MASALA: O CONCEITO DE ANTÍDOTO NA AYURVEDA

Encontrar o equilíbrio na digestão é um dos grandes propósitos preventivos na Ayurveda. A nossa capacidade digestiva envolve muito mais que a nossa capacidade de digerir e assimilar nutrientes.

Através da digestão favorecemos a capacidade de absorver e assimilar também pensamentos, emoções, sentimentos. O estômago é um órgão recetivo, e as diferentes constituições bioenergéticas – Vata, Pitta e Kapha – têm diferentes capacidades de digestão, absorção, assimilação e integração.

Ingerimos ao longo de um ano uma quantidade extraordinária e diversa de alimentos. Na sua forma física os alimentos contêm nutrientes, contudo, eles contêm também prana, vibração e informação. Aumentar a capacidade de digestão e assimilação a todos os níveis tem sido um dos focos da Ayurveda. De forma a aumentarmos a capacidade de assimilar foram criadas várias fórmulas – as Masalas – que contêm várias especiarias que potenciam a digestão. De entre as mais conhecidas temos o caril masala, a garam masala e a tea masala.

Caril Masala

O caril é uma mistura de especiarias usada na culinária indiana que varia muito na sua composição, dependendo da região de origem e das preferências pessoais. Podemos encontrar caril em quase todo o mundo. Embora seja uma masala de origem indiana, diferentes regiões da Índia desenvolveram as suas próprias misturas. As viagens dos comerciantes indianos pelo mundo, a partir do final do século XVIII contribuíram para a difusão da sua tradição culinária. O caril feito com ingredientes regionais integraram-se na culinária local em quase todos os lugares a que os indianos chegaram.

Alguns dos ingredientes mais comuns no caril incluem o açafrão-da-índia, o feno-grego, os coentros, a canela e o gengibre. As sementes de mostarda, os cominhos, a pimenta caiena e o cardamomo são também frequentemente incluídos nas misturas de caril. Para se preparar a masala de caril em casa é recomendável  comprar especiarias inteiras e triturá-las para se obter frescura e um perfil de sabor mais completo. Na receita abaixo, as especiarias são usadas inteiras, embora também possam ser usados pós de especiarias com uma proporção de 1: 1.

Ingredientes:

3 colheres de sopa de sementes de coentros

2 colheres de sopa de cominhos

2 colheres de sopa de açafrão-da-índia moído

1 colher de sopa de sementes de mostarda

2 colheres de chá de sementes de cardamomo

1 colher de chá de gengibre em pó

1 colher de chá de pimenta preta

5-8 paus inteiros (ou 1 colher de chá de canela em pó)

1/2 colher de chá de pimenta caiena

Muitos destes ingredientes oferecem benefícios potenciais consideráveis à saúde:

– Controle de açúcar no sangue: A curcuma, uma das principais especiarias do caril em pó, pode diminuir o risco de diabetes. Um estudo descobriu que o composto ativo da curcuma, a curcumina, evitava picos acentuados de açúcar no sangue e melhorava a sensibilidade à insulina em animais alimentados com uma dieta rica em gordura. Os pesquisadores observaram que a curcumina mostrou efeitos semelhantes ao medicamento para diabetes rosiglitazona e concluiu que os benefícios da curcumina podem ser devidos, em parte, a efeitos anti-inflamatórios.

– Anticancerígeno: Consumir caril em pó regularmente pode prevenir o cancro. A curcumina tem a capacidade de parar o cancro num dos seus estágios iniciais. A melhor forma de consumir a curcuma é assá-la com um pouco de água e pimenta preta (para potenciar a absorção dos seus princípios ativos), e guardá-la no frigorífico.

– Gestão do colesterol: O caril em pó pode ajudar a diminuir o colesterol e prevenir os cálculos biliares devido a uma das suas especiarias constituintes, o feno-grego.

– Desintoxicação: O pó de caril contém coentros que pode ajudar a remover metais pesados tóxicos, como o chumbo e o mercúrio. Um estudo descobriu que o consumo diário de coentros evitava alguns dos efeitos do envenenamento, incluindo também os baixos níveis de testosterona e a baixa contagem de espermatozoides. Os pesquisadores observaram que os coentros protegiam contra o stress oxidativo da exposição ao chumbo.

Garam Masala

Garam masala, ou “especiarias quentes”, é usada para adicionar sabor e aroma aos alimentos. É comum também no subcontinente indiano, nas Maurícias e em outras partes do mundo. De acordo com o Ayurveda, as especiarias da garam masala têm uma potência quente e aumentam o Pitta, a temperatura corporal, e o poder digestivo. Existem várias variações aos ingredientes principais da fórmula da garam masala. É natural que cada família e região ajustem a fórmula à sua latitude e necessidades específicas.

Em vez de gengibre seco, algumas pessoas optam por adicionar gengibre fresco. Em algumas regiões, são também adicionados grãos de pimenta brancos aos grãos de pimenta pretos. Noutras regiões, são adicionadas sementes de funcho, açafrão, alho, feno-grego, mostarda e tamarindo, embora essa variação seja menos comum. No sul da Índia, é habitual usar-se como uma pasta geralmente feita com leite de coco ou água.

Para se preparar a garam masala caseira é necessário secar todas as especiarias à luz do sol por três a quatro dias para remover toda a humidade e libertar todos os possíveis germes que possam existir nas mesmas. Existe ainda a tradição de se assarem os temperos, que melhora o aroma de algumas especiarias, embora nem todas beneficiem deste calor extra.

As principais especiarias da Garam Masala são:

– Sementes de cominhos, quentes em potência. Equilibram o Kapha e o Vata e aumentam o Pitta. As sementes de cominho são úteis na anorexia. Elas conferem sabor aos alimentos, melhoram a força digestiva, ajudam na eliminação do ar abdominal, indigestão, síndrome do intestino irritável, hemorroidas, infestação por vermes e diarreia.

– Sementes de coentros são quentes em potência. As sementes de coentros conferem sabor aos alimentos, aumentam a força digestiva, ajudam sede excessiva, diarreia, infestação por vermes, anorexia, vómito e dor abdominal.

– Pimenta preta é quente em potência, e equilibra o Vata e o Kapha. A pimenta preta aumenta a força digestiva, estimula as secreções hepáticas, aumenta a produção de saliva e é útil na infestação de vermes. Elimina gases abdominais excessivos, inchaço abdominal e dor no abdómen.

– Pau de canela é quente em potência e equilibra o Vata e o Kapha, e aumenta  Pitta. A Canela é útil no aumento da força digestiva, digestão de alimentos, diarreia, indigestão, elimina o ar abdominal excessivo, estimula as secreções hepáticas e liberta a infestação por vermes. É útil na dor abdominal, na síndrome do intestino irritável e hemorroidas.

– Cravinho da índia é frio em potência, e equilibra o Kapha e o Pitta. O cravinho é útil para aumentar a força digestiva, a digestão e o sabor. Aumenta a produção de saliva, é útil na secura da boca e no mau hálito. Elimina o ar excessivo do abdómen, ajuda a reduzir o inchaço abdominal e a dor abdominal. Estimula as secreções hepáticas, é útil na anorexia, na acidez, na síndrome do intestino irritável crónico, náusea e sede excessiva.

– Vagens de cardamomo verde é frio em potência e equilibra todos os três doshas. O cardamomo é útil para nos livrarmos do mau hálito. Limpa a boca, é útil em náuseas, vómitos e sede excessiva. Dá sabor aos alimentos, aumenta a força digestiva, ajuda na digestão e atua como um laxante suave. É útil na dor abdominal, inchaço abdominal e hemorroidas.

– Vagens de cardamomo preto é quente em potência, e equilibra o Kapha e o Vata, e aumenta o Pitta. As vagens de cardamomo pretas conferem sabor aos alimentos, aumentam a força digestiva,  úteis na anorexia, náusea e vómito. Agem como um laxante suave, são úteis em sede excessiva, em dores abdominais, inchaço, problemas hepáticos e hemorroidas.

– Noz-moscada é quente em potência, e equilibra o Kapha e o Vata. É útil na remoção do mau hálito, confere sabor aos alimentos e é útil no aumento da força digestiva, na digestão, estimula as secreções hepáticas, elimina o ar abdominal excessivo, útil na diarreia, na infestação de vermes, na síndrome do intestino irritável, sede excessiva e vómitos.

– Folha de louro é quente em potência, e equilibra o Vata e o Kapha, e aumenta o Pitta. É útil no aumento da força digestiva, digestão de alimentos, diarreia e indigestão. Elimina o ar abdominal excessivo, estimula as secreções hepáticas e é útil na infestação por vermes, dor abdominal, síndrome do intestino irritável e hemorroidas.

– Gengibre seco é quente em potência, e equilibra o Kapha e o Vata. Atua como aperitivo, melhora o paladar e é útil na anorexia. Melhora a força digestiva, elimina o ar excessivo do abdómen, inchaço abdominal, dor abdominal, hemorróidas, náusea e vómito.

Tea Masala ou Chai Masala

O Chai Masala ou Tea Masala é uma mistura aromática de especiarias inteiras que torna o chá indiano perfumado e saboroso, para além de minimizar o impacto de aumento do Vata e do Pitta que a folha do chá provoca naturalmente. Semelhante à mistura de especiarias da Garam Masala, cada casa tem a sua própria receita secreta para fazer o chai e o chai masala. Todos incluem os mesmos ingredientes – leite, açúcar, folhas de chá. Alguns gostam do chai com muito gengibre, alguns com vagens de cardamomo verde e alguns de Masala Chai, que contém uma mistura de especiarias inteiras.

A Tea Masala habitualmente contém:

– Cravinho-da-índia: O cravo-da-índia possui propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Eles acrescentam profundidade e um tom terroso ao chai.

– Cardamomo Verde: O cardamomo possui antioxidantes e compostos para combater o cancro. Acrescenta fragrância e  uma doçura sutil ao chai.

– Pimenta preta: A pimenta preta tem propriedades anti-inflamatórias, ajuda na digestão e absorção de nutrientes. Eles adicionam um toque quente ao chai.

– Sementes de erva-doce: a erva-doce ajuda na digestão saudável e tem um efeito calmante. Eles adicionam um sabor sutil e refrescante ao chai.

– Canela: A canela tem propriedades medicinais poderosas, como diminuir o risco de diabetes, regular o açúcar no sangue e muito mais. Acrescenta doçura e calor naturais ao chai.

– Pó de gengibre seco: O gengibre ajuda a reduzir a inflamação e melhora a digestão e a imunidade contra gripe e constipações. Ele adiciona um sabor sutil e calor ao chai.

– Noz-moscada: a noz-moscada tem a capacidade de aliviar a dor, melhorar a indigestão e a circulação sanguínea. Acrescenta um sabor levemente doce e quente ao chai.

Para se preparar a Tea Masala em casa, todos os ingredientes devem ser misturados (exceto a noz-moscada) no liquidificador, de modo a gerar um pó grosso. Ralar a noz-moscada usando um ralador fino. O Chai Masala deve ser armazenado num recipiente hermético, e deve ser usada uma colher limpa e seca ao retirá-lo do frasco. Para se preparar o Chai deve-se adicionar 1/4 de colher de chá de masala por chávena. Podem-se adicionar folhas de tulsi, pétalas de rosa secas e gengibre a esta masala.

ALIMENTOS FERMENTADOS: EQUILIBRAR AS BOAS BACTÉRIAS COM A AYURVEDA

A preparação de alimentos e bebidas fermentados através de crescimento microbiano controlado são produzidos e consumidos desde o desenvolvimento da civilização humana, pela sua tremenda capacidade de melhoria da saúde intestinal. Conheça os seus benefícios através do conhecimento milenar da medicina ayurvédica.

Achar de limão

O valor dos alimentos fermentados é conhecido desde os primórdios da Ayurveda, tanto pelos seus benefícios ao nível da preservação dos alimentos, como pela capacidade de acelerar o agni, fomentando a digestão da ama (toxinas), e o reabastecimento de enzimas.

A preparação de alimentos e bebidas fermentadas feitos através de crescimento microbiano controlado, e conversões enzimáticas de componentes alimentares maiores e menores, têm sido itens básicos da nossa dieta, e foram produzidos e consumidos desde o desenvolvimento da civilização humana, pela sua tremenda capacidade de melhorarem a saúde intestinal.

A culinária indiana é composta de alimentos fermentados essenciais, como idli (bolo de arroz e lentilhas fermentadas), chutney (fruta ou vegetal tradicionalmente fermentado ao sol), dosa (arroz e feijão fermentados), lassi (leite fermentado), que fornecem o correto aporte de boas bactérias intestinais. Contudo, a utilização destes alimentos tem sido rodeada de alguns cuidados na Ayurveda sendo habitualmente evitada a utilização de alimentos fermentados de longa duração – alimentos rancificados e apodrecidos (como o queijo) – já que o excesso de fermentação tem a tendência para aumentar drasticamente o Pitta, desequilibrando o fogo digestivo, e aumentado também a inflamação no organismo. Os apreciadores de queijo podem ainda assim ficar moderadamente descansados, já que a ingestão dos mesmos pode ser adequada em zonas do globo onde o clima é mais frio que na Índia, de forma geral no inverno.

Benefícios da fermentação

O intestino é agora conhecido como o segundo cérebro devido ao tamanho, complexidade e semelhança em termos de neurotransmissores com o nosso cérebro. De facto, as boas bactérias podem estimular as células no revestimento do intestino a produzirem a sensação do bom neurotransmissor serotonina.

As culturas de bactérias benéficas produzidas durante a fermentação ajudam a melhorar a digestão, tornando-a mais fácil devido à pré-digestão dos alimentos pelas enzimas. Estes alimentos podem reduzir a inflamação (quando são fermentos de curta duração), fortalecem o sistema imunitário, impedem que bactérias nocivas se sobreponham no intestino, o que pode levar a condições digestivas crónicas, como cândidas, disbiose intestinal e síndrome do intestino irritado.

A fermentação permite a conservação de quantidades substanciais de alimentos através de fermentações de ácido láctico, álcool, ácido acético e alcalino. Enriquecem a dieta através do desenvolvimento de uma diversidade de aromas, texturas e sabores em substratos alimentares, e produzem ainda um enriquecimento biológico de substratos alimentares com proteínas, ácidos essenciais, aminoácidos gordos essenciais e vitaminas. De forma muito prática os alimentos fermentados diminuem o tempo de confeção e a necessidade de combustível, tornando-os práticos para a nossa cultura atual.

Os alimentos fermentados proporcionam muitos benefícios à saúde, tais como atividade antioxidante, antimicrobiana, antifúngica, anti-inflamatória, antidiabética e anti-aterosclerótica. Podem trazer benefícios para que tem intolerância à lactose, ajudam a controlar o colesterol, têm efeitos anticancerígenos, aumentam a energia e a longevidade, previnem doenças inflamatórias intestinais, têm um efeito anti-hipertensivo e antidiabético, melhoram o humor e comportamento. Devido à sua digestibilidade, e reforço da flora intestinal, os alimentos fermentados combatem a obesidade.

Dahi ou requeijão (iogurte)

Segundo a Ayurveda, a coalhada é um aperitivo, estimulante digestivo, afrodisíaco, untuoso e promotor de força. Ele pacifica o Vata, é auspicioso e nutritivo. É útil na rinite, diarreia, febre com frio, anorexia, disúria e emaciação. O dahi indiano (iogurte) consumido a cada refeição tem inúmeros benefícios para a saúde. A fermentação do leite resulta na quebra da caseína ou proteína do leite, uma das proteínas mais difíceis de digerir. A cultura restaura muitas das enzimas destruídas durante a pasteurização, incluindo a lactase, que ajuda a digerir a lactose. Isso, por sua vez, ajuda o corpo a absorver cálcio e outros minerais.

