TRIPHALA: A BÊNÇÃO AYURVÉDICA PARA O METABOLISMO

Existem poucas ervas na Ayurveda que incluem todos os cinco sabores diferentes (doce, ácido, salgado, amargo e picante). Quanto mais concentrado o sabor, mais ampla e eficaz é a fórmula para equilibrar os três doshas.

A Triphala, como o nome sugere, é uma combinação de três frutos (Tri significa três e Phala significa fruta).  A fruta é a essência da própria árvore. Esses três frutos têm propriedades curativas diferentes, em parte devido aos seus cinco sabores diferentes. A Triphala  também é conhecida pelos nomes de Phalatrik ou Vara, significa “bênção”, e  Sreshtha, que significa “o melhor”. Triphala é uma bênção na sua verdadeira essência, porque acredita-se que a Triphala cuida dos órgãos internos da mesma forma que uma mãe cuida dos seus filhos.

Na fórmula da Triphala, os frutos Haritaki, Amalaki e Bibhitaki são misturados em quantidades iguais. A Bibhitaki é boa para o Kapha, a Amalaki é boa para o Pitta, e o Haritaki é boa para o Vata. Quando estas três frutas se combinam, a fórmula torna-se um maravilhoso Rasayana, que rejuvenesce o corpo todo.  A Triphala é tridóshica já que pacifica o Kapha, o Pitta, e parcialmente o Vata. Existem poucas ervas na Ayurveda que incluem todos os cinco sabores diferentes (doce, ácido, salgado, amargo e picante). Quanto mais concentrado o sabor, mais ampla e eficaz é a fórmula para equilibrar os três doshas.

O Vata, Pitta e Kapha são as três bioenergias (ou doshas),  ayurvédicos, ou seja, constituem os princípios fundamentais da fisiologia ayurvédica. Quando as bioenergias estão em equilíbrio, usufruímos de boa saúde. Quando eles estão fora de equilíbrio, nós experimentamos a doença. A Triphala é uma fórmula ayurvédica que resolve muitos dos desequilíbrios das três bioenergias.

As frutas

A Amalaki é benéfica para o coração, a Haritaki beneficia o fígado, e a Bibhitaki é boa para os pulmões. Juntas, as três frutas agem como boas amigas, trazendo ao de cima o melhor de cada uma. O efeito sinérgico é  o conceito base da farmacologia ayurvédica. A sinergia permite potencializar ou aumentar o efeito da erva, ou neste caso, da fruta. A Triphala trabalha assim em todas as partes do corpo, desde o cérebro, os rins, o baço, e  tudo o resto, ligando todos os pontos. Embora a maioria dos suplementos de triphala incluam partes iguais de haritaki, bibhitaki e amalaki, também existem outro tipo de formulações com diferentes combinações destas três frutas para tratar diferentes condições de saúde, como a inflamação, problemas oculares, e outros, e o seu benefício pode ser incrementado através do condutor que é utilizado para a sua toma, seja ele o soro de leite, a água quente, o ghee ou o mel.

Com a utilização destas frutas vai-se tornando claro que elas são por si só bastante inteligentes. E quando se utilizam ervas que são inteligentes, observamos que elas sabem exatamente o que fazer, e aonde ir em qualquer fisiologia, e qualquer sistema. Por isso mesmo, a Triphala é também conhecida como uma formulação adaptogénica, sendo capaz de ajudar o organismo a calibrar-se e equilibrar-se, tornando-o capaz de se ajustar perante as diferentes necessidades do corpo, e os diferentes desafios da vida quotidiana.

A Amalaki (Emblica officinalis) é considerada o fruto da imortalidade. A Amalaki é amrita, o néctar vital ou essência do universo. A Amalaki é constituída por centenas de fitonutrientes diferentes, sendo também um dos principais ingredientes de uma maravilhosa fórmula ayurvédica, o Chyanwanprash. O Chyanwanprash é um potente tónico rasayana e antioxidante, com propriedades que previnem o envelhecimento e promovem a eliminação de radicais livres. É uma forma estável de vitamina C, rica em taninos que têm benefícios antioxidantes.

Regula o jatharagni ou fogo metabólico sem afetar o sistema digestivo, onde a maioria dos antiácidos suprime o apetite, o que afeta a digestão. Ajuda na recuperação de úlceras, hiperacidez, inflamação e sensação de ardor. A Amalaki e é uma das melhores ervas para reduzir a raiva. É muito boa no tratamento da diabetes, tendências para hemorragias, e hemorragia indesejada pelo nariz, reto ou em casos de   hemorragia menstrual intensa. Ela regula o sistema imunológico, e é imunomodeladora. É considerada excelente para construir sangue e melhorar a qualidade dos vasos sanguíneos, e a natureza dos glóbulos vermelhos. Melhora a vitalidade sexual.

A Haritaki (Terminalia chebula) é uma fruta muito interessante. Há mais volumes escritos sobre haritaki e amalaki, embora amalaki seja uma rasayana mais reverenciada. No entanto, haritaki é uma rasayana ainda mais poderosa que a amalaki de várias formas. O outro nome para haritaki é ‘abhaya’, que significa destemido. Dissipa o medo da morte, da morte, das doenças, e traz clareza. Encontram-se imagens do Buda da Medicina a meditar com a haritaki nas suas mãos. A Haritaki tem uma qualidade maternal amorosa e carinhosa. Embora tenha uma potência de aquecimento, é uma rasayana versátil. É boa para a limpeza, a desintoxicação e o rejuvenescimento.

A Bibhitaki (Terminalia belerica) é a terceira fruta da fórmula. Tem uma boa ação de raspagem ou qualidade de lekhana. Actua sobre qualquer crescimento indesejado, tumor, peso e gordura. A Bibhitaki é   adequada para todos os problemas relacionados com o Kapha – tosse, muco, congestão, ganho de peso, peso, excesso de gordura, sensação de muito frio, e libertação de parasitas.

Benefícios da Triphala

A Triphala tem um efeito sáttvico ou purificador e esclarecedor sobre a mente, beneficiando também a saúde física, emocional e espiritual da pessoa, aliviando a depressão e a ansiedade, e sendo também uma excelente erva para aliviar sentimentos de raiva.

O primeiro grande benefício da triphala é a prevenção do envelhecimento. Tem sido demonstrado que prolonga as enzimas teloméricas.  Os telómeros são enzimas que estão na extremidade plana do ADN, e que impedem que ele se desfaça. Quando o telómero está mais longo, é um sinal de que se vai regenerando, e quando  fica mais curto, é um sinal de envelhecimento prematuro. Foi estudado e publicado que a Triphala alonga a telomerase. Ao nível do ADN, tem um efeito de regulação e modulação génica, regulando os genes que são bons, e tendo uma ação vigilante sobre os genes que são prejudiciais ao corpo, revelando assim a sua inteligente propriedade adaptogénica.

Uma pesquisa sobre a Triphala demonstra também a sua atividade anti-cancerígena, devido à sua atividade antioxidante, libertadora de radicais livres, e pela sua atividade anti-mutagénica, que previne e reduz o cancro.

As três frutas juntas são analgésicas e potencializam o redução da dor e os bloqueios indesejados no sistema. Regulam a pressão sanguínea e melhora a função hepática. A combinação de triphala e especialmente amalaki, é um ótimo tónico para o fígado, melhorando as vias de desintoxicação tanto do fígado como da vesícula biliar. Regula o açúcar no sangue e a secreção de insulina, por isso também é benéfico para o pâncreas, prevenindo e regulando a resistência à insulina.

A Triphala é benéfica para a digestão e eliminação. Ela atua como um tónico laxativo e digestivo, e fornece uma fonte de antioxidantes e vitamina C. É naturalmente antibacteriana, por isso elimina as infecções e regula o sistema imunológico, agindo como prevenção. A Triphala é usado externamente na cicatrização de feridas e também está disponível em pó ou creme.

O óleo de Triphala é usado para o crescimento do cabelo, tanto em fórmulas de lavagem do cabelo,  em óleo, com ghee medicado, em pasta para os olhos e como uma mistura para extração de óleo. Pode ser usada numa grande diversidade de formatos diferentes – cremes, loções, pós em pó, enemas. É muito versátil porque é absorvida de forma fácil e segura, e tem benefícios medicinais em todos os formatos.

Como e quando tomar Triphala

As frutas que constituem a Triphala dificilmente são frutas comestíveis como as uvas ou as mangas. São frutas muito amargas e adstringentes plenas de taninos. Como tal, a Triphala é habitualmente tomada em pó, denominado de Triphala Churna. Segundo a Ayurveda, a acção e benefício dos alimentos e ervas são descodificados pelo seu paladar, usando como órgão de reconhecimento a língua. Quando a toma é feita com cápsulas ou comprimidos, o sabor da fórmula fica oculto do paladar, inibindo de certa forma o correto reconhecimento da erva, e como consequência, a sua plena absorção e efeito.

Para processos de libertação e eliminação, pode ser tomada à noite, resultando num suave efeito laxante ou de limpeza pela manhã. A toma à noite é também recomendada para benefício dos pulmões e do sistema respiratório, já que liberta o acumulo de muco de manhã. Este é também o melhor momento para a toma da triphala quando a intenção é estabelecer ou estabilizar a flora intestinal, permitindo que o corpo possa digerir e absorver adequadamente os nutrientes, criar movimentos intestinais bem formados, e excreções de boa aparência.

Quando o intuito é accionar a regulação dos níveis de açúcar no sangue, ou como um rasayana, é mais recomendável durante o dia. Idealmente, a triphala deve ser tomada logo de manhã, num momento à parte da refeição, potencializando o seu efeito na queima de gordura indesejada e perda peso. A Triphala administrada com açafrão da índia é especialmente eficaz na redução dos níveis de açúcar no sangue, sendo também um dos melhores agentes redutores do colesterol, e reguladora dos níveis lipídicos.

Os efeitos secundários da Triphala

A Triphala foi formulada de modo a ter efeitos secundários mínimos. Contudo, em alguns organismos mais sensíveis, ela pode secar o corpo, recomendando-se nesse caso a ingestão de mais água. As mulheres grávidas devem evitar tomar Triphala, pois tem uma energia que flui para baixo (Vata), que pode estimular um aborto espontâneo. Aqueles que tomem medicamentos para diluir o sangue devem usar Triphala com cautela.

Algumas pessoas experimentam um aumento em distúrbios intestinais, inchaço e flatulência como um efeito colateral de tomar triphala, embora isso seja geralmente apenas um efeito temporário. A maioria das pessoas relata menos problemas estomacais e gases após algumas semanas de uso, como consequência do efeito de limpeza da Triphala.

Algumas pessoas podem de vez em quando experimentar os sintomas de refluxo esofágico ao tomar Triphala, contudo isso deve-se simplesmente à sua inadequada administração. Todas as recomendações acima mencionadas devem ser adequadas à constituição particular da pessoa, pelo que deve ser consultado um médico ou terapeuta ayurvédico antes da sua utilização.

ALERGIAS E AYURVEDA: PARA UMA PRIMAVERA MAIS CALMA

As alergias tornaram-se cada vez mais comuns. Fisicamente são desequilíbrios que podem surgir subitamente, variando a sua resposta entre uma sensação ligeiramente desconfortável e uma reação que pode ser fatal. Embora as reações alérgicas geralmente ocorram repentina e agudamente, a ayurveda ajuda a revelar a forma como a tendência para uma reação se agrava no corpo. Conheça ainda ervas para o tratamento de alergias.

A alergia e a mente

Na mente, a alergia revela uma forma de defesa do corpo quando se confronta com algo externo que se assume como ameaçador (quando na verdade, é muitas vezes algo inócuo). Na sua mente a pessoa sente-se de alguma forma agredida, construindo por isso uma couraça protetora. A origem da alergia pode ter sido marcada por um acontecimento emocional significativo em que interiormente a pessoa associou uma substância inofensiva a uma situação emocionalmente dolorosa. A pessoa alérgica é convidada a aprender a confiar na vida, e a libertar-se dos seus receios e debilidades para desbloquear a sua alergia.

A alergia na ayurveda

A manifestação alérgica é mencionada sob o conceito de Saatmyaasatmya na Ayurveda. Satmya são as substâncias que o organismo tolera e as quais está habituado a assimilar devido a um consumo regular. Estas substâncias trazem conforto, ao mesmo tempo que mantêm a saúde dos tecidos, e tornam o anormal em normal; satmya são os chamados bons alimentos. Asâtmya são substâncias não toleradas pelo organismo, e que geram hipersensibilidade, reacções tóxicas e alérgicas quando tomadas em determinadas quantidades. Após a ingestão de alimentos não tolerados tornam-se visíveis sintomas de doença no organismo. Alguns alimentos como o sal, as pimentas e medicamentos não são tolerados pelo organismo em grandes quantidades, e não é possível ganhar habituação aos mesmos, mesmo com o uso prolongado. É conveniente evitar-se o uso excessivo dessas substâncias.

