12 Inspirações para um Despertar Ayurvédico

Independentemente do ritmo que a vida atual nos impõe, a Natureza, e o nosso corpo – que é a Natureza a vibrar em nós – tem um ritmo próprio. Existem ciclos corporais naturais de metabolização de alimentos, emoções, pensamentos, toxinas; existem ritmos de sono, ritmos de fecundação, até o ritmo do nosso pulso altera-se de acordo com a hora, o momento do dia, a estação do ano, e contudo sempre em sintonia com o pulsar da Mãe Terra. Muitos dos desequilíbrios surgem precisamente pela inexistência de ritmo, e por uma desatenção instalada em relação ao pulsar da Vida no nosso corpo. Quando estamos dessincronizados adquirimos outro ritmo de vida, que entra em resistência com o pulsar da Terra. Dormir demasiado tarde, ou durante o dia. Comer fora do horário das refeições. Falhar a hora ideal para evacuar, e/ou conter a urina. Estes são alguns dos exemplos de como podemos facilmente desequilibrar-nos.

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1 | A hora de despertar

Com a primeira Luz do amanhecer, cerca de noventa minutos antes que o sol surja no horizonte oriental, ocorre uma grande onda de energia no planeta. As criaturas adormecidas despertam e sacodem dos seus organismos os vestígios da inércia, preparando-se para as actividades do dia. E, então meia hora antes do amanhecer uma segunda onda de energia ainda mais poderosa, corre pela atmosfera. Com esse segundo influxo de radiação, vem o momento mais importante do dia – o momento em que a química corporal é estabelecida para todos os seres vivos. O ser humano é também afectado por esse influxo. Nesse momento o sangue é diluído e banhado por novas substâncias químicas, as quais se exaurem gradualmente, até serem restauradas no amanhecer seguinte.

O banho do organismo com a nova energia ocorre dez minutos antes do amanhecer, estejamos ou não conscientemente preparados e despertos. As reacções químicas acontecem de modo mais adequado em recipientes limpos e livres de impurezas. A lógica diz-nos que uma reacção que ocorra num recipiente livre de resíduos produzirá resultados bem melhores do que uma reacção num recipiente impuro. Se uma pessoa está a dormir quando amanhece os gases e resíduos acumulados durante a noite estarão presentes durante o estabelecimento da química do sangue.

É da maior importância evitar ingerir qualquer alimento ou bebida nas horas que precedem o amanhecer. A manhã é um período em que devemos manter reduzida e tranquila a nossa velocidade.

Em resumo, é benéfico acordarmos antes que o Sol se levante, porque existem qualidades amorosas (sattvicas) na Natureza, que trazem paz mental e frescura aos sentidos. O nascer do Sol varia de acordo com as Estações, mas em média as pessoas de constituição Vata deveriam acordar por volta das 6 horas da manhã, as Pitta pelas 5h 30m da manhã, e os Kapha por voltas das 4h 30m da manhã. Logo após o despertar, é adequado conectarmos a nossa energia à da Terra, enraizando-nos, e fazermos algumas respirações profundas, colocando a intenção para o nosso dia.

2 | Limpar a noite do nosso rosto

Durante o sono a temperatura da pele sobe. Os cobertores mantêm a temperatura cutânea consideravelmente acima da temperatura ambiente. A lavagem reajusta o organismo às condições do ambiente e previne o tipo de choque provocado pela súbita mudança de temperatura que ocorre quando a pessoa salta da cama.

O rosto, em particular os olhos, devem ser lavados com água fria e refrescante, numa temperatura um pouco abaixo da ambiente, e deveríamos atirar a água ao rosto pelo menos sete vezes. Isto ativa o reflexo do mergulho, ativando também a nossa atenção. O rosto deve ser limpo como uma totalidade, pois a limpeza parcial pode criar problemas, devido à diferença de temperatura e condutibilidade eléctrica entre a parte limpa e a não limpa. Essas diferenças podem provocar um desequilíbrio na energia, afectando a visão, o olfacto, a audição e o paladar.

No corpo, os olhos representam o elemento fogo. Eles só funcionam quando estimulados pela luz. A água é o combustível do fogo. O que permanece após a extinção do fogo é a cinza ressecada, porque a água evaporou. A água conduz o calor e a energia eléctrica do fogo. Assim, quando se lavam os olhos, a pequena quantidade de força aplicada pelas mãos carrega electricamente a água – estimulando e acalmando os olhos e os nervos ópticos (os quais são extensões directas do cérebro). O acto de lavar os olhos deve ser acompanhado com bochechos, com água à mesma temperatura.

 

3 | Raspar a língua

raspadorAntes mesmo de bebermos água, a Ayurveda recomenda que raspemos a língua.

Durante a noite as toxinas (ama – alimentos não digeridos no trato digestivo ) a serem expelidas pelo organismo vão-se dirigindo para diversos pontos de saída. A língua é um deles. Torna-se por isso necessário elaborar-se uma higiene diária da língua, de forma a remover-se essa película de toxinas acumuladas sobre ela, sobre tudo antes da ingestão de qualquer alimento. Esta acção vai permitir uma acentuada clareza do sentido do paladar, para além de evitar que voltemos a ingerir a ama acumulada.

A língua é um órgão muito sensível e contém na sua superfície um mapa dos órgãos do corpo, podendo nós através da sua observação, fazer uma pequena análise do nosso estado de saúde. São de notar as zonas onde existe maior acumulação de ama. Podem surgir capas na língua de diversas cores associados a diferentes tipos de desequilíbrio. Um monte de revestimento branco pode sugerir Candidas.