A lactase produzida durante o processo de cultura permite que muitas pessoas sensíveis ao leite tolerem produtos lácteos fermentados. O consumo regular de produtos lácteos cultivados reduz o colesterol e protege contra a perda óssea, sendo o cálcio, o magnésio ou os ácidos gordos específicos presentes nos laticínios podem ser benéficos. Tem-se constatado uma redução no risco de doença cardiovascular (DCV), diabetes tipo 2 (DM2) e mortalidade geral pelo consumo frequente de iogurte. Esses benefícios podem estender-se às respostas fisiológicas imediatas, uma possibilidade recentemente indicada pela constatação de que o consumo de leite fermentado melhorou o metabolismo da glicose e reduziu a dor muscular induzida pelo exercício resistido agudo.

Lassi

O Lassi é uma bebida tradicional indiana produzida pela mistura de iogurte com água, é muito popular pela sua capacidade de melhorar a digestão. O lassi pode ser apreciado como uma bebida doce, ou como uma bebida com infusão de especiarias, sendo preparada de forma a equilibrar os três doshas. Para apaziguar o Pitta, pode ser adicionada manga doce ou madura, com um pouco de açúcar e de cardamomo. Para pacificar o Vata e o Kapha, adiciona-se um pouco de sal, gengibre ou pimenta preta, e cominhos ao lassi. No norte da Índia, o lassi é misturado com um pouco de açafrão da índia em pó como remédio para gastroenterite. O lassi é melhor feito fresco antes de servir.

Kaanji

Na Ayurveda é descrito como Sukta, que agrava o Pitta e o Kapha e pacifica o Vata. No norte da Índia, a cenoura de cor púrpura é fermentada juntamente com sementes de mostarda trituradas, pimenta em pó quente e sal por 7-10 dias para obter uma bebida popular chamada Kanji, que é considerada de alto valor nutricional e propriedades refrescantes e calmantes. Uma bebida semelhante é feita a partir de beterraba, que tem o potencial de prevenir doenças infecciosas e malignas. As bactérias do ácido láctico, ou probióticos desempenham um papel importante na fermentação de vegetais. Melhora o valor nutritivo, palatabilidade, aceitabilidade, qualidade microbiana e o prazo de validade do alimento. Esta bebida de probióticos traz um valor de reforço imunológico.

Dosa (feijão ou lentilhas e arroz fermentado)

Os Dosa é um delicioso crepe de arroz e lentilha (ou feijão) fermentados tradicionalmente apreciado na parte sul da Índia. Os Dosas são altamente nutritivos e fáceis de digerir. A Ayurveda recomenda o uso de lentilhas pretas para se confecionarem os dosas, especialmente no inverno. Eles ajudam a combater o clima frio, fornecendo calor. As lentilhas negras são altamente nutritivas e ajudam a construir todos os sete tipos de tecidos do corpo, especialmente o tecido muscular.

Na confeção é essencial ensopar as lentilhas antes de cozinhar para ajudar a eliminar o ácido fítico, e reduzir o gás intestinal, e torná-las fáceis de digerir. O arroz Basmati é um hidrato de carbono refrescante de fácil digestão. O feno-grego acrescenta calor, ajuda na digestão das lentilhas, bem como no processo de fermentação e apoia o equilíbrio de açúcar no sangue. A combinação de arroz e lentilhas resulta numa “proteína completa”, pois tem todos os aminoácidos essenciais, o que é especialmente importante para os indivíduos com uma dieta vegetariana. Além disso, os dosas são isentos de glúten e podem ser facilmente fabricados sem produtos lácteos, substituindo o ghee pelo óleo de coco.

O chutney de coentros e coco que é tipicamente servido ao lado de dosas, fornece uma boa fonte de gordura na forma de coco. As especiarias como o gengibre, os coentros, o pimentão verde e os cominhos promovem o apetite e ajudam na digestão.

Idli

O Idli é um saboroso bolo cozido, feito à base de leguminosas fermentadas. O arroz e as lentilhas pretas são os principais ingredientes, sendo necessária uma panela especial para os confecionar. O Idli é geralmente considerado como um alimento anti-obesidade e é usado em dietas de emagrecimento. É útil para reduzir o risco de doenças cardiovasculares, pressão alta e derrames. Ele também é usado como um suplemento dietético para tratar crianças que sofrem de desnutrição proteico-calórica. Os micronutrientes como o ferro, zinco, folato e cálcio impedem a anemia e facilitam a oxigenação do sangue e a nutrição dos músculos e ossos. Os hidratos de carbono e a fibra alimentar promovem a digestão saudável e a formação de fezes volumosas.

Michele Pó, Ayurveda

Vinagre de maçã | Uma perspetiva ayurvédica

Sendo um preparado de origem ocidental, o vinagre de maçã não vem documentado na Ayurveda. Tradicionalmente preparado a partir de maçãs maduras que fermentam lentamente durante o período de um mês, é recomendado para suportar o açúcar no sangue saudável, aliviar o peso, aumentar a produção de ácido do estômago (agni) e reduzir os desejos. É um estimulante digestivo e circulatório. O vinagre é indicado para ajudar a secreção de ácido clorídrico e para promover e facilitar a menstruação.

De acordo com os clássicos textos ayurvédicos, “Não há nada no mundo que não tenha utilidade terapêutica em condições e situações apropriadas”. Por outro lado, existem sempre situações em que os alimentos e as ervas são desadequadas. Na perspetiva ayurvédica, “A eficácia da digestão depende da força do fogo digestivo (agni)”. Se o fogo digestivo é forte, então o apetite é bom, a digestão e a absorção são fáceis, e a eliminação é constante. Se o fogo digestivo estiver baixo, a comida pode ficar no estômago, e podemos sentir-nos ofegantes, entorpecidos, ou mesmo enjoados. Quanto mais comermos pior nos iremos sentir. Por outro lado, se o fogo digestivo estiver muito alto, podemos sentir ardor, dor ou desconforto, e alívio quando comermos.

Na Ayurveda, substâncias diferentes têm efeitos diferentes no fogo digestivo de um indivíduo, dependendo da constituição da pessoa. O aquecimento de substâncias como o gengibre, a pimenta ou a canela estimulam o agni e são mais simpáticas para o Vata e para o Kapha, predominantemente frios. Os alimentos e ervas refrescantes, como a romã, raiz de alcaçuz ou o sumo de aloé vera, retardam ou facilitam o agni, e geralmente beneficiam o Pitta. O paladar também afeta a digestão. Os alimentos de sabor ácido, salgado e picante aquecem, e tendem a aumentar o agni, enquanto que os sabores adocicados e adstringentes são frios e inibem-no. O sabor amargo, sendo fresco e leve, suporta o Pitta e o Kapha.

Olhando para a dinâmica energética de uma maçã madura, o seu sabor (rasa) é adstringente, doce e ácido; o seu efeito térmico (virya) é refrescante; e o seu efeito pós-digestivo (vipaka) é doce. Em termos dos doshas, a leveza fresca de uma maçã crua tende a agravar o Vata, reduzir o Pitta e acalmar o Kapha. O sumo de maçã é usado na Ayurveda para aliviar sensações de ardor.

No entanto, a preparação pode alterar consideravelmente o efeito de um alimento. A fermentação muda a história suave da maçã. O sabor do vinagre de cidra de maçã é ácido, a sua energia é quente e o seu efeito pós digestivo é ácido. Isso inverte a imagem em termos do seu efeito nos doshas. Sendo o sabor ácido quente, o vinagre de maçã pode acalmar o Vata – e definitivamente agravará o Pitta e o Kapha.

Além disso, a forma como um alimento é preparado pode afetar a mente. Os alimentos frescos (sattvicos) são considerados mais calmantes para a mente do que os fermentados ou picantes (rajásicos). Os alimentos que passaram muito tempo em congeladores, frigoríficos, ou fornos de microondas (tamásicos) podem enfraquecer a nossa energia.

A Índia tem uma longa tradição de usar medicinalmente ervas fermentadas na forma de arishtas e asavas (tónicos fitoterápicos fermentados ayurvédicos). No entanto, a maioria dos profissionais ayurvédicos tradicionais que viviam na Índia evitariam recomendar o vinagre de maçã rajásico como uma ajuda digestiva. É quente, é fermentado e pode provocar irritações na pele. Alguns especialistas em Ayurveda que vivem em climas frios são mais propensos a dedicarem-se a recomendar os alimentos fermentados.

O vinagre de maçã é um tónico natural para a saúde, e tem vários benefícios suportados por estudos científicos. De qualquer forma, têm surgido alguns relatos de efeitos colaterais do vinagre de maçã, sobretudo quando consumido em grandes doses.

Os efeitos colaterais de vinagre de cidra de maçã

O vinagre de maçã tem demonstrado atrasar a velocidade com que o alimento deixa o estômago. Isso pode piorar os sintomas de gastroparesia e dificultar o controle do açúcar no sangue para pessoas com diabetes tipo 1. Apesar de ajudar a reduzir o apetite, também pode causar náuseas, especialmente quando consumido como parte de uma bebida pouco saborosa. O ácido acético no vinagre pode enfraquecer o esmalte dental e levar à perda de minerais e cáries dentárias. O vinagre de maçã tem o potencial de causar queimaduras esofágicas (garganta). Alguns pesquisadores recomendaram que o vinagre seja considerado uma “potente substância cáustica” e mantido em recipientes à prova de crianças. Alguns medicamentos podem interagir com o vinagre de maçã, incluindo insulina, digoxina e certos diuréticos.

É importante considerar que cada corpo funciona de forma muito particular, pelo que se recomenda o aconselhamento especializado em Ayurveda, na integração de alimentos fermentados na alimentação.

TEXTURA, CONSCIÊNCIA E SENSAÇÃO: AS VANTAGENS DE COMERMOS COM AS MÃOS

Segundo a Ayurveda, a ingestão dos alimentos com as mãos estimula as terminações nervosas dos dedos, tornando a ingestão de alimentos mais consciente das texturas, do sabor e dos aromas, enriquecendo os sentidos com informação, conhecimento e assimilação.

A tradição de comermos com as mãos nasce nos primórdios da Humanidade, adotada pela maioria das civilizações, incluindo o vale do Indo, os Gregos e os Egípcios. Embora a maioria das pessoas se tenha habituado a comer com talheres, o hábito de comer com as mãos subsiste ainda espontaneamente em várias culturas. Nos Vedas, as mãos são descritas como órgãos preciosos de reconhecimento de sensações, sendo os dedos extensões que exprimem a qualidade dos cinco elementos e dos chakras.

Segundo a Ayurveda, nós somos aquilo que comemos e assimilamos; assim, acredita-se que a ingestão dos alimentos com as mãos estimula as terminações nervosas dos dedos aumentando a digestão, tornando a ingestão de alimentos mais consciente das texturas, do sabor e dos aromas, enriquecendo os sentidos com informação, conhecimento e assimilação.

Na visão védica o alimento é sagrado. Deste modo, o hábito de tocarmos com as mãos o alimento é uma forma de honrarmos e trazermos mais consciência à substância que é a base daquilo em que nos vamos tornar.

A ingestão de alimentos com as mãos traz algumas vantagens que podem melhorar o nosso quotidiano, nomeadamente o estímulo da circulação sanguínea, ajudando a manter o fluxo sanguíneo mais suave.

Ao comemos com as mãos, o movimento e o toque ativam os chakras trazendo benefício a vários níveis. Quando os dedos colocam a comida na boca, nós realizamos inconscientemente uma mudra com a mão curvada, que ativa os órgãos sensoriais que mantêm o prana em equilíbrio. O alimento é assim bem digerido porque quando a mão toca a comida os nervos nas pontas dos dedos experimentam a informação que a mesma lhe passa, e enviam sinais ao cérebro que instruí o corpo a libertar as enzimas digestivas apropriadas àquele alimento.

Sendo fundamental lavar as mãos antes e depois de as usarmos para comermos, acredita-se que quando comemos com as mãos a flora amigável no intestino é estimulada aumentando a resposta natural de proteção do nosso sistema digestivo. Na verdade, a ingestão com as mãos pode ser mais, mais higiénica que a utilização de talheres e pauzinhos, já que podemos sentir a sensação de limpeza ou não nas mãos, e reforçá-la em caso de necessidade.

Têm também sido realizados alguns estudos que demonstram que quando comemos com as mãos ficamos naturalmente mais facilmente saciados, prevenindo a tendência para a ingestão excessiva de alimentos. Também por isso, considera-se que a ingestão de alimentos com as mãos contribui para a perda de peso, por permitir um ajuste na velocidade com que se ingere os alimentos (libertando a tendência da ingestão mecânica), gerado uma melhor gestão das porções de comida ingeridas, e aumentando a atenção e a qualidade  naquilo que se come.

A temperatura do alimento é uma das informações que fica rapidamente acessível quando ingerimos com as mãos, evitando-se a sensação de queimadura na língua. A ingestão dos alimentos com as mãos estimula fortemente os nossos sentidos, aumentando o prazer de comer, e a tendência a escolhermos e experimentarmos comida melhor e mais agradável. Desse hábito nasce a escolha de comermos conscientemente, em conexão com as qualidades e sensações mais naturais e imediatas do alimento.

VISÃO E AYURVEDA: PARA A CONTEMPLAÇÃO CLARA E EQUILIBRADA DA VIDA

Ter visão é também ter Visão. A capacidade de vermos, observarmos, contemplarmos com clareza, é aquilo que mais facilmente nos ajuda a traçar um objetivo, escolhermos uma direção, palmilharmos um caminho. Afinal os olhos são as janelas da alma.

Na Ayurveda a visão é reconhecida como uma fonte de conexão e aprendizagem, uma porta de entrada para a beleza e inspiração que a Vida proporciona. Os olhos são o lar do Alochaka Pitta, governados pelo Sol, ardentes, e por isso mesmo, altamente sensíveis ao excesso de calor e de secura.

Tomamos naturalmente por garantida a capacidade de ver. A visão é o sentido predominante na nossa observação e vivência quotidiana. Contudo, o nosso estilo de vida atual tende a exacerbar a utilização da visão através do uso constante de dispositivos, computadores e ecrãs de telemóvel que emitem luzes duras e radiação eletromagnética que ferem a vista e encandeiam subtil e constantemente a retina. Além disso passou a ser habitual as pessoas passarem longas horas em frente a um ecrã, colocando-se bastante tensão e pressão no uso dos olhos, o que tem vindo a produzir a uma crescente degeneração da visão na população em geral.

Mimar os olhos com a Ayurveda

Mimar os olhos é fundamental na Ayurveda, tendo por isso sido criados vários medicamentos internos e externos, e também procedimentos para cuidar e prevenir a degeneração da visão. O Netra Tarpanam ou Netra Basti, em que netra significa olho, tarpana significa nutrição, e basti significa retenção de óleo com o propósito de nutrir, tem o propósito de trazer alimento para os olhos.

Durante o netra basti, o ghee medicamentado é liquefeito e após a filtragem, o medicamento é derramado no canto medial do olho fechado até o nível dos cílios. O líquido é mantido no lugar por um limite de pasta de ervas ou barragem, construída ao redor da cavidade ocular. Uma vez cheios de ghee, os olhos devem ser abertos e fechados lentamente. O ghee medicado deve ser mantido por um tempo específico (até 25 minutos) dentro deste limite da pasta de ervas. Podem ser usados o Triphala ghee ou o Brahmi ghee. Este procedimento é altamente eficaz na redução de sintomas como dor e tensão ocular, dores de cabeça recorrentes, olhos secos e problemas de visão. Tem efeitos curativos e preventivos.