Uma alergia pode acontecer devido a um desequilíbrio inerente do dosha causado por fatores internos e externos. Internamente, alergias manifestam-se devido à exposição a Asaatmya ahara-vihara. Isso significa aquilo que é incompatível com um indivíduo em particular. Eles também podem resultar de virudha ahar (alimentos incompatíveis consumidos simultaneamente), ama (toxinas alimentares formadas devido à digestão incompleta) e vihar (um estilo de vida pouco saudável). Externamente, o contato com diferentes materiais tóxicos ou alérgenos pode causar reações na forma de alergias.

Como resultado desses fatores causais, o Kapha e o Pitta, juntamente com o rasa, que é o plasma e outros sistemas de fluidos inter e intracelulares, incluindo a linfa e o rakta (tecido sanguíneo), podem ficar desequilibrados.

As três bioenergias e as alergias

Se o Vata também estiver aumentado a reação alérgica é aguda devido aos fatores acima mencionados, como no caso de rinite alérgica, asma e anafilaxia (reação alérgica extrema). A manifestação também pode incluir sintomas de constrição, como o chiado, que é devido ao estreitamento da árvore brônquica ou dor de cabeça, bem como espirros, zumbidos nos ouvidos, uma queda na pressão arterial e outros desconfortos do tipo Vata.

As alergias agravadas com Pitta geralmente ocorrem quando as qualidades quentes e afiadas de um alérgeno entram em contato com a pele e, posteriormente, entram na corrente sanguínea. Por conseguinte, as alergias predominantes em Pitta são frequentemente reações à pele tais como urticária, erupção cutânea, comichão, dermatite alérgica, eczema e podem também envolver olhos vermelhos. No trato gastrointestinal, as alergias a Pitta podem causar azia, indigestão ácida, dores de estômago, náuseas ou vómitos. Os sintomas de reações alérgicas na pele são mencionados como Sheetapitta-Udarda-Kotha, marcado por erupções cutâneas.

As alergias do tipo Kapha são as mais prováveis de serem exacerbadas durante a primavera, devido ao ataque de alérgenos à base de pólen. Os sintomas da alergia Kapha incluem irritação das membranas mucosas, febre dos fenos, erupções pruriginosas, tosse, sinusite, retenção de frio e água. Estes tipos de alergias podem ser agudos se acompanhados com o Vata, ou podem ser uma reação latente do corpo aos alérgenos.

Tratamentos caseiros para a alergia

Existem muitos remédios caseiros, naturais e à base de plantas para a pele, nariz, olhos e outras partes do corpo:

  • Água quente gargarejada com sal.
  • Para os olhos inflamados, usar uma mistura de cal, malvas e infusão de camomila.
  • Marmelo, Mel e Gengibre mostram um bom impacto na garganta.
  • A irritação dos olhos pode ser reduzida com uma lavagem com água fria.
  • Mantenha-se longe de alérgenos.
  • Um banho quente é eficaz para afastar alérgenos.
  • Use óculos de sol para proteger os olhos do pólen, ácaros e poeira.
  • Os ácaros da poeira favorecem locais húmidos que podem desencadear uma alergia.
  • Para um nariz congestionado e inflamatório, o uso de uma infusão de hortelã-pimenta pode ajudar.
  • Uma pasta de sândalo com sumo de limão, pode ajudar as áreas afetadas da pele.
  • Sumo de cenoura, ou uma combinação de sumo de cenoura com sumos de beterraba e pepino pode ajudar.
  • Espremer meio limão num copo de água morna e adoçar com uma colher de chá de mel. Para além de libertar o corpo de toxinas, também atua como um agente anti-alérgico.
  • Tome 5 gotas de óleo de rícino em meia chávena de qualquer sumo de frutas ou vegetais, ou tome água pura com o estômago vazio pela manhã. Ou misture uma parte de curcuma e duas partes de pó Amla. Guarde num frasco de vidro. Tomar uma pequena colher de chá duas vezes por dia com água.

Ervas para tratamento de alergias em ayurveda

De acordo com os textos ayurvédicos, a dravya (substância) que as ervas que atuam contra as substâncias tóxicas são chamadas Vishghna (anti-tóxico). Estas ervas foram descritas para o manejo de diferentes doenças causadas por vish (toxinas), como alergias. Elas têm um papel muito bom em distúrbios alérgicos e são capazes de quebrar a patogénese da anurjata (alergia).

  1. Curcuma (Curcuma Longa)

A curcumina tem supostamente efeitos antialérgicos e pode inibir a libertação de histamina dos mastócitos. Esses resultados comprovam que a curcumina é útil no tratamento de doenças alérgicas e inflamatórias relacionadas com a histamina ou mastócitos.

  1. Manjistha (Rubia Cordifolia)

Os extratos de Rubia cordifolia reduziram as reações anafiláticas em ratos alérgicos ao amendoim, sugerindo um potencial como tratamento alergénico. Antioxidante, antibacteriano, anti-cancerígeno, anti-inflamatório, anti-tumoral, antiviral, hemostático, atividade peroxidativa anti-lipídica e atividades hipoglicémicas foram encontradas também.

  1. Cardamomo (Shookshma Elaa, Elettaria Cardamomum)

Um estudo mostra que há atividade anti-inflamatória do óleo extraído de sementes comerciais de cardamomo. Além disso, possui atividade analgésica e antiespasmódica.

  1. Sândalo (Chandan, álbum de Santalum)

O óleo de sândalo branco possui um agente anti-inflamatório, antimicrobiano e antiproliferativo. O óleo de sândalo branco também se mostrou promissor em ensaios clínicos para o tratamento da acne, psoríase, eczema e verrugas comuns.

  1. Chá verde e infusão de camomila

Ambos contêm anti-histamínicos naturais e podem ajudar a equilibrar o sistema imunológico. O chá verde é embalado com um poderoso antioxidante reduzindo os sintomas de alergia.

  1. Mel de pólen de bétula

Ingerir um pouco de mel cru todos os dias ajuda a controlar as alergias sazonais, e a construir uma tolerância ao pólen local que atrapalha os sinus. Esta ingestão pode ser feita como prevenção.

Tratamento das alergias com formulações ayurvédicas clássicas

Trikatu

O Trikatu é uma fórmula ayurvédica tradicional que contém três ervas: pimenta preta, pimenta longa e gengibre. Esta combinação é conhecida pela sua capacidade de estimular o agni, digerir a ama (toxinas alimentares), apoiar a respiração clara, rejuvenescer os pulmões, equilibrar a produção de muco, limpar a mente e apoiar o metabolismo adequado. Esta fórmula é tradicionalmente misturada em mel cru para formar uma pasta. Por ser bastante quente, o Trikatu não é recomendado quando o Pitta está alto, e em geral não é apropriado durante a gravidez.

Haridrakhand

O Haridrakhand é uma fórmula ayurvédica tradicional cujo ingrediente principal é o açafrão-da-índia (Haridra). Esta fórmula também contém pimenta, cardamomo e groselha indiana (Ashwagandha). De acordo com o Bhaisajya Ratnavali, a principal indicação de Haridrakhand é comichão e as erupções cutâneas ou manchas vermelhas. Pode ser útil em todos os tipos de desordens da pele caracterizadas pelos seguintes sintomas: urticária, inflamação, pequenas inchações na pele, vazamento de líquido da pele, comichão, mau cheiro da pele devido a qualquer doença subjacente e pele inchada. É usado em várias doenças da pele, como comichão, infestação de vermes e pode ser útil em alergias de pele. Isto torna a pele radiante. O Haridrakhand pode ser usado independentemente da dominância do Dosha.

Sitopaladi Churna

O Sitopaladi churna é uma popular formulação ayurvédica poli-herbácea usada em alergias e doenças respiratórias. Um estudo justificou o uso clássico da sua reivindicação anti-alérgica, realizando a atividade estabilizadora de mastócitos. Pode ser usado em distúrbios alérgicos.

Outras ervas para tratamento de alergias

Urtiga (Urtica dioica)

A Urtiga tem qualidades anti-inflamatórias que afetam uma série de receptores-chave e enzimas em reações alérgicas, prevenindo os sintomas da febre do feno se tomadas quando aparecem pela primeira vez. As folhas da planta contêm histamina, o que pode parecer contraproducente no tratamento da alergia.

Ashwagandha (Withania somnifera)

Esta erva é muito popular na redução da inflamação de todos os tipos, incluindo alergias. Segundo o fitoterápico moderno, Ashwagandha contém withaferin e withanolides, que são esteróides naturais e estabilizam reações alérgicas.

Óleo de menta

Inalar o óleo de hortelã-pimenta difundido pode muitas vezes desentupir os seios nasais e oferecer alívio à garganta arranhada. A hortelã pimenta atua como expectorante e proporciona alívio para alergias, constipações, tosse, sinusite, asma e bronquite. Tem o poder de libertar a fleuma e reduzir a inflamação – uma das principais causas de reações alérgicas. Tem efeitos anti-inflamatórios reduzindo os sintomas de distúrbios inflamatórios crónicos, como a rinite alérgica e asma brônquica.

Coentros

Vários estudos mostraram que o coentro tem fortes propriedades anti-histamínicas que podem reduzir os efeitos desconfortáveis das alergias sazonais e da febre do feno (rinite). O seu óleo também pode ser usado para reduzir as reações alérgicas causadas pelo contato com plantas, insetos, alimentos e outras substâncias. Internamente, pode evitar anafilaxia, urticária e o inchaço perigoso da garganta e das glândulas.

Alho

O alho é um alimento anti-histamínico que tem a capacidade de ajudar a aliviar e tratar os sintomas de alergia, como dificuldade para respirar, o nariz entupido, espirros e olhos lacrimejantes. O alho é um dos melhores descongestionantes naturais que ajuda a aliviar a pressão dos sinus devido ao forte aroma que tem. Também ajuda a aliviar tosse no peito, urticária, erupções cutâneas, comichão na pele e olhos inchados. As quantidades elevadas de antioxidantes e óleos essenciais do alho são o que ajuda a impulsionar o sistema imunitário durante as crises de alergia, por isso é capaz de combater a histamina, reduzindo a gravidade dos sintomas da alergia.

Probióticos

Os probióticos são as “boas bactérias” benéficas que vivem dentro do intestino e ajudam na defesa contra infecções, vírus, alergias e muito mais.

Todas estas sugestões devem ser seguidas apenas quando recomendadas diretamente por um praticante ayurvédico qualificado.

AYURVEDA E O FEMININO: O RITMO DOS CICLOS MENSTRUAIS

Em várias línguas as palavras menstruação e lua são as mesmas ou estão associadas. A palavra menstruação significa “mudança da lua” e “mens” é lua. Alguns camponeses alemães chamam o período menstrual de “a lua”. Em França é chamado de “le moment de la luna”.

A lua e a menstruação

A lua foi sempre considerada o marcador de tempo natural das mudanças periódicas que ocorriam em todos os reinos, era ela também que assinalava todas as etapas e padrões do eterno ciclo da vida e da morte. A sua misteriosa luz prateada apontava o momento certo para o plantio, para a colheita, para o acasalamento e para as mudanças climáticas. Os antigos gregos representavam-na como um cálice vazio que se enchia e esvaziava lentamente, representando as alterações cíclicas das emoções, reações e necessidades humanas.

A cada 28 dias a lua completa o seu ciclo de crescente a minguante. A Lua Nova marca a primeira iluminação e um fiapo fica visível no céu noturno. A Lua cresce então até o primeiro quarto, quando se pode visualizar a metade do seu disco. Continua a crescer e completa-se até atingir a Lua Cheia. Neste ponto, começa a diminuir de tamanho até o terceiro quarto, quando novamente só se vê a metade do disco e continua assim até que fique invisível. A quinta fase, a Lua Nova, dura três noites, e este é o mais poderoso de todos os ciclos da Lua.

A lua, com o seu ciclo de nascimento, crescimento e morte, é um lembrete poderoso, todos os meses, da natureza dos ciclos. Em épocas remotas, os ciclos menstruais das mulheres eram perfeitamente alinhados com os da lua. A mulher ovulava na Lua Cheia e menstruava na Lua Nova. A Lua Cheia era o ápice do ciclo da criação, era quando o óvulo era libertado. Nos 14 dias que antecedem esta liberação, as energias da criação reúnem tudo que é necessário para constituir o óvulo. Quando passava a Lua Cheia e o óvulo ficava por fertilizar, tornava-se maduro demais e decompunha-se, derramando-se no fluxo natural de sangue na Lua Nova. Quando a mulher vive em perfeita harmonia com a Terra, ela só sangra nos três dias da Lua Nova. Quando a Lua Nova emerge, o seu fluxo naturalmente deve cessar e o ciclo da criação é reiniciado dentro dela.

VEJA TAMBÉM: RITMOS DO CORPO: 12 INSPIRAÇÕES PARA UM DESPERTAR AYURVÉDICO

Em várias línguas as palavras menstruação e lua são as mesmas ou estão associadas. A palavra menstruação significa “mudança da lua” e “mens” é lua. Alguns camponeses alemães chamam o período menstrual de “a lua”. Em França é chamado de “le moment de la luna”.

