Começar o Ano com um Detox | O Panchakarma e a Ayurveda

treatmentTodas as Tradições da Terra incluem nas suas práticas alguns rituais de limpeza profunda, habitualmente de ordem física, contudo, com o propósito mais enérgico de se limpar, através da sua aplicação, a Alma.

Na Ayurveda, a terapia Panchakarma cumpre essa função. Traduzida literalmente como “cinco ações”, o Panchakarma é uma forma de desintoxicação e rejuvenescimento integral, que envolve uma série de tratamentos, e está situado no contexto maior de shodhana chikitsa (medidas de limpeza), exposto nos textos clássicos como um dos dois principais membros das terapias ayurvédicas, o outro dos quais é shamana chikitsa (medidas paliativas). O Shodhana chikitsa emprega técnicas de limpeza, lavagem e descarga como meio de desintoxicação. Envolve a aplicação de lekhana (raspagem), karshana (remoção de crescimentos de corpos estranhos) e terapias de langhana (jejum), entre outros.

Benefícios do Panchakarma

Além do aspecto físico e tangível da limpeza dos tecidos corporais e do trato gastrointestinal, o Panchakarma pode ajudar o indivíduo a liberar bloqueios mentais, emocionais e espirituais, limpar os caminhos dos sentidos, revelar níveis elevados de consciência e promover um bem-estar holístico sustentável, curando os desequilíbrios atuais, para além de suportar a prevenção de doenças futuras. Alguns dos muitos benefícios de shodhana chikitsa e panchakarma:

  • Restaura o alinhamento com a prakrti (matrz individual) e encontro do equilíbrio constitucional
  • Limpeza e abertura dos canais grosseiros e subtis do corpo
  • Cura do desequilíbrio presente e prevenção de doenças futuras
  • Reforça a função imunológica e resistência à doença
  • Eliminação da ama do corpo e mente
  • Melhoria da digestão, absorção e assimilação
  • Aumento da clareza mental
  • Relaxamento profundo
  • Conexão com o Self
  • Inversão dos efeitos do stresse
  • Suporte do equilíbrio hormonal
  • Melhoria do funcionamento dos sentidos
  • Remoção das toxinas do organismo,
  • Eliminação da acidez metabólica que causa radicais livres no corpo
  • Limpeza das toxinas nos tecidos corporais
  • Restabelecimento do equilíbrio tridóshico
  • Restauro dos ritmos naturais e da força vital
  • Promoção o bem-estar e da longevidade sustentados.

Além de oferecer tratamento para desequilíbrios de longa data, a terapia Panchakarma encoraja os indivíduos a fazerem mudanças no seu estilo de vida e na sua dieta, práticas que para além de oferecerem a recuperação do desequilíbrio apresentado (vikruti), também promovem o alinhamento sustentável com a verdadeira natureza (prakrti).

Panchakarma com que ritmo?

De acordo com Susruta, o nosso estado natural de saúde engloba o equilíbrio e o funcionamento adequado dos humores (doshas), dos tecidos corporais (dhatus) e do fogo digestivo (jatharagni), além da eliminação adequada dos resíduos (malas). A saúde é caracterizada por svastha, a permanência do Ser em si mesmo, a fim de manter a harmonia na mente, nos sentidos e no espírito. De acordo com a Ayurveda, a saúde ocorre quando o nosso corpo pode digerir todos os aspectos da vida, e é capaz de metabolizar e absorver o que é bom e eliminar o que é desnecessário.  A doença ocorre quando o corpo/mente tem dificuldade em expelir as toxinas, conhecidas na Ayurveda como ama. Assim que a ama começa a acumular-se nos tecidos, o corpo desequilibra-se, e os sintomas de desequilíbrio tornam-se posteriormente doenças.

À medida que as pessoas se movem pelo mundo, ficam mais sujeitas ao desequilíbrio (vikruti), e mais expostas a situações e fatores stressantes, toxinas e outras causas de doenças, que geram debilidade e vulnerabilidade nos sistemas corporais. A má alimentação e as escolhas de estilo de vida afastam ainda mais o indivíduo do seu estado natural de equilíbrio ao viciar os doshas, e causar a formação e o acúmulo de ama no sistema digestivo e nos tecidos. Esse enfraquecimento dos tecidos por meio do desequilíbrio crónico cria as bases para que a doença se enraíze.

O Panchakarma é, por isso mesmo, recomendado sazonalmente como forma de prevenção, habitualmente acompanhando o ritmo das estações do ano, já que as mesmas representam momentos de transição. Na adaptação às mudanças no clima, e no ambiente em que vivem, as pessoas ficam mais vulneráveis​​. Assim sendo, a mudança de estação representa o melhor momento para a limpeza orgânica, porque o corpo está aberto e receptivo às renovações que precisam de ser feitas para rejuvenescer as células e o corpo/mente.

Para constituições propensas ao desequilíbrio de Pitta ou para distúrbios de Pitta presentemente manifestados, é melhor administrar o Panchakarma na transição entre a primavera e o verão. Da mesma forma, para os transtornos de Vata, é melhor limpar na transição do verão para o outono. Para o Kapha, é melhor administrar panchakarma na transição do inverno para a primavera.

Apesar destes serem os momentos ideais, o Panchakarma pode ser feito a qualquer momento em que a pessoa se sente fora de equilíbrio, ou tem a necessidade de reenergizar-se, ou ainda quando sofre de uma doença específica, atuando aqui como sistema de tratamento. O mais importante é que o indivíduo se possa comprometer em tirar tempo para transformar a consciência no seu interior, descansar e dedicar a sua energia ao processo de Panchakarma sem perturbações ou distrações.

Em que consiste o Panchakarma?

Os cinco métodos de limpeza do Panchakarma são vamana (vómito ou emese terapêutica), virechana (purgação), basti (clister ou enema medicado), nasya (administração de medicação pela passagem nasal) e rakta moksha (sangria ou coleta de sangue).

De um modo geral, o Kapha dosha, no estômago, é eliminado através do vamana. O dosha Pitta no intestino delgado é eliminado através do virechana, e o dosha Vata no cólon é eliminado através de basti. O Rakta Moksha é usado principalmente em distúrbios de Pitta para remover o excesso de Pitta de rasa e rakta dhatu (sangue). O Nasya é mais tridóshico na sua aplicação e é geralmente usada para eliminar dosha residual de majja dhatu, bem como para nutrir e limpar os canais subtis. Além das cinco ações eliminatórias, os indivíduos submetidos a panchakarma são guiados pelo Poorvakarma, as medidas preparatórias do Panchakarma, e pelo Rasayana, técnicas de rejuvenescimento e manutenção da saúde pós-panchakarma.

A terapia Panchakarma é executada numa série de tratamentos consecutivos que seguem um plano de desintoxicação que variam de 5 a 7 dias e é individualizado. Após o tratamento o paciente segue uma dieta de acordo com o biótipo corporal e um plano pós-panchakarma que ajuda a pessoa na manutenção da saúde e do bem-estar a todos os níveis.

Poorvakarma – preparar o Panchakarma

O Poorvakama surge enquadrado na Shamana Chikitsa – terapia que auxilia a eliminar a causa da doença, as toxinas causadoras dos desequilíbrios, e restaura o equilíbrio dos humores biológicos do corpo. A preparação pré-panchakarma começa habitualmente pelo menos dez dias antes do Panchakarma em si, e envolve um protocolo dietético específico que tem início com uma monodieta, que consiste geralmente em kitchari (receita que tem por base arroz e lentilhas), bem como snehana (oleção) e swedana (sudação).

A Snehaha envolve tanto a oleação interna quanto a externa. A oleação interna geralmente consiste no consumo de ghee até três vezes ao dia em doses crescentes por até uma semana. Além do ghee simples, ghees medicados podem ser administrados para atingir doshas, dhatus e srotamsi (canais) específicos. Por exemplo, o ghee simples pode ser tomado com sal grosso para pacificar Vata dosha e com trikatu para pacificar Kapha dosha. Tikta ghee pode ser usado para pacificar pitta dosha, enquanto shatavari ghee pode ser usado para apoiar o sistema reprodutivo feminino e ashwagandha ghee pode ser usado para apoiar o sistema reprodutor masculino. O Brahmi ghee pode ser usado para alvejar o majja vaha srotas, e o ghee de alcaçuz pode ser usado para pacificar a ulceração.

massage-oilsA oleação externa geralmente consiste na prática da abhyanga (massagem com oleação) matinal com um óleo apropriado ao prakrti da pessoa. Ambas as formas de snehana servem para lubrificar os tecidos profundos e empurrar o dosha viciado de volta para o trato gastrointestinal, preparando-os para a eliminação.

As sete medidas paliativas usadas no Poorvakarma são geralmente mais calmantes e de natureza gentil, e consistem em deepan (para acender agni), pachan (queimar a ama), ksud nigraha (observação da fome), trut nigraha (observação da sede), vyayama (exercício), atapa seva (banho de sol ou lua) e maruta seva (práticas de respiração).

sauna ayurvédicaA Swedana é a outra medida preparatória para o Panchakarma. A terapia com Swedana ajuda a liquefazer o Pitta e o Kapha e a acalmar o Vata dosha. A Swedana promove a transpiração ideal, a leveza no corpo, alivia a rigidez, a dor e os espasmos musculares, restaura o vetor adequado dos Vayus e regula os movimentos intestinais e o apetite. Existem várias formas de svedana, incluindo as seguintes:

  • Agni | Exposição direta ao calor (por exemplo, água quente, vapor, banho, sauna ayurvédica, sauna, pizichili)
  • Anagni | Estimulação do calor corporal através de exercícios, cobertores, fome, etc.
  • Fomentação | Aplicação local de calor
  • Bhaspa Sweda | Vapores à base de plantas (por exemplo, com nirgundi, eucalipto ou sândalo)
  • Dhara Sweda | Banho quente depois da abhyanga
  • Surya Sweda | Banhos de sol
  • Luz infravermelha | Para dores articulares e musculares locais

 

Vamana | Emese Terapêutica

O Vamana toma a ação de urdhva bhaga roga haraman – a eliminação do dosha através do caminho superior. Atua no kledaka kapha, assim como no udana e no prana vayu. O acúmulo de toxinas mucosas e pegajosas principalmente na parte superior do estômago, e no trato respiratório, são mobilizadas através de uma dieta apropriada, oleação interna, ingestão de ervas medicinais por um período específico e também com o auxilio da massagem  Abhyanga, que ajuda a mover estas toxinas corporais e liquidificá-las com a suana apropriada e  finalmente eliminá-las do organismo num único dia com o vómito terapêutico.

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As substâncias usadas para induzir o vómito incluem frequentemente os três elementos da água (para promover a salivação), o ar (que se move para cima) e o fogo (que é emético). Exemplos de substâncias vamana: Alcaçuz (Yasthi madhu), Cálamo, Noz-moscada, Água salgada, Neem, Sumo de melão amargo (Karela), Vidanga.

O Vamana é mais comumente indicado para constituições e distúrbios kapha, incluindo infecções sinusais, colesterol alto, alergias respiratórias, bronquite crónica, indigestão crónica, tuberculose, hipotiroidismo, obesidade, asma, linfoedema, fígado gordo, diabetes, metabolismo lento e depressão do tipo kapha.

Virechana | Purgação Terapêutica

O Virechana é um tratamento de purgação que elimina as toxinas acumuladas na parte inferior do estômago, intestino delgado, fígado e vesícula. É indicado para eliminar o excesso do dosha Pitta do organismo e de todas as toxinas causadas por este dosha. Remove a toxicidade fecal, estimula o agni, aumenta a inteligência e a concentração e traz estabilidade ao dhatus. Este tratamento tem uma ação descendente (apana kshetra) e funciona no samana vayu, apana vayu, kledaka kapha e pachaka pitta. As toxinas são mobilizadas através de uma oleação interna com a ingestão de ghee medicado com ervas amargas em jejum, seguido de uma dieta e procedimento específico. A liquidificação destas toxinas é feita com uma sauna especial e mobilizadas com a massagem abhyanga. No Virechana são utilizadas as seguintes substâncias:

Panchakarma-Treatments-bastiAnuloman | Laxantes que digerem ama nas fezes, como haritaki

Samsrana | Purgativos drásticos

Bhedana | Purgantes como kutki

Rechan | laxantes leves, como triphala, gel de aloé e nishottar

Virechana | limpeza, com pó para Kapha dosha

Bruhana | nutritivo, com leite ou óleo medicado para Vata dosha

Shamana | paliativo, com ghee ou leite medicado para Pitta dosha

O Virechana está indicado no caso de febre crónica, problemas dermatológicos como: acne, psoríase, dermatite atópica, vitiligo, aumento de calor no corporal, hipertiroidismo, síndrome do cólon irritado, irritação e inflamações dos olhos, cistite, hepatite, icterícia, colesterol, azia com hiperacidez estomacal, gota, fogo digestivo baixo ( falta de apetite), sudorese excessiva.

 

Basti | Enema Terapêutico

O Basti tem um campo de ação muito amplo. Diz-se que trabalha em todos os sete dhatus, os upadhatus e os srotamsi, além dos principais locais de Vata (cólon, coxas, pelve, ossos, nervos, ouvidos). O Vata é o principal fator etiológico na manifestação das doenças. É a força motriz para a eliminação e a retenção de fezes, urina, da bílis e outras excreções corporais. A sede do Vata no nosso corpo é o cólon, contudo, apesar de estar localizado principalmente no intestino grosso, encontra-se também no tecido ósseo (asthi dhatu). Assim, o medicamento administrado por via retal tem um efeito benéfico no sistema ósseo. A membrana mucosa do cólon está relacionada com a cobertura exterior dos ossos (periósteo), que alimenta os ossos. Portanto, qualquer medicação administrada por via retal vai para os tecidos mais profundos, como os ossos, e corrigindo os seus desequilíbrios. O Vata controla o sistema nervoso e todos os desequilíbrios crónicos do sistema nervoso podem ser tratados com o basti com excelentes resultados. Existem muitos tipos diferentes de bastis:

bastiAnuvasan | oleação (lubrificante)

Niruha | limpeza com decocção

Bruhana |nutritivo

Lekhana | raspagem, desintoxicante

Piccha | vinculação

Esta terapia é auxiliar na obstipação intestinal, dores lombares, dores de ciática, dores articulares, dores de cabeça, distúrbios do sistema nervoso, distúrbios no sistema ósseo e dores generalizadas pelo corpo. É excelente para crepitações articulares e rigidez musculares. Verificam-se excelentes resultados em distúrbios do sistema locomotor e em doenças como Parkinson e Alzheimer. Os textos ayurvédicos clássicos dizem que o Basti sozinho pode curar 50% das enfermidades.

 

Rakta Moksha | Sangria

Rakta moksha significa literalmente liberar sangue do corpo, e consiste em extrair um pouco de sangue do organismo através de uma seringa ou de sanguessugas. Embora esta técnica raramente seja praticada por terapeutas ayurvédicos no ocidente, os textos tradicionais enfatizam o uso terapêutico de sangrias para liberar o excesso de dosha Pitta do rasa e rakta dhatus, particularmente no caso de doenças crónicas da pele, eczema, psoríase, hemorroidas, vitiligo, paralisia, gota, herpes genital, urticária, trombose, embolias, hematomas e outros. O Mestre Susruta enfatizou a importância do sangue, dando a rakta a permanência como o quarto dosha ao lado de Vata, Pitta e Kapha, sugerindo que a maioria das doenças surgem da toxemia. O Rakta moksha pode ser substituído por ervas que purificam o sangue como:  cáscara sagrada, neem e a curcuma.

Quando o sangue é removido do corpo, o sangue é espremido para fora do baço, que armazena cerca de um litro de sangue rico em linfócitos T. Assim, quando usado corretamente, rakta moksha pode estimular a função imunológica. O Rakta moksha é contra-indicado em casos de anemia, desidratação, edema, ascite, baixa contagem de plaquetas, pirexia aguda, inchaço generalizado, bem como em idosos e crianças.