Alimentar os olhos

De forma a manterem-se os olhos fortes e bem lubrificados, é importante adicionar alguns alimentos à nossa dieta:

Vegetais de folhas verdes escuras

Os carotenóides luteína e zeaxantina são encontrados principalmente em vegetais de folhas verdes como espinafres, mostarda e couve. Estes atuam como nutrientes importantes para a saúde ocular, uma vez que a mácula, a pequena porção central da retina, apresenta ambos em altas concentrações, além de  desempenharem um papel protetor contra a catarata, degeneração macular relacionada com a idade.

Gemas de ovos

A gema é uma fonte principal de luteína e zeaxantina e também possui um rico suprimento de zinco. Os ovos devem ser ingeridos com a gema pouco cozida, de modo a preservarem-se as proteínas do ovo.

Cenouras

A cenoura é uma rica fonte de betacaroteno, importante para os olhos saudáveis. Comer cenouras cozidas em leite é um remédio ayurvédico clássico para promover a boa visão, especialmente em crianças. Juntar duas cenouras raladas e cozê-las cozidas no leite com uma vagem de cardamomo moída e cinco amêndoas moídas, a serem tomadas diariamente.

Frutos vermelhos | Groselhas, amoras e mirtilos

As antocianinas ou fitoquímicos com propriedades antioxidantes encontradas em frutos como a groselha preta, as amoras pretas e os mirtilos são especialmente bons para os olhos. Alguns estudos mostraram que as antocianinas podem estimular a regeneração da rodopsina, uma proteína na retina que pode ajudar a ver com pouca luz, além de ajudarem aliviar problemas temporários de visão, e prevenir ou aliviar o cansaço visual.

Goiaba

O licopeno – encontrado na goiaba, melancia e tomate – pode ajudar a prevenir a catarata.

Citrinos

Os cítricos são uma rica fonte de vitamina C, um nutriente importante para os olhos saudáveis.

Amêndoas

Um punhado de amêndoas suprirá quase metade da necessidade diária de vitamina E.

Ghee ou manteiga clarificada

Tomar 1-2 colheres de chá de ghee ou manteiga clarificada todos os dias pode ajudar a equilibrar o Pitta e melhorar a visão.

Plantas para os olhos

Na Ayurveda existe uma conexão intrínseca entre a saúde dos olhos, a função do fígado e o Pitta, e, por isso mesmo os remédios gerais usados para reduzir o Pitta podem ser muito úteis, incluindo a Amalaki (Phyllanthus emblica), o rizoma de açafrão (Curcuma longa), a Shatavari (Asparagus racemosa) e  a raiz de bérberis (Berberis spp.). A Triphala, uma fórmula à base de plantas contendo os frutos mirromobalano preto (haritaki), mirobalano belérico (bibhitaki) e groselha indiana (amalaki), pode ser útil para melhorar a visão fraca. A Triphala ghee – ghee feito com triphala, noz de Malabar e margarida falsa (bhringraj) – funciona como um tónico para os olhos e também pode ajudar a tratar a conjuntivite. Também se usa a água de neem para lavar os olhos e tratar a conjuntivite.

Técnicas de relaxamento ocular

Descansar a vista ainda é das melhores formas de a aumentar.  Alguns estudos realizados mostraram que as pessoas mais relaxadas têm tendência a pestanejar mais vezes, humedecendo e lubrificando de forma mais saudável os seus olhos. Existem várias técnicas que proporcionam o relaxamento ocular:

Pestanejar mais vezes

Lembrar-se de pestanejar os olhos para relaxá-los e lubrificá-los. Pestanejar a cada poucas linhas ao ler (num ecrã), ou no mínimo três vezes por página. Em alternativa pode desviar o olhar do livro ou do ecrã periodicamente para pestanejar. Piscar ajuda a relaxar e lubrificar os olhos.

Exposição ao sol

Banhos de sol, ao nascer e pôr do sol, fornecem uma maravilhosa fonte de energia para os olhos, ajudando a aumentar a circulação sanguínea nos olhos. De olhos fechados, queixo erguido, numa confortável postura sentada, voltar-se para o sol e balançar corpo de um lado para o outro por um período de 50 segundos ou 3 minutos. Por outro lado, proteger os olhos do excesso de calor, e da luz solar direta, evitar o cansaço visual e limitar a exposição a monitores de computador e a ecrãs com luz de fundo.

Palmas das mãos

Cobrir os olhos com as palmas das mãos ajuda a reduzir o stresse e a tensão. Sentar-se confortavelmente, cruzar os dedos enquanto suporta a testa. Esfregar as palmas das mãos por alguns segundos para aquecê-las. Colocar delicadamente a mão direita sobre o olho direito e a mão esquerda sobre o olho esquerdo, com o calcanhar da mão na cavidade orbital inferior. Inclinar cada mão em direção ao nariz para que os dedos mindinho e indicador se sobreponham. Manter a sobreposição e colocar as pontas dos dedos na testa superior. Fechar todas as lacunas para filtrar toda a luz. Por estarem no escuro é proporcionado  aos olhos um descanso rápido, mas profundo, que bloqueia a estimulação externa e cuida dos olhos cansados e embaciados. Fazer isto por sete minutos. Adicionar uma gota de óleo essencial de rosa nas mãos e esfregar antes de cobrir os olhos. A rosa que tem um efeito calmante sobre a visão.

Movimento

Mover conscientemente os olhos de um ponto para outro. Fazer pausas regulares para descansar os olhos, sobretudo quando se passam várias horas a trabalhar com o computador. Ou balançar, com os braços estendidos, balançar o corpo da direita para a esquerda lentamente, olhando na direção do movimento do corpo. O balançar ajuda a mudar o foco.

Exercício de vela | Tartaka

O Tartaka é um exercício de observação de uma vela acesa que melhora a concentração e o foco. Sentar-se confortavelmente diante da chama de uma vela colocada a 50 cm. Olhar para a chama até as lágrimas começarem a formarem-se e fechar os olhos. Manter a concentração com os olhos fechados. A imagem da chama pode surgir na mente. Quando a imagem começar a desvanecer, concentrar a atenção no fluxo da respiração e continuar observando a respiração por 7-8 minutos, com os olhos fechados.

Pano fresco

Fechar os olhos e aplicar um pano frio sobre eles. Isto vai acalmar os olhos. Pode ser embebido numa infusão de camomila.

Aplicar água de rosas

Mergulhar uma rodela de algodão numa solução de água de rosas. Deitar-se ou sentar-se e inclinar-se para trás, para que o rosto fique para cima e para trás. Colocar os absorventes saturados com a água de rosas sobre os olhos e descansar por alguns momentos. Também pode usado gel de aloé vera esfriar e acalmar. Tanto a rosa como o aloé vera são refrescantes e ajudam a equilibrar os Pitta nos olhos.

Lavar os olhos todos os dias

De acordo com a prática ayurvédica, os olhos devem ser lavados com água fria pela manhã para remover os resíduos acumulados durante a noite. Lavar os olhos pela manhã com uma infusão filtrada de Triphala churna. Pode ser usado um colírio ou anjana para limpar os olhos que tem um efeito calmante. Salpicar os olhos com água fria ajuda a relaxá-los. Deixar os olhos secarem sozinhos.

Caminhar na natureza

Fazer uma caminhada de apenas 15 minutos, três dias por semana, pode prevenir o glaucoma. O exercício físico moderado – que pode ser de apenas 15 a 20 minutos, três vezes por semana – pode diminuir a pressão e aumentar o fluxo sanguíneo para o nervo óptico e a retina.

Fazer círculos oculares

Colocar uma pequena quantidade de óleo de coco na ponta do dedo mindinho. Circular lentamente a ponta do dedo a partir do sulco ocular interno, sob a sobrancelha ao redor do olho externo e de volta ao olho interno. Evitar puxar ou arrastar a pele. Usar uma pressão leve e firme. Repetir 5 a 10 círculos para cada olho. Usar apenas o óleo necessário para minimizar o atrito na pele. O coco tem ação refrescante, e o movimento circular ajuda a mover a linfa para dentro e para fora da área dos olhos.

Yoga ocular

O yoga também traz benefícios para os olhos, e as posturas de yoga são muito simples. Começar por pestanejar, piscar, colocar as mãos e girar o globo ocular em direções diferentes. Alguns especialistas recomendam o seguinte conjunto de exercícios, semelhante aos exercícios para os olhos: mover os olhos para cima e para baixo sem piscar – pense em olhar para um relógio à sua frente e traçar uma linha entre as 12h e as 6h. Após cerca de 10 repetições deste exercício, esfregar as palmas das mãos e cobrir os olhos para sentir o calor passar. Acompanhar esse momento movendo os globos oculares horizontalmente, das 9h para 3h, e na diagonal, das 2h para 7h e das 11h para 4h. Estes exercícios podem ajudar a aliviar a pressão extra que exercemos sobre os músculos ao olhar para objetos próximos, como um livro ou tela do computador.

TRIPHALA: A BÊNÇÃO AYURVÉDICA PARA O METABOLISMO

Existem poucas ervas na Ayurveda que incluem todos os cinco sabores diferentes (doce, ácido, salgado, amargo e picante). Quanto mais concentrado o sabor, mais ampla e eficaz é a fórmula para equilibrar os três doshas.

A Triphala, como o nome sugere, é uma combinação de três frutos (Tri significa três e Phala significa fruta).  A fruta é a essência da própria árvore. Esses três frutos têm propriedades curativas diferentes, em parte devido aos seus cinco sabores diferentes. A Triphala  também é conhecida pelos nomes de Phalatrik ou Vara, significa “bênção”, e  Sreshtha, que significa “o melhor”. Triphala é uma bênção na sua verdadeira essência, porque acredita-se que a Triphala cuida dos órgãos internos da mesma forma que uma mãe cuida dos seus filhos.

Na fórmula da Triphala, os frutos Haritaki, Amalaki e Bibhitaki são misturados em quantidades iguais. A Bibhitaki é boa para o Kapha, a Amalaki é boa para o Pitta, e o Haritaki é boa para o Vata. Quando estas três frutas se combinam, a fórmula torna-se um maravilhoso Rasayana, que rejuvenesce o corpo todo.  A Triphala é tridóshica já que pacifica o Kapha, o Pitta, e parcialmente o Vata. Existem poucas ervas na Ayurveda que incluem todos os cinco sabores diferentes (doce, ácido, salgado, amargo e picante). Quanto mais concentrado o sabor, mais ampla e eficaz é a fórmula para equilibrar os três doshas.

O Vata, Pitta e Kapha são as três bioenergias (ou doshas),  ayurvédicos, ou seja, constituem os princípios fundamentais da fisiologia ayurvédica. Quando as bioenergias estão em equilíbrio, usufruímos de boa saúde. Quando eles estão fora de equilíbrio, nós experimentamos a doença. A Triphala é uma fórmula ayurvédica que resolve muitos dos desequilíbrios das três bioenergias.

As frutas

A Amalaki é benéfica para o coração, a Haritaki beneficia o fígado, e a Bibhitaki é boa para os pulmões. Juntas, as três frutas agem como boas amigas, trazendo ao de cima o melhor de cada uma. O efeito sinérgico é  o conceito base da farmacologia ayurvédica. A sinergia permite potencializar ou aumentar o efeito da erva, ou neste caso, da fruta. A Triphala trabalha assim em todas as partes do corpo, desde o cérebro, os rins, o baço, e  tudo o resto, ligando todos os pontos. Embora a maioria dos suplementos de triphala incluam partes iguais de haritaki, bibhitaki e amalaki, também existem outro tipo de formulações com diferentes combinações destas três frutas para tratar diferentes condições de saúde, como a inflamação, problemas oculares, e outros, e o seu benefício pode ser incrementado através do condutor que é utilizado para a sua toma, seja ele o soro de leite, a água quente, o ghee ou o mel.

Com a utilização destas frutas vai-se tornando claro que elas são por si só bastante inteligentes. E quando se utilizam ervas que são inteligentes, observamos que elas sabem exatamente o que fazer, e aonde ir em qualquer fisiologia, e qualquer sistema. Por isso mesmo, a Triphala é também conhecida como uma formulação adaptogénica, sendo capaz de ajudar o organismo a calibrar-se e equilibrar-se, tornando-o capaz de se ajustar perante as diferentes necessidades do corpo, e os diferentes desafios da vida quotidiana.

A Amalaki (Emblica officinalis) é considerada o fruto da imortalidade. A Amalaki é amrita, o néctar vital ou essência do universo. A Amalaki é constituída por centenas de fitonutrientes diferentes, sendo também um dos principais ingredientes de uma maravilhosa fórmula ayurvédica, o Chyanwanprash. O Chyanwanprash é um potente tónico rasayana e antioxidante, com propriedades que previnem o envelhecimento e promovem a eliminação de radicais livres. É uma forma estável de vitamina C, rica em taninos que têm benefícios antioxidantes.

Regula o jatharagni ou fogo metabólico sem afetar o sistema digestivo, onde a maioria dos antiácidos suprime o apetite, o que afeta a digestão. Ajuda na recuperação de úlceras, hiperacidez, inflamação e sensação de ardor. A Amalaki e é uma das melhores ervas para reduzir a raiva. É muito boa no tratamento da diabetes, tendências para hemorragias, e hemorragia indesejada pelo nariz, reto ou em casos de   hemorragia menstrual intensa. Ela regula o sistema imunológico, e é imunomodeladora. É considerada excelente para construir sangue e melhorar a qualidade dos vasos sanguíneos, e a natureza dos glóbulos vermelhos. Melhora a vitalidade sexual.

A Haritaki (Terminalia chebula) é uma fruta muito interessante. Há mais volumes escritos sobre haritaki e amalaki, embora amalaki seja uma rasayana mais reverenciada. No entanto, haritaki é uma rasayana ainda mais poderosa que a amalaki de várias formas. O outro nome para haritaki é ‘abhaya’, que significa destemido. Dissipa o medo da morte, da morte, das doenças, e traz clareza. Encontram-se imagens do Buda da Medicina a meditar com a haritaki nas suas mãos. A Haritaki tem uma qualidade maternal amorosa e carinhosa. Embora tenha uma potência de aquecimento, é uma rasayana versátil. É boa para a limpeza, a desintoxicação e o rejuvenescimento.

A Bibhitaki (Terminalia belerica) é a terceira fruta da fórmula. Tem uma boa ação de raspagem ou qualidade de lekhana. Actua sobre qualquer crescimento indesejado, tumor, peso e gordura. A Bibhitaki é   adequada para todos os problemas relacionados com o Kapha – tosse, muco, congestão, ganho de peso, peso, excesso de gordura, sensação de muito frio, e libertação de parasitas.

Benefícios da Triphala

A Triphala tem um efeito sáttvico ou purificador e esclarecedor sobre a mente, beneficiando também a saúde física, emocional e espiritual da pessoa, aliviando a depressão e a ansiedade, e sendo também uma excelente erva para aliviar sentimentos de raiva.

O primeiro grande benefício da triphala é a prevenção do envelhecimento. Tem sido demonstrado que prolonga as enzimas teloméricas.  Os telómeros são enzimas que estão na extremidade plana do ADN, e que impedem que ele se desfaça. Quando o telómero está mais longo, é um sinal de que se vai regenerando, e quando  fica mais curto, é um sinal de envelhecimento prematuro. Foi estudado e publicado que a Triphala alonga a telomerase. Ao nível do ADN, tem um efeito de regulação e modulação génica, regulando os genes que são bons, e tendo uma ação vigilante sobre os genes que são prejudiciais ao corpo, revelando assim a sua inteligente propriedade adaptogénica.

Uma pesquisa sobre a Triphala demonstra também a sua atividade anti-cancerígena, devido à sua atividade antioxidante, libertadora de radicais livres, e pela sua atividade anti-mutagénica, que previne e reduz o cancro.