Alguns índios norte-americanos consideravam a lua uma mulher, a primeira mulher e, no seu quarto minguante, ela ficava “doente”, palavra que definiam como menstruação. Os camponeses europeus acreditavam que a lua menstruava e que estava “adoentada” no período minguante, sendo que a chuva vermelha que o folclore afirma cair do céu era o “sangue da lua”.

Entre muitos povos em todas as partes do mundo as mulheres eram consideradas “tabu” (sagradas) durante o período da menstruação. Este período, para algumas tribos indígenas, era considerado um estado tão peculiar que a mulher deveria recolher-se à uma “tenda menstrual” escura – a Tenda Vermelha, pois a luz da Lua não deveria recair sobre ela. O isolamento mensal da mulher tinha o mesmo significado que os ritos de puberdade dos homens. Durante este curto espaço de tempo de solidão forçada, as mulheres mantinham um contato mais íntimo com as forças instintivas dentro de si.

Por vários motivos as mulheres acabaram impondo a si mesmas uma abstinência, muito embora, tanto nelas como nos animais, o período de maior desejo sexual é imediatamente anterior ou posterior à menstruação. Na Índia, acredita-se ainda hoje que a Deusa-Mãe menstrua. Durante essa época, as estátuas da deusa são afastadas e panos manchados de sangue são considerados como “remédio” para a maior parte das doenças.

Os antigos referem o pó da mãe lua como criadora de toda a substância da vida, sendo considerada a fonte cósmica. Definindo assim o ciclo da lua todos os ritmos, desejos, possibilidades na Terra, influenciando em grande escala também os biorritmos de uma mulher. Esta tem grande influência sobre o seu corpo, mente e espírito. O seu óvulo tem a designação de “artava”, nome o qual originário de “rtu” – estação. “Rtu” está relaciona o ritmo da vida com a dança e do culto do ritual de estações, principalmente a lunar. Com isto, quer dizer-se que a lua está associada à menstruação, corresponde como que a uma época de renascimento onde as mulheres se reuniam e faziam cultos para oferecerem o seu material gerador de vida à Terra.

As fases da lua

A Lua Crescente está associada à fase proliferativa e a minguante à fase lútea, de limpeza. A Lua Cheia fomenta por isso o embelezamento, a abundância, a fertilidade e corresponde ao resultado da transformação e purificação do sangue. As diferentes hormonas associadas a diferentes “estágios” do ciclo menstrual conferem à mulher uma grande oportunidade de aprofundamento e conexão consigo mesma.  Na nossa sociedade atual, o uso de pílulas anticoncecionais fez com que a mulher deixasse de incorporar e compreender este ciclo de criação e destruição dentro de si, desligando-se assim do tremendo poder de limpeza e regeneração da menstruação, e ficando vulnerável a um leque variado de desequilíbrios que comprometem a sua feminilidade.

O período entre o final da lua crescente e o início da lua cheia está relacionado com a ovulação – os níveis da progesterona elevam-se, sendo segregada pelo corpus luteum, que prepara o endométrio para a implantação e os seios para a secreção de leite. Nesta fase, o Pitta movimenta os instintos reprodutivos femininos, e o odor corporal muda, os cabelos e os olhos da mulher tornam-se mais brilhantes e sedutores, a líbido aumenta tornando a mulher mais atraente para o sexo oposto. Esta é uma fase criativa, que vai para além do poder da conceção, fomentando a expressão de ideias, a exuberância na comunicação e segurança interior na mulher.

Logo após a lua cheia e até ao início da lua minguante, o Kapha faz-se presente com mais intensidade – nesta fase a mulher sente-se inchada, os líquidos são mais facilmente retidos, tende a ser mais carente e pode surgir a necessidade do sabor doce. Na fase da lua minguante a energia é descendente (“move-se para baixo”) – governada pelo apana ayu – na qual a luz da Lua deixa de ser captada pela Terra. Nesta fase (contrária à anterior) os líquidos já são mais facilmente drenados e resguarda-se assim a energia feminina para um novo ciclo. Vata rege o período menstrual – o qual é responsável por devolver o sangue à mãe Terra. Esta fase do ciclo menstrual na mulher corresponde a um momento de introspeção, a um momento em que esta deve apostar no seu recolhimento e máxima concentração no seu poder.

A Medicina Ayurveda sustenta que durante a menstruação a mulher tende a perder muita energia, pelo que as suas atividades nesta fase devem ser menos intensas, devem ser evitados certas asanas – sobretudo as posturas invertidas -, e atividade sexual deve ser pausada. Após a lua nova, e após o período menstrual, as três bioenergias recuperam o seu equilíbrio e preparam o corpo para um novo ciclo. O Kapha volta tornar-se mais ativo para fomentar reconstruir o endométrio, período que é acompanhado pelo aumento do estrogénio.

Menstruação saudável

Uma menstruação equilibrada tem em média a duração de 3-4 dias, com fluxo moderado, cor moderada, sem a formação de coágulos e sem desconforto. Quando surge qualquer tipo de perturbação, os humores requerem atenção e equilíbrio. Quando a energia descendente (apana vayu) se encontra bloqueada surgem todos os tipos de flutuações de dor, inchaço, secura, ansiedade, insónia, períodos escassos, ciclo irregular, coágulos e infertilidade. A estratégia é em primeiro limpar as obstruções e depois tonificar com um reforço de ervas nutritivas.

A menstruação é para o corpo da mulher a oportunidade que a vida oferece para limpar e regenerar a sua energia, fortalecendo o seu sistema imunitário, e libertando do seu corpo toxinas, e também as memórias energéticas e físicas resultantes da sua atividade sexual. A menstruação torna a mulher ‘climatérica’, suscetível a mudanças de ‘hora a hora’, e de dia a dia, volúvel aos humores da lua. Na Ayurveda, a menstruação e as substâncias nela contida denominam-se “astava”, enfatizando o facto da fisiologia feminina ser particularmente sensível à mudança das estações, e à necessidade de adaptação a que incorremos com elas.

A primeira fase do ciclo menstrual é marcada pelo aumento do Kapha, a fase folicular, onde no organismo a produção de folículos pelos ovários é estimulada, na qual ocorrerá a ovulação – pico máximo de estrogénio. Nesta fase o corpo “oferece” assim ao útero uma grande disponibilidade de nutrientes, preparando-o assim para uma possível gravidez. Posterior à ovulação ocorre assim um predomínio da hormona progesterona – que possui características mais Pitta, corresponde a uma fase secretória que compreende o período entre a ovulação até à menstruação seguinte, predominando assim o Pitta no corpo feminino no período pré-menstrual. Durante a menstruação há um predomínio de Vata, que é responsável pelos transportes do corpo, pelo movimento – sendo este o dosha que rege o fluxo menstrual e assim o transporte de sangue para fora do corpo feminino.

Ciclos menstruais em mulheres Vata, Pitta e Kapha

Vata é conhecido por ser a bioenergia aliada ao movimento e à instabilidade, como tal, o ciclo da mulher do tipo Vata tende a ser irregular. O fluxo tende a ser mais seco, escasso, fluído, fino, espumoso, escuro, muitas das vezes acompanhado por coágulos, e também de cólicas menstruais. A zona do abdómen fica rígida e tensa, podendo no início ou antes do fluxo ocorrer a prisão de ventre, e à dor (espasmódica, aguda, cãibras frequentemente na região lombar e abdómen inferior) e com emoções de nervosismo, alterações de humor, falta de concentração e memória e medo. A ansiedade, a insónia e um sono irregular são também comuns.

A prática de um estilo de vida agitado, inconstante, com excesso de movimento (excesso de exercício) produz o aumento do Vata, mesmo em mulheres com outras constituições, podendo levar ao emagrecimento, à amenorreia e à infertilidade, para além de aumentar a tendência para os padecimentos menstruais.

A tendência natural das mulheres de tipo Pitta é para terem ciclos regulares ligeiramente inferiores a um mês. O fluxo é quente, abundante e prolongado, de coloração vermelha viva e brilhante, podendo também ganhar um tom mais escuro, azulado ou amarelado, e um odor carnoso ou até mesmo fétido. Antecedendo a menstruação podem padecer de uma dor de cabeça que diminui com o início do sangramento, e que vêm aliadas à irritabilidade típica do Pitta. Podem padecer de cólicas de meia intensidade, acompanhadas de sensações de calor, ardor, náuseas, vómitos e raiva.  O intestino tende a funcionar mais e produzir fezes mais soltas um pouco antes e durante a menstruação. Podem ocorrer erupções cutâneas na pele em geral, e acne no rosto, em particular.

As mulheres de tipo Kapha têm habitualmente ciclos menstruais regulares, pesados, e por vezes mais longos, com fluxo de média quantidade, tendencialmente pálido e viscoso. A mulher Kapha é a que mais facilmente fica interiorizada, sensível, com uma certa tendência depressiva durante a menstruação. A propensão maior é para a retenção de líquidos, distensão abdominal e inchaço pré-menstrual acompanhada por um aumento de peso, cólicas, dores de peito, e eventualmente candidíase vaginal. As emoções experimentadas podem incluir tristeza e depressão, compensadas muitas vezes com uma tendência para comer alimentos doces.

É certo que uma mulher pode sentir toda uma mistura destes diferentes sintomas, já que é tendencionalmente constituída pelas três bioenergias, embora em proporções diferentes. A observação dos sintomas prevalecentes pode ajudar a caracterizar a menstruação, e desta forma definir uma ação mais assertiva para a sua saudável manutenção.

Nutrir o ciclo menstrual

Para manter o Vata em equilíbrio durante a fase da menstruação é necessário a relaxar, a descansar, mantendo o calor e a calma. É importante manter o abdómen quente e evitar o frio. O equilíbrio do Kapha durante a fase proliferativa alcança-se comendo sopas nutritivas que fortalecem o sangue e melhoram a ovulação, incluindo beterraba, aloé vera, shatavari (espargos), urtigas e cereais integrais. Para manter o equilíbrio do Pitta durante a última fase do ciclo, deve-se evitar alimentos que poderiam agravar calor e stress no corpo, ou seja, álcool, café, chocolate. Aumentar a prática de yoga, tomar banhos quentes, fazer uma massagem abdominal no sentido horário e adicionar Ashoka Triphala e aloé vera à dieta para manter a região pélvica descongestionada.

A menstruação é uma oportunidade para o corpo da mulher se purificar. Respeitar essa oportunidade, facilitá-la, traz maior conforto. O descanso é fundamental, o que pode significar que é ideal ficar em casa o máximo possível durante a menstruação. O corpo da mulher passa por muitas mudanças e trabalha arduamente para eliminar toxinas. A mulher pode dar um passeio relaxante e agradável de 15-30 minutos.

Como se poderia esperar, as mulheres com um desequilíbrio de Vata obtêm melhores resultados a partir do repouso, a meditação e uma rotina regular. Aquelas com um desequilíbrio de Pitta respondem melhor a uma limpeza interna mensal, e aquelas com um desequilíbrio de Kapha reagem melhor aos suplementos à base de plantas e a uma dieta que reduz impurezas.

  • Recomenda-se uma automassagem diária com óleo de sésamo quente seguida de um banho ou duche quente. Concentre-se numa massagem abdominal no sentido horário 5 minutos por dia.
  • Ingerir sumo de aloé vera em todo o ciclo do 7º dia até ao 21º dia para limpar e nutrir os tecidos.
  • Beber água morna em abundância ajuda a realizar uma leve desintoxicação e a libertar o peso da menstruação.
  • Beber uma infusão feita a partir de sementes de erva-doce, alcaçuz, açafrão e gengibre fresco.
  • Beber água de rosas regularmente, enquanto se prepara o útero para a implantação.
  • Pratique Pranayama: para Vata, Respiração por narina alternada (Anulom Vilom), para Pitta a respiração

Sheetali (Respiração de refrigeração); para Kapha, a respiração Kapalabhati (respiração de fogo).

Yoga para o ciclo feminino

Embora idealmente a mulher menstruada deva reduzir a sua ativa, a prática de algumas posturas pode fomentar o apana vayu, o movimento descendente do fluxo, e desta forma amenizar os sintomas da menstruação. Certas posturas de yoga demonstraram ser relaxantes, promover o fluxo e reduzir os sintomas se feitas corretamente. Exemplos de poses de ioga benéficas incluem:

  • Pose de criança (Balasana)
  • Ângulo lateral estendido (Parsvakonasana)
  • Cabeça ao joelho (Janusirasana)
  • Pose de borboleta / sapateiro (Badha konasana)

Desequilíbrios menstruais

Amenorreia | Ausência de ciclo menstrual

Um ciclo menstrual normal varia de 26 a 35 dias. Se um período se atrasar, sem resultar em gravidez, ou a hipótese de menopausa ser ainda improvável, é possível que haja um desequilíbrio hormonal e/ou anormalidades da tiroide. Os ciclos também podem atrasar-se devido a stress mental, doença física, estilo de vida inadequado, anemia ou viagens.

