Shirodhara | Uma das mais relaxantes terapias da Ayurveda

Shirodhara1O Shirodhara é uma das mais divinas e relaxantes terapias que se possa experimentar. O termo shirodhara é uma união de duas palavras: “Shir” que significa cabeça, e “dhara” que significa derramar um fluxo ou aspersão. O Shirodhara significa assim o derramamento de um remédio líquido num fluxo contínuo sobre a cabeça, por um período estipulado de tempo. É uma terapia indicada para todas as estações do ano e para os três doshas. Esta terapia corporal insólita tem um profundo impacto no sistema nervoso. Acalma direta e imediatamente a mente, relaxa, e tem um efeito de limpeza no sistema nervoso. É um tratamento exclusivo da Ayurveda, e no universo das medicinas alternativas talvez seja a única terapia corporal que tem um efeito no sistema nervoso semelhante à prática regular de meditação. Após esta terapia o paciente irradia frescura na pele, saúde, vitalidade e profundo bem-estar, mostrando um sorriso de serenidade.

Se considerarmos o corpo humano como uma árvore invertida, as raízes estão no topo e os galhos apontam para baixo. A cabeça do corpo humano será a raiz desta árvore. O dorso, o tórax e o abdómen, será o tronco dessa árvore. Os membros, superiores e inferiores, serão os ramos desta árvore. Assim como as raízes de uma árvore alimentam e controlam todas as atividades e o bem-estar da árvore, a cabeça é o centro operacional de todo o corpo, controlando a função do cérebro e da medula espinhal.

A cabeça tem muitos marmas ou pontos vitais, e é a casa da glândula endócrina principal, a pituitária. A testa contém uma das sedes do Vata (do Prana Vata em particular), e também abriga os subtipos de Kapha (tarpak kapha) e Pitta (sadhak pitta); considera-se que a sede do Sadhak Pitta, um subtipo do Pitta, é o hridaya que significa “coração”. Contudo, na Ayurveda, o hridaya engloba tanto o coração quanto o cérebro. Então a cabeça, que abriga o cérebro, também se torna uma sede de sadhak Pitta.

Através dos respectivos centros nervosos no cérebro, a cabeça também controla a sensação de audição, olfato, paladar e visão. Uma vez que as três bioenergias (ou doshas) estão representados na região da cabeça, qualquer desequilíbrio no dosha pode causar distúrbios nesses respectivos centros, com repercussões generalizadas em todo o corpo. Assim, o shirodhara, através do uso de vários meios como óleos, ghee e soro de leite, pacifica estas bioenergias e funciona indiretamente em todo o corpo. O Shirodhara traz força e resistência à região da cabeça para que todo o corpo funcione suavemente.

A terapia

3Sobre a testa ou ajna marma é vertido num fluxo contínuo óleo morno (ou outro líquido). Este tratamento é um tipo de procedimento “murdha taila“. Isso refere-se à aplicação de óleo na cabeça ou murdha. A pressão do fluxo do óleo na testa cria uma vibração, ao mesmo tempo que satura a testa e o couro cabeludo, penetrando suavemente no sistema nervoso. A vibração, a pressão suave e o calor reconfortante do óleo permitem que o corpo, a mente e o sistema nervoso experimentem um estado profundo de descanso, semelhante à meditação. A vibração produzida na terapia é amplificada pelo seio oco presente no osso frontal. A vibração é então transmitida para dentro através do meio fluido do líquido cefalorraquidiano. Esta vibração, juntamente com a temperatura, pode ativar as funções do tálamo e do cérebro anterior basal, que então leva a quantidade de serotonina e catecolamina ao estágio normal, trazendo a tranquilidade mental e induzindo o sono natural.

O Shirodhara é tradicionalmente feito como parte do processo de limpeza panchakarma usando-se um óleo especialmente preparado para o efeito. A aplicação de óleo pode ser feita de várias formas:

Shiro Abhyanga – Massajar a cabeça com óleos de ervas por um período fixo de tempo, geralmente de 20 a 40 minutos.

Shiro Seka/Shiro dhara – Um procedimento no qual os óleos vegetais ou líquidos medicinais como o leite ou leitelho são vertidos num fluxo sobre a cabeça do receptor por um período fixo de tempo, geralmente 20 minutos a 60 minutos.

Shiro Pichu – A aplicação de uma almofada de algodão embebida em óleo sobre a cabeça.

Shiro Basti (Vasti) – Este procedimento envolve uma represa construída sobre a cabeça de um paciente sentado. Um vaso de couro (ou outro material) é selado na cabeça com farinha de grão. É preenchido com óleos de ervas e mantido lá por um tempo estipulado.

Três tipos de Shirodhara

Óleos diferentes, misturas de óleos de ervas e ghee podem ser misturados e usados dependendo da experiência prática e sabedoria do praticante. No Sneha dhara usa-se óleo de ervas ou ghee. No Ksheer dhara usa-se leite infundido com ervas. No Takra dhara usa-se leitelho infundido com ervas adequadas. No Sneha Dhara: óleo Shirodhara.

Na predominância dos desequilíbrios de Vata ou Kapha, ou Vata Kapha, geralmente é utilizado óleo quente. Nas desordens de Vata pode ser usado óleo de Dhanwantram ou o óleo de Mahanarayana. Em caso de predomínio de Pitta ou desequilíbrios de Pitta, são utilizados óleos e outros líquidos frios (à temperatura ambiente). Nos distúrbios de Pitta, pode-se usar óleo quente como o óleo de Chandan Bala Lakshadi. Se o Pitta também é acompanhado pelo desequilíbrio do Vata, pode-se usar ghee de ervas quentes como o ghi Brahmi ou ghee saraswat pode ser usado para o shirodhara.

shirodhara-milkKsheer-dhara: Leite Shirodhara

Este é outro tipo de shirodhara em que o leite medicado ou o leite infundido com ervas é usado para o tratamento. É ritmicamente vertido na testa a partir de uma altura específica e durante um período de tempo específico, permitindo que o leite passe pelo couro cabeludo e pelo cabelo.

Takra-dhara: Leitelho Shirodhara

O Takra-dhara é um tipo de shirodhara em que takra ou leitelho infundido de ervas é derramado de uma altura específica e por um período de tempo específico continuamente e ritmicamente. O takra atravessa o couro cabeludo e entra no cabelo.

No procedimento o paciente fica deitado sobre uma marquesa ou droni (mesa de massagem tradicional da Ayurveda). Esta marquesa tem um desenho anatómico apropriado para escorrer o óleo de volta ao reservatório atrás da cabeça do paciente. A taça (reservatório de óleo pendurado acima da cabeça do paciente) deve estar a uma altura de 6 a 7 cm da cabeça. Ajusta-se a taça para que o fluxo caia exactamente sobre no meio da testa. O terapeuta prepara o óleo adequado ao paciente na quantidade de ½ a 1 litro de óleo medicado. Com um fogareiro, deve-se aquecer o óleo e em seguida despeja-lo dentro da taça. O fluxo do óleo deve ser contínuo e com temperatura pouco acima da temperatura do paciente, conforme o que também seja confortável para o mesmo. Antes de se acabar o óleo da taça, deve-se aquecer novamente e despejá-lo de volta. Repetir o procedimento até atingir o tempo necessário à terapia. Pergunta-se ao paciente se a temperatura do óleo está adequada, e procura-se regulá-la de acordo com a necessidade.

Pontualmente ao longo do tratamento, deve-se mover a taça em movimentos circulares, e cobrir com o fluxo toda a testa, movimento este que é bastante relaxante. Para finalizar puxa-se gentilmente a toalha que cobre os olhos em direcção à coroa (para se escorrer o óleo), e faz-se então uma massagem. Por fim, coloca-se uma toalha seca em torno da cabeça para secá-la. É aconselhável colocar-se uma touca ou um gorro após o tratamento, para evitar a sensação de frio que pode provocar o aumento do Vata.

Duração do Shirodhara

O Shirodhara pode ser feito por um período de 20 a 60 minutos, dependendo da natureza e gravidade do desequilíbrio do dosha ou dependendo da constituição do indivíduo ou Prakruti. A terapia é habitualmente realizada por um período de 7 a 14 dias ou conforme recomendado pelo praticante. O Shirodhara também pode ser feito por 7, 14, 21 ou 28 dias ou mais em casos crónicos. Geralmente, um pequeno intervalo de tempo é fornecido entre dois tratamentos e muitas vezes é descontinuado depois de três semanas.

O horário ideal para a realização do Shirodhara é geralmente nas primeiras horas da manhã, de preferência entre 6h e 10h. Em condições de Pitta alto, também pode ser feito à tarde.

Benefícios do Shirodhara

shirodhara-a.jpgO Shirodhara é um ótimo tratamento para o sistema nervoso comprometido. Pode também ajudar a aliviar os sintomas de ansiedade, stress, fadiga e hipertensão. Alivia a tensão, preocupação, medo e dor de cabeça, bem como a depressão. Regula o humor, estimula o Prana Vata, proporciona um relaxamento profundo, alivia a fadiga, revigora o corpo e a mente estimulando a memória cognitiva, e traz sentimentos de prazer e repouso.

O tratamento com o Shirodhara é recomendado para a prevenção de muitos distúrbios psicossomáticos. Num indivíduo saudável, o Shirodhara é um ótimo tratamento para manter e melhorar a saúde, a clareza, a calma e a imunidade, e prevenir doenças relacionadas com o corpo, a mente e os órgãos sensoriais.

Indicações Terapêuticas

O Shirodhara é indicado quando o paciente sofre de diabetes, úlceras, psoríase, doenças por distúrbios sexuais, fibromialgia, enxaqueca, pode ser associado ao tratamento de anemias e colite, pré-terapia Panchakarma, tratamento de beleza da pele e do cabelo, rugas, acne. Como Pós-Terapia para a quimio e radioterapias. No auxílio ao tratamento da Sida e como Rasayana (rejuvenescimento). Em particular em cada bioenergia:

Vata Problemas de natureza psicológica, falta de concentração, doenças do sistema nervoso, paralisias em geral, tremores, insónias, doenças psiquiátricas, manias, epilepsia, doenças psicossomáticas, todas as doenças da cabeça e órgãos dos sentidos, perda de cabelo, perda de audição, fadiga e exaustão mental, língua acinzentada, insónia, dores de cabeça, secura da face e do couro cabeludo, obstipação.

Pitta – Sensação de ardor na cabeça e no corpo, faringite, conjuntivite, excesso de suor, perda da visão, doenças no sangue, hemorragias, icterícia, herpes, língua amarelada, urina e fezes amareladas ou esverdeadas.

Kapha – Excesso de sono, peso no corpo, indigestão, muco em excesso, obesidade, digestão fraca, língua esbranquiçada, fezes e urina branca, perda de apetite, repulsa por comida.

O Shirodhara também pode ajudar nos seguintes desequilíbrios:

Transtorno de stress Pós-Traumático: o Shirodhara reduz o excesso de Vata, que é um fator primário neste transtorno.

Insónia e transtorno do trabalho por deslocamento do Sono: o Shirodhara é tradicionalmente conhecido pela sua capacidade de ajudar com problemas de sono. O processo do Shirodhara estimula a glândula pineal, que produz a melatonina, o regulador do ciclo vigília-sono. Acalma a mente inquieta e induz ao descanso. Se a insónia decorre do trabalho noturno e o ciclo vigília-sono estiver fora de sincronia com os ritmos naturais do sol, o shirodhara pode ajudar a remover a fadiga, restaurar a energia e restabelecer a harmonia nos doshas ou na constituição.

Jet lag: Quando as pessoas viajam muito, o seu ritmo de sono diário está muitas vezes fora de sincronia. O shirodhara pode ajudar a redefinir o padrão diário de acordar e deitar, bem como remover a fadiga acumulada. A pessoa pode levar consigo um óleo calmante Vata ou óleo de Bhringaraj e aplicar na cabeça antes de dormir, ou procurar um médico ayurvédico local para receber o tratamento.

Hipertensão: Raktagata Vata é um desequilíbrio do Vata que pode estar correlacionado com a hipertensão. O Shirodhara provou ser eficaz na redução da pressão arterial.

Dores de cabeça de vários tipos: como cefaleias, enxaquecas, dores de cabeça devidas à tensão, dor de cabeça originada nas têmporas, usando óleos vegetais ou leite infundido com ervas.

Contraindicações do Shirodhara

Shirodhara-Massage-in-Ayurveda-Itoozhi-AyurvedaO Shirodhara é adequado para qualquer dosha ou constituição, no entanto, existem algumas contraindicações. O Shirodhara não deve ser administrado a mulheres no terceiro trimestre da gravidez.

As contraindicações incluem tumor cerebral, lesão recente no pescoço, escoriações ou cortes na cabeça, doença aguda, náusea, vómito, fraqueza severa, exaustão, tontura, desmaios ou sudorese espontânea. O Shirodhara não deve ser feito em pacientes com erupção cutânea ou queimadura solar na testa ou no couro cabeludo, nem a pacientes alérgicos ao óleo usado.

Outras contra-indicações:

  • Febre de origem recente

  • Excesso de Kapha

  • Excesso Ama

  • Obesidade mórbida

  • Indigestão

  • Ascites

  • Edema

  • Condições tóxicas generalizadas, como septicemia

  • Qualquer doença aguda

  • Exaustão

  • Desidratação ou sede

  • Quando o fogo digestivo estiver muito alto ou muito baixo

  • Artrite reumatóide

  • Indigestão e anorexia

  • Enfermidades abdominais e do metabolismo

  • Amigdalites

  • Diarreia

  • Alcoolismo ou quando a pessoa estiver embriagada

Antes de realizar um tratamento Shirodhara o paciente deverá consultar um terapeuta ou médico ayurvédico para aferir o procedimento mais adequado, e qualquer contraindicação que possa existir.