 

Nasya | Limpeza nasal profunda

nasyaO Nasya é um tratamento ayurvédico que usa a administração de medicação através das vias nasais. O Nasya é particularmente útil no tratamento de doenças que ocorrem na zona cervical e cabeça. Este tratamento promove uma melhora nas funções dos órgãos sensoriais e motores.

Utiliza-se pó de gengibre, pó de cálamo, e óleos medicados. Desaconselha-se na gravidez ou no período menstrual.

O tratamento é precedido de uma massagem facial com estímulo dos pontos marmas e uso de calor localizado. Uma massagem localizada na zona cervical é aplicada e também calor localizado. Após a medicação indicada é introduzida pelas vias nasais que estimulam a retirada das toxinas e aliviam as dores.

Está indicado no caso de rigidez e contraturas cervicais, tensão na cabeça, dentes e mandíbula, paralisia facial, sinusite, rinite alérgica, dor de dente, dores de cabeça como hemicrania, dores nos ombros que irradiam para os braços e mãos.

 

Contradindicações do Panchakarma

O Shodhana chikitsa pode ser contraindicado em casos de fadiga extrema, agni debilitado, ama excessiva, toxicidade por drogas, stresse elevado, quimioterapia, gravidez, infância e velhice. Em tais casos, os terapeutas ayurvédicos podem usar o sapta shamana chikitsa (sete medidas paliativas) para estabilizar e pacificar os doshas in situ.

O Panchakarma deve ser criteriosamente acompanhado por um médico ayurvédico, e uma equipa bem formada, como forma de garantia a segurança e eficiência da sua aplicação.

 

Em Portugal o Pachakarma vai surgindo gradualmente no formato de eventos à medida que a procura aumenta, e se desenvolve o conceito de prevenção, equilíbrio do estilo de vida, e também o turismo de saúde.

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Aconchegar e Aquecer | Inverno com a Ayurveda

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O inverno está à porta, e com ele o aumento do frio e da secura que incrementam o Vata. A rotina de inverno ayurvédica foi concebida para trazer a Luz, o calor e a Alegria tão necessárias nos longos dias de inverno.

Idealmente tanto a nossa rotina caseira como de trabalho seriam ajustadas à variação do número de horas solares, já que com o aumento da duração da noite tem um impacto grande sobre a nossa fisiologia. No Inverno cresce a necessidade de recuperação e descanso na proporção em que diminui a nossa rentabilidade no trabalho. Tendo em conta, que a rotina laboral e social demanda por uma rotina igual em todas as estações do ano, é importante fazermos alguns ajustes na nossa rotina caseira como forma de manter o equilíbrio.

Uma das principais partilhas da Ayurveda revela que a nossa constituição corporal reflete cada estação do ano. O que significa que nossos corpos têm a inteligência para se adaptar ao clima local quando entramos numa nova época do ano. Assim, para continuarmos com boa saúde e harmonia, é essencial mudarmos para uma rotina mais sazonalmente sensível.

Cuidar, Aconchegar e Prevenir no Inverno

1 | Massagem no couro cabeludo e nos pés antes de dormir

Na Ayurveda, o sono é considerado um dos três pilares da vida. É ideal criar um Ritual de Sono, bebendo uma aconchegante infusão de camomila, canela e noz-moscada, deitar-se entre as 21h e as 22h da noite, sincronizando o corpo com os ritmos diários da natureza, tornando-se assim mais fácil adormecer. Antes de se deitar, massajar suavemente o couro cabeludo e os pés com óleo de sésamo morno, ao qual pode-se adicionar umas gotas de óleo essencial de alfazema. Isso vai acalmar o corpo e a mente, gerar uma boa noite de sono e um despertar ainda melhor.

2 | Durma mais e acorde um pouco mais tarde (e relaxe!)

Em vez de acordar muito cedo, como é habitual no verão, o inverno propõe um sono um pouco mais longo e um despertar um pouco mais tardio. No inverno, o sol nasce mais tarde, por isso, na rotina de inverno Ayurvédica é benéfico deixar o corpo dormir por mais tempo, para que ele se alinhe com o sol e tenha mais tempo para se recuperar.

3 | Raspe a língua todas as manhãs

É importante remover a ama (toxinas) raspando a língua todas as manhãs. As toxinas da comida viajam através do trato digestivo durante a noite, alojando-se. O uso diário de um raspador de língua (de cobre), remove facilmente a camada desagradável que se deposita durante a noite.

4 | Bochechos de óleo

O bochecho de óleo é uma excelente forma de limpar e branquear os dentes naturalmente.

Pode-se colocar uma colher de sopa de óleo de sésamo ou de coco orgânico na boca, bochechar e gargarejar por 10 minutos e cuspi-lo para fora. Pode-se fazer durante o duche, contudo, o óleo deve ser expulso para o lixo, para evitar poluir a água.

5 | Massagem com óleo quente da cabeça aos pés

A massagem com óleo (chamada abhyanga na Ayurveda) elimina as toxinas, regenera os tecidos e órgãos, melhora a circulação, hidrata a pele, ajuda o corpo a livrar-se das toxinas e, na verdade, aumenta a imunidade. Fazer uma automassagem de corpo inteiro com óleo de sésamo quente é uma magnífica forma de autocuidado. Aqueça o óleo em banho maria numa tigela com água quente. Em seguida, massajar o corpo da cabeça aos pés, usando movimentos longos nos ossos longos e movimentos circulares ao redor das articulações. Deixar o óleo penetrar na pele por pelo menos 20 minutos antes de lavá-lo. Ou deixe o óleo na pele se esta estiver propensa a secar.

6 | Duche com água quente

Um banho quente é bom para lavar o excesso de óleo sobretudo depois da massagem. Os banhos quentes têm várias funções e benefícios que vão para além da limpeza: relaxam a tensão do corpo, aliviam os músculos rígidos, o vapor limpa as vias nasais e alivia qualquer congestionamento, aumentam a imunidade, aquecem o corpo internamente, além disso, acalmam a mente, equilibram as emoções e eliminam o estresse. Apontar para tomar um banho quente todos os dias no inverno. Adicione alguns óleos essenciais aquecidos, como eucalipto, cardamomo, manjericão ou alecrim. Relaxar e aproveitar o tempo no duche.

7 | Mova o corpo

O exercício torna-se difícil durante o inverno porque a motivação diminui, e a prática ao ar livre fica impedida pelo frio, o vento, a chuva, granizo, a neve. Um treino de yoga suave em ambientes fechados é ideal para o inverno. Podemos ativar todos os canais de energia começando com algumas saudações ao sol, seguidas por respiração alternada nas narinas ou nadi shodha pranayama.

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8 | Beber líquidos quentes ao longo do dia

Após o exercício, é importante beber um copo de água morna com limão. Espremer uma fatia de limão num copo de água morna e adquirir o hábito de fazer dele a primeira bebida do dia todas as manhãs. O limão é alcalino, e vai estimular o agni (fogo digestivo) e facilitar a digestão. Também é muito importante garantir a hidratação, bebendo água morna durante o dia.

9 | Usar ervas para a imunidade e a força interior

As ervas são os melhores presentes da natureza para aumentar a imunidade e a energia. Podem ser preparadas em infusão, ou polvilhadas na comida. Beber chá de gengibre diariamente manterá o corpo aquecido e aumentará a imunidade. Tulsi (manjericão sagrado), cardamomo, açafrão, alcaçuz, pimenta preta e gengibre são algumas das melhores ervas para esta temporada.

10 | Fazer uma desintoxicação

A terapia Panchakarma sugerida no Inverno é o Basti, o enema terapêutico. O Basti tem um campo de ação muito amplo. trabalha em todos os sete dhatus, os upadhatus e os srotamsi, além dos principais locais de Vata no corpo (cólon, coxas, pelve, ossos, nervos, ouvidos). Tendo em conta que o Inverno é a estação do ano de Vata é muito importante mantê-lo pacificado.

11 | Meditar, agradecer, partilhar

O Inverno é a época do ano para a reflexão. Os longos serões, e os períodos passados dentro no interior da casa servem para reflectir, meditar e preparar as sementes internas e externas do ano seguinte. Agradecer é fundamental. Há muito pelo que se ser grato. Encontrar tudo aquilo que traz gratidão ao coração, inspirar-se e partilhar.  O Inverno é o tempo da partilha.

12 | Escolher alimentos alinhados com o inverno

Durante o inverno o jatharagni (fogo digestivo) torna-se mais poderoso. Somos capazes de comer e digerir quantidades maiores e mais pesadas de alimentos. A maioria das pessoas deve comer mais. Favorecer os sabores doce, amargo, salgado. Alimentos quentes, bem cozinhados e oleosos. Ingerir mais alimentos que aqueçam. Cana-de-açúcar, óleos, arroz, água quente, promovem longevidade quando ingeridos no Inverno. Começar o dia com um pequeno-almoço quentinho feito com cereais como arroz integral, amaranto, aveia, cevada e centeio.

Elimine os alimentos que causam o acúmulo de toxinas. Quando o corpo está cheio de toxinas, torna-se um terreno fértil para os desequilíbrios, que no inverno se traduz em gripes e resfriados. Evite a ama eliminando estes alimentos da dieta: Comida e bebidas frias, água gelada, sobras, comida não saudável, alimentos pesados, difíceis de digerir, como queijo duro, iogurte e qualquer coisa frita. Evitar alimentos leves e evitar a exposição ao vento.

Atenha-se a uma rotina de inverno ayurvédica, fazendo refeições quentes feitas na hora com raízes, como cebola, batata, alho, nabo, beterraba, rabanete e cenoura. Vegetais cozidos no vapor, sopas e pães integrais funcionam bem para o almoço e jantar. Nenhuma rotina de inverno ayurvédica estaria completa sem um pouco de ghee de leite de vaca (ele mantém o corpo aquecido), assim como especiarias como gengibre, pimenta caiena e pimenta preta. Alinhar os hábitos diários com a atual temporada é a maneira mais natural de se viver, que é o que torna a simples rotina de inverno ayurvédica tão eficaz.

Alimentos para o Inverno

mel gengibreLacticínios: Todos

Adoçantes: Açúcar-de-cana, mel, melaço

Óleos: Todos com moderação

Cereais: Arroz basmati, arroz integral pequeno, trigo, aveia, cuscuz, centeio

Leguminosas: Feijão Mung, tofu, lentilhas

Frutos: Abacates, papaias, uvas, laranjas, cerejas, ameixas, melões, morangos, ananás, framboesas, mangas, bananas, figo, pêssegos, laranjas, azeitonas, limas, limões

Vegetais: Batata-doce, Inhame, agriões, cenouras, batatas, beringelas, ervilhas, beterraba, espargos, feijão verde, tomates, quiabo, nabos, abóboras, pimentos

Nozes e sementes: Todas com moderação

Condimentos/Ervas: Gengibre, canela, cominhos, coentros, rábano bravo, assa-fétida, funcho, pimenta preta, sal marinho, noz-moscada, açafrão-da-índia, basílico, alho, fenacho, cravinho-da-índia

Bebidas: Leite quente, água quente, sumos de fruta, infusões

Produtos animais: Frango, peru, peixe, ovos

 

Kitchari de Natal | Uma receita

kitchari-cleanse5O Kitchari é um prato tradicional ayurvédico que é nutritivo, purificador e versátil, sendo esta receita uma excelente receita que fornece calor e enraizamento ao Vata nos meses de inverno, trazendo a almejada cor e alegria da época. Esta receita de Kitchari permite criar uma rotina de digestão regular, descansar dos excessos das festividades enquanto se libertam algumas toxinas acumuladas. Em termos de benefícios o Kitchari fomenta a limpeza do sangue e do trato gastrointestinal, fornece ferro e outros nutrientes para a construção do sangue, fibras, vitaminas e minerais (especialmente vitaminas A, B, C, K), e proteína “completa” à base de plantas. Adequado a todos os tipos de corpo podendo, contudo, os tipos Kapha devem substituir o arroz basmati por quinoa ou millet e os tipos Pitta devem abster-se de usar pimenta caiena, canela e apenas uma pequena quantidade de pimenta preta.

Necessita de uma panela média, uma placa de corte e faca e um ralador de queijo.

Ingredientes

6 chávenas de água (ou caldo de legumes)

1 chávena de feijão mungo demolhado *

1 chávena de arroz basmati (substituto de quinoa, arroz integral ou painço)

1 beterraba média, descascada e picada em pequenos cubos

1 pequeno nabo, descascada e picada em pequenos cubos

1 cenoura média, picada em fatias finas

5 folhas grandes de couve

1 colher de sopa de ghee, óleo de gergelim, óleo de girassol ou óleo de coco

1 cubo de gengibre fresco, descascado e finamente ralado

1-2 colheres de chá de mistura de especiarias Agni Churna (Açafrão da índia, Gengibre, Erva-doce, Assa fétida, Aipo, Cardamomo, Pimenta preta, Pimenta longa, Feno grego, Semente de Mostarda preta, Cominhos, Cominhos pretos)

1 pau de canela

1 Pitada de pimenta caiena (opcional, não recomendado para Pitta)

Sumo de limão fresco de 1/2 de limão

3 cebolas verdes picadas

10 raminhos de coentros, picados

Sal e pimenta a gosto (sal do Himalaia é o melhor)

* Mergulhe 1 chávena de feijão mung em 4 chávenas de água durante a noite. Descarte a água no momento do uso. Os feijões inteiros podem ser substituídos por feijão mungo ou lentilha vermelha.

Instruções

  1. Adicione ghee ou óleo a uma panela média e coloque no fogão em fogo médio. Uma vez quente, adicione as especiarias Agni Churna e pimenta caiena (opcional). Misture as especiarias em fogo baixo por 1-3 minutos mexendo sempre para evitar que queimem.
  2. Adicione 6 chávenas de água ao mesmo prato, aumente o fogo e cubra até ferver. Enquanto aguarda a água ferver, pique a beterraba, o nabo e a cenoura.
  3. Depois de ferver, reduza o fogo para médio e adicione o pau de canela e os feijões juntamente com a beterraba picada, o nabo e a cenoura. Cubra apenas a meio caminho para evitar um excesso e cozinhe por 30 minutos. Agite a cada 10 minutos.
  4. Após 30 minutos, adicione o arroz basmati (ou outro grão de escolha) e cozinhe por mais 20 minutos. Agite a cada 10 minutos.

NOTA: Se você estiver usando arroz integral, isso exigirá muito mais tempo para cozinhar. Neste caso, é melhor adicionar o arroz integral ao mesmo tempo que o feijão mung. Também pode ter que adicionar um pouco mais de água.

  1. Enquanto estiver a cozinhar, comece a cortar a couve, a cebola verde, os coentros e rale o gengibre.
  2. Após os 20 minutos, adicione a couve picada e reduza o fogo para baixo. Cozinhe parcialmente coberto por mais 10 minutos mexendo a cada 5 minutos.
  3. Após os 10 minutos, retire do fogo. Adicione os coentros picados e a cebola verde, o gengibre ralado, o sumo de limão espremido fresco, sal e pimenta. Mexa bem. Sirva e desfrute deste belo prato vermelho e verde no seu prato favorito. Compartilhe com os outros, enquanto se aquece num belo dia de inverno!

Variações opcionais para cada humor:

Vidya-Kitchari4Vata: Para os tipos Vata, as melhores opções para óleo seriam ghee ou óleo de sésamo. Certifique-se de cozinhar todos os legumes até que eles fiquem bem moles. Todas as opções de grãos mencionadas são adequadas para Vata, embora o arroz basmati tenda a ser o mais fácil de digerir pelos tipos de Vata.

Pitta: Para as constituições Pitta, omita a pimenta caiena, o pau de canela e substitua o limão por lima. Coentros extra podem ser adicionados, se desejar. As melhores opções de óleo seriam ghee, óleo de girassol ou óleo de coco. As melhores opções de grãos são arroz basmati ou quinoa branca.

Kapha: Para as constituições de Kapha, mantenha o sal e o óleo no mínimo. As melhores opções de óleo são ghee ou óleo de girassol. As melhores opções de grãos para o Kapha serão a quinoa ou o painço, embora os grãos em geral devam ser usados ​​em quantidades menores, enquanto aumenta a quantidade de legumes. Especiarias extras e limão podem ser adicionados para aumentar o fogo digestivo e o metabolismo.