Na Ayurveda, anaartavam (período retardado) é causado devido a um desequilíbrio de Kapha e Vata dosha, e nos tecidos do corpo, o dhatus. Além disso, o apana vayu que expele o artavam (fluido menstrual) pode estar bloqueado. O Artavam é considerado Pitta na sua natureza, e assim os alimentos que aumentam o Pitta no corpo são conhecidos por produzir os resultados desejados.

Alguns alimentos que ajudam são as sementes de sésamo preto (demolhar durante a noite e tomar de manhã), papaia, sumo de abacaxi fresco, sementes de linhaça, amêndoas, gengibre, canela, maçãs, nozes e vegetais folhosos. Estes são alguns alimentos benéficos que podem ajudar a induzir o seu período.

Algumas das ervas ayurvédicas benéficas para equilibrar a amenorreia são o aloé vera, ashwagandha e triphala. É importante consultar um Terapeuta ou Médico de Ayurveda qualificado antes de consumir estas ervas. Na rotina diária são benéficas as asanas de fogo, asana borboleta e respiração kapalabati, o sopro de fogo massagem com óleo, banho de vapor.

Dismenorreia | dores menstruais

Muitas mulheres experimentam fortes dores e cãibras durante a menstruação, especialmente nos primeiros dias. Isto acontece sobretudo quando existe um fluxo intenso, sinal de que o corpo está a utilizar a menstruação para eliminar o excesso de calor da corrente sanguínea, e do excesso de Pitta. Na Medicina Ayurvédica, é habitual usar-se um tratamento Panchakarma denominado de Rakta mokshana para realizar a libertação profunda do excesso de calor. Esse excesso de calor acumulado no sangue provém habitualmente do tipo de alimentos que estão a ser ingeridos.

Algumas sugestões:

  • Tomar um duche frio, sem ser gelado, para permitir ao corpo libertar o calor.
  • Evitar alimentos fritos, alimentos altamente condimentados ou alimentos processados ​​quando o fluxo está realmente pesado.
  • Um chá refrescante que inclui gotu kola, rosa e uma pitada de cardamomo é muito benéfico para mulheres que têm um fluxo pesado do Pitta.
  • Reduzir o açúcar. Ao reduzir o açúcar da dieta, reduz-se o fluxo durante a menstruação.
  • Aromaterapia, especificamente camomila romana, sálvia e manjerona podem ajudar a pacificar o Pitta.
  • O óleo de coco, pode ser usado para massajar o abdómen.
  • Limite o consumo de álcool, pois cria um desafio para o fígado, que fica superaquecido, e leva a um fluxo menstrual intenso.
  • Aumentar a ingestão de potássio – bananas e coco são fontes ricas.
  • Comer alimentos que são ricos em ferro é muito importante após a menstruação para certificar o reabastecimento do ferro gasto durante a menstruação.

O relaxamento é também fundamental, quando as dores menstruais são mais do tipo Vata. Nesse caso, para ajudar os músculos a dissolverem a tensão, é necessário aquecimento da zona abdominal como uma formas mais simples de produzir esse relaxamento, ao mesmo tempo que se fomenta o movimento descendente da menstruação, e se evita as cólicas. Uma infusão de feita de cravinho, canela e valeriana é ideal para esta trazer calor e amenizar a dor.

Também se pode aplicar óleo de rícino, ou óleo de mostarda com umas gotas (4-8) de óleo essencial de lavanda na zona inferior do abdómen, e massajar no sentido horário, insistindo um pouco na zona abdominal onde possa sentir cãibras. O mesmo óleo pode também ser aplicado na zona lombar com uma ligeira massagem. De seguida pode-se aplicar um saco de água quente tanto no abdómen como na zona lombar. A lavanda é especificamente benéfica para o sistema nervoso e para o sistema reprodutivo feminino.

O mais importante é construir um rasa dhatu de qualidade (rasa dhatu é o tecido nutridor do endométrio), que quando é húmido e rico, e chega o momento para o endométrio se separar do útero, ele move-se facilmente para fora do corpo, sem produzir dor.

TPM | Tensão Pré-Menstrual

A TPM é um sinal de irregularidade hormonal e muitas vezes é um problema relacionado com o stress. Quando existem desequilíbrios no corpo, a tendência será para o período pré-menstrual exacerbar esses desequilíbrios, produzindo sintomas que variam de acordo com a constituição da Mulher, podendo ser sintomas de tipo Vata, Pitta ou Kapha, mas também com a estação do ano, a rotina, o estilo de vida, a alimentação, o trabalho, o stress, e tendências corporais específicas que pode apresentar.

Uma das formas mais simples de reduzir o impacto da TPM é fazer meditação, com o propósito de acalmar a mente. O Yoga nidra (yoga do sono), é uma das outras formas de libertação de tensão. O exercício do yoga nidra leva a pessoa a um espaço profundo e repousante, e o cérebro imita o padrão de ondas cerebrais que temos durante o sono. A prática do yoga nidra é tão repousante que pode equivaler a 4h de sono.

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A conexão com a natureza é outro grande redutor de stress. Nós vivemos em casas com luz elétrica, wifi e cimento ao nosso redor, por isso, o nosso corpo físico desconecta-se muitas vezes do mundo natural, fator que na verdade incrementa o stress. Os nossos diferentes corpos (físico, emocional, mental e espiritual) operam a diferentes níveis e reabastecem-se de diferentes formas. A mente tende a ficar distraída com o trabalho e as preocupações diárias, desligando-se dos sinais que os outros corpos emitem da sua necessidade de cuidado e nutrição.

É importante realçar que todas as sugestões apresentadas se destinam sobretudo ao conhecimento do ciclo feminino e de possíveis desequilíbrios na mulher, sendo contudo necessário que qualquer tratamento seja seguido e orientado por um terapeuta ou médico credenciado.

Menopausa e reflorescimento | Cuidados Ayurvédicos para mulheres maduras

Natural looking middle aged woman with grey hair and green scarf laughing against neutral backgroundA menopausa era ancestralmente associada ao momento da vida da mulher em que ela começava a usufruir da sua sabedoria. Representava também um período em que toda a experiência adquirida até então surgia como uma mais-valia para orientar, alentar e instruir os membros mais jovens da sua família. A cessação dos seus períodos férteis permitia que a mulher pudesse cuidar e educar de forma mais focada os seus filhos, num momento em que ainda desfrutava de saúde e energia, contribuindo assim para a preservação da espécie, e para a evolução da própria humanidade, através do sábio cuidado que uma mulher madura oferece.

Nas culturas orientais, a menopausa é por isso mesmo considerada uma das fases mais gratificantes da vida da mulher, já que se encontra liberta das obrigações relacionadas com os cuidados com as crianças pequenas, e começa a participar de forma mais ativa nos cuidados da sua comunidade como um todo.

Independentemente do aspeto cultural, a menopausa é vivida como uma experiência natural e única, marcada por mudanças no corpo, nas emoções, na mente, no espírito, que clama por adaptabilidade e ajuste no estilo de vida.

Como começa

A Menopausa corresponde a uma fase natural na vida da mulher que indica o cessar da sua fertilidade, e de uma forma simples corresponde também ao cessar do fluxo menstrual – quando esta já conta doze meses de ausência desde a última menstruação sem outra causa aparente. Está associada com a redução da função dos ovários resultante da idade, que se traduzem em baixos níveis de estrogénio e outras hormonas.

Na Ayurveda, a infância e o início da idade adulta são caracterizados por certas qualidades às quais nos referimos como Kapha Dosha, idade adulta é governada pelas qualidades de produtividade do Pitta Dosha, e a velhice é governada pelas qualidades do Vata Dosha. Durante a última parte de cada fase, a próxima fase reúne energia. À medida que as mulheres envelhecem, o Vata começa a acumular-se por volta dos seus trinta e quarenta anos. O corpo ainda está no tempo de vida de Pitta e é ativamente produtivo, até mesmo totalmente capaz de se reproduzir, mas o Vata dosha está lentamente a infiltrar-se. Podemos ver isso em mudanças subtis no corpo, mudanças no metabolismo e flutuações de energia.

Apesar de ser vista muitas vezes como um evento isolado – a cessação do ciclo menstrual -, a menopausa é, contudo, um processo que inicia geralmente entre os 30-35 anos, onde a mulher atinge o auge da sua saúde, e termina mais ou menos aos 51 anos (podendo ir até aos 55 anos), quando ela finaliza o ciclo menstrual. Esta época na vida da mulher pode ser dividida em:

  • Peri menopausa – que corresponde à altura em que a mulher começa a sentir os primeiros sinais da menopausa e normalmente ainda menstrua nesta fase. Os níveis de hormonas sobem e descem provocando sintomas como afrontamentos (sensações de calor).
  • Pós-Menopausa – Uma vez passados dozes meses desde a última menstruação, a mulher atinge assim a Menopausa. Os seus ovários produzem muito menos hormonas como estrogénio e progesterona e a mulher deixa de ovular. A duração destes dois ciclos depende muito da mulher e de toda o ambiente e estrutura que a compõe o seu corpo e o seu estilo de vida.

Os ovários deixam de responder às mudanças dos Doshas, levando o Pitta à paragem da ovulação, na qual há também uma diminuição da produção de hormonas sexuais. A Menopausa é geneticamente programada e/ou pré-determinada, e o momento do seu início pode ser variável na idade, e depende também dos hábitos e comportamentos da mulher ao longo da sua vida. Para algumas mulheres é um fenómeno silencioso e brando, e para outras é um momento em que padecem de uma série de problemas como ondas de calor frequentes, instabilidade e períodos de grande oscilação emocional, cansaço, distúrbios de sono, dores de cabeça, dores nas articulares, palpitações, etc.

Para mulheres na perimenopausa, o ciclo começa a ser perturbado. Com as menstruações irregulares ocorre uma resposta irregular dos ovários. Durante os meses em que ocorre a ovulação, existe a menstruação. Nos outros meses, os ovários respondem menos às hormonas da glândula pituitária, os óvulos não são libertos, e não ocorre a menstruação. Estas mudanças hormonais são naturais, e a dieta e o estilo de vida ajudam a determinar como irá o corpo regular-se diante das mudanças das hormonas reprodutivas.

13c32b6441b652bbef2858aab2fbc52dSegundo a Ayurveda, a menopausa é uma época de agravamento do Vata, gerando a diminuição da produção de tecidos (dhatus), e o aumento da irregularidade. A menstruação de longa duração (que pode ocorrer neste período de transição) pode parecer, na superfície, estar mais relacionada com o Pitta ou o Kapha, contudo, o fator causador (a irregularidade) tem a sua origem no Vata. A fase da menopausa reflete essencialmente uma transição da fase adulta – Pitta – para Vata, o envelhecimento. Os sintomas do Vata a aumentar compreendem ansiedade, desequilíbrio, instabilidade, nervosismo generalizado, preocupação, perdas de memória, insónia, instabilidade emocional, osteoporose, e eventualmente depressão.

Na medida em que o Vata aumenta os outros doshas podem também sofrer desequilíbrios. Os sintomas do aumento do kapha estão associados a ganho de peso, sensação de peso mental e físico assim como a um aumento na retenção de líquidos. Nas mulheres de constituição pitta há um aumento da irritabilidade, e ondas de calor frequentes.

Reflorescer com a Ayurveda

laughter-yoga-1Qualquer sintoma que possa advir da menopausa pode ser minimizado através das práticas ayurvédicas, com a centralização espiritual da mulher, e com o conhecimento do dosha que está desequilibrado na mulher.

O stress, a má nutrição e o uso de cafeína são três gatilhos de estilo de vida que fomentam o aumento do Vata, e a menstruação irregular. Escolher o estilo de vida ayurvédico, com rotinas regulares e autocuidado adequado, minimizará o impacto nos anos da menopausa. As práticas de redução de stress, incluindo o exercício diário, o tempo na natureza, prática de pranayama e a meditação reduzem a necessidade de estimulantes ao longo do dia, e preparam o terreno para melhores escolhas alimentares, que ​​irão corrigir a má nutrição.

Como diz o familiar ditado ayurvédico: “Se a dieta está errada, a medicina não tem utilidade. Se a dieta está correta, a medicina não é necessária”. Ao fazermos mudanças simples na dieta e no estilo de vida, podemos apoiar a mudança da habituação que o corpo tem de estrogénio para o equilíbrio nos outros sistemas do corpo. Isso diminuirá a intensidade dos sintomas que experimentados devido à redução súbita de estrogénio no sistema.

Se nos dirigirmos a essa subtil e crescente tempestade do Vata, poderemos pacificá-lo antes que ele se mova e cause estragos no corpo, na mente e nas emoções. E o Vata pacifica-se com rotinas. Quando isto é feito a menopausa pode ser sentida como a mudança natural que é, ao invés do dramático cataclismo em que ela se transformou na sociedade.

