Coentros na Ayurveda | Um benefício Tridóshico

coriander-seeds-2---corriander-seeds-leaves-powderOs Coentros são uma erva aromática profusamente usada em Portugal, fazendo parte de muitos pratos típicos, em particular dos Alentejanos. Muito para lá do seu agradável, distinto e refrescante paladar, os Coentros relevam interessantes propriedades terapêuticas que têm a vantagem de poderem ser usadas para os três biótipos, de forma equilibrada. Os coentros são tradicionalmente usados em folha na culinária portuguesa, como cobertura e guarnição, contudo, são também utilizados em sementes e em pó, sendo um elemento fundamental nos lares indianos, como elemento das características masalas.

Os coentros são nativos do sul da Europa, norte da África e oeste da Ásia. Era conhecido no antigo Egito e na Grécia, onde era consumido regularmente, e os romanos usavam as folhas e as sementes para preservar carnes. Ainda estão entre as ervas aromáticas mais populares usadas em vários pratos de todo o mundo.

Coentros | Descrição Botânica

Coriandrum_sativumPropriedades ayurvédicas dos coentros:

Rasa ou sabor: madhura (doce), katu (pungente), tikta (amargo) e kashya (adstringente)

Guna ou qualidades: laghu (luz) e snigdha (oleosa)

Virya ou potência: ushana (quente em potência)

Vipaka ou sabor pós-digestivo: madhur (doce)

Efeito no dosha: tri dosha hara (equilibra todos os três doshas)

Partes usadas: frutas, planta inteira e óleo

Família: Umbelliferae

Nome Hindi: Dhaniya

Nome Sânscrito: Dhanyaka

Nome Comum: Coentros

Nome Latim: Coriandrum sativum Linn Pennel

Os coentros são uma erva anual cultivada principalmente como tempero para fins culinários em todo o mundo. É uma planta macia e pode crescer entre 25-60 cm de altura. Tem raízes finas em forma de fuso. Tem um caule ereto e folhas alternadas. Estas folhas são de forma variável, largamente lobadas na base da planta, e delgadas e plumas em cima das hastes de floração.

As flores da planta de coentros nascem em pequenas umbelas. A cor das flores é branca ou muito rosa pálido, azul ou púrpura. As flores são assimétricas, com as pétalas afastadas do centro da umbela mais longas do que as que apontam para ela. Os frutos são globulares, consistindo de dois pericarpos e cerca de 3 a 5 mm de diâmetro. Quando pressionados, eles dividem-se em dois lóculos, cada um com uma semente. A fruta tem uma fragrância delicada. As sementes são brancas pálidas a castanho claro.

Composição química: os frutos contêm proteínas, gorduras, carboidratos, fibras, cálcio, fósforo e ferro. As folhas são relatadas para ser uma boa fonte de vitamina C e caroteno. O odor do fruto é gerado a partir de um óleo essencial presente nele. Este óleo possui linalol e pineno.

Benefícios e usos dos coentros

coentrosOs coentros vêm mencionados no eminente livro de Ayurveda, Dravyaguna Vijnana (Farmacopeia de Ervas) onde são mencionadas as suas várias propriedades. O seu nome que se assemelha a grão (dhanya, em sânscrito), significa também ‘o rico’. Os coentros são também chamados de Kustumburu, o que significa o que ajudam a aliviar doenças porque pacifica mtodos os três doshas. Vitunnaka significa, ajuda a aliviar a agonia e a dor.

Os Coentros são incluídos sob trishna nigrahan maha kashyaya (ervas que são úteis para aliviar a sede); incluídos sob prashaman maha kashyaya (ervas que são úteis para aliviar o frio excessivo). Os coentros têm propriedades antieméticas, ajudam a curar úlceras, inflamação e espasmos, e protegem o fígado. São anticancerígenos, anticonvulsivante, anti-histamínico e hipnótico por natureza. Acredita-se que os coentros sejam um afrodisíaco natural e tradicionalmente foi amplamente usado em combinações com outras ervas para aumentar a libido. Aliviam a sensação de ardor no corpo. São úteis na purificação de vários canais do corpo, na febre e na asma e outros problemas respiratórios crónicos, na tosse e frio, nas hemorroidas, na infestação por vermes, e também:

Reduz a inflamação da pele: o coentro contém tanto o ácido cinoleico como o ácido linoleico. Estes elementos apresentam propriedades antirreumáticas e antiartríticas que ajudam a reduzir as inflamações da pele.

Controla a pressão arterial: foi demonstrado que o consumo de coentros reduzi positivamente a pressão arterial em muitos pacientes que sofrem de hipertensão. Isso ajuda a reduzir a probabilidade de um ataque cardíaco.

Fonte rica de cálcio: os coentros são uma rica fonte de cálcio, que é um elemento importante para a saúde dos ossos. Eles ajudam na regeneração óssea e aumenta a durabilidade do osso.

Controla a Diabetes: os benefícios dos coentros incluem o controle do diabetes. Eles ajudam a estimular as glândulas endócrinas aumentando a secreção de insulina. Todo esse processo ajuda na quebra adequada do açúcar no corpo controlando a diabetes.

Propriedades Diuréticas: os coentros são diuréticos por natureza, o que significa que ajudam a aumentar o volume e a frequência da micção liberando as toxinas do corpo.

Trata feridas e úlceras bucais: os coentros contém citronelol, que é um ótimo antisséptico. Ele ajuda a acelerar o processo de cicatrização de úlceras na boca e também previne o mau hálito.

Ajuda na digestão: os coentros são ricos em borneol e linalol, que ajudam na digestão. Também é útil na prevenção da diarreia.

Trata a osteoporose: os coentros contêm vitamina A, riboflavina, niacina, ácido fólico, vitamina C, vitamina K e caroteno. Todos esses elementos ajudam a prevenir a osteoporose.

Previne Anemia: as sementes de coentros são uma rica fonte de ferro. Deficiência de ferro provoca anemia e, portanto, recomenda-se a inclusão de sementes de coentros na dieta.

Reduz o Colesterol: os coentros ajudam na redução do mau colesterol do corpo sem afetar o bom colesterol, minimizando o risco de distúrbios relacionados com o coração.

Previne a artrite: as sementes de coentros possuem compostos como o ácido linoleico e o cineol, que são bem conhecidos por suas propriedades antiartríticas e antirreumáticas.

Para além destas propriedades pesquisas mais recentes demostraram os seguintes benefícios:

  • Tem propriedades antifúngicas

  • É útil na conservação de alimentos e evita a deterioração de alimentos

  • Possui propriedades antibacterianas

  • Tem propriedades antioxidantes

  • Tem atividade hipoglicemiante

  • Tem potencial antimutagénico

  • É útil em varíola pequena

  • É útil em distúrbios menstruais

  • É de utilidade no tratamento oftalmológico

  • É útil em vários distúrbios da pele, como eczema, secura da pele e infeções fúngicas

Receitas

Cilantro

  • A aplicação da polpa de folhas de coentros verde fresco é útil na dor de cabeça, inflamação, erisipela e linfadenite cervical.

  • Para úlceras na boca, é aconselhável fazer gargarejos com sumo feito de coentros frescos.

  • No sangramento nasal ou epistaxe, é aconselhável injetar o sumo de coentros fresco no nariz.

  • Na dor de cabeça você também pode usar uma pasta feita a partir de coentros seco em pó.

  • A infusão fria de coentros misturados com açúcar ajuda a aliviar a sensação de ardor, a sede excessiva, a febre e também ajuda em vários problemas relacionados a Vata Pitta.

  • As sementes de coentros cozidas com leite são úteis em problemas de perda de memória.

  • A decocção de coentros e gengibre é útil na digestão de alimentos não digeridos e alivia a dor no abdómen.

Contraindicações

No Dravyaguna Vijnana é mencionado que, devido ao seu sabor kashya ras ou adstringente, os coentros podem ter um efeito adverso sobre a qualidade do sémen. Portanto, é aconselhável consumi-lo numa quantidade moderada.

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Menopausa e reflorescimento | Cuidados Ayurvédicos para mulheres maduras

Natural looking middle aged woman with grey hair and green scarf laughing against neutral backgroundA menopausa era ancestralmente associada ao momento da vida da mulher em que ela começava a usufruir da sua sabedoria. Representava também um período em que toda a experiência adquirida até então surgia como uma mais-valia para orientar, alentar e instruir os membros mais jovens da sua família. A cessação dos seus períodos férteis permitia que a mulher pudesse cuidar e educar de forma mais focada os seus filhos, num momento em que ainda desfrutava de saúde e energia, contribuindo assim para a preservação da espécie, e para a evolução da própria humanidade, através do sábio cuidado que uma mulher madura oferece.

Nas culturas orientais, a menopausa é por isso mesmo considerada uma das fases mais gratificantes da vida da mulher, já que se encontra liberta das obrigações relacionadas com os cuidados com as crianças pequenas, e começa a participar de forma mais ativa nos cuidados da sua comunidade como um todo.

Independentemente do aspeto cultural, a menopausa é vivida como uma experiência natural e única, marcada por mudanças no corpo, nas emoções, na mente, no espírito, que clama por adaptabilidade e ajuste no estilo de vida.

Como começa

A Menopausa corresponde a uma fase natural na vida da mulher que indica o cessar da sua fertilidade, e de uma forma simples corresponde também ao cessar do fluxo menstrual – quando esta já conta doze meses de ausência desde a última menstruação sem outra causa aparente. Está associada com a redução da função dos ovários resultante da idade, que se traduzem em baixos níveis de estrogénio e outras hormonas.

Na Ayurveda, a infância e o início da idade adulta são caracterizados por certas qualidades às quais nos referimos como Kapha Dosha, idade adulta é governada pelas qualidades de produtividade do Pitta Dosha, e a velhice é governada pelas qualidades do Vata Dosha. Durante a última parte de cada fase, a próxima fase reúne energia. À medida que as mulheres envelhecem, o Vata começa a acumular-se por volta dos seus trinta e quarenta anos. O corpo ainda está no tempo de vida de Pitta e é ativamente produtivo, até mesmo totalmente capaz de se reproduzir, mas o Vata dosha está lentamente a infiltrar-se. Podemos ver isso em mudanças subtis no corpo, mudanças no metabolismo e flutuações de energia.

Apesar de ser vista muitas vezes como um evento isolado – a cessação do ciclo menstrual -, a menopausa é, contudo, um processo que inicia geralmente entre os 30-35 anos, onde a mulher atinge o auge da sua saúde, e termina mais ou menos aos 51 anos (podendo ir até aos 55 anos), quando ela finaliza o ciclo menstrual. Esta época na vida da mulher pode ser dividida em:

  • Peri menopausa – que corresponde à altura em que a mulher começa a sentir os primeiros sinais da menopausa e normalmente ainda menstrua nesta fase. Os níveis de hormonas sobem e descem provocando sintomas como afrontamentos (sensações de calor).
  • Pós-Menopausa – Uma vez passados dozes meses desde a última menstruação, a mulher atinge assim a Menopausa. Os seus ovários produzem muito menos hormonas como estrogénio e progesterona e a mulher deixa de ovular. A duração destes dois ciclos depende muito da mulher e de toda o ambiente e estrutura que a compõe o seu corpo e o seu estilo de vida.

Os ovários deixam de responder às mudanças dos Doshas, levando o Pitta à paragem da ovulação, na qual há também uma diminuição da produção de hormonas sexuais. A Menopausa é geneticamente programada e/ou pré-determinada, e o momento do seu início pode ser variável na idade, e depende também dos hábitos e comportamentos da mulher ao longo da sua vida. Para algumas mulheres é um fenómeno silencioso e brando, e para outras é um momento em que padecem de uma série de problemas como ondas de calor frequentes, instabilidade e períodos de grande oscilação emocional, cansaço, distúrbios de sono, dores de cabeça, dores nas articulares, palpitações, etc.

Para mulheres na perimenopausa, o ciclo começa a ser perturbado. Com as menstruações irregulares ocorre uma resposta irregular dos ovários. Durante os meses em que ocorre a ovulação, existe a menstruação. Nos outros meses, os ovários respondem menos às hormonas da glândula pituitária, os óvulos não são libertos, e não ocorre a menstruação. Estas mudanças hormonais são naturais, e a dieta e o estilo de vida ajudam a determinar como irá o corpo regular-se diante das mudanças das hormonas reprodutivas.

13c32b6441b652bbef2858aab2fbc52dSegundo a Ayurveda, a menopausa é uma época de agravamento do Vata, gerando a diminuição da produção de tecidos (dhatus), e o aumento da irregularidade. A menstruação de longa duração (que pode ocorrer neste período de transição) pode parecer, na superfície, estar mais relacionada com o Pitta ou o Kapha, contudo, o fator causador (a irregularidade) tem a sua origem no Vata. A fase da menopausa reflete essencialmente uma transição da fase adulta – Pitta – para Vata, o envelhecimento. Os sintomas do Vata a aumentar compreendem ansiedade, desequilíbrio, instabilidade, nervosismo generalizado, preocupação, perdas de memória, insónia, instabilidade emocional, osteoporose, e eventualmente depressão.