Raspadores de língua de plástico e metal estão disponíveis na maioria das lojas de saúde. Raspe de trás para frente suavemente até que tenha raspado toda a superfície, entre 7 a 14 vezes, e lave o raspador de cada vez. Esta acção estimula os órgãos internos, ajuda na digestão e remove a ama (toxinas).

4 | Beba água morna de manhã

Após as lavagens beba um copo com água à temperatura ambiente (no Verão), e água morna (no resto do ano). Isto lava o sistema digestivo, inunda os rins, e estimula a peristáltica. Começar o dia com café ou chá é desaconselhável, já que estas bebidas drenam a energia dos rins, causam a obstipação e formam maus hábitos. À água morna podem ser adicionadas algumas gotas de limão de modo a fomentar uma limpeza mais profunda do trato intestinal.

5 | Evacuação

toiletstool3Após a ingestão da água o organismo fica estimulado para a expulsão dos detritos acumulados durante a noite. Em circunstância alguma, a pessoa deve passar demasiado tempo sentada a evacuar, pois isso pode interferir com os gases do cólon, resultando numa profusão de enfermidades leves ou graves. Muitas pessoas lêem ou estão no telemóvel, enquanto estão sentadas à espera que os intestinos funcionem. Esse é um hábito potencialmente desequilibrante. Todo o tipo de distração é inadequada nesse momento por duas razões importantes: primeiro, a energia é necessária nos intestinos e a leitura desvia-a para a cabeça; segundo, a leitura encoraja a pessoa a ficar sentada durante longos períodos, numa postura que pode causar-lhe muitas enfermidades.

A maioria das queixas relacionadas com os intestinos podem ser eliminadas, bastando que a pessoa adopte uma postura adequada à defecação. A invenção da sanita moderna trouxe uma era de imenso sofrimento humano, desde a obstipação até distúrbios intestinais correlatos. Hoje em dia, a pessoa é forçada a sentar-se numa posição não natural, que exige que a força seja aplicada de um modo muito inadequado. A prática da boa saúde prescreve que a defecação seja feita na única posição natural: agachado ou de cócoras. Esta postura abre completamente o ânus, sem necessidade de se aplicar força. Para ajudar na aquisição desta postura, pode-se usar um pequeno banco junto a sanita de forma a colocar o intestino na posição certa para a expulsão.

A importância de um funcionamento ordenado e regular dos intestinos, logo após o despertar é fulcral, já que nenhuma meditação, nenhuma concentração, nenhuma actividade física e nenhuma ingestão de bebida ou comida devem ser feitas antes da defecação.

6 | Gargarejos de Óleo (Oil Pulling)

Oil-PullingGargarejar ajuda a fortalecer os dentes, as gengivas e os maxilares, para melhorar a voz e remover as rugas das bochechas. O gargarejo deve ser feito com o estômago vazio, quando o corpo ainda está no seu modo natural de desintoxicação. Deve-se fazê-lo por 4 a 15 minutos, com uma decocção adequada, ou até mesmo com óleo de girassol, de coco, de sésamo; mantenha o óleo na boca, bocheche vigorosamente, depois cuspa e massaje as gengivas suavemente. Por fim deve-se bochechar com água morna para limpar. Durante o processo é necessário imaginar que o óleo ou a decocção fica impregnada com as bactérias que vão depois ser expelidas. O gargarejo deve ser feito também à noite e depois de todas as refeições. Os benefícios dos gargarejos são vários:

  • Reduz a doenças da gengiva e inflamação

  • Reduz a secura na boca e pele

  • Elimina o mau hálito

  • Melhora os Sentidos

  • Aumenta a clareza

  • Revigora a Mente

  • Reduz o Esgotamento

  • Ajusta desequilíbrios da anorexia e do kapha

  • Acalma a dor de garganta

Depois do gargarejo, lave a boca com água morna e, opcionalmente, um pouco de sal grosso. Lave então os dentes para uma boca saudável e fresca. Use uma pasta de dentes natural, livre de flúor. A Ayurveda recomenda cremes dentais que usem ervas como o neem, o alcaçuz, o cravinho da índia.

 

7 | Limpeza nasal (Jala Neti)

Limpar o nariz deveria ser entendido como limpar a testa a partir de dentro. Inalamos uma infinidade de substâncias químicas que são entendidas por nós como cheiros. Essas substâncias químicas alojam-se no nariz e nas cavidades nasais. Por isso, a limpeza do nariz compreende muitas funções e deveria ser incluída como parte da limpeza diária.

TwoNetisEsta limpeza de ser feita primeiro com a ajuda de um neti pot. Água morna com uma pitada de sal marinho deve ser escorrida pelas narinas para lavá-las. De seguida pode-se colocar duas a cinco gotas de ghee ou óleo de mostarda, sésamo, azeite em cada narina, e deixe permanecer por um minuto. Este processo ajuda a lubrificar o nariz, limpa os sinus, melhora a voz, a visão e proporciona a clareza mental. O nosso nariz é a porta do cérebro, por isso estas gotas nutrem a entrada de Prana e trazem a inteligência.

Para Vata: óleo de sésamo, ghee ou óleo de cálamo.

Para Pitta: ghee com brahmi, óleo de coco ou de girassol.

