Menopausa e reflorescimento | Cuidados Ayurvédicos para mulheres maduras

Natural looking middle aged woman with grey hair and green scarf laughing against neutral backgroundA menopausa era ancestralmente associada ao momento da vida da mulher em que ela começava a usufruir da sua sabedoria. Representava também um período em que toda a experiência adquirida até então surgia como uma mais-valia para orientar, alentar e instruir os membros mais jovens da sua família. A cessação dos seus períodos férteis permitia que a mulher pudesse cuidar e educar de forma mais focada os seus filhos, num momento em que ainda desfrutava de saúde e energia, contribuindo assim para a preservação da espécie, e para a evolução da própria humanidade, através do sábio cuidado que uma mulher madura oferece.

Nas culturas orientais, a menopausa é por isso mesmo considerada uma das fases mais gratificantes da vida da mulher, já que se encontra liberta das obrigações relacionadas com os cuidados com as crianças pequenas, e começa a participar de forma mais ativa nos cuidados da sua comunidade como um todo.

Independentemente do aspeto cultural, a menopausa é vivida como uma experiência natural e única, marcada por mudanças no corpo, nas emoções, na mente, no espírito, que clama por adaptabilidade e ajuste no estilo de vida.

Como começa

A Menopausa corresponde a uma fase natural na vida da mulher que indica o cessar da sua fertilidade, e de uma forma simples corresponde também ao cessar do fluxo menstrual – quando esta já conta doze meses de ausência desde a última menstruação sem outra causa aparente. Está associada com a redução da função dos ovários resultante da idade, que se traduzem em baixos níveis de estrogénio e outras hormonas.

Na Ayurveda, a infância e o início da idade adulta são caracterizados por certas qualidades às quais nos referimos como Kapha Dosha, idade adulta é governada pelas qualidades de produtividade do Pitta Dosha, e a velhice é governada pelas qualidades do Vata Dosha. Durante a última parte de cada fase, a próxima fase reúne energia. À medida que as mulheres envelhecem, o Vata começa a acumular-se por volta dos seus trinta e quarenta anos. O corpo ainda está no tempo de vida de Pitta e é ativamente produtivo, até mesmo totalmente capaz de se reproduzir, mas o Vata dosha está lentamente a infiltrar-se. Podemos ver isso em mudanças subtis no corpo, mudanças no metabolismo e flutuações de energia.

Apesar de ser vista muitas vezes como um evento isolado – a cessação do ciclo menstrual -, a menopausa é, contudo, um processo que inicia geralmente entre os 30-35 anos, onde a mulher atinge o auge da sua saúde, e termina mais ou menos aos 51 anos (podendo ir até aos 55 anos), quando ela finaliza o ciclo menstrual. Esta época na vida da mulher pode ser dividida em:

  • Peri menopausa – que corresponde à altura em que a mulher começa a sentir os primeiros sinais da menopausa e normalmente ainda menstrua nesta fase. Os níveis de hormonas sobem e descem provocando sintomas como afrontamentos (sensações de calor).
  • Pós-Menopausa – Uma vez passados dozes meses desde a última menstruação, a mulher atinge assim a Menopausa. Os seus ovários produzem muito menos hormonas como estrogénio e progesterona e a mulher deixa de ovular. A duração destes dois ciclos depende muito da mulher e de toda o ambiente e estrutura que a compõe o seu corpo e o seu estilo de vida.

Os ovários deixam de responder às mudanças dos Doshas, levando o Pitta à paragem da ovulação, na qual há também uma diminuição da produção de hormonas sexuais. A Menopausa é geneticamente programada e/ou pré-determinada, e o momento do seu início pode ser variável na idade, e depende também dos hábitos e comportamentos da mulher ao longo da sua vida. Para algumas mulheres é um fenómeno silencioso e brando, e para outras é um momento em que padecem de uma série de problemas como ondas de calor frequentes, instabilidade e períodos de grande oscilação emocional, cansaço, distúrbios de sono, dores de cabeça, dores nas articulares, palpitações, etc.

Para mulheres na perimenopausa, o ciclo começa a ser perturbado. Com as menstruações irregulares ocorre uma resposta irregular dos ovários. Durante os meses em que ocorre a ovulação, existe a menstruação. Nos outros meses, os ovários respondem menos às hormonas da glândula pituitária, os óvulos não são libertos, e não ocorre a menstruação. Estas mudanças hormonais são naturais, e a dieta e o estilo de vida ajudam a determinar como irá o corpo regular-se diante das mudanças das hormonas reprodutivas.

13c32b6441b652bbef2858aab2fbc52dSegundo a Ayurveda, a menopausa é uma época de agravamento do Vata, gerando a diminuição da produção de tecidos (dhatus), e o aumento da irregularidade. A menstruação de longa duração (que pode ocorrer neste período de transição) pode parecer, na superfície, estar mais relacionada com o Pitta ou o Kapha, contudo, o fator causador (a irregularidade) tem a sua origem no Vata. A fase da menopausa reflete essencialmente uma transição da fase adulta – Pitta – para Vata, o envelhecimento. Os sintomas do Vata a aumentar compreendem ansiedade, desequilíbrio, instabilidade, nervosismo generalizado, preocupação, perdas de memória, insónia, instabilidade emocional, osteoporose, e eventualmente depressão.

Na medida em que o Vata aumenta os outros doshas podem também sofrer desequilíbrios. Os sintomas do aumento do kapha estão associados a ganho de peso, sensação de peso mental e físico assim como a um aumento na retenção de líquidos. Nas mulheres de constituição pitta há um aumento da irritabilidade, e ondas de calor frequentes.

Reflorescer com a Ayurveda

laughter-yoga-1Qualquer sintoma que possa advir da menopausa pode ser minimizado através das práticas ayurvédicas, com a centralização espiritual da mulher, e com o conhecimento do dosha que está desequilibrado na mulher.

O stress, a má nutrição e o uso de cafeína são três gatilhos de estilo de vida que fomentam o aumento do Vata, e a menstruação irregular. Escolher o estilo de vida ayurvédico, com rotinas regulares e autocuidado adequado, minimizará o impacto nos anos da menopausa. As práticas de redução de stress, incluindo o exercício diário, o tempo na natureza, prática de pranayama e a meditação reduzem a necessidade de estimulantes ao longo do dia, e preparam o terreno para melhores escolhas alimentares, que ​​irão corrigir a má nutrição.

Como diz o familiar ditado ayurvédico: “Se a dieta está errada, a medicina não tem utilidade. Se a dieta está correta, a medicina não é necessária”. Ao fazermos mudanças simples na dieta e no estilo de vida, podemos apoiar a mudança da habituação que o corpo tem de estrogénio para o equilíbrio nos outros sistemas do corpo. Isso diminuirá a intensidade dos sintomas que experimentados devido à redução súbita de estrogénio no sistema.

Se nos dirigirmos a essa subtil e crescente tempestade do Vata, poderemos pacificá-lo antes que ele se mova e cause estragos no corpo, na mente e nas emoções. E o Vata pacifica-se com rotinas. Quando isto é feito a menopausa pode ser sentida como a mudança natural que é, ao invés do dramático cataclismo em que ela se transformou na sociedade.

Algumas recomendações gerais para a menopausa:

Comida: Prestar atenção especial à dieta. Certificar-se de que os alimentos são integrais, frescos e orgânicos. Limitar a ingestão de alimentos processados ou não-orgânicos. Evitar armazenar alimentos em recipientes de plástico ou beber em garrafas plásticas. Os plásticos imitam os estrogénios e interferem no equilíbrio hormonal normal. Jantar conscientemente. Saborear os alimentos e sustentar a capacidade de passar tempo a nutrir-se. Isso aumenta o valor nutricional que se ganha com a comida, e acalma o sistema nervoso.

c0ba6aa81c81f27a2ebbc5af857f70b4Ouvir o corpo. Comer quando estiver com fome e só até satisfazer a fome natural. A Ayurveda recomenda que se coma até que o estômago esteja cerca de 75% cheio. O metabolismo está a mudar subtilmente. Ajustar a porção de alimentos ingeridos, já que a capacidade de digerir se alterou.

Começar o dia com um copo grande de água morna. Adicionar um pouco de limão se quiser. Beber bastante água durante o dia. Ingerir a comida húmida e apenas uma pequena quantidade de água morna ou chá às refeições.

Dormir o suficiente. Ir para a cama cedo o suficiente para ter uma noite inteira de sono. Desligar todos os elementos eletrónicos pelo menos uma hora antes de deitar, para se sentir o suporte da melatonina quando quiser adormecer, e para permitir um sono contínuo. Verificar se o quarto está escuro, silencioso e confortável. Isso permite um sono reparador. Evitar estimulantes como café e açúcar, assim como depressivos como o álcool. Estes interferem com o sistema nervoso e podem afetar negativamente o sono.

Fazer algum exercício durante o dia, de preferência ao ar livre. Se existirem problemas para adormecer, ouvir uma meditação guiada ou um CD do Yoga Nidra para complementar algumas das horas perdidas de sono.

Conservar a energia. Inicialmente, quando a pessoa está ativa extrai energia dos alimentos. Quando essa energia é consumida, a energia é extraída dos recursos armazenados. A sensação de cansaço surge quando se esgotam os recursos. Uma parte importante desses recursos é o Ojas, um termo ayurvédico que descreve as reservas vitais. Assumir apenas atividades que sejam em proporção com a reservas próprias. O exercício deve ser feito de preferência em metade da capacidade corporal. Quando é necessário algum tipo de estimulante para suportar o dia, é sinal que as reservas vitais poderão estar esgotadas.

Começar o dia com uma rotina benéfica, incluindo limpeza, alongamentos, respiração e meditação. Equilibrar os horários ativos durante o dia com momentos de descanso. Incorporar o exercício no fluxo do seu dia. Observar a informação de cansaço do corpo, e respeitá-la, evitando a estimulação. Se notar a energia a diminuir à tarde, fazer uma pequena caminhada e respirar profundamente. Ingerir alimentos nutritivos, como fruta ou oleaginosas já demolhadas.

Menopausa do tipo Vata

Saramai+JewelsA nível de dieta surge a necessidade de aumentar o consumo de comidas e bebidas mornas e efetuar diariamente refeições regulares. Deve ser dada a preferência a temperos como a erva doce e os cominhos. Arroz e grãos integrais. Frutas como a maçã, pêssegos, tâmaras, uvas ricas em boro são exemplos de boas frutas no equilíbrio da mulher na Menopausa. Feijão Mung, lentilhas, inhame, amêndoas pacificam e nutrem o Vata. As algas também são importantes a serem introduzidas na dieta como kombu, agar agar que possuem um grande teor mineral (zinco, magnésio, cálcio, iodina, L-tyrosina). Evitar estimulantes como cafeína, açúcares refinados, bebidas geladas. Saladas.

A nível de hábitos diários é importante que a mulher se deite cedo, cuide de si mesma com massagens com óleo de sésamo morno, pratique meditação e yoga. As caminhadas também são importantes, sobretudo se for em dias de sol moderado. Uma boa forma de manter a pele do rosto hidratada é utilizar gel de Aloé Vera e óleo de sésamo, já que a é a pele que mais tende para a formação de rugas. É necessário que as mulheres na menopausa tipo Vata pratiquem atividades de lazer, atividades que lhe nutram o coração e a mente. Comumente a nível físico manifesta-se secura vaginal, palpitações, sensações intensas de calor, secura, dores musculares, a osteoporose também pode ocorrer se não houver tratamento/prevenção.

A nível de fitoterapia Ayurvédica são indicadas a shatavari, a ashwagandha, a triphala, a brahmi, a gotu kola, a amalaki, o açafrão da índia, e o ginseng. É importante equilibrar o sistema reprodutor feminino, principalmente apostando em plantas que tonifiquem o sistema endócrino. Dentro desta categoria: Vitex Agnus Castus, Inhame Selvagem, Shatavari.

Menopausa de tipo Pitta

Os sintomas na menopausa deste tipo são na generalidade um temperamento mais quente, ao qual se associam, também sentimentos de raiva, irritabilidade, sensações de calor, suores noturnos, infeções urinárias e também alguma tendência para erupções cutâneas, perda/desequilíbrio de movimentos intestinais.

A nível de dieta deve ser aumentado o consumo de comida refrescante, manter um bomb2c678c6b7a9b122fc8c9ed721cd5dab consumo de água regular, beber bastantes sumos de frutas doces como uva, pera, ameixa, manga, melão. Relativamente a condimentos deve-se dar ênfase à canela, cardomomo, coentros e erva doce.

Evitar comida muito picante, quente e a ingestão de álcool. A nível de estilo de vida é recomendado uma boa gestão das rotinas de sono, sendo necessário que a mulher se deite antes das 22h, que receba massagens com óleo de coco ou grainha de uva. Deve equilibrar as suas emoções através da meditação, exercício físico e passear em dias com brisa suave. A Fitoterapia utilizada comumente neste caso é o Aloé Vera, Gotu Kola, Açafrão da índia, Sândalo e Shatavari.

Menopausa de tipo Kapha

Neste tipo de menopausa ocorrem normalmente sintomas como ganho de peso, lentidão, retenção de líquidos, preguiça, a depressão também é comum, falta de movimentação e digestões lentas.

A Dieta deve ser no geral leve, com comidas secas e aquecidas. Deve aumentar-se o consumo de frutas, grãos integrais, legumes e vegetais. Temperos como pimenta, canela, pimenta caiena, açafrão da índia, mostarda e gengibre também são importantes. Evitar o queijo, a carne, o açúcar, comidas e bebidas frias. Um jejum semanal neste tipo de menopausa também é importante. A nível de estilo de vida a mulher Kapha deve levantar-se cedo e massajar-se com óleo de mostarda e amêndoas doces.  A Fitoterapia recomendada inclui a Gugulu e mirra.

Suores noturnos

Os suores noturnos começam na perimenopausa, podendo prevalecer nos primeiros anos da menopausa em si, e ocorrem quando a mulher está a dormir e pode resultar no despertar com pijamas e roupa de cama húmidas. O suor noturno pode levar a um sono interrompido que irá induzir a mais ansiedade, tornando-a um fator causal tanto nas ondas de calor como nos suores noturnos.

Curiosamente, as ondas de calor e os suores noturnos ocorrem apenas numa parte das mulheres do mundo, como consequência do seu estilo de vida. Na perspetiva ayurvédica, estes sintomas são causados ​​por um desequilíbrio do Vata e pelo desequilíbrio do agni do corpo. As ondas de calor e suores noturnos são sinais de que existe uma má interpretação dos sinais do corpo e isto é frequentemente causado pelo Vata. Embora o Pitta seja frequentemente associado ao calor, os desequilíbrios deste humor provocam calor que depois permanece, sem flutuações. Em algumas mulheres, pode haver um Pitta nas profundezas dos tecidos, contudo, os sintomas das ondas de calor são mais intensos do que o calor habitual, e esse é o indicador de existe um aumento do Vata.

O Agni é muitas vezes chamado de fogo digestivo, contudo, neste caso refere-se tanto ao agni do sistema digestivo como ao agni metabólico, o fígado. Quando o agni do sistema digestivo se torna variável, surge uma dificuldade em digerir alimentos, e a tendência a formar ama. Ama é o termo usado para um subproduto tóxico da digestão imprópria ou incompleta, frequentemente a causa de irregularidades hormonais e danos nos tecidos, órgãos e sistemas do corpo. A ama é transportada do sistema digestivo para o fígado juntamente com os nutrientes da comida. O fígado é responsável por muitas funções no corpo, e ajudar na libertação de ama é um deles. O fígado é o lar dos cinco agnis elementares (Cinco Elementos) e o seu trabalho é converter os alimentos que ingerimos numa substância utilizável pelo corpo.

Quando a ama formada no sistema digestivo é levada para o fígado, prejudica a capacidade do mesmo em cumprir as suas inúmeras funções, tendo implicações no sangue, nas células e tecidos do corpo. Ao nível celular, a ama pode interferir na capacidade do corpo de reconhecer e responder apropriadamente às hormonas do sistema. Perante todo este processo é importante a reflexão de como tudo o que é ingerido tem um impacto fulcral sobre a tendência que o corpo vai ter de exprimir o excesso de ama através dos suores noturnos. Uma dieta equilibrada, e ajustada à constituição, assim como o exercício, e os processos de depuração regulares ajudam na vivência de uma transição para a menopausa mais simples e suave.