Na medida em que o Vata aumenta os outros doshas podem também sofrer desequilíbrios. Os sintomas do aumento do kapha estão associados a ganho de peso, sensação de peso mental e físico assim como a um aumento na retenção de líquidos. Nas mulheres de constituição pitta há um aumento da irritabilidade, e ondas de calor frequentes.

Reflorescer com a Ayurveda

laughter-yoga-1Qualquer sintoma que possa advir da menopausa pode ser minimizado através das práticas ayurvédicas, com a centralização espiritual da mulher, e com o conhecimento do dosha que está desequilibrado na mulher.

O stress, a má nutrição e o uso de cafeína são três gatilhos de estilo de vida que fomentam o aumento do Vata, e a menstruação irregular. Escolher o estilo de vida ayurvédico, com rotinas regulares e autocuidado adequado, minimizará o impacto nos anos da menopausa. As práticas de redução de stress, incluindo o exercício diário, o tempo na natureza, prática de pranayama e a meditação reduzem a necessidade de estimulantes ao longo do dia, e preparam o terreno para melhores escolhas alimentares, que ​​irão corrigir a má nutrição.

Como diz o familiar ditado ayurvédico: “Se a dieta está errada, a medicina não tem utilidade. Se a dieta está correta, a medicina não é necessária”. Ao fazermos mudanças simples na dieta e no estilo de vida, podemos apoiar a mudança da habituação que o corpo tem de estrogénio para o equilíbrio nos outros sistemas do corpo. Isso diminuirá a intensidade dos sintomas que experimentados devido à redução súbita de estrogénio no sistema.

Se nos dirigirmos a essa subtil e crescente tempestade do Vata, poderemos pacificá-lo antes que ele se mova e cause estragos no corpo, na mente e nas emoções. E o Vata pacifica-se com rotinas. Quando isto é feito a menopausa pode ser sentida como a mudança natural que é, ao invés do dramático cataclismo em que ela se transformou na sociedade.

Algumas recomendações gerais para a menopausa:

Comida: Prestar atenção especial à dieta. Certificar-se de que os alimentos são integrais, frescos e orgânicos. Limitar a ingestão de alimentos processados ou não-orgânicos. Evitar armazenar alimentos em recipientes de plástico ou beber em garrafas plásticas. Os plásticos imitam os estrogénios e interferem no equilíbrio hormonal normal. Jantar conscientemente. Saborear os alimentos e sustentar a capacidade de passar tempo a nutrir-se. Isso aumenta o valor nutricional que se ganha com a comida, e acalma o sistema nervoso.

c0ba6aa81c81f27a2ebbc5af857f70b4Ouvir o corpo. Comer quando estiver com fome e só até satisfazer a fome natural. A Ayurveda recomenda que se coma até que o estômago esteja cerca de 75% cheio. O metabolismo está a mudar subtilmente. Ajustar a porção de alimentos ingeridos, já que a capacidade de digerir se alterou.

Começar o dia com um copo grande de água morna. Adicionar um pouco de limão se quiser. Beber bastante água durante o dia. Ingerir a comida húmida e apenas uma pequena quantidade de água morna ou chá às refeições.

Dormir o suficiente. Ir para a cama cedo o suficiente para ter uma noite inteira de sono. Desligar todos os elementos eletrónicos pelo menos uma hora antes de deitar, para se sentir o suporte da melatonina quando quiser adormecer, e para permitir um sono contínuo. Verificar se o quarto está escuro, silencioso e confortável. Isso permite um sono reparador. Evitar estimulantes como café e açúcar, assim como depressivos como o álcool. Estes interferem com o sistema nervoso e podem afetar negativamente o sono.

Fazer algum exercício durante o dia, de preferência ao ar livre. Se existirem problemas para adormecer, ouvir uma meditação guiada ou um CD do Yoga Nidra para complementar algumas das horas perdidas de sono.

Conservar a energia. Inicialmente, quando a pessoa está ativa extrai energia dos alimentos. Quando essa energia é consumida, a energia é extraída dos recursos armazenados. A sensação de cansaço surge quando se esgotam os recursos. Uma parte importante desses recursos é o Ojas, um termo ayurvédico que descreve as reservas vitais. Assumir apenas atividades que sejam em proporção com a reservas próprias. O exercício deve ser feito de preferência em metade da capacidade corporal. Quando é necessário algum tipo de estimulante para suportar o dia, é sinal que as reservas vitais poderão estar esgotadas.

Começar o dia com uma rotina benéfica, incluindo limpeza, alongamentos, respiração e meditação. Equilibrar os horários ativos durante o dia com momentos de descanso. Incorporar o exercício no fluxo do seu dia. Observar a informação de cansaço do corpo, e respeitá-la, evitando a estimulação. Se notar a energia a diminuir à tarde, fazer uma pequena caminhada e respirar profundamente. Ingerir alimentos nutritivos, como fruta ou oleaginosas já demolhadas.

Menopausa do tipo Vata

Saramai+JewelsA nível de dieta surge a necessidade de aumentar o consumo de comidas e bebidas mornas e efetuar diariamente refeições regulares. Deve ser dada a preferência a temperos como a erva doce e os cominhos. Arroz e grãos integrais. Frutas como a maçã, pêssegos, tâmaras, uvas ricas em boro são exemplos de boas frutas no equilíbrio da mulher na Menopausa. Feijão Mung, lentilhas, inhame, amêndoas pacificam e nutrem o Vata. As algas também são importantes a serem introduzidas na dieta como kombu, agar agar que possuem um grande teor mineral (zinco, magnésio, cálcio, iodina, L-tyrosina). Evitar estimulantes como cafeína, açúcares refinados, bebidas geladas. Saladas.

A nível de hábitos diários é importante que a mulher se deite cedo, cuide de si mesma com massagens com óleo de sésamo morno, pratique meditação e yoga. As caminhadas também são importantes, sobretudo se for em dias de sol moderado. Uma boa forma de manter a pele do rosto hidratada é utilizar gel de Aloé Vera e óleo de sésamo, já que a é a pele que mais tende para a formação de rugas. É necessário que as mulheres na menopausa tipo Vata pratiquem atividades de lazer, atividades que lhe nutram o coração e a mente. Comumente a nível físico manifesta-se secura vaginal, palpitações, sensações intensas de calor, secura, dores musculares, a osteoporose também pode ocorrer se não houver tratamento/prevenção.

A nível de fitoterapia Ayurvédica são indicadas a shatavari, a ashwagandha, a triphala, a brahmi, a gotu kola, a amalaki, o açafrão da índia, e o ginseng. É importante equilibrar o sistema reprodutor feminino, principalmente apostando em plantas que tonifiquem o sistema endócrino. Dentro desta categoria: Vitex Agnus Castus, Inhame Selvagem, Shatavari.

Menopausa de tipo Pitta

Os sintomas na menopausa deste tipo são na generalidade um temperamento mais quente, ao qual se associam, também sentimentos de raiva, irritabilidade, sensações de calor, suores noturnos, infeções urinárias e também alguma tendência para erupções cutâneas, perda/desequilíbrio de movimentos intestinais.

A nível de dieta deve ser aumentado o consumo de comida refrescante, manter um bomb2c678c6b7a9b122fc8c9ed721cd5dab consumo de água regular, beber bastantes sumos de frutas doces como uva, pera, ameixa, manga, melão. Relativamente a condimentos deve-se dar ênfase à canela, cardomomo, coentros e erva doce.

Evitar comida muito picante, quente e a ingestão de álcool. A nível de estilo de vida é recomendado uma boa gestão das rotinas de sono, sendo necessário que a mulher se deite antes das 22h, que receba massagens com óleo de coco ou grainha de uva. Deve equilibrar as suas emoções através da meditação, exercício físico e passear em dias com brisa suave. A Fitoterapia utilizada comumente neste caso é o Aloé Vera, Gotu Kola, Açafrão da índia, Sândalo e Shatavari.

Menopausa de tipo Kapha

Neste tipo de menopausa ocorrem normalmente sintomas como ganho de peso, lentidão, retenção de líquidos, preguiça, a depressão também é comum, falta de movimentação e digestões lentas.

A Dieta deve ser no geral leve, com comidas secas e aquecidas. Deve aumentar-se o consumo de frutas, grãos integrais, legumes e vegetais. Temperos como pimenta, canela, pimenta caiena, açafrão da índia, mostarda e gengibre também são importantes. Evitar o queijo, a carne, o açúcar, comidas e bebidas frias. Um jejum semanal neste tipo de menopausa também é importante. A nível de estilo de vida a mulher Kapha deve levantar-se cedo e massajar-se com óleo de mostarda e amêndoas doces.  A Fitoterapia recomendada inclui a Gugulu e mirra.

Suores noturnos

Os suores noturnos começam na perimenopausa, podendo prevalecer nos primeiros anos da menopausa em si, e ocorrem quando a mulher está a dormir e pode resultar no despertar com pijamas e roupa de cama húmidas. O suor noturno pode levar a um sono interrompido que irá induzir a mais ansiedade, tornando-a um fator causal tanto nas ondas de calor como nos suores noturnos.

Curiosamente, as ondas de calor e os suores noturnos ocorrem apenas numa parte das mulheres do mundo, como consequência do seu estilo de vida. Na perspetiva ayurvédica, estes sintomas são causados ​​por um desequilíbrio do Vata e pelo desequilíbrio do agni do corpo. As ondas de calor e suores noturnos são sinais de que existe uma má interpretação dos sinais do corpo e isto é frequentemente causado pelo Vata. Embora o Pitta seja frequentemente associado ao calor, os desequilíbrios deste humor provocam calor que depois permanece, sem flutuações. Em algumas mulheres, pode haver um Pitta nas profundezas dos tecidos, contudo, os sintomas das ondas de calor são mais intensos do que o calor habitual, e esse é o indicador de existe um aumento do Vata.

O Agni é muitas vezes chamado de fogo digestivo, contudo, neste caso refere-se tanto ao agni do sistema digestivo como ao agni metabólico, o fígado. Quando o agni do sistema digestivo se torna variável, surge uma dificuldade em digerir alimentos, e a tendência a formar ama. Ama é o termo usado para um subproduto tóxico da digestão imprópria ou incompleta, frequentemente a causa de irregularidades hormonais e danos nos tecidos, órgãos e sistemas do corpo. A ama é transportada do sistema digestivo para o fígado juntamente com os nutrientes da comida. O fígado é responsável por muitas funções no corpo, e ajudar na libertação de ama é um deles. O fígado é o lar dos cinco agnis elementares (Cinco Elementos) e o seu trabalho é converter os alimentos que ingerimos numa substância utilizável pelo corpo.

Quando a ama formada no sistema digestivo é levada para o fígado, prejudica a capacidade do mesmo em cumprir as suas inúmeras funções, tendo implicações no sangue, nas células e tecidos do corpo. Ao nível celular, a ama pode interferir na capacidade do corpo de reconhecer e responder apropriadamente às hormonas do sistema. Perante todo este processo é importante a reflexão de como tudo o que é ingerido tem um impacto fulcral sobre a tendência que o corpo vai ter de exprimir o excesso de ama através dos suores noturnos. Uma dieta equilibrada, e ajustada à constituição, assim como o exercício, e os processos de depuração regulares ajudam na vivência de uma transição para a menopausa mais simples e suave.

Secura Vaginal

dry-vaginal-problemA vagina é mantida húmida pelas membranas mucosas presentes na vagina. O estrogénio produzido no corpo feminino estimula os tecidos vaginais a manter a vagina húmida. Quando as mulheres atingem a idade da menopausa, os ovários produzem menos estrogénio, o que pode levar ao afinamento do revestimento vaginal tornando a vagina vulnerável a infeções, o que, por sua vez, causa problemas como a secura. Associada à secura surgem outros sintomas como prurido, irritação, sensação de ardor, dor, desconforto, leve sangramento e dor durante o sexo.

Existem vários fatores que podem influenciar a secura vaginal, nomeadamente, os diafragmas, a toma de antidepressivos, anti-histamínicos, descongestionantes e antibióticos, tratamentos de quimioterapia e radiação, os corantes e fragrâncias do papel higiénico e detergentes para a roupa, assim como os sabonetes, os pensos e tampões, e os preservativos.

Na medicina ayurvédica, Charaka descreveu uma condição chamada Suska yoni. Suska significa seco e yoni refere-se aos órgãos reprodutivos femininos. Se durante a relação sexual, a mulher suprime os seus impulsos naturais, o Vata fica agravado. Isso causa dor, obstrução à passagem das fezes e urina e secura vaginal. Para tratar este agravamento do Vata é recomendada a oleação, fomentação, enema medicamentoso ayurvédico e terapias que pacifiquem o Vata.

Algumas propostas de tratamento

– Oleação: A massagem com óleo de sésamo e sal preto é usada para pacificar o Vata e fornecer lubrificação natural. A oleação ajuda na mobilização do dosha viciado do local da morbidade.

