Menopausa e reflorescimento | Cuidados Ayurvédicos para mulheres maduras

Natural looking middle aged woman with grey hair and green scarf laughing against neutral backgroundA menopausa era ancestralmente associada ao momento da vida da mulher em que ela começava a usufruir da sua sabedoria. Representava também um período em que toda a experiência adquirida até então surgia como uma mais-valia para orientar, alentar e instruir os membros mais jovens da sua família. A cessação dos seus períodos férteis permitia que a mulher pudesse cuidar e educar de forma mais focada os seus filhos, num momento em que ainda desfrutava de saúde e energia, contribuindo assim para a preservação da espécie, e para a evolução da própria humanidade, através do sábio cuidado que uma mulher madura oferece.

Nas culturas orientais, a menopausa é por isso mesmo considerada uma das fases mais gratificantes da vida da mulher, já que se encontra liberta das obrigações relacionadas com os cuidados com as crianças pequenas, e começa a participar de forma mais ativa nos cuidados da sua comunidade como um todo.

Independentemente do aspeto cultural, a menopausa é vivida como uma experiência natural e única, marcada por mudanças no corpo, nas emoções, na mente, no espírito, que clama por adaptabilidade e ajuste no estilo de vida.

Como começa

A Menopausa corresponde a uma fase natural na vida da mulher que indica o cessar da sua fertilidade, e de uma forma simples corresponde também ao cessar do fluxo menstrual – quando esta já conta doze meses de ausência desde a última menstruação sem outra causa aparente. Está associada com a redução da função dos ovários resultante da idade, que se traduzem em baixos níveis de estrogénio e outras hormonas.

Na Ayurveda, a infância e o início da idade adulta são caracterizados por certas qualidades às quais nos referimos como Kapha Dosha, idade adulta é governada pelas qualidades de produtividade do Pitta Dosha, e a velhice é governada pelas qualidades do Vata Dosha. Durante a última parte de cada fase, a próxima fase reúne energia. À medida que as mulheres envelhecem, o Vata começa a acumular-se por volta dos seus trinta e quarenta anos. O corpo ainda está no tempo de vida de Pitta e é ativamente produtivo, até mesmo totalmente capaz de se reproduzir, mas o Vata dosha está lentamente a infiltrar-se. Podemos ver isso em mudanças subtis no corpo, mudanças no metabolismo e flutuações de energia.

Apesar de ser vista muitas vezes como um evento isolado – a cessação do ciclo menstrual -, a menopausa é, contudo, um processo que inicia geralmente entre os 30-35 anos, onde a mulher atinge o auge da sua saúde, e termina mais ou menos aos 51 anos (podendo ir até aos 55 anos), quando ela finaliza o ciclo menstrual. Esta época na vida da mulher pode ser dividida em:

  • Peri menopausa – que corresponde à altura em que a mulher começa a sentir os primeiros sinais da menopausa e normalmente ainda menstrua nesta fase. Os níveis de hormonas sobem e descem provocando sintomas como afrontamentos (sensações de calor).
  • Pós-Menopausa – Uma vez passados dozes meses desde a última menstruação, a mulher atinge assim a Menopausa. Os seus ovários produzem muito menos hormonas como estrogénio e progesterona e a mulher deixa de ovular. A duração destes dois ciclos depende muito da mulher e de toda o ambiente e estrutura que a compõe o seu corpo e o seu estilo de vida.

Os ovários deixam de responder às mudanças dos Doshas, levando o Pitta à paragem da ovulação, na qual há também uma diminuição da produção de hormonas sexuais. A Menopausa é geneticamente programada e/ou pré-determinada, e o momento do seu início pode ser variável na idade, e depende também dos hábitos e comportamentos da mulher ao longo da sua vida. Para algumas mulheres é um fenómeno silencioso e brando, e para outras é um momento em que padecem de uma série de problemas como ondas de calor frequentes, instabilidade e períodos de grande oscilação emocional, cansaço, distúrbios de sono, dores de cabeça, dores nas articulares, palpitações, etc.