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Coentros na Ayurveda | Um benefício Tridóshico

coriander-seeds-2---corriander-seeds-leaves-powderOs Coentros são uma erva aromática profusamente usada em Portugal, fazendo parte de muitos pratos típicos, em particular dos Alentejanos. Muito para lá do seu agradável, distinto e refrescante paladar, os Coentros relevam interessantes propriedades terapêuticas que têm a vantagem de poderem ser usadas para os três biótipos, de forma equilibrada. Os coentros são tradicionalmente usados em folha na culinária portuguesa, como cobertura e guarnição, contudo, são também utilizados em sementes e em pó, sendo um elemento fundamental nos lares indianos, como elemento das características masalas.

Os coentros são nativos do sul da Europa, norte da África e oeste da Ásia. Era conhecido no antigo Egito e na Grécia, onde era consumido regularmente, e os romanos usavam as folhas e as sementes para preservar carnes. Ainda estão entre as ervas aromáticas mais populares usadas em vários pratos de todo o mundo.

Coentros | Descrição Botânica

Coriandrum_sativumPropriedades ayurvédicas dos coentros:

Rasa ou sabor: madhura (doce), katu (pungente), tikta (amargo) e kashya (adstringente)

Guna ou qualidades: laghu (luz) e snigdha (oleosa)

Virya ou potência: ushana (quente em potência)

Vipaka ou sabor pós-digestivo: madhur (doce)

Efeito no dosha: tri dosha hara (equilibra todos os três doshas)

Partes usadas: frutas, planta inteira e óleo

Família: Umbelliferae

Nome Hindi: Dhaniya

Nome Sânscrito: Dhanyaka

Nome Comum: Coentros

Nome Latim: Coriandrum sativum Linn Pennel

Os coentros são uma erva anual cultivada principalmente como tempero para fins culinários em todo o mundo. É uma planta macia e pode crescer entre 25-60 cm de altura. Tem raízes finas em forma de fuso. Tem um caule ereto e folhas alternadas. Estas folhas são de forma variável, largamente lobadas na base da planta, e delgadas e plumas em cima das hastes de floração.

As flores da planta de coentros nascem em pequenas umbelas. A cor das flores é branca ou muito rosa pálido, azul ou púrpura. As flores são assimétricas, com as pétalas afastadas do centro da umbela mais longas do que as que apontam para ela. Os frutos são globulares, consistindo de dois pericarpos e cerca de 3 a 5 mm de diâmetro. Quando pressionados, eles dividem-se em dois lóculos, cada um com uma semente. A fruta tem uma fragrância delicada. As sementes são brancas pálidas a castanho claro.

Composição química: os frutos contêm proteínas, gorduras, carboidratos, fibras, cálcio, fósforo e ferro. As folhas são relatadas para ser uma boa fonte de vitamina C e caroteno. O odor do fruto é gerado a partir de um óleo essencial presente nele. Este óleo possui linalol e pineno.

Benefícios e usos dos coentros

coentrosOs coentros vêm mencionados no eminente livro de Ayurveda, Dravyaguna Vijnana (Farmacopeia de Ervas) onde são mencionadas as suas várias propriedades. O seu nome que se assemelha a grão (dhanya, em sânscrito), significa também ‘o rico’. Os coentros são também chamados de Kustumburu, o que significa o que ajudam a aliviar doenças porque pacifica mtodos os três doshas. Vitunnaka significa, ajuda a aliviar a agonia e a dor.

Os Coentros são incluídos sob trishna nigrahan maha kashyaya (ervas que são úteis para aliviar a sede); incluídos sob prashaman maha kashyaya (ervas que são úteis para aliviar o frio excessivo). Os coentros têm propriedades antieméticas, ajudam a curar úlceras, inflamação e espasmos, e protegem o fígado. São anticancerígenos, anticonvulsivante, anti-histamínico e hipnótico por natureza. Acredita-se que os coentros sejam um afrodisíaco natural e tradicionalmente foi amplamente usado em combinações com outras ervas para aumentar a libido. Aliviam a sensação de ardor no corpo. São úteis na purificação de vários canais do corpo, na febre e na asma e outros problemas respiratórios crónicos, na tosse e frio, nas hemorroidas, na infestação por vermes, e também:

Reduz a inflamação da pele: o coentro contém tanto o ácido cinoleico como o ácido linoleico. Estes elementos apresentam propriedades antirreumáticas e antiartríticas que ajudam a reduzir as inflamações da pele.

Controla a pressão arterial: foi demonstrado que o consumo de coentros reduzi positivamente a pressão arterial em muitos pacientes que sofrem de hipertensão. Isso ajuda a reduzir a probabilidade de um ataque cardíaco.

Fonte rica de cálcio: os coentros são uma rica fonte de cálcio, que é um elemento importante para a saúde dos ossos. Eles ajudam na regeneração óssea e aumenta a durabilidade do osso.

Controla a Diabetes: os benefícios dos coentros incluem o controle do diabetes. Eles ajudam a estimular as glândulas endócrinas aumentando a secreção de insulina. Todo esse processo ajuda na quebra adequada do açúcar no corpo controlando a diabetes.

Propriedades Diuréticas: os coentros são diuréticos por natureza, o que significa que ajudam a aumentar o volume e a frequência da micção liberando as toxinas do corpo.

Trata feridas e úlceras bucais: os coentros contém citronelol, que é um ótimo antisséptico. Ele ajuda a acelerar o processo de cicatrização de úlceras na boca e também previne o mau hálito.

Ajuda na digestão: os coentros são ricos em borneol e linalol, que ajudam na digestão. Também é útil na prevenção da diarreia.

Trata a osteoporose: os coentros contêm vitamina A, riboflavina, niacina, ácido fólico, vitamina C, vitamina K e caroteno. Todos esses elementos ajudam a prevenir a osteoporose.

Previne Anemia: as sementes de coentros são uma rica fonte de ferro. Deficiência de ferro provoca anemia e, portanto, recomenda-se a inclusão de sementes de coentros na dieta.

Reduz o Colesterol: os coentros ajudam na redução do mau colesterol do corpo sem afetar o bom colesterol, minimizando o risco de distúrbios relacionados com o coração.

Previne a artrite: as sementes de coentros possuem compostos como o ácido linoleico e o cineol, que são bem conhecidos por suas propriedades antiartríticas e antirreumáticas.

Para além destas propriedades pesquisas mais recentes demostraram os seguintes benefícios:

  • Tem propriedades antifúngicas

  • É útil na conservação de alimentos e evita a deterioração de alimentos

  • Possui propriedades antibacterianas

  • Tem propriedades antioxidantes

  • Tem atividade hipoglicemiante

  • Tem potencial antimutagénico

  • É útil em varíola pequena

  • É útil em distúrbios menstruais

  • É de utilidade no tratamento oftalmológico

  • É útil em vários distúrbios da pele, como eczema, secura da pele e infeções fúngicas

Receitas

Cilantro

  • A aplicação da polpa de folhas de coentros verde fresco é útil na dor de cabeça, inflamação, erisipela e linfadenite cervical.

  • Para úlceras na boca, é aconselhável fazer gargarejos com sumo feito de coentros frescos.

  • No sangramento nasal ou epistaxe, é aconselhável injetar o sumo de coentros fresco no nariz.

  • Na dor de cabeça você também pode usar uma pasta feita a partir de coentros seco em pó.

  • A infusão fria de coentros misturados com açúcar ajuda a aliviar a sensação de ardor, a sede excessiva, a febre e também ajuda em vários problemas relacionados a Vata Pitta.

  • As sementes de coentros cozidas com leite são úteis em problemas de perda de memória.

  • A decocção de coentros e gengibre é útil na digestão de alimentos não digeridos e alivia a dor no abdómen.

Contraindicações

No Dravyaguna Vijnana é mencionado que, devido ao seu sabor kashya ras ou adstringente, os coentros podem ter um efeito adverso sobre a qualidade do sémen. Portanto, é aconselhável consumi-lo numa quantidade moderada.

Ayurveda e o Stress | Quando rir é o melhor remédio

risoCalma, paz interior e serenidade são alguns dos propósitos subtis associados à alma humana equilibrada. A alma clama por harmonia e por tempo, para inspirar e expirar os atritos do quotidiano, da vida, integrando-os ou expurgando-os de modo consciente, e repondo o equilíbrio através do necessário ajuste. Contudo, o nosso ritmo atual descompassou-se da cadência cósmica, e o nosso espírito voga muitas vezes em torno de nós, à espera do tempo, do momento em que a sua voz subtil seja escutada e validada como orientação equilibrada para as nossas escolhas quotidianas.

Num exemplo já referido anteriormente, há alguns milhares de anos, num dos primeiros ‘simpósios’ de Ayurveda, vários Rishis (sábios) reunidos debateram com preocupação a mudança de estilo de vida nómada, para os pequenos aglomerados crescentes, aldeias onde começava a desenvolver-se o sedentarismo. À medida que vários seres humanos começaram a viver em comunidades, a primeira tendência natural foi para se gerar atrito, diferenças de postura, de ideologias, e com essas diferenças o stress nos seus vários níveis. Estes sábios, souberam desde esses tempos imemoriais que o stress seria a grande origem de todos os desequilíbrios no futuro.

A resposta do stress humano é uma adaptação evolutiva que ajudou os humanos a lidar com momentos de crise através dos tempos. Ocorre em resposta ao perigo de qualquer forma – seja um desastre natural, uma guerra, uma perda emocional devastadora ou um encontro com um poderoso predador. Quando sofremos de episódios regulares de stress, muitos dos sistemas no corpo podem entrar em rutura: o sistema digestivo e a função metabólica (incluindo desequilíbrios no peso corporal), o sistema cardiovascular, o sistema músculo-esquelético, o sistema nervoso, o sistema reprodutivo e o sistema imunológico. O excesso de stress também pode afetar os nossos estados mentais e emocionais, os nossos relacionamentos, bem como a saúde dos nossos ossos (e tecidos relacionados, como dentes, cabelos e unhas). O stress tende a desgastar-nos a um nível sistémico, por isso, embora seja um fator que contribui para uma grande variedade de doenças, a sua influência é facilmente esquecida.

Hoje em dia vivemos em mega aglomerados sociais, e todas as facetas das nossas vidas são expostas à tensão, e ao atrito do consciente (e do inconsciente) coletivo. A facilidade com que os nossos sistemas orgânicos se desequilibram é tremenda, já que todas as condições estão reunidas para criar o desequilíbrio. As circunstâncias das nossas vidas mudaram rapidamente num período muito curto de tempo (falando em termos evolutivos). Os agentes de stress transformaram-se e multiplicaram-se; eles estão em toda parte, todos os dias: uma manhã agitada, lutas pelo poder com crianças voluntariosas, tráfego no caminho para o trabalho, encontros irritados no trânsito, um chefe irado, prazos apertados, longas horas de trabalho, contas que se acumulam desafiando a dinâmica interpessoal e outros incontáveis ​​fatores. É importante notar que as hormonas do stress estão sempre ativas, o que faz com que muito depois de um evento stressante, as hormonas libertadas ainda permanecem nos nossos sistemas.

O stress crónico, tende, por isso, a manter nos nossos tecidos banhados em hormonas do stress quase continuamente, o que nos torna hipervigilantes e cada vez mais propensos a desencadear respostas violentas inoportunas e desproporcionadas.

Ayurveda e o stress

laughing red hair womanA Medicina Ayurvédica é brilhante na sua capacidade de destilar uma série de doenças complexas numa coleção elegantemente simples de padrões qualitativos, que ajudam gerar um caminho claro para a cura e equilíbrio de cada indivíduo. A abordagem ayurvédica para gerir o stress é um belo exemplo disso.

Um dos princípios fundamentais da Ayurveda está no compreender e equilibrar os opostos; sempre que uma das qualidades aumenta, o equilíbrio é alcançado pelo aumento da qualidade oposta. A Ayurveda conta com vinte sub gunas (qualidades) – organizadas em dez pares de opostos – para descrever os vários fenómenos de todo o mundo natural. Identificar as qualidades envolvidas num desequilíbrio ou doença particular ajuda a direcionar o tratamento apropriado dos opostos. Quando destilamos a resposta ao stress nas suas características mais essenciais, e começamos a entender as qualidades que ela ativa no corpo, obtemos uma compreensão intuitiva de como usar forças opostas para convidar a um retorno ao equilíbrio.

De acordo com os textos antigos da Ayurveda, um grupo de dez gunas é considerado como sendo de natureza edificante, nutritiva e anabólica, enquanto o outro é redutor, aligeirante e catabólico. Aqui estão os dez pares de opostos, divididos nestes dois campos:

Gunas redutores, aligeirantes, catabólicos

Gunas edificantes, nutritivos, anabólicos

Leve

Pesado

Afiado

Lento

Quente

Frio

Duro/áspero

Macio

Seco

Oleoso

Líquido

Denso

Móvel

Estável

Subtil

Bruto

Claro

Nublado

É importante entender que nenhuma dessas qualidades é inerentemente boa ou má. Cada uma delas suporta a manutenção do equilíbrio à sua maneira. Da mesma forma, muito ou pouco de qualquer uma das qualidades pode ser um problema.

A resposta ao stress cai firmemente na categoria catabólica de redução, clareamento. O stress está intensamente a ativar, energizar, fortalecer, motivar, mobilizar e acelerar. Como resultado, ativa as qualidades leves, quentes, secas, ásperas, móveis, sutis e claras do corpo. A curto prazo, isso pode ser muito adaptativo e benéfico, contudo, a continuação ininterrupta desse padrão gera inevitavelmente desgaste.

Práticas quotidianos de bom humor

A forma mais simples de evitar o esgotamento é através do equilíbrio das qualidades opostas às do stress. Se o semelhante aumenta, o antídoto do stress excessivo é oferecer aos nossos sistemas uma abundância de todo o grupo de qualidades edificantes e nutritivas – através da dieta, do estilo de vida, da rotina, dos bons relacionamentos, e da inclusão do riso como prática de descompressão. Isso significa acolher influências que são pesadas, enraizantes, lentas, untuosas, nutritivas, suaves e estabilizadoras, enquanto fazemos o melhor possível para minimizar a influência dos seus opostos. Na sua essência, a abordagem ayurvédica para equilibrar o excesso de stress é realmente simples.