Ayurveda e a Intimidade | Orientações para uma vida sexual equilibrada

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Falar de Saúde íntima é ainda um desafio na nossa cultura. Nas culturas ancestrais era, contudo, fundamental para que a harmonia reinasse entre os pares. A Ayurveda, como linguagem de sabedoria, desde há milhares de anos que faculta informação e fomenta o nosso autoconhecimento ao nível da intimidade, tanto ao nível físico, como também ao nível emocional, mental e espiritual. Profundamente integrado no estilo de vida ayurvédico está o conceito da gestão da vida sexual como forma de manutenção da saúde e longevidade. A aplicação desta profunda e valiosa arte do saber resulta na fundação de relações saudáveis e felizes.

O contexto da saúde sexual pode ser, hoje em dia, um assunto sensível e confuso. Muito embora muitos dos media partilhem conteúdos muito explicitamente sexuais, e a sexualidade na internet seja um problema crescente, sobretudo em termos da educação sexual e da utilização da pornografia por jovens e adolescentes, todos esses assuntos carecem da profundidade e da real intimidade que é necessária para o nosso equilíbrio íntimo e relacional. A Medicina Ayurvédica contextualiza a sexualidade e a intimidade como fatores naturais, e como parte essencial da vida do indivíduo.

A Ayurveda analisa a totalidade da vida do indivíduo com cuidado e define claramente as fases da vida.

Os Quatro Objetivos da Vida

Na visão dos Vedas todas as nossas atividades estão alinhadas com os quatro objetivos.

Dharma – é o alinhamento interior com o que é correto segundo as Leis universais da Natureza, e é parte de todas as Sociedades, tradições, religiões, tal como é parte de cada ser humano. As atividades praticadas no dharma são oportunidades para o indivíduo servir a sua comunidade, e preservar o ecossistema do universo.

Artha – é a natural procura por riqueza. Esta categoria de atividade refere-se ao trabalho que produz rendimento ao indivíduo e à sua família. Ganhar pela vida é considerado um dos objetivos da vida.

Kama – é a natural procura por prazer na vida. Refere-se às atividades realizadas para satisfazer os sentidos da pessoa. Estas incluem comer, beber e outras experiências sensuais e prazerosas. O objetivo final do Kama é procriar e manter a espécie.

Moksha – é a liberdade absoluta, a salvação, ou a libertação de todas as atividades de artha, kama, e até mesmo de dharma. Esta categoria de atividades diz respeito à busca do desenvolvimento espiritual e da transcendência do mundo material. O objetivo é praticar o não-apego e permitir à pessoa entregar-se ao Universo ou ao Criador. Este é o objetivo mais importante da vida para aqueles atraídos pela filosofia espiritual das culturas orientais.

Os quatro objetivos da vida são continuados pelo indivíduo ao longo da vida. No entanto, cada fase da vida tem um foco único. A vida do indivíduo é dividida nas quatro seguintes fases:

Brahmacharya – Esta fase dura desde o nascimento até a idade de 25 anos. Este é considerado um tempo para o aprendizado, bem como para o desenvolvimento pessoal e espiritual. A maioria das pessoas conclui a sua educação até os 25 anos de idade, começa a sua carreira e até mesmo inicia uma família.

Grihasta – A segunda fase da vida dura de 26 a 50 anos. Este é considerado um momento para crescer na carreira, aplicando todos os recursos académicos, pessoais e espirituais no trabalho. É também nesta fase que as pessoas começam a vida familiar, relacionando-se e comprometendo-se com um ente querido, começando uma família, tendo filhos e amadurecendo.

Vanaprastha – A terceira fase da vida varia de 51 a 75 anos de idade. Nesta fase, a pessoa é convidada a abraçar o dom do presbiterado e da liderança. Compartilha livremente o seu conhecimento, experiência e sabedoria reunidos ao longo da vida. Durante esses anos, muitas das pessoas tornam-se avós e têm a oportunidade de compartilhar os seus dons com as gerações mais jovens, ajudando-os a aprender com as suas experiências.

Sanyasa – A fase final é descrita como durando dos 76 até a morte. Esta é a fase da vida mais espiritualmente focada, onde a pessoa desiste das atividades mundanas para dedicar a vida à transcendência espiritual ou moksha.

Na nossa Sociedade atual a esperança média de vida aumentou, razão pela qual os adultos mais velhos são sexualmente ativos por mais tempo. A grande maioria das pessoas, entre 50 e 75 anos, continuam sexualmente ativos, e alguns permanecem ativos entre as idades de 75 a 85 anos. Adaptar os princípios de equilíbrio ensinados pela Ayurveda à nossa vida atual é essencial para otimizar as experiências sexuais, a intimidade, a saúde e a vitalidade.

 

Vakjikarana Tantra – Afrodisíacos e Medicina Reprodutiva

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Vajikaran Tantra é o ramo terapêutico da medicina Ayurvédica dedicado à saúde íntima, e que visa tornar o ser humano suficientemente apto para produzir uma descendência saudável e feliz, no intuito de contribuir com a sua genealogia, para a criação de uma sociedade melhor. Os conteúdos do Vajikarana contêm dissertações sobre os procedimentos que o ser humano deve realizar para que consiga chegar a um nível supremo de elevação física, energética e espiritual a nível sexual. É uma prática considerada purificadora e espiritualizante, e uma forma de compreensão libertadora, que desobstrói as muitas formas de manifestação do desejo, sejam elas sexuais ou não. Por outras palavras, trata-se de uma prática que conduz à liberdade, ao Nirvana.

O Stree (o ser feminino) é o maior de todos os Dravya vajikaran como disse Charak. Antes do vajikaran, é essencial realizar-se uma terapia Panchakarma (as Cinco Ações de Purificação profunda). O Vajikaran é bom para a saúde e também influencia a saúde mental e a psique (mente), que é considerada a origem do impulso para o desejo sexual.

No intuito de se criar uma boa relação é fundamental conhecer-se e trabalhar-se com os Doshas de cada elemento do casal, já que ajuda a compreenderem-se mutuamente, a perceber qual a abordagem do parceiro perante a vida e a educação dos filhos. Após se ter encontrado o parceiro, deve-se colocar a atenção no equilíbrio da relação. Quando o propósito é a concepção, o ideal é começar os cuidados sugeridos pelo Vajikarana Tantra, pelo menos 3 a 4 meses antes de conceber, a tentar manter uma mente calma, relações equilibradas e uma dieta saudável.

 

Os Dhatus (Tecidos corporais) e o seu papel na Sexualidade

Todos os tecidos do corpo humano são desenvolvidos a partir dos alimentos que são ingeridos pelo indivíduo. A nutrição vem através de três formas principais: alimentos, respiração e pensamentos. A pureza e o equilíbrio nessas três formas de nutrição tornam-se a base da pureza e do equilíbrio dos tecidos no indivíduo. À medida que os tecidos do corpo são desenvolvidos, o shukra ou os fluidos sexuais são os últimos a serem refinados.

O Shukra dhatu ou tecido sexual é considerado um tesouro fisiológico de energia, a nossa semente, o nosso elixir, subtilizado através dos processos alquímicos do corpo, e que contém a capacidade de dar Vida ou de regenerá-la. O seu uso adequado pode promover a saúde e a evolução espiritual. O uso desequilibrado do shukra pode levar à fraqueza e à doença. Uma metáfora para a função de shukra é compará-lo a uma taça. À medida que a taça enche, a nossa reserva de energia sexual cresce, dando-nos uma sensação de vitalidade e virilidade. À medida que o copo cheio de shukra transborda, esta energia fica ainda mais refinada para criar o ojas – o brilho da aura, a compleição.

Mais refinado que o shukra dhatu físico, o ojas alimenta o corpo subtil, fortalecendo a imunidade e a vitalidade do indivíduo. O ojas representa a capacidade restaurativa ou autocura do corpo. Um ojas saudável indica o equilíbrio perfeito do corpo, mente e espírito, onde o corpo alcança a homeostase fisiológica e o biorritmo equilibrado. O ojas está também associado à resiliência e suscetibilidade do indivíduo a doenças.

A atividade sexual excessiva e inapropriada provoca a depleção do shukra e do ojas. A Ayurveda aconselha o desenvolvimento da gestão cuidadosa da sexualidade, e considera a união sexual como uma experiência sagrada de expansão de consciência, que abre o coração para o amor próprio, e para o amor a todos os seres com uma paixão crescente.

 

O equilíbrio do masculino e do feminino

lakshmi shivaA Ayurveda relata o conceito de Ardh-nar-ishwar (ver a imagem), em que cada indivíduo é feito de um aspecto divino masculino e de um aspecto divino feminino. O equilíbrio entre essas polaridades produz o equilíbrio a todos os níveis (físico, mental, emocional e espiritual) do indivíduo. A integração do masculino e feminino através da união sexual promove também o equilíbrio. Tanto os homens como as mulheres têm hormonas, embora os homens tenham predominância de testosterona, e menor quantidade de estrogénio e progesterona. Nas mulheres, o estrogénio e a progesterona existem numa maior concentração, e a testosterona em menor concentração. Os bons níveis de testosterona, tendem a melhorar o desejo sexual e melhorar a saúde geral entre homens e mulheres. Ainda assim, o equilíbrio é essencial porque muita testosterona nas mulheres pode levar a doenças, enquanto o excesso de estrogénio entre os homens pode levar também a doenças e vice-versa.

Ainda assim, todas as pessoas têm uma expressão masculina e feminina no seu interior, embora externamente o comportamento individual recaia num dos géneros. O parceiro sexual representa o aspecto oposto dessa expressão no exterior. Assim, a união sexual tem a capacidade de promover o equilíbrio entre o masculino e o feminino interior. O conceito de “Ardh-nar-ishwar” pede aos amantes que se aproximem da união sexual, tendo presente que durante o ato sagrado entram em intimidade com o Divino através do ser amado. Isso requer envolver-se com o parceiro em profunda envolvência, amor e vulnerabilidade. Este envolvimento profundo promove a satisfação divina nos relacionamentos, e promove a inteligência emocional na relação.

Mesmo no que concerne às hormonas, nas 24 horas após a união sexual há um aumento da hormona do crescimento observado em ambos os sexos. Essa hormona produz um impacto positivo na composição corporal, na força muscular, no desempenho físico, no sistema cardiovascular, no metabolismo e na função imunológica. Uma atitude de sacralidade e união divina purifica o efeito desses resultados positivos da atividade sexual, tornando-a um ato de cura, em vez de uma necessidade primordial.

 

Disfunções na Sexualidade

Os problemas de disfunção sexual são prevalecentes em homens e mulheres de meia-idade e idosos. A testosterona, o estrogénio e a progesterona são as principais hormonas que afetam as funções sexuais entre os homens e as mulheres.

O estilo de vida, e a qualidade da alimentação quotidiana tem contribuído largamente para um crescente nível de infertilidade tanto nos homens como nas mulheres. Nos homens a tendência apresenta-se no défice da qualidade e na falta de motilidade dos espermatozoides. Entre as mulheres, os problemas prevalecentes surgem através de desequilíbrios hormonais, para além do baixo interesse sexual, a dor durante o coito, e a falta de prazer e intimidade.

À medida que envelhecemos, os homens experimentam andropausa, uma queda nas hormonas andrógenas; e as mulheres experimentam a menopausa, uma queda nas hormonas estrogénicas. Estas contribuem para o aumento dos níveis de disfunção sexual entre os idosos. A Ayurveda possui as ferramentas para o resgate e a manutenção dos fluidos sexuais, para uma atividade sexual ideal, equilibrada e prazerosa.

 

Ervas para a saúde sexual

Para além de uma correta e adequada atitude emocional e espiritual em relação à sexualidade, são muito importantes atitudes que levam a um senso compartilhado de responsabilidade, comunicação aberta, integridade e atenção plena na relação. A atividade sexual é também uma forma de exercício, e quando a pessoa abandona a atividade sexual, toda a musculatura envolvida fica enfraquecida. A Ayurveda fornece ferramentas simples para superar esses desafios.

Na Medicina Ayurvédica são descritos dois ramos específicos de ervas chamados rasayana e vajikarana. As ervas Rasayana são medicamentos rejuvenescedores e holísticos nas suas funções regenerativas. Estas ervas promovem efeitos tonificantes em todos os tecidos do corpo, que acabam por se transmutar no shukra dhatu e no ojas. As ervas Vajikarana são ervas regenerativas que promovem a eficácia do shukra dhatu ou tecidos sexuais, incluindo as hormonas e os órgãos físicos. Estas são algumas das ervas que são benéficas em termos de rasayana e vajikarana:

 

Ashwagandha – Withania somnifera – Esta é uma erva rasayana, uma erva rejuvenescedora. A principal função da Ashwagandha é rejuvenescer as enzimas antioxidantes do corpo, controlando os danos relacionados com a oxidação em todos os tecidos do corpo. Esta ação contribui para a atividade antienvelhecimento da Ashwagandha. As lactonas esteróides continas na Ashwagandha também ajudam a regular as hormonas sexuais.

Em estudos clínicos, o tratamento com a Ashwagandha triplicou a virilidade nos homens com baixa contagem de espermatozoides, bem como melhorou a motilidade dos espermatozoides. O benefício também foi observado em homens normais; neles, a virilidade melhorou em 50%. Noutro outro estudo, quando administrada a homens com baixa contagem de espermatozoides, a Ashwagandha aumentou a contagem de espermatozoides em 167%, o volume de sémen em 53% e a motilidade dos espermatozoides em 57%. Assim, pode-se comprovar a forma como a Ashwagandha promove a função normal em todos os níveis dos tecidos, restaurando a função sexual e a vitalidade.

Shatavari – Esparagos rancemosus – A Shatavari é considerada o principal tónico de saúde para as mulheres na medicina ayurvédica. A Shatavari é uma das fontes mais ricas de fitoestrogénios na forma de saponinas esteroidais (Shatavarin I-IV) e isoflavonas (diadzin e genestien). Estes compostos são essenciais para o efeito da shatavari na função sexual. Um estudo clínico revelou que entre as mulheres jovens, a shatavari melhorou a maturação do ovo e a ovulação. Entre as mulheres mais velhas, a shatavari ajudou a aliviar os sintomas da menopausa e a tonificar os órgãos sexuais. É também uma fonte de vários minerais, incluindo zinco, manganês, cobalto, cobre, potássio, cálcio, magnésio, etc.

Muitas mulheres experimentam secura vaginal e relação sexual dolorosa à medida que envelhecem, isto deve-se à queda dos níveis de estrogénios. Os cremes de estrogénio proporcionam alívio, contudo é tradicional usarem-se na Medicina Ayurvédica, entre outras receitas, óvulos de ghee com shatavari para colmatar a secura vaginal, com resultados muito positivos.

Gokhsura – Tribulus terrestris – Esta erva é comumente reconhecida como um afrodisíaco. A Gokhsura pode afetar os níveis hormonais; os pesquisadores observaram que o extrato de Tribulus tem a capacidade de elevar os níveis de uma hormona reguladora, a hormona luteinizante, bem como todos os andrógenos, incluindo a testosterona e diidrotestosterona. Foi também observado que a Tribulus melhora o interesse sexual e a função sexual nos homens.

Shilajit – Asphaltum punjabium – Este medicamento único é fruto de material vegetal petrificado, uma espécie de argila, que é colhida em pequenas quantidades a partir de rochas íngremes em altitudes entre 1000 e 5000 metros entre as montanhas do Himalaia. É considerado uma excelente fonte de 85 minerais na sua forma iónica. No estudo clínico em homens, o shilajit aumentou os níveis de hormonas testosterona e hormonas folículos estimulantes. Esses homens também tiveram uma melhoria de 61% na contagem de espermatozoides, e a motilidade melhorou em 18% com 90 dias de tratamento.