Secura Vaginal

dry-vaginal-problemA vagina é mantida húmida pelas membranas mucosas presentes na vagina. O estrogénio produzido no corpo feminino estimula os tecidos vaginais a manter a vagina húmida. Quando as mulheres atingem a idade da menopausa, os ovários produzem menos estrogénio, o que pode levar ao afinamento do revestimento vaginal tornando a vagina vulnerável a infeções, o que, por sua vez, causa problemas como a secura. Associada à secura surgem outros sintomas como prurido, irritação, sensação de ardor, dor, desconforto, leve sangramento e dor durante o sexo.

Existem vários fatores que podem influenciar a secura vaginal, nomeadamente, os diafragmas, a toma de antidepressivos, anti-histamínicos, descongestionantes e antibióticos, tratamentos de quimioterapia e radiação, os corantes e fragrâncias do papel higiénico e detergentes para a roupa, assim como os sabonetes, os pensos e tampões, e os preservativos.

Na medicina ayurvédica, Charaka descreveu uma condição chamada Suska yoni. Suska significa seco e yoni refere-se aos órgãos reprodutivos femininos. Se durante a relação sexual, a mulher suprime os seus impulsos naturais, o Vata fica agravado. Isso causa dor, obstrução à passagem das fezes e urina e secura vaginal. Para tratar este agravamento do Vata é recomendada a oleação, fomentação, enema medicamentoso ayurvédico e terapias que pacifiquem o Vata.

Algumas propostas de tratamento

– Oleação: A massagem com óleo de sésamo e sal preto é usada para pacificar o Vata e fornecer lubrificação natural. A oleação ajuda na mobilização do dosha viciado do local da morbidade.

– Fomento: A fomentação através de um tubo (nadi sweda) aplicada aos genitais. Água quente é aspergida sobre a testa, abdómen inferior e genitais. Isso ajuda a aliviar a dor e a inflamação.

– Tampões de ervas são dados à paciente para ela inserir na vagina. Isso ajuda a reduzir a inflamação, dor, infeção e rejuvenesce os tecidos. Massagem ayurvédica ou Abhyanga pode ser feita para restaurar a lubrificação.

– Enema: fazer um enema utilizando-se ervas pacificadoras de Vata. É altamente benéfico para pacificar o Vata, que é a principal causa de secura.

– Óleo de coco: é uma gordura saudável que ajuda a restaurar os níveis naturais de hidratação no corpo. Pode ser usado como um lubrificante vaginal natural ou como um complemento para o tratamento da condição. É uma ótima fonte de vitamina E, que é benéfico para promover a secreção natural e a humidificação dos tecidos vaginais.

– Triphala: Adicionar água morna ao pó de Triphala, e misturar os ingredientes. Lavar a vagina com esta solução para diminuir a sensação de ardor.

– Açafrão da índia: Este é um lubrificante vaginal caseiro eficaz para tratar a secura. O açafrão da índia é conhecido pelas suas propriedades antimicrobianas que protegem a vagina da infeção. Fazer uma pasta de açafrão e misturar com um creme hidratante ou gel de aloé vera. Em seguida, aplicar essa mistura na vagina.

– Guduchi (Tinospora cordifolia): Usar um tampão embebido em óleo de guduchi, que pode ser inserido na vagina ou administrado sob a forma de um duche vaginal. Usar este remédio somente sob a orientação de um profissional qualificado.

– Shatavari: Para a secura vaginal, pode-se usar um ghee medicado com shatavari orgânico, que pode ser aplicado localmente para melhorar a lubrificação.

– Ashwagandha: a Ashwagandha tem sido usada há anos para tratar uma variedade de condições de saúde, incluindo a menopausa. A planta ajuda a manter as paredes da vagina saudáveis ​​e flexíveis, previne a dor, o rasgo e a secura. Também alivia sintomas como ondas de calor, mau humor e insónia.

– Óleo de sésamo: é um excelente lubrificante vaginal natural. Use uma bola de algodão e mergulhe-a no óleo de sésamo. De seguida, aplique-o nas paredes vaginais e continue por uma semana. Esta é uma maneira incrível de fornecer lubrificação vaginal natural.

– Duche de Shatavari e Ashwagandha: Juntar a Shatavari e a Ashwagandha e fervê-los em óleo de sésamo, e depois de frio este óleo medicado pode ser usado ​​como um duche vaginal. Este remédio só deve ser feito seguindo a orientação de um praticante ayurvédico qualificado.

– Tribulus Terrestris: Acredita-se que a Gokshura contribua para a força física e sexual em geral, construindo todos os tecidos, especialmente o shukra dhatu ou tecido reprodutivo. É um caminho natural para curar a secura vaginal.

– Feno grego: O feno-grego é muito eficaz no tratamento da secura vaginal. Ele ajuda a restaurar os níveis de estrogénio no corpo e proporciona alívio natural para a condição. As sementes produzem um efeito semelhante ao estrogénio, que ajuda a aumentar a lubrificação vaginal. Encher uma colher de chá de sementes de feno-grego e deixá-las em água durante a noite. Beber a água pela manhã.

– Cominhos, coentros e sementes de erva-doce: Esta infusão contém fitoestrogénios naturais que sustentam o equilíbrio hormonal saudável. Utilize partes iguais de sementes de cominhos, coentros e erva-doce e deixe em água quente por dez minutos.

– Gel de aloé vera: o gel de Aloé vera é um remédio natural eficaz para a secura vaginal. O Aloé é um hidratante natural e reduz a secura e o prurido em torno da vagina. O sumo de aloé vera também pode ser ingerido para a redução dos sintomas.

– Óleo de Tea Tree. O tea tree oil é valioso no alívio da secura vaginal devido às suas propriedades antibacterianas. O uso deste óleo ajuda a eliminar as bactérias que causam a secura. Massaje os lábios internos, os lábios genitais e a abertura vaginal com uma pomada segura e de alta qualidade contendo uma pequena quantidade de óleo de melaleuca, ou adicione o tea tree oil a uma base de óleo de coco. Certificar a sensibilidade da pele antes de usar.

– Gotu Kola: A Gotu Kola ajuda a aliviar a secura vaginal, equilibrando os níveis de estrogénio. Para preparar uma infusão adicionando ½ colher de chá de ervas secas numa chávena de água quente por 10 minutos. Beber 2 chávenas diariamente. Para reduzir o sabor amargo do chá, adicionar limão ou mel.

 

Os tratamentos acima descritos só devem ser feitos sob a orientação de um praticante qualificado de Ayurveda.

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Ayurveda e o caminho para a Fertilidade

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Deusas da Fertilidade

Ser fértil é ser capaz de estar disponível para a Vida, e como consequência ser capaz de dar Vida. A fertilidade é um bem natural com que todos nós nascemos. Contudo, o estilo de vida atual tem tendido a desequilibrar esta dádiva. Muito para além da capacidade de conceber, a fertilidade revela um corpo cuidado, equilibrado, um organismo saudável e corretamente nutrido.

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Shukra

A fisiologia do sistema reprodutivo como um todo é governada por sadhaka pitta, prana vata e apana vata, mas os próprios órgãos reprodutivos são dotados das qualidades de kapha. O Kapha é o dosha promotor de crescimento (anabólico), formador de estrutura, que gera e sustenta a criação. Juntamente com o ojas (força vital) e o rasa dhatu (tecido plasmático), o kapha dosha organiza a nutrição necessária para construir e reconstruir o revestimento do endométrio durante uma vida inteira de artava (menstruação), e tem uma qualidade untuosa que lubrifica o útero e a sua pele. O kapha também confere estabilidade e força aos tecidos reprodutivos, ajudando a manter a estrutura dos ovários e a boa forma uterina, o seu tónus e a capacidade de se contrair.

 

A Infertilidade

Segundo a Ayurveda, a fertilidade mantém-se quando o tecido reprodutivo de uma pessoa ou o Shukra dhatu permanece nutrido. A infertilidade surge geralmente quando o tecido reprodutivo perde a nutrição, e é definida como a incapacidade de conceber apesar de se sustentarem relações sexuais regulares por mais de um ano. Uma mulher cujo artava está exausto é chamada de vandhyatva (vandhya-estéril, sem filhos).

Estratégias diagnósticas e terapêuticas detalhadas haviam já sido descritas em 200 dC no texto Ᾱyurvédico Caraka Samhita (capítulo Cikitsa-sthana, Yonivyapat). Nos séculos que se seguiram, os textos especializados em ginecologia evoluíram, incluindo o Kashyapa-Samhita, que contém descrições detalhadas de várias doenças e dedica um capítulo completo à infertilidade feminina. Nestes manuscritos são habitualmente aconselhadas terapias shamana (gentis) e shodhana (fortes) para o tratamento da infertilidade.

shukradhatuExistem muitos fatores que atualmente afetam a fertilidade, em particular na mulher: a idade avançada da mulher quando decide ser mãe, anormalidades hormonais, as condições do sistema reprodutor. Nos homens, a infertilidade pode ocorrer devido à baixa quantidade de espermatozoides e/ou qualidade e espermatogénese, bem como à disfunção erétil. Em ambos os sexos, os aspectos psicossomáticos e os níveis de stress são importantes, contudo raramente abordados. A Ayurveda acrescente outro aspeto único: a infertilidade como um efeito kármico.

Promover a Fertilidade

easter-the-latvian-way-715x340Na abordagem holística da Ayurveda, todas as dimensões do corpo são tidas em consideração no intuito de promover a fertilidade. Como o Ayurveda é uma ciência holística, é importante considerar a condição de saúde geral do paciente, incluindo a sua saúde mental e a do seu ambiente de vida. A abordagem Ayurvédica da infertilidade enfatiza a melhoria da saúde geral de ambos os futuros pais.

Os principais objetivos do tratamento Ayurvédico são a purificação e a otimização funcional dos tecidos reprodutivos (artava e shukra-dhatu) de ambos os sexos. Segundo a Ayurveda, a saúde reprodutiva é determinada principalmente pela saúde do metabolismo e nutrição dos tecidos, ambos requisitos fundamentais para a concepção.

Dependendo da Prakriti (constituição única) do indivíduo, o passo inicial na sequência do tratamento é geralmente a realização de uma purificação – o Panchakarma. Essas medidas de purificação podem incluir emese, purgação, enema medicado, purificação do sangue e vários outros procedimentos específicos pertinentes à saúde reprodutiva.

Outros tratamentos adjuvantes do Panchakarma constituem técnicas especializadas de fisioterapia, incluindo Shirodhara (terapia de gotejamento de óleo sobre a testa), Shirobasti (retenção de óleo na coroa) e Lepa (máscara de lama herbária) com óleos medicinais precisamente selecionados e outras substâncias que facilitam ainda mais a estabilização da constituição geral.

Para além do Panchakarma são também dadas recomendações dietéticas, fitoterápicos, recomendações psicológicas e espirituais (por exemplo, recitação de mantras, uso de cristais, colocação de objetos sagrados em casa, orações, etc). Na Ayurveda, a infertilidade feminina é entendida como uma desintegração somato-psico-espiritual com tendência a somatizar conflitos emocionais e mentais por resolver; esses conflitos são total ou parcialmente causadores ou agravam ainda mais as causas epigenéticas, traumáticas e bioquímicas coexistentes.

Fitoterapia para a Fertilidade

Na Ayurveda, a fertilidade manifesta-se no nível mais profundo da saúde. Os fluidos reprodutivos como o sémen (Shukra dhatu) são o produto final da formação de tecido. Considera-se a essência de todo os dhatus. Uma dieta saudável é o fator importante responsável pela fertilidade.

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Shatavari – Asparagus Rancemosus

Uma das plantas mais usadas como um tónico do sistema reprodutor feminino é a Shatavari. A Shatavari (asparagus rancemosus) possui uma atividade diurética, melhora a digestão aumentando a atividade das enzimas digestivas, aumenta a libido feminina, humedece os tecidos secos dos órgãos sexuais, reduz e cura a inflamação dos órgãos sexuais e aumenta a ovulação. Assim, a Shatavari é muito benéfica para a fertilidade feminina. Também é conhecida por ajudar na prevenção de abortos e prepara o útero para a concepção. A Shatavari também é muito útil no tratamento de problemas relacionados com a menstruação, como o sangramento irregular, a síndrome pré-menstrual e dismenorreia (menstruação dolorosa), reduz as cólicas abdominais e os espasmos que geralmente ocorrem durante a menstruação. A Shatavari possui também propriedades adaptogénicas que ajudam na estabilidade da saúde mental, e antisstress, resultado da presença de flavonóides, polifenóis e saponinas que reduzem a produção de hormonas do stress, e aumentam a produção de hormonas ou substâncias químicas que fazem a pessoa sentir-se calma e feliz.

Existem muitas fórmulas fitoterápicas Ayurvédica usadas para a infertilidade voltadas principalmente para as propriedades adaptogénicas, rejuvenescedoras e afrodisíacas, e de fortalecimento geral (ojo vardhana), bem como para o  fortalecimento dos tecidos reprodutivos; elas também são projetados para melhorar a digestão e cognição, conforme necessário, e ter propriedades ansiolíticas e antidepressivas suaves.

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Ashwagandha – Withania somnifera

Algumas das plantas mais comuns usadas incluem Ashwagandha (W. somnifera), Shatavari (A. racemosus), Guduchi (T.cordifolia), Brahmi (B. monnieri), Yogaraj guggulu, Krishna Jeeraka (N. sativa ), Shatapushpa (A. graveolens), Atibala (A. indicum), dashmoolarishta, maharasnadi kwath.

A auto-medicação é desaconselhada. A toma de qualquer fitoterápico deve ser acompanhada sob rigorosa supervisão médica. A sobredosagem pode causar diarreia e desconforto abdominal.

 

Alimentação ayurvédica para a fertilidade

A dieta ayurvédica para a fertilidade concentra-se no enriquecimento e desenvolvimento do tecido reprodutivo saudável (Shukra dahtu). Qualquer medicação aplicada é mais eficiente se a alimentação correta for observada sobretudo de acordo com os doshas.

Alimentação para Vata: Para a constituição Vata é importante escolher alimentos bem cozidos, húmidos, quentes e pesados. Adicionar leite, e ghee juntamente com especiarias que inflamam o fogo digestivo para nutrir o tecido reprodutivo (Shukra dhatu).

Alimentação para Pitta: No caso de uma constituição Pitta, é importante favorecer uma dieta principalmente fresca e nutritiva. Tomar leite e ghee à temperatura ambiente com temperos refrescantes que nutrem o tecido reprodutivo (Shukra dhatu) e apoiam o muco cervical.

Alimentação para Kapha: Para Kapha deve-se favorecer uma dieta primariamente quente e leve. Comer com moderação.

De forma geral os alimentos que favorecem o Ojas: Leite, ghee, nozes, sementes de sésamo, tâmaras, sementes de abóbora, mel, açafrão da índia e abacate.

Outros alimentos que favorecem a fertilidade: Os alimentos integrais fornecem todos os nutrientes para a saúde do corpo, além de fibras, influenciando os níveis hormonais. Frutas e vegetais frescos e orgânicos, grãos integrais, proteínas de fontes vegetais como feijão e ervilhas, frutas doces e suculentas, como mangas, pêssegos, ameixas e peras, espargos, brócolos, feijão, espinafres, abóbora, tomate e beterraba. Vegetais de raiz, grãos, rúcula, agrião, cebola, alho, cebolinho melhoram a circulação e nutrem o sangue.

Frutos secos e nozes, como tâmaras, figos, passas, amêndoas e nozes. Especiarias como a semente de carambola (ajwain) em pó, cominhos (purifica o útero nas mulheres e o trato geniturinário nos homens), açafrão-da-índia (melhora a interação entre as hormonas) e os cominhos pretos estimulam a fertilidade. O corpo deve estar bem hidratado bebendo-se água morna e chás digestivos.