Para mulheres na perimenopausa, o ciclo começa a ser perturbado. Com as menstruações irregulares ocorre uma resposta irregular dos ovários. Durante os meses em que ocorre a ovulação, existe a menstruação. Nos outros meses, os ovários respondem menos às hormonas da glândula pituitária, os óvulos não são libertos, e não ocorre a menstruação. Estas mudanças hormonais são naturais, e a dieta e o estilo de vida ajudam a determinar como irá o corpo regular-se diante das mudanças das hormonas reprodutivas.

13c32b6441b652bbef2858aab2fbc52dSegundo a Ayurveda, a menopausa é uma época de agravamento do Vata, gerando a diminuição da produção de tecidos (dhatus), e o aumento da irregularidade. A menstruação de longa duração (que pode ocorrer neste período de transição) pode parecer, na superfície, estar mais relacionada com o Pitta ou o Kapha, contudo, o fator causador (a irregularidade) tem a sua origem no Vata. A fase da menopausa reflete essencialmente uma transição da fase adulta – Pitta – para Vata, o envelhecimento. Os sintomas do Vata a aumentar compreendem ansiedade, desequilíbrio, instabilidade, nervosismo generalizado, preocupação, perdas de memória, insónia, instabilidade emocional, osteoporose, e eventualmente depressão.

Na medida em que o Vata aumenta os outros doshas podem também sofrer desequilíbrios. Os sintomas do aumento do kapha estão associados a ganho de peso, sensação de peso mental e físico assim como a um aumento na retenção de líquidos. Nas mulheres de constituição pitta há um aumento da irritabilidade, e ondas de calor frequentes.

Reflorescer com a Ayurveda

laughter-yoga-1Qualquer sintoma que possa advir da menopausa pode ser minimizado através das práticas ayurvédicas, com a centralização espiritual da mulher, e com o conhecimento do dosha que está desequilibrado na mulher.

O stress, a má nutrição e o uso de cafeína são três gatilhos de estilo de vida que fomentam o aumento do Vata, e a menstruação irregular. Escolher o estilo de vida ayurvédico, com rotinas regulares e autocuidado adequado, minimizará o impacto nos anos da menopausa. As práticas de redução de stress, incluindo o exercício diário, o tempo na natureza, prática de pranayama e a meditação reduzem a necessidade de estimulantes ao longo do dia, e preparam o terreno para melhores escolhas alimentares, que ​​irão corrigir a má nutrição.

Como diz o familiar ditado ayurvédico: “Se a dieta está errada, a medicina não tem utilidade. Se a dieta está correta, a medicina não é necessária”. Ao fazermos mudanças simples na dieta e no estilo de vida, podemos apoiar a mudança da habituação que o corpo tem de estrogénio para o equilíbrio nos outros sistemas do corpo. Isso diminuirá a intensidade dos sintomas que experimentados devido à redução súbita de estrogénio no sistema.

Se nos dirigirmos a essa subtil e crescente tempestade do Vata, poderemos pacificá-lo antes que ele se mova e cause estragos no corpo, na mente e nas emoções. E o Vata pacifica-se com rotinas. Quando isto é feito a menopausa pode ser sentida como a mudança natural que é, ao invés do dramático cataclismo em que ela se transformou na sociedade.

Algumas recomendações gerais para a menopausa:

Comida: Prestar atenção especial à dieta. Certificar-se de que os alimentos são integrais, frescos e orgânicos. Limitar a ingestão de alimentos processados ou não-orgânicos. Evitar armazenar alimentos em recipientes de plástico ou beber em garrafas plásticas. Os plásticos imitam os estrogénios e interferem no equilíbrio hormonal normal. Jantar conscientemente. Saborear os alimentos e sustentar a capacidade de passar tempo a nutrir-se. Isso aumenta o valor nutricional que se ganha com a comida, e acalma o sistema nervoso.

c0ba6aa81c81f27a2ebbc5af857f70b4Ouvir o corpo. Comer quando estiver com fome e só até satisfazer a fome natural. A Ayurveda recomenda que se coma até que o estômago esteja cerca de 75% cheio. O metabolismo está a mudar subtilmente. Ajustar a porção de alimentos ingeridos, já que a capacidade de digerir se alterou.

Começar o dia com um copo grande de água morna. Adicionar um pouco de limão se quiser. Beber bastante água durante o dia. Ingerir a comida húmida e apenas uma pequena quantidade de água morna ou chá às refeições.