 

Fiel à sua tradição holística, a medicina ayurvédica prescreve essas ervas no contexto de mudanças dietéticas e de estilo de vida, e sempre com seguimento de um médico ou terapeuta de Ayurveda. Dieta à base de plantas, exercícios regulares e sono adequado são essenciais para a cura e a eficácia de qualquer medicamento. Estes podem ser melhorados com a prática regular de exercícios respiratórios e meditação, que promovem a transformação emocional e espiritual.

Mimo e cuidados de Outono com a Ayurveda

Apesar de começarmos a termos de nos habituar à indefinição das estações do ano derivadas às alterações climáticas, alguma regularidade pode ainda ser observada, e naturalmente respeitada de forma a mantermo-nos em equilíbrio.

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A mudança do verão para o outono é um período chamado Ritu Sandhi na Ayurveda. Refere-se à lacuna entre as estações. Este é um momento delicado para a digestão, porque os doshas (humores) estão flutuantes e a capacidade digestiva pode também oscilar. Este tempo de flutuação proporciona uma oportunidade natural para uma limpeza de Outono. A Ayurveda sugere que façamos bom uso da tendência natural do corpo para se purificar.

O Outono é uma das estações do ano em que o Vata predomina. O Vata e o Outono compartilham as qualidades de movimento, mudança, secura, frio, luz, mutável, rápida e irregular.

No Outono começamos a ver mudanças no clima, algumas delas repentinas, que se refletem na beleza da mudança da cor das folhas das árvores. Começamos por sentir mais frio e há movimento no ar quando o vento frio começa a soprar. É a estação que agrava o Vata devido ao clima frio e ventoso. O Vata pode manifestar-se no nosso corpo e mente como: secura, ansiedade, preocupação, dor nas articulações, alterações nos nossos padrões digestivos, incluindo obstipação e até insónia.

As estações vão-se sucedendo independentes da nossa vontade, e a Ayurveda é provida da informação que nos permite lidar de forma harmoniosa com o nosso ambiente externo, e o eventual stresse que o acompanha, através de pequenos ajustes na nossa rotina diária.

 

A Alimentação no Outono

A energia do Vata é naturalmente criativa e também agitada. Tendo isso em conta é fundamental manter o Vata calmo e feliz. Idealmente devem-se evitar alimentos com as caraterísticas do Vata como bebidas frias e alimentos secos, ásperos, grosseiros, frios e crus. Deve adicionar-se mel aos alimentos e às bebidas, assim como voltar às ervas digestivas de aquecimento como os gengibre, cominhos, canela, cravinho-da-índia, manjericão, erva-doce e pimenta preta.

As sopas de vegetais e ensopados são perfeitos para esta época do ano, assim como o ghee e alimentos quentes, e com os sabores picante, ácido e doce. A abóbora é um alimento muito típico da estação e muito adequado para nutrir o Vata, assim como vários tubérculos como a batata-doce, a beterraba e a cenoura, que facilitam o processo de ‘enraizamento’ da leve energia do Vata.

Idealmente as bebidas devem ser quentes como água quente, infusão de gengibre (usar gengibre fresco) ou de outras ervas, como erva-doce, cominhos e tomilho.

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Alimentos preferenciais de Outono

Lacticínios | todos

Adoçantes | Açúcar-de-cana, mel, melaço

Óleos | Todos com moderação

Cereais | Arroz basmati, arroz integral pequeno, trigo, aveia, cuscuz, centeio

Leguminosas | Feijão Mung, tofu, lentilhas

Frutos | Abacates, papaias, uvas, laranjas, cerejas, ameixas, melões, morangos, ananás, framboesas, mangas, bananas, figo, pêssegos, laranjas, azeitonas, limas, limões

Vegetais | Batata-doce, Inhame, agriões, cenouras, batatas, beringelas, ervilhas, beterraba, espargos, feijão verde, tomates, quiabo, nabos, abóboras, pimentos

Nozes/sementes | Todas com moderação

Condimentos/ervas | Gengibre, canela, cominhos, coentros, rábano bravo, assa-fétida, funcho, pimenta preta, sal marinho, noz-moscada, açafrão-da-índia, basílico, alho, fenacho, cravinho-da-índia

Bebidas | Leite quente, água quente, sumos de fruta, infusões

Produtos animais | Frango, peru, peixe, ovos

 

Rotina Diária adequada ao Outono

O Vata dosha desequilibra-se quando a rotina diária é irregular. É fundamental termos o cuidado de descansar bastante e manter uma rotina regular.

Massagem com Óleo Quente

Abhyanga: Aqueça um pouco de óleo orgânico de boa qualidade e faça uma pequena automassagem todos os dias. Esta prática ayurvédica diária nutre e cultiva uma pele bonita e também acalma o Vata. Tradicionalmente, é usado o óleo de sésamo, que contém propriedades antioxidantes, é amornante e um pouco pesado. Para além do óleo de sésamo, existem outros óleos vegetais adequados como o óleo de brahmi (sobretudo para a cabeça), o óleo de mostarda, e eventualmente até o óleo de amêndoas doces. Idealmente o óleo deve ficar na pele por duas horas para ser bem absorvido. Opcionalmente um banho de vapor ajuda na dilatação dos poros e absorção profunda dos benefícios do óleo usado. Tomar um banho quente após a massagem para lavar o óleo do corpo.

Movimento

Dança, Ioga, Caminhadas, e Chi Kung são alguns dos exercícios mais adequados para esta estação.

Respiração

Tire um tempo todos os dias para exercícios de Pranayama. Comece o dia com algumas repetições de respiração consciente completa. Inspire e expire a sua Intenção para o dia.

Desintoxicação | Panchakarma

Uma dieta purificadora fácil de digerir é recomendada durante o período de transição da estação e como preparação para o Panchakarma. São de evitar certos alimentos como carnes, sobras e alimentos processados já que são mais difíceis de digerir durante este período.

Dhal, arroz e legumes cozidos são adequados para uma limpeza de outono. Suplementar a dieta com Triphala, a fórmula tradicional de digestão ayurvédica, é uma forma prática de manter a digestão forte e uma eliminação regular.

O outono é um ótimo momento para receber Panchakarma, a tradicional limpeza Ayurveda. O Panchakarma pode ser feito numa clínica com um praticante ayurvédico qualificado, ou pode ser feito em casa, sob a orientação de um profissional qualificado. A terapia Panchakarma recomendada no Outono é o Basti – Oleação interna do cólon.

Fitoterapia

A Neem é uma planta famosa usada há séculos na Índia para tornar a pele mais radiante. O chá de neem é um tónico, e planta é também usada para limpar os dentes, e como um repelente natural de insetos. Embora nada possa substituir a experiência profunda e purificadora do Panchakarma, a Neem ajuda bastante no processo de desintoxicação. A sua ingestão deve orientada e seguida por um médico ou terapeuta ayurvédico habilitado.

 

Ventos em mudança: como afetam eles as Bioenergias

O vento é frequentemente caracterizado pelo Vata-dosha na Ayurveda, sendo ele próprio composto de akasha (espaço / éter) e vayu (vento / ar). Os vários tipos de vento são conhecidos geralmente por agravarem o vata, devido à natureza subtil do vento.

Os três humores biológicos em Ayurveda ou doshas são Vata-dosha, Pitta-dosha (composto de agni ou fogo e jala ou água) e Kapha-dosha (composto de jala ou água e prithivi ou terra). Destes, Vata, o humor do vento, é o mais subtil; Pitta, o fogo é o humor bilioso, sendo o seguinte mais subtil; e Kapha, o humor de água e fleuma, é o mais denso.

Na Ayurveda as várias mudanças do nosso ambiente natural – tão simples quanto as direções do vento – podem criar várias questões relacionadas com agravamento dessas bioenergias. Se formos dar um passeio ao vento, o Vata irá agravar, especialmente no outono e nas estações mais secas. Podemos também procurar perceber em que direção o vento sopra, o que também nos dá indicações de como as bioenergias podem ser agravadas.

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Ventos Orientais

Diz-se que o vento que sopra principalmente do Oriente é pesado e untuoso e tem um sabor doce e salgado. Assim, agrava o Kapha-dosha, que compartilha dessas propriedades, e o Pitta-dosha e o rakta (sangue), devido ao sabor salgado. Também agrava aqueles que sofrem de problemas como envenenamento, úlceras e ferimentos devido a acidentes, e causa sensações de ardor. Contudo, estes ventos orientais aliviam a fadiga e o inchaço, e reduzem o Vata.

Ventos do Sul

Diz-se que o vento que sopra primariamente da direção sul é leve em propriedade e doce, aliviando o Pitta-Dosha e o sangue, sem agravar o Vata. Ajuda a promover a força no corpo, e ajuda a visão, que está relacionada com o Pitta. Também pode aliviar o sangramento, devido à sua propriedade doce, que tem uma natureza redutora e refrescante de Pitta (shita-virya).

Ventos Ocidentais

O vento que sopra principalmente do oeste pode aliviar fortemente o Kapha-dosha, mas devido à sua natureza também afiada, seca, áspera e leve pode causar emagrecimento e reduzir a força (especialmente em tipos Vata). Reduz o tecido adiposo (devido à sua natureza seca), e diminui a untuosidade observada nos tipos Kapha, especialmente reduzindo o congestionamento e a fleuma.

Ventos do Norte

Diz-se que o vento que sopra principalmente da direção norte mantém as três Bioenergias em equilíbrio, e tem uma natureza untuosa, suave e pegajosa, com gostos doces e adstringentes. Para pessoas saudáveis, diz-se que promove a força e é útil em casos de emaciação devido à tuberculose e envenenamento. Quando o corpo acumulou toxinas, no entanto, pode agravar os doshas devido à sua natureza húmida.

Os Ventos e as Bioenergias

Naturalmente, devido aos vários climas ao redor do globo, existem variações, e podem haver efeitos contrários. No entanto, o fundamental é que vários tipos de vento agravam os doshas de diferentes maneiras, e podem ser usados ​​para reduzir outros doshas.

Podemos avaliar as várias propriedades ou gunas dos ventos que sopram ao nosso redor e, assim, entender como agravam os doshas, e quais os ventos predominantes.

Como exemplo, as comunidades costeiras ao longo das costas orientais sentirão uma forte e fresca brisa marítima proveniente dos ventos de Páscoa que provocarão os doshas – especialmente Vata e Kapha – devido às suas naturezas mais frias, apesar de outras propriedades. Nas estações de outono-inverno nessas regiões, é melhor que as pessoas – especialmente as constituições Vata e Kapha – evitem sair para passear quando esses ventos sopram, pois podem ser fatores causadores de doenças.

Vários ventos podem também afetar os nossos estados mentais pelas suas qualidades e propriedades. Ventos frios em dias nublados podem nos fazer sentir letárgicos, sem energia e deprimidos, devido à sua natureza mais escura (tamásicas), mais pesada e mais fria. Os ventos mais quentes têm uma natureza de secura, mas às vezes podem afetar uma pessoa pelas suas naturezas direcionais secundárias.

Na Ayurveda as diferentes propriedades do vento estão intimamente conectadas com desha (localização) e rtu (estação), e podem afetar as pessoas de forma diferente, baseadas na constituição biológica básica de uma pessoa (prakriti), quaisquer desvios temporais dela (vikriti), a sua idade ( estágio de vida), e sexo (por exemplo, as mulheres são mais propensas a serem agravadas por ventos). Com as mudanças planetárias, esses efeitos subtis apresentam um exemplo de outro nível mais profundo na Ayurveda, no qual várias doenças podem ser criadas pela viciação dos doshas ou pela redução dos seus efeitos pelos vários efeitos e qualidades da natureza ao nosso redor, como o vento.

Podemos começar a examinar essas propriedades ou qualidades (gunas) dos ventos ao nosso redor, nos nossos climas e locais para começarmos a avaliar os efeitos que eles têm na nossa bioenergia.

12 Inspirações para um Despertar Ayurvédico

Independentemente do ritmo que a vida atual nos impõe, a Natureza, e o nosso corpo – que é a Natureza a vibrar em nós – tem um ritmo próprio. Existem ciclos corporais naturais de metabolização de alimentos, emoções, pensamentos, toxinas; existem ritmos de sono, ritmos de fecundação, até o ritmo do nosso pulso altera-se de acordo com a hora, o momento do dia, a estação do ano, e contudo sempre em sintonia com o pulsar da Mãe Terra. Muitos dos desequilíbrios surgem precisamente pela inexistência de ritmo, e por uma desatenção instalada em relação ao pulsar da Vida no nosso corpo. Quando estamos dessincronizados adquirimos outro ritmo de vida, que entra em resistência com o pulsar da Terra. Dormir demasiado tarde, ou durante o dia. Comer fora do horário das refeições. Falhar a hora ideal para evacuar, e/ou conter a urina. Estes são alguns dos exemplos de como podemos facilmente desequilibrar-nos.

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1 | A hora de despertar

Com a primeira Luz do amanhecer, cerca de noventa minutos antes que o sol surja no horizonte oriental, ocorre uma grande onda de energia no planeta. As criaturas adormecidas despertam e sacodem dos seus organismos os vestígios da inércia, preparando-se para as actividades do dia. E, então meia hora antes do amanhecer uma segunda onda de energia ainda mais poderosa, corre pela atmosfera. Com esse segundo influxo de radiação, vem o momento mais importante do dia – o momento em que a química corporal é estabelecida para todos os seres vivos. O ser humano é também afectado por esse influxo. Nesse momento o sangue é diluído e banhado por novas substâncias químicas, as quais se exaurem gradualmente, até serem restauradas no amanhecer seguinte.

O banho do organismo com a nova energia ocorre dez minutos antes do amanhecer, estejamos ou não conscientemente preparados e despertos. As reacções químicas acontecem de modo mais adequado em recipientes limpos e livres de impurezas. A lógica diz-nos que uma reacção que ocorra num recipiente livre de resíduos produzirá resultados bem melhores do que uma reacção num recipiente impuro. Se uma pessoa está a dormir quando amanhece os gases e resíduos acumulados durante a noite estarão presentes durante o estabelecimento da química do sangue.

É da maior importância evitar ingerir qualquer alimento ou bebida nas horas que precedem o amanhecer. A manhã é um período em que devemos manter reduzida e tranquila a nossa velocidade.

Em resumo, é benéfico acordarmos antes que o Sol se levante, porque existem qualidades amorosas (sattvicas) na Natureza, que trazem paz mental e frescura aos sentidos. O nascer do Sol varia de acordo com as Estações, mas em média as pessoas de constituição Vata deveriam acordar por volta das 6 horas da manhã, as Pitta pelas 5h 30m da manhã, e os Kapha por voltas das 4h 30m da manhã. Logo após o despertar, é adequado conectarmos a nossa energia à da Terra, enraizando-nos, e fazermos algumas respirações profundas, colocando a intenção para o nosso dia.

2 | Limpar a noite do nosso rosto

Durante o sono a temperatura da pele sobe. Os cobertores mantêm a temperatura cutânea consideravelmente acima da temperatura ambiente. A lavagem reajusta o organismo às condições do ambiente e previne o tipo de choque provocado pela súbita mudança de temperatura que ocorre quando a pessoa salta da cama.

O rosto, em particular os olhos, devem ser lavados com água fria e refrescante, numa temperatura um pouco abaixo da ambiente, e deveríamos atirar a água ao rosto pelo menos sete vezes. Isto ativa o reflexo do mergulho, ativando também a nossa atenção. O rosto deve ser limpo como uma totalidade, pois a limpeza parcial pode criar problemas, devido à diferença de temperatura e condutibilidade eléctrica entre a parte limpa e a não limpa. Essas diferenças podem provocar um desequilíbrio na energia, afectando a visão, o olfacto, a audição e o paladar.

No corpo, os olhos representam o elemento fogo. Eles só funcionam quando estimulados pela luz. A água é o combustível do fogo. O que permanece após a extinção do fogo é a cinza ressecada, porque a água evaporou. A água conduz o calor e a energia eléctrica do fogo. Assim, quando se lavam os olhos, a pequena quantidade de força aplicada pelas mãos carrega electricamente a água – estimulando e acalmando os olhos e os nervos ópticos (os quais são extensões directas do cérebro). O acto de lavar os olhos deve ser acompanhado com bochechos, com água à mesma temperatura.