– Fomento: A fomentação através de um tubo (nadi sweda) aplicada aos genitais. Água quente é aspergida sobre a testa, abdómen inferior e genitais. Isso ajuda a aliviar a dor e a inflamação.

– Tampões de ervas são dados à paciente para ela inserir na vagina. Isso ajuda a reduzir a inflamação, dor, infeção e rejuvenesce os tecidos. Massagem ayurvédica ou Abhyanga pode ser feita para restaurar a lubrificação.

– Enema: fazer um enema utilizando-se ervas pacificadoras de Vata. É altamente benéfico para pacificar o Vata, que é a principal causa de secura.

– Óleo de coco: é uma gordura saudável que ajuda a restaurar os níveis naturais de hidratação no corpo. Pode ser usado como um lubrificante vaginal natural ou como um complemento para o tratamento da condição. É uma ótima fonte de vitamina E, que é benéfico para promover a secreção natural e a humidificação dos tecidos vaginais.

– Triphala: Adicionar água morna ao pó de Triphala, e misturar os ingredientes. Lavar a vagina com esta solução para diminuir a sensação de ardor.

– Açafrão da índia: Este é um lubrificante vaginal caseiro eficaz para tratar a secura. O açafrão da índia é conhecido pelas suas propriedades antimicrobianas que protegem a vagina da infeção. Fazer uma pasta de açafrão e misturar com um creme hidratante ou gel de aloé vera. Em seguida, aplicar essa mistura na vagina.

– Guduchi (Tinospora cordifolia): Usar um tampão embebido em óleo de guduchi, que pode ser inserido na vagina ou administrado sob a forma de um duche vaginal. Usar este remédio somente sob a orientação de um profissional qualificado.

– Shatavari: Para a secura vaginal, pode-se usar um ghee medicado com shatavari orgânico, que pode ser aplicado localmente para melhorar a lubrificação.

– Ashwagandha: a Ashwagandha tem sido usada há anos para tratar uma variedade de condições de saúde, incluindo a menopausa. A planta ajuda a manter as paredes da vagina saudáveis ​​e flexíveis, previne a dor, o rasgo e a secura. Também alivia sintomas como ondas de calor, mau humor e insónia.

– Óleo de sésamo: é um excelente lubrificante vaginal natural. Use uma bola de algodão e mergulhe-a no óleo de sésamo. De seguida, aplique-o nas paredes vaginais e continue por uma semana. Esta é uma maneira incrível de fornecer lubrificação vaginal natural.

– Duche de Shatavari e Ashwagandha: Juntar a Shatavari e a Ashwagandha e fervê-los em óleo de sésamo, e depois de frio este óleo medicado pode ser usado ​​como um duche vaginal. Este remédio só deve ser feito seguindo a orientação de um praticante ayurvédico qualificado.

– Tribulus Terrestris: Acredita-se que a Gokshura contribua para a força física e sexual em geral, construindo todos os tecidos, especialmente o shukra dhatu ou tecido reprodutivo. É um caminho natural para curar a secura vaginal.

– Feno grego: O feno-grego é muito eficaz no tratamento da secura vaginal. Ele ajuda a restaurar os níveis de estrogénio no corpo e proporciona alívio natural para a condição. As sementes produzem um efeito semelhante ao estrogénio, que ajuda a aumentar a lubrificação vaginal. Encher uma colher de chá de sementes de feno-grego e deixá-las em água durante a noite. Beber a água pela manhã.

– Cominhos, coentros e sementes de erva-doce: Esta infusão contém fitoestrogénios naturais que sustentam o equilíbrio hormonal saudável. Utilize partes iguais de sementes de cominhos, coentros e erva-doce e deixe em água quente por dez minutos.

– Gel de aloé vera: o gel de Aloé vera é um remédio natural eficaz para a secura vaginal. O Aloé é um hidratante natural e reduz a secura e o prurido em torno da vagina. O sumo de aloé vera também pode ser ingerido para a redução dos sintomas.

– Óleo de Tea Tree. O tea tree oil é valioso no alívio da secura vaginal devido às suas propriedades antibacterianas. O uso deste óleo ajuda a eliminar as bactérias que causam a secura. Massaje os lábios internos, os lábios genitais e a abertura vaginal com uma pomada segura e de alta qualidade contendo uma pequena quantidade de óleo de melaleuca, ou adicione o tea tree oil a uma base de óleo de coco. Certificar a sensibilidade da pele antes de usar.

– Gotu Kola: A Gotu Kola ajuda a aliviar a secura vaginal, equilibrando os níveis de estrogénio. Para preparar uma infusão adicionando ½ colher de chá de ervas secas numa chávena de água quente por 10 minutos. Beber 2 chávenas diariamente. Para reduzir o sabor amargo do chá, adicionar limão ou mel.

 

Os tratamentos acima descritos só devem ser feitos sob a orientação de um praticante qualificado de Ayurveda.

Aconchegar e Aquecer | Inverno com a Ayurveda

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O inverno está à porta, e com ele o aumento do frio e da secura que incrementam o Vata. A rotina de inverno ayurvédica foi concebida para trazer a Luz, o calor e a Alegria tão necessárias nos longos dias de inverno.

Idealmente tanto a nossa rotina caseira como de trabalho seriam ajustadas à variação do número de horas solares, já que com o aumento da duração da noite tem um impacto grande sobre a nossa fisiologia. No Inverno cresce a necessidade de recuperação e descanso na proporção em que diminui a nossa rentabilidade no trabalho. Tendo em conta, que a rotina laboral e social demanda por uma rotina igual em todas as estações do ano, é importante fazermos alguns ajustes na nossa rotina caseira como forma de manter o equilíbrio.

Uma das principais partilhas da Ayurveda revela que a nossa constituição corporal reflete cada estação do ano. O que significa que nossos corpos têm a inteligência para se adaptar ao clima local quando entramos numa nova época do ano. Assim, para continuarmos com boa saúde e harmonia, é essencial mudarmos para uma rotina mais sazonalmente sensível.

Cuidar, Aconchegar e Prevenir no Inverno

1 | Massagem no couro cabeludo e nos pés antes de dormir

Na Ayurveda, o sono é considerado um dos três pilares da vida. É ideal criar um Ritual de Sono, bebendo uma aconchegante infusão de camomila, canela e noz-moscada, deitar-se entre as 21h e as 22h da noite, sincronizando o corpo com os ritmos diários da natureza, tornando-se assim mais fácil adormecer. Antes de se deitar, massajar suavemente o couro cabeludo e os pés com óleo de sésamo morno, ao qual pode-se adicionar umas gotas de óleo essencial de alfazema. Isso vai acalmar o corpo e a mente, gerar uma boa noite de sono e um despertar ainda melhor.

2 | Durma mais e acorde um pouco mais tarde (e relaxe!)

Em vez de acordar muito cedo, como é habitual no verão, o inverno propõe um sono um pouco mais longo e um despertar um pouco mais tardio. No inverno, o sol nasce mais tarde, por isso, na rotina de inverno Ayurvédica é benéfico deixar o corpo dormir por mais tempo, para que ele se alinhe com o sol e tenha mais tempo para se recuperar.

3 | Raspe a língua todas as manhãs

É importante remover a ama (toxinas) raspando a língua todas as manhãs. As toxinas da comida viajam através do trato digestivo durante a noite, alojando-se. O uso diário de um raspador de língua (de cobre), remove facilmente a camada desagradável que se deposita durante a noite.

4 | Bochechos de óleo

O bochecho de óleo é uma excelente forma de limpar e branquear os dentes naturalmente.

Pode-se colocar uma colher de sopa de óleo de sésamo ou de coco orgânico na boca, bochechar e gargarejar por 10 minutos e cuspi-lo para fora. Pode-se fazer durante o duche, contudo, o óleo deve ser expulso para o lixo, para evitar poluir a água.

5 | Massagem com óleo quente da cabeça aos pés

A massagem com óleo (chamada abhyanga na Ayurveda) elimina as toxinas, regenera os tecidos e órgãos, melhora a circulação, hidrata a pele, ajuda o corpo a livrar-se das toxinas e, na verdade, aumenta a imunidade. Fazer uma automassagem de corpo inteiro com óleo de sésamo quente é uma magnífica forma de autocuidado. Aqueça o óleo em banho maria numa tigela com água quente. Em seguida, massajar o corpo da cabeça aos pés, usando movimentos longos nos ossos longos e movimentos circulares ao redor das articulações. Deixar o óleo penetrar na pele por pelo menos 20 minutos antes de lavá-lo. Ou deixe o óleo na pele se esta estiver propensa a secar.

6 | Duche com água quente

Um banho quente é bom para lavar o excesso de óleo sobretudo depois da massagem. Os banhos quentes têm várias funções e benefícios que vão para além da limpeza: relaxam a tensão do corpo, aliviam os músculos rígidos, o vapor limpa as vias nasais e alivia qualquer congestionamento, aumentam a imunidade, aquecem o corpo internamente, além disso, acalmam a mente, equilibram as emoções e eliminam o estresse. Apontar para tomar um banho quente todos os dias no inverno. Adicione alguns óleos essenciais aquecidos, como eucalipto, cardamomo, manjericão ou alecrim. Relaxar e aproveitar o tempo no duche.

7 | Mova o corpo

O exercício torna-se difícil durante o inverno porque a motivação diminui, e a prática ao ar livre fica impedida pelo frio, o vento, a chuva, granizo, a neve. Um treino de yoga suave em ambientes fechados é ideal para o inverno. Podemos ativar todos os canais de energia começando com algumas saudações ao sol, seguidas por respiração alternada nas narinas ou nadi shodha pranayama.

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8 | Beber líquidos quentes ao longo do dia

Após o exercício, é importante beber um copo de água morna com limão. Espremer uma fatia de limão num copo de água morna e adquirir o hábito de fazer dele a primeira bebida do dia todas as manhãs. O limão é alcalino, e vai estimular o agni (fogo digestivo) e facilitar a digestão. Também é muito importante garantir a hidratação, bebendo água morna durante o dia.

9 | Usar ervas para a imunidade e a força interior

As ervas são os melhores presentes da natureza para aumentar a imunidade e a energia. Podem ser preparadas em infusão, ou polvilhadas na comida. Beber chá de gengibre diariamente manterá o corpo aquecido e aumentará a imunidade. Tulsi (manjericão sagrado), cardamomo, açafrão, alcaçuz, pimenta preta e gengibre são algumas das melhores ervas para esta temporada.

10 | Fazer uma desintoxicação

A terapia Panchakarma sugerida no Inverno é o Basti, o enema terapêutico. O Basti tem um campo de ação muito amplo. trabalha em todos os sete dhatus, os upadhatus e os srotamsi, além dos principais locais de Vata no corpo (cólon, coxas, pelve, ossos, nervos, ouvidos). Tendo em conta que o Inverno é a estação do ano de Vata é muito importante mantê-lo pacificado.

11 | Meditar, agradecer, partilhar

O Inverno é a época do ano para a reflexão. Os longos serões, e os períodos passados dentro no interior da casa servem para reflectir, meditar e preparar as sementes internas e externas do ano seguinte. Agradecer é fundamental. Há muito pelo que se ser grato. Encontrar tudo aquilo que traz gratidão ao coração, inspirar-se e partilhar.  O Inverno é o tempo da partilha.

12 | Escolher alimentos alinhados com o inverno

Durante o inverno o jatharagni (fogo digestivo) torna-se mais poderoso. Somos capazes de comer e digerir quantidades maiores e mais pesadas de alimentos. A maioria das pessoas deve comer mais. Favorecer os sabores doce, amargo, salgado. Alimentos quentes, bem cozinhados e oleosos. Ingerir mais alimentos que aqueçam. Cana-de-açúcar, óleos, arroz, água quente, promovem longevidade quando ingeridos no Inverno. Começar o dia com um pequeno-almoço quentinho feito com cereais como arroz integral, amaranto, aveia, cevada e centeio.

Elimine os alimentos que causam o acúmulo de toxinas. Quando o corpo está cheio de toxinas, torna-se um terreno fértil para os desequilíbrios, que no inverno se traduz em gripes e resfriados. Evite a ama eliminando estes alimentos da dieta: Comida e bebidas frias, água gelada, sobras, comida não saudável, alimentos pesados, difíceis de digerir, como queijo duro, iogurte e qualquer coisa frita. Evitar alimentos leves e evitar a exposição ao vento.

Atenha-se a uma rotina de inverno ayurvédica, fazendo refeições quentes feitas na hora com raízes, como cebola, batata, alho, nabo, beterraba, rabanete e cenoura. Vegetais cozidos no vapor, sopas e pães integrais funcionam bem para o almoço e jantar. Nenhuma rotina de inverno ayurvédica estaria completa sem um pouco de ghee de leite de vaca (ele mantém o corpo aquecido), assim como especiarias como gengibre, pimenta caiena e pimenta preta. Alinhar os hábitos diários com a atual temporada é a maneira mais natural de se viver, que é o que torna a simples rotina de inverno ayurvédica tão eficaz.