Algumas recomendações gerais para a menopausa:

Comida: Prestar atenção especial à dieta. Certificar-se de que os alimentos são integrais, frescos e orgânicos. Limitar a ingestão de alimentos processados ou não-orgânicos. Evitar armazenar alimentos em recipientes de plástico ou beber em garrafas plásticas. Os plásticos imitam os estrogénios e interferem no equilíbrio hormonal normal. Jantar conscientemente. Saborear os alimentos e sustentar a capacidade de passar tempo a nutrir-se. Isso aumenta o valor nutricional que se ganha com a comida, e acalma o sistema nervoso.

c0ba6aa81c81f27a2ebbc5af857f70b4Ouvir o corpo. Comer quando estiver com fome e só até satisfazer a fome natural. A Ayurveda recomenda que se coma até que o estômago esteja cerca de 75% cheio. O metabolismo está a mudar subtilmente. Ajustar a porção de alimentos ingeridos, já que a capacidade de digerir se alterou.

Começar o dia com um copo grande de água morna. Adicionar um pouco de limão se quiser. Beber bastante água durante o dia. Ingerir a comida húmida e apenas uma pequena quantidade de água morna ou chá às refeições.

Dormir o suficiente. Ir para a cama cedo o suficiente para ter uma noite inteira de sono. Desligar todos os elementos eletrónicos pelo menos uma hora antes de deitar, para se sentir o suporte da melatonina quando quiser adormecer, e para permitir um sono contínuo. Verificar se o quarto está escuro, silencioso e confortável. Isso permite um sono reparador. Evitar estimulantes como café e açúcar, assim como depressivos como o álcool. Estes interferem com o sistema nervoso e podem afetar negativamente o sono.

Fazer algum exercício durante o dia, de preferência ao ar livre. Se existirem problemas para adormecer, ouvir uma meditação guiada ou um CD do Yoga Nidra para complementar algumas das horas perdidas de sono.

Conservar a energia. Inicialmente, quando a pessoa está ativa extrai energia dos alimentos. Quando essa energia é consumida, a energia é extraída dos recursos armazenados. A sensação de cansaço surge quando se esgotam os recursos. Uma parte importante desses recursos é o Ojas, um termo ayurvédico que descreve as reservas vitais. Assumir apenas atividades que sejam em proporção com a reservas próprias. O exercício deve ser feito de preferência em metade da capacidade corporal. Quando é necessário algum tipo de estimulante para suportar o dia, é sinal que as reservas vitais poderão estar esgotadas.

Começar o dia com uma rotina benéfica, incluindo limpeza, alongamentos, respiração e meditação. Equilibrar os horários ativos durante o dia com momentos de descanso. Incorporar o exercício no fluxo do seu dia. Observar a informação de cansaço do corpo, e respeitá-la, evitando a estimulação. Se notar a energia a diminuir à tarde, fazer uma pequena caminhada e respirar profundamente. Ingerir alimentos nutritivos, como fruta ou oleaginosas já demolhadas.

Menopausa do tipo Vata

Saramai+JewelsA nível de dieta surge a necessidade de aumentar o consumo de comidas e bebidas mornas e efetuar diariamente refeições regulares. Deve ser dada a preferência a temperos como a erva doce e os cominhos. Arroz e grãos integrais. Frutas como a maçã, pêssegos, tâmaras, uvas ricas em boro são exemplos de boas frutas no equilíbrio da mulher na Menopausa. Feijão Mung, lentilhas, inhame, amêndoas pacificam e nutrem o Vata. As algas também são importantes a serem introduzidas na dieta como kombu, agar agar que possuem um grande teor mineral (zinco, magnésio, cálcio, iodina, L-tyrosina). Evitar estimulantes como cafeína, açúcares refinados, bebidas geladas. Saladas.

A nível de hábitos diários é importante que a mulher se deite cedo, cuide de si mesma com massagens com óleo de sésamo morno, pratique meditação e yoga. As caminhadas também são importantes, sobretudo se for em dias de sol moderado. Uma boa forma de manter a pele do rosto hidratada é utilizar gel de Aloé Vera e óleo de sésamo, já que a é a pele que mais tende para a formação de rugas. É necessário que as mulheres na menopausa tipo Vata pratiquem atividades de lazer, atividades que lhe nutram o coração e a mente. Comumente a nível físico manifesta-se secura vaginal, palpitações, sensações intensas de calor, secura, dores musculares, a osteoporose também pode ocorrer se não houver tratamento/prevenção.

A nível de fitoterapia Ayurvédica são indicadas a shatavari, a ashwagandha, a triphala, a brahmi, a gotu kola, a amalaki, o açafrão da índia, e o ginseng. É importante equilibrar o sistema reprodutor feminino, principalmente apostando em plantas que tonifiquem o sistema endócrino. Dentro desta categoria: Vitex Agnus Castus, Inhame Selvagem, Shatavari.

Menopausa de tipo Pitta

Os sintomas na menopausa deste tipo são na generalidade um temperamento mais quente, ao qual se associam, também sentimentos de raiva, irritabilidade, sensações de calor, suores noturnos, infeções urinárias e também alguma tendência para erupções cutâneas, perda/desequilíbrio de movimentos intestinais.

A nível de dieta deve ser aumentado o consumo de comida refrescante, manter um bomb2c678c6b7a9b122fc8c9ed721cd5dab consumo de água regular, beber bastantes sumos de frutas doces como uva, pera, ameixa, manga, melão. Relativamente a condimentos deve-se dar ênfase à canela, cardomomo, coentros e erva doce.

Evitar comida muito picante, quente e a ingestão de álcool. A nível de estilo de vida é recomendado uma boa gestão das rotinas de sono, sendo necessário que a mulher se deite antes das 22h, que receba massagens com óleo de coco ou grainha de uva. Deve equilibrar as suas emoções através da meditação, exercício físico e passear em dias com brisa suave. A Fitoterapia utilizada comumente neste caso é o Aloé Vera, Gotu Kola, Açafrão da índia, Sândalo e Shatavari.

Menopausa de tipo Kapha

Neste tipo de menopausa ocorrem normalmente sintomas como ganho de peso, lentidão, retenção de líquidos, preguiça, a depressão também é comum, falta de movimentação e digestões lentas.

A Dieta deve ser no geral leve, com comidas secas e aquecidas. Deve aumentar-se o consumo de frutas, grãos integrais, legumes e vegetais. Temperos como pimenta, canela, pimenta caiena, açafrão da índia, mostarda e gengibre também são importantes. Evitar o queijo, a carne, o açúcar, comidas e bebidas frias. Um jejum semanal neste tipo de menopausa também é importante. A nível de estilo de vida a mulher Kapha deve levantar-se cedo e massajar-se com óleo de mostarda e amêndoas doces.  A Fitoterapia recomendada inclui a Gugulu e mirra.

Suores noturnos

Os suores noturnos começam na perimenopausa, podendo prevalecer nos primeiros anos da menopausa em si, e ocorrem quando a mulher está a dormir e pode resultar no despertar com pijamas e roupa de cama húmidas. O suor noturno pode levar a um sono interrompido que irá induzir a mais ansiedade, tornando-a um fator causal tanto nas ondas de calor como nos suores noturnos.

Curiosamente, as ondas de calor e os suores noturnos ocorrem apenas numa parte das mulheres do mundo, como consequência do seu estilo de vida. Na perspetiva ayurvédica, estes sintomas são causados ​​por um desequilíbrio do Vata e pelo desequilíbrio do agni do corpo. As ondas de calor e suores noturnos são sinais de que existe uma má interpretação dos sinais do corpo e isto é frequentemente causado pelo Vata. Embora o Pitta seja frequentemente associado ao calor, os desequilíbrios deste humor provocam calor que depois permanece, sem flutuações. Em algumas mulheres, pode haver um Pitta nas profundezas dos tecidos, contudo, os sintomas das ondas de calor são mais intensos do que o calor habitual, e esse é o indicador de existe um aumento do Vata.

O Agni é muitas vezes chamado de fogo digestivo, contudo, neste caso refere-se tanto ao agni do sistema digestivo como ao agni metabólico, o fígado. Quando o agni do sistema digestivo se torna variável, surge uma dificuldade em digerir alimentos, e a tendência a formar ama. Ama é o termo usado para um subproduto tóxico da digestão imprópria ou incompleta, frequentemente a causa de irregularidades hormonais e danos nos tecidos, órgãos e sistemas do corpo. A ama é transportada do sistema digestivo para o fígado juntamente com os nutrientes da comida. O fígado é responsável por muitas funções no corpo, e ajudar na libertação de ama é um deles. O fígado é o lar dos cinco agnis elementares (Cinco Elementos) e o seu trabalho é converter os alimentos que ingerimos numa substância utilizável pelo corpo.

Quando a ama formada no sistema digestivo é levada para o fígado, prejudica a capacidade do mesmo em cumprir as suas inúmeras funções, tendo implicações no sangue, nas células e tecidos do corpo. Ao nível celular, a ama pode interferir na capacidade do corpo de reconhecer e responder apropriadamente às hormonas do sistema. Perante todo este processo é importante a reflexão de como tudo o que é ingerido tem um impacto fulcral sobre a tendência que o corpo vai ter de exprimir o excesso de ama através dos suores noturnos. Uma dieta equilibrada, e ajustada à constituição, assim como o exercício, e os processos de depuração regulares ajudam na vivência de uma transição para a menopausa mais simples e suave.

Secura Vaginal

dry-vaginal-problemA vagina é mantida húmida pelas membranas mucosas presentes na vagina. O estrogénio produzido no corpo feminino estimula os tecidos vaginais a manter a vagina húmida. Quando as mulheres atingem a idade da menopausa, os ovários produzem menos estrogénio, o que pode levar ao afinamento do revestimento vaginal tornando a vagina vulnerável a infeções, o que, por sua vez, causa problemas como a secura. Associada à secura surgem outros sintomas como prurido, irritação, sensação de ardor, dor, desconforto, leve sangramento e dor durante o sexo.

Existem vários fatores que podem influenciar a secura vaginal, nomeadamente, os diafragmas, a toma de antidepressivos, anti-histamínicos, descongestionantes e antibióticos, tratamentos de quimioterapia e radiação, os corantes e fragrâncias do papel higiénico e detergentes para a roupa, assim como os sabonetes, os pensos e tampões, e os preservativos.

Na medicina ayurvédica, Charaka descreveu uma condição chamada Suska yoni. Suska significa seco e yoni refere-se aos órgãos reprodutivos femininos. Se durante a relação sexual, a mulher suprime os seus impulsos naturais, o Vata fica agravado. Isso causa dor, obstrução à passagem das fezes e urina e secura vaginal. Para tratar este agravamento do Vata é recomendada a oleação, fomentação, enema medicamentoso ayurvédico e terapias que pacifiquem o Vata.

Algumas propostas de tratamento

– Oleação: A massagem com óleo de sésamo e sal preto é usada para pacificar o Vata e fornecer lubrificação natural. A oleação ajuda na mobilização do dosha viciado do local da morbidade.

– Fomento: A fomentação através de um tubo (nadi sweda) aplicada aos genitais. Água quente é aspergida sobre a testa, abdómen inferior e genitais. Isso ajuda a aliviar a dor e a inflamação.

– Tampões de ervas são dados à paciente para ela inserir na vagina. Isso ajuda a reduzir a inflamação, dor, infeção e rejuvenesce os tecidos. Massagem ayurvédica ou Abhyanga pode ser feita para restaurar a lubrificação.

– Enema: fazer um enema utilizando-se ervas pacificadoras de Vata. É altamente benéfico para pacificar o Vata, que é a principal causa de secura.

– Óleo de coco: é uma gordura saudável que ajuda a restaurar os níveis naturais de hidratação no corpo. Pode ser usado como um lubrificante vaginal natural ou como um complemento para o tratamento da condição. É uma ótima fonte de vitamina E, que é benéfico para promover a secreção natural e a humidificação dos tecidos vaginais.

– Triphala: Adicionar água morna ao pó de Triphala, e misturar os ingredientes. Lavar a vagina com esta solução para diminuir a sensação de ardor.

– Açafrão da índia: Este é um lubrificante vaginal caseiro eficaz para tratar a secura. O açafrão da índia é conhecido pelas suas propriedades antimicrobianas que protegem a vagina da infeção. Fazer uma pasta de açafrão e misturar com um creme hidratante ou gel de aloé vera. Em seguida, aplicar essa mistura na vagina.

– Guduchi (Tinospora cordifolia): Usar um tampão embebido em óleo de guduchi, que pode ser inserido na vagina ou administrado sob a forma de um duche vaginal. Usar este remédio somente sob a orientação de um profissional qualificado.

– Shatavari: Para a secura vaginal, pode-se usar um ghee medicado com shatavari orgânico, que pode ser aplicado localmente para melhorar a lubrificação.

– Ashwagandha: a Ashwagandha tem sido usada há anos para tratar uma variedade de condições de saúde, incluindo a menopausa. A planta ajuda a manter as paredes da vagina saudáveis ​​e flexíveis, previne a dor, o rasgo e a secura. Também alivia sintomas como ondas de calor, mau humor e insónia.