 

3 | Raspar a língua

raspadorAntes mesmo de bebermos água, a Ayurveda recomenda que raspemos a língua.

Durante a noite as toxinas (ama – alimentos não digeridos no trato digestivo ) a serem expelidas pelo organismo vão-se dirigindo para diversos pontos de saída. A língua é um deles. Torna-se por isso necessário elaborar-se uma higiene diária da língua, de forma a remover-se essa película de toxinas acumuladas sobre ela, sobre tudo antes da ingestão de qualquer alimento. Esta acção vai permitir uma acentuada clareza do sentido do paladar, para além de evitar que voltemos a ingerir a ama acumulada.

A língua é um órgão muito sensível e contém na sua superfície um mapa dos órgãos do corpo, podendo nós através da sua observação, fazer uma pequena análise do nosso estado de saúde. São de notar as zonas onde existe maior acumulação de ama. Podem surgir capas na língua de diversas cores associados a diferentes tipos de desequilíbrio. Um monte de revestimento branco pode sugerir Candidas.

Raspadores de língua de plástico e metal estão disponíveis na maioria das lojas de saúde. Raspe de trás para frente suavemente até que tenha raspado toda a superfície, entre 7 a 14 vezes, e lave o raspador de cada vez. Esta acção estimula os órgãos internos, ajuda na digestão e remove a ama (toxinas).

4 | Beba água morna de manhã

Após as lavagens beba um copo com água à temperatura ambiente (no Verão), e água morna (no resto do ano). Isto lava o sistema digestivo, inunda os rins, e estimula a peristáltica. Começar o dia com café ou chá é desaconselhável, já que estas bebidas drenam a energia dos rins, causam a obstipação e formam maus hábitos. À água morna podem ser adicionadas algumas gotas de limão de modo a fomentar uma limpeza mais profunda do trato intestinal.

5 | Evacuação

toiletstool3Após a ingestão da água o organismo fica estimulado para a expulsão dos detritos acumulados durante a noite. Em circunstância alguma, a pessoa deve passar demasiado tempo sentada a evacuar, pois isso pode interferir com os gases do cólon, resultando numa profusão de enfermidades leves ou graves. Muitas pessoas lêem ou estão no telemóvel, enquanto estão sentadas à espera que os intestinos funcionem. Esse é um hábito potencialmente desequilibrante. Todo o tipo de distração é inadequada nesse momento por duas razões importantes: primeiro, a energia é necessária nos intestinos e a leitura desvia-a para a cabeça; segundo, a leitura encoraja a pessoa a ficar sentada durante longos períodos, numa postura que pode causar-lhe muitas enfermidades.

A maioria das queixas relacionadas com os intestinos podem ser eliminadas, bastando que a pessoa adopte uma postura adequada à defecação. A invenção da sanita moderna trouxe uma era de imenso sofrimento humano, desde a obstipação até distúrbios intestinais correlatos. Hoje em dia, a pessoa é forçada a sentar-se numa posição não natural, que exige que a força seja aplicada de um modo muito inadequado. A prática da boa saúde prescreve que a defecação seja feita na única posição natural: agachado ou de cócoras. Esta postura abre completamente o ânus, sem necessidade de se aplicar força. Para ajudar na aquisição desta postura, pode-se usar um pequeno banco junto a sanita de forma a colocar o intestino na posição certa para a expulsão.

A importância de um funcionamento ordenado e regular dos intestinos, logo após o despertar é fulcral, já que nenhuma meditação, nenhuma concentração, nenhuma actividade física e nenhuma ingestão de bebida ou comida devem ser feitas antes da defecação.

6 | Gargarejos de Óleo (Oil Pulling)

Oil-PullingGargarejar ajuda a fortalecer os dentes, as gengivas e os maxilares, para melhorar a voz e remover as rugas das bochechas. O gargarejo deve ser feito com o estômago vazio, quando o corpo ainda está no seu modo natural de desintoxicação. Deve-se fazê-lo por 4 a 15 minutos, com uma decocção adequada, ou até mesmo com óleo de girassol, de coco, de sésamo; mantenha o óleo na boca, bocheche vigorosamente, depois cuspa e massaje as gengivas suavemente. Por fim deve-se bochechar com água morna para limpar. Durante o processo é necessário imaginar que o óleo ou a decocção fica impregnada com as bactérias que vão depois ser expelidas. O gargarejo deve ser feito também à noite e depois de todas as refeições. Os benefícios dos gargarejos são vários:

  • Reduz a doenças da gengiva e inflamação

  • Reduz a secura na boca e pele

  • Elimina o mau hálito

  • Melhora os Sentidos

  • Aumenta a clareza

  • Revigora a Mente

  • Reduz o Esgotamento

  • Ajusta desequilíbrios da anorexia e do kapha

  • Acalma a dor de garganta

Depois do gargarejo, lave a boca com água morna e, opcionalmente, um pouco de sal grosso. Lave então os dentes para uma boca saudável e fresca. Use uma pasta de dentes natural, livre de flúor. A Ayurveda recomenda cremes dentais que usem ervas como o neem, o alcaçuz, o cravinho da índia.

 

7 | Limpeza nasal (Jala Neti)

Limpar o nariz deveria ser entendido como limpar a testa a partir de dentro. Inalamos uma infinidade de substâncias químicas que são entendidas por nós como cheiros. Essas substâncias químicas alojam-se no nariz e nas cavidades nasais. Por isso, a limpeza do nariz compreende muitas funções e deveria ser incluída como parte da limpeza diária.

TwoNetisEsta limpeza de ser feita primeiro com a ajuda de um neti pot. Água morna com uma pitada de sal marinho deve ser escorrida pelas narinas para lavá-las. De seguida pode-se colocar duas a cinco gotas de ghee ou óleo de mostarda, sésamo, azeite em cada narina, e deixe permanecer por um minuto. Este processo ajuda a lubrificar o nariz, limpa os sinus, melhora a voz, a visão e proporciona a clareza mental. O nosso nariz é a porta do cérebro, por isso estas gotas nutrem a entrada de Prana e trazem a inteligência.

Para Vata: óleo de sésamo, ghee ou óleo de cálamo.

Para Pitta: ghee com brahmi, óleo de coco ou de girassol.

Para Kapha: óleo de cálamo

 

8 | Lubrificando o corpo – Abhyanga

Poucas práticas diárias oferecem tantos benefícios. Quando feita de acordo com as leis naturais da anatomia humana e do fluxo de energia, a massagem diária energiza e faz vibrar simultaneamente a pele, os músculos e os nervos. O calor e a vitalidade do corpo aumentam à medida que o coração e o sistema circulatório começam a fornecer oxigénio puro e energia vital a todas as partes do organismo – ao mesmo tempo que lavam os gases e as substâncias químicas. A automassagem regular, quando executada adequadamente, ajuda o corpo a ficar leve, activo e enérgico, e impede o desenvolvimento da maioria das doenças de pele. Para além destes benefícios, ela também aumenta a inteligência, a presença de espírito, o vigor, a vitalidade sexual, a autoconfiança e a beleza.

Shiva_MassageDe todas as práticas de massagem, as que envolvem o uso de óleo são as mais benéficas, porque o óleo suaviza a pele, lubrifica-a evitando o atrito, distribui uniformemente o calor e garante uma camada de protecção, força e resistência contra os extremos da temperatura ambiente. O óleo impede a secura da pele, aumenta a flexibilidade e evita muitos dos efeitos do envelhecimento precoce.

Aplique óleo morno na cabeça e no corpo. Uma massagem suave com óleo pode trazer a felicidade, e previne tanto as dores de cabeça, como a calvície, os cabelos grisalhos, e o recuar da linha dos cabelos. Olear o corpo antes do deitar promoverá um sono profundo e mantém a pele macia.

Para Vata use óleo de sésamo morno. Para Pitta use óleo de coco ou de girassol morno. Para Kapha use óleo de girassol ou mostarda morno. O óleo de Brahmi é também muito usado, sobretudo para massajar a cabeça. Conhecido por ajudar a estimular o cérebro e trazer mais clareza mental. Pode-se adicionar alguns óleos aromáticos, de acordo com o seu dosha. Para equilibrar vata use gengibre, cardamomo ou laranja; pitta prefere os aromas frescos e doces de sândalo ou lavanda; Os kaphas respondem melhor ao eucalipto, alecrim ou sálvia.

As pessoas que estão com febre não devem ser massajadas, nem as que estão acometidas com constipação, vómitos ou indigestão. Quem tomou purgativos ou praticou um Basti e Vamana também deveriam evitar a massagem. É contra-indicado quando existem problemas de excesso de Kapha (mucos).

 

9 | Esfoliação

dryBrushing_body.jpgPode ser feita com a pele seca, mas também se pode aproveitar a pele ainda oleada para diminuir um pouco o atrito que provoca. A esfoliação é excelente para ativar a circulação e estimular o sistema linfático. Os movimentos devem ser leves e circulares, sem muita pressão já que a linfa está muito próxima da superfície da pele. Use uma escova de materiais naturais, e massaje em direção ao coração, começando pelas pernas, tronco, braços, muito levemente no rosto e depois nas costas. A esfoliação da pele é ótima para a desintoxicação do corpo.

 

10 | Hora do banho

Depois de oleados, um banho ou duche de manhã é ótimo para ajudar a reduzir a fadiga. As constituições Pitta se beneficiam da água fria, enquanto a água morna é ideal para os Vatas, e mesmo as temperaturas mais quentes são as melhores para equilibrar os Kaphas de boa índole. O banho diário purifica a mente e o corpo, aumenta o sémen, promove a longevidade, alivia a fadiga, detém a transpiração, aumenta a força, proporciona o brilho vital da saúde, remove o sono, o suor e a fadiga, dissipa a irritação, e aplaca sede crónica. Bom para todos os órgãos motores e órgãos sensoriais, o banho purifica os nervos, cura a sonolência, dissolve a tristeza, aumenta o entusiasmo, fornece energia vital ao sistema e traz clareza à mente.

Apesar de muito benéfico, tomar banho mais de duas vezes por dia deve ser evitado, pois isso sobrecarrega o organismo. Do mesmo modo, deve evitar-se o banho com água muito quente ou muito fria. Os banhos com água fria aumentam a quantidade de frio nos nervos e podem acarretar vários tipos de dor muscular. O calor do banho quente expande os músculos, tornando-os gradualmente frouxos e flácidos. Os efeitos dessas duas práticas talvez não sejam sentidos na juventude, mas se continuadas irão manifestar-se mais tarde sob a forma de fraqueza, cãibras, problemas renais e deficiência de sémen. A água do banho deve ser, em geral, quente, excepto para a cabeça e olhos. É contra-indicado quando existe paralisia facial, indigestão, diarreia, febre, infecções no ouvido, obstipação, sinusite, doenças dos olhos e doenças que afectam a boca e os ouvidos, e outras relacionadas.

Lembre-se de que a pele absorve tudo o que se coloca nela. É por isso fundamental escolher produtos de higiene que diminuam a toxicidade do corpo, evitando produtos cheios de perfumes e produtos químicos sintéticos. Isso inclui parabenos e SLS.

 

11 | Alongar e Respirar

rituais tibetanosExercício regular, especialmente o yoga, melhora a circulação, a força e a endurance. Ajuda a relaxar e ter um sono repousante, e melhora a digestão e a eliminação. O exercício diário deve ser feito até metade da nossa capacidade (que até se formar suor na testa, nas axilas e nas costas), geralmente durante 10, ou no máximo 15 minutos diários.

Vata: 12 vezes a saudação ao Sol, feitas devagar; levantar de pernas; camelo; cobra; gato; vaca. Todos feitos devagar e suavemente.

Pitta: 16 vezes a saudação à Lua, moderadamente rápidas; levantar de pernas; peixe, barco; arco. Exercício de relaxamento.

Kapha: 12 vezes a saudação ao Sol, feitas rapidamente; ponte; pavão; palmeira; leão. Exercício vigoroso.

Outra opção é realizar os Cinco Rituais Tibetanos. Uma sequência que se adapta às várias constituições.

12 | Meditar

Os momentos mais preciosos da vida de uma pessoa vão desde o instante em que ela completa a limpeza matinal até os minutos seguintes ao raiar do novo dia. Purificado por dentro e por fora, o sistema orgânico converte-se num estado “em branco”. Quem usa com sabedoria esses momentos consegue construir um campo de energia capaz de funcionar como um bom escudo para as aventuras do dia a dia.

meditaçãoA meditação é uma forma de trabalhar conscientemente a fim de elevar o nível do nosso ser, através da elevação do nível de energia presente no interior da nossa mente. Devemos começar a perceber o mundo sem apegos, sem juízos de valor, sem desejos. E para alcançar esse estado, a energia do organismo precisa primeiro focar-se num único ponto. Esse estado de concentração é o precursor necessário da própria meditação.

Para ser mais eficaz, a meditação deve ser praticada diariamente a uma hora regular. As melhores horas para praticar são aquelas que sincronizam a vida quotidiana com os ciclos maiores do planeta e do cosmos. As condições do planeta mudam dramaticamente nas horas do amanhecer e entardecer. Essa mudança, que começa cerca de trinta minutos antes de o sol tocar o horizonte e que dura uma hora, também produz mudanças acentuadas na química do sangue. Além disso, no momento exacto em que o sol toca o horizonte, o organismo respira automaticamente por ambas as narinas ao mesmo tempo. Esse é o estado em que a energia consegue subir pelo canal central da coluna vertebral, o Sushumna, até ao cérebro. Durante esse instante a química do corpo é equilibrada. Como as duas narinas estão a trabalhar, a temperatura do ar nas cavidades nasais é igualada. O metabolismo estabiliza e a temperatura de ambos os hemisférios cerebrais é equilibra-se, permitindo-lhes funcionar em sincronia. O meditador deveria sempre estar atento a esses ciclos planetários e às mudanças no organismo.

É importante meditar-se de manhã e à noite por, pelo menos, 15 minutos. Medite na forma como está habituado, ou experimente a meditação de “esvaziar a taça”. A meditação traz paz e equilíbrio na vida.

Laticínios e a Ayurveda – porque se utilizam?

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Os laticínios, em especial o leite e o ghee (manteiga clarificada), continuam a ser uma parte importante das recomendações dietéticas ayurvédicas, e são ingredientes comuns nos medicamentos ayurvédicos e nos produtos à base de plantas.

A vaca na cultura da Índia

Na Índia as vacas são veneradas, reverenciadas como a mãe, Gomata, personificando a Mãe Terra, Bhumi Mata, como símbolo da abundância universal.

A sociedade agrária tradicional indiana baseia-se no cuidado da vaca. O estábulo ou o goshala é uma parte fundamental da vida, constituindo até um local para estudo e convívio. As vacas são parte da família, e a relação com elas começa desde a infância, quando as crianças que são encorajadas a integrá-las nas suas brincadeiras. O consumo da sua carne foi estritamente proibido, e o abate de vacas é considerado um crime grave. As vacas foram integradas da vida espiritual na Índia com os Vedas, e a maioria dos ashrams na Índia têm hoje em dia as suas próprias vacas e goshalas para uso quotidiano.

A vaca tradicional indiana é uma raça muito diferente das criadas no Ocidente. Ela tem uma constituição especial que a ajuda a coletar a luz do sol através de um surya nadi especial ou canal solar, a fim de produzir um leite de melhor qualidade. Embora produza menos leite que as raças modernas, o leite é de muito maior qualidade e mais fácil de digerir. A Ayurveda considera os laticínios, particularmente o leite e o ghee desta raça nativa, como os melhores para todas as recomendações de alimentos ayurvédicos e produtos fitoterápicos.

Os laticínios formam há muito uma parte importante da dieta indiana. O Ghee tem sido o principal óleo de cozinha recomendado. O leite tem sido uma importante bebida e ingrediente culinário. O Iogurte é tomado com a maioria das refeições sob a forma de lassi. No entanto, além de vacas, são usados outros animais, como as búfalas e as cabras, para se extrair o leite e produzir o ghee. Muitos medicamentos ayurvédicos e produtos fitoterápicos são feitos com laticínios ou ingeridos com eles.