Alimentos que diminuem a fertilidade

Evitar hidratos de carbono processados, excesso de amido, carne com antibióticos e hormonas, leite ultrapasteurizado e produtos enlatados. Evitar alimentos ricos em gorduras trans, como bolos, biscoitos e fritos fast-food. Estes alimentos bloqueiam as artérias, ameaçam a fertilidade e prejudicam o coração e os vasos sanguíneos. Álcool em excesso, cafeína, tabaco, refrigerante, fumo, carne vermelha, hidratos de carbono refinados, como macarrão, pão branco e arroz, aumentam e exacerbam a infertilidade feminina.

Evitar alimentos que contenham conservantes e outros produtos químicos, como adoçantes artificiais. Estes incluem refrigerantes, gomas de mascar, doces, sumos de fruta e gelados. Evite glutamato de sódio mono (MSG). Evitar batatas fritas, jantares congelados, frios, molhos, molho de rancho, salgados, aromas e corantes artificiais.

Manter um peso saudável: Estar acima ou abaixo do peso pode prejudicar a fertilidade. Quando o peso é baixo o sistema reprodutivo fica frágil, e pode tornar o corpo instável perante uma gravidez. Por outro lado, ter excesso de peso ou obesidade diminui as hipóteses de uma mulher engravidar.

Estilo de Vida para a Fertilidade

ganesha-parvati-devi-67871A conexão entre desintoxicação, stress e fertilidade ainda está por revelar. Da perspetiva Ayurvédica, estas recomendações aparentemente suaves de mente-corpo são eficazes, também porque têm como alvo a regulação do Vata, neste caso, no nível de Manas (ou seja, a mente).

O estilo de vida, a rotina diária, o yoga, a meditação e a recitação de mantras ajudam a tratar o stress físico e mental melhorando a recetividade da mulher. Um dos mantras para a fertilidade mais usados é o

OM SHRI KAMAKHYAYE NAMAH

 

Uma outra prática interessante é sugerir com que uma mulher simplesmente coloque uma pedra shiva lingam de qualquer tamanho sob o pé da sua cama.

Para a concepção o casal deve preparar-se através de uma alimentação cuidada. A concepção deve ser planeada, e assistida pelo homem, sendo recomendável haver uma preparação física. O peso deve estar normal para receber o impacto e a força. A mobilidade do esperma também influi e é recomendável que o homem consuma canela, cardamomo e noz-moscada (apenas uma pitada). Deve consumir também amêndoas e outras oleaginosas com leite e especiarias. A mulher precisa de ter mais calor no corpo. Para produzir esse calor deve consumir iogurte e vinho (moderadamente).

Deve ser escolhida a estação do ano mais adequada para a concepção pois esta vai afectar a criança. Durante a concepção devem evitar-se conflitos, stress, tristeza já que todos esses estados e emoções afectam a energia da concepção. Há que haver energia, cumplicidade, felicidade entre o casal. A concepção é uma replicação e nós queremos que a criança seja melhor do que nós.

Receita ayurvédica para aumentar a fertilidade: Dahl indiano com coco fresco

Ingredientes

1 chávena de lentilhas

5 pitadas pimentões verdes ou flocos de pimenta seca

1 colher de sopa de folhas de coentros picados

1/2 colher de chá de açafrão em pó

1/2 chávena de coco ralado fresco

sal a gosto

1 colher de sopa de mostarda

1 colher de chá de sementes de cominhos

2 tomates picados

2 colheres de sopa de ghee de vaca

1 cebola de tamanho médio, fatiada

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Instruções

  1. Lave e mergulhe o dahl em água por 30 minutos.
  2. Moer o coco ralado com um pouco de água, e fazer uma pasta lisa no liquidificador e reservar.
  3. Refogue as cebolas fatiadas até dourar. Remova e reserve.
  4. Cozinhe o dahl com apenas água suficiente até ficar macio.
  5. Adicione as pimentas, açafrão em pó, tomate e sal. Cozinhe por 3 minutos.
  6. Quando os tomates estiverem cozidos, adicione a pasta de coco. Homogeneizar. Cozinhe por mais um minuto e retire do fogo.
  7. Aqueça o ghee numa panela. Adicione as sementes de mostarda. Quando as sementes de mostarda estalarem, adicione as sementes de cominhos. Refogue por alguns segundos mais em lume brando. Despeje a mistura sobre o dahl. Pode ser servido quente, e decorado com as cebolas e as folhas de coentros picados.

 

fertilidade portugal

 

Nidra | Adormecer com a Ayurveda

sonoO sono é considerado um dos pilares de sustentação da vida e da saúde na Ayurveda, denominados de  “trayo upastamba”: Ahara (alimentação), nidra (sono) e brahmacharya (equilíbrio sexual). Quando todos os três estão em equilíbrio, eles geram no ser humano a nutrição adequada, o descanso apropriado e uma sexualidade saudável.

Nidra é um fenómeno importante que ocorre regularmente na nossa vida como uma parte da fisiologia normal, para proporcionar descanso e relaxamento ao corpo, mente e aos sentidos ou órgãos dos sentidos, que se separam do corpo como resultado de cansaço ou fadiga da mente resultante das atividades diárias. Nesta condição, o corpo torna-se incapaz de perceber quaisquer informações, o corpo e a mente esgotam-se devido as atividades do dia, e os órgãos dos sentidos separam-se dos seus objetos.

Para sermos felizes e desfrutar de saúde, temos de padronizar e planear o nosso sono. De acordo com o Vagbhata Nidra o sono é causado pelo Tamas Guna e é composto de Tamas Guna, e ocorre geralmente à noite. A inércia corporal no sono é acompanhada de um relaxamento mental, estando estritamente ligado com o Kapha dosha.

Benefícios do Nidra

Nidra ou sono é adequado em termos de quantidade e qualidade, e concede Sukha (recreio), Pushti (Nutrição e crescimento), Bala (Força e imunidade), Vrishataa (potência e vigor sexual), Gnaanam (Conhecimento e intelecto) e Jeevitam (Bom tempo de vida, longevidade).

Por outro lado, um sono anormal em termos de qualidade e quantidade (inadequada, excessiva ou irregular) concede efeitos nocivos ou as qualidades opostas, por exemplo dukha (luto), Karshyam (Consumo ou emagrecimento), Abalam (perda de força e imunidade), Kleebataa (impotência e esterilidade), Agnaanam (a ignorância e estupidez) e Ajeevitham (Morte).

Dormir significa relaxamento total do corpo e da mente, nenhuma atividade de espírito, nenhum movimento na mente. É o estado de inconsciência para com o exterior. A mente está parada no sono real. Se existe sonho, não estamos a dormir.

O sono tem um valor único para a saúde e pode até mesmo ser considerada como uma das bênçãos divinas aos seres humanos. O sono adequado nutre o corpo, aumenta a longevidade, melhora o poder de memória, aumenta a fertilidade, dá descanso completo ao corpo e mente, fornece energia psíquica e entusiasmo, e confere força e felicidade.

O sono deve acontecer nos momentos apropriados. O sono em horário impróprio, o excesso de sono, e a sua falta pode desequilibrar e destruir a saúde e a felicidade. De acordo com a Ayurveda, quando o sono noturno é insuficiente, isso leva a um aumento do Vata dosha. O sono durante o dia leva a um aumento no Kapha dosha.

A noite é o tempo de dormir, e descansar da projecção que a personalidade emanou ao longo do dia. Fazer uma sesta de dez minutos durante o dia é adequado às pessoas de tipo Vata; contudo as sestas mais longas só devem ser feitas no Verão, quando os dias estão quentes e as noites curtas. De outro modo, dormir durante o dia incrementa o Kapha, e só os muito jovens, ou muitos velhos, os que estão débeis e os que estão exaustos, devido ao sexo, a substâncias intoxicantes, os doentes, os que viajaram, os que trabalharam excessivamente ou outros com traumas físicos ou emocionais, devem dormir à tarde por mais de dez minutos. Dormir um pouco após o almoço pode ser benéfico em caso de indigestão aguda, mas em geral, e a menos que se tenha passado a noite em claro, dormir durante o dia produz inevitavelmente ama (toxinas alimentares).

Desequilíbrios gerados pela falta de Sono

Uma pessoa cansada obtém alívio e é capaz de recuperar a sua vivacidade e energia depois de um sono profundo. O sono é uma lei da natureza, que é aplicável aos seres humanos, e também ao mundo orgânico. A nossa saúde física e mental depende muito da qualidade do sono. No entanto, esta prática tem sido muito prejudicada pelo ritmo acelerado de urbanização e industrialização. Neste contexto, é também relevante recordar que o sono de 6 a 8 horas, a qualquer hora das 24 horas do dia, é insuficiente para a saúde. Este sono, a fim de ser benéfico para a saúde, deve ser feito apenas no momento designado pela natureza, ou seja, durante a noite.

Atualmente a insónia é um problema comum entre as pessoas, devido à alteração no padrão de trabalho, tensão, ansiedade, etc estilo de vida irregular. Manter alguém acordado, sem permitir que durma é uma das mais cruéis punições que podem ser dadas a qualquer ser. Se o sono fosse tirado aos seres humanos, o mundo inteiro ficaria convertido num hospício. O sono inadequado produz emagrecimento, debilidade, impotência, mau funcionamento mental e infelicidade. A completa ausência de sono pode levar à morte.

Alguns dos desequilíbrios causados pela ausência de sono são dor no corpo, peso na cabeça, bocejos frequentes, exaustão, tontura, indigestão, depressão e outros distúrbios relacionados aos nervos, bem como a doença de Parkinson se enquadram na categoria da doença de vata e podem ocorrer com a perda do sono.

Na Ayurveda, o termo para insónia é Anidra ou Nidranasha, e caracteriza-se pela dificuldade em iniciar ou manter um sono sadio. Pode envolver acordar cedo sem dormir completamente e a incapacidade de adormecer novamente. Também pode envolver acordar com uma sensação de cansaço e exaustão. O antigo sábio ayurvédico Acharya Sushruta mencionou os fatores responsáveis pela perda do sono: o aumento em Vata Dosha e/ou Pitta Dosha, perturbação mental, fraqueza ou qualquer dano no corpo. Anidra é causada por vários fatores como dieta inadequada, estilo de vida desequilibrado, medicação e tudo o mais que afeta o equilíbrio dos três doshas. O Vata dosha agravado pode tornar uma pessoa hiperativa, levando a confusão e depressão.

O Vata que é afetado principalmente é o prana vayu, um sub-dosha de Vata que reside na cabeça. Tarpak Kapha é um sub-dosha de Kapha que nutre as células do cérebro e facilita uma boa noite de sono. O desequilíbrio deste dosha provoca má nutrição das células do cérebro levando à insónia. O Pitta excessivamente agravado também pode levar à insónia porque o pitta controla desejos, raiva e espiritualidade.

Para o tratamento da insónia a Ayurveda recomenda o uso da massagem com óleo medicado morno (Abhyanga), shirodhara e outros procedimentos. O Shirodhara tem a capacidade de aliviar a insónia crónica, já que tende a aumentar a circulação sanguínea e a promover a secreção de serotonina, que produz um bom sono e uma mente calma.

sleepingDormir durante o dia é considerado um hábito tamásico, logo tremendamente lesivo para o corpo. Pode levar a desilusão, febre, dor de cabeça, poder digestivo fraco e acumulação de ama (toxicidade) no corpo. Doenças como a artrite reumatoide (Amavata), a Diabetes, a Obesidade podem ocorrer devido à acumulação de ama, que ocorre como consequência do hábito de um sono prolongado durante o dia. Dormir durante o dia é, no entanto, recomendado para crianças, idosos, doentes e para todas as pessoas durante o verão.

É de evitar a ingestão de qualquer tipo de alimento físico ou mental pelo menos duas horas antes de nos deitarmos, à excepção dos suplementos necessários para provocar o sono. Todos os processos digestivos físicos e mentais devem ser concluídos antes que nos entreguemos ao sono.

Postura do corpo durante o sono

Dormir sobre o lado direito é mais relaxante, e estimula o funcionamento da narina esquerda ao suprimir a respiração através da direita. Isto permite um maior relaxamento e controle do corpo durante o sono. Dormir sobre o lado esquerdo é mais digestivo, e permite desfrutar amplamente dos prazeres mundanos, pois estimula a narina direita, ao obstruir a circulação da esquerda. A narina direita aquece e activa o corpo, para além de aumentar o interesse pela comida, pelo sono e pelo sexo. Isto ajuda-nos a exteriorizar melhor a personalidade, e a desfrutar mais da sensualidade.

Dormir de barriga para cima, altera o Vata e permite que as narinas funcionem as duas ao mesmo tempo, o que desalinha a integração corpo-mente-espírito, e contribui indirectamente para a doença, ao fomentar que a energia saia do corpo. Dormir de barriga para baixo provoca indirectamente a doença por obstruir a respiração sã e profunda.

Antes de nos deitarmos, devemos lavar sempre as mãos, os pés e o rosto, fazermos uma massagem nos pés com um pouco de óleo (de sésamo) morno, e meditarmos uns minutos para deixarmos dissipar toda a atividade do dia.

O leito deverá servir apenas para dormir, devendo evitar-se ler, escrever ou pensar, e assim que acordamos devemos sair da cama.

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Yoga Nidra

“Dois eventos celestes marcam os extremos de energia presentes no nosso planeta: a lua cheia e a lua nova. Quando permanece acordado nessas noites (dormindo só na noite seguinte), o indivíduo sensibiliza o seu organismo ficando mais acurado aos ritmos naturais do planeta. Os textos da Swar Yoga enfatizam a extrema importância do jejum de sono nessas duas noites. A prática regular dessa disciplina sincroniza o ciclo das narinas e ajuda a libertar o nosso organismo do entorpecimento, da sonolência e da inércia.” Dhawantari, Harish Johari

Muitas vezes o Yoga Nidra é traduzido para significar “sono yogui”. O Yoga Nidra refere-se na verdade a um estado de consciência que não é o sono – um estado de ser conectado profundamente meditativo, chamado de “turiya“. A prática e compreensão do Yoga Nidra vem do Mandukya Upanishad, um dos antigos textos Védicos. Dentro deste texto são descritos quatro estados de consciência: vigília, “turiya“, sonho, sono profundo. Assim, no yoga nidra, não estamos a dormir, estamos num estado para além do corpo mental, ou do corpo intelectual, onde podemos ver imagens ou estarmos a sonhar, contudo, também não estamos completamente inconscientes, como no sono profundo.

A meditação é uma poderosa ferramenta para criar espaço e tempo para digerirmos experiências de vida mais sutis (mesmo aquelas que não são tão sutis …) e o Yoga Nidra é uma forma de meditação. O Yoga Nidra usa uma fórmula específica, na maioria dos casos através de uma meditação guiada por um professor, que transporta a pessoa para um estado profundamente relaxado, e usa o corpo e as imagens como pontos de concentração. Porque o corpo físico está tão confortável e relaxado, torna-se mais fácil alcançar um estado de união ou felicidade.

Tem-se vindo a comprovar através de alguns estudos científicos que, quando o corpo está profundamente relaxado, a resposta do sistema nervoso parassimpático é estimulada. É nesse estado de funcionamento que o corpo pode descansar, reparar e curar. Há uma diminuição da frequência cardíaca, da inflamação, ao mesmo tempo que que é liberto o stress e a ansiedade. O aumento da produção de dopamina, a hormona do prazer, foi encontrada no cérebro, fomentando o contentamento e a felicidade.

 

Alimentos que ajudam a uma boa noite de sono

Os alimentos ricos em triptofano, magnésio, cálcio, vitamina B e aqueles que aumentam os níveis de serotonina e melatonina são os melhores alimentos fomentar o sono e tratar a insónia.

Sementes de Abóbora: Aproximadamente 200g de sementes de abóbora fornecem cerca de um grama de triptofano, o que ajuda a induzir um sono melhor. Um estudo que a suplementação de 500mg de magnésio parece melhorar a insónia. Isso é cerca de ½ chávena de sementes de abóbora e 1 chávena de folhas verdes cozidas diariamente.

Leite Integral:  O leite também é rico no aminoácido triptofano, que tem um efeito calmante no corpo. De acordo com a Ayurveda, o leite de búfala é pesado e untuoso e ajuda a induzir o sono. Na verdade, o leite (dourado) morno com especiarias, como a noz-moscada, cardamomo, canela e açafrão são tradicionalmente usados para produzir um bom sono.