Podemos simplesmente rir

laughing-endorphins-medicine-812284Independentemente de todas as outras recomendações que podem ser feitas para minimizar o stress na nossa vida, o riso é um método alegre e eficaz de cuidado de saúde preventivo que se enquadra como uma das respostas mais diretas, fáceis e eficazes para dissolver o stress.

O riso estimula e mantém uma boa saúde, aumenta a energia vital e é absolutamente único na sua terapêutica. Tem muitos efeitos benéficos ao nível emocional e social, ajudando a adoptar uma atitude mais optimista em relação à vida, conduzindo a um carisma positivo, e fomentando os laços sociais: o riso liga-nos, cria uma coesão social e uma atmosfera de tolerância, amor e respeito. Quando começamos a rir, a nossa fisiologia muda, e com ela a nossa química interna também. O riso prepara o corpo e a mente para a felicidade.

O riso tem duas fontes, uma é o corpo, a outra é a mente. Os adultos tendem a rir da mente, usando habitualmente do julgamento e das avaliações sobre o que é engraçado ou não. As crianças, que riem com muito mais frequência do que os adultos, riem do corpo, elas riem-se a toda agora, enquanto brincam. O Yoga do Riso é baseado no cultivo da brincadeira infantil, no despertar da criança em nós, que quer rir e quer brincar.

O riso relaxa todo o corpo. Rir às gargalhadas genuínas por 15 minutos seguidos tem um efeito anestésico, que equivale a 2h de sono sem dor, e a 1h de meditação. Um bom e saudável riso alivia a tensão física e o stress, deixando os músculos relaxados por até 45 minutos depois.

O riso aumenta a circulação, melhora a respiração profunda, otimiza o fornecimento de oxigénio, aumenta a produção de endorfinas, estimula o sistema imunológico, exercita os músculos e até revigora o cérebro. Alguns pesquisadores descobriram que o riso reduz a produção de cortisol, a hormona do stress e pode até mesmo ajudar a prevenir doenças cardíacas.

O conceito de Yoga do Riso veio da Índia pelo trabalho do Dr. Kataria. Ele criou o termo

“Hasya Yoga”. (Hasya é a palavra em sânscrito para riso). Com o tempo, o Dr. Kataria desenvolveu uma série de exercícios de riso, a maioria envolvendo interações com outras pessoas. Como ele praticava yoga há muitos anos e a sua esposa, Madhuri, era professora de yoga, o Dr. Kataria integrou técnicas de alongamento e respiração de yoga – particularmente respiração diafragmática profunda e exalação prolongada – nas sessões de riso.

Os exercícios de riso podem começar forçados. Para começar basta abrir a boca num sorriso largo e forçar a respiração do riso. O corpo acaba por vibrar e ativar a energia no pleno solar, de modo a que muito facilmente, a pessoa acaba a rir-se a sério. Mesmo o riso forçado, o riso que surge da estimulação mental que vem no momento da descoberta de uma boa piada consegue ter o mesmo efeito. Habitualmente, o foco nas sessões do riso é rirmo-nos das coisas do dia-a-dia que causam stress, como o trânsito, as contas para pagar, as discussões com parceiros ou colegas, etc

Exercícios de Yoga do Riso

kids-laughingRiso do leão: Faça como um Leão e estique a língua, arregale os olhos e estique as mãos como garras enquanto ri.

Riso silencioso: Abra a boca e ria sem fazer barulho. Olhe nos olhos de outras pessoas e faça gestos engraçados.

Riso gradiente: Comece por sorrir e, lentamente, comece a rir com uma risada gentil. Aumente a intensidade da risada até conseguir uma gargalhada. Então, gradualmente, trazer a risada para um sorriso novamente.

Riso de arranque de motor: Comece o riso como se estivesse a ligar a ignição, e persista até aumentar e chegar à gargalhada.

É importante permitirmos que a antiga risada interior, que reside profundamente dentro de nós – a grande capacidade de nos rirmos de nós mesmos, e dos dramas do nosso ego – nos liberte do stress quotidiano, e nos guie a um estado de perfeita saúde e felicidade. Rir é o melhor remédio.

Ayurveda e o caminho para a Fertilidade

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Deusas da Fertilidade

Ser fértil é ser capaz de estar disponível para a Vida, e como consequência ser capaz de dar Vida. A fertilidade é um bem natural com que todos nós nascemos. Contudo, o estilo de vida atual tem tendido a desequilibrar esta dádiva. Muito para além da capacidade de conceber, a fertilidade revela um corpo cuidado, equilibrado, um organismo saudável e corretamente nutrido.

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Shukra

A fisiologia do sistema reprodutivo como um todo é governada por sadhaka pitta, prana vata e apana vata, mas os próprios órgãos reprodutivos são dotados das qualidades de kapha. O Kapha é o dosha promotor de crescimento (anabólico), formador de estrutura, que gera e sustenta a criação. Juntamente com o ojas (força vital) e o rasa dhatu (tecido plasmático), o kapha dosha organiza a nutrição necessária para construir e reconstruir o revestimento do endométrio durante uma vida inteira de artava (menstruação), e tem uma qualidade untuosa que lubrifica o útero e a sua pele. O kapha também confere estabilidade e força aos tecidos reprodutivos, ajudando a manter a estrutura dos ovários e a boa forma uterina, o seu tónus e a capacidade de se contrair.

 

A Infertilidade

Segundo a Ayurveda, a fertilidade mantém-se quando o tecido reprodutivo de uma pessoa ou o Shukra dhatu permanece nutrido. A infertilidade surge geralmente quando o tecido reprodutivo perde a nutrição, e é definida como a incapacidade de conceber apesar de se sustentarem relações sexuais regulares por mais de um ano. Uma mulher cujo artava está exausto é chamada de vandhyatva (vandhya-estéril, sem filhos).

Estratégias diagnósticas e terapêuticas detalhadas haviam já sido descritas em 200 dC no texto Ᾱyurvédico Caraka Samhita (capítulo Cikitsa-sthana, Yonivyapat). Nos séculos que se seguiram, os textos especializados em ginecologia evoluíram, incluindo o Kashyapa-Samhita, que contém descrições detalhadas de várias doenças e dedica um capítulo completo à infertilidade feminina. Nestes manuscritos são habitualmente aconselhadas terapias shamana (gentis) e shodhana (fortes) para o tratamento da infertilidade.

shukradhatuExistem muitos fatores que atualmente afetam a fertilidade, em particular na mulher: a idade avançada da mulher quando decide ser mãe, anormalidades hormonais, as condições do sistema reprodutor. Nos homens, a infertilidade pode ocorrer devido à baixa quantidade de espermatozoides e/ou qualidade e espermatogénese, bem como à disfunção erétil. Em ambos os sexos, os aspectos psicossomáticos e os níveis de stress são importantes, contudo raramente abordados. A Ayurveda acrescente outro aspeto único: a infertilidade como um efeito kármico.

Promover a Fertilidade

easter-the-latvian-way-715x340Na abordagem holística da Ayurveda, todas as dimensões do corpo são tidas em consideração no intuito de promover a fertilidade. Como o Ayurveda é uma ciência holística, é importante considerar a condição de saúde geral do paciente, incluindo a sua saúde mental e a do seu ambiente de vida. A abordagem Ayurvédica da infertilidade enfatiza a melhoria da saúde geral de ambos os futuros pais.

Os principais objetivos do tratamento Ayurvédico são a purificação e a otimização funcional dos tecidos reprodutivos (artava e shukra-dhatu) de ambos os sexos. Segundo a Ayurveda, a saúde reprodutiva é determinada principalmente pela saúde do metabolismo e nutrição dos tecidos, ambos requisitos fundamentais para a concepção.

Dependendo da Prakriti (constituição única) do indivíduo, o passo inicial na sequência do tratamento é geralmente a realização de uma purificação – o Panchakarma. Essas medidas de purificação podem incluir emese, purgação, enema medicado, purificação do sangue e vários outros procedimentos específicos pertinentes à saúde reprodutiva.

Outros tratamentos adjuvantes do Panchakarma constituem técnicas especializadas de fisioterapia, incluindo Shirodhara (terapia de gotejamento de óleo sobre a testa), Shirobasti (retenção de óleo na coroa) e Lepa (máscara de lama herbária) com óleos medicinais precisamente selecionados e outras substâncias que facilitam ainda mais a estabilização da constituição geral.

Para além do Panchakarma são também dadas recomendações dietéticas, fitoterápicos, recomendações psicológicas e espirituais (por exemplo, recitação de mantras, uso de cristais, colocação de objetos sagrados em casa, orações, etc). Na Ayurveda, a infertilidade feminina é entendida como uma desintegração somato-psico-espiritual com tendência a somatizar conflitos emocionais e mentais por resolver; esses conflitos são total ou parcialmente causadores ou agravam ainda mais as causas epigenéticas, traumáticas e bioquímicas coexistentes.

Fitoterapia para a Fertilidade

Na Ayurveda, a fertilidade manifesta-se no nível mais profundo da saúde. Os fluidos reprodutivos como o sémen (Shukra dhatu) são o produto final da formação de tecido. Considera-se a essência de todo os dhatus. Uma dieta saudável é o fator importante responsável pela fertilidade.

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Shatavari – Asparagus Rancemosus

Uma das plantas mais usadas como um tónico do sistema reprodutor feminino é a Shatavari. A Shatavari (asparagus rancemosus) possui uma atividade diurética, melhora a digestão aumentando a atividade das enzimas digestivas, aumenta a libido feminina, humedece os tecidos secos dos órgãos sexuais, reduz e cura a inflamação dos órgãos sexuais e aumenta a ovulação. Assim, a Shatavari é muito benéfica para a fertilidade feminina. Também é conhecida por ajudar na prevenção de abortos e prepara o útero para a concepção. A Shatavari também é muito útil no tratamento de problemas relacionados com a menstruação, como o sangramento irregular, a síndrome pré-menstrual e dismenorreia (menstruação dolorosa), reduz as cólicas abdominais e os espasmos que geralmente ocorrem durante a menstruação. A Shatavari possui também propriedades adaptogénicas que ajudam na estabilidade da saúde mental, e antisstress, resultado da presença de flavonóides, polifenóis e saponinas que reduzem a produção de hormonas do stress, e aumentam a produção de hormonas ou substâncias químicas que fazem a pessoa sentir-se calma e feliz.

Existem muitas fórmulas fitoterápicas Ayurvédica usadas para a infertilidade voltadas principalmente para as propriedades adaptogénicas, rejuvenescedoras e afrodisíacas, e de fortalecimento geral (ojo vardhana), bem como para o  fortalecimento dos tecidos reprodutivos; elas também são projetados para melhorar a digestão e cognição, conforme necessário, e ter propriedades ansiolíticas e antidepressivas suaves.

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Ashwagandha – Withania somnifera

Algumas das plantas mais comuns usadas incluem Ashwagandha (W. somnifera), Shatavari (A. racemosus), Guduchi (T.cordifolia), Brahmi (B. monnieri), Yogaraj guggulu, Krishna Jeeraka (N. sativa ), Shatapushpa (A. graveolens), Atibala (A. indicum), dashmoolarishta, maharasnadi kwath.

A auto-medicação é desaconselhada. A toma de qualquer fitoterápico deve ser acompanhada sob rigorosa supervisão médica. A sobredosagem pode causar diarreia e desconforto abdominal.

 

Alimentação ayurvédica para a fertilidade

A dieta ayurvédica para a fertilidade concentra-se no enriquecimento e desenvolvimento do tecido reprodutivo saudável (Shukra dahtu). Qualquer medicação aplicada é mais eficiente se a alimentação correta for observada sobretudo de acordo com os doshas.

Alimentação para Vata: Para a constituição Vata é importante escolher alimentos bem cozidos, húmidos, quentes e pesados. Adicionar leite, e ghee juntamente com especiarias que inflamam o fogo digestivo para nutrir o tecido reprodutivo (Shukra dhatu).

Alimentação para Pitta: No caso de uma constituição Pitta, é importante favorecer uma dieta principalmente fresca e nutritiva. Tomar leite e ghee à temperatura ambiente com temperos refrescantes que nutrem o tecido reprodutivo (Shukra dhatu) e apoiam o muco cervical.

Alimentação para Kapha: Para Kapha deve-se favorecer uma dieta primariamente quente e leve. Comer com moderação.

De forma geral os alimentos que favorecem o Ojas: Leite, ghee, nozes, sementes de sésamo, tâmaras, sementes de abóbora, mel, açafrão da índia e abacate.

Outros alimentos que favorecem a fertilidade: Os alimentos integrais fornecem todos os nutrientes para a saúde do corpo, além de fibras, influenciando os níveis hormonais. Frutas e vegetais frescos e orgânicos, grãos integrais, proteínas de fontes vegetais como feijão e ervilhas, frutas doces e suculentas, como mangas, pêssegos, ameixas e peras, espargos, brócolos, feijão, espinafres, abóbora, tomate e beterraba. Vegetais de raiz, grãos, rúcula, agrião, cebola, alho, cebolinho melhoram a circulação e nutrem o sangue.

Frutos secos e nozes, como tâmaras, figos, passas, amêndoas e nozes. Especiarias como a semente de carambola (ajwain) em pó, cominhos (purifica o útero nas mulheres e o trato geniturinário nos homens), açafrão-da-índia (melhora a interação entre as hormonas) e os cominhos pretos estimulam a fertilidade. O corpo deve estar bem hidratado bebendo-se água morna e chás digestivos.