Alimentos para o Inverno

mel gengibreLacticínios: Todos

Adoçantes: Açúcar-de-cana, mel, melaço

Óleos: Todos com moderação

Cereais: Arroz basmati, arroz integral pequeno, trigo, aveia, cuscuz, centeio

Leguminosas: Feijão Mung, tofu, lentilhas

Frutos: Abacates, papaias, uvas, laranjas, cerejas, ameixas, melões, morangos, ananás, framboesas, mangas, bananas, figo, pêssegos, laranjas, azeitonas, limas, limões

Vegetais: Batata-doce, Inhame, agriões, cenouras, batatas, beringelas, ervilhas, beterraba, espargos, feijão verde, tomates, quiabo, nabos, abóboras, pimentos

Nozes e sementes: Todas com moderação

Condimentos/Ervas: Gengibre, canela, cominhos, coentros, rábano bravo, assa-fétida, funcho, pimenta preta, sal marinho, noz-moscada, açafrão-da-índia, basílico, alho, fenacho, cravinho-da-índia

Bebidas: Leite quente, água quente, sumos de fruta, infusões

Produtos animais: Frango, peru, peixe, ovos

 

Kitchari de Natal | Uma receita

kitchari-cleanse5O Kitchari é um prato tradicional ayurvédico que é nutritivo, purificador e versátil, sendo esta receita uma excelente receita que fornece calor e enraizamento ao Vata nos meses de inverno, trazendo a almejada cor e alegria da época. Esta receita de Kitchari permite criar uma rotina de digestão regular, descansar dos excessos das festividades enquanto se libertam algumas toxinas acumuladas. Em termos de benefícios o Kitchari fomenta a limpeza do sangue e do trato gastrointestinal, fornece ferro e outros nutrientes para a construção do sangue, fibras, vitaminas e minerais (especialmente vitaminas A, B, C, K), e proteína “completa” à base de plantas. Adequado a todos os tipos de corpo podendo, contudo, os tipos Kapha devem substituir o arroz basmati por quinoa ou millet e os tipos Pitta devem abster-se de usar pimenta caiena, canela e apenas uma pequena quantidade de pimenta preta.

Necessita de uma panela média, uma placa de corte e faca e um ralador de queijo.

Ingredientes

6 chávenas de água (ou caldo de legumes)

1 chávena de feijão mungo demolhado *

1 chávena de arroz basmati (substituto de quinoa, arroz integral ou painço)

1 beterraba média, descascada e picada em pequenos cubos

1 pequeno nabo, descascada e picada em pequenos cubos

1 cenoura média, picada em fatias finas

5 folhas grandes de couve

1 colher de sopa de ghee, óleo de gergelim, óleo de girassol ou óleo de coco

1 cubo de gengibre fresco, descascado e finamente ralado

1-2 colheres de chá de mistura de especiarias Agni Churna (Açafrão da índia, Gengibre, Erva-doce, Assa fétida, Aipo, Cardamomo, Pimenta preta, Pimenta longa, Feno grego, Semente de Mostarda preta, Cominhos, Cominhos pretos)

1 pau de canela

1 Pitada de pimenta caiena (opcional, não recomendado para Pitta)

Sumo de limão fresco de 1/2 de limão

3 cebolas verdes picadas

10 raminhos de coentros, picados

Sal e pimenta a gosto (sal do Himalaia é o melhor)

* Mergulhe 1 chávena de feijão mung em 4 chávenas de água durante a noite. Descarte a água no momento do uso. Os feijões inteiros podem ser substituídos por feijão mungo ou lentilha vermelha.

Instruções

  1. Adicione ghee ou óleo a uma panela média e coloque no fogão em fogo médio. Uma vez quente, adicione as especiarias Agni Churna e pimenta caiena (opcional). Misture as especiarias em fogo baixo por 1-3 minutos mexendo sempre para evitar que queimem.
  2. Adicione 6 chávenas de água ao mesmo prato, aumente o fogo e cubra até ferver. Enquanto aguarda a água ferver, pique a beterraba, o nabo e a cenoura.
  3. Depois de ferver, reduza o fogo para médio e adicione o pau de canela e os feijões juntamente com a beterraba picada, o nabo e a cenoura. Cubra apenas a meio caminho para evitar um excesso e cozinhe por 30 minutos. Agite a cada 10 minutos.
  4. Após 30 minutos, adicione o arroz basmati (ou outro grão de escolha) e cozinhe por mais 20 minutos. Agite a cada 10 minutos.

NOTA: Se você estiver usando arroz integral, isso exigirá muito mais tempo para cozinhar. Neste caso, é melhor adicionar o arroz integral ao mesmo tempo que o feijão mung. Também pode ter que adicionar um pouco mais de água.

  1. Enquanto estiver a cozinhar, comece a cortar a couve, a cebola verde, os coentros e rale o gengibre.
  2. Após os 20 minutos, adicione a couve picada e reduza o fogo para baixo. Cozinhe parcialmente coberto por mais 10 minutos mexendo a cada 5 minutos.
  3. Após os 10 minutos, retire do fogo. Adicione os coentros picados e a cebola verde, o gengibre ralado, o sumo de limão espremido fresco, sal e pimenta. Mexa bem. Sirva e desfrute deste belo prato vermelho e verde no seu prato favorito. Compartilhe com os outros, enquanto se aquece num belo dia de inverno!

Variações opcionais para cada humor:

Vidya-Kitchari4Vata: Para os tipos Vata, as melhores opções para óleo seriam ghee ou óleo de sésamo. Certifique-se de cozinhar todos os legumes até que eles fiquem bem moles. Todas as opções de grãos mencionadas são adequadas para Vata, embora o arroz basmati tenda a ser o mais fácil de digerir pelos tipos de Vata.

Pitta: Para as constituições Pitta, omita a pimenta caiena, o pau de canela e substitua o limão por lima. Coentros extra podem ser adicionados, se desejar. As melhores opções de óleo seriam ghee, óleo de girassol ou óleo de coco. As melhores opções de grãos são arroz basmati ou quinoa branca.

Kapha: Para as constituições de Kapha, mantenha o sal e o óleo no mínimo. As melhores opções de óleo são ghee ou óleo de girassol. As melhores opções de grãos para o Kapha serão a quinoa ou o painço, embora os grãos em geral devam ser usados ​​em quantidades menores, enquanto aumenta a quantidade de legumes. Especiarias extras e limão podem ser adicionados para aumentar o fogo digestivo e o metabolismo.

Ayurveda e a Intimidade | Orientações para uma vida sexual equilibrada

Husband-Wife-Disputes

Falar de Saúde íntima é ainda um desafio na nossa cultura. Nas culturas ancestrais era, contudo, fundamental para que a harmonia reinasse entre os pares. A Ayurveda, como linguagem de sabedoria, desde há milhares de anos que faculta informação e fomenta o nosso autoconhecimento ao nível da intimidade, tanto ao nível físico, como também ao nível emocional, mental e espiritual. Profundamente integrado no estilo de vida ayurvédico está o conceito da gestão da vida sexual como forma de manutenção da saúde e longevidade. A aplicação desta profunda e valiosa arte do saber resulta na fundação de relações saudáveis e felizes.

O contexto da saúde sexual pode ser, hoje em dia, um assunto sensível e confuso. Muito embora muitos dos media partilhem conteúdos muito explicitamente sexuais, e a sexualidade na internet seja um problema crescente, sobretudo em termos da educação sexual e da utilização da pornografia por jovens e adolescentes, todos esses assuntos carecem da profundidade e da real intimidade que é necessária para o nosso equilíbrio íntimo e relacional. A Medicina Ayurvédica contextualiza a sexualidade e a intimidade como fatores naturais, e como parte essencial da vida do indivíduo.

A Ayurveda analisa a totalidade da vida do indivíduo com cuidado e define claramente as fases da vida.

Os Quatro Objetivos da Vida

Na visão dos Vedas todas as nossas atividades estão alinhadas com os quatro objetivos.

Dharma – é o alinhamento interior com o que é correto segundo as Leis universais da Natureza, e é parte de todas as Sociedades, tradições, religiões, tal como é parte de cada ser humano. As atividades praticadas no dharma são oportunidades para o indivíduo servir a sua comunidade, e preservar o ecossistema do universo.

Artha – é a natural procura por riqueza. Esta categoria de atividade refere-se ao trabalho que produz rendimento ao indivíduo e à sua família. Ganhar pela vida é considerado um dos objetivos da vida.

Kama – é a natural procura por prazer na vida. Refere-se às atividades realizadas para satisfazer os sentidos da pessoa. Estas incluem comer, beber e outras experiências sensuais e prazerosas. O objetivo final do Kama é procriar e manter a espécie.

Moksha – é a liberdade absoluta, a salvação, ou a libertação de todas as atividades de artha, kama, e até mesmo de dharma. Esta categoria de atividades diz respeito à busca do desenvolvimento espiritual e da transcendência do mundo material. O objetivo é praticar o não-apego e permitir à pessoa entregar-se ao Universo ou ao Criador. Este é o objetivo mais importante da vida para aqueles atraídos pela filosofia espiritual das culturas orientais.

Os quatro objetivos da vida são continuados pelo indivíduo ao longo da vida. No entanto, cada fase da vida tem um foco único. A vida do indivíduo é dividida nas quatro seguintes fases:

Brahmacharya – Esta fase dura desde o nascimento até a idade de 25 anos. Este é considerado um tempo para o aprendizado, bem como para o desenvolvimento pessoal e espiritual. A maioria das pessoas conclui a sua educação até os 25 anos de idade, começa a sua carreira e até mesmo inicia uma família.

Grihasta – A segunda fase da vida dura de 26 a 50 anos. Este é considerado um momento para crescer na carreira, aplicando todos os recursos académicos, pessoais e espirituais no trabalho. É também nesta fase que as pessoas começam a vida familiar, relacionando-se e comprometendo-se com um ente querido, começando uma família, tendo filhos e amadurecendo.

Vanaprastha – A terceira fase da vida varia de 51 a 75 anos de idade. Nesta fase, a pessoa é convidada a abraçar o dom do presbiterado e da liderança. Compartilha livremente o seu conhecimento, experiência e sabedoria reunidos ao longo da vida. Durante esses anos, muitas das pessoas tornam-se avós e têm a oportunidade de compartilhar os seus dons com as gerações mais jovens, ajudando-os a aprender com as suas experiências.

Sanyasa – A fase final é descrita como durando dos 76 até a morte. Esta é a fase da vida mais espiritualmente focada, onde a pessoa desiste das atividades mundanas para dedicar a vida à transcendência espiritual ou moksha.

Na nossa Sociedade atual a esperança média de vida aumentou, razão pela qual os adultos mais velhos são sexualmente ativos por mais tempo. A grande maioria das pessoas, entre 50 e 75 anos, continuam sexualmente ativos, e alguns permanecem ativos entre as idades de 75 a 85 anos. Adaptar os princípios de equilíbrio ensinados pela Ayurveda à nossa vida atual é essencial para otimizar as experiências sexuais, a intimidade, a saúde e a vitalidade.

 

Vakjikarana Tantra – Afrodisíacos e Medicina Reprodutiva

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Vajikaran Tantra é o ramo terapêutico da medicina Ayurvédica dedicado à saúde íntima, e que visa tornar o ser humano suficientemente apto para produzir uma descendência saudável e feliz, no intuito de contribuir com a sua genealogia, para a criação de uma sociedade melhor. Os conteúdos do Vajikarana contêm dissertações sobre os procedimentos que o ser humano deve realizar para que consiga chegar a um nível supremo de elevação física, energética e espiritual a nível sexual. É uma prática considerada purificadora e espiritualizante, e uma forma de compreensão libertadora, que desobstrói as muitas formas de manifestação do desejo, sejam elas sexuais ou não. Por outras palavras, trata-se de uma prática que conduz à liberdade, ao Nirvana.

O Stree (o ser feminino) é o maior de todos os Dravya vajikaran como disse Charak. Antes do vajikaran, é essencial realizar-se uma terapia Panchakarma (as Cinco Ações de Purificação profunda). O Vajikaran é bom para a saúde e também influencia a saúde mental e a psique (mente), que é considerada a origem do impulso para o desejo sexual.

No intuito de se criar uma boa relação é fundamental conhecer-se e trabalhar-se com os Doshas de cada elemento do casal, já que ajuda a compreenderem-se mutuamente, a perceber qual a abordagem do parceiro perante a vida e a educação dos filhos. Após se ter encontrado o parceiro, deve-se colocar a atenção no equilíbrio da relação. Quando o propósito é a concepção, o ideal é começar os cuidados sugeridos pelo Vajikarana Tantra, pelo menos 3 a 4 meses antes de conceber, a tentar manter uma mente calma, relações equilibradas e uma dieta saudável.