Iogurte: O iogurte também contém bastante triptofano e é uma rica fonte de cálcio, magnésio e vitaminas B12 e B5 que induz o sono facilmente. As pessoas que sentem desconforto na ingestão de leite devido à intolerância à lactose podem tomar iogurte ou coalhada. O cálcio presente reduz a inquietação da vigília.

Magnésio: O magnésio aumenta a secreção de melatonina da glândula pineal, previne o nervosismo e induz o sono. A vitamina B12 previne confusão, demência e fadiga. A vitamina B5 ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade.

Millet (Ragi) + farelo de aveia: o painço ou ragi é uma boa fonte de triptofano, cálcio e ferro. É benéfico em condições de ansiedade, depressão e insónia. A Aveia, rica em magnésio e potássio torna-se um excelente alimento para se consumir à noite no Inverno. Até mesmo a própria natureza da farinha de aveia (quente, calmante e suave) é indicativa de sono e calmante. A aveia também é rica em triptofano14 e é uma boa fonte de carboidratos.

Queijo: O queijo cottage é uma fonte perfeita de proteína antes de dormir, pois contém proteínas de caseína de digestão lenta que distribuem os aminoácidos para os tecidos musculares por horas a fio. Também é enriquecido com cálcio e triptofano. O cálcio presente no queijo cottage ajuda o cérebro a usar o triptofano para fabricar a melatonina que aciona o sono.

Amendoim: Outro alimento que pode ser considerado se houver dificuldade em adormecer é o amendoim ou manteiga de amendoim natural. Os amendoins são uma rica fonte de niacina, que é outro nutriente que ajuda a aumentar a liberação de serotonina no sistema. Num estudo sobre extratos de plantas de amendoim, descobriu-se que o caule de amendoim e os extratos de folhas têm a reputação de ajudar o sono.

Cacau: O magnésio presente no chocolate amargo ajuda as células a lidar com o ritmo circadiano do corpo, responsável pelas diferentes funções corporais, como o sono, a vigília e a temperatura.O chocolate neutraliza os efeitos negativos da privação do sono. Um estudo mostra o papel do chocolate rico em flavonoides na neutralização dos efeitos  prejudiciais dos distúrbios do sono.

Ameixas secas: As ameixas secas são ricas em magnésio, o que novamente ajuda a regularizar o ciclo do sono. Em estudos, é demonstrado que ameixas secas são boas quando existe ansiedade.

Kiwi: Estudos recentes demonstraram que consumir dois kiwis uma hora antes de dormir melhora o sono tanto no tempo total de sono quanto na eficiência do sono. 0 O Kiwi é rico em triptofano.

Abacate: O abacate tem altos níveis de folato e potássio, o que ajuda na produção das hormonas do bem-estar, serotonina, dopamina e norepinefrina, e regula o sono.

Bananas: A banana é uma boa fonte de triptofano, potássio, magnésio, serotonina e melatonina, que ajuda a relaxar os músculos e promove o sono. Elas também contêm vitamina B6, que melhora o sono.

Nozes: um estudo demonstrou que as nozes são uma boa fonte de melatonina e triptofano, por isso ajudam a adormecer rapidamente.

Amêndoas: As amêndoas são ricas em vitaminas do complexo B, ferro, zinco, cálcio, magnésio e potássio, nutrientes que ajudam a regular a atividade cerebral, relaxam os músculos e aumentam a secreção de compostos indutores do sono, como a melatonina.

Vegetais folhosos: A alface possui uma propriedade sedativo-hipnótica e efeito prolongador do sono devido à presença do triptofano.  O fluido branco que é visível quando cortamos folhas de alface é chamado de lactucarium. Este fluido tem propriedades relaxantes e indutoras do sono semelhantes ao ópio, mas sem os fortes efeitos colaterais. Pode-se simplesmente ingerir algumas folhas ou beber um pouco de sumo de alface. Os vegetais folhosos, como a acelga e o espinafre, são ricos em magnésio e cálcio e, portanto, são adequados para o sono.

Cerejas: O sumo de cerejas é benéfico para melhorar o sono em condições de insónia. Beber um copo de sumo de cereja na parte da manhã e à noite é uma forma melhor e mais segura de tratar a insónia, adicionando quase 90 minutos de sono à sua noite. As propriedades anti-inflamatórias das cerejas ácidas são responsáveis ​​pela sua ação, sendo também uma fonte natural de melatonina, ajudando a regular o ciclo sono-vigília, e o triptofano, o aminoácido essencial e um precursor da serotonina que ajuda no sono.

Arroz: O arroz integral germinado aumenta o ciclo de sono dando um descanso mais profundo. Ela estimula o sistema imunológico, reduz a pressão arterial e auxilia no tratamento de transtornos de ansiedade. O arroz branco também contém triptofano e um alto índice glicémico, que promove o sono. Comê-lo reduzirá significativamente o tempo que a pessoa leva a adormecer.

Infusão de camomila: As flores secas de camomila contêm muitos terpenóides e flavonóides que contribuem para as suas propriedades medicinais. Segundo os pesquisadores, beber essa infusão produz um aumento de glicina, um produto químico que relaxa os nervos e músculos e age como um sedativo leve. Uma preparação de infusão de camomila é benéfica para a insónia.

Infusão de Maracujá (Passiflora): a infusão de ervas feita a partir da flor de maracujá tem um efeito sedativo suave e pode ajudar a induzir o sono.

Infusão de Valeriana: A raiz da planta de valeriana, consumida na forma de infusão, é amplamente utilizada para induzir o sono e melhorar a qualidade do sono. Além disso, as suas propriedades sedativas e ansiolíticas têm sido comprovadas por numerosos estudos.

Ervas como Ashwagandha, Brahmi ou Mandukaparni e Tagara são altamente eficazes no alívio da insónia. São ervas muito usadas na Ayurveda para o tratamento da insónia, depressão, ansiedade e outras desordens relacionadas. Contudo, a sua toma deve ser acompanhada pela prescrição de um médico ou terapeuta de Ayurveda.

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Criar um Ritual do Sono

Tendo em conta que o sono é uma parte tão fundamental da nossa vida e do nosso equilíbrio faz todo o sentido que a sua prática seja ritualizada no nosso quotidiano. É muito importante (especialmente quando existem insónias), a criação de um ambiente adequado a um sono profundo, restaurador e tranquilo.

Idealmente as pessoas com predominância de Vata e Pitta devem deitar-se pelas 21h30, sendo que Vata pode levanta-se pelas 6h, e Pitta pelas 5h30, de forma a descansarem o suficiente, e permitirem que o corpo faça a distribuição e assimilação dos nutrientes digeridos durante o dia. Já as pessoas de constituição Kapha podem deitar-se até às 24h, contudo, devem levantar-se pelas 4h30. Devido à sua natureza calma e naturalmente relaxada, as pessoas de tipo Kapha precisam de menos horas de sono.

Como parte do Ritual de Sono podemos:

– Massajar as plantas dos pés com óleo morno de sésamo, e depois de retirar o excesso pode-se calçar um par de meias velhas.

– Ingerir uma bebida quente e reconfortante, seja um leite com especiarias ou uma infusão calmante, pelo menos 1h antes de deitar.

– Pode-se tomar um duche quente antes de ir para a cama para melhorar a qualidade do sono.

– Fazer um jantar leve, tomado de 2 a 3 horas antes de dormir, seguido de pequena caminhada, para resultar num sono mais profundo.

– A vivência da intimidade sexual à noite é uma forma eficaz de produzir um bom sono.

– Evitar ver televisão, jogar videogames e usar laptops ou dispositivos móveis antes de ir para a cama.

– Fazer exercícios físicos regularmente pela manhã. Evitar esses exercícios à noite.

– Yoga asanas, pranayama e meditação podem ser amplamente benéficas para a produção de uma excelente noite de sono:

Bhastrika pranayam 3-5 minutos

–  Kapalbhati pranayam 3-5 minutos

Anulom Vilom pranayam 5 a 10 minutos

Bhramari pranayam 5 a 10 vezes

Udgith Pranayam 5 a 10 vezes

Ujjai Pranayam 5 a 10 vezes

Para além destas a Shavasan e o Yognidra são muito úteis para o sono profundo. Estas práticas são capazes de curar todos os tipos de doenças. Ouvir música ligeira como mantras antes de dormir é uma excelente forma de induzir um sono tranquilo.

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E o sono das novas mães?

A privação de sono é habitual após o parte, e enquanto o bebé constrói uma rotina de sono. Para a nova mãe constitui quase uma tortura que a impede de cuidar melhor do seu bebé, e sendo um fator que pode atrapalhar a sua saúde mental, o apetite, metabolismo, podendo mesmo abrir espaço a uma depressão pós-parto.

Entre a dentição e a doença e os saltos de desenvolvimento, mesmo os bebés que geralmente dormem bem terão períodos de vigília frequente durante a noite até a idade de um ou dois anos de idade. Adicione pesadelos, o treino do bacio, e mais crianças à mistura, e o sono regular pode tardar por alguns anos.

Em vez de se colocar o foco no sono do bebé é fundamental que a nova mãe compreenda que a estabilização do seu descanso constitui a principal forma de ajudar o bebé a dormir bem, já que as crianças tendem a imitar o comportamento de descanso dos seus pais.

Ficam algumas ideias para melhorar as condições para um sono equilibrado:

Noz-moscada, tâmaras e leite morno são todos alimentos que promovem o sono. As novas mães podem beber infusões de camomila e passiflora que para além de as hidratarem e relaxarem, ajudam o bebé a dormir melhor, quando este é amamentado.

Sonos curtos durante o dia é quanto basta para produzir um relaxamento profundo. Dez ou quinze minutos são suficientes para reduzir a irritação e a fadiga cognitiva, sem levar à sensação de peso que se sente depois de uma soneca mais longa. Os benefícios de um sono breve duram quase três horas, então é importante para a nova mãe programar-se para um sono curto enquanto o bebé dorme para ter mais energia durante o dia. A Ayurveda geralmente não recomenda dormir durante o dia, mas o pós-parto é uma exceção à regra.

A Meditação, o canto e respiração induzem as mesmas ondas cerebrais que o sono. Muitos praticantes espirituais que passam muitas horas a meditar, ou a cantar mantras Baby-sleeping-bedrelatam que precisam de poucas horas de sono para se regenerarem. Pode ser usada uma técnica simples e aprazível de relaxamento durante os momentos em que a mãe balança o bebé. O Yoga nidra é perfeito para iniciantes.

A oxitocina é a hormona que nos leva a dormir, e é também a hormona que nos ajuda a amamentar. A nova mãe pode permitir que o bebé nutra o seu sono, em vez de ser apenas o contrário.

 

 

Ayurveda e a Intimidade | Orientações para uma vida sexual equilibrada

Husband-Wife-Disputes

Falar de Saúde íntima é ainda um desafio na nossa cultura. Nas culturas ancestrais era, contudo, fundamental para que a harmonia reinasse entre os pares. A Ayurveda, como linguagem de sabedoria, desde há milhares de anos que faculta informação e fomenta o nosso autoconhecimento ao nível da intimidade, tanto ao nível físico, como também ao nível emocional, mental e espiritual. Profundamente integrado no estilo de vida ayurvédico está o conceito da gestão da vida sexual como forma de manutenção da saúde e longevidade. A aplicação desta profunda e valiosa arte do saber resulta na fundação de relações saudáveis e felizes.

O contexto da saúde sexual pode ser, hoje em dia, um assunto sensível e confuso. Muito embora muitos dos media partilhem conteúdos muito explicitamente sexuais, e a sexualidade na internet seja um problema crescente, sobretudo em termos da educação sexual e da utilização da pornografia por jovens e adolescentes, todos esses assuntos carecem da profundidade e da real intimidade que é necessária para o nosso equilíbrio íntimo e relacional. A Medicina Ayurvédica contextualiza a sexualidade e a intimidade como fatores naturais, e como parte essencial da vida do indivíduo.

A Ayurveda analisa a totalidade da vida do indivíduo com cuidado e define claramente as fases da vida.

Os Quatro Objetivos da Vida

Na visão dos Vedas todas as nossas atividades estão alinhadas com os quatro objetivos.

Dharma – é o alinhamento interior com o que é correto segundo as Leis universais da Natureza, e é parte de todas as Sociedades, tradições, religiões, tal como é parte de cada ser humano. As atividades praticadas no dharma são oportunidades para o indivíduo servir a sua comunidade, e preservar o ecossistema do universo.

Artha – é a natural procura por riqueza. Esta categoria de atividade refere-se ao trabalho que produz rendimento ao indivíduo e à sua família. Ganhar pela vida é considerado um dos objetivos da vida.

Kama – é a natural procura por prazer na vida. Refere-se às atividades realizadas para satisfazer os sentidos da pessoa. Estas incluem comer, beber e outras experiências sensuais e prazerosas. O objetivo final do Kama é procriar e manter a espécie.

Moksha – é a liberdade absoluta, a salvação, ou a libertação de todas as atividades de artha, kama, e até mesmo de dharma. Esta categoria de atividades diz respeito à busca do desenvolvimento espiritual e da transcendência do mundo material. O objetivo é praticar o não-apego e permitir à pessoa entregar-se ao Universo ou ao Criador. Este é o objetivo mais importante da vida para aqueles atraídos pela filosofia espiritual das culturas orientais.

Os quatro objetivos da vida são continuados pelo indivíduo ao longo da vida. No entanto, cada fase da vida tem um foco único. A vida do indivíduo é dividida nas quatro seguintes fases:

Brahmacharya – Esta fase dura desde o nascimento até a idade de 25 anos. Este é considerado um tempo para o aprendizado, bem como para o desenvolvimento pessoal e espiritual. A maioria das pessoas conclui a sua educação até os 25 anos de idade, começa a sua carreira e até mesmo inicia uma família.

Grihasta – A segunda fase da vida dura de 26 a 50 anos. Este é considerado um momento para crescer na carreira, aplicando todos os recursos académicos, pessoais e espirituais no trabalho. É também nesta fase que as pessoas começam a vida familiar, relacionando-se e comprometendo-se com um ente querido, começando uma família, tendo filhos e amadurecendo.

Vanaprastha – A terceira fase da vida varia de 51 a 75 anos de idade. Nesta fase, a pessoa é convidada a abraçar o dom do presbiterado e da liderança. Compartilha livremente o seu conhecimento, experiência e sabedoria reunidos ao longo da vida. Durante esses anos, muitas das pessoas tornam-se avós e têm a oportunidade de compartilhar os seus dons com as gerações mais jovens, ajudando-os a aprender com as suas experiências.

Sanyasa – A fase final é descrita como durando dos 76 até a morte. Esta é a fase da vida mais espiritualmente focada, onde a pessoa desiste das atividades mundanas para dedicar a vida à transcendência espiritual ou moksha.

Na nossa Sociedade atual a esperança média de vida aumentou, razão pela qual os adultos mais velhos são sexualmente ativos por mais tempo. A grande maioria das pessoas, entre 50 e 75 anos, continuam sexualmente ativos, e alguns permanecem ativos entre as idades de 75 a 85 anos. Adaptar os princípios de equilíbrio ensinados pela Ayurveda à nossa vida atual é essencial para otimizar as experiências sexuais, a intimidade, a saúde e a vitalidade.

 

Vakjikarana Tantra – Afrodisíacos e Medicina Reprodutiva

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Vajikaran Tantra é o ramo terapêutico da medicina Ayurvédica dedicado à saúde íntima, e que visa tornar o ser humano suficientemente apto para produzir uma descendência saudável e feliz, no intuito de contribuir com a sua genealogia, para a criação de uma sociedade melhor. Os conteúdos do Vajikarana contêm dissertações sobre os procedimentos que o ser humano deve realizar para que consiga chegar a um nível supremo de elevação física, energética e espiritual a nível sexual. É uma prática considerada purificadora e espiritualizante, e uma forma de compreensão libertadora, que desobstrói as muitas formas de manifestação do desejo, sejam elas sexuais ou não. Por outras palavras, trata-se de uma prática que conduz à liberdade, ao Nirvana.

