ayurveda doce ayurveda | 10 passos para o retorno a nós mesmos

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Somos todos filhos pródigos em busca do Graal, do amrita, do elixir da longa vida, do caminho nos leve de retorno ao nosso Centro, Casa do nosso Coração –  Lar doce Lar da Plenitude. E se, ao chegarmos a Casa, e ao acendermos a Luz que alumia esse Lar Sagrado, descobríssemos que a Casa, o Centro, que por longas caminhadas procurámos fora, esteve sempre dentro de nós? E que o passo que nos separava de alcançarmos a nossa dimensão mais pura, iluminada, desperta esteve sempre ao nosso alcance? E se descobríssemos que o caminho, em vez de árduo, confuso, frustrante, pode antes ser (mediante a nossa escolha consciente), calmo, focado, coerente, ajustado à nossa Essência?

A Ayurveda é uma sabedoria ancestral votada a um propósito visionário: transportar cada um de nós na sua senda dourada de retorno a nós mesmos da forma mais holística, suave, individual, responsável e coerente possível. O foco deste caminho são as escolhas iluminadas, conscientes que fazemos a cada pequeno passo do nosso quotidiano. Tudo importa! Se desligámos a luz quando saímos da sala; se separámos o lixo; se decidimos conscientemente comer a fruta como snack; se voltámos atrás para devolver o telemóvel que alguém perdeu; se abençoámos o estranho que pedia ajuda. Existem uma série de pequenos passos, que pela sua perseverante repetição abrem esta dimensão pura e profunda do nosso Ser Pleno.

Um | Enraíza-te

Desenvolveres a atenção plena é o primeiro passo de retorno a ti próprio. Quando caminhas pela rua, e estás presente, no Aqui e no Agora, és mais livre para fazeres as escolhas certas. Descalça-te sempre que puderes. E mesmo calçado/a visualiza as tuas raízes de luz a crescerem sob as plantas dos teus pés e a espalharem-se em profundidade. Visualiza uma âncora, um cordão de luz dourada que sai da tua Essência ligando o teu primeiro chakra ao centro da Terra. Torna o enraizamento e a ancoragem o primeiro gesto que realizas quando acordas. Encontra um objecto que tragas habitualmente contigo, e usa-o para reavivar a intenção (e a memória) de ancorares e enraizares a tua energia.  Conectares-te é tomares a responsabilidade de te escolheres, de te tornares a prioridade na tua própria vida.

Dois | Medita

Começa devagar. Lembra-te que tens vários corpos, e que nem todos sabem que querem e gostam de meditar. A Meditação potencializa a capacidade de foco da mente, contudo o corpo físico também precisa de aprender a meditar. Sê gentil com ele. Sê gentil com a impaciência dele. Começa com 1 minuto de meditação, e deixa o tempo em que meditas ir crescendo à medida que a meditação passa de obrigação a prazer. O corpo adora meditar, contudo esse prazer pode ainda estar por descobrir. Canta. Mantra. Ri. O riso abre o espaço da Meditação, esvazia a mente. Ajuda o corpo a sentir fisicamente a frescura do duche da mente. Com o tempo o corpo será o primeiro a ansiar por esse momento de pureza, tranquilidade, de higiene interior.

Três | Prana – Respira

A respiração poderia vir agregada tanto ao enraizamento como à meditação. Respirares é fundamental no processo de te conectares ao campo electromagnético da Terra, favorece e está implícito ao processo meditativo. Sendo a respiração um processo habitualmente inconsciente, sempre que fazes uma respiração consciente podes perceber que atenção dada à inspiração/expiração altera a tua atenção, a tua consciência e o teu humor. Inspirar profundamente durante uns minutos produz imediatamente o efeito de alcalinizar o sangue, resultando num estado de espírito mais presente e sereno. Respirar é muito mais do que encheres os pulmões de ar. Respirar impregna-te de Prana, de força vital, anímica, fundamental para manteres a Alegria e a vontade de viver. Respirar traz-te à tua Presença. Espreguiça-te, respira fundo logo depois de acordares. Respira fundo em todos os pequenos gestos do teu quotidiano. Usa a respiração para te reequilibrares durante o dia.