Para Kapha: óleo de cálamo

 

8 | Lubrificando o corpo – Abhyanga

Poucas práticas diárias oferecem tantos benefícios. Quando feita de acordo com as leis naturais da anatomia humana e do fluxo de energia, a massagem diária energiza e faz vibrar simultaneamente a pele, os músculos e os nervos. O calor e a vitalidade do corpo aumentam à medida que o coração e o sistema circulatório começam a fornecer oxigénio puro e energia vital a todas as partes do organismo – ao mesmo tempo que lavam os gases e as substâncias químicas. A automassagem regular, quando executada adequadamente, ajuda o corpo a ficar leve, activo e enérgico, e impede o desenvolvimento da maioria das doenças de pele. Para além destes benefícios, ela também aumenta a inteligência, a presença de espírito, o vigor, a vitalidade sexual, a autoconfiança e a beleza.

Shiva_MassageDe todas as práticas de massagem, as que envolvem o uso de óleo são as mais benéficas, porque o óleo suaviza a pele, lubrifica-a evitando o atrito, distribui uniformemente o calor e garante uma camada de protecção, força e resistência contra os extremos da temperatura ambiente. O óleo impede a secura da pele, aumenta a flexibilidade e evita muitos dos efeitos do envelhecimento precoce.

Aplique óleo morno na cabeça e no corpo. Uma massagem suave com óleo pode trazer a felicidade, e previne tanto as dores de cabeça, como a calvície, os cabelos grisalhos, e o recuar da linha dos cabelos. Olear o corpo antes do deitar promoverá um sono profundo e mantém a pele macia.

Para Vata use óleo de sésamo morno. Para Pitta use óleo de coco ou de girassol morno. Para Kapha use óleo de girassol ou mostarda morno. O óleo de Brahmi é também muito usado, sobretudo para massajar a cabeça. Conhecido por ajudar a estimular o cérebro e trazer mais clareza mental. Pode-se adicionar alguns óleos aromáticos, de acordo com o seu dosha. Para equilibrar vata use gengibre, cardamomo ou laranja; pitta prefere os aromas frescos e doces de sândalo ou lavanda; Os kaphas respondem melhor ao eucalipto, alecrim ou sálvia.

As pessoas que estão com febre não devem ser massajadas, nem as que estão acometidas com constipação, vómitos ou indigestão. Quem tomou purgativos ou praticou um Basti e Vamana também deveriam evitar a massagem. É contra-indicado quando existem problemas de excesso de Kapha (mucos).

 

9 | Esfoliação

dryBrushing_body.jpgPode ser feita com a pele seca, mas também se pode aproveitar a pele ainda oleada para diminuir um pouco o atrito que provoca. A esfoliação é excelente para ativar a circulação e estimular o sistema linfático. Os movimentos devem ser leves e circulares, sem muita pressão já que a linfa está muito próxima da superfície da pele. Use uma escova de materiais naturais, e massaje em direção ao coração, começando pelas pernas, tronco, braços, muito levemente no rosto e depois nas costas. A esfoliação da pele é ótima para a desintoxicação do corpo.

 

10 | Hora do banho

Depois de oleados, um banho ou duche de manhã é ótimo para ajudar a reduzir a fadiga. As constituições Pitta se beneficiam da água fria, enquanto a água morna é ideal para os Vatas, e mesmo as temperaturas mais quentes são as melhores para equilibrar os Kaphas de boa índole. O banho diário purifica a mente e o corpo, aumenta o sémen, promove a longevidade, alivia a fadiga, detém a transpiração, aumenta a força, proporciona o brilho vital da saúde, remove o sono, o suor e a fadiga, dissipa a irritação, e aplaca sede crónica. Bom para todos os órgãos motores e órgãos sensoriais, o banho purifica os nervos, cura a sonolência, dissolve a tristeza, aumenta o entusiasmo, fornece energia vital ao sistema e traz clareza à mente.

Apesar de muito benéfico, tomar banho mais de duas vezes por dia deve ser evitado, pois isso sobrecarrega o organismo. Do mesmo modo, deve evitar-se o banho com água muito quente ou muito fria. Os banhos com água fria aumentam a quantidade de frio nos nervos e podem acarretar vários tipos de dor muscular. O calor do banho quente expande os músculos, tornando-os gradualmente frouxos e flácidos. Os efeitos dessas duas práticas talvez não sejam sentidos na juventude, mas se continuadas irão manifestar-se mais tarde sob a forma de fraqueza, cãibras, problemas renais e deficiência de sémen. A água do banho deve ser, em geral, quente, excepto para a cabeça e olhos. É contra-indicado quando existe paralisia facial, indigestão, diarreia, febre, infecções no ouvido, obstipação, sinusite, doenças dos olhos e doenças que afectam a boca e os ouvidos, e outras relacionadas.

Lembre-se de que a pele absorve tudo o que se coloca nela. É por isso fundamental escolher produtos de higiene que diminuam a toxicidade do corpo, evitando produtos cheios de perfumes e produtos químicos sintéticos. Isso inclui parabenos e SLS.

 

11 | Alongar e Respirar

rituais tibetanosExercício regular, especialmente o yoga, melhora a circulação, a força e a endurance. Ajuda a relaxar e ter um sono repousante, e melhora a digestão e a eliminação. O exercício diário deve ser feito até metade da nossa capacidade (que até se formar suor na testa, nas axilas e nas costas), geralmente durante 10, ou no máximo 15 minutos diários.

Vata: 12 vezes a saudação ao Sol, feitas devagar; levantar de pernas; camelo; cobra; gato; vaca. Todos feitos devagar e suavemente.

Pitta: 16 vezes a saudação à Lua, moderadamente rápidas; levantar de pernas; peixe, barco; arco. Exercício de relaxamento.

Kapha: 12 vezes a saudação ao Sol, feitas rapidamente; ponte; pavão; palmeira; leão. Exercício vigoroso.

Outra opção é realizar os Cinco Rituais Tibetanos. Uma sequência que se adapta às várias constituições.