 

Os Dhatus (Tecidos corporais) e o seu papel na Sexualidade

Todos os tecidos do corpo humano são desenvolvidos a partir dos alimentos que são ingeridos pelo indivíduo. A nutrição vem através de três formas principais: alimentos, respiração e pensamentos. A pureza e o equilíbrio nessas três formas de nutrição tornam-se a base da pureza e do equilíbrio dos tecidos no indivíduo. À medida que os tecidos do corpo são desenvolvidos, o shukra ou os fluidos sexuais são os últimos a serem refinados.

O Shukra dhatu ou tecido sexual é considerado um tesouro fisiológico de energia, a nossa semente, o nosso elixir, subtilizado através dos processos alquímicos do corpo, e que contém a capacidade de dar Vida ou de regenerá-la. O seu uso adequado pode promover a saúde e a evolução espiritual. O uso desequilibrado do shukra pode levar à fraqueza e à doença. Uma metáfora para a função de shukra é compará-lo a uma taça. À medida que a taça enche, a nossa reserva de energia sexual cresce, dando-nos uma sensação de vitalidade e virilidade. À medida que o copo cheio de shukra transborda, esta energia fica ainda mais refinada para criar o ojas – o brilho da aura, a compleição.

Mais refinado que o shukra dhatu físico, o ojas alimenta o corpo subtil, fortalecendo a imunidade e a vitalidade do indivíduo. O ojas representa a capacidade restaurativa ou autocura do corpo. Um ojas saudável indica o equilíbrio perfeito do corpo, mente e espírito, onde o corpo alcança a homeostase fisiológica e o biorritmo equilibrado. O ojas está também associado à resiliência e suscetibilidade do indivíduo a doenças.

A atividade sexual excessiva e inapropriada provoca a depleção do shukra e do ojas. A Ayurveda aconselha o desenvolvimento da gestão cuidadosa da sexualidade, e considera a união sexual como uma experiência sagrada de expansão de consciência, que abre o coração para o amor próprio, e para o amor a todos os seres com uma paixão crescente.

 

O equilíbrio do masculino e do feminino

lakshmi shivaA Ayurveda relata o conceito de Ardh-nar-ishwar (ver a imagem), em que cada indivíduo é feito de um aspecto divino masculino e de um aspecto divino feminino. O equilíbrio entre essas polaridades produz o equilíbrio a todos os níveis (físico, mental, emocional e espiritual) do indivíduo. A integração do masculino e feminino através da união sexual promove também o equilíbrio. Tanto os homens como as mulheres têm hormonas, embora os homens tenham predominância de testosterona, e menor quantidade de estrogénio e progesterona. Nas mulheres, o estrogénio e a progesterona existem numa maior concentração, e a testosterona em menor concentração. Os bons níveis de testosterona, tendem a melhorar o desejo sexual e melhorar a saúde geral entre homens e mulheres. Ainda assim, o equilíbrio é essencial porque muita testosterona nas mulheres pode levar a doenças, enquanto o excesso de estrogénio entre os homens pode levar também a doenças e vice-versa.

Ainda assim, todas as pessoas têm uma expressão masculina e feminina no seu interior, embora externamente o comportamento individual recaia num dos géneros. O parceiro sexual representa o aspecto oposto dessa expressão no exterior. Assim, a união sexual tem a capacidade de promover o equilíbrio entre o masculino e o feminino interior. O conceito de “Ardh-nar-ishwar” pede aos amantes que se aproximem da união sexual, tendo presente que durante o ato sagrado entram em intimidade com o Divino através do ser amado. Isso requer envolver-se com o parceiro em profunda envolvência, amor e vulnerabilidade. Este envolvimento profundo promove a satisfação divina nos relacionamentos, e promove a inteligência emocional na relação.

Mesmo no que concerne às hormonas, nas 24 horas após a união sexual há um aumento da hormona do crescimento observado em ambos os sexos. Essa hormona produz um impacto positivo na composição corporal, na força muscular, no desempenho físico, no sistema cardiovascular, no metabolismo e na função imunológica. Uma atitude de sacralidade e união divina purifica o efeito desses resultados positivos da atividade sexual, tornando-a um ato de cura, em vez de uma necessidade primordial.

 

Disfunções na Sexualidade

Os problemas de disfunção sexual são prevalecentes em homens e mulheres de meia-idade e idosos. A testosterona, o estrogénio e a progesterona são as principais hormonas que afetam as funções sexuais entre os homens e as mulheres.

O estilo de vida, e a qualidade da alimentação quotidiana tem contribuído largamente para um crescente nível de infertilidade tanto nos homens como nas mulheres. Nos homens a tendência apresenta-se no défice da qualidade e na falta de motilidade dos espermatozoides. Entre as mulheres, os problemas prevalecentes surgem através de desequilíbrios hormonais, para além do baixo interesse sexual, a dor durante o coito, e a falta de prazer e intimidade.

À medida que envelhecemos, os homens experimentam andropausa, uma queda nas hormonas andrógenas; e as mulheres experimentam a menopausa, uma queda nas hormonas estrogénicas. Estas contribuem para o aumento dos níveis de disfunção sexual entre os idosos. A Ayurveda possui as ferramentas para o resgate e a manutenção dos fluidos sexuais, para uma atividade sexual ideal, equilibrada e prazerosa.

 

Ervas para a saúde sexual

Para além de uma correta e adequada atitude emocional e espiritual em relação à sexualidade, são muito importantes atitudes que levam a um senso compartilhado de responsabilidade, comunicação aberta, integridade e atenção plena na relação. A atividade sexual é também uma forma de exercício, e quando a pessoa abandona a atividade sexual, toda a musculatura envolvida fica enfraquecida. A Ayurveda fornece ferramentas simples para superar esses desafios.

Na Medicina Ayurvédica são descritos dois ramos específicos de ervas chamados rasayana e vajikarana. As ervas Rasayana são medicamentos rejuvenescedores e holísticos nas suas funções regenerativas. Estas ervas promovem efeitos tonificantes em todos os tecidos do corpo, que acabam por se transmutar no shukra dhatu e no ojas. As ervas Vajikarana são ervas regenerativas que promovem a eficácia do shukra dhatu ou tecidos sexuais, incluindo as hormonas e os órgãos físicos. Estas são algumas das ervas que são benéficas em termos de rasayana e vajikarana:

 

Ashwagandha – Withania somnifera – Esta é uma erva rasayana, uma erva rejuvenescedora. A principal função da Ashwagandha é rejuvenescer as enzimas antioxidantes do corpo, controlando os danos relacionados com a oxidação em todos os tecidos do corpo. Esta ação contribui para a atividade antienvelhecimento da Ashwagandha. As lactonas esteróides continas na Ashwagandha também ajudam a regular as hormonas sexuais.

Em estudos clínicos, o tratamento com a Ashwagandha triplicou a virilidade nos homens com baixa contagem de espermatozoides, bem como melhorou a motilidade dos espermatozoides. O benefício também foi observado em homens normais; neles, a virilidade melhorou em 50%. Noutro outro estudo, quando administrada a homens com baixa contagem de espermatozoides, a Ashwagandha aumentou a contagem de espermatozoides em 167%, o volume de sémen em 53% e a motilidade dos espermatozoides em 57%. Assim, pode-se comprovar a forma como a Ashwagandha promove a função normal em todos os níveis dos tecidos, restaurando a função sexual e a vitalidade.

Shatavari – Esparagos rancemosus – A Shatavari é considerada o principal tónico de saúde para as mulheres na medicina ayurvédica. A Shatavari é uma das fontes mais ricas de fitoestrogénios na forma de saponinas esteroidais (Shatavarin I-IV) e isoflavonas (diadzin e genestien). Estes compostos são essenciais para o efeito da shatavari na função sexual. Um estudo clínico revelou que entre as mulheres jovens, a shatavari melhorou a maturação do ovo e a ovulação. Entre as mulheres mais velhas, a shatavari ajudou a aliviar os sintomas da menopausa e a tonificar os órgãos sexuais. É também uma fonte de vários minerais, incluindo zinco, manganês, cobalto, cobre, potássio, cálcio, magnésio, etc.

Muitas mulheres experimentam secura vaginal e relação sexual dolorosa à medida que envelhecem, isto deve-se à queda dos níveis de estrogénios. Os cremes de estrogénio proporcionam alívio, contudo é tradicional usarem-se na Medicina Ayurvédica, entre outras receitas, óvulos de ghee com shatavari para colmatar a secura vaginal, com resultados muito positivos.

Gokhsura – Tribulus terrestris – Esta erva é comumente reconhecida como um afrodisíaco. A Gokhsura pode afetar os níveis hormonais; os pesquisadores observaram que o extrato de Tribulus tem a capacidade de elevar os níveis de uma hormona reguladora, a hormona luteinizante, bem como todos os andrógenos, incluindo a testosterona e diidrotestosterona. Foi também observado que a Tribulus melhora o interesse sexual e a função sexual nos homens.

Shilajit – Asphaltum punjabium – Este medicamento único é fruto de material vegetal petrificado, uma espécie de argila, que é colhida em pequenas quantidades a partir de rochas íngremes em altitudes entre 1000 e 5000 metros entre as montanhas do Himalaia. É considerado uma excelente fonte de 85 minerais na sua forma iónica. No estudo clínico em homens, o shilajit aumentou os níveis de hormonas testosterona e hormonas folículos estimulantes. Esses homens também tiveram uma melhoria de 61% na contagem de espermatozoides, e a motilidade melhorou em 18% com 90 dias de tratamento.

 

Fiel à sua tradição holística, a medicina ayurvédica prescreve essas ervas no contexto de mudanças dietéticas e de estilo de vida, e sempre com seguimento de um médico ou terapeuta de Ayurveda. Dieta à base de plantas, exercícios regulares e sono adequado são essenciais para a cura e a eficácia de qualquer medicamento. Estes podem ser melhorados com a prática regular de exercícios respiratórios e meditação, que promovem a transformação emocional e espiritual.

Mimo e cuidados de Outono com a Ayurveda

Apesar de começarmos a termos de nos habituar à indefinição das estações do ano derivadas às alterações climáticas, alguma regularidade pode ainda ser observada, e naturalmente respeitada de forma a mantermo-nos em equilíbrio.

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A mudança do verão para o outono é um período chamado Ritu Sandhi na Ayurveda. Refere-se à lacuna entre as estações. Este é um momento delicado para a digestão, porque os doshas (humores) estão flutuantes e a capacidade digestiva pode também oscilar. Este tempo de flutuação proporciona uma oportunidade natural para uma limpeza de Outono. A Ayurveda sugere que façamos bom uso da tendência natural do corpo para se purificar.

O Outono é uma das estações do ano em que o Vata predomina. O Vata e o Outono compartilham as qualidades de movimento, mudança, secura, frio, luz, mutável, rápida e irregular.

No Outono começamos a ver mudanças no clima, algumas delas repentinas, que se refletem na beleza da mudança da cor das folhas das árvores. Começamos por sentir mais frio e há movimento no ar quando o vento frio começa a soprar. É a estação que agrava o Vata devido ao clima frio e ventoso. O Vata pode manifestar-se no nosso corpo e mente como: secura, ansiedade, preocupação, dor nas articulações, alterações nos nossos padrões digestivos, incluindo obstipação e até insónia.

As estações vão-se sucedendo independentes da nossa vontade, e a Ayurveda é provida da informação que nos permite lidar de forma harmoniosa com o nosso ambiente externo, e o eventual stresse que o acompanha, através de pequenos ajustes na nossa rotina diária.

 

A Alimentação no Outono

A energia do Vata é naturalmente criativa e também agitada. Tendo isso em conta é fundamental manter o Vata calmo e feliz. Idealmente devem-se evitar alimentos com as caraterísticas do Vata como bebidas frias e alimentos secos, ásperos, grosseiros, frios e crus. Deve adicionar-se mel aos alimentos e às bebidas, assim como voltar às ervas digestivas de aquecimento como os gengibre, cominhos, canela, cravinho-da-índia, manjericão, erva-doce e pimenta preta.

As sopas de vegetais e ensopados são perfeitos para esta época do ano, assim como o ghee e alimentos quentes, e com os sabores picante, ácido e doce. A abóbora é um alimento muito típico da estação e muito adequado para nutrir o Vata, assim como vários tubérculos como a batata-doce, a beterraba e a cenoura, que facilitam o processo de ‘enraizamento’ da leve energia do Vata.

Idealmente as bebidas devem ser quentes como água quente, infusão de gengibre (usar gengibre fresco) ou de outras ervas, como erva-doce, cominhos e tomilho.