Quatro | Vata, Pitta e Kapha | Conhece-te a ti mesma/o

Existem muitas formas de desenvolvermos o nosso autoconhecimento. A Ayurveda é uma das grandes árvores de sabedoria que oferece nos seus frutos a luz da auto-compreensão do indivíduo. Os Cinco Elementos (Éter, Ar, Fogo, Água e Terra) exprimem as diferentes intensidades de vibração da Matéria (Prakriti). Estes Cincos Elementos combinam-se e formam três bioenergias – Vata, Pitta e Kapha – através das quais na Ayurveda são reconhecidas e categorizadas todas as formas materializadas, incluindo o ser humano. Cada Ser individualizado (Ahamkar) vem expressar uma combinação única destas bionergias, sendo por isso importante que na tua interacção com o mundo exterior, possas partir do autoconhecimento de como vibras, o que te harmoniza, e o que te desequilibra. Saberes quem És permite-te assumires a responsabilidade pelas tuas escolhas, desenvolveres a tolerância para contigo e para com os outros, e caminhares de forma mais serena e segura no Mundo.

Cinco | Sattva, Rajas e Tamas | Abraça a mudança… suavemente

Sattva, Rajas e Tamas são as três qualidades da matéria vibrante. Pode-se dizer que Sattva é equilíbrio/luz, Rajas é movimento, e Tamas é inércia. Quando cada das qualidades vibra na sua devida proporção encontras a consonância nos vários aspectos da tua Vida. Num quotidiano harmonioso a adaptabilidade de Sattva impera largamente. Quando estás sattvico abraças suavemente a mudança, entregas-te com confiança a cada curva do caminho. Contudo para alcançares o equilíbrio de Sattva precisas de algum movimento, precisas de Rajas qb. Movimento em excesso, no entanto, intensifica o dia-a-dia e traz agitação e desequilíbrio. E tudo pode tornar-se mais complexo quando há ausência de movimento – Tamas , e a inércia, e a sombra imperam.

Precisas por isso de um pouco de Rajas, para venceres a inércia de Tamas, e desta forma alcançares a tua Luz pura e brilhante em Sattva. Um pouco de Yoga, Dança, Tai-Chi, umas braçadas na piscina, uns passos de Kung-fu, uma caminhada… Reserva diariamente um tempo para manteres um movimento saudável e inspirador, e permitires que o brilho e a luz de Sattva predominem no teu quotidiano.

Seis | Alimenta-te Conscientemente

O alimento é sagrado. O alimento também é memória, informação. Todas as moléculas de água, de todos os alimentos, transportam a sua história, que se torna a tua história, depois de te imbuíres da sua energia. Impregnas-te todos os dias do Sol que cada alimento assimilou e sintetizou na sua estrutura, da felicidade que absorveu ao ser semeado, colhido, cozinhado. Quanto mais consciente estiveres mais facilmente consegues escolher os alimentos que são adequados à nutrição do teu veículo sagrado físico, e à manutenção da tua vitalidade. Os alimentos sattvicos são aqueles que são mais frescos, puros, biológicos, genuínos, nada processados, plenos de Prana.

Mais do que aquilo que comemos, somos aquilo que assimilamos. Na Ayurveda, a correta assimilação dos alimentos é o grande foco do processo digestivo. Podes fazer a escolha mais correta de alimentos, contudo se a tua assimilação for insuficiente, beneficias pouco de todo o Prana que te é oferecido através dos alimentos. Respira antes de comeres, abençoa todos os alimentos que degustas, e o teu Agni brilhará forte.

Sete | Purifica

Ao longo de um ano, o teu corpo entra em contacto e degusta uma diversidade absurda de alimentos. Se tiveres em conta que cada alimento traz um manancial de informação que carrega os teus cinco sentidos, compreendes que o corpo acumula estes imensos ‘registos’, e os compacta no teu inconsciente, tal como uma memória de telemóvel ou PC. Naturalmente estes ‘registos’, esta memória saturada precisa de ser limpa, para que o processamento do alimento ocorra de forma eficiente e integral. O teu intestino é o teu ‘cérebro’ emocional, e quando as suas paredes estão congestionadas, o processamento de toda a informação externa e interna fica condicionado. Os teus sentimentos e emoções, os teus pensamentos e ideias, o teu alinhamento interno e a tua espiritualidade perdem a clareza e a coerência. É importante realizar um detox regular, e cada bioenergia – Vata, Pitta e Kapha – necessita de um método adequado à sua vibração. Beber água morna, comer fruta fresca (biológica), fazer smoothies podem ser formas de desintoxicar. Na Ayurveda é habitual usarmos a Triphala para coadjuvar este processo, contudo convém consultar um terapeuta ou médico para a correta ingestão deste complexo. O detox regular ajuda a transmutar, regenerar e rejuvenescer os teus diferentes corpos, e existe uma regularidade com que esta depuração deve ser realizada, no intuito de manter a plenitude, a vitalidade, a saúde global do corpo.