Alimentos que diminuem a fertilidade

Evitar hidratos de carbono processados, excesso de amido, carne com antibióticos e hormonas, leite ultrapasteurizado e produtos enlatados. Evitar alimentos ricos em gorduras trans, como bolos, biscoitos e fritos fast-food. Estes alimentos bloqueiam as artérias, ameaçam a fertilidade e prejudicam o coração e os vasos sanguíneos. Álcool em excesso, cafeína, tabaco, refrigerante, fumo, carne vermelha, hidratos de carbono refinados, como macarrão, pão branco e arroz, aumentam e exacerbam a infertilidade feminina.

Evitar alimentos que contenham conservantes e outros produtos químicos, como adoçantes artificiais. Estes incluem refrigerantes, gomas de mascar, doces, sumos de fruta e gelados. Evite glutamato de sódio mono (MSG). Evitar batatas fritas, jantares congelados, frios, molhos, molho de rancho, salgados, aromas e corantes artificiais.

Manter um peso saudável: Estar acima ou abaixo do peso pode prejudicar a fertilidade. Quando o peso é baixo o sistema reprodutivo fica frágil, e pode tornar o corpo instável perante uma gravidez. Por outro lado, ter excesso de peso ou obesidade diminui as hipóteses de uma mulher engravidar.

Estilo de Vida para a Fertilidade

ganesha-parvati-devi-67871A conexão entre desintoxicação, stress e fertilidade ainda está por revelar. Da perspetiva Ayurvédica, estas recomendações aparentemente suaves de mente-corpo são eficazes, também porque têm como alvo a regulação do Vata, neste caso, no nível de Manas (ou seja, a mente).

O estilo de vida, a rotina diária, o yoga, a meditação e a recitação de mantras ajudam a tratar o stress físico e mental melhorando a recetividade da mulher. Um dos mantras para a fertilidade mais usados é o

OM SHRI KAMAKHYAYE NAMAH

 

Uma outra prática interessante é sugerir com que uma mulher simplesmente coloque uma pedra shiva lingam de qualquer tamanho sob o pé da sua cama.

Para a concepção o casal deve preparar-se através de uma alimentação cuidada. A concepção deve ser planeada, e assistida pelo homem, sendo recomendável haver uma preparação física. O peso deve estar normal para receber o impacto e a força. A mobilidade do esperma também influi e é recomendável que o homem consuma canela, cardamomo e noz-moscada (apenas uma pitada). Deve consumir também amêndoas e outras oleaginosas com leite e especiarias. A mulher precisa de ter mais calor no corpo. Para produzir esse calor deve consumir iogurte e vinho (moderadamente).

Deve ser escolhida a estação do ano mais adequada para a concepção pois esta vai afectar a criança. Durante a concepção devem evitar-se conflitos, stress, tristeza já que todos esses estados e emoções afectam a energia da concepção. Há que haver energia, cumplicidade, felicidade entre o casal. A concepção é uma replicação e nós queremos que a criança seja melhor do que nós.

Receita ayurvédica para aumentar a fertilidade: Dahl indiano com coco fresco

Ingredientes

1 chávena de lentilhas

5 pitadas pimentões verdes ou flocos de pimenta seca

1 colher de sopa de folhas de coentros picados

1/2 colher de chá de açafrão em pó

1/2 chávena de coco ralado fresco

sal a gosto

1 colher de sopa de mostarda

1 colher de chá de sementes de cominhos

2 tomates picados

2 colheres de sopa de ghee de vaca

1 cebola de tamanho médio, fatiada

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Instruções

  1. Lave e mergulhe o dahl em água por 30 minutos.
  2. Moer o coco ralado com um pouco de água, e fazer uma pasta lisa no liquidificador e reservar.
  3. Refogue as cebolas fatiadas até dourar. Remova e reserve.
  4. Cozinhe o dahl com apenas água suficiente até ficar macio.
  5. Adicione as pimentas, açafrão em pó, tomate e sal. Cozinhe por 3 minutos.
  6. Quando os tomates estiverem cozidos, adicione a pasta de coco. Homogeneizar. Cozinhe por mais um minuto e retire do fogo.
  7. Aqueça o ghee numa panela. Adicione as sementes de mostarda. Quando as sementes de mostarda estalarem, adicione as sementes de cominhos. Refogue por alguns segundos mais em lume brando. Despeje a mistura sobre o dahl. Pode ser servido quente, e decorado com as cebolas e as folhas de coentros picados.

Óleos Essenciais para Aumentar a Fertilidade Feminina

Os óleos essenciais podem ajudar a lidar com problemas de fertilidade, como stress, menstruação irregular, desequilíbrio hormonal etc. A seguir estão alguns dos óleos que podem ajudar a aumentar a fertilidade feminina:

O óleo essencial de salva branca é eficaz para lidar com o desequilíbrio hormonal no corpo de uma mulher, e também é benéfico para aumentar a libido feminina.

O óleo essencial de gerânio tem um efeito calmante que ajuda a relaxar e a regular as hormonas no corpo.

O Óleo essencial de funcho ou de erva-doce mantém o equilíbrio adequado das hormonas no corpo, e também é útil na regulação do ciclo menstrual da mulher.

O Óleo essencial de Lavanda foi usado durante séculos pelo seu efeito calmante sobre a saúde da mulher. O Óleo de lavanda regula o ciclo menstrual e também mantém o sistema endócrino no lugar.

O óleo essencial de rosa tem muitas propriedades terapêuticas. É conhecido por melhorar o muco cervical, regular os períodos e melhorar o desejo sexual nas mulheres.

Formas de usar óleos essenciais para a concepção

1. Inalação

A inalação é uma ótima maneira de obter os benefícios máximos dos óleos essenciais. Colocar algumas gotas num lenço de papel, cheirar o frasco, colocar no difusor ou simplesmente colocar algumas gotas nas mãos e manter o cheiro. Os efeitos calmantes e edificantes de vários óleos essenciais fazem maravilhas para melhorar a fertilidade.

2. Massagem

Massajar com óleos essenciais pode fazer o óleo penetrar na pele e ser absorvido.

3. Usar no banho

Colocar algumas gotas de qualquer óleo essencial na água de banho ou adicionar na banheira e ficar de molho por 15 a 20 minutos para obter os benefícios.

4. Inalação a Vapor

Adicionar o óleo a uma taça com água quente. Coloque uma toalha sobre a cabeça e inspirar o vapor.

5. Reflexologia da Fertilidade

A reflexologia envolve pressionar certos pontos de pressão nas mãos ou pés; podem usar-se óleos essenciais para massajar os pontos de fertilidade.

Cristaloterapia para a Fertilidade

A Pedra da Lua tem uma energia reflexiva e calmante equilibrando as emoções relacionadas com o stress e a ansiedade. Diz-se que tem o poder de conceder desejos. A pedra da lua é frequentemente usada para fertilidade e infertilidade, habitualmente para regular o ciclo menstrual de uma mulher e aumentar a energia feminina. Por ser considerada uma pedra do amor e pode ajudar a resolver problemas entre amantes. Quando usada durante as relações sexuais, pode fomentar a concepção.

O quartzo rosa ajuda a aumentar a fertilidade geral. Também é útil com dores de cabeça, enxaquecas, disfunção sexual, depressão, vícios, dores de ouvido e perda de peso. O quartzo rosa é útil e protetor durante a gravidez e no parto. Emocionalmente, o quartzo rosa traz perdão, compaixão, bem como equilibra as emoções. Ajuda na cura de feridas e traumas emocionais. O quartzo rosa remove medos, ressentimentos e raiva.

A Aventurina é commumente usada para estimular a gravidez e aumentar a fertilidade. É considerada a pedra do amor, que pode impulsionar todos os sentimentos e emoções, além de promover otimismo e autoconfiança.

A Cornalina Vermelha é conhecida por estimular a fertilidade, a energia, promover a sexualidade e a reprodução. O Cornalina Vermelha também estimula e equilibra o útero, os ovários, as trompas de falópio, o colo do útero e a vagina. Alivia a TPM e equilibra as hormonas reprodutivas e ajuda a prevenir o aborto espontâneo. A pedra também é usada para artrite, cancro, redução de câimbras, stress e depressão.

A Água marinha é altamente protetora durante a gravidez, ajuda a proteger a mãe e o feto. Desencoraja o aborto.

A fluorite é essencial para ajudar a estabilizar as alterações hormonais, como a TPM e a menopausa.

O quartzo fumado aumenta a fertilidade, equilibra a energia sexual e ajuda a aliviar a depressão em homens e mulheres. O Quartzo fumado é bom para pessoas com doenças relacionadas à radiação ou em quimioterapia. O Quartzo Fumado tem um efeito positivo sobre os órgãos sexuais, portanto, é bom na Menopausa, e em miomas. Para os homens, é excelente para a inflamação da glândula da próstata.

A Turquesa é uma pedra preciosa que fornece proteção, enraizamento, força, coragem, amor e sorte. Muitas tribos indígenas associam a turquesa à fertilidade.

A Unakite está associada à fertilidade e tem sido usada como ajuda à mesma. A Unakite também é recomendado para uma gravidez e parto saudáveis.

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Aconchegar e Aquecer | Inverno com a Ayurveda

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O inverno está à porta, e com ele o aumento do frio e da secura que incrementam o Vata. A rotina de inverno ayurvédica foi concebida para trazer a Luz, o calor e a Alegria tão necessárias nos longos dias de inverno.

Idealmente tanto a nossa rotina caseira como de trabalho seriam ajustadas à variação do número de horas solares, já que com o aumento da duração da noite tem um impacto grande sobre a nossa fisiologia. No Inverno cresce a necessidade de recuperação e descanso na proporção em que diminui a nossa rentabilidade no trabalho. Tendo em conta, que a rotina laboral e social demanda por uma rotina igual em todas as estações do ano, é importante fazermos alguns ajustes na nossa rotina caseira como forma de manter o equilíbrio.

Uma das principais partilhas da Ayurveda revela que a nossa constituição corporal reflete cada estação do ano. O que significa que nossos corpos têm a inteligência para se adaptar ao clima local quando entramos numa nova época do ano. Assim, para continuarmos com boa saúde e harmonia, é essencial mudarmos para uma rotina mais sazonalmente sensível.

Cuidar, Aconchegar e Prevenir no Inverno

1 | Massagem no couro cabeludo e nos pés antes de dormir

Na Ayurveda, o sono é considerado um dos três pilares da vida. É ideal criar um Ritual de Sono, bebendo uma aconchegante infusão de camomila, canela e noz-moscada, deitar-se entre as 21h e as 22h da noite, sincronizando o corpo com os ritmos diários da natureza, tornando-se assim mais fácil adormecer. Antes de se deitar, massajar suavemente o couro cabeludo e os pés com óleo de sésamo morno, ao qual pode-se adicionar umas gotas de óleo essencial de alfazema. Isso vai acalmar o corpo e a mente, gerar uma boa noite de sono e um despertar ainda melhor.

2 | Durma mais e acorde um pouco mais tarde (e relaxe!)

Em vez de acordar muito cedo, como é habitual no verão, o inverno propõe um sono um pouco mais longo e um despertar um pouco mais tardio. No inverno, o sol nasce mais tarde, por isso, na rotina de inverno Ayurvédica é benéfico deixar o corpo dormir por mais tempo, para que ele se alinhe com o sol e tenha mais tempo para se recuperar.

3 | Raspe a língua todas as manhãs

É importante remover a ama (toxinas) raspando a língua todas as manhãs. As toxinas da comida viajam através do trato digestivo durante a noite, alojando-se. O uso diário de um raspador de língua (de cobre), remove facilmente a camada desagradável que se deposita durante a noite.

4 | Bochechos de óleo

O bochecho de óleo é uma excelente forma de limpar e branquear os dentes naturalmente.

Pode-se colocar uma colher de sopa de óleo de sésamo ou de coco orgânico na boca, bochechar e gargarejar por 10 minutos e cuspi-lo para fora. Pode-se fazer durante o duche, contudo, o óleo deve ser expulso para o lixo, para evitar poluir a água.

5 | Massagem com óleo quente da cabeça aos pés

A massagem com óleo (chamada abhyanga na Ayurveda) elimina as toxinas, regenera os tecidos e órgãos, melhora a circulação, hidrata a pele, ajuda o corpo a livrar-se das toxinas e, na verdade, aumenta a imunidade. Fazer uma automassagem de corpo inteiro com óleo de sésamo quente é uma magnífica forma de autocuidado. Aqueça o óleo em banho maria numa tigela com água quente. Em seguida, massajar o corpo da cabeça aos pés, usando movimentos longos nos ossos longos e movimentos circulares ao redor das articulações. Deixar o óleo penetrar na pele por pelo menos 20 minutos antes de lavá-lo. Ou deixe o óleo na pele se esta estiver propensa a secar.

6 | Duche com água quente

Um banho quente é bom para lavar o excesso de óleo sobretudo depois da massagem. Os banhos quentes têm várias funções e benefícios que vão para além da limpeza: relaxam a tensão do corpo, aliviam os músculos rígidos, o vapor limpa as vias nasais e alivia qualquer congestionamento, aumentam a imunidade, aquecem o corpo internamente, além disso, acalmam a mente, equilibram as emoções e eliminam o estresse. Apontar para tomar um banho quente todos os dias no inverno. Adicione alguns óleos essenciais aquecidos, como eucalipto, cardamomo, manjericão ou alecrim. Relaxar e aproveitar o tempo no duche.

7 | Mova o corpo

O exercício torna-se difícil durante o inverno porque a motivação diminui, e a prática ao ar livre fica impedida pelo frio, o vento, a chuva, granizo, a neve. Um treino de yoga suave em ambientes fechados é ideal para o inverno. Podemos ativar todos os canais de energia começando com algumas saudações ao sol, seguidas por respiração alternada nas narinas ou nadi shodha pranayama.

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8 | Beber líquidos quentes ao longo do dia

Após o exercício, é importante beber um copo de água morna com limão. Espremer uma fatia de limão num copo de água morna e adquirir o hábito de fazer dele a primeira bebida do dia todas as manhãs. O limão é alcalino, e vai estimular o agni (fogo digestivo) e facilitar a digestão. Também é muito importante garantir a hidratação, bebendo água morna durante o dia.