O Stree (o ser feminino) é o maior de todos os Dravya vajikaran como disse Charak. Antes do vajikaran, é essencial realizar-se uma terapia Panchakarma (as Cinco Ações de Purificação profunda). O Vajikaran é bom para a saúde e também influencia a saúde mental e a psique (mente), que é considerada a origem do impulso para o desejo sexual.

No intuito de se criar uma boa relação é fundamental conhecer-se e trabalhar-se com os Doshas de cada elemento do casal, já que ajuda a compreenderem-se mutuamente, a perceber qual a abordagem do parceiro perante a vida e a educação dos filhos. Após se ter encontrado o parceiro, deve-se colocar a atenção no equilíbrio da relação. Quando o propósito é a concepção, o ideal é começar os cuidados sugeridos pelo Vajikarana Tantra, pelo menos 3 a 4 meses antes de conceber, a tentar manter uma mente calma, relações equilibradas e uma dieta saudável.

 

Os Dhatus (Tecidos corporais) e o seu papel na Sexualidade

Todos os tecidos do corpo humano são desenvolvidos a partir dos alimentos que são ingeridos pelo indivíduo. A nutrição vem através de três formas principais: alimentos, respiração e pensamentos. A pureza e o equilíbrio nessas três formas de nutrição tornam-se a base da pureza e do equilíbrio dos tecidos no indivíduo. À medida que os tecidos do corpo são desenvolvidos, o shukra ou os fluidos sexuais são os últimos a serem refinados.

O Shukra dhatu ou tecido sexual é considerado um tesouro fisiológico de energia, a nossa semente, o nosso elixir, subtilizado através dos processos alquímicos do corpo, e que contém a capacidade de dar Vida ou de regenerá-la. O seu uso adequado pode promover a saúde e a evolução espiritual. O uso desequilibrado do shukra pode levar à fraqueza e à doença. Uma metáfora para a função de shukra é compará-lo a uma taça. À medida que a taça enche, a nossa reserva de energia sexual cresce, dando-nos uma sensação de vitalidade e virilidade. À medida que o copo cheio de shukra transborda, esta energia fica ainda mais refinada para criar o ojas – o brilho da aura, a compleição.

Mais refinado que o shukra dhatu físico, o ojas alimenta o corpo subtil, fortalecendo a imunidade e a vitalidade do indivíduo. O ojas representa a capacidade restaurativa ou autocura do corpo. Um ojas saudável indica o equilíbrio perfeito do corpo, mente e espírito, onde o corpo alcança a homeostase fisiológica e o biorritmo equilibrado. O ojas está também associado à resiliência e suscetibilidade do indivíduo a doenças.

A atividade sexual excessiva e inapropriada provoca a depleção do shukra e do ojas. A Ayurveda aconselha o desenvolvimento da gestão cuidadosa da sexualidade, e considera a união sexual como uma experiência sagrada de expansão de consciência, que abre o coração para o amor próprio, e para o amor a todos os seres com uma paixão crescente.

 

O equilíbrio do masculino e do feminino

lakshmi shivaA Ayurveda relata o conceito de Ardh-nar-ishwar (ver a imagem), em que cada indivíduo é feito de um aspecto divino masculino e de um aspecto divino feminino. O equilíbrio entre essas polaridades produz o equilíbrio a todos os níveis (físico, mental, emocional e espiritual) do indivíduo. A integração do masculino e feminino através da união sexual promove também o equilíbrio. Tanto os homens como as mulheres têm hormonas, embora os homens tenham predominância de testosterona, e menor quantidade de estrogénio e progesterona. Nas mulheres, o estrogénio e a progesterona existem numa maior concentração, e a testosterona em menor concentração. Os bons níveis de testosterona, tendem a melhorar o desejo sexual e melhorar a saúde geral entre homens e mulheres. Ainda assim, o equilíbrio é essencial porque muita testosterona nas mulheres pode levar a doenças, enquanto o excesso de estrogénio entre os homens pode levar também a doenças e vice-versa.

Ainda assim, todas as pessoas têm uma expressão masculina e feminina no seu interior, embora externamente o comportamento individual recaia num dos géneros. O parceiro sexual representa o aspecto oposto dessa expressão no exterior. Assim, a união sexual tem a capacidade de promover o equilíbrio entre o masculino e o feminino interior. O conceito de “Ardh-nar-ishwar” pede aos amantes que se aproximem da união sexual, tendo presente que durante o ato sagrado entram em intimidade com o Divino através do ser amado. Isso requer envolver-se com o parceiro em profunda envolvência, amor e vulnerabilidade. Este envolvimento profundo promove a satisfação divina nos relacionamentos, e promove a inteligência emocional na relação.

Mesmo no que concerne às hormonas, nas 24 horas após a união sexual há um aumento da hormona do crescimento observado em ambos os sexos. Essa hormona produz um impacto positivo na composição corporal, na força muscular, no desempenho físico, no sistema cardiovascular, no metabolismo e na função imunológica. Uma atitude de sacralidade e união divina purifica o efeito desses resultados positivos da atividade sexual, tornando-a um ato de cura, em vez de uma necessidade primordial.

 

Disfunções na Sexualidade

Os problemas de disfunção sexual são prevalecentes em homens e mulheres de meia-idade e idosos. A testosterona, o estrogénio e a progesterona são as principais hormonas que afetam as funções sexuais entre os homens e as mulheres.

O estilo de vida, e a qualidade da alimentação quotidiana tem contribuído largamente para um crescente nível de infertilidade tanto nos homens como nas mulheres. Nos homens a tendência apresenta-se no défice da qualidade e na falta de motilidade dos espermatozoides. Entre as mulheres, os problemas prevalecentes surgem através de desequilíbrios hormonais, para além do baixo interesse sexual, a dor durante o coito, e a falta de prazer e intimidade.

À medida que envelhecemos, os homens experimentam andropausa, uma queda nas hormonas andrógenas; e as mulheres experimentam a menopausa, uma queda nas hormonas estrogénicas. Estas contribuem para o aumento dos níveis de disfunção sexual entre os idosos. A Ayurveda possui as ferramentas para o resgate e a manutenção dos fluidos sexuais, para uma atividade sexual ideal, equilibrada e prazerosa.

 

Ervas para a saúde sexual

Para além de uma correta e adequada atitude emocional e espiritual em relação à sexualidade, são muito importantes atitudes que levam a um senso compartilhado de responsabilidade, comunicação aberta, integridade e atenção plena na relação. A atividade sexual é também uma forma de exercício, e quando a pessoa abandona a atividade sexual, toda a musculatura envolvida fica enfraquecida. A Ayurveda fornece ferramentas simples para superar esses desafios.

Na Medicina Ayurvédica são descritos dois ramos específicos de ervas chamados rasayana e vajikarana. As ervas Rasayana são medicamentos rejuvenescedores e holísticos nas suas funções regenerativas. Estas ervas promovem efeitos tonificantes em todos os tecidos do corpo, que acabam por se transmutar no shukra dhatu e no ojas. As ervas Vajikarana são ervas regenerativas que promovem a eficácia do shukra dhatu ou tecidos sexuais, incluindo as hormonas e os órgãos físicos. Estas são algumas das ervas que são benéficas em termos de rasayana e vajikarana:

 

Ashwagandha – Withania somnifera – Esta é uma erva rasayana, uma erva rejuvenescedora. A principal função da Ashwagandha é rejuvenescer as enzimas antioxidantes do corpo, controlando os danos relacionados com a oxidação em todos os tecidos do corpo. Esta ação contribui para a atividade antienvelhecimento da Ashwagandha. As lactonas esteróides continas na Ashwagandha também ajudam a regular as hormonas sexuais.

Em estudos clínicos, o tratamento com a Ashwagandha triplicou a virilidade nos homens com baixa contagem de espermatozoides, bem como melhorou a motilidade dos espermatozoides. O benefício também foi observado em homens normais; neles, a virilidade melhorou em 50%. Noutro outro estudo, quando administrada a homens com baixa contagem de espermatozoides, a Ashwagandha aumentou a contagem de espermatozoides em 167%, o volume de sémen em 53% e a motilidade dos espermatozoides em 57%. Assim, pode-se comprovar a forma como a Ashwagandha promove a função normal em todos os níveis dos tecidos, restaurando a função sexual e a vitalidade.

Shatavari – Esparagos rancemosus – A Shatavari é considerada o principal tónico de saúde para as mulheres na medicina ayurvédica. A Shatavari é uma das fontes mais ricas de fitoestrogénios na forma de saponinas esteroidais (Shatavarin I-IV) e isoflavonas (diadzin e genestien). Estes compostos são essenciais para o efeito da shatavari na função sexual. Um estudo clínico revelou que entre as mulheres jovens, a shatavari melhorou a maturação do ovo e a ovulação. Entre as mulheres mais velhas, a shatavari ajudou a aliviar os sintomas da menopausa e a tonificar os órgãos sexuais. É também uma fonte de vários minerais, incluindo zinco, manganês, cobalto, cobre, potássio, cálcio, magnésio, etc.

Muitas mulheres experimentam secura vaginal e relação sexual dolorosa à medida que envelhecem, isto deve-se à queda dos níveis de estrogénios. Os cremes de estrogénio proporcionam alívio, contudo é tradicional usarem-se na Medicina Ayurvédica, entre outras receitas, óvulos de ghee com shatavari para colmatar a secura vaginal, com resultados muito positivos.

Gokhsura – Tribulus terrestris – Esta erva é comumente reconhecida como um afrodisíaco. A Gokhsura pode afetar os níveis hormonais; os pesquisadores observaram que o extrato de Tribulus tem a capacidade de elevar os níveis de uma hormona reguladora, a hormona luteinizante, bem como todos os andrógenos, incluindo a testosterona e diidrotestosterona. Foi também observado que a Tribulus melhora o interesse sexual e a função sexual nos homens.

Shilajit – Asphaltum punjabium – Este medicamento único é fruto de material vegetal petrificado, uma espécie de argila, que é colhida em pequenas quantidades a partir de rochas íngremes em altitudes entre 1000 e 5000 metros entre as montanhas do Himalaia. É considerado uma excelente fonte de 85 minerais na sua forma iónica. No estudo clínico em homens, o shilajit aumentou os níveis de hormonas testosterona e hormonas folículos estimulantes. Esses homens também tiveram uma melhoria de 61% na contagem de espermatozoides, e a motilidade melhorou em 18% com 90 dias de tratamento.

 

Fiel à sua tradição holística, a medicina ayurvédica prescreve essas ervas no contexto de mudanças dietéticas e de estilo de vida, e sempre com seguimento de um médico ou terapeuta de Ayurveda. Dieta à base de plantas, exercícios regulares e sono adequado são essenciais para a cura e a eficácia de qualquer medicamento. Estes podem ser melhorados com a prática regular de exercícios respiratórios e meditação, que promovem a transformação emocional e espiritual.

Celebrar a Ayurveda – a Ciência da Longevidade

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No próximo dia 5 de novembro de 2018 celebra-se, pela segunda vez, o Dia Internacional da Ayurveda. O recém criado Ministério do Yoga e Ayurveda do governo indiano fez recair a escolha do dia da Ayurveda em consonância com a celebração do dia de aniversário do Senhor Dhanwantari (Dhanwantari Jayanti), o lendário Deus Hindu da Medicina, o Mestre do Conhecimento Universal, Médico dos Deuses e a Deidade Guardião dos Hospitais, o Senhor Dhanwantari é também o patrono da Ayurveda.

Segundo a lenda, os deuses e os demónios criaram o néctar da Imortalidade – o amrita – batendo e agitando o oceano leitoso, e o Senhor Dhanwantari emergiu das águas oceânicas trazendo uma taça cheia do néctar, com a qual é habitualmente representado. dhanvantariO néctar, amrita,  é considerado a panaceia para todas as doenças e enfermidades, e a partilha que o Senhor Dhanwantari faz do conhecimento da Ayurveda, da Sabedoria inerente aos processos da Vida constituem só por si um Elixir para a Longevidade.

Independentemente da história mitológica do surgimento da Medicina Ayurvédica, a Ayurveda é atualmente aceite como o sistema médico mais antigo, mais original e ininterrupto do mundo,  reconhecido pela Organização Mundial de Saúde como um sistema médico coerente e eficaz.

O conceito

Somos seres plenos de Energia e Vontade de Viver que desde os primórdios da nossa existência procuramos a Paz e a Prosperidade. Experimentamos a Vida através dos nossos corpos, que manifestam unicidade e adaptação às necessidades de vivência individuais, providos de meios naturais de auto manutenção e cura.

A nossa memória acumula e arquiva a experiência adquirida através de vivências físicas, emocionais, mentais e espirituais. Todos os momentos que vivemos impregnam os nossos sentidos com uma tremenda quantidade de informação, em que todos os pormenores são importantes: cada golfada de ar, cada raio de Sol, cada alegria, e cada tristeza, cada escolha, sabor, aroma que saboreamos. Todas as experiências vivenciadas constituem uma dádiva, uma graça plena da Energia Vital que nos anima, e plena do conhecimento que nos permite enfrentar cada desafio da vida – nos seus vários níveis – com equilíbrio e confiança.

Dentro deste contexto de integração, de entendimento e de harmonia com a Natureza surge a Ayurveda. Ayus (Vida, movimento, seres vivos, modo diário de vida) e Veda (revelação; conhecimento empírico que deriva da observação e da experimentação) é a Ciência da Vida quotidiana, da Vida Plena, da Saúde e Longevidade, da Cura. A Ayurveda é o Manual de Instruções de que muitos sentem a falta para lidar com o seu quotidiano. Pleno de recomendações e linhas orientadoras, o conhecimento ayurvédico tem como propósito final ajudar a materializar uma vivência plena, saudável, consciente, e por isso tudo, feliz. A Ayurveda é uma medicina para a manifestação do Amor à vida no quotidiano.

RishiO conhecimento ayurvédico remonta há pelo menos 5 mil anos, trazido até nós primeiro através da tradição oral, e posteriormente através dos Samhitas, os Compêndios que aglomeram o grosso dos princípios da Medicina Ayurvédica. É um sistema holístico de medicina cujo conhecimento evoluiu a partir do conhecimento empírico, e também da observação, da “iluminação” prática, filosófica e religiosa dos Rishis (seres antigos realizados, ou videntes da verdade). Estes sábios alcançaram o conhecimento através de intensa e profunda meditação, compreendendo a dimensão da Vida a um nível subtil, compreendendo a matéria como partículas com diferentes intensidades de vibração – como só muito mais tarde viria a ser cientificamente entendido nos conceitos da Física Quântica –, e aplicaram esse conhecimento para estabelecer princípios de equilíbrio e orientação para a nossa prosaica vida diária. No estreito relacionamento entre o homem e o universo, os Rishis perceberam como se manifesta a energia cósmica em todas as coisas vivas e não-vivas, e esse conhecimento é utilizado desde então para ajudar a manifestar no quotidiano o propósito último do ser humano: a Felicidade e Realização plena.

A Ayurveda manifesta assim, uma filosofia de vida que está em comunhão com o Cosmos, na qual se integra a Medicina Ancestral da tradição Indiana, e que oferece na sua abordagem terapêutica, e pelo seu carácter preventivo e educativo, o fundamento para a manutenção quotidiana de uma saúde realizada, plena, holística.

O sistema de cura ayurvédico ajuda a pessoa sadia a manter a saúde, e a pessoa doente a recuperá-la. A prática da Ayurveda é indicada para promover o bem-estar, a saúde e o desenvolvimento criativo do ser humano. Por isso preconiza que a responsabilidade perante o estado de Saúde geral do indivíduo pertence ao próprio, sendo ele o agente restaurador do seu bem-estar, pela introdução de hábitos alimentares equilibrados, e cuidados com o corpo, com as emoções, a mente e o espírito. Através do equilíbrio apropriado de todas as energias do corpo, os processos de deterioração física e doença podem ser reduzidos, promovendo-se a capacidade de autocura individual.

Na Ayurveda, a jornada da vida na sua totalidade é considerada sagrada. A sua grande verdade é Ser, Existência Pura, Fonte de toda a vida.