12 | Meditar

Os momentos mais preciosos da vida de uma pessoa vão desde o instante em que ela completa a limpeza matinal até os minutos seguintes ao raiar do novo dia. Purificado por dentro e por fora, o sistema orgânico converte-se num estado “em branco”. Quem usa com sabedoria esses momentos consegue construir um campo de energia capaz de funcionar como um bom escudo para as aventuras do dia a dia.

meditaçãoA meditação é uma forma de trabalhar conscientemente a fim de elevar o nível do nosso ser, através da elevação do nível de energia presente no interior da nossa mente. Devemos começar a perceber o mundo sem apegos, sem juízos de valor, sem desejos. E para alcançar esse estado, a energia do organismo precisa primeiro focar-se num único ponto. Esse estado de concentração é o precursor necessário da própria meditação.

Para ser mais eficaz, a meditação deve ser praticada diariamente a uma hora regular. As melhores horas para praticar são aquelas que sincronizam a vida quotidiana com os ciclos maiores do planeta e do cosmos. As condições do planeta mudam dramaticamente nas horas do amanhecer e entardecer. Essa mudança, que começa cerca de trinta minutos antes de o sol tocar o horizonte e que dura uma hora, também produz mudanças acentuadas na química do sangue. Além disso, no momento exacto em que o sol toca o horizonte, o organismo respira automaticamente por ambas as narinas ao mesmo tempo. Esse é o estado em que a energia consegue subir pelo canal central da coluna vertebral, o Sushumna, até ao cérebro. Durante esse instante a química do corpo é equilibrada. Como as duas narinas estão a trabalhar, a temperatura do ar nas cavidades nasais é igualada. O metabolismo estabiliza e a temperatura de ambos os hemisférios cerebrais é equilibra-se, permitindo-lhes funcionar em sincronia. O meditador deveria sempre estar atento a esses ciclos planetários e às mudanças no organismo.

É importante meditar-se de manhã e à noite por, pelo menos, 15 minutos. Medite na forma como está habituado, ou experimente a meditação de “esvaziar a taça”. A meditação traz paz e equilíbrio na vida.

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Mantraterapia: Som, Vibração e Energia

O som é a ferramenta natural mais simples e capaz de alterar o nosso estado de espírito, o nosso humor e o das pessoas e ambiente à nossa volta. No ventre, o som, a vibração da voz da nossa mãe, o seu ritmo cardíaco, as suas ondas emocionais, a orquestra dos seus órgãos em funcionamento, das células que nascem e morrem, começaram por ser o nosso primeiro contacto com a riqueza vibracional do mundo exterior. A vibração sonora é a matéria prima com que criamos a nossa biblioteca de memórias, interiorizamos escalas de emoções, e geramos os primeiros padrões da nossa inteligência emocional, armazenando e edificando um conhecimento baseado nas entoações e expressões usadas pelos nossos pais e cuidadores, construindo assim a estrutura do nosso léxico emocional.

Esse léxico vibracional e emocional tem lugar cativo nas nossas moléculas de água, e torna-se uma parte estruturada e inconsciente dos nossos padrões de emoção e reação. Mimetizamos as expressões e entoações dos nossos ancestrais reproduzindo um património de memórias acumuladas pela nossa genealogia específica, que conseguimos reativar através da reverberação da nossa (imensa) água interna. Cada pessoa herda assim uma escala específica de sons agregados por gerações, que se exprime em parte através da frase melódica que constitui o nosso nome. O nosso nome (completo) exprime tanto essa tremenda memória vibracional (nos apelidos) como adiciona o nosso padrão único de vibração (os nomes próprios), complementado pela sinfonia do nosso corpo em pleno funcionamento. O nosso nome é o nosso mantra pessoal!  Assim, a personalidade pode também ser definida pela forma única como vibramos e criamos padrões eletromagnéticos diferenciados, transmitindo uma impressão singular, ímpar, identificadora da nossa unicidade.

Dar corpo à Voz

Tudo à nossa volta gera ondas, reação, vibração. Tudo vibra de facto. O corpo humano é uma caixa de som, um aparelho de ressonância capaz de produzir uma escala de 52 sons essenciais que constituem a base as frequências verbais. A palavra falada, apesar de emitida ao nível da garganta, reverbera pelo o nosso corpo inteiro. Falamos com o corpo todo.

WhiteTaraMantraCircleOs Vedas – as escrituras sagradas do Hinduísmo – foram escritos em versos, cânticos tradicionalmente transmitidos na sua versão oral, que mantinham assim viva a mensagem da Criação, e ativavam o poder terapêutico das palavras neles contidas. Os mantras contidos nos Vedas tinham – para além do seu intuito educativo e religioso – a intenção de reorganizarem o padrão vibracional daquele que os recitasse devolvendo-lhe assim a sua clareza mental, a sua homeostase, a sua saúde.

Quando cantamos ou falamos criamos som, vibração, estímulos que por sua vez criam mudanças no fluxo de energia dentro dos órgãos vitais e nas glândulas. Existem sons que associamos a determinados estados emocionais, e a reprodução desses sons induz à sensação a eles aliada. Da mesma forma, a estrutura da nossa personalidade e do nosso ego cristalizou determinados padrões vibratórios com os quais ressoa, padrões mais sombrios e tóxicos formados em momentos em que sofremos algum tipo de transtorno emocional, gerando muitas vezes crenças limitadoras sedimentadas, e no corpo físico, patologia. No processo de interromper esses padrões vibratórios, diluirmos dramas cristalizados e libertarmo-nos de memórias trazendo-as à consciência, podemos usar a mantraterapia.