9 | Usar ervas para a imunidade e a força interior

As ervas são os melhores presentes da natureza para aumentar a imunidade e a energia. Podem ser preparadas em infusão, ou polvilhadas na comida. Beber chá de gengibre diariamente manterá o corpo aquecido e aumentará a imunidade. Tulsi (manjericão sagrado), cardamomo, açafrão, alcaçuz, pimenta preta e gengibre são algumas das melhores ervas para esta temporada.

10 | Fazer uma desintoxicação

A terapia Panchakarma sugerida no Inverno é o Basti, o enema terapêutico. O Basti tem um campo de ação muito amplo. trabalha em todos os sete dhatus, os upadhatus e os srotamsi, além dos principais locais de Vata no corpo (cólon, coxas, pelve, ossos, nervos, ouvidos). Tendo em conta que o Inverno é a estação do ano de Vata é muito importante mantê-lo pacificado.

11 | Meditar, agradecer, partilhar

O Inverno é a época do ano para a reflexão. Os longos serões, e os períodos passados dentro no interior da casa servem para reflectir, meditar e preparar as sementes internas e externas do ano seguinte. Agradecer é fundamental. Há muito pelo que se ser grato. Encontrar tudo aquilo que traz gratidão ao coração, inspirar-se e partilhar.  O Inverno é o tempo da partilha.

12 | Escolher alimentos alinhados com o inverno

Durante o inverno o jatharagni (fogo digestivo) torna-se mais poderoso. Somos capazes de comer e digerir quantidades maiores e mais pesadas de alimentos. A maioria das pessoas deve comer mais. Favorecer os sabores doce, amargo, salgado. Alimentos quentes, bem cozinhados e oleosos. Ingerir mais alimentos que aqueçam. Cana-de-açúcar, óleos, arroz, água quente, promovem longevidade quando ingeridos no Inverno. Começar o dia com um pequeno-almoço quentinho feito com cereais como arroz integral, amaranto, aveia, cevada e centeio.

Elimine os alimentos que causam o acúmulo de toxinas. Quando o corpo está cheio de toxinas, torna-se um terreno fértil para os desequilíbrios, que no inverno se traduz em gripes e resfriados. Evite a ama eliminando estes alimentos da dieta: Comida e bebidas frias, água gelada, sobras, comida não saudável, alimentos pesados, difíceis de digerir, como queijo duro, iogurte e qualquer coisa frita. Evitar alimentos leves e evitar a exposição ao vento.

Atenha-se a uma rotina de inverno ayurvédica, fazendo refeições quentes feitas na hora com raízes, como cebola, batata, alho, nabo, beterraba, rabanete e cenoura. Vegetais cozidos no vapor, sopas e pães integrais funcionam bem para o almoço e jantar. Nenhuma rotina de inverno ayurvédica estaria completa sem um pouco de ghee de leite de vaca (ele mantém o corpo aquecido), assim como especiarias como gengibre, pimenta caiena e pimenta preta. Alinhar os hábitos diários com a atual temporada é a maneira mais natural de se viver, que é o que torna a simples rotina de inverno ayurvédica tão eficaz.

Alimentos para o Inverno

mel gengibreLacticínios: Todos

Adoçantes: Açúcar-de-cana, mel, melaço

Óleos: Todos com moderação

Cereais: Arroz basmati, arroz integral pequeno, trigo, aveia, cuscuz, centeio

Leguminosas: Feijão Mung, tofu, lentilhas

Frutos: Abacates, papaias, uvas, laranjas, cerejas, ameixas, melões, morangos, ananás, framboesas, mangas, bananas, figo, pêssegos, laranjas, azeitonas, limas, limões

Vegetais: Batata-doce, Inhame, agriões, cenouras, batatas, beringelas, ervilhas, beterraba, espargos, feijão verde, tomates, quiabo, nabos, abóboras, pimentos

Nozes e sementes: Todas com moderação

Condimentos/Ervas: Gengibre, canela, cominhos, coentros, rábano bravo, assa-fétida, funcho, pimenta preta, sal marinho, noz-moscada, açafrão-da-índia, basílico, alho, fenacho, cravinho-da-índia

Bebidas: Leite quente, água quente, sumos de fruta, infusões

Produtos animais: Frango, peru, peixe, ovos

 

Kitchari de Natal | Uma receita

kitchari-cleanse5O Kitchari é um prato tradicional ayurvédico que é nutritivo, purificador e versátil, sendo esta receita uma excelente receita que fornece calor e enraizamento ao Vata nos meses de inverno, trazendo a almejada cor e alegria da época. Esta receita de Kitchari permite criar uma rotina de digestão regular, descansar dos excessos das festividades enquanto se libertam algumas toxinas acumuladas. Em termos de benefícios o Kitchari fomenta a limpeza do sangue e do trato gastrointestinal, fornece ferro e outros nutrientes para a construção do sangue, fibras, vitaminas e minerais (especialmente vitaminas A, B, C, K), e proteína “completa” à base de plantas. Adequado a todos os tipos de corpo podendo, contudo, os tipos Kapha devem substituir o arroz basmati por quinoa ou millet e os tipos Pitta devem abster-se de usar pimenta caiena, canela e apenas uma pequena quantidade de pimenta preta.

Necessita de uma panela média, uma placa de corte e faca e um ralador de queijo.

Ingredientes

6 chávenas de água (ou caldo de legumes)

1 chávena de feijão mungo demolhado *

1 chávena de arroz basmati (substituto de quinoa, arroz integral ou painço)

1 beterraba média, descascada e picada em pequenos cubos

1 pequeno nabo, descascada e picada em pequenos cubos

1 cenoura média, picada em fatias finas

5 folhas grandes de couve

1 colher de sopa de ghee, óleo de gergelim, óleo de girassol ou óleo de coco

1 cubo de gengibre fresco, descascado e finamente ralado

1-2 colheres de chá de mistura de especiarias Agni Churna (Açafrão da índia, Gengibre, Erva-doce, Assa fétida, Aipo, Cardamomo, Pimenta preta, Pimenta longa, Feno grego, Semente de Mostarda preta, Cominhos, Cominhos pretos)

1 pau de canela

1 Pitada de pimenta caiena (opcional, não recomendado para Pitta)

Sumo de limão fresco de 1/2 de limão

3 cebolas verdes picadas

10 raminhos de coentros, picados

Sal e pimenta a gosto (sal do Himalaia é o melhor)

* Mergulhe 1 chávena de feijão mung em 4 chávenas de água durante a noite. Descarte a água no momento do uso. Os feijões inteiros podem ser substituídos por feijão mungo ou lentilha vermelha.

Instruções

  1. Adicione ghee ou óleo a uma panela média e coloque no fogão em fogo médio. Uma vez quente, adicione as especiarias Agni Churna e pimenta caiena (opcional). Misture as especiarias em fogo baixo por 1-3 minutos mexendo sempre para evitar que queimem.
  2. Adicione 6 chávenas de água ao mesmo prato, aumente o fogo e cubra até ferver. Enquanto aguarda a água ferver, pique a beterraba, o nabo e a cenoura.
  3. Depois de ferver, reduza o fogo para médio e adicione o pau de canela e os feijões juntamente com a beterraba picada, o nabo e a cenoura. Cubra apenas a meio caminho para evitar um excesso e cozinhe por 30 minutos. Agite a cada 10 minutos.
  4. Após 30 minutos, adicione o arroz basmati (ou outro grão de escolha) e cozinhe por mais 20 minutos. Agite a cada 10 minutos.

NOTA: Se você estiver usando arroz integral, isso exigirá muito mais tempo para cozinhar. Neste caso, é melhor adicionar o arroz integral ao mesmo tempo que o feijão mung. Também pode ter que adicionar um pouco mais de água.

  1. Enquanto estiver a cozinhar, comece a cortar a couve, a cebola verde, os coentros e rale o gengibre.
  2. Após os 20 minutos, adicione a couve picada e reduza o fogo para baixo. Cozinhe parcialmente coberto por mais 10 minutos mexendo a cada 5 minutos.
  3. Após os 10 minutos, retire do fogo. Adicione os coentros picados e a cebola verde, o gengibre ralado, o sumo de limão espremido fresco, sal e pimenta. Mexa bem. Sirva e desfrute deste belo prato vermelho e verde no seu prato favorito. Compartilhe com os outros, enquanto se aquece num belo dia de inverno!

Variações opcionais para cada humor:

Vidya-Kitchari4Vata: Para os tipos Vata, as melhores opções para óleo seriam ghee ou óleo de sésamo. Certifique-se de cozinhar todos os legumes até que eles fiquem bem moles. Todas as opções de grãos mencionadas são adequadas para Vata, embora o arroz basmati tenda a ser o mais fácil de digerir pelos tipos de Vata.

Pitta: Para as constituições Pitta, omita a pimenta caiena, o pau de canela e substitua o limão por lima. Coentros extra podem ser adicionados, se desejar. As melhores opções de óleo seriam ghee, óleo de girassol ou óleo de coco. As melhores opções de grãos são arroz basmati ou quinoa branca.

Kapha: Para as constituições de Kapha, mantenha o sal e o óleo no mínimo. As melhores opções de óleo são ghee ou óleo de girassol. As melhores opções de grãos para o Kapha serão a quinoa ou o painço, embora os grãos em geral devam ser usados ​​em quantidades menores, enquanto aumenta a quantidade de legumes. Especiarias extras e limão podem ser adicionados para aumentar o fogo digestivo e o metabolismo.

Ayurveda e a Intimidade | Orientações para uma vida sexual equilibrada

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Falar de Saúde íntima é ainda um desafio na nossa cultura. Nas culturas ancestrais era, contudo, fundamental para que a harmonia reinasse entre os pares. A Ayurveda, como linguagem de sabedoria, desde há milhares de anos que faculta informação e fomenta o nosso autoconhecimento ao nível da intimidade, tanto ao nível físico, como também ao nível emocional, mental e espiritual. Profundamente integrado no estilo de vida ayurvédico está o conceito da gestão da vida sexual como forma de manutenção da saúde e longevidade. A aplicação desta profunda e valiosa arte do saber resulta na fundação de relações saudáveis e felizes.

O contexto da saúde sexual pode ser, hoje em dia, um assunto sensível e confuso. Muito embora muitos dos media partilhem conteúdos muito explicitamente sexuais, e a sexualidade na internet seja um problema crescente, sobretudo em termos da educação sexual e da utilização da pornografia por jovens e adolescentes, todos esses assuntos carecem da profundidade e da real intimidade que é necessária para o nosso equilíbrio íntimo e relacional. A Medicina Ayurvédica contextualiza a sexualidade e a intimidade como fatores naturais, e como parte essencial da vida do indivíduo.

A Ayurveda analisa a totalidade da vida do indivíduo com cuidado e define claramente as fases da vida.

Os Quatro Objetivos da Vida

Na visão dos Vedas todas as nossas atividades estão alinhadas com os quatro objetivos.

Dharma – é o alinhamento interior com o que é correto segundo as Leis universais da Natureza, e é parte de todas as Sociedades, tradições, religiões, tal como é parte de cada ser humano. As atividades praticadas no dharma são oportunidades para o indivíduo servir a sua comunidade, e preservar o ecossistema do universo.

Artha – é a natural procura por riqueza. Esta categoria de atividade refere-se ao trabalho que produz rendimento ao indivíduo e à sua família. Ganhar pela vida é considerado um dos objetivos da vida.

Kama – é a natural procura por prazer na vida. Refere-se às atividades realizadas para satisfazer os sentidos da pessoa. Estas incluem comer, beber e outras experiências sensuais e prazerosas. O objetivo final do Kama é procriar e manter a espécie.

Moksha – é a liberdade absoluta, a salvação, ou a libertação de todas as atividades de artha, kama, e até mesmo de dharma. Esta categoria de atividades diz respeito à busca do desenvolvimento espiritual e da transcendência do mundo material. O objetivo é praticar o não-apego e permitir à pessoa entregar-se ao Universo ou ao Criador. Este é o objetivo mais importante da vida para aqueles atraídos pela filosofia espiritual das culturas orientais.

Os quatro objetivos da vida são continuados pelo indivíduo ao longo da vida. No entanto, cada fase da vida tem um foco único. A vida do indivíduo é dividida nas quatro seguintes fases:

Brahmacharya – Esta fase dura desde o nascimento até a idade de 25 anos. Este é considerado um tempo para o aprendizado, bem como para o desenvolvimento pessoal e espiritual. A maioria das pessoas conclui a sua educação até os 25 anos de idade, começa a sua carreira e até mesmo inicia uma família.

Grihasta – A segunda fase da vida dura de 26 a 50 anos. Este é considerado um momento para crescer na carreira, aplicando todos os recursos académicos, pessoais e espirituais no trabalho. É também nesta fase que as pessoas começam a vida familiar, relacionando-se e comprometendo-se com um ente querido, começando uma família, tendo filhos e amadurecendo.

Vanaprastha – A terceira fase da vida varia de 51 a 75 anos de idade. Nesta fase, a pessoa é convidada a abraçar o dom do presbiterado e da liderança. Compartilha livremente o seu conhecimento, experiência e sabedoria reunidos ao longo da vida. Durante esses anos, muitas das pessoas tornam-se avós e têm a oportunidade de compartilhar os seus dons com as gerações mais jovens, ajudando-os a aprender com as suas experiências.

Sanyasa – A fase final é descrita como durando dos 76 até a morte. Esta é a fase da vida mais espiritualmente focada, onde a pessoa desiste das atividades mundanas para dedicar a vida à transcendência espiritual ou moksha.

Na nossa Sociedade atual a esperança média de vida aumentou, razão pela qual os adultos mais velhos são sexualmente ativos por mais tempo. A grande maioria das pessoas, entre 50 e 75 anos, continuam sexualmente ativos, e alguns permanecem ativos entre as idades de 75 a 85 anos. Adaptar os princípios de equilíbrio ensinados pela Ayurveda à nossa vida atual é essencial para otimizar as experiências sexuais, a intimidade, a saúde e a vitalidade.