Numa abordagem mais profunda e completa, a Ayurveda, o Yoga e o Tantra são as antigas disciplinas tradicionais de vida na Índia. O Yoga é a ciência da união com o Divino, o Tantra é um método de trabalho com a grande energia criadora de Vida e a Ayurveda é a ciência da Vida. O propósito de cada prática é ajudar a pessoa a alcançar longevidade, rejuvenescimento e a autorrealização.

Na evolução espiritual do homem, a Ayurveda é a base, o Yoga é o corpo e o Tantra a cabeça. Primeiro é necessário compreender a Ayurveda a fim de experimentar as práticas do Yoga e do Tantra. Assim a Ayurveda, o Yoga e o Tantra formam uma trindade de vida interdependente. A saúde do corpo, mente e consciência dependem do conhecimento e prática dos três na vida diária.

A prática

Respeitando o carácter profundamente preventivo, a Ayurveda tem como base os cuidados diários de saúde através de uma cuidada prática de Rotina Diária – Dina Charya, que tem o propósito de manter o nosso equilíbrio e fomentar a longevidade.

eight-branches-of-ayurvedaApesar de no Ocidente a sua prática ser ainda muito orientada basicamente como uma suave Medicina preventiva, na Índia a Ayurveda é praticada de acordo com oito especialidades – o Astanga. As divisões de especialidades do Ayurveda surgem ainda nos Vedas. O Atharva Veda consiste predominantemente em Bhutavidya (psiquiatria) e em Sarpavidya (toxicologia). Além dos dois acima, Rasayana (ciência do rejuvenescimento, atualmente conectado com a Geriatria) e Vajikarana (Medicina Reprodutiva e Afrodisíacos) que são também encontradas no Brahmanas e no Upanishads. A Ayurveda contém além das quatro divisões acima, outras quatro a saber Salya (cirurgia), Salyaka (otorrinolaringologia), Kaya-Chikitsa (medicina interna) e Kaumara-Bhrtya (Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia). O conhecimento sobre estas últimas quatro divisões existiu antes, mas tornou-se sistemático com a origem do Astanga Ayurveda (As Oito Divisões da Ayurveda) aproximadamente entre 800-600 a.C.

Dentro das Medicinas Tradicionais, a Ayurveda tem sido a última a ganhar o seu lugar e reconhecimento público. Apesar dos revezes históricos que coloriram a disseminação da Medicina Ayurvédica, o seu conhecimento prático – como Medicina primeira – acabou por orientar o surgimento de várias outras Medicinas, sendo a base e edificando os conhecimentos médicos atuais, incluindo os da Medicina Ocidental. A Ayurveda é uma Medicina Ancestral orientada por princípios visionários que colocam a saúde holística como a base para o desenvolvimento da plenitude e consciência no Ser Humano.

 

Mimo e cuidados de Outono com a Ayurveda

Apesar de começarmos a termos de nos habituar à indefinição das estações do ano derivadas às alterações climáticas, alguma regularidade pode ainda ser observada, e naturalmente respeitada de forma a mantermo-nos em equilíbrio.

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A mudança do verão para o outono é um período chamado Ritu Sandhi na Ayurveda. Refere-se à lacuna entre as estações. Este é um momento delicado para a digestão, porque os doshas (humores) estão flutuantes e a capacidade digestiva pode também oscilar. Este tempo de flutuação proporciona uma oportunidade natural para uma limpeza de Outono. A Ayurveda sugere que façamos bom uso da tendência natural do corpo para se purificar.

O Outono é uma das estações do ano em que o Vata predomina. O Vata e o Outono compartilham as qualidades de movimento, mudança, secura, frio, luz, mutável, rápida e irregular.

No Outono começamos a ver mudanças no clima, algumas delas repentinas, que se refletem na beleza da mudança da cor das folhas das árvores. Começamos por sentir mais frio e há movimento no ar quando o vento frio começa a soprar. É a estação que agrava o Vata devido ao clima frio e ventoso. O Vata pode manifestar-se no nosso corpo e mente como: secura, ansiedade, preocupação, dor nas articulações, alterações nos nossos padrões digestivos, incluindo obstipação e até insónia.

As estações vão-se sucedendo independentes da nossa vontade, e a Ayurveda é provida da informação que nos permite lidar de forma harmoniosa com o nosso ambiente externo, e o eventual stresse que o acompanha, através de pequenos ajustes na nossa rotina diária.

 

A Alimentação no Outono

A energia do Vata é naturalmente criativa e também agitada. Tendo isso em conta é fundamental manter o Vata calmo e feliz. Idealmente devem-se evitar alimentos com as caraterísticas do Vata como bebidas frias e alimentos secos, ásperos, grosseiros, frios e crus. Deve adicionar-se mel aos alimentos e às bebidas, assim como voltar às ervas digestivas de aquecimento como os gengibre, cominhos, canela, cravinho-da-índia, manjericão, erva-doce e pimenta preta.

As sopas de vegetais e ensopados são perfeitos para esta época do ano, assim como o ghee e alimentos quentes, e com os sabores picante, ácido e doce. A abóbora é um alimento muito típico da estação e muito adequado para nutrir o Vata, assim como vários tubérculos como a batata-doce, a beterraba e a cenoura, que facilitam o processo de ‘enraizamento’ da leve energia do Vata.

Idealmente as bebidas devem ser quentes como água quente, infusão de gengibre (usar gengibre fresco) ou de outras ervas, como erva-doce, cominhos e tomilho.

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Alimentos preferenciais de Outono

Lacticínios | todos

Adoçantes | Açúcar-de-cana, mel, melaço

Óleos | Todos com moderação

Cereais | Arroz basmati, arroz integral pequeno, trigo, aveia, cuscuz, centeio

Leguminosas | Feijão Mung, tofu, lentilhas

Frutos | Abacates, papaias, uvas, laranjas, cerejas, ameixas, melões, morangos, ananás, framboesas, mangas, bananas, figo, pêssegos, laranjas, azeitonas, limas, limões

Vegetais | Batata-doce, Inhame, agriões, cenouras, batatas, beringelas, ervilhas, beterraba, espargos, feijão verde, tomates, quiabo, nabos, abóboras, pimentos

Nozes/sementes | Todas com moderação

Condimentos/ervas | Gengibre, canela, cominhos, coentros, rábano bravo, assa-fétida, funcho, pimenta preta, sal marinho, noz-moscada, açafrão-da-índia, basílico, alho, fenacho, cravinho-da-índia

Bebidas | Leite quente, água quente, sumos de fruta, infusões

Produtos animais | Frango, peru, peixe, ovos

 

Rotina Diária adequada ao Outono

O Vata dosha desequilibra-se quando a rotina diária é irregular. É fundamental termos o cuidado de descansar bastante e manter uma rotina regular.

Massagem com Óleo Quente

Abhyanga: Aqueça um pouco de óleo orgânico de boa qualidade e faça uma pequena automassagem todos os dias. Esta prática ayurvédica diária nutre e cultiva uma pele bonita e também acalma o Vata. Tradicionalmente, é usado o óleo de sésamo, que contém propriedades antioxidantes, é amornante e um pouco pesado. Para além do óleo de sésamo, existem outros óleos vegetais adequados como o óleo de brahmi (sobretudo para a cabeça), o óleo de mostarda, e eventualmente até o óleo de amêndoas doces. Idealmente o óleo deve ficar na pele por duas horas para ser bem absorvido. Opcionalmente um banho de vapor ajuda na dilatação dos poros e absorção profunda dos benefícios do óleo usado. Tomar um banho quente após a massagem para lavar o óleo do corpo.

Movimento

Dança, Ioga, Caminhadas, e Chi Kung são alguns dos exercícios mais adequados para esta estação.

Respiração

Tire um tempo todos os dias para exercícios de Pranayama. Comece o dia com algumas repetições de respiração consciente completa. Inspire e expire a sua Intenção para o dia.

Desintoxicação | Panchakarma

Uma dieta purificadora fácil de digerir é recomendada durante o período de transição da estação e como preparação para o Panchakarma. São de evitar certos alimentos como carnes, sobras e alimentos processados já que são mais difíceis de digerir durante este período.

Dhal, arroz e legumes cozidos são adequados para uma limpeza de outono. Suplementar a dieta com Triphala, a fórmula tradicional de digestão ayurvédica, é uma forma prática de manter a digestão forte e uma eliminação regular.

O outono é um ótimo momento para receber Panchakarma, a tradicional limpeza Ayurveda. O Panchakarma pode ser feito numa clínica com um praticante ayurvédico qualificado, ou pode ser feito em casa, sob a orientação de um profissional qualificado. A terapia Panchakarma recomendada no Outono é o Basti – Oleação interna do cólon.

Fitoterapia

A Neem é uma planta famosa usada há séculos na Índia para tornar a pele mais radiante. O chá de neem é um tónico, e planta é também usada para limpar os dentes, e como um repelente natural de insetos. Embora nada possa substituir a experiência profunda e purificadora do Panchakarma, a Neem ajuda bastante no processo de desintoxicação. A sua ingestão deve orientada e seguida por um médico ou terapeuta ayurvédico habilitado.

 

Ventos em mudança: como afetam eles as Bioenergias

O vento é frequentemente caracterizado pelo Vata-dosha na Ayurveda, sendo ele próprio composto de akasha (espaço / éter) e vayu (vento / ar). Os vários tipos de vento são conhecidos geralmente por agravarem o vata, devido à natureza subtil do vento.

Os três humores biológicos em Ayurveda ou doshas são Vata-dosha, Pitta-dosha (composto de agni ou fogo e jala ou água) e Kapha-dosha (composto de jala ou água e prithivi ou terra). Destes, Vata, o humor do vento, é o mais subtil; Pitta, o fogo é o humor bilioso, sendo o seguinte mais subtil; e Kapha, o humor de água e fleuma, é o mais denso.

Na Ayurveda as várias mudanças do nosso ambiente natural – tão simples quanto as direções do vento – podem criar várias questões relacionadas com agravamento dessas bioenergias. Se formos dar um passeio ao vento, o Vata irá agravar, especialmente no outono e nas estações mais secas. Podemos também procurar perceber em que direção o vento sopra, o que também nos dá indicações de como as bioenergias podem ser agravadas.

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Ventos Orientais

Diz-se que o vento que sopra principalmente do Oriente é pesado e untuoso e tem um sabor doce e salgado. Assim, agrava o Kapha-dosha, que compartilha dessas propriedades, e o Pitta-dosha e o rakta (sangue), devido ao sabor salgado. Também agrava aqueles que sofrem de problemas como envenenamento, úlceras e ferimentos devido a acidentes, e causa sensações de ardor. Contudo, estes ventos orientais aliviam a fadiga e o inchaço, e reduzem o Vata.

Ventos do Sul

Diz-se que o vento que sopra primariamente da direção sul é leve em propriedade e doce, aliviando o Pitta-Dosha e o sangue, sem agravar o Vata. Ajuda a promover a força no corpo, e ajuda a visão, que está relacionada com o Pitta. Também pode aliviar o sangramento, devido à sua propriedade doce, que tem uma natureza redutora e refrescante de Pitta (shita-virya).

Ventos Ocidentais

O vento que sopra principalmente do oeste pode aliviar fortemente o Kapha-dosha, mas devido à sua natureza também afiada, seca, áspera e leve pode causar emagrecimento e reduzir a força (especialmente em tipos Vata). Reduz o tecido adiposo (devido à sua natureza seca), e diminui a untuosidade observada nos tipos Kapha, especialmente reduzindo o congestionamento e a fleuma.

Ventos do Norte

Diz-se que o vento que sopra principalmente da direção norte mantém as três Bioenergias em equilíbrio, e tem uma natureza untuosa, suave e pegajosa, com gostos doces e adstringentes. Para pessoas saudáveis, diz-se que promove a força e é útil em casos de emaciação devido à tuberculose e envenenamento. Quando o corpo acumulou toxinas, no entanto, pode agravar os doshas devido à sua natureza húmida.

Os Ventos e as Bioenergias

Naturalmente, devido aos vários climas ao redor do globo, existem variações, e podem haver efeitos contrários. No entanto, o fundamental é que vários tipos de vento agravam os doshas de diferentes maneiras, e podem ser usados ​​para reduzir outros doshas.

Podemos avaliar as várias propriedades ou gunas dos ventos que sopram ao nosso redor e, assim, entender como agravam os doshas, e quais os ventos predominantes.

Como exemplo, as comunidades costeiras ao longo das costas orientais sentirão uma forte e fresca brisa marítima proveniente dos ventos de Páscoa que provocarão os doshas – especialmente Vata e Kapha – devido às suas naturezas mais frias, apesar de outras propriedades. Nas estações de outono-inverno nessas regiões, é melhor que as pessoas – especialmente as constituições Vata e Kapha – evitem sair para passear quando esses ventos sopram, pois podem ser fatores causadores de doenças.

Vários ventos podem também afetar os nossos estados mentais pelas suas qualidades e propriedades. Ventos frios em dias nublados podem nos fazer sentir letárgicos, sem energia e deprimidos, devido à sua natureza mais escura (tamásicas), mais pesada e mais fria. Os ventos mais quentes têm uma natureza de secura, mas às vezes podem afetar uma pessoa pelas suas naturezas direcionais secundárias.

Na Ayurveda as diferentes propriedades do vento estão intimamente conectadas com desha (localização) e rtu (estação), e podem afetar as pessoas de forma diferente, baseadas na constituição biológica básica de uma pessoa (prakriti), quaisquer desvios temporais dela (vikriti), a sua idade ( estágio de vida), e sexo (por exemplo, as mulheres são mais propensas a serem agravadas por ventos). Com as mudanças planetárias, esses efeitos subtis apresentam um exemplo de outro nível mais profundo na Ayurveda, no qual várias doenças podem ser criadas pela viciação dos doshas ou pela redução dos seus efeitos pelos vários efeitos e qualidades da natureza ao nosso redor, como o vento.

Podemos começar a examinar essas propriedades ou qualidades (gunas) dos ventos ao nosso redor, nos nossos climas e locais para começarmos a avaliar os efeitos que eles têm na nossa bioenergia.

Ayurveda e as diferentes dimensões da Mente

ayurveda-vata-pittaNa visão da Medicina Ayurvédica todos os desequilíbrios (sharirika) têm para além de uma dimensão física, uma componente mental activa (manasika).

O exame da mente e das doenças psicológicas na Ayurveda é potencialmente tão complexo quanto o exame do corpo e das doenças físicas. Esta é uma observação penetrante e atenta que requer perícia, dado que requer a habilidade de compreender em profundidade o funcionamento da mente, que vai além dos aspectos físicos observados nos outros ramos da Ayurveda.

Dimensões da Mente

“Como o Sol que observa a Terra não é tocado pelas impurezas terrestres, assim também o Espírito que habita em todas as coisas não é tocado pelos sofrimentos externos”

Upanishades

Na Ayurveda, a mente é concebida a mente existindo em quatro níveis:

Chitta: ou Consciência. Ela funciona mesmo independente dos sentidos. Também é onde todas as memórias das nossas vidas passadas estão guardadas. Ela existe em todos os três corpos e funciona mesmo enquanto dormimos. Através da hipnose a nossa mente pode ser levada ao nível de Chitta. Ela representa a totalidade do nosso campo mental, contendo todas as emoções, hábitos, impressões e apegos profundamente enraizados em nós.

Manas: É aquela parte de nossa mente que está conectada com os sentidos, coordenando as

nossas actividades motoras e sensitivas, e está dominada pelas nossas emoções e opiniões. Ela

inclui a consciência sensorial externa ou “mente desejante”, assim como o nosso subconsciente e inconsciente pessoal. Ela expressa-se nas nossas capacidades de pensar, considerar, imaginar (samkalpavikalpa), nas nossas emoções e reacções primárias às impressões sensoriais. Este nível de Manas não existe no corpo causal, porque ela necessita de ser alimentada pelas impressões sensoriais.