– Óleo de sésamo: é um excelente lubrificante vaginal natural. Use uma bola de algodão e mergulhe-a no óleo de sésamo. De seguida, aplique-o nas paredes vaginais e continue por uma semana. Esta é uma maneira incrível de fornecer lubrificação vaginal natural.

– Duche de Shatavari e Ashwagandha: Juntar a Shatavari e a Ashwagandha e fervê-los em óleo de sésamo, e depois de frio este óleo medicado pode ser usado ​​como um duche vaginal. Este remédio só deve ser feito seguindo a orientação de um praticante ayurvédico qualificado.

– Tribulus Terrestris: Acredita-se que a Gokshura contribua para a força física e sexual em geral, construindo todos os tecidos, especialmente o shukra dhatu ou tecido reprodutivo. É um caminho natural para curar a secura vaginal.

– Feno grego: O feno-grego é muito eficaz no tratamento da secura vaginal. Ele ajuda a restaurar os níveis de estrogénio no corpo e proporciona alívio natural para a condição. As sementes produzem um efeito semelhante ao estrogénio, que ajuda a aumentar a lubrificação vaginal. Encher uma colher de chá de sementes de feno-grego e deixá-las em água durante a noite. Beber a água pela manhã.

– Cominhos, coentros e sementes de erva-doce: Esta infusão contém fitoestrogénios naturais que sustentam o equilíbrio hormonal saudável. Utilize partes iguais de sementes de cominhos, coentros e erva-doce e deixe em água quente por dez minutos.

– Gel de aloé vera: o gel de Aloé vera é um remédio natural eficaz para a secura vaginal. O Aloé é um hidratante natural e reduz a secura e o prurido em torno da vagina. O sumo de aloé vera também pode ser ingerido para a redução dos sintomas.

– Óleo de Tea Tree. O tea tree oil é valioso no alívio da secura vaginal devido às suas propriedades antibacterianas. O uso deste óleo ajuda a eliminar as bactérias que causam a secura. Massaje os lábios internos, os lábios genitais e a abertura vaginal com uma pomada segura e de alta qualidade contendo uma pequena quantidade de óleo de melaleuca, ou adicione o tea tree oil a uma base de óleo de coco. Certificar a sensibilidade da pele antes de usar.

– Gotu Kola: A Gotu Kola ajuda a aliviar a secura vaginal, equilibrando os níveis de estrogénio. Para preparar uma infusão adicionando ½ colher de chá de ervas secas numa chávena de água quente por 10 minutos. Beber 2 chávenas diariamente. Para reduzir o sabor amargo do chá, adicionar limão ou mel.

 

Os tratamentos acima descritos só devem ser feitos sob a orientação de um praticante qualificado de Ayurveda.

Ayurveda e o caminho para a Fertilidade

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Deusas da Fertilidade

Ser fértil é ser capaz de estar disponível para a Vida, e como consequência ser capaz de dar Vida. A fertilidade é um bem natural com que todos nós nascemos. Contudo, o estilo de vida atual tem tendido a desequilibrar esta dádiva. Muito para além da capacidade de conceber, a fertilidade revela um corpo cuidado, equilibrado, um organismo saudável e corretamente nutrido.

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Shukra

A fisiologia do sistema reprodutivo como um todo é governada por sadhaka pitta, prana vata e apana vata, mas os próprios órgãos reprodutivos são dotados das qualidades de kapha. O Kapha é o dosha promotor de crescimento (anabólico), formador de estrutura, que gera e sustenta a criação. Juntamente com o ojas (força vital) e o rasa dhatu (tecido plasmático), o kapha dosha organiza a nutrição necessária para construir e reconstruir o revestimento do endométrio durante uma vida inteira de artava (menstruação), e tem uma qualidade untuosa que lubrifica o útero e a sua pele. O kapha também confere estabilidade e força aos tecidos reprodutivos, ajudando a manter a estrutura dos ovários e a boa forma uterina, o seu tónus e a capacidade de se contrair.

 

A Infertilidade

Segundo a Ayurveda, a fertilidade mantém-se quando o tecido reprodutivo de uma pessoa ou o Shukra dhatu permanece nutrido. A infertilidade surge geralmente quando o tecido reprodutivo perde a nutrição, e é definida como a incapacidade de conceber apesar de se sustentarem relações sexuais regulares por mais de um ano. Uma mulher cujo artava está exausto é chamada de vandhyatva (vandhya-estéril, sem filhos).

Estratégias diagnósticas e terapêuticas detalhadas haviam já sido descritas em 200 dC no texto Ᾱyurvédico Caraka Samhita (capítulo Cikitsa-sthana, Yonivyapat). Nos séculos que se seguiram, os textos especializados em ginecologia evoluíram, incluindo o Kashyapa-Samhita, que contém descrições detalhadas de várias doenças e dedica um capítulo completo à infertilidade feminina. Nestes manuscritos são habitualmente aconselhadas terapias shamana (gentis) e shodhana (fortes) para o tratamento da infertilidade.

shukradhatuExistem muitos fatores que atualmente afetam a fertilidade, em particular na mulher: a idade avançada da mulher quando decide ser mãe, anormalidades hormonais, as condições do sistema reprodutor. Nos homens, a infertilidade pode ocorrer devido à baixa quantidade de espermatozoides e/ou qualidade e espermatogénese, bem como à disfunção erétil. Em ambos os sexos, os aspectos psicossomáticos e os níveis de stress são importantes, contudo raramente abordados. A Ayurveda acrescente outro aspeto único: a infertilidade como um efeito kármico.

Promover a Fertilidade

easter-the-latvian-way-715x340Na abordagem holística da Ayurveda, todas as dimensões do corpo são tidas em consideração no intuito de promover a fertilidade. Como o Ayurveda é uma ciência holística, é importante considerar a condição de saúde geral do paciente, incluindo a sua saúde mental e a do seu ambiente de vida. A abordagem Ayurvédica da infertilidade enfatiza a melhoria da saúde geral de ambos os futuros pais.

Os principais objetivos do tratamento Ayurvédico são a purificação e a otimização funcional dos tecidos reprodutivos (artava e shukra-dhatu) de ambos os sexos. Segundo a Ayurveda, a saúde reprodutiva é determinada principalmente pela saúde do metabolismo e nutrição dos tecidos, ambos requisitos fundamentais para a concepção.

Dependendo da Prakriti (constituição única) do indivíduo, o passo inicial na sequência do tratamento é geralmente a realização de uma purificação – o Panchakarma. Essas medidas de purificação podem incluir emese, purgação, enema medicado, purificação do sangue e vários outros procedimentos específicos pertinentes à saúde reprodutiva.

Outros tratamentos adjuvantes do Panchakarma constituem técnicas especializadas de fisioterapia, incluindo Shirodhara (terapia de gotejamento de óleo sobre a testa), Shirobasti (retenção de óleo na coroa) e Lepa (máscara de lama herbária) com óleos medicinais precisamente selecionados e outras substâncias que facilitam ainda mais a estabilização da constituição geral.

Para além do Panchakarma são também dadas recomendações dietéticas, fitoterápicos, recomendações psicológicas e espirituais (por exemplo, recitação de mantras, uso de cristais, colocação de objetos sagrados em casa, orações, etc). Na Ayurveda, a infertilidade feminina é entendida como uma desintegração somato-psico-espiritual com tendência a somatizar conflitos emocionais e mentais por resolver; esses conflitos são total ou parcialmente causadores ou agravam ainda mais as causas epigenéticas, traumáticas e bioquímicas coexistentes.

Fitoterapia para a Fertilidade

Na Ayurveda, a fertilidade manifesta-se no nível mais profundo da saúde. Os fluidos reprodutivos como o sémen (Shukra dhatu) são o produto final da formação de tecido. Considera-se a essência de todo os dhatus. Uma dieta saudável é o fator importante responsável pela fertilidade.

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Shatavari – Asparagus Rancemosus

Uma das plantas mais usadas como um tónico do sistema reprodutor feminino é a Shatavari. A Shatavari (asparagus rancemosus) possui uma atividade diurética, melhora a digestão aumentando a atividade das enzimas digestivas, aumenta a libido feminina, humedece os tecidos secos dos órgãos sexuais, reduz e cura a inflamação dos órgãos sexuais e aumenta a ovulação. Assim, a Shatavari é muito benéfica para a fertilidade feminina. Também é conhecida por ajudar na prevenção de abortos e prepara o útero para a concepção. A Shatavari também é muito útil no tratamento de problemas relacionados com a menstruação, como o sangramento irregular, a síndrome pré-menstrual e dismenorreia (menstruação dolorosa), reduz as cólicas abdominais e os espasmos que geralmente ocorrem durante a menstruação. A Shatavari possui também propriedades adaptogénicas que ajudam na estabilidade da saúde mental, e antisstress, resultado da presença de flavonóides, polifenóis e saponinas que reduzem a produção de hormonas do stress, e aumentam a produção de hormonas ou substâncias químicas que fazem a pessoa sentir-se calma e feliz.

Existem muitas fórmulas fitoterápicas Ayurvédica usadas para a infertilidade voltadas principalmente para as propriedades adaptogénicas, rejuvenescedoras e afrodisíacas, e de fortalecimento geral (ojo vardhana), bem como para o  fortalecimento dos tecidos reprodutivos; elas também são projetados para melhorar a digestão e cognição, conforme necessário, e ter propriedades ansiolíticas e antidepressivas suaves.

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Ashwagandha – Withania somnifera

Algumas das plantas mais comuns usadas incluem Ashwagandha (W. somnifera), Shatavari (A. racemosus), Guduchi (T.cordifolia), Brahmi (B. monnieri), Yogaraj guggulu, Krishna Jeeraka (N. sativa ), Shatapushpa (A. graveolens), Atibala (A. indicum), dashmoolarishta, maharasnadi kwath.

A auto-medicação é desaconselhada. A toma de qualquer fitoterápico deve ser acompanhada sob rigorosa supervisão médica. A sobredosagem pode causar diarreia e desconforto abdominal.

 

Alimentação ayurvédica para a fertilidade

A dieta ayurvédica para a fertilidade concentra-se no enriquecimento e desenvolvimento do tecido reprodutivo saudável (Shukra dahtu). Qualquer medicação aplicada é mais eficiente se a alimentação correta for observada sobretudo de acordo com os doshas.

Alimentação para Vata: Para a constituição Vata é importante escolher alimentos bem cozidos, húmidos, quentes e pesados. Adicionar leite, e ghee juntamente com especiarias que inflamam o fogo digestivo para nutrir o tecido reprodutivo (Shukra dhatu).

Alimentação para Pitta: No caso de uma constituição Pitta, é importante favorecer uma dieta principalmente fresca e nutritiva. Tomar leite e ghee à temperatura ambiente com temperos refrescantes que nutrem o tecido reprodutivo (Shukra dhatu) e apoiam o muco cervical.

Alimentação para Kapha: Para Kapha deve-se favorecer uma dieta primariamente quente e leve. Comer com moderação.

De forma geral os alimentos que favorecem o Ojas: Leite, ghee, nozes, sementes de sésamo, tâmaras, sementes de abóbora, mel, açafrão da índia e abacate.

Outros alimentos que favorecem a fertilidade: Os alimentos integrais fornecem todos os nutrientes para a saúde do corpo, além de fibras, influenciando os níveis hormonais. Frutas e vegetais frescos e orgânicos, grãos integrais, proteínas de fontes vegetais como feijão e ervilhas, frutas doces e suculentas, como mangas, pêssegos, ameixas e peras, espargos, brócolos, feijão, espinafres, abóbora, tomate e beterraba. Vegetais de raiz, grãos, rúcula, agrião, cebola, alho, cebolinho melhoram a circulação e nutrem o sangue.

Frutos secos e nozes, como tâmaras, figos, passas, amêndoas e nozes. Especiarias como a semente de carambola (ajwain) em pó, cominhos (purifica o útero nas mulheres e o trato geniturinário nos homens), açafrão-da-índia (melhora a interação entre as hormonas) e os cominhos pretos estimulam a fertilidade. O corpo deve estar bem hidratado bebendo-se água morna e chás digestivos.

Alimentos que diminuem a fertilidade

Evitar hidratos de carbono processados, excesso de amido, carne com antibióticos e hormonas, leite ultrapasteurizado e produtos enlatados. Evitar alimentos ricos em gorduras trans, como bolos, biscoitos e fritos fast-food. Estes alimentos bloqueiam as artérias, ameaçam a fertilidade e prejudicam o coração e os vasos sanguíneos. Álcool em excesso, cafeína, tabaco, refrigerante, fumo, carne vermelha, hidratos de carbono refinados, como macarrão, pão branco e arroz, aumentam e exacerbam a infertilidade feminina.

Evitar alimentos que contenham conservantes e outros produtos químicos, como adoçantes artificiais. Estes incluem refrigerantes, gomas de mascar, doces, sumos de fruta e gelados. Evite glutamato de sódio mono (MSG). Evitar batatas fritas, jantares congelados, frios, molhos, molho de rancho, salgados, aromas e corantes artificiais.