A palavra tem um poder criativo muito próprio; tanto pode ser edificadora como destrutiva. A Mantraterapia tem subjacente a intenção de se usar o poder regenerador da palavra viva, activa, consciente que faz vibrar centros específicos no corpo, abrindo espaço à mudança e à libertação dos nossos padrões inconscientes.

A Mantraterapia faz parte dos primórdios terapêuticos da Ayurveda enquadrando-a também como uma Medicina Vibracional. O Mantra gera foco na mente, e potencializa uma atitude concentrada, equilibrada, Presente no seu praticante.

A prática da Mantraterapia pode ser coadjuvada pelo uso de um japa mala – um colar semelhante a um rosário que instiga ao foco e à presença – contando com 108 contas, ou seja, as vezes que o mantra deve ser repetido, tanto sussurrado, cantado, ou recantado mentalmente. A repetição de um mantra terapêutico vai limpando a memória cristalizada e sombria, reprogramando-a com uma mensagem mais positiva, saudável, feliz.

Os sábios praticantes e transmissores da Mantraterapia consideravam a pronúncia e articulação correta das palavras, fundamental para o efeito pleno da sua ação, reforçando um carácter mágico, transcendente na atuação do mantra no corpo e na mente. Felizmente existem também Mestres que enfatizam que a intenção e a pureza da mente daquele que pratica a Mantraterapia, ressalvando a sua atuação e eficiência em quem pratica focado no coração. Mentes que vibram de forma mais focalizada e feliz produzem harmonia e equilíbrio à sua volta.

Mantraterapia no quotidiano: Quem canta seus males espanta

Cantar de peito aberto, cantar com a Alma, cantar de plenos pulmões. Quando cantamos com o coração, o nosso esterno tem tendência a vibrar. Essa vibração aumenta a eficiência do mantra sobre os nossos órgãos vitais que acolhem as ondas vibratórias curativas, e reajustam o pulsar da sua atividade para um ritmo mais equilibrado.

Na mente, o mantra tem uma atuação ainda mais significativa já que – à semelhança da Meditação, e em confluência com ela – ele ajuda a produzir estados alterados de consciência, serenando a mente, evitando que ela disperse em cadeias de pensamento inúteis, ao mesmo tempo que a eleva e a sintoniza com a sua paz interior.

Existem mantras construídos desde de tempos imemoriais, constituídos por arranjos de sílabas sagradas, variando de uma até vários milhares de sílabas. Muitos desses mantras são aparentemente vazios de sentido, pois a sua intenção é evitar a promoção de pensamentos conceptuais, possuindo antes uma relação misteriosa com o estado vibratório e a consciência de quem os usa.

Os mantras são profundamente adequados ao uso quotidiano, podendo estar presentes desde que despertamos, no banho, na intenção que damos ao alimento quando o cozinhamos, quando conduzimos, e obviamente, quando meditamos. A sua ativação é mais intensa quando colocamos uma intenção na sua entoação, e tanto os podemos cantar em voz alta, sussurrá-los, como repeti-los mentalmente. Podemos dirigir o som e a vibração para uma zona específica do nosso corpo, através da nossa intenção, e é a sua repetição que realmente proporciona reverberações que ajudam a renovar tecidos e a revigorar o corpo e a mente.

Alguns exemplos de mantras ancestrais e atuais:

OM SYMBOL

OM

“No princípio era o Verbo (OM), e o Verbo estava com Deus (Brahman), e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. (João 1.1-3).” Nas escrituras védicas aprendemos que o mantra original é o OM, formado pelas três letras A, U, M; significando: Brahma, Vishnu, Shiva – o princípio da criação, manutenção e dissolução (ou absorção) do Universo. A partir do Om nascem todos os outros mantras. Os mantras monossilábicos são chamados de bijas (semente), e o Om é o bija, a fonte dos restantes bijas. Diz-se atualmente que o Om tem a vibração 8Hz, semelhante à Ressonância Schumann (7,83Hz), ressonância em que vibra o campo eletromagnético no nosso planeta.

om mani

 

OM MANI PADME HUM (tibetano) – mantra para harmonizar os Chakras e iluminação

 

om tare tutare soha

 

OM TARE TUTTARE TURE SOHA (tibetano) – produz modificações no nosso interior e em todo o universo à nossa volta, para além de ser um mantra de cura

mahamantra Hare Krishna

Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare  Hare (sânscrito) – Chamado de Mahamantra, o Grande Mantra, evoca pureza mental e o mérito (punya) necessários para que a pessoa possa encontrar um bom professor e tenha a capacidade de entender os seus ensinamentos.

 

gayatri-mantraO Gayatri Mantra é um dos mantras mais conhecidos e usados na Índia, porque é considerado o mais poderoso e criativo, servindo para todos os propósitos. Para além disso ele promove o desenvolvimento do siddhi (poder) da cura:

OM BHUR BHUVAH SWAH, TAT SAVITUR VARENYAM, BHARGO DEVASYA DHI MAHI, DHIYO YO NA PRACHODAYAT

ho_oponopono2copyMantra Ho’oponopono adaptado ao Abraço da Paz:

Este é o mantra da aceitação e do perdão hawaiano e pode ser aplicado a nós mesmos, e/ou a pessoas, situações que necessitem que pratiquemos a energia do perdão e do desapego.