As três frutas juntas são analgésicas e potencializam o redução da dor e os bloqueios indesejados no sistema. Regulam a pressão sanguínea e melhora a função hepática. A combinação de triphala e especialmente amalaki, é um ótimo tónico para o fígado, melhorando as vias de desintoxicação tanto do fígado como da vesícula biliar. Regula o açúcar no sangue e a secreção de insulina, por isso também é benéfico para o pâncreas, prevenindo e regulando a resistência à insulina.

A Triphala é benéfica para a digestão e eliminação. Ela atua como um tónico laxativo e digestivo, e fornece uma fonte de antioxidantes e vitamina C. É naturalmente antibacteriana, por isso elimina as infecções e regula o sistema imunológico, agindo como prevenção. A Triphala é usado externamente na cicatrização de feridas e também está disponível em pó ou creme.

O óleo de Triphala é usado para o crescimento do cabelo, tanto em fórmulas de lavagem do cabelo,  em óleo, com ghee medicado, em pasta para os olhos e como uma mistura para extração de óleo. Pode ser usada numa grande diversidade de formatos diferentes – cremes, loções, pós em pó, enemas. É muito versátil porque é absorvida de forma fácil e segura, e tem benefícios medicinais em todos os formatos.

Como e quando tomar Triphala

As frutas que constituem a Triphala dificilmente são frutas comestíveis como as uvas ou as mangas. São frutas muito amargas e adstringentes plenas de taninos. Como tal, a Triphala é habitualmente tomada em pó, denominado de Triphala Churna. Segundo a Ayurveda, a acção e benefício dos alimentos e ervas são descodificados pelo seu paladar, usando como órgão de reconhecimento a língua. Quando a toma é feita com cápsulas ou comprimidos, o sabor da fórmula fica oculto do paladar, inibindo de certa forma o correto reconhecimento da erva, e como consequência, a sua plena absorção e efeito.

Para processos de libertação e eliminação, pode ser tomada à noite, resultando num suave efeito laxante ou de limpeza pela manhã. A toma à noite é também recomendada para benefício dos pulmões e do sistema respiratório, já que liberta o acumulo de muco de manhã. Este é também o melhor momento para a toma da triphala quando a intenção é estabelecer ou estabilizar a flora intestinal, permitindo que o corpo possa digerir e absorver adequadamente os nutrientes, criar movimentos intestinais bem formados, e excreções de boa aparência.

Quando o intuito é accionar a regulação dos níveis de açúcar no sangue, ou como um rasayana, é mais recomendável durante o dia. Idealmente, a triphala deve ser tomada logo de manhã, num momento à parte da refeição, potencializando o seu efeito na queima de gordura indesejada e perda peso. A Triphala administrada com açafrão da índia é especialmente eficaz na redução dos níveis de açúcar no sangue, sendo também um dos melhores agentes redutores do colesterol, e reguladora dos níveis lipídicos.

Os efeitos secundários da Triphala

A Triphala foi formulada de modo a ter efeitos secundários mínimos. Contudo, em alguns organismos mais sensíveis, ela pode secar o corpo, recomendando-se nesse caso a ingestão de mais água. As mulheres grávidas devem evitar tomar Triphala, pois tem uma energia que flui para baixo (Vata), que pode estimular um aborto espontâneo. Aqueles que tomem medicamentos para diluir o sangue devem usar Triphala com cautela.

Algumas pessoas experimentam um aumento em distúrbios intestinais, inchaço e flatulência como um efeito colateral de tomar triphala, embora isso seja geralmente apenas um efeito temporário. A maioria das pessoas relata menos problemas estomacais e gases após algumas semanas de uso, como consequência do efeito de limpeza da Triphala.

Algumas pessoas podem de vez em quando experimentar os sintomas de refluxo esofágico ao tomar Triphala, contudo isso deve-se simplesmente à sua inadequada administração. Todas as recomendações acima mencionadas devem ser adequadas à constituição particular da pessoa, pelo que deve ser consultado um médico ou terapeuta ayurvédico antes da sua utilização.

ALERGIAS E AYURVEDA: PARA UMA PRIMAVERA MAIS CALMA

As alergias tornaram-se cada vez mais comuns. Fisicamente são desequilíbrios que podem surgir subitamente, variando a sua resposta entre uma sensação ligeiramente desconfortável e uma reação que pode ser fatal. Embora as reações alérgicas geralmente ocorram repentina e agudamente, a ayurveda ajuda a revelar a forma como a tendência para uma reação se agrava no corpo. Conheça ainda ervas para o tratamento de alergias.

A alergia e a mente

Na mente, a alergia revela uma forma de defesa do corpo quando se confronta com algo externo que se assume como ameaçador (quando na verdade, é muitas vezes algo inócuo). Na sua mente a pessoa sente-se de alguma forma agredida, construindo por isso uma couraça protetora. A origem da alergia pode ter sido marcada por um acontecimento emocional significativo em que interiormente a pessoa associou uma substância inofensiva a uma situação emocionalmente dolorosa. A pessoa alérgica é convidada a aprender a confiar na vida, e a libertar-se dos seus receios e debilidades para desbloquear a sua alergia.

A alergia na ayurveda

A manifestação alérgica é mencionada sob o conceito de Saatmyaasatmya na Ayurveda. Satmya são as substâncias que o organismo tolera e as quais está habituado a assimilar devido a um consumo regular. Estas substâncias trazem conforto, ao mesmo tempo que mantêm a saúde dos tecidos, e tornam o anormal em normal; satmya são os chamados bons alimentos. Asâtmya são substâncias não toleradas pelo organismo, e que geram hipersensibilidade, reacções tóxicas e alérgicas quando tomadas em determinadas quantidades. Após a ingestão de alimentos não tolerados tornam-se visíveis sintomas de doença no organismo. Alguns alimentos como o sal, as pimentas e medicamentos não são tolerados pelo organismo em grandes quantidades, e não é possível ganhar habituação aos mesmos, mesmo com o uso prolongado. É conveniente evitar-se o uso excessivo dessas substâncias.

Uma alergia pode acontecer devido a um desequilíbrio inerente do dosha causado por fatores internos e externos. Internamente, alergias manifestam-se devido à exposição a Asaatmya ahara-vihara. Isso significa aquilo que é incompatível com um indivíduo em particular. Eles também podem resultar de virudha ahar (alimentos incompatíveis consumidos simultaneamente), ama (toxinas alimentares formadas devido à digestão incompleta) e vihar (um estilo de vida pouco saudável). Externamente, o contato com diferentes materiais tóxicos ou alérgenos pode causar reações na forma de alergias.

Como resultado desses fatores causais, o Kapha e o Pitta, juntamente com o rasa, que é o plasma e outros sistemas de fluidos inter e intracelulares, incluindo a linfa e o rakta (tecido sanguíneo), podem ficar desequilibrados.

As três bioenergias e as alergias

Se o Vata também estiver aumentado a reação alérgica é aguda devido aos fatores acima mencionados, como no caso de rinite alérgica, asma e anafilaxia (reação alérgica extrema). A manifestação também pode incluir sintomas de constrição, como o chiado, que é devido ao estreitamento da árvore brônquica ou dor de cabeça, bem como espirros, zumbidos nos ouvidos, uma queda na pressão arterial e outros desconfortos do tipo Vata.

As alergias agravadas com Pitta geralmente ocorrem quando as qualidades quentes e afiadas de um alérgeno entram em contato com a pele e, posteriormente, entram na corrente sanguínea. Por conseguinte, as alergias predominantes em Pitta são frequentemente reações à pele tais como urticária, erupção cutânea, comichão, dermatite alérgica, eczema e podem também envolver olhos vermelhos. No trato gastrointestinal, as alergias a Pitta podem causar azia, indigestão ácida, dores de estômago, náuseas ou vómitos. Os sintomas de reações alérgicas na pele são mencionados como Sheetapitta-Udarda-Kotha, marcado por erupções cutâneas.

As alergias do tipo Kapha são as mais prováveis de serem exacerbadas durante a primavera, devido ao ataque de alérgenos à base de pólen. Os sintomas da alergia Kapha incluem irritação das membranas mucosas, febre dos fenos, erupções pruriginosas, tosse, sinusite, retenção de frio e água. Estes tipos de alergias podem ser agudos se acompanhados com o Vata, ou podem ser uma reação latente do corpo aos alérgenos.

Tratamentos caseiros para a alergia

Existem muitos remédios caseiros, naturais e à base de plantas para a pele, nariz, olhos e outras partes do corpo:

  • Água quente gargarejada com sal.
  • Para os olhos inflamados, usar uma mistura de cal, malvas e infusão de camomila.
  • Marmelo, Mel e Gengibre mostram um bom impacto na garganta.
  • A irritação dos olhos pode ser reduzida com uma lavagem com água fria.
  • Mantenha-se longe de alérgenos.
  • Um banho quente é eficaz para afastar alérgenos.
  • Use óculos de sol para proteger os olhos do pólen, ácaros e poeira.
  • Os ácaros da poeira favorecem locais húmidos que podem desencadear uma alergia.
  • Para um nariz congestionado e inflamatório, o uso de uma infusão de hortelã-pimenta pode ajudar.
  • Uma pasta de sândalo com sumo de limão, pode ajudar as áreas afetadas da pele.
  • Sumo de cenoura, ou uma combinação de sumo de cenoura com sumos de beterraba e pepino pode ajudar.
  • Espremer meio limão num copo de água morna e adoçar com uma colher de chá de mel. Para além de libertar o corpo de toxinas, também atua como um agente anti-alérgico.
  • Tome 5 gotas de óleo de rícino em meia chávena de qualquer sumo de frutas ou vegetais, ou tome água pura com o estômago vazio pela manhã. Ou misture uma parte de curcuma e duas partes de pó Amla. Guarde num frasco de vidro. Tomar uma pequena colher de chá duas vezes por dia com água.

Ervas para tratamento de alergias em ayurveda

De acordo com os textos ayurvédicos, a dravya (substância) que as ervas que atuam contra as substâncias tóxicas são chamadas Vishghna (anti-tóxico). Estas ervas foram descritas para o manejo de diferentes doenças causadas por vish (toxinas), como alergias. Elas têm um papel muito bom em distúrbios alérgicos e são capazes de quebrar a patogénese da anurjata (alergia).

  1. Curcuma (Curcuma Longa)

A curcumina tem supostamente efeitos antialérgicos e pode inibir a libertação de histamina dos mastócitos. Esses resultados comprovam que a curcumina é útil no tratamento de doenças alérgicas e inflamatórias relacionadas com a histamina ou mastócitos.

  1. Manjistha (Rubia Cordifolia)

Os extratos de Rubia cordifolia reduziram as reações anafiláticas em ratos alérgicos ao amendoim, sugerindo um potencial como tratamento alergénico. Antioxidante, antibacteriano, anti-cancerígeno, anti-inflamatório, anti-tumoral, antiviral, hemostático, atividade peroxidativa anti-lipídica e atividades hipoglicémicas foram encontradas também.

  1. Cardamomo (Shookshma Elaa, Elettaria Cardamomum)

Um estudo mostra que há atividade anti-inflamatória do óleo extraído de sementes comerciais de cardamomo. Além disso, possui atividade analgésica e antiespasmódica.

  1. Sândalo (Chandan, álbum de Santalum)

O óleo de sândalo branco possui um agente anti-inflamatório, antimicrobiano e antiproliferativo. O óleo de sândalo branco também se mostrou promissor em ensaios clínicos para o tratamento da acne, psoríase, eczema e verrugas comuns.

  1. Chá verde e infusão de camomila

Ambos contêm anti-histamínicos naturais e podem ajudar a equilibrar o sistema imunológico. O chá verde é embalado com um poderoso antioxidante reduzindo os sintomas de alergia.

  1. Mel de pólen de bétula

Ingerir um pouco de mel cru todos os dias ajuda a controlar as alergias sazonais, e a construir uma tolerância ao pólen local que atrapalha os sinus. Esta ingestão pode ser feita como prevenção.

Tratamento das alergias com formulações ayurvédicas clássicas

Trikatu

O Trikatu é uma fórmula ayurvédica tradicional que contém três ervas: pimenta preta, pimenta longa e gengibre. Esta combinação é conhecida pela sua capacidade de estimular o agni, digerir a ama (toxinas alimentares), apoiar a respiração clara, rejuvenescer os pulmões, equilibrar a produção de muco, limpar a mente e apoiar o metabolismo adequado. Esta fórmula é tradicionalmente misturada em mel cru para formar uma pasta. Por ser bastante quente, o Trikatu não é recomendado quando o Pitta está alto, e em geral não é apropriado durante a gravidez.

Haridrakhand

O Haridrakhand é uma fórmula ayurvédica tradicional cujo ingrediente principal é o açafrão-da-índia (Haridra). Esta fórmula também contém pimenta, cardamomo e groselha indiana (Ashwagandha). De acordo com o Bhaisajya Ratnavali, a principal indicação de Haridrakhand é comichão e as erupções cutâneas ou manchas vermelhas. Pode ser útil em todos os tipos de desordens da pele caracterizadas pelos seguintes sintomas: urticária, inflamação, pequenas inchações na pele, vazamento de líquido da pele, comichão, mau cheiro da pele devido a qualquer doença subjacente e pele inchada. É usado em várias doenças da pele, como comichão, infestação de vermes e pode ser útil em alergias de pele. Isto torna a pele radiante. O Haridrakhand pode ser usado independentemente da dominância do Dosha.

Sitopaladi Churna

O Sitopaladi churna é uma popular formulação ayurvédica poli-herbácea usada em alergias e doenças respiratórias. Um estudo justificou o uso clássico da sua reivindicação anti-alérgica, realizando a atividade estabilizadora de mastócitos. Pode ser usado em distúrbios alérgicos.

Outras ervas para tratamento de alergias

Urtiga (Urtica dioica)

A Urtiga tem qualidades anti-inflamatórias que afetam uma série de receptores-chave e enzimas em reações alérgicas, prevenindo os sintomas da febre do feno se tomadas quando aparecem pela primeira vez. As folhas da planta contêm histamina, o que pode parecer contraproducente no tratamento da alergia.

Ashwagandha (Withania somnifera)

Esta erva é muito popular na redução da inflamação de todos os tipos, incluindo alergias. Segundo o fitoterápico moderno, Ashwagandha contém withaferin e withanolides, que são esteróides naturais e estabilizam reações alérgicas.

Óleo de menta

Inalar o óleo de hortelã-pimenta difundido pode muitas vezes desentupir os seios nasais e oferecer alívio à garganta arranhada. A hortelã pimenta atua como expectorante e proporciona alívio para alergias, constipações, tosse, sinusite, asma e bronquite. Tem o poder de libertar a fleuma e reduzir a inflamação – uma das principais causas de reações alérgicas. Tem efeitos anti-inflamatórios reduzindo os sintomas de distúrbios inflamatórios crónicos, como a rinite alérgica e asma brônquica.

Coentros

Vários estudos mostraram que o coentro tem fortes propriedades anti-histamínicas que podem reduzir os efeitos desconfortáveis das alergias sazonais e da febre do feno (rinite). O seu óleo também pode ser usado para reduzir as reações alérgicas causadas pelo contato com plantas, insetos, alimentos e outras substâncias. Internamente, pode evitar anafilaxia, urticária e o inchaço perigoso da garganta e das glândulas.

Alho

O alho é um alimento anti-histamínico que tem a capacidade de ajudar a aliviar e tratar os sintomas de alergia, como dificuldade para respirar, o nariz entupido, espirros e olhos lacrimejantes. O alho é um dos melhores descongestionantes naturais que ajuda a aliviar a pressão dos sinus devido ao forte aroma que tem. Também ajuda a aliviar tosse no peito, urticária, erupções cutâneas, comichão na pele e olhos inchados. As quantidades elevadas de antioxidantes e óleos essenciais do alho são o que ajuda a impulsionar o sistema imunitário durante as crises de alergia, por isso é capaz de combater a histamina, reduzindo a gravidade dos sintomas da alergia.