 

Vakjikarana Tantra – Afrodisíacos e Medicina Reprodutiva

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Vajikaran Tantra é o ramo terapêutico da medicina Ayurvédica dedicado à saúde íntima, e que visa tornar o ser humano suficientemente apto para produzir uma descendência saudável e feliz, no intuito de contribuir com a sua genealogia, para a criação de uma sociedade melhor. Os conteúdos do Vajikarana contêm dissertações sobre os procedimentos que o ser humano deve realizar para que consiga chegar a um nível supremo de elevação física, energética e espiritual a nível sexual. É uma prática considerada purificadora e espiritualizante, e uma forma de compreensão libertadora, que desobstrói as muitas formas de manifestação do desejo, sejam elas sexuais ou não. Por outras palavras, trata-se de uma prática que conduz à liberdade, ao Nirvana.

O Stree (o ser feminino) é o maior de todos os Dravya vajikaran como disse Charak. Antes do vajikaran, é essencial realizar-se uma terapia Panchakarma (as Cinco Ações de Purificação profunda). O Vajikaran é bom para a saúde e também influencia a saúde mental e a psique (mente), que é considerada a origem do impulso para o desejo sexual.

No intuito de se criar uma boa relação é fundamental conhecer-se e trabalhar-se com os Doshas de cada elemento do casal, já que ajuda a compreenderem-se mutuamente, a perceber qual a abordagem do parceiro perante a vida e a educação dos filhos. Após se ter encontrado o parceiro, deve-se colocar a atenção no equilíbrio da relação. Quando o propósito é a concepção, o ideal é começar os cuidados sugeridos pelo Vajikarana Tantra, pelo menos 3 a 4 meses antes de conceber, a tentar manter uma mente calma, relações equilibradas e uma dieta saudável.

 

Os Dhatus (Tecidos corporais) e o seu papel na Sexualidade

Todos os tecidos do corpo humano são desenvolvidos a partir dos alimentos que são ingeridos pelo indivíduo. A nutrição vem através de três formas principais: alimentos, respiração e pensamentos. A pureza e o equilíbrio nessas três formas de nutrição tornam-se a base da pureza e do equilíbrio dos tecidos no indivíduo. À medida que os tecidos do corpo são desenvolvidos, o shukra ou os fluidos sexuais são os últimos a serem refinados.

O Shukra dhatu ou tecido sexual é considerado um tesouro fisiológico de energia, a nossa semente, o nosso elixir, subtilizado através dos processos alquímicos do corpo, e que contém a capacidade de dar Vida ou de regenerá-la. O seu uso adequado pode promover a saúde e a evolução espiritual. O uso desequilibrado do shukra pode levar à fraqueza e à doença. Uma metáfora para a função de shukra é compará-lo a uma taça. À medida que a taça enche, a nossa reserva de energia sexual cresce, dando-nos uma sensação de vitalidade e virilidade. À medida que o copo cheio de shukra transborda, esta energia fica ainda mais refinada para criar o ojas – o brilho da aura, a compleição.

Mais refinado que o shukra dhatu físico, o ojas alimenta o corpo subtil, fortalecendo a imunidade e a vitalidade do indivíduo. O ojas representa a capacidade restaurativa ou autocura do corpo. Um ojas saudável indica o equilíbrio perfeito do corpo, mente e espírito, onde o corpo alcança a homeostase fisiológica e o biorritmo equilibrado. O ojas está também associado à resiliência e suscetibilidade do indivíduo a doenças.

A atividade sexual excessiva e inapropriada provoca a depleção do shukra e do ojas. A Ayurveda aconselha o desenvolvimento da gestão cuidadosa da sexualidade, e considera a união sexual como uma experiência sagrada de expansão de consciência, que abre o coração para o amor próprio, e para o amor a todos os seres com uma paixão crescente.

 

O equilíbrio do masculino e do feminino

lakshmi shivaA Ayurveda relata o conceito de Ardh-nar-ishwar (ver a imagem), em que cada indivíduo é feito de um aspecto divino masculino e de um aspecto divino feminino. O equilíbrio entre essas polaridades produz o equilíbrio a todos os níveis (físico, mental, emocional e espiritual) do indivíduo. A integração do masculino e feminino através da união sexual promove também o equilíbrio. Tanto os homens como as mulheres têm hormonas, embora os homens tenham predominância de testosterona, e menor quantidade de estrogénio e progesterona. Nas mulheres, o estrogénio e a progesterona existem numa maior concentração, e a testosterona em menor concentração. Os bons níveis de testosterona, tendem a melhorar o desejo sexual e melhorar a saúde geral entre homens e mulheres. Ainda assim, o equilíbrio é essencial porque muita testosterona nas mulheres pode levar a doenças, enquanto o excesso de estrogénio entre os homens pode levar também a doenças e vice-versa.

Ainda assim, todas as pessoas têm uma expressão masculina e feminina no seu interior, embora externamente o comportamento individual recaia num dos géneros. O parceiro sexual representa o aspecto oposto dessa expressão no exterior. Assim, a união sexual tem a capacidade de promover o equilíbrio entre o masculino e o feminino interior. O conceito de “Ardh-nar-ishwar” pede aos amantes que se aproximem da união sexual, tendo presente que durante o ato sagrado entram em intimidade com o Divino através do ser amado. Isso requer envolver-se com o parceiro em profunda envolvência, amor e vulnerabilidade. Este envolvimento profundo promove a satisfação divina nos relacionamentos, e promove a inteligência emocional na relação.

Mesmo no que concerne às hormonas, nas 24 horas após a união sexual há um aumento da hormona do crescimento observado em ambos os sexos. Essa hormona produz um impacto positivo na composição corporal, na força muscular, no desempenho físico, no sistema cardiovascular, no metabolismo e na função imunológica. Uma atitude de sacralidade e união divina purifica o efeito desses resultados positivos da atividade sexual, tornando-a um ato de cura, em vez de uma necessidade primordial.

 

Disfunções na Sexualidade

Os problemas de disfunção sexual são prevalecentes em homens e mulheres de meia-idade e idosos. A testosterona, o estrogénio e a progesterona são as principais hormonas que afetam as funções sexuais entre os homens e as mulheres.

O estilo de vida, e a qualidade da alimentação quotidiana tem contribuído largamente para um crescente nível de infertilidade tanto nos homens como nas mulheres. Nos homens a tendência apresenta-se no défice da qualidade e na falta de motilidade dos espermatozoides. Entre as mulheres, os problemas prevalecentes surgem através de desequilíbrios hormonais, para além do baixo interesse sexual, a dor durante o coito, e a falta de prazer e intimidade.

À medida que envelhecemos, os homens experimentam andropausa, uma queda nas hormonas andrógenas; e as mulheres experimentam a menopausa, uma queda nas hormonas estrogénicas. Estas contribuem para o aumento dos níveis de disfunção sexual entre os idosos. A Ayurveda possui as ferramentas para o resgate e a manutenção dos fluidos sexuais, para uma atividade sexual ideal, equilibrada e prazerosa.

 

Ervas para a saúde sexual

Para além de uma correta e adequada atitude emocional e espiritual em relação à sexualidade, são muito importantes atitudes que levam a um senso compartilhado de responsabilidade, comunicação aberta, integridade e atenção plena na relação. A atividade sexual é também uma forma de exercício, e quando a pessoa abandona a atividade sexual, toda a musculatura envolvida fica enfraquecida. A Ayurveda fornece ferramentas simples para superar esses desafios.

Na Medicina Ayurvédica são descritos dois ramos específicos de ervas chamados rasayana e vajikarana. As ervas Rasayana são medicamentos rejuvenescedores e holísticos nas suas funções regenerativas. Estas ervas promovem efeitos tonificantes em todos os tecidos do corpo, que acabam por se transmutar no shukra dhatu e no ojas. As ervas Vajikarana são ervas regenerativas que promovem a eficácia do shukra dhatu ou tecidos sexuais, incluindo as hormonas e os órgãos físicos. Estas são algumas das ervas que são benéficas em termos de rasayana e vajikarana:

 

Ashwagandha – Withania somnifera – Esta é uma erva rasayana, uma erva rejuvenescedora. A principal função da Ashwagandha é rejuvenescer as enzimas antioxidantes do corpo, controlando os danos relacionados com a oxidação em todos os tecidos do corpo. Esta ação contribui para a atividade antienvelhecimento da Ashwagandha. As lactonas esteróides continas na Ashwagandha também ajudam a regular as hormonas sexuais.

Em estudos clínicos, o tratamento com a Ashwagandha triplicou a virilidade nos homens com baixa contagem de espermatozoides, bem como melhorou a motilidade dos espermatozoides. O benefício também foi observado em homens normais; neles, a virilidade melhorou em 50%. Noutro outro estudo, quando administrada a homens com baixa contagem de espermatozoides, a Ashwagandha aumentou a contagem de espermatozoides em 167%, o volume de sémen em 53% e a motilidade dos espermatozoides em 57%. Assim, pode-se comprovar a forma como a Ashwagandha promove a função normal em todos os níveis dos tecidos, restaurando a função sexual e a vitalidade.

Shatavari – Esparagos rancemosus – A Shatavari é considerada o principal tónico de saúde para as mulheres na medicina ayurvédica. A Shatavari é uma das fontes mais ricas de fitoestrogénios na forma de saponinas esteroidais (Shatavarin I-IV) e isoflavonas (diadzin e genestien). Estes compostos são essenciais para o efeito da shatavari na função sexual. Um estudo clínico revelou que entre as mulheres jovens, a shatavari melhorou a maturação do ovo e a ovulação. Entre as mulheres mais velhas, a shatavari ajudou a aliviar os sintomas da menopausa e a tonificar os órgãos sexuais. É também uma fonte de vários minerais, incluindo zinco, manganês, cobalto, cobre, potássio, cálcio, magnésio, etc.

Muitas mulheres experimentam secura vaginal e relação sexual dolorosa à medida que envelhecem, isto deve-se à queda dos níveis de estrogénios. Os cremes de estrogénio proporcionam alívio, contudo é tradicional usarem-se na Medicina Ayurvédica, entre outras receitas, óvulos de ghee com shatavari para colmatar a secura vaginal, com resultados muito positivos.

Gokhsura – Tribulus terrestris – Esta erva é comumente reconhecida como um afrodisíaco. A Gokhsura pode afetar os níveis hormonais; os pesquisadores observaram que o extrato de Tribulus tem a capacidade de elevar os níveis de uma hormona reguladora, a hormona luteinizante, bem como todos os andrógenos, incluindo a testosterona e diidrotestosterona. Foi também observado que a Tribulus melhora o interesse sexual e a função sexual nos homens.

Shilajit – Asphaltum punjabium – Este medicamento único é fruto de material vegetal petrificado, uma espécie de argila, que é colhida em pequenas quantidades a partir de rochas íngremes em altitudes entre 1000 e 5000 metros entre as montanhas do Himalaia. É considerado uma excelente fonte de 85 minerais na sua forma iónica. No estudo clínico em homens, o shilajit aumentou os níveis de hormonas testosterona e hormonas folículos estimulantes. Esses homens também tiveram uma melhoria de 61% na contagem de espermatozoides, e a motilidade melhorou em 18% com 90 dias de tratamento.

 

Fiel à sua tradição holística, a medicina ayurvédica prescreve essas ervas no contexto de mudanças dietéticas e de estilo de vida, e sempre com seguimento de um médico ou terapeuta de Ayurveda. Dieta à base de plantas, exercícios regulares e sono adequado são essenciais para a cura e a eficácia de qualquer medicamento. Estes podem ser melhorados com a prática regular de exercícios respiratórios e meditação, que promovem a transformação emocional e espiritual.

Mimo e cuidados de Outono com a Ayurveda

Apesar de começarmos a termos de nos habituar à indefinição das estações do ano derivadas às alterações climáticas, alguma regularidade pode ainda ser observada, e naturalmente respeitada de forma a mantermo-nos em equilíbrio.

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A mudança do verão para o outono é um período chamado Ritu Sandhi na Ayurveda. Refere-se à lacuna entre as estações. Este é um momento delicado para a digestão, porque os doshas (humores) estão flutuantes e a capacidade digestiva pode também oscilar. Este tempo de flutuação proporciona uma oportunidade natural para uma limpeza de Outono. A Ayurveda sugere que façamos bom uso da tendência natural do corpo para se purificar.

O Outono é uma das estações do ano em que o Vata predomina. O Vata e o Outono compartilham as qualidades de movimento, mudança, secura, frio, luz, mutável, rápida e irregular.

No Outono começamos a ver mudanças no clima, algumas delas repentinas, que se refletem na beleza da mudança da cor das folhas das árvores. Começamos por sentir mais frio e há movimento no ar quando o vento frio começa a soprar. É a estação que agrava o Vata devido ao clima frio e ventoso. O Vata pode manifestar-se no nosso corpo e mente como: secura, ansiedade, preocupação, dor nas articulações, alterações nos nossos padrões digestivos, incluindo obstipação e até insónia.

As estações vão-se sucedendo independentes da nossa vontade, e a Ayurveda é provida da informação que nos permite lidar de forma harmoniosa com o nosso ambiente externo, e o eventual stresse que o acompanha, através de pequenos ajustes na nossa rotina diária.

 

A Alimentação no Outono

A energia do Vata é naturalmente criativa e também agitada. Tendo isso em conta é fundamental manter o Vata calmo e feliz. Idealmente devem-se evitar alimentos com as caraterísticas do Vata como bebidas frias e alimentos secos, ásperos, grosseiros, frios e crus. Deve adicionar-se mel aos alimentos e às bebidas, assim como voltar às ervas digestivas de aquecimento como os gengibre, cominhos, canela, cravinho-da-índia, manjericão, erva-doce e pimenta preta.

