Existem duas variedades principais, uma é usada principalmente para pintar e tingir, e o outra, é mais macia, maior e de cor mais clara, e é usada principalmente para comer. Tradicionalmente a curcuma é utilizada nos mais variados tipos de preparados e receitas contendo várias especiarias, em produtos tanto de ingestão e tratamento interno, sob a forma de tinturas e cápsulas, como também na forma de óleos, cremes e sabonetes para o corpo.

O nome latino para o açafrão-da-índia é Curcuma Longa, que vem do nome árabe da planta, “Kurkum”. É originário da família Zingiberaceae (igual ao gengibre), e em sânscrito é chamado Haridra (o amarelo) e é chamado Jiang Huang na herbologia chinesa.

Na Ayurveda à curcuma é atribuída panaceia para vários desequilíbrios incluindo artrite, cancro, indigestão, úlceras estomacais, cálculos biliares, eczema, urticária, psoríase, acne, conjuntivite, miomas, quistos, dismenorreia, amenorréia, leucorréia, dermatite, urticária, colite, asma. , gota, febre, diabetes, anemia e hemorroidas. Além disso, a curcuma ajuda a equilibrar os sistemas reprodutivos e de lactação femininos e, nos homens, purifica e melhora a saúde do sémen. As propriedades curativas do açafrão-da-índia estão no caule em forma de dedo, ou rizoma, a mesma parte usada para dar sabor, colorir e preservar os alimentos.

A curcuma tornou-se valiosa quando foi descoberto que preservava o frescor e o valor nutritivo dos alimentos e era originalmente usado no caril e outros alimentos para melhorar a palatabilidade e a preservação dos mesmos.

Os povos da Índia antiga acreditavam que a curcuma continha a energia da Mãe Divina, e que ajuda a conceder prosperidade, limpar os chakras e purificar os canais do corpo sutil (nadis). Ainda hoje, à curcuma são atribuídas qualidades auspiciosas, sendo regularmente usada em cerimónias sagradas. Geralmente é transformada em pasta e aplicada na testa (ajna chakra ou terceiro olho) durante as pujas (cerimónias devocionais) e casamentos.

A curcuma é usada há séculos na Ayurveda e acredita-se que equilibre os três doshas (Vata, Pitta e Kapha). O sabor da curcuma é picante/pungente, amargo e adstringente com as qualidades de secura, leveza e calor. Era usada pelos médicos ayurvédicos sob a forma de sumo fresco, decocção, tinturas ou pó, e topicamente como cremes, loções, pastas e pomadas.

O açafrão-da-índia tem centenas de constituintes moleculares, cada um com uma variedade de atividades biológicas. Existem pelo menos 20 moléculas antibióticas, 14 conhecidas como preventivas do cancro, 12 anti-tumorais, 12 anti-inflamatórias e pelo menos 10 antioxidantes diferentes. O rizoma é composto por 70% de hidratos de carbono, 7% de proteínas, 4% de minerais e pelo menos 4% de óleos essenciais.

É habitual encontrarem-se nas formulações de compostos de ervas clássicas para o tratamento e prevenção de vários desequilíbrios sob a forma de compotas medicadas. As decocções de várias plantas são cozidas com frutos, também pelas suas propriedades medicinais, e com outras plantas doces gerando uma pasta doce conhecida como Prasham ou Avaleha.

O ingrediente ativo do açafrão-da-índia é a curcumina. No estado bruto, a curcumina compõe apenas 2 a 5 por cento da açafrão-da-índia e tem uma baixa biodisponibilidade, sendo facilmente excretado sem aproveitamento. No entanto, quando combinado com a piperina, um componente da pippali (pimenta longa indiana), e quando aquecido para produzir o néctar de açafrão, os óleos essenciais são retirados e a biodisponibilidade da curcumina aumenta 1.000 vezes. O açafrão-da-índia deve ser tomado numa proporção de 10: 1 para a pimenta longa. A pimenta preta também possui piperina, mas é muito quente e seca e pode agravar o Pitta e o Vata. A adição de gordura, na forma de ghee ou óleo de coco, também ajudará na absorção e digestão.

A dosagem máxima para um ser humano é habitualmente de 10 gramas de pó seco por dia. O recomendável é tomar uma colher de chá de néctar de açafrão antes de cada refeição.

Receita de compota de curcuma ayurvédica

Ingredientes

120 gr de açafrão-da-índia em pó

2 chávenas de água

1 colher de sopa de pippali

1 colher de chá de canela

1 colher de chá de cardamomo

½ colher de chá de sal-gema

3/4 chávena de óleo de coco

1 colher de chá de gengibre em pó

½ chávena de mel

Instruções

Dissolver o açafrão-da-índia na água em temperatura ambiente antes de aquecer, e levar ao lume brando por 4-5 minutos. Adicionar a pippali, a canela, o cardamomo e o sal e continuar a mexer em lume brando por cerca de dois minutos. Adicionar o óleo de coco e mexer até misturar. Retirar do lume e deixar arrefecer por alguns minutos. Adicionar o mel cru e sumo de gengibre. Enquanto ainda quente, despejar em frascos e guardar no frigorífico.

A ingestão deste preparado deve ser acompanhada ou recomendada por um médico ou terapeuta ayurvédico.