Oito | Entrega-te

Cada ser humano é um portal multidimensional. Todos trazemos crenças limitadoras profundamente arreigadas, todos trazemos a necessidade de controlar, todos trazemos expectativas, e uma tremenda programação inclusa e inconsciente, frutos e heranças tanto do nosso karma – Lei da Causa e Efeito – como das experiências que como Alma escolhemos realizar no nosso processo de auto-realização. Trazes no teu interior tanto a dimensão da Luz, como a dimensão da Sombra, que se revelam nas diversas máscaras que vestes nos diferentes contextos da tua vida. A primeira parte da senda do autoconhecimento, passa muito pelo processo de aprenderes a aceitar-te nas tuas diversas e diferentes dimensões, a aceitares a tua Sombra, a sanares e acarinhares a tua criança interior, e encontrares coesão e coerência, para finalmente saberes quem És, na tua profunda Essência. É um caminho que começa por ser solitário, mas que se transmuta em solitude, em aceitação, quando aprendes a ser o teu melhor companheiro de viagem.

O salto evolutivo e qualitativo, acontece contudo, quando aprendes a partilhar-te com os outros, com o outro. Quando aprendes a render-te, quando te permites fragilizar-te, vulnerabilizar-te, quando permites que o outro te ‘Veja’ na tua Essência, com os prós e os contras, com as virtudes e os feitios, à transparência, e que mesmo assim te aceite, como o aceitas a ele, tanto pela sua Luz, como pela sua Sombra (sobretudo pela sua sombra), e te entregas nu(a), modesta(o), humilde, sem condições, sem ego. As relações íntimas são o espaço perfeito para potenciares o teu crescimento espiritual. O outro é o teu espelho; ele revela-te com doçura o teu ângulo morto, para que possas tomar consciência dele e avançares e cresceres como pessoa. Na Ayurveda, o desenvolvimento de uma sexualidade consciente e terapêutica é um pilar que sustenta o desenvolvimento individual, tendo também, um impacto direto na qualidade das relações do colectivo. A correta e equilibrada gestão da nossa intimidade é por isso, um campo primordial de expansão tanto da nossa consciência pessoal, como tem um papel fundamental no desenvolvimento da harmonia familiar, comunitária, social, global.

Nove | Confia, agradece, aceita

Quando aceitas a responsabilidade pelas tuas escolhas, quando aceitas que nada acontece por acaso, que não existem bodes expiatórios que justifiquem as tuas acções, e que a tua Felicidade não depende de factores externos, começas a aceitar-te como És. E quando começas a aceitar-te como És, começas a sentir que tudo, mas mesmo tudo no teu quotidiano é uma bênção, e que tanto agradeces de coração uma ‘graça’ como um ‘infortúnio’, porque aceitas e entendes, e compreendes, que tudo te traz uma oportunidade de conheceres melhor, de escolheres melhor também, e que essa escolha traz a verdadeira liberdade implícita. E quando começas a aceitar-te como És, começas a confiar, começas a intuir, começas a sentir que afinal tiveste sempre acompanhada(o), e que o trabalho que tens vindo a realizar é resultado de uma co-criação, que durante muito tempo foi inconsciente da tua parte. Quando te responsabilizas pelo teu papel no processo co-criativo permites que a harmonia, o equilíbrio, a clareza estejam cada vez mais presentes no teu quotidiano.

Dez  |  Preserva e Simplifica

Também podia dizer, destralha. Todos os objectos que tens à tua volta plasmam-se dentro da tua mente como objectos de referência espacial, aos quais muitas vezes associas também valor emocional. Estes objectos ‘enchem’ a mente, atulham a memória, e deixam pouco espaço para a criatividade, a imaginação, para a tua Essência.

árvore flor

E também enchem a Terra. Também inundam este solo sagrado de entulho desnecessário, que polui, desequilibra. A Terra é uma extensão do teu corpo físico. Gostarias de ter o teu corpo tão entulhado? O Ar, o Fogo, a Água, a Terra são essenciais à Vida, e estes recursos precisam de ser preservados. Trata-os com o carinho e o Amor que merecem os nossos filhos, com o respeito que merecem os nossos anciões. A conquista da simplicidade é só por si uma jornada.