Dormir o suficiente. Ir para a cama cedo o suficiente para ter uma noite inteira de sono. Desligar todos os elementos eletrónicos pelo menos uma hora antes de deitar, para se sentir o suporte da melatonina quando quiser adormecer, e para permitir um sono contínuo. Verificar se o quarto está escuro, silencioso e confortável. Isso permite um sono reparador. Evitar estimulantes como café e açúcar, assim como depressivos como o álcool. Estes interferem com o sistema nervoso e podem afetar negativamente o sono.

Fazer algum exercício durante o dia, de preferência ao ar livre. Se existirem problemas para adormecer, ouvir uma meditação guiada ou um CD do Yoga Nidra para complementar algumas das horas perdidas de sono.

Conservar a energia. Inicialmente, quando a pessoa está ativa extrai energia dos alimentos. Quando essa energia é consumida, a energia é extraída dos recursos armazenados. A sensação de cansaço surge quando se esgotam os recursos. Uma parte importante desses recursos é o Ojas, um termo ayurvédico que descreve as reservas vitais. Assumir apenas atividades que sejam em proporção com a reservas próprias. O exercício deve ser feito de preferência em metade da capacidade corporal. Quando é necessário algum tipo de estimulante para suportar o dia, é sinal que as reservas vitais poderão estar esgotadas.

Começar o dia com uma rotina benéfica, incluindo limpeza, alongamentos, respiração e meditação. Equilibrar os horários ativos durante o dia com momentos de descanso. Incorporar o exercício no fluxo do seu dia. Observar a informação de cansaço do corpo, e respeitá-la, evitando a estimulação. Se notar a energia a diminuir à tarde, fazer uma pequena caminhada e respirar profundamente. Ingerir alimentos nutritivos, como fruta ou oleaginosas já demolhadas.

Menopausa do tipo Vata

Saramai+JewelsA nível de dieta surge a necessidade de aumentar o consumo de comidas e bebidas mornas e efetuar diariamente refeições regulares. Deve ser dada a preferência a temperos como a erva doce e os cominhos. Arroz e grãos integrais. Frutas como a maçã, pêssegos, tâmaras, uvas ricas em boro são exemplos de boas frutas no equilíbrio da mulher na Menopausa. Feijão Mung, lentilhas, inhame, amêndoas pacificam e nutrem o Vata. As algas também são importantes a serem introduzidas na dieta como kombu, agar agar que possuem um grande teor mineral (zinco, magnésio, cálcio, iodina, L-tyrosina). Evitar estimulantes como cafeína, açúcares refinados, bebidas geladas. Saladas.

A nível de hábitos diários é importante que a mulher se deite cedo, cuide de si mesma com massagens com óleo de sésamo morno, pratique meditação e yoga. As caminhadas também são importantes, sobretudo se for em dias de sol moderado. Uma boa forma de manter a pele do rosto hidratada é utilizar gel de Aloé Vera e óleo de sésamo, já que a é a pele que mais tende para a formação de rugas. É necessário que as mulheres na menopausa tipo Vata pratiquem atividades de lazer, atividades que lhe nutram o coração e a mente. Comumente a nível físico manifesta-se secura vaginal, palpitações, sensações intensas de calor, secura, dores musculares, a osteoporose também pode ocorrer se não houver tratamento/prevenção.

A nível de fitoterapia Ayurvédica são indicadas a shatavari, a ashwagandha, a triphala, a brahmi, a gotu kola, a amalaki, o açafrão da índia, e o ginseng. É importante equilibrar o sistema reprodutor feminino, principalmente apostando em plantas que tonifiquem o sistema endócrino. Dentro desta categoria: Vitex Agnus Castus, Inhame Selvagem, Shatavari.

Menopausa de tipo Pitta

Os sintomas na menopausa deste tipo são na generalidade um temperamento mais quente, ao qual se associam, também sentimentos de raiva, irritabilidade, sensações de calor, suores noturnos, infeções urinárias e também alguma tendência para erupções cutâneas, perda/desequilíbrio de movimentos intestinais.