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Alimentos preferenciais de Outono

Lacticínios | todos

Adoçantes | Açúcar-de-cana, mel, melaço

Óleos | Todos com moderação

Cereais | Arroz basmati, arroz integral pequeno, trigo, aveia, cuscuz, centeio

Leguminosas | Feijão Mung, tofu, lentilhas

Frutos | Abacates, papaias, uvas, laranjas, cerejas, ameixas, melões, morangos, ananás, framboesas, mangas, bananas, figo, pêssegos, laranjas, azeitonas, limas, limões

Vegetais | Batata-doce, Inhame, agriões, cenouras, batatas, beringelas, ervilhas, beterraba, espargos, feijão verde, tomates, quiabo, nabos, abóboras, pimentos

Nozes/sementes | Todas com moderação

Condimentos/ervas | Gengibre, canela, cominhos, coentros, rábano bravo, assa-fétida, funcho, pimenta preta, sal marinho, noz-moscada, açafrão-da-índia, basílico, alho, fenacho, cravinho-da-índia

Bebidas | Leite quente, água quente, sumos de fruta, infusões

Produtos animais | Frango, peru, peixe, ovos

 

Rotina Diária adequada ao Outono

O Vata dosha desequilibra-se quando a rotina diária é irregular. É fundamental termos o cuidado de descansar bastante e manter uma rotina regular.

Massagem com Óleo Quente

Abhyanga: Aqueça um pouco de óleo orgânico de boa qualidade e faça uma pequena automassagem todos os dias. Esta prática ayurvédica diária nutre e cultiva uma pele bonita e também acalma o Vata. Tradicionalmente, é usado o óleo de sésamo, que contém propriedades antioxidantes, é amornante e um pouco pesado. Para além do óleo de sésamo, existem outros óleos vegetais adequados como o óleo de brahmi (sobretudo para a cabeça), o óleo de mostarda, e eventualmente até o óleo de amêndoas doces. Idealmente o óleo deve ficar na pele por duas horas para ser bem absorvido. Opcionalmente um banho de vapor ajuda na dilatação dos poros e absorção profunda dos benefícios do óleo usado. Tomar um banho quente após a massagem para lavar o óleo do corpo.

Movimento

Dança, Ioga, Caminhadas, e Chi Kung são alguns dos exercícios mais adequados para esta estação.

Respiração

Tire um tempo todos os dias para exercícios de Pranayama. Comece o dia com algumas repetições de respiração consciente completa. Inspire e expire a sua Intenção para o dia.

Desintoxicação | Panchakarma

Uma dieta purificadora fácil de digerir é recomendada durante o período de transição da estação e como preparação para o Panchakarma. São de evitar certos alimentos como carnes, sobras e alimentos processados já que são mais difíceis de digerir durante este período.

Dhal, arroz e legumes cozidos são adequados para uma limpeza de outono. Suplementar a dieta com Triphala, a fórmula tradicional de digestão ayurvédica, é uma forma prática de manter a digestão forte e uma eliminação regular.

O outono é um ótimo momento para receber Panchakarma, a tradicional limpeza Ayurveda. O Panchakarma pode ser feito numa clínica com um praticante ayurvédico qualificado, ou pode ser feito em casa, sob a orientação de um profissional qualificado. A terapia Panchakarma recomendada no Outono é o Basti – Oleação interna do cólon.

Fitoterapia

A Neem é uma planta famosa usada há séculos na Índia para tornar a pele mais radiante. O chá de neem é um tónico, e planta é também usada para limpar os dentes, e como um repelente natural de insetos. Embora nada possa substituir a experiência profunda e purificadora do Panchakarma, a Neem ajuda bastante no processo de desintoxicação. A sua ingestão deve orientada e seguida por um médico ou terapeuta ayurvédico habilitado.

 

Ventos em mudança: como afetam eles as Bioenergias

O vento é frequentemente caracterizado pelo Vata-dosha na Ayurveda, sendo ele próprio composto de akasha (espaço / éter) e vayu (vento / ar). Os vários tipos de vento são conhecidos geralmente por agravarem o vata, devido à natureza subtil do vento.

Os três humores biológicos em Ayurveda ou doshas são Vata-dosha, Pitta-dosha (composto de agni ou fogo e jala ou água) e Kapha-dosha (composto de jala ou água e prithivi ou terra). Destes, Vata, o humor do vento, é o mais subtil; Pitta, o fogo é o humor bilioso, sendo o seguinte mais subtil; e Kapha, o humor de água e fleuma, é o mais denso.

Na Ayurveda as várias mudanças do nosso ambiente natural – tão simples quanto as direções do vento – podem criar várias questões relacionadas com agravamento dessas bioenergias. Se formos dar um passeio ao vento, o Vata irá agravar, especialmente no outono e nas estações mais secas. Podemos também procurar perceber em que direção o vento sopra, o que também nos dá indicações de como as bioenergias podem ser agravadas.

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Ventos Orientais

Diz-se que o vento que sopra principalmente do Oriente é pesado e untuoso e tem um sabor doce e salgado. Assim, agrava o Kapha-dosha, que compartilha dessas propriedades, e o Pitta-dosha e o rakta (sangue), devido ao sabor salgado. Também agrava aqueles que sofrem de problemas como envenenamento, úlceras e ferimentos devido a acidentes, e causa sensações de ardor. Contudo, estes ventos orientais aliviam a fadiga e o inchaço, e reduzem o Vata.

Ventos do Sul

Diz-se que o vento que sopra primariamente da direção sul é leve em propriedade e doce, aliviando o Pitta-Dosha e o sangue, sem agravar o Vata. Ajuda a promover a força no corpo, e ajuda a visão, que está relacionada com o Pitta. Também pode aliviar o sangramento, devido à sua propriedade doce, que tem uma natureza redutora e refrescante de Pitta (shita-virya).

Ventos Ocidentais

O vento que sopra principalmente do oeste pode aliviar fortemente o Kapha-dosha, mas devido à sua natureza também afiada, seca, áspera e leve pode causar emagrecimento e reduzir a força (especialmente em tipos Vata). Reduz o tecido adiposo (devido à sua natureza seca), e diminui a untuosidade observada nos tipos Kapha, especialmente reduzindo o congestionamento e a fleuma.

Ventos do Norte

Diz-se que o vento que sopra principalmente da direção norte mantém as três Bioenergias em equilíbrio, e tem uma natureza untuosa, suave e pegajosa, com gostos doces e adstringentes. Para pessoas saudáveis, diz-se que promove a força e é útil em casos de emaciação devido à tuberculose e envenenamento. Quando o corpo acumulou toxinas, no entanto, pode agravar os doshas devido à sua natureza húmida.

Os Ventos e as Bioenergias

Naturalmente, devido aos vários climas ao redor do globo, existem variações, e podem haver efeitos contrários. No entanto, o fundamental é que vários tipos de vento agravam os doshas de diferentes maneiras, e podem ser usados ​​para reduzir outros doshas.

Podemos avaliar as várias propriedades ou gunas dos ventos que sopram ao nosso redor e, assim, entender como agravam os doshas, e quais os ventos predominantes.

Como exemplo, as comunidades costeiras ao longo das costas orientais sentirão uma forte e fresca brisa marítima proveniente dos ventos de Páscoa que provocarão os doshas – especialmente Vata e Kapha – devido às suas naturezas mais frias, apesar de outras propriedades. Nas estações de outono-inverno nessas regiões, é melhor que as pessoas – especialmente as constituições Vata e Kapha – evitem sair para passear quando esses ventos sopram, pois podem ser fatores causadores de doenças.

Vários ventos podem também afetar os nossos estados mentais pelas suas qualidades e propriedades. Ventos frios em dias nublados podem nos fazer sentir letárgicos, sem energia e deprimidos, devido à sua natureza mais escura (tamásicas), mais pesada e mais fria. Os ventos mais quentes têm uma natureza de secura, mas às vezes podem afetar uma pessoa pelas suas naturezas direcionais secundárias.

Na Ayurveda as diferentes propriedades do vento estão intimamente conectadas com desha (localização) e rtu (estação), e podem afetar as pessoas de forma diferente, baseadas na constituição biológica básica de uma pessoa (prakriti), quaisquer desvios temporais dela (vikriti), a sua idade ( estágio de vida), e sexo (por exemplo, as mulheres são mais propensas a serem agravadas por ventos). Com as mudanças planetárias, esses efeitos subtis apresentam um exemplo de outro nível mais profundo na Ayurveda, no qual várias doenças podem ser criadas pela viciação dos doshas ou pela redução dos seus efeitos pelos vários efeitos e qualidades da natureza ao nosso redor, como o vento.

Podemos começar a examinar essas propriedades ou qualidades (gunas) dos ventos ao nosso redor, nos nossos climas e locais para começarmos a avaliar os efeitos que eles têm na nossa bioenergia.

12 Inspirações para um Despertar Ayurvédico

Independentemente do ritmo que a vida atual nos impõe, a Natureza, e o nosso corpo – que é a Natureza a vibrar em nós – tem um ritmo próprio. Existem ciclos corporais naturais de metabolização de alimentos, emoções, pensamentos, toxinas; existem ritmos de sono, ritmos de fecundação, até o ritmo do nosso pulso altera-se de acordo com a hora, o momento do dia, a estação do ano, e contudo sempre em sintonia com o pulsar da Mãe Terra. Muitos dos desequilíbrios surgem precisamente pela inexistência de ritmo, e por uma desatenção instalada em relação ao pulsar da Vida no nosso corpo. Quando estamos dessincronizados adquirimos outro ritmo de vida, que entra em resistência com o pulsar da Terra. Dormir demasiado tarde, ou durante o dia. Comer fora do horário das refeições. Falhar a hora ideal para evacuar, e/ou conter a urina. Estes são alguns dos exemplos de como podemos facilmente desequilibrar-nos.

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1 | A hora de despertar

Com a primeira Luz do amanhecer, cerca de noventa minutos antes que o sol surja no horizonte oriental, ocorre uma grande onda de energia no planeta. As criaturas adormecidas despertam e sacodem dos seus organismos os vestígios da inércia, preparando-se para as actividades do dia. E, então meia hora antes do amanhecer uma segunda onda de energia ainda mais poderosa, corre pela atmosfera. Com esse segundo influxo de radiação, vem o momento mais importante do dia – o momento em que a química corporal é estabelecida para todos os seres vivos. O ser humano é também afectado por esse influxo. Nesse momento o sangue é diluído e banhado por novas substâncias químicas, as quais se exaurem gradualmente, até serem restauradas no amanhecer seguinte.

O banho do organismo com a nova energia ocorre dez minutos antes do amanhecer, estejamos ou não conscientemente preparados e despertos. As reacções químicas acontecem de modo mais adequado em recipientes limpos e livres de impurezas. A lógica diz-nos que uma reacção que ocorra num recipiente livre de resíduos produzirá resultados bem melhores do que uma reacção num recipiente impuro. Se uma pessoa está a dormir quando amanhece os gases e resíduos acumulados durante a noite estarão presentes durante o estabelecimento da química do sangue.

É da maior importância evitar ingerir qualquer alimento ou bebida nas horas que precedem o amanhecer. A manhã é um período em que devemos manter reduzida e tranquila a nossa velocidade.

Em resumo, é benéfico acordarmos antes que o Sol se levante, porque existem qualidades amorosas (sattvicas) na Natureza, que trazem paz mental e frescura aos sentidos. O nascer do Sol varia de acordo com as Estações, mas em média as pessoas de constituição Vata deveriam acordar por volta das 6 horas da manhã, as Pitta pelas 5h 30m da manhã, e os Kapha por voltas das 4h 30m da manhã. Logo após o despertar, é adequado conectarmos a nossa energia à da Terra, enraizando-nos, e fazermos algumas respirações profundas, colocando a intenção para o nosso dia.

2 | Limpar a noite do nosso rosto

Durante o sono a temperatura da pele sobe. Os cobertores mantêm a temperatura cutânea consideravelmente acima da temperatura ambiente. A lavagem reajusta o organismo às condições do ambiente e previne o tipo de choque provocado pela súbita mudança de temperatura que ocorre quando a pessoa salta da cama.

O rosto, em particular os olhos, devem ser lavados com água fria e refrescante, numa temperatura um pouco abaixo da ambiente, e deveríamos atirar a água ao rosto pelo menos sete vezes. Isto ativa o reflexo do mergulho, ativando também a nossa atenção. O rosto deve ser limpo como uma totalidade, pois a limpeza parcial pode criar problemas, devido à diferença de temperatura e condutibilidade eléctrica entre a parte limpa e a não limpa. Essas diferenças podem provocar um desequilíbrio na energia, afectando a visão, o olfacto, a audição e o paladar.

No corpo, os olhos representam o elemento fogo. Eles só funcionam quando estimulados pela luz. A água é o combustível do fogo. O que permanece após a extinção do fogo é a cinza ressecada, porque a água evaporou. A água conduz o calor e a energia eléctrica do fogo. Assim, quando se lavam os olhos, a pequena quantidade de força aplicada pelas mãos carrega electricamente a água – estimulando e acalmando os olhos e os nervos ópticos (os quais são extensões directas do cérebro). O acto de lavar os olhos deve ser acompanhado com bochechos, com água à mesma temperatura.

 

3 | Raspar a língua

raspadorAntes mesmo de bebermos água, a Ayurveda recomenda que raspemos a língua.