As sopas de vegetais e ensopados são perfeitos para esta época do ano, assim como o ghee e alimentos quentes, e com os sabores picante, ácido e doce. A abóbora é um alimento muito típico da estação e muito adequado para nutrir o Vata, assim como vários tubérculos como a batata-doce, a beterraba e a cenoura, que facilitam o processo de ‘enraizamento’ da leve energia do Vata.

Idealmente as bebidas devem ser quentes como água quente, infusão de gengibre (usar gengibre fresco) ou de outras ervas, como erva-doce, cominhos e tomilho.

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Alimentos preferenciais de Outono

Lacticínios | todos

Adoçantes | Açúcar-de-cana, mel, melaço

Óleos | Todos com moderação

Cereais | Arroz basmati, arroz integral pequeno, trigo, aveia, cuscuz, centeio

Leguminosas | Feijão Mung, tofu, lentilhas

Frutos | Abacates, papaias, uvas, laranjas, cerejas, ameixas, melões, morangos, ananás, framboesas, mangas, bananas, figo, pêssegos, laranjas, azeitonas, limas, limões

Vegetais | Batata-doce, Inhame, agriões, cenouras, batatas, beringelas, ervilhas, beterraba, espargos, feijão verde, tomates, quiabo, nabos, abóboras, pimentos

Nozes/sementes | Todas com moderação

Condimentos/ervas | Gengibre, canela, cominhos, coentros, rábano bravo, assa-fétida, funcho, pimenta preta, sal marinho, noz-moscada, açafrão-da-índia, basílico, alho, fenacho, cravinho-da-índia

Bebidas | Leite quente, água quente, sumos de fruta, infusões

Produtos animais | Frango, peru, peixe, ovos

 

Rotina Diária adequada ao Outono

O Vata dosha desequilibra-se quando a rotina diária é irregular. É fundamental termos o cuidado de descansar bastante e manter uma rotina regular.

Massagem com Óleo Quente

Abhyanga: Aqueça um pouco de óleo orgânico de boa qualidade e faça uma pequena automassagem todos os dias. Esta prática ayurvédica diária nutre e cultiva uma pele bonita e também acalma o Vata. Tradicionalmente, é usado o óleo de sésamo, que contém propriedades antioxidantes, é amornante e um pouco pesado. Para além do óleo de sésamo, existem outros óleos vegetais adequados como o óleo de brahmi (sobretudo para a cabeça), o óleo de mostarda, e eventualmente até o óleo de amêndoas doces. Idealmente o óleo deve ficar na pele por duas horas para ser bem absorvido. Opcionalmente um banho de vapor ajuda na dilatação dos poros e absorção profunda dos benefícios do óleo usado. Tomar um banho quente após a massagem para lavar o óleo do corpo.

Movimento

Dança, Ioga, Caminhadas, e Chi Kung são alguns dos exercícios mais adequados para esta estação.

Respiração

Tire um tempo todos os dias para exercícios de Pranayama. Comece o dia com algumas repetições de respiração consciente completa. Inspire e expire a sua Intenção para o dia.

Desintoxicação | Panchakarma

Uma dieta purificadora fácil de digerir é recomendada durante o período de transição da estação e como preparação para o Panchakarma. São de evitar certos alimentos como carnes, sobras e alimentos processados já que são mais difíceis de digerir durante este período.

Dhal, arroz e legumes cozidos são adequados para uma limpeza de outono. Suplementar a dieta com Triphala, a fórmula tradicional de digestão ayurvédica, é uma forma prática de manter a digestão forte e uma eliminação regular.

O outono é um ótimo momento para receber Panchakarma, a tradicional limpeza Ayurveda. O Panchakarma pode ser feito numa clínica com um praticante ayurvédico qualificado, ou pode ser feito em casa, sob a orientação de um profissional qualificado. A terapia Panchakarma recomendada no Outono é o Basti – Oleação interna do cólon.

Fitoterapia

A Neem é uma planta famosa usada há séculos na Índia para tornar a pele mais radiante. O chá de neem é um tónico, e planta é também usada para limpar os dentes, e como um repelente natural de insetos. Embora nada possa substituir a experiência profunda e purificadora do Panchakarma, a Neem ajuda bastante no processo de desintoxicação. A sua ingestão deve orientada e seguida por um médico ou terapeuta ayurvédico habilitado.

 

Ventos em mudança: como afetam eles as Bioenergias

O vento é frequentemente caracterizado pelo Vata-dosha na Ayurveda, sendo ele próprio composto de akasha (espaço / éter) e vayu (vento / ar). Os vários tipos de vento são conhecidos geralmente por agravarem o vata, devido à natureza subtil do vento.

Os três humores biológicos em Ayurveda ou doshas são Vata-dosha, Pitta-dosha (composto de agni ou fogo e jala ou água) e Kapha-dosha (composto de jala ou água e prithivi ou terra). Destes, Vata, o humor do vento, é o mais subtil; Pitta, o fogo é o humor bilioso, sendo o seguinte mais subtil; e Kapha, o humor de água e fleuma, é o mais denso.

Na Ayurveda as várias mudanças do nosso ambiente natural – tão simples quanto as direções do vento – podem criar várias questões relacionadas com agravamento dessas bioenergias. Se formos dar um passeio ao vento, o Vata irá agravar, especialmente no outono e nas estações mais secas. Podemos também procurar perceber em que direção o vento sopra, o que também nos dá indicações de como as bioenergias podem ser agravadas.

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Ventos Orientais

Diz-se que o vento que sopra principalmente do Oriente é pesado e untuoso e tem um sabor doce e salgado. Assim, agrava o Kapha-dosha, que compartilha dessas propriedades, e o Pitta-dosha e o rakta (sangue), devido ao sabor salgado. Também agrava aqueles que sofrem de problemas como envenenamento, úlceras e ferimentos devido a acidentes, e causa sensações de ardor. Contudo, estes ventos orientais aliviam a fadiga e o inchaço, e reduzem o Vata.

Ventos do Sul

Diz-se que o vento que sopra primariamente da direção sul é leve em propriedade e doce, aliviando o Pitta-Dosha e o sangue, sem agravar o Vata. Ajuda a promover a força no corpo, e ajuda a visão, que está relacionada com o Pitta. Também pode aliviar o sangramento, devido à sua propriedade doce, que tem uma natureza redutora e refrescante de Pitta (shita-virya).

Ventos Ocidentais

O vento que sopra principalmente do oeste pode aliviar fortemente o Kapha-dosha, mas devido à sua natureza também afiada, seca, áspera e leve pode causar emagrecimento e reduzir a força (especialmente em tipos Vata). Reduz o tecido adiposo (devido à sua natureza seca), e diminui a untuosidade observada nos tipos Kapha, especialmente reduzindo o congestionamento e a fleuma.

Ventos do Norte

Diz-se que o vento que sopra principalmente da direção norte mantém as três Bioenergias em equilíbrio, e tem uma natureza untuosa, suave e pegajosa, com gostos doces e adstringentes. Para pessoas saudáveis, diz-se que promove a força e é útil em casos de emaciação devido à tuberculose e envenenamento. Quando o corpo acumulou toxinas, no entanto, pode agravar os doshas devido à sua natureza húmida.

Os Ventos e as Bioenergias

Naturalmente, devido aos vários climas ao redor do globo, existem variações, e podem haver efeitos contrários. No entanto, o fundamental é que vários tipos de vento agravam os doshas de diferentes maneiras, e podem ser usados ​​para reduzir outros doshas.

Podemos avaliar as várias propriedades ou gunas dos ventos que sopram ao nosso redor e, assim, entender como agravam os doshas, e quais os ventos predominantes.

Como exemplo, as comunidades costeiras ao longo das costas orientais sentirão uma forte e fresca brisa marítima proveniente dos ventos de Páscoa que provocarão os doshas – especialmente Vata e Kapha – devido às suas naturezas mais frias, apesar de outras propriedades. Nas estações de outono-inverno nessas regiões, é melhor que as pessoas – especialmente as constituições Vata e Kapha – evitem sair para passear quando esses ventos sopram, pois podem ser fatores causadores de doenças.

Vários ventos podem também afetar os nossos estados mentais pelas suas qualidades e propriedades. Ventos frios em dias nublados podem nos fazer sentir letárgicos, sem energia e deprimidos, devido à sua natureza mais escura (tamásicas), mais pesada e mais fria. Os ventos mais quentes têm uma natureza de secura, mas às vezes podem afetar uma pessoa pelas suas naturezas direcionais secundárias.

Na Ayurveda as diferentes propriedades do vento estão intimamente conectadas com desha (localização) e rtu (estação), e podem afetar as pessoas de forma diferente, baseadas na constituição biológica básica de uma pessoa (prakriti), quaisquer desvios temporais dela (vikriti), a sua idade ( estágio de vida), e sexo (por exemplo, as mulheres são mais propensas a serem agravadas por ventos). Com as mudanças planetárias, esses efeitos subtis apresentam um exemplo de outro nível mais profundo na Ayurveda, no qual várias doenças podem ser criadas pela viciação dos doshas ou pela redução dos seus efeitos pelos vários efeitos e qualidades da natureza ao nosso redor, como o vento.

Podemos começar a examinar essas propriedades ou qualidades (gunas) dos ventos ao nosso redor, nos nossos climas e locais para começarmos a avaliar os efeitos que eles têm na nossa bioenergia.

12 Inspirações para um Despertar Ayurvédico

Independentemente do ritmo que a vida atual nos impõe, a Natureza, e o nosso corpo – que é a Natureza a vibrar em nós – tem um ritmo próprio. Existem ciclos corporais naturais de metabolização de alimentos, emoções, pensamentos, toxinas; existem ritmos de sono, ritmos de fecundação, até o ritmo do nosso pulso altera-se de acordo com a hora, o momento do dia, a estação do ano, e contudo sempre em sintonia com o pulsar da Mãe Terra. Muitos dos desequilíbrios surgem precisamente pela inexistência de ritmo, e por uma desatenção instalada em relação ao pulsar da Vida no nosso corpo. Quando estamos dessincronizados adquirimos outro ritmo de vida, que entra em resistência com o pulsar da Terra. Dormir demasiado tarde, ou durante o dia. Comer fora do horário das refeições. Falhar a hora ideal para evacuar, e/ou conter a urina. Estes são alguns dos exemplos de como podemos facilmente desequilibrar-nos.

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1 | A hora de despertar

Com a primeira Luz do amanhecer, cerca de noventa minutos antes que o sol surja no horizonte oriental, ocorre uma grande onda de energia no planeta. As criaturas adormecidas despertam e sacodem dos seus organismos os vestígios da inércia, preparando-se para as actividades do dia. E, então meia hora antes do amanhecer uma segunda onda de energia ainda mais poderosa, corre pela atmosfera. Com esse segundo influxo de radiação, vem o momento mais importante do dia – o momento em que a química corporal é estabelecida para todos os seres vivos. O ser humano é também afectado por esse influxo. Nesse momento o sangue é diluído e banhado por novas substâncias químicas, as quais se exaurem gradualmente, até serem restauradas no amanhecer seguinte.

O banho do organismo com a nova energia ocorre dez minutos antes do amanhecer, estejamos ou não conscientemente preparados e despertos. As reacções químicas acontecem de modo mais adequado em recipientes limpos e livres de impurezas. A lógica diz-nos que uma reacção que ocorra num recipiente livre de resíduos produzirá resultados bem melhores do que uma reacção num recipiente impuro. Se uma pessoa está a dormir quando amanhece os gases e resíduos acumulados durante a noite estarão presentes durante o estabelecimento da química do sangue.

É da maior importância evitar ingerir qualquer alimento ou bebida nas horas que precedem o amanhecer. A manhã é um período em que devemos manter reduzida e tranquila a nossa velocidade.

Em resumo, é benéfico acordarmos antes que o Sol se levante, porque existem qualidades amorosas (sattvicas) na Natureza, que trazem paz mental e frescura aos sentidos. O nascer do Sol varia de acordo com as Estações, mas em média as pessoas de constituição Vata deveriam acordar por volta das 6 horas da manhã, as Pitta pelas 5h 30m da manhã, e os Kapha por voltas das 4h 30m da manhã. Logo após o despertar, é adequado conectarmos a nossa energia à da Terra, enraizando-nos, e fazermos algumas respirações profundas, colocando a intenção para o nosso dia.

2 | Limpar a noite do nosso rosto

Durante o sono a temperatura da pele sobe. Os cobertores mantêm a temperatura cutânea consideravelmente acima da temperatura ambiente. A lavagem reajusta o organismo às condições do ambiente e previne o tipo de choque provocado pela súbita mudança de temperatura que ocorre quando a pessoa salta da cama.

O rosto, em particular os olhos, devem ser lavados com água fria e refrescante, numa temperatura um pouco abaixo da ambiente, e deveríamos atirar a água ao rosto pelo menos sete vezes. Isto ativa o reflexo do mergulho, ativando também a nossa atenção. O rosto deve ser limpo como uma totalidade, pois a limpeza parcial pode criar problemas, devido à diferença de temperatura e condutibilidade eléctrica entre a parte limpa e a não limpa. Essas diferenças podem provocar um desequilíbrio na energia, afectando a visão, o olfacto, a audição e o paladar.

No corpo, os olhos representam o elemento fogo. Eles só funcionam quando estimulados pela luz. A água é o combustível do fogo. O que permanece após a extinção do fogo é a cinza ressecada, porque a água evaporou. A água conduz o calor e a energia eléctrica do fogo. Assim, quando se lavam os olhos, a pequena quantidade de força aplicada pelas mãos carrega electricamente a água – estimulando e acalmando os olhos e os nervos ópticos (os quais são extensões directas do cérebro). O acto de lavar os olhos deve ser acompanhado com bochechos, com água à mesma temperatura.

 

3 | Raspar a língua

raspadorAntes mesmo de bebermos água, a Ayurveda recomenda que raspemos a língua.