A Ayurveda é uma árvore de saber visionário, que se exprime em Senda inspirada, em Amor Evolutivo, em Responsabilidade impregnada, e manifesta-se como cura, como panaceia, como Luz, que praticada quotidianamente, simplifica, modera e materializa um caminho de auto-conhecimento que nos toca e nos enriquece física, emocional, mental e espiritualmente.

sou como a água

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Sou como a Água.

Nasci da frescura e do turbilhão

de uma profundeza rochosa,

bela, intemporal.

Broto com esforço,

em queda livre sobre a Vida,IMG_20170726_175226_934

e recebo o Sol,

a Luz,

como a dádiva que me frutifica,

que me preenche

e incita a percorrer

os trilhos pedregosos

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da Senda interior.

A cada curva sinuosa do Caminho,

alenta-me apenas saber

que todos os obstáculos são conhecimento,

e tornam-se em memória sábia ,

de cada vez que os aceito

no meu caudal crescente.

Todas as minhas células fluviais

vibram com uma só Verdade:

os percursos esquivos do Saber

conduzem ao Mar do Reencontro Divino!

E quando as forças me faltam,

e no meu interior,

se formam lagos estagnados

de dor e remorso,

há uma chuva bendita que cai,

e me faz transbordar novamente,

para que aflua

com o sentido da minha Alma,

ao encontro desse Oceano de Vida,

onde me fundo com a minha Causalidade,

com o meu Destino,

com a minha Missão,

com o Amor Divino!

“depois de algum tempo…”

“Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença,
entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar
não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa
segurança. E comecas a aprender que beijos não são contratos e que
presentes não são promessas. E começas a aceitar as derrotas com
a cabeca erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e
não com a tristeza de uma criança.

E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje,
porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos
e o futuro tem o costume de cair no vazio.
Depois de um tempo aprendes que o sol queima se ficares exposto
por muito tempo. E aprendes que não importa o
quanto te importas, algumas pessoas simplesmente não se importam…

E aceitas que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela
vai ferir-te de vez em quando e precisas de perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que
leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para
destruí-la e que podes fazer coisas num instante, das quais te
arrependerás para o resto da vida. Aprendes que verdadeiras
amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que
importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. E que
os bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprendes que nao temos que mudar de amigos se compreendemos que
os amigos mudam. Percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer
qualquer coisa, ou nada, e passarem bons momentos juntos.

Descobres que as pessoas com quem te importas mais na vida são
levadas de ao pé de ti muito depressa. Por isso, devemos sempre
deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas – pode ser a
última vez que as vejamos.

Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre
nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender
que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode
ser. Descobres que se leva muito tempo para se transformar na
pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprendes que não
importa onde já chegaste, mas para onde estás a ir. Mas se não
sabes para onde vais, qualquer lugar serve.

Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão,
e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
sempre existem dois lados.

Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário
fazer, enfrentando as consequências. Aprendes que paciência
requer práctica. Descobres que, algumas vezes, a pessoa que estás
à espera que te pontapeie quando cais, é uma das poucas que te
ajudam a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com
os tipos de experiência que se teve e o que se aprendeu com elas,
do que com quandos aniversários celebraste.

Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas.
Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são
parvoíces, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia
se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estás enraivecido
tens o direito de assim estar, mas isso nao te dá o direito de
seres cruel.

Descobres que, só porque alguém não te ama da maneira que gostarias
que amasse, não significa que esse alguém não te ame com tudo o
que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não
sabem como o demonstrar ou viver isso.

Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém,
algumas vezes tens que aprender a te perdoares a ti mesmo.

Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, serás,
nalgum momento, condenado. Aprendes que não importa em quantos
pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que
o consertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar atrás.
Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao
invés de esperar que alguém te traga flores.
E aprendes que realmente podes suportar… que realmente és forte,
e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se
pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tens
valor diante da vida!”

estados da água

2013-12-28 21.15.44As nossas emoções são Água. Água pura. 

E tal como a água elas podem adquirir três estados. 

Podem ser frias, e cortantes como o gelo; 

podem ser fluídas como a água de um rio; 

ou podem evaporar-se e tornar-se leves como o vapor de água.

O problema do gelo, é a não assumpção do sentimento. 

Quando as emoções estão desligadas de nós (aparentemente), 

somos frios, distantes… o gelo não se liga aos outros… 

ele pode ser cortante! Contudo, o mais triste no gelo é que ele pode partir-se. 