Durante a noite as toxinas (ama – alimentos não digeridos no trato digestivo ) a serem expelidas pelo organismo vão-se dirigindo para diversos pontos de saída. A língua é um deles. Torna-se por isso necessário elaborar-se uma higiene diária da língua, de forma a remover-se essa película de toxinas acumuladas sobre ela, sobre tudo antes da ingestão de qualquer alimento. Esta acção vai permitir uma acentuada clareza do sentido do paladar, para além de evitar que voltemos a ingerir a ama acumulada.

A língua é um órgão muito sensível e contém na sua superfície um mapa dos órgãos do corpo, podendo nós através da sua observação, fazer uma pequena análise do nosso estado de saúde. São de notar as zonas onde existe maior acumulação de ama. Podem surgir capas na língua de diversas cores associados a diferentes tipos de desequilíbrio. Um monte de revestimento branco pode sugerir Candidas.

Raspadores de língua de plástico e metal estão disponíveis na maioria das lojas de saúde. Raspe de trás para frente suavemente até que tenha raspado toda a superfície, entre 7 a 14 vezes, e lave o raspador de cada vez. Esta acção estimula os órgãos internos, ajuda na digestão e remove a ama (toxinas).

4 | Beba água morna de manhã

Após as lavagens beba um copo com água à temperatura ambiente (no Verão), e água morna (no resto do ano). Isto lava o sistema digestivo, inunda os rins, e estimula a peristáltica. Começar o dia com café ou chá é desaconselhável, já que estas bebidas drenam a energia dos rins, causam a obstipação e formam maus hábitos. À água morna podem ser adicionadas algumas gotas de limão de modo a fomentar uma limpeza mais profunda do trato intestinal.

5 | Evacuação

toiletstool3Após a ingestão da água o organismo fica estimulado para a expulsão dos detritos acumulados durante a noite. Em circunstância alguma, a pessoa deve passar demasiado tempo sentada a evacuar, pois isso pode interferir com os gases do cólon, resultando numa profusão de enfermidades leves ou graves. Muitas pessoas lêem ou estão no telemóvel, enquanto estão sentadas à espera que os intestinos funcionem. Esse é um hábito potencialmente desequilibrante. Todo o tipo de distração é inadequada nesse momento por duas razões importantes: primeiro, a energia é necessária nos intestinos e a leitura desvia-a para a cabeça; segundo, a leitura encoraja a pessoa a ficar sentada durante longos períodos, numa postura que pode causar-lhe muitas enfermidades.

A maioria das queixas relacionadas com os intestinos podem ser eliminadas, bastando que a pessoa adopte uma postura adequada à defecação. A invenção da sanita moderna trouxe uma era de imenso sofrimento humano, desde a obstipação até distúrbios intestinais correlatos. Hoje em dia, a pessoa é forçada a sentar-se numa posição não natural, que exige que a força seja aplicada de um modo muito inadequado. A prática da boa saúde prescreve que a defecação seja feita na única posição natural: agachado ou de cócoras. Esta postura abre completamente o ânus, sem necessidade de se aplicar força. Para ajudar na aquisição desta postura, pode-se usar um pequeno banco junto a sanita de forma a colocar o intestino na posição certa para a expulsão.

A importância de um funcionamento ordenado e regular dos intestinos, logo após o despertar é fulcral, já que nenhuma meditação, nenhuma concentração, nenhuma actividade física e nenhuma ingestão de bebida ou comida devem ser feitas antes da defecação.

6 | Gargarejos de Óleo (Oil Pulling)

Oil-PullingGargarejar ajuda a fortalecer os dentes, as gengivas e os maxilares, para melhorar a voz e remover as rugas das bochechas. O gargarejo deve ser feito com o estômago vazio, quando o corpo ainda está no seu modo natural de desintoxicação. Deve-se fazê-lo por 4 a 15 minutos, com uma decocção adequada, ou até mesmo com óleo de girassol, de coco, de sésamo; mantenha o óleo na boca, bocheche vigorosamente, depois cuspa e massaje as gengivas suavemente. Por fim deve-se bochechar com água morna para limpar. Durante o processo é necessário imaginar que o óleo ou a decocção fica impregnada com as bactérias que vão depois ser expelidas. O gargarejo deve ser feito também à noite e depois de todas as refeições. Os benefícios dos gargarejos são vários:

  • Reduz a doenças da gengiva e inflamação

  • Reduz a secura na boca e pele

  • Elimina o mau hálito

  • Melhora os Sentidos

  • Aumenta a clareza

  • Revigora a Mente

  • Reduz o Esgotamento

  • Ajusta desequilíbrios da anorexia e do kapha

  • Acalma a dor de garganta

Depois do gargarejo, lave a boca com água morna e, opcionalmente, um pouco de sal grosso. Lave então os dentes para uma boca saudável e fresca. Use uma pasta de dentes natural, livre de flúor. A Ayurveda recomenda cremes dentais que usem ervas como o neem, o alcaçuz, o cravinho da índia.

 

7 | Limpeza nasal (Jala Neti)

Limpar o nariz deveria ser entendido como limpar a testa a partir de dentro. Inalamos uma infinidade de substâncias químicas que são entendidas por nós como cheiros. Essas substâncias químicas alojam-se no nariz e nas cavidades nasais. Por isso, a limpeza do nariz compreende muitas funções e deveria ser incluída como parte da limpeza diária.

TwoNetisEsta limpeza de ser feita primeiro com a ajuda de um neti pot. Água morna com uma pitada de sal marinho deve ser escorrida pelas narinas para lavá-las. De seguida pode-se colocar duas a cinco gotas de ghee ou óleo de mostarda, sésamo, azeite em cada narina, e deixe permanecer por um minuto. Este processo ajuda a lubrificar o nariz, limpa os sinus, melhora a voz, a visão e proporciona a clareza mental. O nosso nariz é a porta do cérebro, por isso estas gotas nutrem a entrada de Prana e trazem a inteligência.

Para Vata: óleo de sésamo, ghee ou óleo de cálamo.

Para Pitta: ghee com brahmi, óleo de coco ou de girassol.

Para Kapha: óleo de cálamo

 

8 | Lubrificando o corpo – Abhyanga

Poucas práticas diárias oferecem tantos benefícios. Quando feita de acordo com as leis naturais da anatomia humana e do fluxo de energia, a massagem diária energiza e faz vibrar simultaneamente a pele, os músculos e os nervos. O calor e a vitalidade do corpo aumentam à medida que o coração e o sistema circulatório começam a fornecer oxigénio puro e energia vital a todas as partes do organismo – ao mesmo tempo que lavam os gases e as substâncias químicas. A automassagem regular, quando executada adequadamente, ajuda o corpo a ficar leve, activo e enérgico, e impede o desenvolvimento da maioria das doenças de pele. Para além destes benefícios, ela também aumenta a inteligência, a presença de espírito, o vigor, a vitalidade sexual, a autoconfiança e a beleza.

Shiva_MassageDe todas as práticas de massagem, as que envolvem o uso de óleo são as mais benéficas, porque o óleo suaviza a pele, lubrifica-a evitando o atrito, distribui uniformemente o calor e garante uma camada de protecção, força e resistência contra os extremos da temperatura ambiente. O óleo impede a secura da pele, aumenta a flexibilidade e evita muitos dos efeitos do envelhecimento precoce.

Aplique óleo morno na cabeça e no corpo. Uma massagem suave com óleo pode trazer a felicidade, e previne tanto as dores de cabeça, como a calvície, os cabelos grisalhos, e o recuar da linha dos cabelos. Olear o corpo antes do deitar promoverá um sono profundo e mantém a pele macia.

Para Vata use óleo de sésamo morno. Para Pitta use óleo de coco ou de girassol morno. Para Kapha use óleo de girassol ou mostarda morno. O óleo de Brahmi é também muito usado, sobretudo para massajar a cabeça. Conhecido por ajudar a estimular o cérebro e trazer mais clareza mental. Pode-se adicionar alguns óleos aromáticos, de acordo com o seu dosha. Para equilibrar vata use gengibre, cardamomo ou laranja; pitta prefere os aromas frescos e doces de sândalo ou lavanda; Os kaphas respondem melhor ao eucalipto, alecrim ou sálvia.

As pessoas que estão com febre não devem ser massajadas, nem as que estão acometidas com constipação, vómitos ou indigestão. Quem tomou purgativos ou praticou um Basti e Vamana também deveriam evitar a massagem. É contra-indicado quando existem problemas de excesso de Kapha (mucos).

 

9 | Esfoliação

dryBrushing_body.jpgPode ser feita com a pele seca, mas também se pode aproveitar a pele ainda oleada para diminuir um pouco o atrito que provoca. A esfoliação é excelente para ativar a circulação e estimular o sistema linfático. Os movimentos devem ser leves e circulares, sem muita pressão já que a linfa está muito próxima da superfície da pele. Use uma escova de materiais naturais, e massaje em direção ao coração, começando pelas pernas, tronco, braços, muito levemente no rosto e depois nas costas. A esfoliação da pele é ótima para a desintoxicação do corpo.

 

10 | Hora do banho

Depois de oleados, um banho ou duche de manhã é ótimo para ajudar a reduzir a fadiga. As constituições Pitta se beneficiam da água fria, enquanto a água morna é ideal para os Vatas, e mesmo as temperaturas mais quentes são as melhores para equilibrar os Kaphas de boa índole. O banho diário purifica a mente e o corpo, aumenta o sémen, promove a longevidade, alivia a fadiga, detém a transpiração, aumenta a força, proporciona o brilho vital da saúde, remove o sono, o suor e a fadiga, dissipa a irritação, e aplaca sede crónica. Bom para todos os órgãos motores e órgãos sensoriais, o banho purifica os nervos, cura a sonolência, dissolve a tristeza, aumenta o entusiasmo, fornece energia vital ao sistema e traz clareza à mente.

Apesar de muito benéfico, tomar banho mais de duas vezes por dia deve ser evitado, pois isso sobrecarrega o organismo. Do mesmo modo, deve evitar-se o banho com água muito quente ou muito fria. Os banhos com água fria aumentam a quantidade de frio nos nervos e podem acarretar vários tipos de dor muscular. O calor do banho quente expande os músculos, tornando-os gradualmente frouxos e flácidos. Os efeitos dessas duas práticas talvez não sejam sentidos na juventude, mas se continuadas irão manifestar-se mais tarde sob a forma de fraqueza, cãibras, problemas renais e deficiência de sémen. A água do banho deve ser, em geral, quente, excepto para a cabeça e olhos. É contra-indicado quando existe paralisia facial, indigestão, diarreia, febre, infecções no ouvido, obstipação, sinusite, doenças dos olhos e doenças que afectam a boca e os ouvidos, e outras relacionadas.

Lembre-se de que a pele absorve tudo o que se coloca nela. É por isso fundamental escolher produtos de higiene que diminuam a toxicidade do corpo, evitando produtos cheios de perfumes e produtos químicos sintéticos. Isso inclui parabenos e SLS.

 

11 | Alongar e Respirar

rituais tibetanosExercício regular, especialmente o yoga, melhora a circulação, a força e a endurance. Ajuda a relaxar e ter um sono repousante, e melhora a digestão e a eliminação. O exercício diário deve ser feito até metade da nossa capacidade (que até se formar suor na testa, nas axilas e nas costas), geralmente durante 10, ou no máximo 15 minutos diários.

Vata: 12 vezes a saudação ao Sol, feitas devagar; levantar de pernas; camelo; cobra; gato; vaca. Todos feitos devagar e suavemente.

Pitta: 16 vezes a saudação à Lua, moderadamente rápidas; levantar de pernas; peixe, barco; arco. Exercício de relaxamento.

Kapha: 12 vezes a saudação ao Sol, feitas rapidamente; ponte; pavão; palmeira; leão. Exercício vigoroso.

Outra opção é realizar os Cinco Rituais Tibetanos. Uma sequência que se adapta às várias constituições.

12 | Meditar

Os momentos mais preciosos da vida de uma pessoa vão desde o instante em que ela completa a limpeza matinal até os minutos seguintes ao raiar do novo dia. Purificado por dentro e por fora, o sistema orgânico converte-se num estado “em branco”. Quem usa com sabedoria esses momentos consegue construir um campo de energia capaz de funcionar como um bom escudo para as aventuras do dia a dia.

meditaçãoA meditação é uma forma de trabalhar conscientemente a fim de elevar o nível do nosso ser, através da elevação do nível de energia presente no interior da nossa mente. Devemos começar a perceber o mundo sem apegos, sem juízos de valor, sem desejos. E para alcançar esse estado, a energia do organismo precisa primeiro focar-se num único ponto. Esse estado de concentração é o precursor necessário da própria meditação.