A nível de dieta deve ser aumentado o consumo de comida refrescante, manter um bomb2c678c6b7a9b122fc8c9ed721cd5dab consumo de água regular, beber bastantes sumos de frutas doces como uva, pera, ameixa, manga, melão. Relativamente a condimentos deve-se dar ênfase à canela, cardomomo, coentros e erva doce.

Evitar comida muito picante, quente e a ingestão de álcool. A nível de estilo de vida é recomendado uma boa gestão das rotinas de sono, sendo necessário que a mulher se deite antes das 22h, que receba massagens com óleo de coco ou grainha de uva. Deve equilibrar as suas emoções através da meditação, exercício físico e passear em dias com brisa suave. A Fitoterapia utilizada comumente neste caso é o Aloé Vera, Gotu Kola, Açafrão da índia, Sândalo e Shatavari.

Menopausa de tipo Kapha

Neste tipo de menopausa ocorrem normalmente sintomas como ganho de peso, lentidão, retenção de líquidos, preguiça, a depressão também é comum, falta de movimentação e digestões lentas.

A Dieta deve ser no geral leve, com comidas secas e aquecidas. Deve aumentar-se o consumo de frutas, grãos integrais, legumes e vegetais. Temperos como pimenta, canela, pimenta caiena, açafrão da índia, mostarda e gengibre também são importantes. Evitar o queijo, a carne, o açúcar, comidas e bebidas frias. Um jejum semanal neste tipo de menopausa também é importante. A nível de estilo de vida a mulher Kapha deve levantar-se cedo e massajar-se com óleo de mostarda e amêndoas doces.  A Fitoterapia recomendada inclui a Gugulu e mirra.

Suores noturnos

Os suores noturnos começam na perimenopausa, podendo prevalecer nos primeiros anos da menopausa em si, e ocorrem quando a mulher está a dormir e pode resultar no despertar com pijamas e roupa de cama húmidas. O suor noturno pode levar a um sono interrompido que irá induzir a mais ansiedade, tornando-a um fator causal tanto nas ondas de calor como nos suores noturnos.

Curiosamente, as ondas de calor e os suores noturnos ocorrem apenas numa parte das mulheres do mundo, como consequência do seu estilo de vida. Na perspetiva ayurvédica, estes sintomas são causados ​​por um desequilíbrio do Vata e pelo desequilíbrio do agni do corpo. As ondas de calor e suores noturnos são sinais de que existe uma má interpretação dos sinais do corpo e isto é frequentemente causado pelo Vata. Embora o Pitta seja frequentemente associado ao calor, os desequilíbrios deste humor provocam calor que depois permanece, sem flutuações. Em algumas mulheres, pode haver um Pitta nas profundezas dos tecidos, contudo, os sintomas das ondas de calor são mais intensos do que o calor habitual, e esse é o indicador de existe um aumento do Vata.

O Agni é muitas vezes chamado de fogo digestivo, contudo, neste caso refere-se tanto ao agni do sistema digestivo como ao agni metabólico, o fígado. Quando o agni do sistema digestivo se torna variável, surge uma dificuldade em digerir alimentos, e a tendência a formar ama. Ama é o termo usado para um subproduto tóxico da digestão imprópria ou incompleta, frequentemente a causa de irregularidades hormonais e danos nos tecidos, órgãos e sistemas do corpo. A ama é transportada do sistema digestivo para o fígado juntamente com os nutrientes da comida. O fígado é responsável por muitas funções no corpo, e ajudar na libertação de ama é um deles. O fígado é o lar dos cinco agnis elementares (Cinco Elementos) e o seu trabalho é converter os alimentos que ingerimos numa substância utilizável pelo corpo.

Quando a ama formada no sistema digestivo é levada para o fígado, prejudica a capacidade do mesmo em cumprir as suas inúmeras funções, tendo implicações no sangue, nas células e tecidos do corpo. Ao nível celular, a ama pode interferir na capacidade do corpo de reconhecer e responder apropriadamente às hormonas do sistema. Perante todo este processo é importante a reflexão de como tudo o que é ingerido tem um impacto fulcral sobre a tendência que o corpo vai ter de exprimir o excesso de ama através dos suores noturnos. Uma dieta equilibrada, e ajustada à constituição, assim como o exercício, e os processos de depuração regulares ajudam na vivência de uma transição para a menopausa mais simples e suave.