Probióticos

Os probióticos são as “boas bactérias” benéficas que vivem dentro do intestino e ajudam na defesa contra infecções, vírus, alergias e muito mais.

Todas estas sugestões devem ser seguidas apenas quando recomendadas diretamente por um praticante ayurvédico qualificado.

AYURVEDA E O FEMININO: O RITMO DOS CICLOS MENSTRUAIS

Em várias línguas as palavras menstruação e lua são as mesmas ou estão associadas. A palavra menstruação significa “mudança da lua” e “mens” é lua. Alguns camponeses alemães chamam o período menstrual de “a lua”. Em França é chamado de “le moment de la luna”.

A lua e a menstruação

A lua foi sempre considerada o marcador de tempo natural das mudanças periódicas que ocorriam em todos os reinos, era ela também que assinalava todas as etapas e padrões do eterno ciclo da vida e da morte. A sua misteriosa luz prateada apontava o momento certo para o plantio, para a colheita, para o acasalamento e para as mudanças climáticas. Os antigos gregos representavam-na como um cálice vazio que se enchia e esvaziava lentamente, representando as alterações cíclicas das emoções, reações e necessidades humanas.

A cada 28 dias a lua completa o seu ciclo de crescente a minguante. A Lua Nova marca a primeira iluminação e um fiapo fica visível no céu noturno. A Lua cresce então até o primeiro quarto, quando se pode visualizar a metade do seu disco. Continua a crescer e completa-se até atingir a Lua Cheia. Neste ponto, começa a diminuir de tamanho até o terceiro quarto, quando novamente só se vê a metade do disco e continua assim até que fique invisível. A quinta fase, a Lua Nova, dura três noites, e este é o mais poderoso de todos os ciclos da Lua.

A lua, com o seu ciclo de nascimento, crescimento e morte, é um lembrete poderoso, todos os meses, da natureza dos ciclos. Em épocas remotas, os ciclos menstruais das mulheres eram perfeitamente alinhados com os da lua. A mulher ovulava na Lua Cheia e menstruava na Lua Nova. A Lua Cheia era o ápice do ciclo da criação, era quando o óvulo era libertado. Nos 14 dias que antecedem esta liberação, as energias da criação reúnem tudo que é necessário para constituir o óvulo. Quando passava a Lua Cheia e o óvulo ficava por fertilizar, tornava-se maduro demais e decompunha-se, derramando-se no fluxo natural de sangue na Lua Nova. Quando a mulher vive em perfeita harmonia com a Terra, ela só sangra nos três dias da Lua Nova. Quando a Lua Nova emerge, o seu fluxo naturalmente deve cessar e o ciclo da criação é reiniciado dentro dela.

VEJA TAMBÉM: RITMOS DO CORPO: 12 INSPIRAÇÕES PARA UM DESPERTAR AYURVÉDICO

Em várias línguas as palavras menstruação e lua são as mesmas ou estão associadas. A palavra menstruação significa “mudança da lua” e “mens” é lua. Alguns camponeses alemães chamam o período menstrual de “a lua”. Em França é chamado de “le moment de la luna”.

Alguns índios norte-americanos consideravam a lua uma mulher, a primeira mulher e, no seu quarto minguante, ela ficava “doente”, palavra que definiam como menstruação. Os camponeses europeus acreditavam que a lua menstruava e que estava “adoentada” no período minguante, sendo que a chuva vermelha que o folclore afirma cair do céu era o “sangue da lua”.

Entre muitos povos em todas as partes do mundo as mulheres eram consideradas “tabu” (sagradas) durante o período da menstruação. Este período, para algumas tribos indígenas, era considerado um estado tão peculiar que a mulher deveria recolher-se à uma “tenda menstrual” escura – a Tenda Vermelha, pois a luz da Lua não deveria recair sobre ela. O isolamento mensal da mulher tinha o mesmo significado que os ritos de puberdade dos homens. Durante este curto espaço de tempo de solidão forçada, as mulheres mantinham um contato mais íntimo com as forças instintivas dentro de si.

Por vários motivos as mulheres acabaram impondo a si mesmas uma abstinência, muito embora, tanto nelas como nos animais, o período de maior desejo sexual é imediatamente anterior ou posterior à menstruação. Na Índia, acredita-se ainda hoje que a Deusa-Mãe menstrua. Durante essa época, as estátuas da deusa são afastadas e panos manchados de sangue são considerados como “remédio” para a maior parte das doenças.

Os antigos referem o pó da mãe lua como criadora de toda a substância da vida, sendo considerada a fonte cósmica. Definindo assim o ciclo da lua todos os ritmos, desejos, possibilidades na Terra, influenciando em grande escala também os biorritmos de uma mulher. Esta tem grande influência sobre o seu corpo, mente e espírito. O seu óvulo tem a designação de “artava”, nome o qual originário de “rtu” – estação. “Rtu” está relaciona o ritmo da vida com a dança e do culto do ritual de estações, principalmente a lunar. Com isto, quer dizer-se que a lua está associada à menstruação, corresponde como que a uma época de renascimento onde as mulheres se reuniam e faziam cultos para oferecerem o seu material gerador de vida à Terra.

As fases da lua

A Lua Crescente está associada à fase proliferativa e a minguante à fase lútea, de limpeza. A Lua Cheia fomenta por isso o embelezamento, a abundância, a fertilidade e corresponde ao resultado da transformação e purificação do sangue. As diferentes hormonas associadas a diferentes “estágios” do ciclo menstrual conferem à mulher uma grande oportunidade de aprofundamento e conexão consigo mesma.  Na nossa sociedade atual, o uso de pílulas anticoncecionais fez com que a mulher deixasse de incorporar e compreender este ciclo de criação e destruição dentro de si, desligando-se assim do tremendo poder de limpeza e regeneração da menstruação, e ficando vulnerável a um leque variado de desequilíbrios que comprometem a sua feminilidade.

O período entre o final da lua crescente e o início da lua cheia está relacionado com a ovulação – os níveis da progesterona elevam-se, sendo segregada pelo corpus luteum, que prepara o endométrio para a implantação e os seios para a secreção de leite. Nesta fase, o Pitta movimenta os instintos reprodutivos femininos, e o odor corporal muda, os cabelos e os olhos da mulher tornam-se mais brilhantes e sedutores, a líbido aumenta tornando a mulher mais atraente para o sexo oposto. Esta é uma fase criativa, que vai para além do poder da conceção, fomentando a expressão de ideias, a exuberância na comunicação e segurança interior na mulher.

Logo após a lua cheia e até ao início da lua minguante, o Kapha faz-se presente com mais intensidade – nesta fase a mulher sente-se inchada, os líquidos são mais facilmente retidos, tende a ser mais carente e pode surgir a necessidade do sabor doce. Na fase da lua minguante a energia é descendente (“move-se para baixo”) – governada pelo apana ayu – na qual a luz da Lua deixa de ser captada pela Terra. Nesta fase (contrária à anterior) os líquidos já são mais facilmente drenados e resguarda-se assim a energia feminina para um novo ciclo. Vata rege o período menstrual – o qual é responsável por devolver o sangue à mãe Terra. Esta fase do ciclo menstrual na mulher corresponde a um momento de introspeção, a um momento em que esta deve apostar no seu recolhimento e máxima concentração no seu poder.

A Medicina Ayurveda sustenta que durante a menstruação a mulher tende a perder muita energia, pelo que as suas atividades nesta fase devem ser menos intensas, devem ser evitados certas asanas – sobretudo as posturas invertidas -, e atividade sexual deve ser pausada. Após a lua nova, e após o período menstrual, as três bioenergias recuperam o seu equilíbrio e preparam o corpo para um novo ciclo. O Kapha volta tornar-se mais ativo para fomentar reconstruir o endométrio, período que é acompanhado pelo aumento do estrogénio.

Menstruação saudável

Uma menstruação equilibrada tem em média a duração de 3-4 dias, com fluxo moderado, cor moderada, sem a formação de coágulos e sem desconforto. Quando surge qualquer tipo de perturbação, os humores requerem atenção e equilíbrio. Quando a energia descendente (apana vayu) se encontra bloqueada surgem todos os tipos de flutuações de dor, inchaço, secura, ansiedade, insónia, períodos escassos, ciclo irregular, coágulos e infertilidade. A estratégia é em primeiro limpar as obstruções e depois tonificar com um reforço de ervas nutritivas.

A menstruação é para o corpo da mulher a oportunidade que a vida oferece para limpar e regenerar a sua energia, fortalecendo o seu sistema imunitário, e libertando do seu corpo toxinas, e também as memórias energéticas e físicas resultantes da sua atividade sexual. A menstruação torna a mulher ‘climatérica’, suscetível a mudanças de ‘hora a hora’, e de dia a dia, volúvel aos humores da lua. Na Ayurveda, a menstruação e as substâncias nela contida denominam-se “astava”, enfatizando o facto da fisiologia feminina ser particularmente sensível à mudança das estações, e à necessidade de adaptação a que incorremos com elas.

A primeira fase do ciclo menstrual é marcada pelo aumento do Kapha, a fase folicular, onde no organismo a produção de folículos pelos ovários é estimulada, na qual ocorrerá a ovulação – pico máximo de estrogénio. Nesta fase o corpo “oferece” assim ao útero uma grande disponibilidade de nutrientes, preparando-o assim para uma possível gravidez. Posterior à ovulação ocorre assim um predomínio da hormona progesterona – que possui características mais Pitta, corresponde a uma fase secretória que compreende o período entre a ovulação até à menstruação seguinte, predominando assim o Pitta no corpo feminino no período pré-menstrual. Durante a menstruação há um predomínio de Vata, que é responsável pelos transportes do corpo, pelo movimento – sendo este o dosha que rege o fluxo menstrual e assim o transporte de sangue para fora do corpo feminino.

Ciclos menstruais em mulheres Vata, Pitta e Kapha

Vata é conhecido por ser a bioenergia aliada ao movimento e à instabilidade, como tal, o ciclo da mulher do tipo Vata tende a ser irregular. O fluxo tende a ser mais seco, escasso, fluído, fino, espumoso, escuro, muitas das vezes acompanhado por coágulos, e também de cólicas menstruais. A zona do abdómen fica rígida e tensa, podendo no início ou antes do fluxo ocorrer a prisão de ventre, e à dor (espasmódica, aguda, cãibras frequentemente na região lombar e abdómen inferior) e com emoções de nervosismo, alterações de humor, falta de concentração e memória e medo. A ansiedade, a insónia e um sono irregular são também comuns.

A prática de um estilo de vida agitado, inconstante, com excesso de movimento (excesso de exercício) produz o aumento do Vata, mesmo em mulheres com outras constituições, podendo levar ao emagrecimento, à amenorreia e à infertilidade, para além de aumentar a tendência para os padecimentos menstruais.

A tendência natural das mulheres de tipo Pitta é para terem ciclos regulares ligeiramente inferiores a um mês. O fluxo é quente, abundante e prolongado, de coloração vermelha viva e brilhante, podendo também ganhar um tom mais escuro, azulado ou amarelado, e um odor carnoso ou até mesmo fétido. Antecedendo a menstruação podem padecer de uma dor de cabeça que diminui com o início do sangramento, e que vêm aliadas à irritabilidade típica do Pitta. Podem padecer de cólicas de meia intensidade, acompanhadas de sensações de calor, ardor, náuseas, vómitos e raiva.  O intestino tende a funcionar mais e produzir fezes mais soltas um pouco antes e durante a menstruação. Podem ocorrer erupções cutâneas na pele em geral, e acne no rosto, em particular.

As mulheres de tipo Kapha têm habitualmente ciclos menstruais regulares, pesados, e por vezes mais longos, com fluxo de média quantidade, tendencialmente pálido e viscoso. A mulher Kapha é a que mais facilmente fica interiorizada, sensível, com uma certa tendência depressiva durante a menstruação. A propensão maior é para a retenção de líquidos, distensão abdominal e inchaço pré-menstrual acompanhada por um aumento de peso, cólicas, dores de peito, e eventualmente candidíase vaginal. As emoções experimentadas podem incluir tristeza e depressão, compensadas muitas vezes com uma tendência para comer alimentos doces.

É certo que uma mulher pode sentir toda uma mistura destes diferentes sintomas, já que é tendencionalmente constituída pelas três bioenergias, embora em proporções diferentes. A observação dos sintomas prevalecentes pode ajudar a caracterizar a menstruação, e desta forma definir uma ação mais assertiva para a sua saudável manutenção.

Nutrir o ciclo menstrual

Para manter o Vata em equilíbrio durante a fase da menstruação é necessário a relaxar, a descansar, mantendo o calor e a calma. É importante manter o abdómen quente e evitar o frio. O equilíbrio do Kapha durante a fase proliferativa alcança-se comendo sopas nutritivas que fortalecem o sangue e melhoram a ovulação, incluindo beterraba, aloé vera, shatavari (espargos), urtigas e cereais integrais. Para manter o equilíbrio do Pitta durante a última fase do ciclo, deve-se evitar alimentos que poderiam agravar calor e stress no corpo, ou seja, álcool, café, chocolate. Aumentar a prática de yoga, tomar banhos quentes, fazer uma massagem abdominal no sentido horário e adicionar Ashoka Triphala e aloé vera à dieta para manter a região pélvica descongestionada.

A menstruação é uma oportunidade para o corpo da mulher se purificar. Respeitar essa oportunidade, facilitá-la, traz maior conforto. O descanso é fundamental, o que pode significar que é ideal ficar em casa o máximo possível durante a menstruação. O corpo da mulher passa por muitas mudanças e trabalha arduamente para eliminar toxinas. A mulher pode dar um passeio relaxante e agradável de 15-30 minutos.

Como se poderia esperar, as mulheres com um desequilíbrio de Vata obtêm melhores resultados a partir do repouso, a meditação e uma rotina regular. Aquelas com um desequilíbrio de Pitta respondem melhor a uma limpeza interna mensal, e aquelas com um desequilíbrio de Kapha reagem melhor aos suplementos à base de plantas e a uma dieta que reduz impurezas.

  • Recomenda-se uma automassagem diária com óleo de sésamo quente seguida de um banho ou duche quente. Concentre-se numa massagem abdominal no sentido horário 5 minutos por dia.
  • Ingerir sumo de aloé vera em todo o ciclo do 7º dia até ao 21º dia para limpar e nutrir os tecidos.
  • Beber água morna em abundância ajuda a realizar uma leve desintoxicação e a libertar o peso da menstruação.
  • Beber uma infusão feita a partir de sementes de erva-doce, alcaçuz, açafrão e gengibre fresco.
  • Beber água de rosas regularmente, enquanto se prepara o útero para a implantação.
  • Pratique Pranayama: para Vata, Respiração por narina alternada (Anulom Vilom), para Pitta a respiração

Sheetali (Respiração de refrigeração); para Kapha, a respiração Kapalabhati (respiração de fogo).

Yoga para o ciclo feminino

Embora idealmente a mulher menstruada deva reduzir a sua ativa, a prática de algumas posturas pode fomentar o apana vayu, o movimento descendente do fluxo, e desta forma amenizar os sintomas da menstruação. Certas posturas de yoga demonstraram ser relaxantes, promover o fluxo e reduzir os sintomas se feitas corretamente. Exemplos de poses de ioga benéficas incluem:

  • Pose de criança (Balasana)
  • Ângulo lateral estendido (Parsvakonasana)
  • Cabeça ao joelho (Janusirasana)
  • Pose de borboleta / sapateiro (Badha konasana)

Desequilíbrios menstruais

Amenorreia | Ausência de ciclo menstrual

Um ciclo menstrual normal varia de 26 a 35 dias. Se um período se atrasar, sem resultar em gravidez, ou a hipótese de menopausa ser ainda improvável, é possível que haja um desequilíbrio hormonal e/ou anormalidades da tiroide. Os ciclos também podem atrasar-se devido a stress mental, doença física, estilo de vida inadequado, anemia ou viagens.