Hoje em dia, mesmo na Índia, tem vindo a crescer o cuidado na criação respeitada deste animal, assim como o uso do leite de forma parcimoniosa e mais consciente.

O uso de Laticínios na Ayurveda

dairy_indiaMuitas dietas especiais e jejuns de cura do Yoga e da Ayurveda enfatizam o leite ou consistem principalmente dele, particularmente para os tratamentos de rejuvenescimento, fortalecimento e fertilidade. Leite, ghee, manteiga, iogurte, lassi, takra / chaas (buttermilk) e paneer são os principais laticínios utilizados na dieta.

A Ayurveda geralmente recomenda produtos de vaca para os tipos Vata e Pitta, tanto para as dietas quotidianas quanto para tratar doenças especiais, o que proporciona uma ampla variedade de aplicações. Aos tipos Kapha, que tendem ao excesso de muco, água e peso, é frequentemente recomendado o leite de cabra, devendo os mesmos evitar os produtos oriundos do leite de vaca.

Os gheit, medicamentos ayurvédicos (ghritams) formam uma extensa linha de produtos amplamente utilizados para fortalecer a mente e o sistema nervoso e combater as febres. Um bom exemplo disso é o Brahmi Ghritam, considerado um dos melhores remédios para o rejuvenescimento da mente e para promover a meditação. Shatavari Ghritam é um dos principais medicamentos para mulheres que nutre o sistema reprodutivo feminino.

Uma série de óleos de massagem ayurvédica dos quais existem numerosos tipos, embora baseados principalmente em óleo de sésamo ou coco, contêm por vezes leite ou ghee. O Kshirabala, por exemplo, um dos principais óleos para aplicação na cabeça, contém leite pelas suas propriedades refrescantes. Muitos óleos ayurvédicos contêm ghee, incluindo às vezes ghee de outros animais que não vacas. O Ghee na verdade pode ser usado como um óleo de massagem em si, para várias condições inflamatórias da pele. O famoso Chayavan Prash, uma geleia de ervas, contém ghee e esta forma de ingestão de ghee constitui uma outra linha significativa de produtos à base de plantas.

É habitual ver muitas ervas ayurvédicas, como a Ashwagandha, serem administradas com leite morno. O leite morno é frequentemente recomendado antes de dormir com várias ervas e especiarias, como o açafrão, açafrão-da-índia, noz-moscada, cardamomo, e com um pouco de ghee também. Também o iogurte é conhecido pelos seus diversos poderes de cura sendo particularmente usado para promover a longevidade.

O Ghee – Manteiga clarificada

gheeO Ghee é um alimento de sabor doce, refrescante e tem reacção doce no seu pós digestivo. É suave, nutritivo, pesado e frio, habitualmente produzido a partir da purificação da manteiga de leite de vaca ou da manteiga de leite de qualquer outro animal mamífero. Existem várias maneiras de denominá-lo como: óleo purificado da manteiga, manteiga clarificada, emoliente básico, manteiga de garrafa, usli-ghee.

Nos Shastras (escrituras sagradas antigas da Índia), e especialmente na Ayurveda, o Ghee tem diversas funções terapêuticas. Possui propriedades altamente rejuvenescedoras das células, incrementando a longevidade, melhorando a memória, a discriminação e a inteligência, fortalecendo os tecidos, fomentando a fertilidade. É um excelente alimento para a voz e para a garganta. O Ghee é muito importante para o crescimento das crianças por promover a construção dos sete Dathus (Tecidos Corporais), já que possui o mesmo valor nutritivo do leite. Contém ácidos gordos saturados em grandes quantidades, devendo por isso as pessoas obesas e com problemas de coração evitá-lo.

Tem também uma ação terapêutica no ardor, hemorragias, fraqueza, doenças dos olhos e ouvidos, dores abdominais, dores de cabeça, insanidade, epilepsia, desmaio, febre crónica, intoxicação, erupções, cortes, queimaduras, herpes, úlceras, enfermidades do peito e problemas mentais. Aumenta a quantidade de sémen e de energia vital (Pranshakti), e é benéfico para os órgãos genitais. Tomado em pequena quantidade aumenta o fogo digestivo. Melhora a compleição da pele, a beleza, o lustro. É adequado para sarar feridas, úlceras e doenças de pele. O ghee fresco e puro contém vitaminas A,D, E e K.

Elimina o envenenamento. Deve ser evitado: nas primeiras fases de uma doença, na perda de apetite, na tosse, diarreia, indigestão, desordens metabólicas associadas com o aumento da urina, como a diabetes, por recém-nascidos, pessoas idosas, pessoas com hábitos sedentários.

O Ghee é largamente utilizado na Fitoterapia tradicional, servindo como veículo para diversas ervas. As ervas são maceradas ou fervidas com o Ghee, e em seguida administra-se uma colher de sopa ou um cálice diariamente dependendo do caso. O Ghee tem como qualidade especial acender o fogo da digestão sem perturbar o Pitta. O Ghee que tenha sido envelhecido durante 10 anos ou mais converte-se num poderoso tónico que é utilizado como medicamento na Ayurveda, para tratamento de obesidade, epilepsia, dores de cabeça e problemas dos olhos e ouvidos; para isso, mescla-se em água e administra-se em gotas. Pessoas que tem problemas de obstipação podem tomar uma colher de Ghee com um copo de leite quente. Combinado com alcaçuz ou cálamo, é extensivamente usado na Ayurveda como um excelente tónico pulmonar.

Na culinária o ghee é um excelente alimento para abrir o apetite, já que incrementa o sabor de todos os alimentos, podendo ser utilizado para todos os tipos de preparações culinárias da mesma forma que os demais óleos, sendo contudo usado em menor quantidade.

Verão e Ayurveda: a estação Pitta

estações-do-ano-para-AyurvedaLuz. Fogo. Calor. Intensidade. É Verão! E, contudo, todos reagimos de forma diferente ao regresso desta estação do ano, que chega com as suas características distintas. Dependendo da constituição de nascimento, o Verão pode aumentar o sentido interno de harmonia, ou pode agravar uma das tendências inatas da pessoa. Um indivíduo de temperamento quente que prefere um clima frio, pode adorar o inverno, contudo, vai sentir-se mais quente do que a maioria – ao ponto do desconforto – à medida que o calor do Verão se intensifica. Por outro lado, alguém com mãos e pés cronicamente frios, que parece nunca ser capaz de se manter aquecido nos meses de inverno, experimentará exatamente o contrário: Invernos longos e frios serão um desafio e a pessoa apreciará o calor do Verão. Contudo podemos prevenir as alterações intrínsecas às estações fomentando a capacidade natural de adaptação do corpo, com as ferramentas simples que a Ayurveda proporciona.

Um dos princípios fundamentais do Ayurveda sugere que os nossos hábitos, rotinas e escolhas alimentares devem fluir com as estações do ano. Podemos estruturar o nosso estado de equilíbrio fazendo um esforço consciente para viver em harmonia com os ciclos da natureza ajustando regularmente o nosso estilo de vida e hábitos para acompanhar a chegada de cada nova estação. Embora esse conceito pareça trabalhoso à primeira vista, os ajustes sazonais recomendados acontecem naturalmente, e algumas mudanças simples podem aumentar drasticamente a saúde e a vitalidade.

As características mais marcantes do Verão – o calor, os longos dias de sol forte, a intensidade aguçada e a natureza transformadora da estação – estão diretamente de acordo com o Pitta, e é por isso que o Verão é considerado uma estação Pitta. E, apesar de alguns climas serem excecionalmente húmidos nesta época do ano, o efeito cumulativo do calor intenso é de secagem. A um nível mais subtil, o Verão é um período de expansão e mobilidade – traços mais característicos de Vata.

O foco principal durante os meses de Verão será manter o Pitta equilibrado através da moderação da intensidade e promoção da suavidade e relaxamento. Contudo o Verão tem também algumas características Vata , sendo importante manter-se hidratado, promover a estabilidade, e equilibrar a expansividade natural e a mobilidade do Vata com atividades tranquilas e relaxantes.

Alimentação no Verão

verao-para-todos-os-doshas-com-alimentacao-ayurvedicaDurante o Verão, nossos corpos desejam naturalmente alimentos leves e pequenas refeições que sejam fáceis de digerir porque o fogo digestivo – a fonte de calor interno – dispersa para nos ajudar a manter a calma e a frescura interna. Saborear as refeições em atenção plena ajudará a prevenir a tentação natural do Pitta de comer em excesso. O Verão é uma época para favorecer os sabores adocicados, amargos e adstringentes, e para saborear alimentos frescos, líquidos e leves. Esta é a melhor época do ano para saborear frutas frescas e saladas. Também é um ótimo momento para se dedicar a produtos lácteos doces, como leite, manteiga, ghee, queijo cottage, iogurte caseiro fresco e até gelados de vez em quando. Todos os adoçantes exceto o mel e o melaço, são refrescantes e podem ser apreciados com moderação durante os meses de Verão.

A água fria ou à temperatura ambiente é das melhores bebidas de Verão, contudo podemos infundi-la com hortelã e um pouco de açúcar natural, ou optarmos por um lassi doce, chás de ervas frios, como hortelã-pimenta, alcaçuz, erva-doce ou rosa, ou uma cerveja ocasional. Bebidas geladas devem ser evitadas já que perturbam o fogo digestivo e criam toxinas no corpo.

Evitar frutas ácidas ou verdes, queijos envelhecidos e vegetais e temperos quentes, como cenoura, beterraba, rabanete, cebola, alho, gengibre e sementes de mostarda. Tente evitar alimentos extremamente picantes, como pimenta ou pimenta caiena por completo. Também tenha em mente que vegetais crus (como em saladas) serão melhor digeridos se forem comidos ao almoço.

Alguns alimentos ideais para o Verão:

Frutas: Maçãs, Abacates, Bagas, Cerejas, Coco, Mirtilos, Uvas, Limas, Mangas, Melões, Peras, Abacaxi, Ameixas, Romãs, Ameixas secas

Vegetais: Alcachofras, Espargos, Beterraba Verde, Brócolos, Couve de Bruxelas, Repolho, Couve-flor, Aipo, Acelga, Pepinos, Vagem, Couve, Alface, Quiabo, Batatas, Agrião, Corgete

Cereais: Cevada, Arroz (basmati), Trigo

Leguminosas: Feijão Azuki, Feijão preto, Feijão, Brotos de feijão, Feijão De Soja & Produtos, Ervilhas

Óleos: Óleo de coco, Azeite, Óleo de girassol

Temperos: Manjericão, Cardamomo, Coentros, Aneto, Funcho, Lima, Hortelã, Salsa

Carne (para quem ingere): Peixe (água doce), Aves de capoeira (branco), Camarão

Adoçantes: Açúcar de Cana Não Refinado

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Escolhas do estilo de vida para o Verão

O Verão está repleto de energia vibrante o que torna mais fácil despertarmos mais cedo. De manhã temos também a melhor hora para o exercício. Antes de tomar banho, massaje a pele com uma leve camada de um óleo calmante Pitta, como coco ou óleo de girassol, para serenar o sistema nervoso e esfriar o corpo. Óleos essenciais de jasmim e lavanda são boas fragrâncias para o Verão ou pode desfrutar uma borrifada de água de rosas para acalmar, refrescar e tranquilizar a mente.

Vestir roupas leves e respiráveis, feitas de algodão ou seda e favorecendo cores refrescantes como brancos, cinzas, azuis, roxos e verdes, que ajudam a serenar a intensidade e o calor. O Verão é ideal para desfrutar do tempo na natureza, contudo sempre sob a proteção de um chapéu de abas largas e óculos de sol. Em dias especialmente quentes, muitas vezes a tensão desce um pouco sendo permitido um descanso breve de 15/20 minutos.

À noite, antes de dormir, lave os pés e massaje com um pouco de óleo de brahmi para acalmar a energia e baixar o calor. A melhor hora de deitar é pelas 22h para evitar um excessivo estímulo mental, deitando-se do lado direito que ativará a via lunar na narina esquerda, que é calmante e refrescante. Esteja ciente também de que a atividade sexual, em excesso, pode intensificar o Pitta e esgotar a energia; por isso, cultive a moderação nesse aspecto da sua vida durante os meses de Verão.

Exercício para o Verão

O Verão é geralmente uma ótima estação para estarmos ativos, desde que o exercício seja praticado nos momentos e na intensidade apropriados. O exercício aquece o corpo e, nesta época do ano, é melhor evitar o exercício durante o calor do dia, especialmente das 10h às 20h. Em vez disso, procurar exercitar no início da manhã, quando a atmosfera é fresca e fria. Também é importante evitar esforços excessivos. Idealmente, exercite-se a cerca de 50% da capacidade do corpo, respirando pelo nariz o tempo todo, se puder.

Yoga para o Verão

O Pitta é impetuoso e intenso; pode-se equilibrar a estação Pitta ajuste a prática através de um esforço relaxado: mova-se suavemente, fluída e graciosamente, mantendo o olhar suave e a respiração estável. Cultive uma consciência interior calma em vez de se esforçar ao máximo com precisão e esforço muscular aguçado. Verifique com frequência se está numa prática relaxada. Crie e mantenha o enraizamento e o fluxo estático nas poses.

Ayurveda-and-summerComo o plexo solar tende a manter o calor, favorecem as asanas que massajeiam, fortalecem e espremem a região abdominal, como gato / vaca, cobra, barco, aberturas laterais e torções. Posições que esfriam, como a postura da criança e as curvas para a frente, assim como fluxos suaves como a saudação à lua. Termine a prática com alguns minutos em shavasana para ancorar a energia e integrar os benefícios da prática de yoga.

Fitoterapia para o Verão

Existem numerosas ervas que sustentam a função saudável do Pitta que pode ser especialmente benéfica durante a temporada de Verão. Entre eles estão: Amalaki, Brahmi, Bhumyamalaki, Guduchi, Kutki, Neem e Shatavari. Para mais informações sobre o papel único e adequação de cada uma dessas ervas desempenha é importante consultar um médico ou terapeuta ayurvédico.

O conforto caseiro da Massagem Indiana à Cabeça

indian-head-massage2A massagem indiana à cabeça (ou “Champi” em hindi) é uma prática que teve origem há mais de quatro mil anos na Índia, oriunda de uma tradição e práticas de preparação e embelezamento da mulher para um noivado auspicioso. As Mães indianas tinham por hábito massajar o cabelo das suas filhas com diferentes óleos terapêuticos e aromáticos para estimular o seu crescimento e gerar longas e brilhantes madeixas. Com o tempo tornou-se popular em todas as faixas etárias tornado-se parte integrante das partilhas familiares quotidianas, e da rotina diária de prevenção relacionada com a saúde, longevidade e bem-estar. A Indian Head Massage, como também é conhecida, é praticada em bebés e crianças, para estimular a sua inteligência; nos jovens, para acalmar as alterações próprias da adolescência; nos adultos, para fomentar a sua boa disposição e foco; nos idosos para incrementar a sua longevidade e saúde.

Narendra Metha, um homem cego que cresceu numa comunidade indígena onde a Champi era uma parte importante da vida familiar e comunitária, foi a primeira pessoa a desenvolver e formalizar a massagem indiana numa terapia estruturada. A Champissage é hoje, uma das formas mais populares de massagem à cabeça – uma sequência registrada de movimentos de massagem.

Metha chegou à Inglaterra na década de 70, onde se formou como fisioterapeuta. Em 1978 ele retornou à Índia, onde estudou os benefícios e a prática da Champi. Metha incluiu também o pescoço, os ombros e o rosto na massagem, e empregou o conhecimento ancestral dos pontos Marma (Marmaterapia), com os conhecimentos de shiatsu e acupressão para relaxar áreas tensas, reequilibrar a energia e limpar quaisquer áreas de tensão concentrada.