Secura Vaginal

dry-vaginal-problemA vagina é mantida húmida pelas membranas mucosas presentes na vagina. O estrogénio produzido no corpo feminino estimula os tecidos vaginais a manter a vagina húmida. Quando as mulheres atingem a idade da menopausa, os ovários produzem menos estrogénio, o que pode levar ao afinamento do revestimento vaginal tornando a vagina vulnerável a infeções, o que, por sua vez, causa problemas como a secura. Associada à secura surgem outros sintomas como prurido, irritação, sensação de ardor, dor, desconforto, leve sangramento e dor durante o sexo.

Existem vários fatores que podem influenciar a secura vaginal, nomeadamente, os diafragmas, a toma de antidepressivos, anti-histamínicos, descongestionantes e antibióticos, tratamentos de quimioterapia e radiação, os corantes e fragrâncias do papel higiénico e detergentes para a roupa, assim como os sabonetes, os pensos e tampões, e os preservativos.

Na medicina ayurvédica, Charaka descreveu uma condição chamada Suska yoni. Suska significa seco e yoni refere-se aos órgãos reprodutivos femininos. Se durante a relação sexual, a mulher suprime os seus impulsos naturais, o Vata fica agravado. Isso causa dor, obstrução à passagem das fezes e urina e secura vaginal. Para tratar este agravamento do Vata é recomendada a oleação, fomentação, enema medicamentoso ayurvédico e terapias que pacifiquem o Vata.

Algumas propostas de tratamento

– Oleação: A massagem com óleo de sésamo e sal preto é usada para pacificar o Vata e fornecer lubrificação natural. A oleação ajuda na mobilização do dosha viciado do local da morbidade.

– Fomento: A fomentação através de um tubo (nadi sweda) aplicada aos genitais. Água quente é aspergida sobre a testa, abdómen inferior e genitais. Isso ajuda a aliviar a dor e a inflamação.

– Tampões de ervas são dados à paciente para ela inserir na vagina. Isso ajuda a reduzir a inflamação, dor, infeção e rejuvenesce os tecidos. Massagem ayurvédica ou Abhyanga pode ser feita para restaurar a lubrificação.

– Enema: fazer um enema utilizando-se ervas pacificadoras de Vata. É altamente benéfico para pacificar o Vata, que é a principal causa de secura.

– Óleo de coco: é uma gordura saudável que ajuda a restaurar os níveis naturais de hidratação no corpo. Pode ser usado como um lubrificante vaginal natural ou como um complemento para o tratamento da condição. É uma ótima fonte de vitamina E, que é benéfico para promover a secreção natural e a humidificação dos tecidos vaginais.

– Triphala: Adicionar água morna ao pó de Triphala, e misturar os ingredientes. Lavar a vagina com esta solução para diminuir a sensação de ardor.

– Açafrão da índia: Este é um lubrificante vaginal caseiro eficaz para tratar a secura. O açafrão da índia é conhecido pelas suas propriedades antimicrobianas que protegem a vagina da infeção. Fazer uma pasta de açafrão e misturar com um creme hidratante ou gel de aloé vera. Em seguida, aplicar essa mistura na vagina.

– Guduchi (Tinospora cordifolia): Usar um tampão embebido em óleo de guduchi, que pode ser inserido na vagina ou administrado sob a forma de um duche vaginal. Usar este remédio somente sob a orientação de um profissional qualificado.

– Shatavari: Para a secura vaginal, pode-se usar um ghee medicado com shatavari orgânico, que pode ser aplicado localmente para melhorar a lubrificação.

– Ashwagandha: a Ashwagandha tem sido usada há anos para tratar uma variedade de condições de saúde, incluindo a menopausa. A planta ajuda a manter as paredes da vagina saudáveis ​​e flexíveis, previne a dor, o rasgo e a secura. Também alivia sintomas como ondas de calor, mau humor e insónia.

– Óleo de sésamo: é um excelente lubrificante vaginal natural. Use uma bola de algodão e mergulhe-a no óleo de sésamo. De seguida, aplique-o nas paredes vaginais e continue por uma semana. Esta é uma maneira incrível de fornecer lubrificação vaginal natural.