Para ser mais eficaz, a meditação deve ser praticada diariamente a uma hora regular. As melhores horas para praticar são aquelas que sincronizam a vida quotidiana com os ciclos maiores do planeta e do cosmos. As condições do planeta mudam dramaticamente nas horas do amanhecer e entardecer. Essa mudança, que começa cerca de trinta minutos antes de o sol tocar o horizonte e que dura uma hora, também produz mudanças acentuadas na química do sangue. Além disso, no momento exacto em que o sol toca o horizonte, o organismo respira automaticamente por ambas as narinas ao mesmo tempo. Esse é o estado em que a energia consegue subir pelo canal central da coluna vertebral, o Sushumna, até ao cérebro. Durante esse instante a química do corpo é equilibrada. Como as duas narinas estão a trabalhar, a temperatura do ar nas cavidades nasais é igualada. O metabolismo estabiliza e a temperatura de ambos os hemisférios cerebrais é equilibra-se, permitindo-lhes funcionar em sincronia. O meditador deveria sempre estar atento a esses ciclos planetários e às mudanças no organismo.

É importante meditar-se de manhã e à noite por, pelo menos, 15 minutos. Medite na forma como está habituado, ou experimente a meditação de “esvaziar a taça”. A meditação traz paz e equilíbrio na vida.

Benefícios da singular Assa fétida

Asafoetida-Ferula-Assa-Foetida-or-HingA assa fétida é uma resina dura e viscosa obtida principalmente da planta Ferula assa fétida. Oriunda da Ásia Central, desde a Pérsia (Irão) até ao Afeganistão, esta planta herbácea é um membro da família Umbelliferae. É uma planta perene familiar da erva-doce que é branca acinzentada quando fresca, mas escurece com a idade para amarela, vermelha e, eventualmente, castanha. A resina viscosa vem da seiva seca extraída do caule e raízes vivas e é macerada em álcool. As plantas perenes precisam ter pelo menos quatro anos de idade antes de estarem prontas para produzir a resina, que é difícil de ralar e é tradicionalmente esmagada entre pedras ou com um martelo. Hoje, a forma mais comummente disponível é a assa fétida combinada, um pó fino contendo 30% de resina assa fétida, juntamente com farinha de arroz e goma arábica.

A assa fétida crua tem um odor forte e desagradável, e é amarga no sabor. No entanto, quando usada como tempero acrescenta um paladar suave aos alimentos cozinhados evocando um sabor semelhante ao da cebola ou alho-francês. É um ingrediente crucial na culinária vegetariana indiana, tipicamente combinada com leguminosas como lentilhas, e pratos com vegetais como a couve-flor, e também é usada em conservas.

História da Assa fétida

Os primeiros registos indicam que foi Alexandre, o Grande, quem disseminou a assa fétida para o oeste em 4 a.C. A assa fétida foi usada como tempero na Roma antiga e, embora não seja originária da Índia, tem sido usada na medicina indiana e na culinária há séculos. Hoje, é usada principalmente no sul e no oeste da Índia, geralmente pela casta mercantil dos hindus e pelos seguidores do jainismo e do vaishnavismo, que não comem cebola ou alho.

O nome comum “asafetida” é derivado da palavra farsi aza, que significa resina, e a palavra latina foetidus, que significa um cheiro extremamente desagradável.

Pensava-se que o forte cheiro sulfuroso da assa fétida era ideal para acalmar a histeria, e nos dias do faroeste americano, foi incluída numa mistura com outras especiarias fortes para curar o alcoolismo.

Apesar do seu odor forte e pungente é, ainda assim, também comumente usada como componente de fragrância em perfumes.

Composição química

Esta especiaria é composta de aproximadamente 4% a 20% de óleo volátil, 40% a 60% de resina e 25% de goma. É quimicamente constituída por l-arabinose, asaresinotanol, bassorina, cadineno, compostos sulfurados, cumarina, ésteres, farnesferol, felandreno, foetidina, galactose, goma, isopimpinelina, alfa e beta-pineno, resina, sesquiterpernos, umbelliferona, vanilina. O pineno, cadineno e vanilina são encontrados no óleo, e umbeliferona, asaresinotanol, foetidina, kamolonol e ácido ferúlico são encontrados na resina. O óleo essencial de ferula assa fétida contém uma variedade de compostos odoríferos com uma alta percentagem de enxofre.

Assa fétida na Ayurveda

Ferula_assa-foetidaAssa-fética – Ferula asafoetida – Hing ou Heeng – Ferula assa-foetida L.

É leve e penetrante, de sabor picante e azeda. Na Ayurveda, ela é usada para equilibrar o Vata (ar-éter) e o Kapha (terra-água). No século VII, a.C., o Charaka Samhita, um manual de medicina Ayurvédica recomendava esta planta de cheiro fétido contra o inchaço do abdómen e flatulência, situações para as quais ainda hoje se emprega na Índia e no Médio Oriente.

Alguns dos benefícios relatados da assa fétida de acordo com a tradição medicinal Ayurvédica são: Antimicrobiana, Anti-inflamatória, Carminativa, Anti-espasmódica, Combate infecções, como leveduras e infecções respiratórias, Expectorante, Anti-cancerígena, alivia problemas menstruais, como cólicas dolorosas e menstruação irregular, atua como contraceptivo/ abortivo. É adequada em abortos múltiplos. Estimulante do Sistema Nervoso, Anti-epiléptico e antiespasmódica. É útil na tosse, na falta de ar, histeria, cólera, reumatismo, dores de ouvido. Anti-helmíntica (combate vermes parasitas), alivia problemas digestivos, como flatulência, obstipação, indigestão, dores abdominais, distensão abdominal, vómitos. Aumenta a secreção do suco digestivo, e a quantidade de urina. Constitui um antídoto para a overdose de ópio.

Remédios ayurvédicos com assa fétida

Dor de estômago/flatulência/eructação (arroto): Misture uma pitada de assa fétida em água quente e aplique em redor do umbigo. Um ½ g de assa fétida também pode ser consumida com qualquer alimento. Se houver dor devido ao acumulo de ar no estômago, ferva 2 g de assa fétida em 500 mL de água até restarem 125 mL. Beba isso enquanto ainda está quente para o alívio do mal-estar.

Dor nas costelas: Misture assa fétida em água quente e aplique na área da dor.

Dor de cabeça devido a resfriado: Misture assa fétida em água quente e aplique na testa.

Enxaquecas: Misture assa fétida na água e inale para aliviar.

Indigestão: Misture quantidades iguais de assa fétida, sal de rocha, sementes de carambola e noz-moscada ou Terminalia chebula. Moer a mistura num pó fino. Consumir uma colher de chá dessa mistura com água quente três vezes ao dia.

Soluços: Coloque um pedaço de assa fétida igual do tamanho a um grão de millet numa fatia de banana ou açúcar mascavo e consuma-a para aliviar os soluços.

Parasitas em crianças: Misture um pouco de assa fétida na água e aplique esta solução no ânus com uma bola de algodão.

Para combater os efeitos do uso do ópio: Misture 4 gramas de assa fétida em água e beba.

Dores de dente: Mantenha um pequeno pedaço de assa fétida na gengiva sob o dente dorido para alívio da dor.

Urticária: Misture a assa fétida na manteiga clarificada (ghee) e massajeie as áreas afetadas.

Histeria: a Assa fétida pode aliviar a histeria.

Pneumonia: Misture uma pitada de assa fétida em água e beba.

Dores Menstruais: Misture uma pitada de assa fétida no leitelho. Adicione uma colher de chá de feno-grego, sal a gosto e consumir.

Envenenamento: Misture uma pitada de assa fétida na água. Isso induz ao vómito para remover o veneno ingerido.

Constipação: A assa fétida pode ajudar a remover o muco acumulado.

Rouquidão: Misture 1/2 grama de assa fétida em água quente e gargareje.

Coração fraco: A Assa fétida dá força a um coração fraco, impede a coagulação do sangue e melhora a circulação sanguínea.

Calos: Aplique assa fétida diretamente no local afetado.

Diabetes: Misture 1/4 colher de chá de assa fétida em 2 colheres de chá de sumo de abóbora amarga (karela) e consuma. Ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue.

Benefícios para a saúde da assa fétida

assa fétida 1São habitualmente atribuídas à assa fétida propriedades medicinais como anti-coagulante, digestivo, hipotensora. É indicada para bronquite, cólica, constipação, convulsão, dor, espasmo, gases, hipertensão arterial, indigestão, tosse forte, vermes. Existem já alguns estudos realizados no ocidente que comprovam os seus benefícios:

Alívio da Asma: Como um potente estimulante respiratório e expectorante, a assa fétida ajuda a liberar a fleuma e a aliviar a congestão no peito naturalmente. É usado na medicina tradicional para asma, coqueluche e bronquite. O óleo volátil da resina é eliminado através dos pulmões, e é por isso que pode ser um excelente tratamento para a asma e outros problemas relacionados ao pulmão.

Reduz a pressão arterial: A assa fétida é um anticoagulante natural do sangue e pode ajudar a baixar a pressão arterial. Está repleta de cumarina, um composto que ajuda a melhorar o fluxo sanguíneo e a diluir o sangue, impedindo a sua coagulação. Os cientistas conseguiram isolar certos fitoquímicos em espécies de Ferula (a fonte de assa fétida) que têm efeitos cardiovasculares úteis. Pesquisas com animais demonstraram que o extrato de goma assa fétida da Ferula reduz significativamente a pressão arterial média. O extrato de goma parece conter compostos relaxantes que têm um efeito positivo sobre a pressão arterial e a saúde cardiovascular em geral, graças em parte a esses fitonutrientes.

Ajuda a tratar o Síndrome do Cólon Irritável: A SCI geralmente causa alguns dos seguintes sintomas: diarreia e constipação alternadas, gases intestinais, inchaço e cãibras, dor abdominal, evacuações dolorosas, secreção de muco e alimento não digerido nas fezes. A Assa fétida foi estudada e determinou-se ser um remédio homeopático bem-sucedido para aqueles que sofrem de SCI. Um estudo de 14 semanas, duplo-cego, tratou pessoas sofredores de SCI com assa fétida ou placebo. Os resultados mostraram que os indivíduos que tomaram o remédio homeopático de assa fétida melhoraram em maior grau do que aqueles que tomaram o placebo. Além disso, a assa fétida é especificamente recomendada para quem sofre de SCI e que experimenta prisão de ventre alternando com diarreia aquosa, o estômago inchado com muito gás e uma sensação de nó na garganta que é aliviada por engolir e arrotar. Estes sintomas também são tipicamente piores depois de comer e sentar-se, durante a noite e no lado esquerdo, mas são aliviados pela pressão e pelo movimento ao ar livre.

Controle do Açúcar no Sangue: Estudos em animais demonstraram que a assa fétida pode ser uma forma eficaz e natural de ajudar a manter os níveis de açúcar no sangue controlados e a manter o nível normal de açúcar no sangue. Quando o extrato de assa fétida foi administrado a animais diabéticos Numa dose de 50 miligramas por quilo por quatro semanas, os pesquisadores observaram um efeito de diminuição do açúcar no sangue. O estudo concluiu que esse efeito é provavelmente devido à presença de ácidos fenólicos, especificamente ácido ferúlico, e taninos no extracto de assa fétida.

Reduz a Flatulência: A Assa fétida tem sido tradicionalmente usada para expulsar o vento do estômago. Por outras palavras, é um agente antiflatulento que é usada para aliviar e prevenir o excesso de gases intestinais. É comummente combinado com lentilhas e outras leguminosas apenas por este motivo – para reduzir o gás pós-refeição e manter a flatulência sob controle.

Efeitos colaterais e interações potenciais da assa fétida

A assa fétida é considerada segura para a maioria das pessoas quando consumida nas quantidades normalmente encontradas nos alimentos. No entanto, o consumo excessivo pode causar erupções cutâneas, inchaço dos lábios, sensação de ardor no estômago, náuseas, vómitos, diarreia e desconforto ao urinar. As pessoas impetuosas devem evitar consumi-la.

Quando tomado medicinalmente, esta especiaria pode causar dor de cabeça, convulsões e distúrbios sanguíneos. Se usado por longos períodos por mulheres na pré-menopausa, pode causar irregularidades no ciclo menstrual. As mulheres grávidas devem evitar tomar assa fétida porque pode induzir um aborto espontâneo. Também é de evitar durante a amamentação, e por crianças muito pequenas.

Aqueles que sofrem de acidez grave, hemorróidas, hemorragia, epilepsia, problemas no fígado e pressão alta ou outras doenças do sangue devem evitar consumir assa fétida regularmente. Deve-se evitar quando se estiver a tomar medicamentos para a tensão arterial. É possível que a assa fétida retarde a coagulação do sangue, portanto deve-se evitar consumi-la duas semanas antes de qualquer cirurgia programada.

Apesar dos poucos estudos para apoiarem uma evidência clínica, as recomendações de dosagem para a assa-fétida são tradicionalmente de uma dose diária de 200 a 500 miligramas da resina usada para fins medicinais.

Interações

assa fétidaA Assa fétida deve ser evitada se se estiver a tomar anticoagulantes ou medicamentos para a pressão alta. Sabe-se que a assa fétida interage com os anticoagulantes/antiagregantes plaquetários e anti-hipertensivos.

Apesar dos benefícios terapêuticos da Assa fétida é, contudo, recomendável a consulta de um profissional de saúde que adeqúe a sua aplicação.