Na Ayurveda, anaartavam (período retardado) é causado devido a um desequilíbrio de Kapha e Vata dosha, e nos tecidos do corpo, o dhatus. Além disso, o apana vayu que expele o artavam (fluido menstrual) pode estar bloqueado. O Artavam é considerado Pitta na sua natureza, e assim os alimentos que aumentam o Pitta no corpo são conhecidos por produzir os resultados desejados.

Alguns alimentos que ajudam são as sementes de sésamo preto (demolhar durante a noite e tomar de manhã), papaia, sumo de abacaxi fresco, sementes de linhaça, amêndoas, gengibre, canela, maçãs, nozes e vegetais folhosos. Estes são alguns alimentos benéficos que podem ajudar a induzir o seu período.

Algumas das ervas ayurvédicas benéficas para equilibrar a amenorreia são o aloé vera, ashwagandha e triphala. É importante consultar um Terapeuta ou Médico de Ayurveda qualificado antes de consumir estas ervas. Na rotina diária são benéficas as asanas de fogo, asana borboleta e respiração kapalabati, o sopro de fogo massagem com óleo, banho de vapor.

Dismenorreia | dores menstruais

Muitas mulheres experimentam fortes dores e cãibras durante a menstruação, especialmente nos primeiros dias. Isto acontece sobretudo quando existe um fluxo intenso, sinal de que o corpo está a utilizar a menstruação para eliminar o excesso de calor da corrente sanguínea, e do excesso de Pitta. Na Medicina Ayurvédica, é habitual usar-se um tratamento Panchakarma denominado de Rakta mokshana para realizar a libertação profunda do excesso de calor. Esse excesso de calor acumulado no sangue provém habitualmente do tipo de alimentos que estão a ser ingeridos.

Algumas sugestões:

  • Tomar um duche frio, sem ser gelado, para permitir ao corpo libertar o calor.
  • Evitar alimentos fritos, alimentos altamente condimentados ou alimentos processados ​​quando o fluxo está realmente pesado.
  • Um chá refrescante que inclui gotu kola, rosa e uma pitada de cardamomo é muito benéfico para mulheres que têm um fluxo pesado do Pitta.
  • Reduzir o açúcar. Ao reduzir o açúcar da dieta, reduz-se o fluxo durante a menstruação.
  • Aromaterapia, especificamente camomila romana, sálvia e manjerona podem ajudar a pacificar o Pitta.
  • O óleo de coco, pode ser usado para massajar o abdómen.
  • Limite o consumo de álcool, pois cria um desafio para o fígado, que fica superaquecido, e leva a um fluxo menstrual intenso.
  • Aumentar a ingestão de potássio – bananas e coco são fontes ricas.
  • Comer alimentos que são ricos em ferro é muito importante após a menstruação para certificar o reabastecimento do ferro gasto durante a menstruação.

O relaxamento é também fundamental, quando as dores menstruais são mais do tipo Vata. Nesse caso, para ajudar os músculos a dissolverem a tensão, é necessário aquecimento da zona abdominal como uma formas mais simples de produzir esse relaxamento, ao mesmo tempo que se fomenta o movimento descendente da menstruação, e se evita as cólicas. Uma infusão de feita de cravinho, canela e valeriana é ideal para esta trazer calor e amenizar a dor.

Também se pode aplicar óleo de rícino, ou óleo de mostarda com umas gotas (4-8) de óleo essencial de lavanda na zona inferior do abdómen, e massajar no sentido horário, insistindo um pouco na zona abdominal onde possa sentir cãibras. O mesmo óleo pode também ser aplicado na zona lombar com uma ligeira massagem. De seguida pode-se aplicar um saco de água quente tanto no abdómen como na zona lombar. A lavanda é especificamente benéfica para o sistema nervoso e para o sistema reprodutivo feminino.

O mais importante é construir um rasa dhatu de qualidade (rasa dhatu é o tecido nutridor do endométrio), que quando é húmido e rico, e chega o momento para o endométrio se separar do útero, ele move-se facilmente para fora do corpo, sem produzir dor.

TPM | Tensão Pré-Menstrual

A TPM é um sinal de irregularidade hormonal e muitas vezes é um problema relacionado com o stress. Quando existem desequilíbrios no corpo, a tendência será para o período pré-menstrual exacerbar esses desequilíbrios, produzindo sintomas que variam de acordo com a constituição da Mulher, podendo ser sintomas de tipo Vata, Pitta ou Kapha, mas também com a estação do ano, a rotina, o estilo de vida, a alimentação, o trabalho, o stress, e tendências corporais específicas que pode apresentar.

Uma das formas mais simples de reduzir o impacto da TPM é fazer meditação, com o propósito de acalmar a mente. O Yoga nidra (yoga do sono), é uma das outras formas de libertação de tensão. O exercício do yoga nidra leva a pessoa a um espaço profundo e repousante, e o cérebro imita o padrão de ondas cerebrais que temos durante o sono. A prática do yoga nidra é tão repousante que pode equivaler a 4h de sono.

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A conexão com a natureza é outro grande redutor de stress. Nós vivemos em casas com luz elétrica, wifi e cimento ao nosso redor, por isso, o nosso corpo físico desconecta-se muitas vezes do mundo natural, fator que na verdade incrementa o stress. Os nossos diferentes corpos (físico, emocional, mental e espiritual) operam a diferentes níveis e reabastecem-se de diferentes formas. A mente tende a ficar distraída com o trabalho e as preocupações diárias, desligando-se dos sinais que os outros corpos emitem da sua necessidade de cuidado e nutrição.

É importante realçar que todas as sugestões apresentadas se destinam sobretudo ao conhecimento do ciclo feminino e de possíveis desequilíbrios na mulher, sendo contudo necessário que qualquer tratamento seja seguido e orientado por um terapeuta ou médico credenciado.

Ayurveda e o Pós-parto | o nascimento da Mãe equilibrada

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O parto dá à luz uma nova Mãe, tão delicada e sensível como o seu bebé recém-nascido. Nas seis semanas após o parto as mudanças que ocorrem no corpo da mulher são intensas, por vezes severas, e muitas vezes desenraizantes, como é habitualmente em qualquer aumento súbito do Vata. A energia da nova mãe está vulnerável tanto a nível físico, como também, emocional, mental e até espiritual, e todo o impacto que ela recebe deste intenso movimento e transição, tem consequências tanto no seu bebé, quanto na sua família. No pós-parto, a Ayurveda considera, por isso, a nova mãe, como a grande prioridade. Toda nutrição, amor e cuidado que ela receber, será naturalmente retribuído por ela em carinho, proteção, suporte e dedicação ao seu recém-nascido, e à sua família.

A depressão pós-parto tornou-se um lugar comum na nossa sociedade, em virtude da tendência em colocar-se o foco no bebé recém-nascido, que apesar de naturalmente necessitar de todo o cuidado e atenção, depende em quase 100% do bem-estar e equilíbrio da sua mãe.

O período pós-parto é, por isso, considerado vital para a recuperação e rejuvenescimento da mãe. O choro contínuo de um bebé em processo de encontrar um sono consonante pode produzir um grande desequilíbrio numa nova mãe desacompanhada.

O Pós-parto e o Vata | O que Mãe recebe, o bebé recebe

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No corpo, o Vata é composto do elemento éter (espaço) e ar, e as suas qualidades são seco, leve, frio, móvel, subtil, claro, áspero e duro. O Vata é responsável por todos os movimentos e mudanças, e está ativo no corpo através da circulação, do nosso movimento muscular, pulsação, eliminação, sistema nervoso e processos de pensamento. Está por isso envolvido em todas as nossas mudanças, internas e externas, habilitando-nos para progredirmos e mudarmos na Vida.

O parto é uma força extrema de movimento e uma forma intensa de mudança no qual o Vata é intensamente provocado e aumentado. O incremento do Vata deve-se particularmente ao aumento súbito de espaço vazio deixado para trás no útero, após a expulsão do bebé. É assim natural que a nova mãe sinta um frio progressivo no seu corpo, que é neste caso perturbador e desequilibrante, e que necessita de cuidado, calor e carinho para se pacificar.

Com os sintomas do desequilíbrio do Vata pode surgir a insónia, os problemas de lactação, obstipação, pele seca, articulações secas e/ou doridas, sensação de frio, tremor, indigestão e cólica, medo e confusão, sinais de desequilíbrio de Vata no bebé e depressão pós-parto.

Quando as novas mães recebem cuidados pós-parto adequados, elas são menos propensas a sofrer de depressão pós-parto. A assistência pós-parto ayurvédica permite que as mães façam uma digestão mais saudável; tenham maior abundância de leite e imunidade; tenham mais energia, e façam uma regeneração e rejuvenescimento mais rápido; estabeleçam uma ligação mais profunda com o bebé, e tenham um relacionamento mais fluído com o companheiro e a família.

O bem-estar e a felicidade da nova mãe afeta a saúde familiar e o contentamento do bebé. A capacidade da mãe de se conectar com o bebé de forma amorosa afeta o sistema digestivo, a imunidade e as habilidades sociais do bebé. Após o parto a mente, o corpo e o coração do bebé estão profundamente abertos a todas as influências externas, em particular as da sua mãe.

Na Medicina Ayurvédica o foco é dado à prevenção e ao tratamento do desequilíbrio do Vata através de recomendações dietéticas, estilo de vida, fitoterapia, autocuidado, posturas e alongamentos (yoga), terapias corporais, e meditação.

A massagem é uma parte fundamental dos cuidados pós-parto, habitualmente com óleo de sésamo, e azeite, sendo também aplicado óleo de coco na massagem à cabeça. É também recomendado um banho quente, em que água quente é vertida no abdómen inferior e na área pélvica da mãe. Normalmente, adicionam-se folhas de neem à água pelas suas propriedades antisépticas. Os sabonetes são substituídos por pó de grão de bico misturado com natas.

A amamentação e a Ayurveda

Baby eating mother's milk. Mother breastfeeding baby.

A amamentação é única e individual para todas as mães, e quando elas se permitem honrar o seu natural instinto e sabedoria é mais provável que sejam bem sucedidas. Para que a amamentação flua de forma natural é importante que a nova mãe encontre um espaço de bem-estar e autocuidado na sua rotina diária.

Nessa rotina a consciência da respiração representa um papel fundamental. O bebé irá procurar sentir a respiração da mãe, sendo o ritmo respiratório o barómetro que permite ao bebé perceber o estado emocional da mãe, no intuito de a mimetizar. Quando amamenta a mãe pode tomar algum tempo para meditar, respirar, enraizar-se, e focar-se no equilíbrio das suas emoções, transmitindo assim aprendizagens subtis ao seu bebé.

Segundo o Charaka Samhita, um dos manuais de referência na Ayurveda, a amamentação e a oleação diária são as duas bases sólidas de nutrição e proteção do bebé. Idealmente, o bebé vive exclusivamente de leite materno por pelo menos 6 meses, e continua a amamentar pelo maior tempo possível. Ancestralmente a amamentação podia estender-se até aos 10 anos de idade. Na Ayurveda compreende-se que os anticorpos e imunidade presentes no leite da mãe são mais concentrados quanto mais tempo ela nutre, para compensar o fato de a criança não amamentar com tanta frequência.

Massagem diária da mama

Para preparar a amamentação a massagem diária da mama é um cuidado fundamental. Pode ser feita sozinha, ou com ajuda, antes ou depois do banho, de manhã ou à noite. Deve ser usado um óleo morno orgânico como girassol, coco, azeite, amêndoa ou óleo de sésamo, podendo a mãe consultar um terapeuta ayurvédico para descobrir qual é o óleo mais adequado à sua constituição. Existem muitos óleos infundidos à base de plantas ayurvédicas disponíveis para vários problemas. Ao criar o hábito de massajar os seios diariamente, ainda durante a gravidez evita a tendência aos ductos do leite entupidos.

Quando a mãe sofre de mastite deve evitar uma massagem vigorosa. Em vez disso, deve aplicar uma folha de repolho quente no seio infectado, descansar e aplicar pasta de açafrão da índia em torno do mamilo.

Uma dieta para um leito materno saudável

A dieta da mãe muito influente na qualidade do leite materno. O sistema digestivo tanto da mãe como do bebé é muito delicado após o parto, e basta apenas uma pequena quantidade dos alimentos desadequados para causar problemas.

É importante a mãe escolher alimentos e bebidas quentes, moles, assados, moídos, fáceis de digerir e nutrir. As refeições quentes e bem preparadas são realmente importantes. Sopas e ensopados são ótimos quando preparados com temperos digestivos, como cominhos, erva-doce, feno-grego, gengibre, aipo, feno-grego, açafrão da índia, pimenta do reino, alho, e coentros. Incluir de legumes, como cenouras, beterrabas, abóboras, abóboras, quiabos, espargos e inhames. Pudins preparados com cardamomo, cravinho-da-índia, canela e arroz, araruta ou aveia. O leite dourado e o ghee são alimentos privilegiados durante o período pós-parto.

O feijão mung e as lentilhas vermelhas que foram demolhadas durante a noite, e bem cozidas com açafrão da índia fornecem proteína facilmente digerível, assim como nozes e sementes demolhadas. Para os não-vegetarianos, a sopa de galinha é especialmente boa quando preparada com ossos para adicionar nutrientes.

A água é fervida com sementes de funcho e é dada à mãe frequentemente para aumentar o leite materno. Água fervida com sementes de feno-grego é dada após a refeição pela manhã para aliviar dores nas costas e nas articulações. Água fervida com sementes de jeera (cominhos) é dada para combater a infecção e a formação de gases.

O que evitar comer durante a amamentação

São de evitar todos os alimentos secos, frios, ásperos e difíceis de digerir, bem como substâncias estimulantes.

Quando uma nova mãe come muitos vegetais crus e saladas que são frias e ásperas, além de alimentos difíceis de digerir, o seu leite fica pesado e difícil de digerir, consequentemente o bebé provavelmente sofrerá de caimbras e cólicas.

Os alimentos difíceis de digerir incluem sobras de comida, queijo duro e frio, iogurte gelado, gelados, leite frio, água gelada, trigo, fritos, batatas fritas, e açúcar branco refinado. Substâncias muito estimulantes incluem café, chá preto, chocolate, álcool, açúcar refinado branco e alimentos picantes e muito quentes. Todos estes alimentos fazem produzem desequilíbrios e fomentam cólicas nos recém-nascidos.

Fórmula Angaya podi para o pós-natal

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A Angaya podi é uma fórmula herbal pós-natal ayurvédica. É usada para manter a saúde e a beleza da mulher no pós-parto. Esta formulação tradicional é originária do estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, perto de Kerala, onde é transmitida geração após geração. A fórmula tem o intuito de melhorar o poder digestivo da mulher, que fica debilitado após o parto. Entre os ingredientes encontram-se especiarias e plantas que estimulam a digestão, podendo esta receita ser usada por outros, especificamente aqueles que padecem de má digestão, diabetes, colesterol e flatulência.

Receita | Ingredientes

1/2 chávena de sementes de coentros

1/4 chávena de flores de neem secas ou 1/2 chávena de folhas de neem secas

1/4 de chávena de manathakkali vattal (maravilha seca ou sunberry ou solanum retroflexum)

20 a 30 bagas de sundakkai vattal (baga de peru seco ou solanum torvum)

1/2 chávena de folhas de caril

3 colheres de chá de pimenta preta

um pequeno pau de 1 polegada de kandda thippili ou pimenta longa

1 pimentão vermelho seco

3 colheres de chá de sementes de cominhos

1 colher de chá de sementes de aipo (ajwain)

um pequeno pedaço de gengibre seco

uma pitada de perungayam (assafoetida)

sal (de preferência sal de rocha) – a gosto

Instruções

Os ingredientes acima são fritos a seco (sem óleo) numa wok. Moer a mistura depois de assada num pó suave usando um liquidificador de cozinha. Depois de ter feito o podi (pó), e provado, podem ajustar-se os ingredientes para se adequar ao paladar de quem a vai tomar.