É pois no seu próprio estado de reserva que se encontra a sua maior fragilidade!
As emoções cristalizadas têm de aprender a fragilizar-se, 

tem de aprender a literalmente derreter-se, deixar-se fluir, deixar-se sentir, deixar-se chorar. 

E as primeiras experiências de degelo serão naturalmente intensas. 

Um novo estado! Uma emocionalidade que arrasta e que pode levar tudo atrás. 

Contudo esta nascente que brota do interior, traz consigo a pureza e a promessa de um estado mais subtil. Por vezes esse rio de emoções flui sereno, outras cria rápidos, remoinhos, quedas d’água, 

mas algum dia desembocará sereno no mar.


E é com calor, com coragem, com o coração grato em acção, 

que essa imensa água emocional começa a evaporar e a ganhar leveza… 

Nesse estado, a emoção tudo envolve sem afectar demasiado, sem perturbar demasiado… 

Se surgir uma perturbação ela pode condensar um pouco e tornar-se por instantes fluída… 

Contudo, tendo nós adquirido o conhecimento do processo, 

podemos facilmente voltar a aligeirar o que sentimos e a trazer comunhão ao sentir.


É na beleza desta água sempre presente e ligeira, que reside a maior possibilidade de partilha equilibrada e harmoniosa… sem condensações, nem cristalizações.


O Amor é o calor que tem até o poder de sublimar o gelo mais ancestral… 

é só permitir que ele faça parte de quem somos, e nos torne coerentes connosco mesmos.

elo eterno

semearnos éons da matriz

reverbera este elo,

laço multidimensional,

que se une através de camadas de tempo

e névoas de memória.

toque que acorda o sentir

e desperta a alma,

em meia palavra

ou meio sorriso,

nu de máscaras,

para quem vê a essência.

elo de mel,

sedoso, aromático,

baunilhado,

livre dos preconceitos

e das ideias pobres

de quem se alcança apenas a si mesmo.

eterno o reconhecimento,

veludo do espírito,

que suave afaga

a leveza revelada

de um amor,

só amor,

com sentido.

privilégios

Caxias 07 Jul 2014 (1)

Este azul de Céu é um privilégio, tanto quanto a promessa contida nos contornos de cada nuvem que se dissipa abrindo espaço ao novo. E o Sol que espreita revela os seus domínios de Luz, e alimenta suave, estes pensamentos. E o fluxo do rio, contudo, que me lava a Alma, e regenera o sentir…

rumar para dentro

árvore PEQolvidar ilusões

que mastigo com a mente

sem fôlego

de pulsação desabrida

incorrem contos

que engolem a plenitude

da realidade,

esfumando-a onírica

num poema solto

que folga cantar

enlevos luminosos,

e a quem peço:

desabita o meu pensamento…

e o Verbo cala-se,

e a não-Luz sossega,

e a Consciência reconquista

a quietude,

que numa Iniciação passiva

confere plenitude

à iridescência da Alma

by ayur amrita

depois de algum tempo

 

“Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas. E começas a aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair no vazio. Depois de um tempo aprendes que o sol queima se ficares exposto por muito tempo. E aprendes que não importa o quanto te importas, algumas pessoas simplesmente não se importam…

E aceitas que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas de perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. E que os bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam. Percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e passarem bons momentos juntos.

Descobres que as pessoas com quem te importas mais na vida são levadas de ao pé de ti muito depressa. Por isso, devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas – pode ser a última vez que as vejamos.

Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobres que se leva muito tempo para se transformar na pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprendes que não importa onde já chegaste, mas para onde estás a ir. Mas se não sabes para onde vais, qualquer lugar serve.

Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprendes que paciência requer prática. Descobres que, algumas vezes, a pessoa que estás à espera que te pontapeie quando cais, é uma das poucas que te ajudam a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que se aprendeu com elas, do que com quantos aniversários celebraste.

Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são parvoíces, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estás enraivecido tens o direito de assim estar, mas isso não te dá o direito de seres cruel.

Descobres que, só porque alguém não te ama da maneira que gostarias que amasse, não significa que esse alguém não te ame com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como o demonstrar ou viver isso.

Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a te perdoares a ti mesmo.

Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, serás, nalgum momento, condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar atrás.

Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperar que alguém te traga flores. E aprendes que realmente podes suportar… que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tens valor diante da vida!”
atribuído a William Shakespeare