Os benefícios da Champi

A Massagem indiana à Cabeça é um dos tratamentos principais recomendados pela Ayurveda na rotina diária para a prevenção dos distúrbios de Vata (Ar e Éter). A massagem age profundamente no corpo todo, aumentando o fluxo de Prana pelos canais ou Nadis. Eis alguns dos benefícios:

– Ela traz claridade à mente;

– Alivia e trata a insónia;

– Incrementa a memória;

– Alivia o stress e a ansiedade;

– Diminui a pressão alta e a fadiga crónica;

– Retrai a perda de cabelo, retarda a calvície, e diminui a incidência prematura de cabelos grisalhos porque aumenta a oxigenação e nutrição no couro cabeludo;

– Dinamiza a circulação sanguínea e a drenagem linfática na zona do pescoço, libertando o corpo de substâncias tóxicas;

– Aumenta o oxigénio e a glicose no cérebro, melhora a circulação do elemento vital (o fluído cerebroespinal);

– Aumenta a secreção de hormonas de crescimento e enzimas necessárias ao crescimento e desenvolvimento das células do cérebro;

– Aumenta o nível de energia prânica no cérebro, promove altos níveis de atenção e concentração, previne estados depressivos;

– Alivia a fibromialgia e a congestão das vias aéreas;

– Ajuda a recuperar dos efeitos nocivos da radiação acumulada pelo uso de telemóveis;

– Melhora a visão nos adultos, para além de fomentar o desenvolvimento da visão e do cérebro dos bebés de seis a nove meses de idade.

A Massagem indiana à cabeça trabalha em áreas afetadas pelo stresse mental e emocional e tem a capacidade de produzir um alívio bastante rápido. Pessoas que sofrem de dores de cabeça, enxaquecas, insónia, tinitis, vertigem e depressão podem beneficiar bastante com esta massagem.

O ar condicionado, a iluminação artificial do ambiente de escritório causam muitas vezes dores de cabeça, assim como ficar sentado à frente do computador o dia todo ou ao volante, pode resultar na formação de nódulos de tensão no pescoço e nos ombros.

Com a vantagem de poder ser realizada na postura sentada e a seco, a massagem indiana à cabeça tem vindo a tornar-se popular em grandes empresas, que as oferecem aos seus funcionários, como forma de aumentar a produtividade, reduzir o absentismo e fomentar a qualidade de vida dos seus trabalhadores.

O que esperar numa sessão de massagem à cabeça

serenity-indian-head-massageNormalmente realizada enquanto o paciente está sentado, esta massagem leva cerca de 20 a 30 minutos e está focada na parte superior das costas, ombros (eventualmente braços e mão), pescoço, cabeça e rosto para ajudar a aliviar uma variedade de condições relacionadas com o stresse, para além de libertar a tensão muscular.

O terapeuta colocará o foco em restaurar o equilíbrio e a harmonia trabalhando os três chakras superiores. Em sânscrito, essas áreas são chamadas Vishuddha (a base da garganta – a Tiróide), Ajna (a 3ª Visão – a Pituitátia) e Sahasrara (a coroa – a Pineal). O chakra (“roda” ou “disco”) é um centro de energia vital na forma de uma flor de lótus. A cabeça da “flor” é encontrada na parte frontal do corpo, estando o seu caule enraizado na coluna vertebral. Existem sete chakras principais situados em torno da coluna vertebral, começando pelo chakra da raiz na base da coluna, e terminando com o chakra da coroa – logo acima da cabeça. Quando o terapeuta equilibra os três chakras superiores, o resto dos chakras equilibram-se pela ressonância e vibração produzidas pela massagem.

Uma massagem de cabeça indiana profissional provoca uma sensação semelhante a uma massagem de reflexologia, que é realizada nos pés, mas que é sentida em todo o corpo. Isso ocorre porque existem vários pontos de Marma importantes na cabeça, que se refletem pelo corpo todo, e que quando sabiamente estimulados e reequilibrados produzem uma saúde e bem-estar perfeitos.

A massagem indiana na cabeça pode ser seca ou com a utilização de óleos medicados, sendo esta a mais habitual. Para além de nutrirem os cabelos, os óleos também acalmam o sistema nervoso, já que as raízes do cabelo estão ligadas às fibras nervosas.

Os óleos na Massagem indiana à cabeça

Indian-Head-Massage-smallUm dos óleos mais utilizados na Massagem Indiana à cabeça é o Óleo de Brahmi (Bacopa Monieri). Conhecido pelas suas propriedades regeneradoras dos neurónios e a estimulação da circulação sanguínea no cérebro, este óleo tem uma longa tradição de utilização como óleo capilar, diminuindo a inflamação provocada pelo excesso de Pitta, fomentado a inteligência em crianças pequenas, e a memória nos idosos, para além dos seus benefícios no tratamento de desequilíbrios do couro cabeludo.

Para a cobertura dos cabelos grisalhos e o tratamento da calvície, são habitualmente usados óleos com plantas antioxidantes que rejuvenescem o couro cabeludo, com o Óleo de Amla, o Óleo de Neem e o Óleo de Bringaraj.

Uma das fórmulas ayurvédicas mais conhecidas para o cuidado capilar, nutrição e fomento da memória é o Himtaj. Esta fórmula contém algumas das plantas já mencionadas além de outras menos comuns em Portugal.

Efeitos colaterais da Champi

massage head 1Todos os tratamentos têm as suas consequências no corpo, sendo alguns deles mais perturbadores do que outros. A Champi tem como base a observação da pessoa na sua dimensão holística, e como tal são tidas em conta as características específicas da massagem que deve ser aplicada em função do perfil, da idade, da condição física da pessoa, das suas necessidades individuais. Alguns dos efeitos da Massagem indiana à cabeça são os seguintes:

Efeito diurético: A Champi tende a eliminar todas as toxinas e resíduos do corpo. Consequentemente é natural que sinta uma vontade mais urgente de urinar após a massagem. É inclusive recomendável que ingira um pouco mais de água para coadjuvar neste processo de limpeza propiciado pela Champi.

Dores musculares: Ao ajudar a liberar todos os músculos tensos, a Champi tem por vezes como consequência o surgimento de alguma dor muscular após a massagem. A dor que surge no músculo está associada ao processo de reparação do mesmo.

Melhoria da consciência do nossa envolvência: A Champi tem muitas vezes como resultado uma melhoria significativa na perceção sensorial, consequência da melhoria da memória, da clareza proporcionada pela massagem. É muito adequado descansar após a terapia de forma a libertar todo o stresse, dor, tensão e peso que estava a ser carregado.

Baixa ligeiramente nível de açúcar no sangue: No caso de padecer de diabetes convém aferir o impacto que a massagem pode ter no seu corpo, confirmando os seus níveis de açúcar após a mesma, de modo a confirmar o benefício ou desequilíbrio que a Champi possa ou não trazer.

Rigidez dos ombros e pescoço: Para quem já sente os ombros e o pescoço rígidos, pode sentir a manipulação como algo um pouco intenso, aumentando por vezes um pouco a própria rigidez após a massagem. Essa dor agravada é temporária, e é resultado dos nós e músculos que foram libertos durante a Champi, sendo a mobilidade e liberdade dos músculos recuperada e melhorada pouco tempo depois da massagem.

Tonturas: A sensação de tonturas após a massagem pode ser um sintoma importante a ter em conta. A Champi tende a estimular a circulação do sangue em certas partes do corpo, e dependendo da condição física do mesmo, pode aumentar ou diminuir a pressão arterial. É natural que após a libertação da tensão a que o corpo estava sujeito surja uma certa leveza que provoque a sensação de desequilíbrio. Esta sensação é habitualmente passageira, diminuindo com a repetição do tratamento.

A massagem indiana à cabeça constitui um ícone de partilha, de geração de laços mais profundos entre os membros de uma família, e também entre amigos, fomenta ligações, boa disposição, saúde, alegria, bem-estar, e por isso tudo previne tristezas e desequilíbrios. Em suma, contém todos os ingredientes para continuar a ser uma excelente etapa a acrescer numa rotina e estilo de vida equilibrado e saudável.

Benefícios da singular Assa fétida

Asafoetida-Ferula-Assa-Foetida-or-HingA assa fétida é uma resina dura e viscosa obtida principalmente da planta Ferula assa fétida. Oriunda da Ásia Central, desde a Pérsia (Irão) até ao Afeganistão, esta planta herbácea é um membro da família Umbelliferae. É uma planta perene familiar da erva-doce que é branca acinzentada quando fresca, mas escurece com a idade para amarela, vermelha e, eventualmente, castanha. A resina viscosa vem da seiva seca extraída do caule e raízes vivas e é macerada em álcool. As plantas perenes precisam ter pelo menos quatro anos de idade antes de estarem prontas para produzir a resina, que é difícil de ralar e é tradicionalmente esmagada entre pedras ou com um martelo. Hoje, a forma mais comummente disponível é a assa fétida combinada, um pó fino contendo 30% de resina assa fétida, juntamente com farinha de arroz e goma arábica.

A assa fétida crua tem um odor forte e desagradável, e é amarga no sabor. No entanto, quando usada como tempero acrescenta um paladar suave aos alimentos cozinhados evocando um sabor semelhante ao da cebola ou alho-francês. É um ingrediente crucial na culinária vegetariana indiana, tipicamente combinada com leguminosas como lentilhas, e pratos com vegetais como a couve-flor, e também é usada em conservas.

História da Assa fétida

Os primeiros registos indicam que foi Alexandre, o Grande, quem disseminou a assa fétida para o oeste em 4 a.C. A assa fétida foi usada como tempero na Roma antiga e, embora não seja originária da Índia, tem sido usada na medicina indiana e na culinária há séculos. Hoje, é usada principalmente no sul e no oeste da Índia, geralmente pela casta mercantil dos hindus e pelos seguidores do jainismo e do vaishnavismo, que não comem cebola ou alho.

O nome comum “asafetida” é derivado da palavra farsi aza, que significa resina, e a palavra latina foetidus, que significa um cheiro extremamente desagradável.

Pensava-se que o forte cheiro sulfuroso da assa fétida era ideal para acalmar a histeria, e nos dias do faroeste americano, foi incluída numa mistura com outras especiarias fortes para curar o alcoolismo.

Apesar do seu odor forte e pungente é, ainda assim, também comumente usada como componente de fragrância em perfumes.

Composição química

Esta especiaria é composta de aproximadamente 4% a 20% de óleo volátil, 40% a 60% de resina e 25% de goma. É quimicamente constituída por l-arabinose, asaresinotanol, bassorina, cadineno, compostos sulfurados, cumarina, ésteres, farnesferol, felandreno, foetidina, galactose, goma, isopimpinelina, alfa e beta-pineno, resina, sesquiterpernos, umbelliferona, vanilina. O pineno, cadineno e vanilina são encontrados no óleo, e umbeliferona, asaresinotanol, foetidina, kamolonol e ácido ferúlico são encontrados na resina. O óleo essencial de ferula assa fétida contém uma variedade de compostos odoríferos com uma alta percentagem de enxofre.

Assa fétida na Ayurveda

Ferula_assa-foetidaAssa-fética – Ferula asafoetida – Hing ou Heeng – Ferula assa-foetida L.

É leve e penetrante, de sabor picante e azeda. Na Ayurveda, ela é usada para equilibrar o Vata (ar-éter) e o Kapha (terra-água). No século VII, a.C., o Charaka Samhita, um manual de medicina Ayurvédica recomendava esta planta de cheiro fétido contra o inchaço do abdómen e flatulência, situações para as quais ainda hoje se emprega na Índia e no Médio Oriente.

Alguns dos benefícios relatados da assa fétida de acordo com a tradição medicinal Ayurvédica são: Antimicrobiana, Anti-inflamatória, Carminativa, Anti-espasmódica, Combate infecções, como leveduras e infecções respiratórias, Expectorante, Anti-cancerígena, alivia problemas menstruais, como cólicas dolorosas e menstruação irregular, atua como contraceptivo/ abortivo. É adequada em abortos múltiplos. Estimulante do Sistema Nervoso, Anti-epiléptico e antiespasmódica. É útil na tosse, na falta de ar, histeria, cólera, reumatismo, dores de ouvido. Anti-helmíntica (combate vermes parasitas), alivia problemas digestivos, como flatulência, obstipação, indigestão, dores abdominais, distensão abdominal, vómitos. Aumenta a secreção do suco digestivo, e a quantidade de urina. Constitui um antídoto para a overdose de ópio.

Remédios ayurvédicos com assa fétida

Dor de estômago/flatulência/eructação (arroto): Misture uma pitada de assa fétida em água quente e aplique em redor do umbigo. Um ½ g de assa fétida também pode ser consumida com qualquer alimento. Se houver dor devido ao acumulo de ar no estômago, ferva 2 g de assa fétida em 500 mL de água até restarem 125 mL. Beba isso enquanto ainda está quente para o alívio do mal-estar.

Dor nas costelas: Misture assa fétida em água quente e aplique na área da dor.

Dor de cabeça devido a resfriado: Misture assa fétida em água quente e aplique na testa.

Enxaquecas: Misture assa fétida na água e inale para aliviar.

Indigestão: Misture quantidades iguais de assa fétida, sal de rocha, sementes de carambola e noz-moscada ou Terminalia chebula. Moer a mistura num pó fino. Consumir uma colher de chá dessa mistura com água quente três vezes ao dia.

Soluços: Coloque um pedaço de assa fétida igual do tamanho a um grão de millet numa fatia de banana ou açúcar mascavo e consuma-a para aliviar os soluços.

Parasitas em crianças: Misture um pouco de assa fétida na água e aplique esta solução no ânus com uma bola de algodão.

Para combater os efeitos do uso do ópio: Misture 4 gramas de assa fétida em água e beba.

Dores de dente: Mantenha um pequeno pedaço de assa fétida na gengiva sob o dente dorido para alívio da dor.

Urticária: Misture a assa fétida na manteiga clarificada (ghee) e massajeie as áreas afetadas.

Histeria: a Assa fétida pode aliviar a histeria.

Pneumonia: Misture uma pitada de assa fétida em água e beba.

Dores Menstruais: Misture uma pitada de assa fétida no leitelho. Adicione uma colher de chá de feno-grego, sal a gosto e consumir.

Envenenamento: Misture uma pitada de assa fétida na água. Isso induz ao vómito para remover o veneno ingerido.

Constipação: A assa fétida pode ajudar a remover o muco acumulado.

Rouquidão: Misture 1/2 grama de assa fétida em água quente e gargareje.

Coração fraco: A Assa fétida dá força a um coração fraco, impede a coagulação do sangue e melhora a circulação sanguínea.

Calos: Aplique assa fétida diretamente no local afetado.

Diabetes: Misture 1/4 colher de chá de assa fétida em 2 colheres de chá de sumo de abóbora amarga (karela) e consuma. Ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue.

Benefícios para a saúde da assa fétida

assa fétida 1São habitualmente atribuídas à assa fétida propriedades medicinais como anti-coagulante, digestivo, hipotensora. É indicada para bronquite, cólica, constipação, convulsão, dor, espasmo, gases, hipertensão arterial, indigestão, tosse forte, vermes. Existem já alguns estudos realizados no ocidente que comprovam os seus benefícios:

Alívio da Asma: Como um potente estimulante respiratório e expectorante, a assa fétida ajuda a liberar a fleuma e a aliviar a congestão no peito naturalmente. É usado na medicina tradicional para asma, coqueluche e bronquite. O óleo volátil da resina é eliminado através dos pulmões, e é por isso que pode ser um excelente tratamento para a asma e outros problemas relacionados ao pulmão.

Reduz a pressão arterial: A assa fétida é um anticoagulante natural do sangue e pode ajudar a baixar a pressão arterial. Está repleta de cumarina, um composto que ajuda a melhorar o fluxo sanguíneo e a diluir o sangue, impedindo a sua coagulação. Os cientistas conseguiram isolar certos fitoquímicos em espécies de Ferula (a fonte de assa fétida) que têm efeitos cardiovasculares úteis. Pesquisas com animais demonstraram que o extrato de goma assa fétida da Ferula reduz significativamente a pressão arterial média. O extrato de goma parece conter compostos relaxantes que têm um efeito positivo sobre a pressão arterial e a saúde cardiovascular em geral, graças em parte a esses fitonutrientes.