EU AMO-ME (Eu Amo-te), EU PERDOO-ME (Eu Perdoo-te), EU AGRADEÇO-ME (Eu Agradeço-te), EU RESPEITO-ME (Eu Respeito-te), EU LIBERTO-ME (Eu Liberto-te), EU ACEITO-ME TAL COMO EU SOU (Eu Aceito-te tal como Tu És)

A Grande Invocação, e o cristal de água por ela produzido:

O propósito último do mantra é assistir o trabalho interior de quem já escolheu encontrar-se com a sua própria divindade. Nesse caminho podemos criar no quotidiano as nossas próprias afirmações, os nossos próprios mantras: “Eu Sou o meu próprio Centro”, “Eu Sou Serenidade”, “Eu Sou Amor”, “Eu Sou”

Mente e Mantra

O nosso cérebro é capaz de segregar muitos dos químicos utilizados externamente em tratamentos médicos. A utilização dos químicos baseia-me na intenção de estimular ou substituir algumas dos químicos naturais produzidos pelo cérebro, melhorando e incrementando o seu funcionamento. As secreções naturais do cérebro produzem com simplicidade bem-estar, saúde e uma sensação geral de serenidade. Nas práticas do Yoga e Ayurveda a promoção dessas secreções salutares é estimulada através de algumas ervas, alimentos especiais, pranayama, posturas, meditação e mantras.

dhanwantariNo Ayurveda, a secreção gerada por uma mente harmonizada é denominada de amrita –  o nosso néctar imortal, elixir da longevidade, uma água subtil e purificada, capaz de renovar, rejuvenescer e revitalizar o corpo e a mente, criando um fluxo de bem-aventurança e bem-estar, movendo-se através dos nadis ou canais do corpo sutil e pelo sistema nervoso, preenchendo-os com uma sensação de êxtase e bem-estar. Esta substância aparece associada a um subdosha de Kapha, Tarpak Kapha que por sua vez surge associado ao conceito de Ojas, a essência de todos os tecidos, concentrando força, nutrição e vitalidade. O amrita é o produto de uma mente limpa, de uma consciência evoluída, em ressonância com o Universo.

Por detrás de todas as práticas da rotina diária no Ayurveda está o foco na promoção de um corpo saudável, uma mente lúcida, criativa, e uma consciência desperta, disponível para incrementar a paz em torno de si, a partir da partilha da sua própria experiência. A abordagem ancestral e visionária do Ayurveda baseia-se na contemplação da Natureza e do seu reflexo e impacto no Homem, e uma forma clara e compreensível de fomentarmos a felicidade quotidiana, está na assunção da responsabilidade de treinarmos os nossos pensamentos, a nossa mente, o curso das nossas intenções utilizando uma técnica revolucionariamente simples: o Mantra.

Webgrafia e Bibliografia:
https://liveanddare.com/mantra-meditation
http://www.masaru-emoto.net/english/water-crystal.html
http://collectivepsyche.com/2015/11/cymatics-mantra-tapping-into-matter-with-sound-vibrations/
http://www.cymatronsoundhealing.com/science-of-cymatics.html
http://www.hazrat-inayat-khan.org/php/views.php?h1=11&h2=7&h3=6
http://balance.chakrahealingsounds.com/om-solfeggio-schumann-resonance-meditations/
Soma in Yoga and Ayurveda (David Frawley, Lotus Press 2012)

 

ayurveda doce ayurveda | 10 passos para o retorno a nós mesmos

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Somos todos filhos pródigos em busca do Graal, do amrita, do elixir da longa vida, do caminho nos leve de retorno ao nosso Centro, Casa do nosso Coração –  Lar doce Lar da Plenitude. E se, ao chegarmos a Casa, e ao acendermos a Luz que alumia esse Lar Sagrado, descobríssemos que a Casa, o Centro, que por longas caminhadas procurámos fora, esteve sempre dentro de nós? E que o passo que nos separava de alcançarmos a nossa dimensão mais pura, iluminada, desperta esteve sempre ao nosso alcance? E se descobríssemos que o caminho, em vez de árduo, confuso, frustrante, pode antes ser (mediante a nossa escolha consciente), calmo, focado, coerente, ajustado à nossa Essência?

A Ayurveda é uma sabedoria ancestral votada a um propósito visionário: transportar cada um de nós na sua senda dourada de retorno a nós mesmos da forma mais holística, suave, individual, responsável e coerente possível. O foco deste caminho são as escolhas iluminadas, conscientes que fazemos a cada pequeno passo do nosso quotidiano. Tudo importa! Se desligámos a luz quando saímos da sala; se separámos o lixo; se decidimos conscientemente comer a fruta como snack; se voltámos atrás para devolver o telemóvel que alguém perdeu; se abençoámos o estranho que pedia ajuda. Existem uma série de pequenos passos, que pela sua perseverante repetição abrem esta dimensão pura e profunda do nosso Ser Pleno.

Um | Enraíza-te

Desenvolveres a atenção plena é o primeiro passo de retorno a ti próprio. Quando caminhas pela rua, e estás presente, no Aqui e no Agora, és mais livre para fazeres as escolhas certas. Descalça-te sempre que puderes. E mesmo calçado/a visualiza as tuas raízes de luz a crescerem sob as plantas dos teus pés e a espalharem-se em profundidade. Visualiza uma âncora, um cordão de luz dourada que sai da tua Essência ligando o teu primeiro chakra ao centro da Terra. Torna o enraizamento e a ancoragem o primeiro gesto que realizas quando acordas. Encontra um objecto que tragas habitualmente contigo, e usa-o para reavivar a intenção (e a memória) de ancorares e enraizares a tua energia.  Conectares-te é tomares a responsabilidade de te escolheres, de te tornares a prioridade na tua própria vida.