Manter um peso saudável: Estar acima ou abaixo do peso pode prejudicar a fertilidade. Quando o peso é baixo o sistema reprodutivo fica frágil, e pode tornar o corpo instável perante uma gravidez. Por outro lado, ter excesso de peso ou obesidade diminui as hipóteses de uma mulher engravidar.

Estilo de Vida para a Fertilidade

ganesha-parvati-devi-67871A conexão entre desintoxicação, stress e fertilidade ainda está por revelar. Da perspetiva Ayurvédica, estas recomendações aparentemente suaves de mente-corpo são eficazes, também porque têm como alvo a regulação do Vata, neste caso, no nível de Manas (ou seja, a mente).

O estilo de vida, a rotina diária, o yoga, a meditação e a recitação de mantras ajudam a tratar o stress físico e mental melhorando a recetividade da mulher. Um dos mantras para a fertilidade mais usados é o

OM SHRI KAMAKHYAYE NAMAH

 

Uma outra prática interessante é sugerir com que uma mulher simplesmente coloque uma pedra shiva lingam de qualquer tamanho sob o pé da sua cama.

Para a concepção o casal deve preparar-se através de uma alimentação cuidada. A concepção deve ser planeada, e assistida pelo homem, sendo recomendável haver uma preparação física. O peso deve estar normal para receber o impacto e a força. A mobilidade do esperma também influi e é recomendável que o homem consuma canela, cardamomo e noz-moscada (apenas uma pitada). Deve consumir também amêndoas e outras oleaginosas com leite e especiarias. A mulher precisa de ter mais calor no corpo. Para produzir esse calor deve consumir iogurte e vinho (moderadamente).

Deve ser escolhida a estação do ano mais adequada para a concepção pois esta vai afectar a criança. Durante a concepção devem evitar-se conflitos, stress, tristeza já que todos esses estados e emoções afectam a energia da concepção. Há que haver energia, cumplicidade, felicidade entre o casal. A concepção é uma replicação e nós queremos que a criança seja melhor do que nós.

Receita ayurvédica para aumentar a fertilidade: Dahl indiano com coco fresco

Ingredientes

1 chávena de lentilhas

5 pitadas pimentões verdes ou flocos de pimenta seca

1 colher de sopa de folhas de coentros picados

1/2 colher de chá de açafrão em pó

1/2 chávena de coco ralado fresco

sal a gosto

1 colher de sopa de mostarda

1 colher de chá de sementes de cominhos

2 tomates picados

2 colheres de sopa de ghee de vaca

1 cebola de tamanho médio, fatiada

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Instruções

  1. Lave e mergulhe o dahl em água por 30 minutos.
  2. Moer o coco ralado com um pouco de água, e fazer uma pasta lisa no liquidificador e reservar.
  3. Refogue as cebolas fatiadas até dourar. Remova e reserve.
  4. Cozinhe o dahl com apenas água suficiente até ficar macio.
  5. Adicione as pimentas, açafrão em pó, tomate e sal. Cozinhe por 3 minutos.
  6. Quando os tomates estiverem cozidos, adicione a pasta de coco. Homogeneizar. Cozinhe por mais um minuto e retire do fogo.
  7. Aqueça o ghee numa panela. Adicione as sementes de mostarda. Quando as sementes de mostarda estalarem, adicione as sementes de cominhos. Refogue por alguns segundos mais em lume brando. Despeje a mistura sobre o dahl. Pode ser servido quente, e decorado com as cebolas e as folhas de coentros picados.

Óleos Essenciais para Aumentar a Fertilidade Feminina

Os óleos essenciais podem ajudar a lidar com problemas de fertilidade, como stress, menstruação irregular, desequilíbrio hormonal etc. A seguir estão alguns dos óleos que podem ajudar a aumentar a fertilidade feminina:

O óleo essencial de salva branca é eficaz para lidar com o desequilíbrio hormonal no corpo de uma mulher, e também é benéfico para aumentar a libido feminina.

O óleo essencial de gerânio tem um efeito calmante que ajuda a relaxar e a regular as hormonas no corpo.

O Óleo essencial de funcho ou de erva-doce mantém o equilíbrio adequado das hormonas no corpo, e também é útil na regulação do ciclo menstrual da mulher.

O Óleo essencial de Lavanda foi usado durante séculos pelo seu efeito calmante sobre a saúde da mulher. O Óleo de lavanda regula o ciclo menstrual e também mantém o sistema endócrino no lugar.

O óleo essencial de rosa tem muitas propriedades terapêuticas. É conhecido por melhorar o muco cervical, regular os períodos e melhorar o desejo sexual nas mulheres.

Formas de usar óleos essenciais para a concepção

1. Inalação

A inalação é uma ótima maneira de obter os benefícios máximos dos óleos essenciais. Colocar algumas gotas num lenço de papel, cheirar o frasco, colocar no difusor ou simplesmente colocar algumas gotas nas mãos e manter o cheiro. Os efeitos calmantes e edificantes de vários óleos essenciais fazem maravilhas para melhorar a fertilidade.

2. Massagem

Massajar com óleos essenciais pode fazer o óleo penetrar na pele e ser absorvido.

3. Usar no banho

Colocar algumas gotas de qualquer óleo essencial na água de banho ou adicionar na banheira e ficar de molho por 15 a 20 minutos para obter os benefícios.

4. Inalação a Vapor

Adicionar o óleo a uma taça com água quente. Coloque uma toalha sobre a cabeça e inspirar o vapor.

5. Reflexologia da Fertilidade

A reflexologia envolve pressionar certos pontos de pressão nas mãos ou pés; podem usar-se óleos essenciais para massajar os pontos de fertilidade.

Cristaloterapia para a Fertilidade

A Pedra da Lua tem uma energia reflexiva e calmante equilibrando as emoções relacionadas com o stress e a ansiedade. Diz-se que tem o poder de conceder desejos. A pedra da lua é frequentemente usada para fertilidade e infertilidade, habitualmente para regular o ciclo menstrual de uma mulher e aumentar a energia feminina. Por ser considerada uma pedra do amor e pode ajudar a resolver problemas entre amantes. Quando usada durante as relações sexuais, pode fomentar a concepção.

O quartzo rosa ajuda a aumentar a fertilidade geral. Também é útil com dores de cabeça, enxaquecas, disfunção sexual, depressão, vícios, dores de ouvido e perda de peso. O quartzo rosa é útil e protetor durante a gravidez e no parto. Emocionalmente, o quartzo rosa traz perdão, compaixão, bem como equilibra as emoções. Ajuda na cura de feridas e traumas emocionais. O quartzo rosa remove medos, ressentimentos e raiva.

A Aventurina é commumente usada para estimular a gravidez e aumentar a fertilidade. É considerada a pedra do amor, que pode impulsionar todos os sentimentos e emoções, além de promover otimismo e autoconfiança.

A Cornalina Vermelha é conhecida por estimular a fertilidade, a energia, promover a sexualidade e a reprodução. O Cornalina Vermelha também estimula e equilibra o útero, os ovários, as trompas de falópio, o colo do útero e a vagina. Alivia a TPM e equilibra as hormonas reprodutivas e ajuda a prevenir o aborto espontâneo. A pedra também é usada para artrite, cancro, redução de câimbras, stress e depressão.

A Água marinha é altamente protetora durante a gravidez, ajuda a proteger a mãe e o feto. Desencoraja o aborto.

A fluorite é essencial para ajudar a estabilizar as alterações hormonais, como a TPM e a menopausa.

O quartzo fumado aumenta a fertilidade, equilibra a energia sexual e ajuda a aliviar a depressão em homens e mulheres. O Quartzo fumado é bom para pessoas com doenças relacionadas à radiação ou em quimioterapia. O Quartzo Fumado tem um efeito positivo sobre os órgãos sexuais, portanto, é bom na Menopausa, e em miomas. Para os homens, é excelente para a inflamação da glândula da próstata.

A Turquesa é uma pedra preciosa que fornece proteção, enraizamento, força, coragem, amor e sorte. Muitas tribos indígenas associam a turquesa à fertilidade.

A Unakite está associada à fertilidade e tem sido usada como ajuda à mesma. A Unakite também é recomendado para uma gravidez e parto saudáveis.

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Começar o Ano com um Detox | O Panchakarma e a Ayurveda

treatmentTodas as Tradições da Terra incluem nas suas práticas alguns rituais de limpeza profunda, habitualmente de ordem física, contudo, com o propósito mais enérgico de se limpar, através da sua aplicação, a Alma.

Na Ayurveda, a terapia Panchakarma cumpre essa função. Traduzida literalmente como “cinco ações”, o Panchakarma é uma forma de desintoxicação e rejuvenescimento integral, que envolve uma série de tratamentos, e está situado no contexto maior de shodhana chikitsa (medidas de limpeza), exposto nos textos clássicos como um dos dois principais membros das terapias ayurvédicas, o outro dos quais é shamana chikitsa (medidas paliativas). O Shodhana chikitsa emprega técnicas de limpeza, lavagem e descarga como meio de desintoxicação. Envolve a aplicação de lekhana (raspagem), karshana (remoção de crescimentos de corpos estranhos) e terapias de langhana (jejum), entre outros.

Benefícios do Panchakarma

Além do aspecto físico e tangível da limpeza dos tecidos corporais e do trato gastrointestinal, o Panchakarma pode ajudar o indivíduo a liberar bloqueios mentais, emocionais e espirituais, limpar os caminhos dos sentidos, revelar níveis elevados de consciência e promover um bem-estar holístico sustentável, curando os desequilíbrios atuais, para além de suportar a prevenção de doenças futuras. Alguns dos muitos benefícios de shodhana chikitsa e panchakarma:

  • Restaura o alinhamento com a prakrti (matrz individual) e encontro do equilíbrio constitucional
  • Limpeza e abertura dos canais grosseiros e subtis do corpo
  • Cura do desequilíbrio presente e prevenção de doenças futuras
  • Reforça a função imunológica e resistência à doença
  • Eliminação da ama do corpo e mente
  • Melhoria da digestão, absorção e assimilação
  • Aumento da clareza mental
  • Relaxamento profundo
  • Conexão com o Self
  • Inversão dos efeitos do stresse
  • Suporte do equilíbrio hormonal
  • Melhoria do funcionamento dos sentidos
  • Remoção das toxinas do organismo,
  • Eliminação da acidez metabólica que causa radicais livres no corpo
  • Limpeza das toxinas nos tecidos corporais
  • Restabelecimento do equilíbrio tridóshico
  • Restauro dos ritmos naturais e da força vital
  • Promoção o bem-estar e da longevidade sustentados.

Além de oferecer tratamento para desequilíbrios de longa data, a terapia Panchakarma encoraja os indivíduos a fazerem mudanças no seu estilo de vida e na sua dieta, práticas que para além de oferecerem a recuperação do desequilíbrio apresentado (vikruti), também promovem o alinhamento sustentável com a verdadeira natureza (prakrti).

Panchakarma com que ritmo?

De acordo com Susruta, o nosso estado natural de saúde engloba o equilíbrio e o funcionamento adequado dos humores (doshas), dos tecidos corporais (dhatus) e do fogo digestivo (jatharagni), além da eliminação adequada dos resíduos (malas). A saúde é caracterizada por svastha, a permanência do Ser em si mesmo, a fim de manter a harmonia na mente, nos sentidos e no espírito. De acordo com a Ayurveda, a saúde ocorre quando o nosso corpo pode digerir todos os aspectos da vida, e é capaz de metabolizar e absorver o que é bom e eliminar o que é desnecessário.  A doença ocorre quando o corpo/mente tem dificuldade em expelir as toxinas, conhecidas na Ayurveda como ama. Assim que a ama começa a acumular-se nos tecidos, o corpo desequilibra-se, e os sintomas de desequilíbrio tornam-se posteriormente doenças.

À medida que as pessoas se movem pelo mundo, ficam mais sujeitas ao desequilíbrio (vikruti), e mais expostas a situações e fatores stressantes, toxinas e outras causas de doenças, que geram debilidade e vulnerabilidade nos sistemas corporais. A má alimentação e as escolhas de estilo de vida afastam ainda mais o indivíduo do seu estado natural de equilíbrio ao viciar os doshas, e causar a formação e o acúmulo de ama no sistema digestivo e nos tecidos. Esse enfraquecimento dos tecidos por meio do desequilíbrio crónico cria as bases para que a doença se enraíze.

O Panchakarma é, por isso mesmo, recomendado sazonalmente como forma de prevenção, habitualmente acompanhando o ritmo das estações do ano, já que as mesmas representam momentos de transição. Na adaptação às mudanças no clima, e no ambiente em que vivem, as pessoas ficam mais vulneráveis​​. Assim sendo, a mudança de estação representa o melhor momento para a limpeza orgânica, porque o corpo está aberto e receptivo às renovações que precisam de ser feitas para rejuvenescer as células e o corpo/mente.