– Duche de Shatavari e Ashwagandha: Juntar a Shatavari e a Ashwagandha e fervê-los em óleo de sésamo, e depois de frio este óleo medicado pode ser usado ​​como um duche vaginal. Este remédio só deve ser feito seguindo a orientação de um praticante ayurvédico qualificado.

– Tribulus Terrestris: Acredita-se que a Gokshura contribua para a força física e sexual em geral, construindo todos os tecidos, especialmente o shukra dhatu ou tecido reprodutivo. É um caminho natural para curar a secura vaginal.

– Feno grego: O feno-grego é muito eficaz no tratamento da secura vaginal. Ele ajuda a restaurar os níveis de estrogénio no corpo e proporciona alívio natural para a condição. As sementes produzem um efeito semelhante ao estrogénio, que ajuda a aumentar a lubrificação vaginal. Encher uma colher de chá de sementes de feno-grego e deixá-las em água durante a noite. Beber a água pela manhã.

– Cominhos, coentros e sementes de erva-doce: Esta infusão contém fitoestrogénios naturais que sustentam o equilíbrio hormonal saudável. Utilize partes iguais de sementes de cominhos, coentros e erva-doce e deixe em água quente por dez minutos.

– Gel de aloé vera: o gel de Aloé vera é um remédio natural eficaz para a secura vaginal. O Aloé é um hidratante natural e reduz a secura e o prurido em torno da vagina. O sumo de aloé vera também pode ser ingerido para a redução dos sintomas.

– Óleo de Tea Tree. O tea tree oil é valioso no alívio da secura vaginal devido às suas propriedades antibacterianas. O uso deste óleo ajuda a eliminar as bactérias que causam a secura. Massaje os lábios internos, os lábios genitais e a abertura vaginal com uma pomada segura e de alta qualidade contendo uma pequena quantidade de óleo de melaleuca, ou adicione o tea tree oil a uma base de óleo de coco. Certificar a sensibilidade da pele antes de usar.

– Gotu Kola: A Gotu Kola ajuda a aliviar a secura vaginal, equilibrando os níveis de estrogénio. Para preparar uma infusão adicionando ½ colher de chá de ervas secas numa chávena de água quente por 10 minutos. Beber 2 chávenas diariamente. Para reduzir o sabor amargo do chá, adicionar limão ou mel.

 

Os tratamentos acima descritos só devem ser feitos sob a orientação de um praticante qualificado de Ayurveda.

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Ayurveda e as diferentes dimensões da Mente

ayurveda-vata-pittaNa visão da Medicina Ayurvédica todos os desequilíbrios (sharirika) têm para além de uma dimensão física, uma componente mental activa (manasika).

O exame da mente e das doenças psicológicas na Ayurveda é potencialmente tão complexo quanto o exame do corpo e das doenças físicas. Esta é uma observação penetrante e atenta que requer perícia, dado que requer a habilidade de compreender em profundidade o funcionamento da mente, que vai além dos aspectos físicos observados nos outros ramos da Ayurveda.

Dimensões da Mente

“Como o Sol que observa a Terra não é tocado pelas impurezas terrestres, assim também o Espírito que habita em todas as coisas não é tocado pelos sofrimentos externos”

Upanishades

Na Ayurveda, a mente é concebida a mente existindo em quatro níveis:

Chitta: ou Consciência. Ela funciona mesmo independente dos sentidos. Também é onde todas as memórias das nossas vidas passadas estão guardadas. Ela existe em todos os três corpos e funciona mesmo enquanto dormimos. Através da hipnose a nossa mente pode ser levada ao nível de Chitta. Ela representa a totalidade do nosso campo mental, contendo todas as emoções, hábitos, impressões e apegos profundamente enraizados em nós.

Manas: É aquela parte de nossa mente que está conectada com os sentidos, coordenando as

nossas actividades motoras e sensitivas, e está dominada pelas nossas emoções e opiniões. Ela

inclui a consciência sensorial externa ou “mente desejante”, assim como o nosso subconsciente e inconsciente pessoal. Ela expressa-se nas nossas capacidades de pensar, considerar, imaginar (samkalpavikalpa), nas nossas emoções e reacções primárias às impressões sensoriais. Este nível de Manas não existe no corpo causal, porque ela necessita de ser alimentada pelas impressões sensoriais.