Ajuda a tratar o Síndrome do Cólon Irritável: A SCI geralmente causa alguns dos seguintes sintomas: diarreia e constipação alternadas, gases intestinais, inchaço e cãibras, dor abdominal, evacuações dolorosas, secreção de muco e alimento não digerido nas fezes. A Assa fétida foi estudada e determinou-se ser um remédio homeopático bem-sucedido para aqueles que sofrem de SCI. Um estudo de 14 semanas, duplo-cego, tratou pessoas sofredores de SCI com assa fétida ou placebo. Os resultados mostraram que os indivíduos que tomaram o remédio homeopático de assa fétida melhoraram em maior grau do que aqueles que tomaram o placebo. Além disso, a assa fétida é especificamente recomendada para quem sofre de SCI e que experimenta prisão de ventre alternando com diarreia aquosa, o estômago inchado com muito gás e uma sensação de nó na garganta que é aliviada por engolir e arrotar. Estes sintomas também são tipicamente piores depois de comer e sentar-se, durante a noite e no lado esquerdo, mas são aliviados pela pressão e pelo movimento ao ar livre.

Controle do Açúcar no Sangue: Estudos em animais demonstraram que a assa fétida pode ser uma forma eficaz e natural de ajudar a manter os níveis de açúcar no sangue controlados e a manter o nível normal de açúcar no sangue. Quando o extrato de assa fétida foi administrado a animais diabéticos Numa dose de 50 miligramas por quilo por quatro semanas, os pesquisadores observaram um efeito de diminuição do açúcar no sangue. O estudo concluiu que esse efeito é provavelmente devido à presença de ácidos fenólicos, especificamente ácido ferúlico, e taninos no extracto de assa fétida.

Reduz a Flatulência: A Assa fétida tem sido tradicionalmente usada para expulsar o vento do estômago. Por outras palavras, é um agente antiflatulento que é usada para aliviar e prevenir o excesso de gases intestinais. É comummente combinado com lentilhas e outras leguminosas apenas por este motivo – para reduzir o gás pós-refeição e manter a flatulência sob controle.

Efeitos colaterais e interações potenciais da assa fétida

A assa fétida é considerada segura para a maioria das pessoas quando consumida nas quantidades normalmente encontradas nos alimentos. No entanto, o consumo excessivo pode causar erupções cutâneas, inchaço dos lábios, sensação de ardor no estômago, náuseas, vómitos, diarreia e desconforto ao urinar. As pessoas impetuosas devem evitar consumi-la.

Quando tomado medicinalmente, esta especiaria pode causar dor de cabeça, convulsões e distúrbios sanguíneos. Se usado por longos períodos por mulheres na pré-menopausa, pode causar irregularidades no ciclo menstrual. As mulheres grávidas devem evitar tomar assa fétida porque pode induzir um aborto espontâneo. Também é de evitar durante a amamentação, e por crianças muito pequenas.

Aqueles que sofrem de acidez grave, hemorróidas, hemorragia, epilepsia, problemas no fígado e pressão alta ou outras doenças do sangue devem evitar consumir assa fétida regularmente. Deve-se evitar quando se estiver a tomar medicamentos para a tensão arterial. É possível que a assa fétida retarde a coagulação do sangue, portanto deve-se evitar consumi-la duas semanas antes de qualquer cirurgia programada.

Apesar dos poucos estudos para apoiarem uma evidência clínica, as recomendações de dosagem para a assa-fétida são tradicionalmente de uma dose diária de 200 a 500 miligramas da resina usada para fins medicinais.

Interações

assa fétidaA Assa fétida deve ser evitada se se estiver a tomar anticoagulantes ou medicamentos para a pressão alta. Sabe-se que a assa fétida interage com os anticoagulantes/antiagregantes plaquetários e anti-hipertensivos.

Apesar dos benefícios terapêuticos da Assa fétida é, contudo, recomendável a consulta de um profissional de saúde que adeqúe a sua aplicação.

Pele – Beleza e Longevidade com a Ayurveda

O conceito de beleza no Ayurveda estende-se a todas as dimensões do Ser. A verdadeira beleza nasce da Alma e tem uma dimensão mais vasta e etérica. Aos cuidados com o corpo físico são acrescidos os cuidados com o equilíbrio emocional, mental e espiritual para uma expressão transversal e total do conceito de Beleza. Na dimensão filosófica da Ayurveda a Beleza surge então da relação equilibrada entre o ser humano e o meio ambiente, ampliando para uma consciência ecológica o impacto que todos os cuidados que temos connosco, tornando sagrados os nossos rituais de bem-estar.

Aurveda-for-skin-and-hairA pele é a face exterior do plasma ou rasa dathu em sânscrito, o primeiro dos tecidos do corpo. A saúde do plasma está relacionada com a nossa capacidade digestiva e a qualidade dos alimentos que ingerimos. À semelhança da pele, os cabelos e as unhas são também subprodutos dos nossos tecidos, e a sua beleza depende da sua boa formação, podendo-se determinar a saúde de uma pessoa através do brilho e vigor da sua pele. Neste contexto, todos os cuidados com a pele são também cuidados para a longevidade.

A pele está também relacionada com o sub-dosha de Pitta, o Brajak. Localizado sob a pele, ele regula a temperatura da superfície do corpo, controla as glândulas sudoríferas e ajuda o Vata a dar lustro à pele. Quando equilibrado, o Brajak Pitta proporciona uma pele corada, irradiando alegria e vitalidade.

A Pele e as diferentes Bioenergias

face VPKToda a matéria que vibra no Universo é composta pelos cinco elementos básicos – Éter, Ar, Fogo, Água e Terra – que por sua vez se sintetizam na constituição humana nas três bioenergias básicas (os doshas): Vata (éter, ar), Pitta (fogo e água) e Kapha (Terra e Água). Estas três Bioenergias (Doshas) são muito sensíveis a todas as alterações do meio ambiente, alterando-se em consonância com elas. O nosso corpo (nas suas várias dimensões: físico, emocional, mental, espiritual) é muito atmosférico, reagindo para se reajustar e equilibrar perante as mudanças ao longo do dia, dos meses, dos anos. De forma muito simplificada pode-se afirmar que os desequilíbrios (as doenças) surgem em função da maior ou menor capacidade e flexibilidade que cada corpo tem de se adaptar às alterações do seu meio envolvente.

A terapêutica da Ayurveda procura primeiro compreender a pessoa em todas as suas dimensões, descortinando a sua constituição, e com base nela encontra estratégias que fomentem a resposta natural do corpo em função da sua Bioenergia, e quando isso não acontece, complementa com tratamentos mais profundos as funções do corpo usando a natureza exterior para reequilibrar a natureza interior. Em função da predominância dos elementos básicos a pele de cada Bioenergia apresenta diferentes características:

dryskinNo Vata (Éter e Ar) a pele tende a ser frágil, seca, e com o tempo a falta de hidratação desenvolve mais rapidamente a tendência a escamação, rugas e manchas acinzentadas. É fria ao toque e muitas vezes este tipo de pele é mais propensa a experimentar secura excessiva, podendo apresentar fissuras ou úlceras, descamação e até mesmo eczema em períodos de stress.

PITTA SKINNo Pitta (Água e Fogo) a pele é normalmente oleosa, húmida, clara ou pálida, suave, quente ao toque, com fragilidade capilar, tendência a manchas avermelhadas e mais suscetível a inflamações. Este tipo de pele, quando em desequilíbrio, é mais propenso a erupções cutâneas, dermatites, acne e feridas.

Kapha-SkinNo Kapha (Água e Terra) a pele é espessa, resistente, oleosa e bem lubrificada, pálida, normalmente muito leve e fresca ao toque. A pele do Kapha em desequilíbrio pode apresentar edema, sendo visíveis os poros dilatados, cravos e verrugas.

 

A Pele e Estilo de Vida

Alimentação o que a pele gosta

A água e os alimentos são a principal fonte de nutrição para a pele recomendando-se, por isso, uma alimentação com base na sua Constituição ou Bioenergia (dosha) para prover à pele todos os nutrientes específicos de que necessita para se manter em equilíbrio. A Ayurveda recomenda alimentos frescos e sazonais que respeitem a compatibilidade com o Biótipo e evitem a geração de toxinas alimentares que serão naturalmente excretadas pela pele.

Sono, Exercício e Meditação

Um sono recuperador é uma componente básica para uma pele irradiante, já que as noites mal dormidas ficam claramente estampadas no nosso rosto. Torna-se por isso fundamental criar um Ritual de Sono, que incluam cuidados com a pele. Pode-se usar uma infusão de camomila para limpar a pele do rosto, e prepará-la para o repouso hidratando-a com gel de aloé vera e óleo de coco (ou outro óleo de acordo com a constituição da pessoa).

Praticar uma atividade física tem um enorme impacto sobre a saúde e vitalidade da pele. A transpiração é fundamental para libertar impurezas e toxinas do organismo e que ficam retidas na nossa pele. Desta forma a prática de exercício físico que fomente a transpiração é uma excelente forma de potenciar o suor como mecanismo de eliminação. O Yoga é o exercício habitualmente recomendado pela Ayurveda, enfatizando-se a adequação das posturas (asanas) à constituição de cada pessoa. As técnicas de respiração consciente praticadas no Pranayama são também potenciadoras de equilíbrio, e fomentam no corpo a expressão da pele que respira.

Uma das funções do timo é coadjuvar no nosso crescimento, na nossa imunidade, e no nosso sentido de plenitude e bem-estar. A tendência natural desta glândula é para diminuir de tamanho e reduzir a sua ação. Contudo alguns estudos recentes mostram que a glândula desacelera a sua diminuição nos corpos daqueles que meditam. A vibração, textura e vitalidade da pele irradia também os cuidados que provemos à nossa mente, e aos nossos corpos mais subtis.

Cuidados específicos com a pele

A tendência para a secura torna a pele do Vata especialmente vulnerável a mudanças no clima. A pele Vata deve ser protegida do calor e frio extremos, sobretudo do vento, e cuidada com substâncias mais emolientes para reter a sua humidade e os seus óleos naturais. Devem-se evitar banhos de água muito quente e usar sabonetes com um pH equilibrado, além de beber muita água para que a hidratação ocorra de dentro para fora. Adicionar folhas de hortelã ao banho quente com bastante vapor para abrir os poros e aumentar a circulação. O abacate é rico em antioxidantes, ácidos gordos e vitamina E também é ótimo para a pele Vata. Assim, podemos aplicar o abacate esmagado sobre a pele para a hidratar por 15 a 20 min, e depois lavar a pasta no banho.

A pele do Pitta deve ser mantida fresca e hidratada já que é muito suscetível a erupções cutâneas. Entre os cuidados com a pele Pitta incluem-se evitar substâncias muito oleosas e densas, assim como a exagerada exposição ao sol. A limpeza com água de rosas, uma esfoliação de açúcar e mel e hidratação com óleo de coco são ótimas opções.

A densidade da pele Kapha beneficia de uma limpeza mais frequente com substâncias adstringentes, já que tem tendência à acne. É importante por isso evitar os laticínios na sua dieta, assim como moderar a sua exposição ao sol e ao vento. Esta pele é favorecida por uma boa esfoliação com sal marinho e mel, assim como pela adição de açafrão da índia na alimentação.

Nos cuidados gerais com a pele o primeiro passo é de limpeza e higienização aplicando-se água de rosas. De seguida é aconselhável aplicar um óleo adequado para hidratá-la. Em terceiro lugar é preciso que a pele transpire, para isso pode-se vaporizar a pele com ervas medicinais.

No quotidiano a pele deverá ser nutrida e limpa através da utilização de óleo vegetal, recomendando-se o coco e a grainha de uva para Pitta, as amêndoas doces e mostarda para Kapha, e óleo de sésamo e rícino para Vata. Para as pessoas com uma pele Pitta ou Kapha a nutrição com óleo deverá ocorrer mesmo antes do duche, usufruindo da água quente do duche para abrir os poros permitindo uma penetração mais profunda do óleo. Para a Vata a oleação deverá ocorrer após o duche. Sendo uma pele mais seca necessitará que o óleo permaneça no corpo durante mais tempo.

O quarto passo é esfoliar o rosto. A esfoliação deve ser feita de acordo com cada tipo de pele. Se a pele for do tipo Vata é aconselhável triturar e misturar aveia (cereal exfoliante e nutritivo), lentilha amarela (ou feijão mungdal), amêndoas (fruto seco nutritivo, humedecedor, hidratante e regenerador) e água de rosas. No caso de a pele ser Pitta deve-se triturar e misturar aveia, lentilha amarela, tulsi (planta com propriedades calmantes e de prevenção de doenças da pele) e água de rosas. Se a pele for Kapha, o conselho é triturar e misturar milho, lentilha amarela (ou feijão mungdal), neem (planta antifúngica), mel e água de flor de laranjeira. Quando a pessoa tem manchas na pele pode-se misturar e triturar açafrão e sumo de limão.

Depois de esfoliar é tempo de limpar e tonificar a pele com água de rosas. O sexto passo é só para as peles Vata e Pitta: pode-se aplicar uma máscara nutritiva feita com ghee (manteiga clarificada), banana e manga, ou então uma pasta de arroz cozido e ghee e deixar actuar durante 15 minutos. O sétimo passo prevê a nova aplicação de vários tipos de óleo com propriedades nutritivas e hidratantes de acordo com a bioenergia da pessoa.

Algumas receitas caseiras

Óleo de coco para hidratar a pele diariamente: utilize óleo de coco para hidratar o rosto. Além de causar uma sensação refrescante ele é leve, resultando numa pele hidratada, mas sem excessos. Aplique-o em pequenas quantidades, espalhando por toda a face. Deixe-o agir por alguns minutos e retire-o lavando o rosto.

Esfoliação com açúcar mascavado: este processo ajuda na renovação celular e na retenção da humidade natural da pele, deixando-a com uma aparência mais hidratada. Se desejar, misture com pétalas de rosas ou mesmo com o seu creme favorito.

Leite integral para acalmar e limpar o rosto: utilizando algodão, aplique leite integral por toda a sua face. O leite ajuda a remover impurezas impercetíveis a olho nu, garantindo brilho à sua pele.

Óleo de neem para acalmar pele irritada ou inflamada: utilize hastes flexíveis para aplicar o óleo na região inflamada ou irritada, deixando-o agir durante a noite. Além disso, é uma ótima opção como secativo de borbulhas e outros tipos de erupção cutânea.

Aloé Vera para tonificar a pele diariamente: muito utilizada para queimaduras solares, a Aloé Vera é um ótimo recurso para garantir tonicidade à pele. Ele amacia e rejuvenesce a pele.

turmericAçafrão-da-terra + sândalo contra acne: prepare uma pasta com 1 colher de açafrão-da-índia e 1 colher de sândalo adicionando água. Aplique em todo o rosto e deixe-a agir por 15 a 20 minutos. Passado este tempo, lave o rosto com água morna. Repita este procedimento diariamente para conseguir um bom controle da acne.

Batatas para diminuir manchas do rosto: ótimo clareador natural, a batata é considerada um dos melhores remédios ayurvédicos para uma pele com brilho natural. Basta esfregar gentilmente uma fatia de batata crua nos locais com manchas e hiperpigmentação.

Mel para hidratar a pele e evitar rugas: excelente humectante natural, o mel pode ajudar a conquistar uma pele mais macia e hidratada, além de ser muito útil para evitar rugas e tratar áreas de secura extrema. Basta aplicá-lo à região desejada, deixar agir por alguns minutos e retirá-lo com o auxílio de água morna e sabonete.

 

É importante lembrar, que segundo a Ayurveda, o corpo leva de 3 a 5 anos para se adaptar a mudanças de hábitos e a alterações climáticas. Por esse motivo sugere-se que as transições de estilo de vida sejam realizadas de forma suave e gradual, para potenciar os lentos processos de desintoxicação, entre mudanças, fomentado os sistemas naturais de purificação e saúde de forma consciente. Uma alimentação saudável aliada a um estilo de vida adequado resultará em beleza e longevidade em todo o corpo.