AHANKAR: Literalmente significa “O fabricador do eu” e trata-se de um processo e não de uma realidade intrínseca. Ele é uma força necessária de diferenciação inerente à natureza, um estágio de evolução, mas não representa a verdade profunda ou real identidade das criaturas. Ele é a noção de “eu” por detrás dos outros pensamentos da mente. A sua acção é uma série de identificações do self ou aspecto subjectivo do nosso ser com alguma forma ou qualidade objectiva, tal como o corpo ou os vários estados mentais. Manas ou “mente externa” é uma série de reacções emocionais internalizadas. O ego (Ahamkar) apropria-se disso dizendo “eu gosto disso” ou “eu não gosto daquilo” etc. Desta forma o ego fornece energia para as reacções da mente. O seu aspecto positivo é que o ego possibilita uma mente com capacidade de foco. Ele ajuda a consciência a diferenciar-se da natureza externa. Contudo o ego é de facto uma das principais causas dos desequilíbrios e das doenças físicas e psicológicas.

Buddhi: Esta é a nossa faculdade de discernimento, a qual nos permite distinguir entre o

verdadeiro e o falso. Ela capacita-nos de estabelecer valores e princípios nas nossas vidas, os

quais são as bases da nossa consciência. Ela é nossa mente consciente e inteligência. Quando

dirigida externamente torna-se o intelecto e faz-nos discriminar os nomes e as formas do mundo externo. Quando dirigida para dentro ela torna-se a inteligência que nos faz discriminar entre o que está dentro de nós e fora de nós, e entre o que é aparente e o que é real. Quando dirigida externamente a sua função dá-se através de Manas (mente externa) e Ahamkara (ego) e não é independente deles. Porém, na sua essência é independente dos sentidos e existe em todos os três corpos (físico, subtil e causal).

Os três Gunas e a Mente

gunasConforme a criação se desenvolve, são formados três princípios básicos que sustentam toda a vida: as leis de criação, manutenção e dissolução. Tudo na vida nasce ou é criado, vive, e então morre. Esses princípios são conhecidos como Sattva, Rajas e Tamas e são chamadas de os três Gunas ou qualidades, atributos, tendências ou modos da criação e da natureza material. Toda a vida, humana ou celeste obedece a essas leis.

Os Gunas determinam a ressonância da nossa consciência, e a ressonância da nossa consciência determina nossa “realidade, ” este é o conhecimento mais importante da ciência dos Gunas. Os Gunas mostram as predisposições básicas da mente e as coisas que ela valoriza. No geral, a constituição mental segue a física. Porém, em alguns casos, a actividade mental pode ser mais forte do que o corpo.

• No nível físico, Sattva é harmonia; Rajas é actividade; Tamas é inércia.

• No nível mental, Sattva é verdade; Rajas é paixão; Tamas é indiferença.

As qualidades mentais dos Gunas são as seguintes:

Mente Sattvica

Sattva é capaz de produzir Luz. É na Luz de Sattva que vemos os nossos sonhos; Sattva é a luz onírica. Os olhos e todos os outros órgãos dos sentidos estão fechados, porém a escuridão não governa os sonhos. Por esse motivo, Sattva está ligado à melatonina, a hormona produzida pela glândula pineal. Sendo capaz de gerar Luz, Sattva remove a confusão ao proporcionar uma perspectiva clara. Quando Sattva predomina todos os sentimentos de inspiração para realizar-se alguma acção, bem como o apego desaparecem. Desaparece toda a inspiração para o trabalho, e toda a ignorância. Não há nada para fazer, nenhum lugar para onde ir, nenhum trabalho no qual mergulhar, nenhuma vontade de comer nem dormir, nenhuma confusão. Tudo o que permanece é luz e bem-venturança – as quais, por sua vez, criam mais luz, mais paz e maior tranquilidade.

Esta é uma mente harmoniosa. Sattva representa um estado de flexibilidade mental. A pessoa sáttvica é flexível e reage aos acontecimentos na hora em que eles acontecem; as suas reacções emocionais são proporcionais às situações. É uma pessoa aberta às coisas novas e não tem apego às suas opiniões; é pacífica e não gosta de entrar em conflitos; sente-se igualmente à vontade sozinha ou junto a outras pessoas; gosta da natureza e tem a mente em paz. Por isso, dorme bem e não se deixa abalar pelo passado nem pelo futuro. Tem bastante motivação, mas não em excesso. Tem confiança nas outras pessoas, mas sua intuição é aguçada e inteligência brilhante. A mente sáttvica é pura, clara e luminosa, e pode ser desenvolvida pela prática espiritual. É necessário um estilo de vida que promova o Guna sattva, associado a uma dieta alimentar que elimine as substâncias rajásicas e tamásicas.

Os alimentos Sáttvicos são aqueles que contribuem para a serenidade, promovem a vida, a força, a saúde, a felicidade e a satisfação. Proporcionam o essencial e mantêm o organismo doce e limpo. São os alimentos puros.

Mente Rajásica

Rajas tem o poder de dar energia. Este Guna motiva e inspira o trabalho. Contém na sua

natureza a dor, pois a dor só surge a partir da actividade. Quando Rajas é dominante

surge um grande ímpeto de energia e um imenso desejo de realizar trabalho, projectos e

actividades. A acção é o modo dominante.

Rajas representa por isso um estado activo da mente. A pessoa rajásica tende a ter o pensamento rígido e aferrar-se tenazmente às suas opiniões. Tende a reagir às situações com emoções que não se encaixam no contexto. Mentalmente é brilhante e agressiva. É activa e enérgica, mas muitas vezes não sabe quando vai parar ou ir mais devagar. Precisa de uma forte motivação para viver. No geral, vive ocupada com alguma coisa; considera o descanso como uma perda de tempo ou associa-o à depressão. A pessoa rajásica é capaz de fazer qualquer coisa para se curar, desde que tenha certeza que isso vai beneficiá-la e não vai reduzir-se a uma simples perda de tempo ou energia. Tem a capacidade de motivar os outros. O seu sono é perturbado, pois não põe freio aos pensamentos. Os alimentos Rajásicos contribuem para o

dinamismo e acção, mas podem causar dor, pesar e doença.

Mente Tamásica

Tamas é inerte. Este Guna é a fonte da resistência, dos obstáculos e das obstruções. Quando existe uma predominância de Tamas, o indivíduo sente preguiça e apego. Não se incomoda de ir a algum lado, e prefere permanecer onde está. Tamas representa um estado de inércia e estagnação mental. A pessoa tamásica é obtusa, revela pouca clareza mental. Não tem motivação e não é capaz de fazer nada se não for pressionada ou forçada (às vezes força-se a si mesma). Dorme demais, come demais e tende a exceder-se em tudo. Costuma sofrer de depressão emocional e é letárgica. O tratamento de qualquer pessoa tamásica é desafiante, a menos que tenha rajas em quantidade suficiente para provocar uma mudança. Os alimentos Tamásicos produzem a preguiça e a indolência. Todos os produtos farmacêuticos são tamásicos, assim como a carne e o álcool.

Nos níveis físicos, podemos correlacionar Tamas com o Corpúsculo ou a Partícula, e Rajas com a Onda (na dicotomia Partícula/Corpúsculo vs. Onda, da Física moderna) ou, então, Tamas com a Matéria e Rajas com a Energia; e, em qualquer dos casos, Sattva com a(s) lei(s) que tudo rege(m).

A influência dos Gunas e das suas subtis nuances podem ser comparadas à mistura das três cores básicas, amarelo, magenta e azul. Podem ser infinitamente misturadas, e a cada adição a cor muda. Realmente, cada espécie ou mesmo cada corpo individual pode ser comparado a um destas misturas específicas dos três Gunas. Os Gunas dão cor à nossa consciência, e a nossa consciência “colora” o nosso corpo. Isto é literalmente verdadeiro no caso do nosso corpo astral, que muda de cores de acordo com nossos estados de consciência. A energia subtil que flui no nosso corpo astral influencia a energia que flui no nosso corpo grosseiro.

A matriz dos desequilíbrios da Mente

Os desequilíbrios da mente (Manas vikruti) na psicologia ayurvédica são atribuídos a vários fatores. Estes incluem seguir uma dieta que cria mais desequilíbrio, combinação de alimentos incompatíveis, toxinas de emoções reprimidas, emoções não resolvidas, stress, trauma e maus hábitos de vida.

O desequilíbrio da mente pode ser equilibrado através da ingestão de uma dieta adequada ao Dosha da constituição de nascimento, meditação, seguindo uma rotina diária para equilibrar o Prakriti (Matriz) e fitoterapia. A Ayurveda oferece também remédios à base de plantas que podem ser usados para acalmar a mente.

Quando o paciente está a fazer uma medicação alopática deve consultar um médico ou terapeuta ayurvédico antes de começar a tomar suplementos de ervas. Algumas ervas tradicionalmente usadas para a mente são o Brahmi (na forma de pó, óleo ou tintura), Bhringraj (em pó ou como um óleo), Bacopa (em pó ou tintura) e Shankhapushpi.

Manas prakruti é a nossa constituição mental inata na psicologia ayurvédica. Essa constituição pode ser determinado pelo sexto nível do pulso. É descrito como um lótus de oito pétalas. Cada uma das oito pétalas está ligada a uma divindade védica e aos atributos dessa divindade. Esses atributos revelarão qualidades como compaixão, introspectiva, crítica, etc. A avaliação do pulso identificará quais dessas pétalas são ativadas. Um adepto ayurvédico praticante será capaz de identificar o manas prakruti através desta avaliação de pulso refinada.

A Mente e os três Humores

Psicologia Vata

Pessoas com desequilíbrio Vata na psicologia ayurvédica exibem sintomas de medo, solidão, ansiedade extrema, nervosismo, uma mente inquieta e insónia contínua. O paciente fala muito depressa, muda rapidamente de assunto durante uma conversa, tem tendência à síndrome das pernas inquietas e anseia por estimulação externa contínua. O paciente terá pele muito seca, unhas quebradiças e uma língua instável.

Psicologia Pitta

Pessoas com desequilíbrios Pitta na psicologia ayurvédica são propensos à raiva, crítica, julgamento, birras e análise sem fim. A pessoa Pitta fala de forma incisiva, impaciente e concisamente e espera o mesmo em troca. O paciente muitas vezes fica calvo ou prematuramente grisalho, tem tendência a verrugas, sardas e condições inflamatórias.

Psicologia Kapha

Os pacientes que apresentam desequilíbrios kapha na psicologia ayurvédica tendem a umtipo pesado de depressão, ganância, apego e letargia. Gostam de rotinas e são muito carinhosos e gentis. Os pacientes com Kapha andam e falam devagar e tendem a ganhar peso. Podem ponderar uma questão por algum tempo antes de responderem ou formarem uma opinião. Depois de tomarem uma decisão dificilmente mudam de opinião.

Mantraterapia: Som, Vibração e Energia

O som é a ferramenta natural mais simples e capaz de alterar o nosso estado de espírito, o nosso humor e o das pessoas e ambiente à nossa volta. No ventre, o som, a vibração da voz da nossa mãe, o seu ritmo cardíaco, as suas ondas emocionais, a orquestra dos seus órgãos em funcionamento, das células que nascem e morrem, começaram por ser o nosso primeiro contacto com a riqueza vibracional do mundo exterior. A vibração sonora é a matéria prima com que criamos a nossa biblioteca de memórias, interiorizamos escalas de emoções, e geramos os primeiros padrões da nossa inteligência emocional, armazenando e edificando um conhecimento baseado nas entoações e expressões usadas pelos nossos pais e cuidadores, construindo assim a estrutura do nosso léxico emocional.

Esse léxico vibracional e emocional tem lugar cativo nas nossas moléculas de água, e torna-se uma parte estruturada e inconsciente dos nossos padrões de emoção e reação. Mimetizamos as expressões e entoações dos nossos ancestrais reproduzindo um património de memórias acumuladas pela nossa genealogia específica, que conseguimos reativar através da reverberação da nossa (imensa) água interna. Cada pessoa herda assim uma escala específica de sons agregados por gerações, que se exprime em parte através da frase melódica que constitui o nosso nome. O nosso nome (completo) exprime tanto essa tremenda memória vibracional (nos apelidos) como adiciona o nosso padrão único de vibração (os nomes próprios), complementado pela sinfonia do nosso corpo em pleno funcionamento. O nosso nome é o nosso mantra pessoal!  Assim, a personalidade pode também ser definida pela forma única como vibramos e criamos padrões eletromagnéticos diferenciados, transmitindo uma impressão singular, ímpar, identificadora da nossa unicidade.

Dar corpo à Voz

Tudo à nossa volta gera ondas, reação, vibração. Tudo vibra de facto. O corpo humano é uma caixa de som, um aparelho de ressonância capaz de produzir uma escala de 52 sons essenciais que constituem a base as frequências verbais. A palavra falada, apesar de emitida ao nível da garganta, reverbera pelo o nosso corpo inteiro. Falamos com o corpo todo.

WhiteTaraMantraCircleOs Vedas – as escrituras sagradas do Hinduísmo – foram escritos em versos, cânticos tradicionalmente transmitidos na sua versão oral, que mantinham assim viva a mensagem da Criação, e ativavam o poder terapêutico das palavras neles contidas. Os mantras contidos nos Vedas tinham – para além do seu intuito educativo e religioso – a intenção de reorganizarem o padrão vibracional daquele que os recitasse devolvendo-lhe assim a sua clareza mental, a sua homeostase, a sua saúde.

Quando cantamos ou falamos criamos som, vibração, estímulos que por sua vez criam mudanças no fluxo de energia dentro dos órgãos vitais e nas glândulas. Existem sons que associamos a determinados estados emocionais, e a reprodução desses sons induz à sensação a eles aliada. Da mesma forma, a estrutura da nossa personalidade e do nosso ego cristalizou determinados padrões vibratórios com os quais ressoa, padrões mais sombrios e tóxicos formados em momentos em que sofremos algum tipo de transtorno emocional, gerando muitas vezes crenças limitadoras sedimentadas, e no corpo físico, patologia. No processo de interromper esses padrões vibratórios, diluirmos dramas cristalizados e libertarmo-nos de memórias trazendo-as à consciência, podemos usar a mantraterapia.

A palavra tem um poder criativo muito próprio; tanto pode ser edificadora como destrutiva. A Mantraterapia tem subjacente a intenção de se usar o poder regenerador da palavra viva, activa, consciente que faz vibrar centros específicos no corpo, abrindo espaço à mudança e à libertação dos nossos padrões inconscientes.

A Mantraterapia faz parte dos primórdios terapêuticos da Ayurveda enquadrando-a também como uma Medicina Vibracional. O Mantra gera foco na mente, e potencializa uma atitude concentrada, equilibrada, Presente no seu praticante.

A prática da Mantraterapia pode ser coadjuvada pelo uso de um japa mala – um colar semelhante a um rosário que instiga ao foco e à presença – contando com 108 contas, ou seja, as vezes que o mantra deve ser repetido, tanto sussurrado, cantado, ou recantado mentalmente. A repetição de um mantra terapêutico vai limpando a memória cristalizada e sombria, reprogramando-a com uma mensagem mais positiva, saudável, feliz.

Os sábios praticantes e transmissores da Mantraterapia consideravam a pronúncia e articulação correta das palavras, fundamental para o efeito pleno da sua ação, reforçando um carácter mágico, transcendente na atuação do mantra no corpo e na mente. Felizmente existem também Mestres que enfatizam que a intenção e a pureza da mente daquele que pratica a Mantraterapia, ressalvando a sua atuação e eficiência em quem pratica focado no coração. Mentes que vibram de forma mais focalizada e feliz produzem harmonia e equilíbrio à sua volta.

Mantraterapia no quotidiano: Quem canta seus males espanta

Cantar de peito aberto, cantar com a Alma, cantar de plenos pulmões. Quando cantamos com o coração, o nosso esterno tem tendência a vibrar. Essa vibração aumenta a eficiência do mantra sobre os nossos órgãos vitais que acolhem as ondas vibratórias curativas, e reajustam o pulsar da sua atividade para um ritmo mais equilibrado.

Na mente, o mantra tem uma atuação ainda mais significativa já que – à semelhança da Meditação, e em confluência com ela – ele ajuda a produzir estados alterados de consciência, serenando a mente, evitando que ela disperse em cadeias de pensamento inúteis, ao mesmo tempo que a eleva e a sintoniza com a sua paz interior.