AHANKAR: Literalmente significa “O fabricador do eu” e trata-se de um processo e não de uma realidade intrínseca. Ele é uma força necessária de diferenciação inerente à natureza, um estágio de evolução, mas não representa a verdade profunda ou real identidade das criaturas. Ele é a noção de “eu” por detrás dos outros pensamentos da mente. A sua acção é uma série de identificações do self ou aspecto subjectivo do nosso ser com alguma forma ou qualidade objectiva, tal como o corpo ou os vários estados mentais. Manas ou “mente externa” é uma série de reacções emocionais internalizadas. O ego (Ahamkar) apropria-se disso dizendo “eu gosto disso” ou “eu não gosto daquilo” etc. Desta forma o ego fornece energia para as reacções da mente. O seu aspecto positivo é que o ego possibilita uma mente com capacidade de foco. Ele ajuda a consciência a diferenciar-se da natureza externa. Contudo o ego é de facto uma das principais causas dos desequilíbrios e das doenças físicas e psicológicas.

Buddhi: Esta é a nossa faculdade de discernimento, a qual nos permite distinguir entre o

verdadeiro e o falso. Ela capacita-nos de estabelecer valores e princípios nas nossas vidas, os

quais são as bases da nossa consciência. Ela é nossa mente consciente e inteligência. Quando

dirigida externamente torna-se o intelecto e faz-nos discriminar os nomes e as formas do mundo externo. Quando dirigida para dentro ela torna-se a inteligência que nos faz discriminar entre o que está dentro de nós e fora de nós, e entre o que é aparente e o que é real. Quando dirigida externamente a sua função dá-se através de Manas (mente externa) e Ahamkara (ego) e não é independente deles. Porém, na sua essência é independente dos sentidos e existe em todos os três corpos (físico, subtil e causal).

Os três Gunas e a Mente

gunasConforme a criação se desenvolve, são formados três princípios básicos que sustentam toda a vida: as leis de criação, manutenção e dissolução. Tudo na vida nasce ou é criado, vive, e então morre. Esses princípios são conhecidos como Sattva, Rajas e Tamas e são chamadas de os três Gunas ou qualidades, atributos, tendências ou modos da criação e da natureza material. Toda a vida, humana ou celeste obedece a essas leis.

Os Gunas determinam a ressonância da nossa consciência, e a ressonância da nossa consciência determina nossa “realidade, ” este é o conhecimento mais importante da ciência dos Gunas. Os Gunas mostram as predisposições básicas da mente e as coisas que ela valoriza. No geral, a constituição mental segue a física. Porém, em alguns casos, a actividade mental pode ser mais forte do que o corpo.

• No nível físico, Sattva é harmonia; Rajas é actividade; Tamas é inércia.

• No nível mental, Sattva é verdade; Rajas é paixão; Tamas é indiferença.

As qualidades mentais dos Gunas são as seguintes:

Mente Sattvica

Sattva é capaz de produzir Luz. É na Luz de Sattva que vemos os nossos sonhos; Sattva é a luz onírica. Os olhos e todos os outros órgãos dos sentidos estão fechados, porém a escuridão não governa os sonhos. Por esse motivo, Sattva está ligado à melatonina, a hormona produzida pela glândula pineal. Sendo capaz de gerar Luz, Sattva remove a confusão ao proporcionar uma perspectiva clara. Quando Sattva predomina todos os sentimentos de inspiração para realizar-se alguma acção, bem como o apego desaparecem. Desaparece toda a inspiração para o trabalho, e toda a ignorância. Não há nada para fazer, nenhum lugar para onde ir, nenhum trabalho no qual mergulhar, nenhuma vontade de comer nem dormir, nenhuma confusão. Tudo o que permanece é luz e bem-venturança – as quais, por sua vez, criam mais luz, mais paz e maior tranquilidade.