Para constituições propensas ao desequilíbrio de Pitta ou para distúrbios de Pitta presentemente manifestados, é melhor administrar o Panchakarma na transição entre a primavera e o verão. Da mesma forma, para os transtornos de Vata, é melhor limpar na transição do verão para o outono. Para o Kapha, é melhor administrar panchakarma na transição do inverno para a primavera.

Apesar destes serem os momentos ideais, o Panchakarma pode ser feito a qualquer momento em que a pessoa se sente fora de equilíbrio, ou tem a necessidade de reenergizar-se, ou ainda quando sofre de uma doença específica, atuando aqui como sistema de tratamento. O mais importante é que o indivíduo se possa comprometer em tirar tempo para transformar a consciência no seu interior, descansar e dedicar a sua energia ao processo de Panchakarma sem perturbações ou distrações.

Em que consiste o Panchakarma?

Os cinco métodos de limpeza do Panchakarma são vamana (vómito ou emese terapêutica), virechana (purgação), basti (clister ou enema medicado), nasya (administração de medicação pela passagem nasal) e rakta moksha (sangria ou coleta de sangue).

De um modo geral, o Kapha dosha, no estômago, é eliminado através do vamana. O dosha Pitta no intestino delgado é eliminado através do virechana, e o dosha Vata no cólon é eliminado através de basti. O Rakta Moksha é usado principalmente em distúrbios de Pitta para remover o excesso de Pitta de rasa e rakta dhatu (sangue). O Nasya é mais tridóshico na sua aplicação e é geralmente usada para eliminar dosha residual de majja dhatu, bem como para nutrir e limpar os canais subtis. Além das cinco ações eliminatórias, os indivíduos submetidos a panchakarma são guiados pelo Poorvakarma, as medidas preparatórias do Panchakarma, e pelo Rasayana, técnicas de rejuvenescimento e manutenção da saúde pós-panchakarma.

A terapia Panchakarma é executada numa série de tratamentos consecutivos que seguem um plano de desintoxicação que variam de 5 a 7 dias e é individualizado. Após o tratamento o paciente segue uma dieta de acordo com o biótipo corporal e um plano pós-panchakarma que ajuda a pessoa na manutenção da saúde e do bem-estar a todos os níveis.

Poorvakarma – preparar o Panchakarma

O Poorvakama surge enquadrado na Shamana Chikitsa – terapia que auxilia a eliminar a causa da doença, as toxinas causadoras dos desequilíbrios, e restaura o equilíbrio dos humores biológicos do corpo. A preparação pré-panchakarma começa habitualmente pelo menos dez dias antes do Panchakarma em si, e envolve um protocolo dietético específico que tem início com uma monodieta, que consiste geralmente em kitchari (receita que tem por base arroz e lentilhas), bem como snehana (oleção) e swedana (sudação).

A Snehaha envolve tanto a oleação interna quanto a externa. A oleação interna geralmente consiste no consumo de ghee até três vezes ao dia em doses crescentes por até uma semana. Além do ghee simples, ghees medicados podem ser administrados para atingir doshas, dhatus e srotamsi (canais) específicos. Por exemplo, o ghee simples pode ser tomado com sal grosso para pacificar Vata dosha e com trikatu para pacificar Kapha dosha. Tikta ghee pode ser usado para pacificar pitta dosha, enquanto shatavari ghee pode ser usado para apoiar o sistema reprodutivo feminino e ashwagandha ghee pode ser usado para apoiar o sistema reprodutor masculino. O Brahmi ghee pode ser usado para alvejar o majja vaha srotas, e o ghee de alcaçuz pode ser usado para pacificar a ulceração.

massage-oilsA oleação externa geralmente consiste na prática da abhyanga (massagem com oleação) matinal com um óleo apropriado ao prakrti da pessoa. Ambas as formas de snehana servem para lubrificar os tecidos profundos e empurrar o dosha viciado de volta para o trato gastrointestinal, preparando-os para a eliminação.

As sete medidas paliativas usadas no Poorvakarma são geralmente mais calmantes e de natureza gentil, e consistem em deepan (para acender agni), pachan (queimar a ama), ksud nigraha (observação da fome), trut nigraha (observação da sede), vyayama (exercício), atapa seva (banho de sol ou lua) e maruta seva (práticas de respiração).

sauna ayurvédicaA Swedana é a outra medida preparatória para o Panchakarma. A terapia com Swedana ajuda a liquefazer o Pitta e o Kapha e a acalmar o Vata dosha. A Swedana promove a transpiração ideal, a leveza no corpo, alivia a rigidez, a dor e os espasmos musculares, restaura o vetor adequado dos Vayus e regula os movimentos intestinais e o apetite. Existem várias formas de svedana, incluindo as seguintes:

  • Agni | Exposição direta ao calor (por exemplo, água quente, vapor, banho, sauna ayurvédica, sauna, pizichili)
  • Anagni | Estimulação do calor corporal através de exercícios, cobertores, fome, etc.
  • Fomentação | Aplicação local de calor
  • Bhaspa Sweda | Vapores à base de plantas (por exemplo, com nirgundi, eucalipto ou sândalo)
  • Dhara Sweda | Banho quente depois da abhyanga
  • Surya Sweda | Banhos de sol
  • Luz infravermelha | Para dores articulares e musculares locais

 

Vamana | Emese Terapêutica

O Vamana toma a ação de urdhva bhaga roga haraman – a eliminação do dosha através do caminho superior. Atua no kledaka kapha, assim como no udana e no prana vayu. O acúmulo de toxinas mucosas e pegajosas principalmente na parte superior do estômago, e no trato respiratório, são mobilizadas através de uma dieta apropriada, oleação interna, ingestão de ervas medicinais por um período específico e também com o auxilio da massagem  Abhyanga, que ajuda a mover estas toxinas corporais e liquidificá-las com a suana apropriada e  finalmente eliminá-las do organismo num único dia com o vómito terapêutico.

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As substâncias usadas para induzir o vómito incluem frequentemente os três elementos da água (para promover a salivação), o ar (que se move para cima) e o fogo (que é emético). Exemplos de substâncias vamana: Alcaçuz (Yasthi madhu), Cálamo, Noz-moscada, Água salgada, Neem, Sumo de melão amargo (Karela), Vidanga.

O Vamana é mais comumente indicado para constituições e distúrbios kapha, incluindo infecções sinusais, colesterol alto, alergias respiratórias, bronquite crónica, indigestão crónica, tuberculose, hipotiroidismo, obesidade, asma, linfoedema, fígado gordo, diabetes, metabolismo lento e depressão do tipo kapha.

Virechana | Purgação Terapêutica

O Virechana é um tratamento de purgação que elimina as toxinas acumuladas na parte inferior do estômago, intestino delgado, fígado e vesícula. É indicado para eliminar o excesso do dosha Pitta do organismo e de todas as toxinas causadas por este dosha. Remove a toxicidade fecal, estimula o agni, aumenta a inteligência e a concentração e traz estabilidade ao dhatus. Este tratamento tem uma ação descendente (apana kshetra) e funciona no samana vayu, apana vayu, kledaka kapha e pachaka pitta. As toxinas são mobilizadas através de uma oleação interna com a ingestão de ghee medicado com ervas amargas em jejum, seguido de uma dieta e procedimento específico. A liquidificação destas toxinas é feita com uma sauna especial e mobilizadas com a massagem abhyanga. No Virechana são utilizadas as seguintes substâncias:

Panchakarma-Treatments-bastiAnuloman | Laxantes que digerem ama nas fezes, como haritaki

Samsrana | Purgativos drásticos

Bhedana | Purgantes como kutki

Rechan | laxantes leves, como triphala, gel de aloé e nishottar

Virechana | limpeza, com pó para Kapha dosha

Bruhana | nutritivo, com leite ou óleo medicado para Vata dosha

Shamana | paliativo, com ghee ou leite medicado para Pitta dosha

O Virechana está indicado no caso de febre crónica, problemas dermatológicos como: acne, psoríase, dermatite atópica, vitiligo, aumento de calor no corporal, hipertiroidismo, síndrome do cólon irritado, irritação e inflamações dos olhos, cistite, hepatite, icterícia, colesterol, azia com hiperacidez estomacal, gota, fogo digestivo baixo ( falta de apetite), sudorese excessiva.

 

Basti | Enema Terapêutico

O Basti tem um campo de ação muito amplo. Diz-se que trabalha em todos os sete dhatus, os upadhatus e os srotamsi, além dos principais locais de Vata (cólon, coxas, pelve, ossos, nervos, ouvidos). O Vata é o principal fator etiológico na manifestação das doenças. É a força motriz para a eliminação e a retenção de fezes, urina, da bílis e outras excreções corporais. A sede do Vata no nosso corpo é o cólon, contudo, apesar de estar localizado principalmente no intestino grosso, encontra-se também no tecido ósseo (asthi dhatu). Assim, o medicamento administrado por via retal tem um efeito benéfico no sistema ósseo. A membrana mucosa do cólon está relacionada com a cobertura exterior dos ossos (periósteo), que alimenta os ossos. Portanto, qualquer medicação administrada por via retal vai para os tecidos mais profundos, como os ossos, e corrigindo os seus desequilíbrios. O Vata controla o sistema nervoso e todos os desequilíbrios crónicos do sistema nervoso podem ser tratados com o basti com excelentes resultados. Existem muitos tipos diferentes de bastis:

bastiAnuvasan | oleação (lubrificante)

Niruha | limpeza com decocção

Bruhana |nutritivo

Lekhana | raspagem, desintoxicante

Piccha | vinculação

Esta terapia é auxiliar na obstipação intestinal, dores lombares, dores de ciática, dores articulares, dores de cabeça, distúrbios do sistema nervoso, distúrbios no sistema ósseo e dores generalizadas pelo corpo. É excelente para crepitações articulares e rigidez musculares. Verificam-se excelentes resultados em distúrbios do sistema locomotor e em doenças como Parkinson e Alzheimer. Os textos ayurvédicos clássicos dizem que o Basti sozinho pode curar 50% das enfermidades.

 

Rakta Moksha | Sangria

Rakta moksha significa literalmente liberar sangue do corpo, e consiste em extrair um pouco de sangue do organismo através de uma seringa ou de sanguessugas. Embora esta técnica raramente seja praticada por terapeutas ayurvédicos no ocidente, os textos tradicionais enfatizam o uso terapêutico de sangrias para liberar o excesso de dosha Pitta do rasa e rakta dhatus, particularmente no caso de doenças crónicas da pele, eczema, psoríase, hemorroidas, vitiligo, paralisia, gota, herpes genital, urticária, trombose, embolias, hematomas e outros. O Mestre Susruta enfatizou a importância do sangue, dando a rakta a permanência como o quarto dosha ao lado de Vata, Pitta e Kapha, sugerindo que a maioria das doenças surgem da toxemia. O Rakta moksha pode ser substituído por ervas que purificam o sangue como:  cáscara sagrada, neem e a curcuma.

Quando o sangue é removido do corpo, o sangue é espremido para fora do baço, que armazena cerca de um litro de sangue rico em linfócitos T. Assim, quando usado corretamente, rakta moksha pode estimular a função imunológica. O Rakta moksha é contra-indicado em casos de anemia, desidratação, edema, ascite, baixa contagem de plaquetas, pirexia aguda, inchaço generalizado, bem como em idosos e crianças.

 

Nasya | Limpeza nasal profunda

nasyaO Nasya é um tratamento ayurvédico que usa a administração de medicação através das vias nasais. O Nasya é particularmente útil no tratamento de doenças que ocorrem na zona cervical e cabeça. Este tratamento promove uma melhora nas funções dos órgãos sensoriais e motores.

Utiliza-se pó de gengibre, pó de cálamo, e óleos medicados. Desaconselha-se na gravidez ou no período menstrual.

O tratamento é precedido de uma massagem facial com estímulo dos pontos marmas e uso de calor localizado. Uma massagem localizada na zona cervical é aplicada e também calor localizado. Após a medicação indicada é introduzida pelas vias nasais que estimulam a retirada das toxinas e aliviam as dores.

Está indicado no caso de rigidez e contraturas cervicais, tensão na cabeça, dentes e mandíbula, paralisia facial, sinusite, rinite alérgica, dor de dente, dores de cabeça como hemicrania, dores nos ombros que irradiam para os braços e mãos.

 

Contradindicações do Panchakarma

O Shodhana chikitsa pode ser contraindicado em casos de fadiga extrema, agni debilitado, ama excessiva, toxicidade por drogas, stresse elevado, quimioterapia, gravidez, infância e velhice. Em tais casos, os terapeutas ayurvédicos podem usar o sapta shamana chikitsa (sete medidas paliativas) para estabilizar e pacificar os doshas in situ.

O Panchakarma deve ser criteriosamente acompanhado por um médico ayurvédico, e uma equipa bem formada, como forma de garantia a segurança e eficiência da sua aplicação.

 

Em Portugal o Pachakarma vai surgindo gradualmente no formato de eventos à medida que a procura aumenta, e se desenvolve o conceito de prevenção, equilíbrio do estilo de vida, e também o turismo de saúde.