A fórmula deve ser armazenada num recipiente limpo e hermético. O podi pode durar alguns meses. Servir o podi com uma colher de chá de ghee e arroz cozido. Também pode ser adicionado ao caril e pratos de legumes salteados.

Para recomendações mais precisas em função da sua constituição, a nova mãe deverá consultar um terapeuta ou médico ayurvédico.

Coentros na Ayurveda | Um benefício Tridóshico

coriander-seeds-2---corriander-seeds-leaves-powderOs Coentros são uma erva aromática profusamente usada em Portugal, fazendo parte de muitos pratos típicos, em particular dos Alentejanos. Muito para lá do seu agradável, distinto e refrescante paladar, os Coentros relevam interessantes propriedades terapêuticas que têm a vantagem de poderem ser usadas para os três biótipos, de forma equilibrada. Os coentros são tradicionalmente usados em folha na culinária portuguesa, como cobertura e guarnição, contudo, são também utilizados em sementes e em pó, sendo um elemento fundamental nos lares indianos, como elemento das características masalas.

Os coentros são nativos do sul da Europa, norte da África e oeste da Ásia. Era conhecido no antigo Egito e na Grécia, onde era consumido regularmente, e os romanos usavam as folhas e as sementes para preservar carnes. Ainda estão entre as ervas aromáticas mais populares usadas em vários pratos de todo o mundo.

Coentros | Descrição Botânica

Coriandrum_sativumPropriedades ayurvédicas dos coentros:

Rasa ou sabor: madhura (doce), katu (pungente), tikta (amargo) e kashya (adstringente)

Guna ou qualidades: laghu (luz) e snigdha (oleosa)

Virya ou potência: ushana (quente em potência)

Vipaka ou sabor pós-digestivo: madhur (doce)

Efeito no dosha: tri dosha hara (equilibra todos os três doshas)

Partes usadas: frutas, planta inteira e óleo

Família: Umbelliferae

Nome Hindi: Dhaniya

Nome Sânscrito: Dhanyaka

Nome Comum: Coentros

Nome Latim: Coriandrum sativum Linn Pennel

Os coentros são uma erva anual cultivada principalmente como tempero para fins culinários em todo o mundo. É uma planta macia e pode crescer entre 25-60 cm de altura. Tem raízes finas em forma de fuso. Tem um caule ereto e folhas alternadas. Estas folhas são de forma variável, largamente lobadas na base da planta, e delgadas e plumas em cima das hastes de floração.

As flores da planta de coentros nascem em pequenas umbelas. A cor das flores é branca ou muito rosa pálido, azul ou púrpura. As flores são assimétricas, com as pétalas afastadas do centro da umbela mais longas do que as que apontam para ela. Os frutos são globulares, consistindo de dois pericarpos e cerca de 3 a 5 mm de diâmetro. Quando pressionados, eles dividem-se em dois lóculos, cada um com uma semente. A fruta tem uma fragrância delicada. As sementes são brancas pálidas a castanho claro.

Composição química: os frutos contêm proteínas, gorduras, carboidratos, fibras, cálcio, fósforo e ferro. As folhas são relatadas para ser uma boa fonte de vitamina C e caroteno. O odor do fruto é gerado a partir de um óleo essencial presente nele. Este óleo possui linalol e pineno.

Benefícios e usos dos coentros

coentrosOs coentros vêm mencionados no eminente livro de Ayurveda, Dravyaguna Vijnana (Farmacopeia de Ervas) onde são mencionadas as suas várias propriedades. O seu nome que se assemelha a grão (dhanya, em sânscrito), significa também ‘o rico’. Os coentros são também chamados de Kustumburu, o que significa o que ajudam a aliviar doenças porque pacifica mtodos os três doshas. Vitunnaka significa, ajuda a aliviar a agonia e a dor.

Os Coentros são incluídos sob trishna nigrahan maha kashyaya (ervas que são úteis para aliviar a sede); incluídos sob prashaman maha kashyaya (ervas que são úteis para aliviar o frio excessivo). Os coentros têm propriedades antieméticas, ajudam a curar úlceras, inflamação e espasmos, e protegem o fígado. São anticancerígenos, anticonvulsivante, anti-histamínico e hipnótico por natureza. Acredita-se que os coentros sejam um afrodisíaco natural e tradicionalmente foi amplamente usado em combinações com outras ervas para aumentar a libido. Aliviam a sensação de ardor no corpo. São úteis na purificação de vários canais do corpo, na febre e na asma e outros problemas respiratórios crónicos, na tosse e frio, nas hemorroidas, na infestação por vermes, e também:

Reduz a inflamação da pele: o coentro contém tanto o ácido cinoleico como o ácido linoleico. Estes elementos apresentam propriedades antirreumáticas e antiartríticas que ajudam a reduzir as inflamações da pele.

Controla a pressão arterial: foi demonstrado que o consumo de coentros reduzi positivamente a pressão arterial em muitos pacientes que sofrem de hipertensão. Isso ajuda a reduzir a probabilidade de um ataque cardíaco.

Fonte rica de cálcio: os coentros são uma rica fonte de cálcio, que é um elemento importante para a saúde dos ossos. Eles ajudam na regeneração óssea e aumenta a durabilidade do osso.

Controla a Diabetes: os benefícios dos coentros incluem o controle do diabetes. Eles ajudam a estimular as glândulas endócrinas aumentando a secreção de insulina. Todo esse processo ajuda na quebra adequada do açúcar no corpo controlando a diabetes.

Propriedades Diuréticas: os coentros são diuréticos por natureza, o que significa que ajudam a aumentar o volume e a frequência da micção liberando as toxinas do corpo.

Trata feridas e úlceras bucais: os coentros contém citronelol, que é um ótimo antisséptico. Ele ajuda a acelerar o processo de cicatrização de úlceras na boca e também previne o mau hálito.

Ajuda na digestão: os coentros são ricos em borneol e linalol, que ajudam na digestão. Também é útil na prevenção da diarreia.

Trata a osteoporose: os coentros contêm vitamina A, riboflavina, niacina, ácido fólico, vitamina C, vitamina K e caroteno. Todos esses elementos ajudam a prevenir a osteoporose.

Previne Anemia: as sementes de coentros são uma rica fonte de ferro. Deficiência de ferro provoca anemia e, portanto, recomenda-se a inclusão de sementes de coentros na dieta.

Reduz o Colesterol: os coentros ajudam na redução do mau colesterol do corpo sem afetar o bom colesterol, minimizando o risco de distúrbios relacionados com o coração.

Previne a artrite: as sementes de coentros possuem compostos como o ácido linoleico e o cineol, que são bem conhecidos por suas propriedades antiartríticas e antirreumáticas.

Para além destas propriedades pesquisas mais recentes demostraram os seguintes benefícios:

  • Tem propriedades antifúngicas

  • É útil na conservação de alimentos e evita a deterioração de alimentos

  • Possui propriedades antibacterianas

  • Tem propriedades antioxidantes

  • Tem atividade hipoglicemiante

  • Tem potencial antimutagénico

  • É útil em varíola pequena

  • É útil em distúrbios menstruais

  • É de utilidade no tratamento oftalmológico

  • É útil em vários distúrbios da pele, como eczema, secura da pele e infeções fúngicas

Receitas

Cilantro

  • A aplicação da polpa de folhas de coentros verde fresco é útil na dor de cabeça, inflamação, erisipela e linfadenite cervical.

  • Para úlceras na boca, é aconselhável fazer gargarejos com sumo feito de coentros frescos.

  • No sangramento nasal ou epistaxe, é aconselhável injetar o sumo de coentros fresco no nariz.

  • Na dor de cabeça você também pode usar uma pasta feita a partir de coentros seco em pó.

  • A infusão fria de coentros misturados com açúcar ajuda a aliviar a sensação de ardor, a sede excessiva, a febre e também ajuda em vários problemas relacionados a Vata Pitta.

  • As sementes de coentros cozidas com leite são úteis em problemas de perda de memória.

  • A decocção de coentros e gengibre é útil na digestão de alimentos não digeridos e alivia a dor no abdómen.

Contraindicações

No Dravyaguna Vijnana é mencionado que, devido ao seu sabor kashya ras ou adstringente, os coentros podem ter um efeito adverso sobre a qualidade do sémen. Portanto, é aconselhável consumi-lo numa quantidade moderada.

Menopausa e reflorescimento | Cuidados Ayurvédicos para mulheres maduras

Natural looking middle aged woman with grey hair and green scarf laughing against neutral backgroundA menopausa era ancestralmente associada ao momento da vida da mulher em que ela começava a usufruir da sua sabedoria. Representava também um período em que toda a experiência adquirida até então surgia como uma mais-valia para orientar, alentar e instruir os membros mais jovens da sua família. A cessação dos seus períodos férteis permitia que a mulher pudesse cuidar e educar de forma mais focada os seus filhos, num momento em que ainda desfrutava de saúde e energia, contribuindo assim para a preservação da espécie, e para a evolução da própria humanidade, através do sábio cuidado que uma mulher madura oferece.

Nas culturas orientais, a menopausa é por isso mesmo considerada uma das fases mais gratificantes da vida da mulher, já que se encontra liberta das obrigações relacionadas com os cuidados com as crianças pequenas, e começa a participar de forma mais ativa nos cuidados da sua comunidade como um todo.

Independentemente do aspeto cultural, a menopausa é vivida como uma experiência natural e única, marcada por mudanças no corpo, nas emoções, na mente, no espírito, que clama por adaptabilidade e ajuste no estilo de vida.

Como começa

A Menopausa corresponde a uma fase natural na vida da mulher que indica o cessar da sua fertilidade, e de uma forma simples corresponde também ao cessar do fluxo menstrual – quando esta já conta doze meses de ausência desde a última menstruação sem outra causa aparente. Está associada com a redução da função dos ovários resultante da idade, que se traduzem em baixos níveis de estrogénio e outras hormonas.

Na Ayurveda, a infância e o início da idade adulta são caracterizados por certas qualidades às quais nos referimos como Kapha Dosha, idade adulta é governada pelas qualidades de produtividade do Pitta Dosha, e a velhice é governada pelas qualidades do Vata Dosha. Durante a última parte de cada fase, a próxima fase reúne energia. À medida que as mulheres envelhecem, o Vata começa a acumular-se por volta dos seus trinta e quarenta anos. O corpo ainda está no tempo de vida de Pitta e é ativamente produtivo, até mesmo totalmente capaz de se reproduzir, mas o Vata dosha está lentamente a infiltrar-se. Podemos ver isso em mudanças subtis no corpo, mudanças no metabolismo e flutuações de energia.

Apesar de ser vista muitas vezes como um evento isolado – a cessação do ciclo menstrual -, a menopausa é, contudo, um processo que inicia geralmente entre os 30-35 anos, onde a mulher atinge o auge da sua saúde, e termina mais ou menos aos 51 anos (podendo ir até aos 55 anos), quando ela finaliza o ciclo menstrual. Esta época na vida da mulher pode ser dividida em:

  • Peri menopausa – que corresponde à altura em que a mulher começa a sentir os primeiros sinais da menopausa e normalmente ainda menstrua nesta fase. Os níveis de hormonas sobem e descem provocando sintomas como afrontamentos (sensações de calor).
  • Pós-Menopausa – Uma vez passados dozes meses desde a última menstruação, a mulher atinge assim a Menopausa. Os seus ovários produzem muito menos hormonas como estrogénio e progesterona e a mulher deixa de ovular. A duração destes dois ciclos depende muito da mulher e de toda o ambiente e estrutura que a compõe o seu corpo e o seu estilo de vida.

Os ovários deixam de responder às mudanças dos Doshas, levando o Pitta à paragem da ovulação, na qual há também uma diminuição da produção de hormonas sexuais. A Menopausa é geneticamente programada e/ou pré-determinada, e o momento do seu início pode ser variável na idade, e depende também dos hábitos e comportamentos da mulher ao longo da sua vida. Para algumas mulheres é um fenómeno silencioso e brando, e para outras é um momento em que padecem de uma série de problemas como ondas de calor frequentes, instabilidade e períodos de grande oscilação emocional, cansaço, distúrbios de sono, dores de cabeça, dores nas articulares, palpitações, etc.

Para mulheres na perimenopausa, o ciclo começa a ser perturbado. Com as menstruações irregulares ocorre uma resposta irregular dos ovários. Durante os meses em que ocorre a ovulação, existe a menstruação. Nos outros meses, os ovários respondem menos às hormonas da glândula pituitária, os óvulos não são libertos, e não ocorre a menstruação. Estas mudanças hormonais são naturais, e a dieta e o estilo de vida ajudam a determinar como irá o corpo regular-se diante das mudanças das hormonas reprodutivas.

13c32b6441b652bbef2858aab2fbc52dSegundo a Ayurveda, a menopausa é uma época de agravamento do Vata, gerando a diminuição da produção de tecidos (dhatus), e o aumento da irregularidade. A menstruação de longa duração (que pode ocorrer neste período de transição) pode parecer, na superfície, estar mais relacionada com o Pitta ou o Kapha, contudo, o fator causador (a irregularidade) tem a sua origem no Vata. A fase da menopausa reflete essencialmente uma transição da fase adulta – Pitta – para Vata, o envelhecimento. Os sintomas do Vata a aumentar compreendem ansiedade, desequilíbrio, instabilidade, nervosismo generalizado, preocupação, perdas de memória, insónia, instabilidade emocional, osteoporose, e eventualmente depressão.

Na medida em que o Vata aumenta os outros doshas podem também sofrer desequilíbrios. Os sintomas do aumento do kapha estão associados a ganho de peso, sensação de peso mental e físico assim como a um aumento na retenção de líquidos. Nas mulheres de constituição pitta há um aumento da irritabilidade, e ondas de calor frequentes.

Reflorescer com a Ayurveda

laughter-yoga-1Qualquer sintoma que possa advir da menopausa pode ser minimizado através das práticas ayurvédicas, com a centralização espiritual da mulher, e com o conhecimento do dosha que está desequilibrado na mulher.

O stress, a má nutrição e o uso de cafeína são três gatilhos de estilo de vida que fomentam o aumento do Vata, e a menstruação irregular. Escolher o estilo de vida ayurvédico, com rotinas regulares e autocuidado adequado, minimizará o impacto nos anos da menopausa. As práticas de redução de stress, incluindo o exercício diário, o tempo na natureza, prática de pranayama e a meditação reduzem a necessidade de estimulantes ao longo do dia, e preparam o terreno para melhores escolhas alimentares, que ​​irão corrigir a má nutrição.

Como diz o familiar ditado ayurvédico: “Se a dieta está errada, a medicina não tem utilidade. Se a dieta está correta, a medicina não é necessária”. Ao fazermos mudanças simples na dieta e no estilo de vida, podemos apoiar a mudança da habituação que o corpo tem de estrogénio para o equilíbrio nos outros sistemas do corpo. Isso diminuirá a intensidade dos sintomas que experimentados devido à redução súbita de estrogénio no sistema.

Se nos dirigirmos a essa subtil e crescente tempestade do Vata, poderemos pacificá-lo antes que ele se mova e cause estragos no corpo, na mente e nas emoções. E o Vata pacifica-se com rotinas. Quando isto é feito a menopausa pode ser sentida como a mudança natural que é, ao invés do dramático cataclismo em que ela se transformou na sociedade.