Durante a noite as toxinas (ama – alimentos não digeridos no trato digestivo ) a serem expelidas pelo organismo vão-se dirigindo para diversos pontos de saída. A língua é um deles. Torna-se por isso necessário elaborar-se uma higiene diária da língua, de forma a remover-se essa película de toxinas acumuladas sobre ela, sobre tudo antes da ingestão de qualquer alimento. Esta acção vai permitir uma acentuada clareza do sentido do paladar, para além de evitar que voltemos a ingerir a ama acumulada.

A língua é um órgão muito sensível e contém na sua superfície um mapa dos órgãos do corpo, podendo nós através da sua observação, fazer uma pequena análise do nosso estado de saúde. São de notar as zonas onde existe maior acumulação de ama. Podem surgir capas na língua de diversas cores associados a diferentes tipos de desequilíbrio. Um monte de revestimento branco pode sugerir Candidas.

Raspadores de língua de plástico e metal estão disponíveis na maioria das lojas de saúde. Raspe de trás para frente suavemente até que tenha raspado toda a superfície, entre 7 a 14 vezes, e lave o raspador de cada vez. Esta acção estimula os órgãos internos, ajuda na digestão e remove a ama (toxinas).

4 | Beba água morna de manhã

Após as lavagens beba um copo com água à temperatura ambiente (no Verão), e água morna (no resto do ano). Isto lava o sistema digestivo, inunda os rins, e estimula a peristáltica. Começar o dia com café ou chá é desaconselhável, já que estas bebidas drenam a energia dos rins, causam a obstipação e formam maus hábitos. À água morna podem ser adicionadas algumas gotas de limão de modo a fomentar uma limpeza mais profunda do trato intestinal.

5 | Evacuação

toiletstool3Após a ingestão da água o organismo fica estimulado para a expulsão dos detritos acumulados durante a noite. Em circunstância alguma, a pessoa deve passar demasiado tempo sentada a evacuar, pois isso pode interferir com os gases do cólon, resultando numa profusão de enfermidades leves ou graves. Muitas pessoas lêem ou estão no telemóvel, enquanto estão sentadas à espera que os intestinos funcionem. Esse é um hábito potencialmente desequilibrante. Todo o tipo de distração é inadequada nesse momento por duas razões importantes: primeiro, a energia é necessária nos intestinos e a leitura desvia-a para a cabeça; segundo, a leitura encoraja a pessoa a ficar sentada durante longos períodos, numa postura que pode causar-lhe muitas enfermidades.

A maioria das queixas relacionadas com os intestinos podem ser eliminadas, bastando que a pessoa adopte uma postura adequada à defecação. A invenção da sanita moderna trouxe uma era de imenso sofrimento humano, desde a obstipação até distúrbios intestinais correlatos. Hoje em dia, a pessoa é forçada a sentar-se numa posição não natural, que exige que a força seja aplicada de um modo muito inadequado. A prática da boa saúde prescreve que a defecação seja feita na única posição natural: agachado ou de cócoras. Esta postura abre completamente o ânus, sem necessidade de se aplicar força. Para ajudar na aquisição desta postura, pode-se usar um pequeno banco junto a sanita de forma a colocar o intestino na posição certa para a expulsão.

A importância de um funcionamento ordenado e regular dos intestinos, logo após o despertar é fulcral, já que nenhuma meditação, nenhuma concentração, nenhuma actividade física e nenhuma ingestão de bebida ou comida devem ser feitas antes da defecação.

6 | Gargarejos de Óleo (Oil Pulling)

Oil-PullingGargarejar ajuda a fortalecer os dentes, as gengivas e os maxilares, para melhorar a voz e remover as rugas das bochechas. O gargarejo deve ser feito com o estômago vazio, quando o corpo ainda está no seu modo natural de desintoxicação. Deve-se fazê-lo por 4 a 15 minutos, com uma decocção adequada, ou até mesmo com óleo de girassol, de coco, de sésamo; mantenha o óleo na boca, bocheche vigorosamente, depois cuspa e massaje as gengivas suavemente. Por fim deve-se bochechar com água morna para limpar. Durante o processo é necessário imaginar que o óleo ou a decocção fica impregnada com as bactérias que vão depois ser expelidas. O gargarejo deve ser feito também à noite e depois de todas as refeições. Os benefícios dos gargarejos são vários:

  • Reduz a doenças da gengiva e inflamação

  • Reduz a secura na boca e pele

  • Elimina o mau hálito

  • Melhora os Sentidos

  • Aumenta a clareza

  • Revigora a Mente

  • Reduz o Esgotamento

  • Ajusta desequilíbrios da anorexia e do kapha

  • Acalma a dor de garganta

Depois do gargarejo, lave a boca com água morna e, opcionalmente, um pouco de sal grosso. Lave então os dentes para uma boca saudável e fresca. Use uma pasta de dentes natural, livre de flúor. A Ayurveda recomenda cremes dentais que usem ervas como o neem, o alcaçuz, o cravinho da índia.

 

7 | Limpeza nasal (Jala Neti)

Limpar o nariz deveria ser entendido como limpar a testa a partir de dentro. Inalamos uma infinidade de substâncias químicas que são entendidas por nós como cheiros. Essas substâncias químicas alojam-se no nariz e nas cavidades nasais. Por isso, a limpeza do nariz compreende muitas funções e deveria ser incluída como parte da limpeza diária.

TwoNetisEsta limpeza de ser feita primeiro com a ajuda de um neti pot. Água morna com uma pitada de sal marinho deve ser escorrida pelas narinas para lavá-las. De seguida pode-se colocar duas a cinco gotas de ghee ou óleo de mostarda, sésamo, azeite em cada narina, e deixe permanecer por um minuto. Este processo ajuda a lubrificar o nariz, limpa os sinus, melhora a voz, a visão e proporciona a clareza mental. O nosso nariz é a porta do cérebro, por isso estas gotas nutrem a entrada de Prana e trazem a inteligência.

Para Vata: óleo de sésamo, ghee ou óleo de cálamo.

Para Pitta: ghee com brahmi, óleo de coco ou de girassol.

Para Kapha: óleo de cálamo

 

8 | Lubrificando o corpo – Abhyanga

Poucas práticas diárias oferecem tantos benefícios. Quando feita de acordo com as leis naturais da anatomia humana e do fluxo de energia, a massagem diária energiza e faz vibrar simultaneamente a pele, os músculos e os nervos. O calor e a vitalidade do corpo aumentam à medida que o coração e o sistema circulatório começam a fornecer oxigénio puro e energia vital a todas as partes do organismo – ao mesmo tempo que lavam os gases e as substâncias químicas. A automassagem regular, quando executada adequadamente, ajuda o corpo a ficar leve, activo e enérgico, e impede o desenvolvimento da maioria das doenças de pele. Para além destes benefícios, ela também aumenta a inteligência, a presença de espírito, o vigor, a vitalidade sexual, a autoconfiança e a beleza.

Shiva_MassageDe todas as práticas de massagem, as que envolvem o uso de óleo são as mais benéficas, porque o óleo suaviza a pele, lubrifica-a evitando o atrito, distribui uniformemente o calor e garante uma camada de protecção, força e resistência contra os extremos da temperatura ambiente. O óleo impede a secura da pele, aumenta a flexibilidade e evita muitos dos efeitos do envelhecimento precoce.

Aplique óleo morno na cabeça e no corpo. Uma massagem suave com óleo pode trazer a felicidade, e previne tanto as dores de cabeça, como a calvície, os cabelos grisalhos, e o recuar da linha dos cabelos. Olear o corpo antes do deitar promoverá um sono profundo e mantém a pele macia.

Para Vata use óleo de sésamo morno. Para Pitta use óleo de coco ou de girassol morno. Para Kapha use óleo de girassol ou mostarda morno. O óleo de Brahmi é também muito usado, sobretudo para massajar a cabeça. Conhecido por ajudar a estimular o cérebro e trazer mais clareza mental. Pode-se adicionar alguns óleos aromáticos, de acordo com o seu dosha. Para equilibrar vata use gengibre, cardamomo ou laranja; pitta prefere os aromas frescos e doces de sândalo ou lavanda; Os kaphas respondem melhor ao eucalipto, alecrim ou sálvia.

As pessoas que estão com febre não devem ser massajadas, nem as que estão acometidas com constipação, vómitos ou indigestão. Quem tomou purgativos ou praticou um Basti e Vamana também deveriam evitar a massagem. É contra-indicado quando existem problemas de excesso de Kapha (mucos).

 

9 | Esfoliação

dryBrushing_body.jpgPode ser feita com a pele seca, mas também se pode aproveitar a pele ainda oleada para diminuir um pouco o atrito que provoca. A esfoliação é excelente para ativar a circulação e estimular o sistema linfático. Os movimentos devem ser leves e circulares, sem muita pressão já que a linfa está muito próxima da superfície da pele. Use uma escova de materiais naturais, e massaje em direção ao coração, começando pelas pernas, tronco, braços, muito levemente no rosto e depois nas costas. A esfoliação da pele é ótima para a desintoxicação do corpo.

 

10 | Hora do banho

Depois de oleados, um banho ou duche de manhã é ótimo para ajudar a reduzir a fadiga. As constituições Pitta se beneficiam da água fria, enquanto a água morna é ideal para os Vatas, e mesmo as temperaturas mais quentes são as melhores para equilibrar os Kaphas de boa índole. O banho diário purifica a mente e o corpo, aumenta o sémen, promove a longevidade, alivia a fadiga, detém a transpiração, aumenta a força, proporciona o brilho vital da saúde, remove o sono, o suor e a fadiga, dissipa a irritação, e aplaca sede crónica. Bom para todos os órgãos motores e órgãos sensoriais, o banho purifica os nervos, cura a sonolência, dissolve a tristeza, aumenta o entusiasmo, fornece energia vital ao sistema e traz clareza à mente.

Apesar de muito benéfico, tomar banho mais de duas vezes por dia deve ser evitado, pois isso sobrecarrega o organismo. Do mesmo modo, deve evitar-se o banho com água muito quente ou muito fria. Os banhos com água fria aumentam a quantidade de frio nos nervos e podem acarretar vários tipos de dor muscular. O calor do banho quente expande os músculos, tornando-os gradualmente frouxos e flácidos. Os efeitos dessas duas práticas talvez não sejam sentidos na juventude, mas se continuadas irão manifestar-se mais tarde sob a forma de fraqueza, cãibras, problemas renais e deficiência de sémen. A água do banho deve ser, em geral, quente, excepto para a cabeça e olhos. É contra-indicado quando existe paralisia facial, indigestão, diarreia, febre, infecções no ouvido, obstipação, sinusite, doenças dos olhos e doenças que afectam a boca e os ouvidos, e outras relacionadas.

Lembre-se de que a pele absorve tudo o que se coloca nela. É por isso fundamental escolher produtos de higiene que diminuam a toxicidade do corpo, evitando produtos cheios de perfumes e produtos químicos sintéticos. Isso inclui parabenos e SLS.

 

11 | Alongar e Respirar

rituais tibetanosExercício regular, especialmente o yoga, melhora a circulação, a força e a endurance. Ajuda a relaxar e ter um sono repousante, e melhora a digestão e a eliminação. O exercício diário deve ser feito até metade da nossa capacidade (que até se formar suor na testa, nas axilas e nas costas), geralmente durante 10, ou no máximo 15 minutos diários.

Vata: 12 vezes a saudação ao Sol, feitas devagar; levantar de pernas; camelo; cobra; gato; vaca. Todos feitos devagar e suavemente.

Pitta: 16 vezes a saudação à Lua, moderadamente rápidas; levantar de pernas; peixe, barco; arco. Exercício de relaxamento.

Kapha: 12 vezes a saudação ao Sol, feitas rapidamente; ponte; pavão; palmeira; leão. Exercício vigoroso.

Outra opção é realizar os Cinco Rituais Tibetanos. Uma sequência que se adapta às várias constituições.

12 | Meditar

Os momentos mais preciosos da vida de uma pessoa vão desde o instante em que ela completa a limpeza matinal até os minutos seguintes ao raiar do novo dia. Purificado por dentro e por fora, o sistema orgânico converte-se num estado “em branco”. Quem usa com sabedoria esses momentos consegue construir um campo de energia capaz de funcionar como um bom escudo para as aventuras do dia a dia.

meditaçãoA meditação é uma forma de trabalhar conscientemente a fim de elevar o nível do nosso ser, através da elevação do nível de energia presente no interior da nossa mente. Devemos começar a perceber o mundo sem apegos, sem juízos de valor, sem desejos. E para alcançar esse estado, a energia do organismo precisa primeiro focar-se num único ponto. Esse estado de concentração é o precursor necessário da própria meditação.

Para ser mais eficaz, a meditação deve ser praticada diariamente a uma hora regular. As melhores horas para praticar são aquelas que sincronizam a vida quotidiana com os ciclos maiores do planeta e do cosmos. As condições do planeta mudam dramaticamente nas horas do amanhecer e entardecer. Essa mudança, que começa cerca de trinta minutos antes de o sol tocar o horizonte e que dura uma hora, também produz mudanças acentuadas na química do sangue. Além disso, no momento exacto em que o sol toca o horizonte, o organismo respira automaticamente por ambas as narinas ao mesmo tempo. Esse é o estado em que a energia consegue subir pelo canal central da coluna vertebral, o Sushumna, até ao cérebro. Durante esse instante a química do corpo é equilibrada. Como as duas narinas estão a trabalhar, a temperatura do ar nas cavidades nasais é igualada. O metabolismo estabiliza e a temperatura de ambos os hemisférios cerebrais é equilibra-se, permitindo-lhes funcionar em sincronia. O meditador deveria sempre estar atento a esses ciclos planetários e às mudanças no organismo.

É importante meditar-se de manhã e à noite por, pelo menos, 15 minutos. Medite na forma como está habituado, ou experimente a meditação de “esvaziar a taça”. A meditação traz paz e equilíbrio na vida.