Existem mantras construídos desde de tempos imemoriais, constituídos por arranjos de sílabas sagradas, variando de uma até vários milhares de sílabas. Muitos desses mantras são aparentemente vazios de sentido, pois a sua intenção é evitar a promoção de pensamentos conceptuais, possuindo antes uma relação misteriosa com o estado vibratório e a consciência de quem os usa.

Os mantras são profundamente adequados ao uso quotidiano, podendo estar presentes desde que despertamos, no banho, na intenção que damos ao alimento quando o cozinhamos, quando conduzimos, e obviamente, quando meditamos. A sua ativação é mais intensa quando colocamos uma intenção na sua entoação, e tanto os podemos cantar em voz alta, sussurrá-los, como repeti-los mentalmente. Podemos dirigir o som e a vibração para uma zona específica do nosso corpo, através da nossa intenção, e é a sua repetição que realmente proporciona reverberações que ajudam a renovar tecidos e a revigorar o corpo e a mente.

Alguns exemplos de mantras ancestrais e atuais:

OM SYMBOL

OM

“No princípio era o Verbo (OM), e o Verbo estava com Deus (Brahman), e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. (João 1.1-3).” Nas escrituras védicas aprendemos que o mantra original é o OM, formado pelas três letras A, U, M; significando: Brahma, Vishnu, Shiva – o princípio da criação, manutenção e dissolução (ou absorção) do Universo. A partir do Om nascem todos os outros mantras. Os mantras monossilábicos são chamados de bijas (semente), e o Om é o bija, a fonte dos restantes bijas. Diz-se atualmente que o Om tem a vibração 8Hz, semelhante à Ressonância Schumann (7,83Hz), ressonância em que vibra o campo eletromagnético no nosso planeta.

om mani

 

OM MANI PADME HUM (tibetano) – mantra para harmonizar os Chakras e iluminação

 

om tare tutare soha

 

OM TARE TUTTARE TURE SOHA (tibetano) – produz modificações no nosso interior e em todo o universo à nossa volta, para além de ser um mantra de cura

mahamantra Hare Krishna

Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare  Hare (sânscrito) – Chamado de Mahamantra, o Grande Mantra, evoca pureza mental e o mérito (punya) necessários para que a pessoa possa encontrar um bom professor e tenha a capacidade de entender os seus ensinamentos.

 

gayatri-mantraO Gayatri Mantra é um dos mantras mais conhecidos e usados na Índia, porque é considerado o mais poderoso e criativo, servindo para todos os propósitos. Para além disso ele promove o desenvolvimento do siddhi (poder) da cura:

OM BHUR BHUVAH SWAH, TAT SAVITUR VARENYAM, BHARGO DEVASYA DHI MAHI, DHIYO YO NA PRACHODAYAT

ho_oponopono2copyMantra Ho’oponopono adaptado ao Abraço da Paz:

Este é o mantra da aceitação e do perdão hawaiano e pode ser aplicado a nós mesmos, e/ou a pessoas, situações que necessitem que pratiquemos a energia do perdão e do desapego.

EU AMO-ME (Eu Amo-te), EU PERDOO-ME (Eu Perdoo-te), EU AGRADEÇO-ME (Eu Agradeço-te), EU RESPEITO-ME (Eu Respeito-te), EU LIBERTO-ME (Eu Liberto-te), EU ACEITO-ME TAL COMO EU SOU (Eu Aceito-te tal como Tu És)

A Grande Invocação, e o cristal de água por ela produzido:

O propósito último do mantra é assistir o trabalho interior de quem já escolheu encontrar-se com a sua própria divindade. Nesse caminho podemos criar no quotidiano as nossas próprias afirmações, os nossos próprios mantras: “Eu Sou o meu próprio Centro”, “Eu Sou Serenidade”, “Eu Sou Amor”, “Eu Sou”

Mente e Mantra

O nosso cérebro é capaz de segregar muitos dos químicos utilizados externamente em tratamentos médicos. A utilização dos químicos baseia-me na intenção de estimular ou substituir algumas dos químicos naturais produzidos pelo cérebro, melhorando e incrementando o seu funcionamento. As secreções naturais do cérebro produzem com simplicidade bem-estar, saúde e uma sensação geral de serenidade. Nas práticas do Yoga e Ayurveda a promoção dessas secreções salutares é estimulada através de algumas ervas, alimentos especiais, pranayama, posturas, meditação e mantras.

dhanwantariNo Ayurveda, a secreção gerada por uma mente harmonizada é denominada de amrita –  o nosso néctar imortal, elixir da longevidade, uma água subtil e purificada, capaz de renovar, rejuvenescer e revitalizar o corpo e a mente, criando um fluxo de bem-aventurança e bem-estar, movendo-se através dos nadis ou canais do corpo sutil e pelo sistema nervoso, preenchendo-os com uma sensação de êxtase e bem-estar. Esta substância aparece associada a um subdosha de Kapha, Tarpak Kapha que por sua vez surge associado ao conceito de Ojas, a essência de todos os tecidos, concentrando força, nutrição e vitalidade. O amrita é o produto de uma mente limpa, de uma consciência evoluída, em ressonância com o Universo.

Por detrás de todas as práticas da rotina diária no Ayurveda está o foco na promoção de um corpo saudável, uma mente lúcida, criativa, e uma consciência desperta, disponível para incrementar a paz em torno de si, a partir da partilha da sua própria experiência. A abordagem ancestral e visionária do Ayurveda baseia-se na contemplação da Natureza e do seu reflexo e impacto no Homem, e uma forma clara e compreensível de fomentarmos a felicidade quotidiana, está na assunção da responsabilidade de treinarmos os nossos pensamentos, a nossa mente, o curso das nossas intenções utilizando uma técnica revolucionariamente simples: o Mantra.

Webgrafia e Bibliografia:
https://liveanddare.com/mantra-meditation
http://www.masaru-emoto.net/english/water-crystal.html
http://collectivepsyche.com/2015/11/cymatics-mantra-tapping-into-matter-with-sound-vibrations/
http://www.cymatronsoundhealing.com/science-of-cymatics.html
http://www.hazrat-inayat-khan.org/php/views.php?h1=11&h2=7&h3=6
http://balance.chakrahealingsounds.com/om-solfeggio-schumann-resonance-meditations/
Soma in Yoga and Ayurveda (David Frawley, Lotus Press 2012)

 

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10 steps on the path back to yourself

We are all prodigal sons in search of the Grail, the amrita, the elixir of the long life, the path which will take us back to our Center, House of our Heart – Home Sweet Home of Plenitude. What if, when we arrived at this Sacred House, and when we lit the Light that illuminates this Sweet Home, we discovered that the House, the Center, which we had long been looking for, was always within us? And that the step that separated us from reaching our purest, enlightened, awakened dimension was always within our reach? What if we find that the path, instead of arduous, confusing, frustrating, can instead be (by our conscious choice) calm, focused, coherent, adjusted to our Essence?

Ayurveda is an ancestral wisdom geared to a visionary purpose: to transport each of us on its own golden path back to ourselves in the most holistic, gentle, responsible and coherent way possible. The focus of this path is the enlightened, conscious choices we make on each and every step of our daily lives. Everything matters! If we turned off the light when we left the room; if we separated the trash; if we consciously decide to eat the fruit as a snack; if we went back to return the cell phone that someone lost; if we blessed the stranger who asked for help. There are a serie of small steps, which by their persevering repetition opens up this pure and profound dimension of our Full Being.

One | Get grounded

Developing mindfulness is the first step back to ourselves. When we walk down the street, and we are fully present, Here and Now, we are freer to make the right choice. Barefoot whenever you can. And even with your shoes on visualize your roots of light growing under the soles of your feet and scattering in depth. Visualize an anchor, a strand of golden light that comes out of your Essence connecting your first chakra to the center of the Earth. Make rooting and anchoring the first gesture you perform when you wake up. Find an object you usually bring on, and use it to revive the intention (and memory) of anchoring and rooting your energy. Connecting with yourself is taking responsibility for choosing, for becoming a priority in your own life.

Two | Meditate

Start slowly. Remember that you have several bodies, and not everyone of them knows they want and like to meditate. Meditation enhances the mind’s ability to focus, yet the physical body also needs to learn to meditate. Be kind to him. Be gentle with his impatience. Start with 1 minute of meditation, and leave the meditation time slowly grow as meditation moves from obligation to pleasure. The body loves to meditate, yet this pleasure may still be undiscovered. Sing. Do Mantra. Laugh. Laughter opens the space of Meditation, empties the mind. Help the body physically feel the freshness of a cleared and showered mind. Over time the body will be the first to yearn for this moment of purity, tranquility, of inner hygiene.

Three | Prana – Breathe

Breathing could have been added to both rooting and meditation. Breathing is fundamental in the process of connecting to the electromagnetic field of Earth, it favors and is implicit in the meditative process. Since breathing is usually an unconscious process, whenever you breathe consciously you realize that attention to inspiration / expiration alters your attention, your awareness, and your mood. Breathing deeply for a few minutes immediately produces the effect of alkalizing the blood, resulting in a more present and serene mood. Breathing is much more than filling our lungs with air. Breathing imbues you with Prana, vital force, soul, fundamental to maintain the Joy and the will to live. Breathing brings you to our Presence. Relax, take a deep breath as soon as you wake up. Take a deep breath in all the little gestures of your daily life. Use your breath to rebalance during the day.

Four | Vata, Pitta & Kapha | Know yourself

There are many ways you can develop our self-knowledge. Ayurveda is one of the great trees of wisdom that offers in its fruits the light of the individual’s self-understanding. The Five Elements (Ether, Air, Fire, Water and Earth) express the different vibrational intensities of Matter (Prakriti). These Five Elements combine and form three bioenergies – Vata, Pitta and Kapha – through which all materialized forms, including humans, are recognized and categorized in Ayurveda. Each individualized Being/Self (Ahamkar) comes to express a unique combination of these bionergies, so it is important that in your interaction with the outside world, you can start from self-knowledge of how you vibrate, what harmonizes you, and what unbalances you. To know who You are allows you to take responsibility for your choices, develop tolerance for yourself and others, and walk more serenely and securely in the World.

Five | Sattva, Rajas & Tamas | Embrace change… gently

Sattva, Rajas and Tamas are the three qualities of vibranting matter. It can be said that Sattva is equilibrium / light, Rajas is movement, and Tamas is inertia. When each of them vibrates in its proper proportion you find consonance in various aspects of your Life. In a harmonious daily life the adaptability of Sattva prevails widely. When you are sattvic, you gently embrace the change, surrender yourself with confidence at every turn of the road. However, in order to reach the equilibrium of Sattva you need some movement, you need enough Rajas. Excessive movement, however, intensifies the day-to-day and brings agitation and imbalance. And everything can become more complex when there is no movement – Tamas, and inertia, and shadow dominates.

You need therefore a little Rajas, to overcome the inertia of Tamas, and through this you will reach your pure and brilliant Light in Sattva. A little yoga, dancing, a few laps in the pool, a few kung-fu steps, a walk … Book daily for a healthy and inspiring movement, and allow the brightness and light of Sattva prevail in your daily life .

Six | Eat Mindfully

Food is sacred. Food is also memory, information. All water molecules, of all foods, carry their history, which becomes your history, after you imbue yourself with their energy. You impregnate yourself every day of the Sun that each food assimilated and synthesized in its structure, the happiness that absorbed when being sown, harvested, cooked. The more aware you are, the more easily you are able to choose the foods that are suitable to nourish your physical vehicle, and for the maintenance of your vitality. The sattvic foods are those which are fresh, pure, biological, genuine, unprocessed, full of Prana.

More than what you eat, you are what you assimilate. In Ayurveda, proper assimilation of food is the major focus of the digestive process. You can make the right choice of food, but if your assimilation is insufficient, you benefit very little from all the Prana that is offered through food. Breathe before you eat, bless all the food you taste, and your Agni will shine bright.

Seven | Detox

Over the course of a year, your body reaches and tastes an absurd diversity of food. If you take into account that each food brings a wealth of information which loads your five senses, you understand that the body accumulates these immense ‘records’, and compacts them in your unconscious mind, such as a memory of a cell phone or PC. Of course these ‘records’, this saturated memory needs to be cleaned, so that the processing of food takes place in an efficient and integral way. Your gut is your emotional ‘brain’, and when your walls are congested, the processing of all external and internal information becomes conditioned. Your feelings and emotions, your thoughts and ideas, your inner alignment and your spirituality, loses clarity and coherence.

It is important to perform a regular detox, and every bioenergy – Vata, Pitta and Kapha – needs a suitable method to its vibration. Drinking warm water, eating fresh fruit (organic), making smoothies can be ways to detoxify. In Ayurveda it is customary to use Triphala to help this process, however consult a therapist or doctor for the right intake of this complex. Regular detox helps to transmute, regenerate and rejuvenate your different bodies, and this purification should be performed regularly in order to maintain fullness, vitality, the overall health of the body.

Eight | Surrender

Every human being is a multidimensional portal. We all bring bounding beliefs deeply ingrained, we all bring the need to control, we all bring expectations, and tremendous programming included and unconscious, fruits and heritages both of our karma – Law of Cause and Effect – as of the experiences that as Soul we choose to accomplish in our process of self-realization. We bring within us both the dimension of Light and Shadow, which are revealed in the various masks we wear in different contexts of our life. The first part of the path of self-knowledge goes a long way towards learning to accept yourself in your different and various dimensions, to accept your Shadow, to heal and cherish your inner child, and to find cohesion and coherence, to finally know who You are in your deep Essence. It is a path that begins by being lonely, but that transmutes into solitude when you learn to be your best traveling companion.

The evolutionary and qualitative leap happens, however, when you learn to share yourself with others, with each other. When you learn to surrender, when you allow yourself to become fragile, to become vulnerable, when you allow the other to ‘See’ you in your Essence, with the pros and cons, the virtues and the personal shapes, the transparency, and even so accept him/her, just as he/she accepts you, both by his/her Light, and by his/her Shadow (especially by his/her shadow), and surrender yourself naked, modest, humble, unconditioned, without ego. Intimate relationships are the perfect space to enhance your spiritual growth. The other is your mirror; he/she gently reveals your blind spot so that you may become aware of it and move forward and grow as a person. In Ayurveda, the development of a conscious and therapeutic sexuality is a pillar that sustains individual development, and it also has a direct impact on the community. The correct and balanced management of our intimacy is therefore a primordial field of expansion of our personal consciousness, as it plays a fundamental role in the development of family, community, social, global harmony.

Nine | Trust, Be grateful, Accept

When you accept responsibility for your choices, when you accept that nothing happens by chance, that you can’t blame anyone eles for your actions and choices, and that your happiness does not depend on external factors, you begin to accept yourself as you are. And when you begin to accept yourself as you are, you begin to feel that everything, really everything in your daily life is a blessing, and that you both give thanks to a ‘grace’ as to a ‘misfortune’, because you accept and understand and sense, that everything brings you an opportunity to know yourself better, to choose better also, and that this choice brings true freedom implied. And when you begin to accept yourself as you are, you begin to trust, you begin to intuit, you begin to feel that you have always been with yourself, and that the work you have been doing is the result of a co-creation, which for a long, long time has been unconscious on your side. When you take responsibility for your role in the co-creative process, you allow harmony, balance, clarity to become more and more present in your daily life.

Ten | Preserve & Simplify

I could also say, declutter. All the objects that you have around you are reflected inside your mind as spatial reference objects, to which often you also associate emotional value. These objects ‘fill’ the mind, overwhelm the memory, and leave little room for creativity, imagination, for your Essence.

árvore florAnd they also fill the earth. They also flood this sacred soil with unnecessary rubble, which pollutes, unbalances our natural space. Earth is an extension of your physical body. Would you like to have your body so cluttered? Air, Fire, Water, Earth are essential to Life, and these resources need to be preserved. Treat them with the affection and love that you would give your children, and with the respect that our elders deserve. The achievement of simplicity is in itself a journey.

Ayurveda is a visionary tree of knowledge, which expresses itself as an Inspirational Path, a Evolutionary Love, an impregnated Responsibility, and manifests itself as healing, as panacea, as Light, which applied daily, simplifies, moderates and materializes a path of self-knowledge which reaches and enriches us physically, emotionally, mentally and spiritually.