Algumas recomendações gerais para a menopausa:

Comida: Prestar atenção especial à dieta. Certificar-se de que os alimentos são integrais, frescos e orgânicos. Limitar a ingestão de alimentos processados ou não-orgânicos. Evitar armazenar alimentos em recipientes de plástico ou beber em garrafas plásticas. Os plásticos imitam os estrogénios e interferem no equilíbrio hormonal normal. Jantar conscientemente. Saborear os alimentos e sustentar a capacidade de passar tempo a nutrir-se. Isso aumenta o valor nutricional que se ganha com a comida, e acalma o sistema nervoso.

c0ba6aa81c81f27a2ebbc5af857f70b4Ouvir o corpo. Comer quando estiver com fome e só até satisfazer a fome natural. A Ayurveda recomenda que se coma até que o estômago esteja cerca de 75% cheio. O metabolismo está a mudar subtilmente. Ajustar a porção de alimentos ingeridos, já que a capacidade de digerir se alterou.

Começar o dia com um copo grande de água morna. Adicionar um pouco de limão se quiser. Beber bastante água durante o dia. Ingerir a comida húmida e apenas uma pequena quantidade de água morna ou chá às refeições.

Dormir o suficiente. Ir para a cama cedo o suficiente para ter uma noite inteira de sono. Desligar todos os elementos eletrónicos pelo menos uma hora antes de deitar, para se sentir o suporte da melatonina quando quiser adormecer, e para permitir um sono contínuo. Verificar se o quarto está escuro, silencioso e confortável. Isso permite um sono reparador. Evitar estimulantes como café e açúcar, assim como depressivos como o álcool. Estes interferem com o sistema nervoso e podem afetar negativamente o sono.

Fazer algum exercício durante o dia, de preferência ao ar livre. Se existirem problemas para adormecer, ouvir uma meditação guiada ou um CD do Yoga Nidra para complementar algumas das horas perdidas de sono.

Conservar a energia. Inicialmente, quando a pessoa está ativa extrai energia dos alimentos. Quando essa energia é consumida, a energia é extraída dos recursos armazenados. A sensação de cansaço surge quando se esgotam os recursos. Uma parte importante desses recursos é o Ojas, um termo ayurvédico que descreve as reservas vitais. Assumir apenas atividades que sejam em proporção com a reservas próprias. O exercício deve ser feito de preferência em metade da capacidade corporal. Quando é necessário algum tipo de estimulante para suportar o dia, é sinal que as reservas vitais poderão estar esgotadas.

Começar o dia com uma rotina benéfica, incluindo limpeza, alongamentos, respiração e meditação. Equilibrar os horários ativos durante o dia com momentos de descanso. Incorporar o exercício no fluxo do seu dia. Observar a informação de cansaço do corpo, e respeitá-la, evitando a estimulação. Se notar a energia a diminuir à tarde, fazer uma pequena caminhada e respirar profundamente. Ingerir alimentos nutritivos, como fruta ou oleaginosas já demolhadas.

Menopausa do tipo Vata

Saramai+JewelsA nível de dieta surge a necessidade de aumentar o consumo de comidas e bebidas mornas e efetuar diariamente refeições regulares. Deve ser dada a preferência a temperos como a erva doce e os cominhos. Arroz e grãos integrais. Frutas como a maçã, pêssegos, tâmaras, uvas ricas em boro são exemplos de boas frutas no equilíbrio da mulher na Menopausa. Feijão Mung, lentilhas, inhame, amêndoas pacificam e nutrem o Vata. As algas também são importantes a serem introduzidas na dieta como kombu, agar agar que possuem um grande teor mineral (zinco, magnésio, cálcio, iodina, L-tyrosina). Evitar estimulantes como cafeína, açúcares refinados, bebidas geladas. Saladas.

A nível de hábitos diários é importante que a mulher se deite cedo, cuide de si mesma com massagens com óleo de sésamo morno, pratique meditação e yoga. As caminhadas também são importantes, sobretudo se for em dias de sol moderado. Uma boa forma de manter a pele do rosto hidratada é utilizar gel de Aloé Vera e óleo de sésamo, já que a é a pele que mais tende para a formação de rugas. É necessário que as mulheres na menopausa tipo Vata pratiquem atividades de lazer, atividades que lhe nutram o coração e a mente. Comumente a nível físico manifesta-se secura vaginal, palpitações, sensações intensas de calor, secura, dores musculares, a osteoporose também pode ocorrer se não houver tratamento/prevenção.

A nível de fitoterapia Ayurvédica são indicadas a shatavari, a ashwagandha, a triphala, a brahmi, a gotu kola, a amalaki, o açafrão da índia, e o ginseng. É importante equilibrar o sistema reprodutor feminino, principalmente apostando em plantas que tonifiquem o sistema endócrino. Dentro desta categoria: Vitex Agnus Castus, Inhame Selvagem, Shatavari.

Menopausa de tipo Pitta

Os sintomas na menopausa deste tipo são na generalidade um temperamento mais quente, ao qual se associam, também sentimentos de raiva, irritabilidade, sensações de calor, suores noturnos, infeções urinárias e também alguma tendência para erupções cutâneas, perda/desequilíbrio de movimentos intestinais.

A nível de dieta deve ser aumentado o consumo de comida refrescante, manter um bomb2c678c6b7a9b122fc8c9ed721cd5dab consumo de água regular, beber bastantes sumos de frutas doces como uva, pera, ameixa, manga, melão. Relativamente a condimentos deve-se dar ênfase à canela, cardomomo, coentros e erva doce.

Evitar comida muito picante, quente e a ingestão de álcool. A nível de estilo de vida é recomendado uma boa gestão das rotinas de sono, sendo necessário que a mulher se deite antes das 22h, que receba massagens com óleo de coco ou grainha de uva. Deve equilibrar as suas emoções através da meditação, exercício físico e passear em dias com brisa suave. A Fitoterapia utilizada comumente neste caso é o Aloé Vera, Gotu Kola, Açafrão da índia, Sândalo e Shatavari.

Menopausa de tipo Kapha

Neste tipo de menopausa ocorrem normalmente sintomas como ganho de peso, lentidão, retenção de líquidos, preguiça, a depressão também é comum, falta de movimentação e digestões lentas.

A Dieta deve ser no geral leve, com comidas secas e aquecidas. Deve aumentar-se o consumo de frutas, grãos integrais, legumes e vegetais. Temperos como pimenta, canela, pimenta caiena, açafrão da índia, mostarda e gengibre também são importantes. Evitar o queijo, a carne, o açúcar, comidas e bebidas frias. Um jejum semanal neste tipo de menopausa também é importante. A nível de estilo de vida a mulher Kapha deve levantar-se cedo e massajar-se com óleo de mostarda e amêndoas doces.  A Fitoterapia recomendada inclui a Gugulu e mirra.

Suores noturnos

Os suores noturnos começam na perimenopausa, podendo prevalecer nos primeiros anos da menopausa em si, e ocorrem quando a mulher está a dormir e pode resultar no despertar com pijamas e roupa de cama húmidas. O suor noturno pode levar a um sono interrompido que irá induzir a mais ansiedade, tornando-a um fator causal tanto nas ondas de calor como nos suores noturnos.

Curiosamente, as ondas de calor e os suores noturnos ocorrem apenas numa parte das mulheres do mundo, como consequência do seu estilo de vida. Na perspetiva ayurvédica, estes sintomas são causados ​​por um desequilíbrio do Vata e pelo desequilíbrio do agni do corpo. As ondas de calor e suores noturnos são sinais de que existe uma má interpretação dos sinais do corpo e isto é frequentemente causado pelo Vata. Embora o Pitta seja frequentemente associado ao calor, os desequilíbrios deste humor provocam calor que depois permanece, sem flutuações. Em algumas mulheres, pode haver um Pitta nas profundezas dos tecidos, contudo, os sintomas das ondas de calor são mais intensos do que o calor habitual, e esse é o indicador de existe um aumento do Vata.

O Agni é muitas vezes chamado de fogo digestivo, contudo, neste caso refere-se tanto ao agni do sistema digestivo como ao agni metabólico, o fígado. Quando o agni do sistema digestivo se torna variável, surge uma dificuldade em digerir alimentos, e a tendência a formar ama. Ama é o termo usado para um subproduto tóxico da digestão imprópria ou incompleta, frequentemente a causa de irregularidades hormonais e danos nos tecidos, órgãos e sistemas do corpo. A ama é transportada do sistema digestivo para o fígado juntamente com os nutrientes da comida. O fígado é responsável por muitas funções no corpo, e ajudar na libertação de ama é um deles. O fígado é o lar dos cinco agnis elementares (Cinco Elementos) e o seu trabalho é converter os alimentos que ingerimos numa substância utilizável pelo corpo.

Quando a ama formada no sistema digestivo é levada para o fígado, prejudica a capacidade do mesmo em cumprir as suas inúmeras funções, tendo implicações no sangue, nas células e tecidos do corpo. Ao nível celular, a ama pode interferir na capacidade do corpo de reconhecer e responder apropriadamente às hormonas do sistema. Perante todo este processo é importante a reflexão de como tudo o que é ingerido tem um impacto fulcral sobre a tendência que o corpo vai ter de exprimir o excesso de ama através dos suores noturnos. Uma dieta equilibrada, e ajustada à constituição, assim como o exercício, e os processos de depuração regulares ajudam na vivência de uma transição para a menopausa mais simples e suave.

Secura Vaginal

dry-vaginal-problemA vagina é mantida húmida pelas membranas mucosas presentes na vagina. O estrogénio produzido no corpo feminino estimula os tecidos vaginais a manter a vagina húmida. Quando as mulheres atingem a idade da menopausa, os ovários produzem menos estrogénio, o que pode levar ao afinamento do revestimento vaginal tornando a vagina vulnerável a infeções, o que, por sua vez, causa problemas como a secura. Associada à secura surgem outros sintomas como prurido, irritação, sensação de ardor, dor, desconforto, leve sangramento e dor durante o sexo.

Existem vários fatores que podem influenciar a secura vaginal, nomeadamente, os diafragmas, a toma de antidepressivos, anti-histamínicos, descongestionantes e antibióticos, tratamentos de quimioterapia e radiação, os corantes e fragrâncias do papel higiénico e detergentes para a roupa, assim como os sabonetes, os pensos e tampões, e os preservativos.

Na medicina ayurvédica, Charaka descreveu uma condição chamada Suska yoni. Suska significa seco e yoni refere-se aos órgãos reprodutivos femininos. Se durante a relação sexual, a mulher suprime os seus impulsos naturais, o Vata fica agravado. Isso causa dor, obstrução à passagem das fezes e urina e secura vaginal. Para tratar este agravamento do Vata é recomendada a oleação, fomentação, enema medicamentoso ayurvédico e terapias que pacifiquem o Vata.

Algumas propostas de tratamento

– Oleação: A massagem com óleo de sésamo e sal preto é usada para pacificar o Vata e fornecer lubrificação natural. A oleação ajuda na mobilização do dosha viciado do local da morbidade.

– Fomento: A fomentação através de um tubo (nadi sweda) aplicada aos genitais. Água quente é aspergida sobre a testa, abdómen inferior e genitais. Isso ajuda a aliviar a dor e a inflamação.

– Tampões de ervas são dados à paciente para ela inserir na vagina. Isso ajuda a reduzir a inflamação, dor, infeção e rejuvenesce os tecidos. Massagem ayurvédica ou Abhyanga pode ser feita para restaurar a lubrificação.

– Enema: fazer um enema utilizando-se ervas pacificadoras de Vata. É altamente benéfico para pacificar o Vata, que é a principal causa de secura.

– Óleo de coco: é uma gordura saudável que ajuda a restaurar os níveis naturais de hidratação no corpo. Pode ser usado como um lubrificante vaginal natural ou como um complemento para o tratamento da condição. É uma ótima fonte de vitamina E, que é benéfico para promover a secreção natural e a humidificação dos tecidos vaginais.

– Triphala: Adicionar água morna ao pó de Triphala, e misturar os ingredientes. Lavar a vagina com esta solução para diminuir a sensação de ardor.

– Açafrão da índia: Este é um lubrificante vaginal caseiro eficaz para tratar a secura. O açafrão da índia é conhecido pelas suas propriedades antimicrobianas que protegem a vagina da infeção. Fazer uma pasta de açafrão e misturar com um creme hidratante ou gel de aloé vera. Em seguida, aplicar essa mistura na vagina.

– Guduchi (Tinospora cordifolia): Usar um tampão embebido em óleo de guduchi, que pode ser inserido na vagina ou administrado sob a forma de um duche vaginal. Usar este remédio somente sob a orientação de um profissional qualificado.

– Shatavari: Para a secura vaginal, pode-se usar um ghee medicado com shatavari orgânico, que pode ser aplicado localmente para melhorar a lubrificação.

– Ashwagandha: a Ashwagandha tem sido usada há anos para tratar uma variedade de condições de saúde, incluindo a menopausa. A planta ajuda a manter as paredes da vagina saudáveis ​​e flexíveis, previne a dor, o rasgo e a secura. Também alivia sintomas como ondas de calor, mau humor e insónia.

– Óleo de sésamo: é um excelente lubrificante vaginal natural. Use uma bola de algodão e mergulhe-a no óleo de sésamo. De seguida, aplique-o nas paredes vaginais e continue por uma semana. Esta é uma maneira incrível de fornecer lubrificação vaginal natural.

– Duche de Shatavari e Ashwagandha: Juntar a Shatavari e a Ashwagandha e fervê-los em óleo de sésamo, e depois de frio este óleo medicado pode ser usado ​​como um duche vaginal. Este remédio só deve ser feito seguindo a orientação de um praticante ayurvédico qualificado.

– Tribulus Terrestris: Acredita-se que a Gokshura contribua para a força física e sexual em geral, construindo todos os tecidos, especialmente o shukra dhatu ou tecido reprodutivo. É um caminho natural para curar a secura vaginal.

– Feno grego: O feno-grego é muito eficaz no tratamento da secura vaginal. Ele ajuda a restaurar os níveis de estrogénio no corpo e proporciona alívio natural para a condição. As sementes produzem um efeito semelhante ao estrogénio, que ajuda a aumentar a lubrificação vaginal. Encher uma colher de chá de sementes de feno-grego e deixá-las em água durante a noite. Beber a água pela manhã.

– Cominhos, coentros e sementes de erva-doce: Esta infusão contém fitoestrogénios naturais que sustentam o equilíbrio hormonal saudável. Utilize partes iguais de sementes de cominhos, coentros e erva-doce e deixe em água quente por dez minutos.

– Gel de aloé vera: o gel de Aloé vera é um remédio natural eficaz para a secura vaginal. O Aloé é um hidratante natural e reduz a secura e o prurido em torno da vagina. O sumo de aloé vera também pode ser ingerido para a redução dos sintomas.

– Óleo de Tea Tree. O tea tree oil é valioso no alívio da secura vaginal devido às suas propriedades antibacterianas. O uso deste óleo ajuda a eliminar as bactérias que causam a secura. Massaje os lábios internos, os lábios genitais e a abertura vaginal com uma pomada segura e de alta qualidade contendo uma pequena quantidade de óleo de melaleuca, ou adicione o tea tree oil a uma base de óleo de coco. Certificar a sensibilidade da pele antes de usar.

– Gotu Kola: A Gotu Kola ajuda a aliviar a secura vaginal, equilibrando os níveis de estrogénio. Para preparar uma infusão adicionando ½ colher de chá de ervas secas numa chávena de água quente por 10 minutos. Beber 2 chávenas diariamente. Para reduzir o sabor amargo do chá, adicionar limão ou mel.

 

Os tratamentos acima descritos só devem ser feitos sob a orientação de um praticante qualificado de Ayurveda.