Dois | Medita

Começa devagar. Lembra-te que tens vários corpos, e que nem todos sabem que querem e gostam de meditar. A Meditação potencializa a capacidade de foco da mente, contudo o corpo físico também precisa de aprender a meditar. Sê gentil com ele. Sê gentil com a impaciência dele. Começa com 1 minuto de meditação, e deixa o tempo em que meditas ir crescendo à medida que a meditação passa de obrigação a prazer. O corpo adora meditar, contudo esse prazer pode ainda estar por descobrir. Canta. Mantra. Ri. O riso abre o espaço da Meditação, esvazia a mente. Ajuda o corpo a sentir fisicamente a frescura do duche da mente. Com o tempo o corpo será o primeiro a ansiar por esse momento de pureza, tranquilidade, de higiene interior.

Três | Prana – Respira

A respiração poderia vir agregada tanto ao enraizamento como à meditação. Respirares é fundamental no processo de te conectares ao campo electromagnético da Terra, favorece e está implícito ao processo meditativo. Sendo a respiração um processo habitualmente inconsciente, sempre que fazes uma respiração consciente podes perceber que atenção dada à inspiração/expiração altera a tua atenção, a tua consciência e o teu humor. Inspirar profundamente durante uns minutos produz imediatamente o efeito de alcalinizar o sangue, resultando num estado de espírito mais presente e sereno. Respirar é muito mais do que encheres os pulmões de ar. Respirar impregna-te de Prana, de força vital, anímica, fundamental para manteres a Alegria e a vontade de viver. Respirar traz-te à tua Presença. Espreguiça-te, respira fundo logo depois de acordares. Respira fundo em todos os pequenos gestos do teu quotidiano. Usa a respiração para te reequilibrares durante o dia.

Quatro | Vata, Pitta e Kapha | Conhece-te a ti mesma/o

Existem muitas formas de desenvolvermos o nosso autoconhecimento. A Ayurveda é uma das grandes árvores de sabedoria que oferece nos seus frutos a luz da auto-compreensão do indivíduo. Os Cinco Elementos (Éter, Ar, Fogo, Água e Terra) exprimem as diferentes intensidades de vibração da Matéria (Prakriti). Estes Cincos Elementos combinam-se e formam três bioenergias – Vata, Pitta e Kapha – através das quais na Ayurveda são reconhecidas e categorizadas todas as formas materializadas, incluindo o ser humano. Cada Ser individualizado (Ahamkar) vem expressar uma combinação única destas bionergias, sendo por isso importante que na tua interacção com o mundo exterior, possas partir do autoconhecimento de como vibras, o que te harmoniza, e o que te desequilibra. Saberes quem És permite-te assumires a responsabilidade pelas tuas escolhas, desenvolveres a tolerância para contigo e para com os outros, e caminhares de forma mais serena e segura no Mundo.

Cinco | Sattva, Rajas e Tamas | Abraça a mudança… suavemente

Sattva, Rajas e Tamas são as três qualidades da matéria vibrante. Pode-se dizer que Sattva é equilíbrio/luz, Rajas é movimento, e Tamas é inércia. Quando cada das qualidades vibra na sua devida proporção encontras a consonância nos vários aspectos da tua Vida. Num quotidiano harmonioso a adaptabilidade de Sattva impera largamente. Quando estás sattvico abraças suavemente a mudança, entregas-te com confiança a cada curva do caminho. Contudo para alcançares o equilíbrio de Sattva precisas de algum movimento, precisas de Rajas qb. Movimento em excesso, no entanto, intensifica o dia-a-dia e traz agitação e desequilíbrio. E tudo pode tornar-se mais complexo quando há ausência de movimento – Tamas , e a inércia, e a sombra imperam.

Precisas por isso de um pouco de Rajas, para venceres a inércia de Tamas, e desta forma alcançares a tua Luz pura e brilhante em Sattva. Um pouco de Yoga, Dança, Tai-Chi, umas braçadas na piscina, uns passos de Kung-fu, uma caminhada… Reserva diariamente um tempo para manteres um movimento saudável e inspirador, e permitires que o brilho e a luz de Sattva predominem no teu quotidiano.

Seis | Alimenta-te Conscientemente

O alimento é sagrado. O alimento também é memória, informação. Todas as moléculas de água, de todos os alimentos, transportam a sua história, que se torna a tua história, depois de te imbuíres da sua energia. Impregnas-te todos os dias do Sol que cada alimento assimilou e sintetizou na sua estrutura, da felicidade que absorveu ao ser semeado, colhido, cozinhado. Quanto mais consciente estiveres mais facilmente consegues escolher os alimentos que são adequados à nutrição do teu veículo sagrado físico, e à manutenção da tua vitalidade. Os alimentos sattvicos são aqueles que são mais frescos, puros, biológicos, genuínos, nada processados, plenos de Prana.

Mais do que aquilo que comemos, somos aquilo que assimilamos. Na Ayurveda, a correta assimilação dos alimentos é o grande foco do processo digestivo. Podes fazer a escolha mais correta de alimentos, contudo se a tua assimilação for insuficiente, beneficias pouco de todo o Prana que te é oferecido através dos alimentos. Respira antes de comeres, abençoa todos os alimentos que degustas, e o teu Agni brilhará forte.

Sete | Purifica

Ao longo de um ano, o teu corpo entra em contacto e degusta uma diversidade absurda de alimentos. Se tiveres em conta que cada alimento traz um manancial de informação que carrega os teus cinco sentidos, compreendes que o corpo acumula estes imensos ‘registos’, e os compacta no teu inconsciente, tal como uma memória de telemóvel ou PC. Naturalmente estes ‘registos’, esta memória saturada precisa de ser limpa, para que o processamento do alimento ocorra de forma eficiente e integral. O teu intestino é o teu ‘cérebro’ emocional, e quando as suas paredes estão congestionadas, o processamento de toda a informação externa e interna fica condicionado. Os teus sentimentos e emoções, os teus pensamentos e ideias, o teu alinhamento interno e a tua espiritualidade perdem a clareza e a coerência. É importante realizar um detox regular, e cada bioenergia – Vata, Pitta e Kapha – necessita de um método adequado à sua vibração. Beber água morna, comer fruta fresca (biológica), fazer smoothies podem ser formas de desintoxicar. Na Ayurveda é habitual usarmos a Triphala para coadjuvar este processo, contudo convém consultar um terapeuta ou médico para a correta ingestão deste complexo. O detox regular ajuda a transmutar, regenerar e rejuvenescer os teus diferentes corpos, e existe uma regularidade com que esta depuração deve ser realizada, no intuito de manter a plenitude, a vitalidade, a saúde global do corpo.

Oito | Entrega-te

Cada ser humano é um portal multidimensional. Todos trazemos crenças limitadoras profundamente arreigadas, todos trazemos a necessidade de controlar, todos trazemos expectativas, e uma tremenda programação inclusa e inconsciente, frutos e heranças tanto do nosso karma – Lei da Causa e Efeito – como das experiências que como Alma escolhemos realizar no nosso processo de auto-realização. Trazes no teu interior tanto a dimensão da Luz, como a dimensão da Sombra, que se revelam nas diversas máscaras que vestes nos diferentes contextos da tua vida. A primeira parte da senda do autoconhecimento, passa muito pelo processo de aprenderes a aceitar-te nas tuas diversas e diferentes dimensões, a aceitares a tua Sombra, a sanares e acarinhares a tua criança interior, e encontrares coesão e coerência, para finalmente saberes quem És, na tua profunda Essência. É um caminho que começa por ser solitário, mas que se transmuta em solitude, em aceitação, quando aprendes a ser o teu melhor companheiro de viagem.

O salto evolutivo e qualitativo, acontece contudo, quando aprendes a partilhar-te com os outros, com o outro. Quando aprendes a render-te, quando te permites fragilizar-te, vulnerabilizar-te, quando permites que o outro te ‘Veja’ na tua Essência, com os prós e os contras, com as virtudes e os feitios, à transparência, e que mesmo assim te aceite, como o aceitas a ele, tanto pela sua Luz, como pela sua Sombra (sobretudo pela sua sombra), e te entregas nu(a), modesta(o), humilde, sem condições, sem ego. As relações íntimas são o espaço perfeito para potenciares o teu crescimento espiritual. O outro é o teu espelho; ele revela-te com doçura o teu ângulo morto, para que possas tomar consciência dele e avançares e cresceres como pessoa. Na Ayurveda, o desenvolvimento de uma sexualidade consciente e terapêutica é um pilar que sustenta o desenvolvimento individual, tendo também, um impacto direto na qualidade das relações do colectivo. A correta e equilibrada gestão da nossa intimidade é por isso, um campo primordial de expansão tanto da nossa consciência pessoal, como tem um papel fundamental no desenvolvimento da harmonia familiar, comunitária, social, global.

Nove | Confia, agradece, aceita

Quando aceitas a responsabilidade pelas tuas escolhas, quando aceitas que nada acontece por acaso, que não existem bodes expiatórios que justifiquem as tuas acções, e que a tua Felicidade não depende de factores externos, começas a aceitar-te como És. E quando começas a aceitar-te como És, começas a sentir que tudo, mas mesmo tudo no teu quotidiano é uma bênção, e que tanto agradeces de coração uma ‘graça’ como um ‘infortúnio’, porque aceitas e entendes, e compreendes, que tudo te traz uma oportunidade de conheceres melhor, de escolheres melhor também, e que essa escolha traz a verdadeira liberdade implícita. E quando começas a aceitar-te como És, começas a confiar, começas a intuir, começas a sentir que afinal tiveste sempre acompanhada(o), e que o trabalho que tens vindo a realizar é resultado de uma co-criação, que durante muito tempo foi inconsciente da tua parte. Quando te responsabilizas pelo teu papel no processo co-criativo permites que a harmonia, o equilíbrio, a clareza estejam cada vez mais presentes no teu quotidiano.

Dez  |  Preserva e Simplifica

Também podia dizer, destralha. Todos os objectos que tens à tua volta plasmam-se dentro da tua mente como objectos de referência espacial, aos quais muitas vezes associas também valor emocional. Estes objectos ‘enchem’ a mente, atulham a memória, e deixam pouco espaço para a criatividade, a imaginação, para a tua Essência.

árvore flor

E também enchem a Terra. Também inundam este solo sagrado de entulho desnecessário, que polui, desequilibra. A Terra é uma extensão do teu corpo físico. Gostarias de ter o teu corpo tão entulhado? O Ar, o Fogo, a Água, a Terra são essenciais à Vida, e estes recursos precisam de ser preservados. Trata-os com o carinho e o Amor que merecem os nossos filhos, com o respeito que merecem os nossos anciões. A conquista da simplicidade é só por si uma jornada.

A Ayurveda é uma árvore de saber visionário, que se exprime em Senda inspirada, em Amor Evolutivo, em Responsabilidade impregnada, e manifesta-se como cura, como panaceia, como Luz, que praticada quotidianamente, simplifica, modera e materializa um caminho de auto-conhecimento que nos toca e nos enriquece física, emocional, mental e espiritualmente.