Esta é uma mente harmoniosa. Sattva representa um estado de flexibilidade mental. A pessoa sáttvica é flexível e reage aos acontecimentos na hora em que eles acontecem; as suas reacções emocionais são proporcionais às situações. É uma pessoa aberta às coisas novas e não tem apego às suas opiniões; é pacífica e não gosta de entrar em conflitos; sente-se igualmente à vontade sozinha ou junto a outras pessoas; gosta da natureza e tem a mente em paz. Por isso, dorme bem e não se deixa abalar pelo passado nem pelo futuro. Tem bastante motivação, mas não em excesso. Tem confiança nas outras pessoas, mas sua intuição é aguçada e inteligência brilhante. A mente sáttvica é pura, clara e luminosa, e pode ser desenvolvida pela prática espiritual. É necessário um estilo de vida que promova o Guna sattva, associado a uma dieta alimentar que elimine as substâncias rajásicas e tamásicas.

Os alimentos Sáttvicos são aqueles que contribuem para a serenidade, promovem a vida, a força, a saúde, a felicidade e a satisfação. Proporcionam o essencial e mantêm o organismo doce e limpo. São os alimentos puros.

Mente Rajásica

Rajas tem o poder de dar energia. Este Guna motiva e inspira o trabalho. Contém na sua

natureza a dor, pois a dor só surge a partir da actividade. Quando Rajas é dominante

surge um grande ímpeto de energia e um imenso desejo de realizar trabalho, projectos e

actividades. A acção é o modo dominante.

Rajas representa por isso um estado activo da mente. A pessoa rajásica tende a ter o pensamento rígido e aferrar-se tenazmente às suas opiniões. Tende a reagir às situações com emoções que não se encaixam no contexto. Mentalmente é brilhante e agressiva. É activa e enérgica, mas muitas vezes não sabe quando vai parar ou ir mais devagar. Precisa de uma forte motivação para viver. No geral, vive ocupada com alguma coisa; considera o descanso como uma perda de tempo ou associa-o à depressão. A pessoa rajásica é capaz de fazer qualquer coisa para se curar, desde que tenha certeza que isso vai beneficiá-la e não vai reduzir-se a uma simples perda de tempo ou energia. Tem a capacidade de motivar os outros. O seu sono é perturbado, pois não põe freio aos pensamentos. Os alimentos Rajásicos contribuem para o

dinamismo e acção, mas podem causar dor, pesar e doença.

Mente Tamásica

Tamas é inerte. Este Guna é a fonte da resistência, dos obstáculos e das obstruções. Quando existe uma predominância de Tamas, o indivíduo sente preguiça e apego. Não se incomoda de ir a algum lado, e prefere permanecer onde está. Tamas representa um estado de inércia e estagnação mental. A pessoa tamásica é obtusa, revela pouca clareza mental. Não tem motivação e não é capaz de fazer nada se não for pressionada ou forçada (às vezes força-se a si mesma). Dorme demais, come demais e tende a exceder-se em tudo. Costuma sofrer de depressão emocional e é letárgica. O tratamento de qualquer pessoa tamásica é desafiante, a menos que tenha rajas em quantidade suficiente para provocar uma mudança. Os alimentos Tamásicos produzem a preguiça e a indolência. Todos os produtos farmacêuticos são tamásicos, assim como a carne e o álcool.

Nos níveis físicos, podemos correlacionar Tamas com o Corpúsculo ou a Partícula, e Rajas com a Onda (na dicotomia Partícula/Corpúsculo vs. Onda, da Física moderna) ou, então, Tamas com a Matéria e Rajas com a Energia; e, em qualquer dos casos, Sattva com a(s) lei(s) que tudo rege(m).

A influência dos Gunas e das suas subtis nuances podem ser comparadas à mistura das três cores básicas, amarelo, magenta e azul. Podem ser infinitamente misturadas, e a cada adição a cor muda. Realmente, cada espécie ou mesmo cada corpo individual pode ser comparado a um destas misturas específicas dos três Gunas. Os Gunas dão cor à nossa consciência, e a nossa consciência “colora” o nosso corpo. Isto é literalmente verdadeiro no caso do nosso corpo astral, que muda de cores de acordo com nossos estados de consciência. A energia subtil que flui no nosso corpo astral influencia a energia que flui no nosso corpo grosseiro.

A matriz dos desequilíbrios da Mente

Os desequilíbrios da mente (Manas vikruti) na psicologia ayurvédica são atribuídos a vários fatores. Estes incluem seguir uma dieta que cria mais desequilíbrio, combinação de alimentos incompatíveis, toxinas de emoções reprimidas, emoções não resolvidas, stress, trauma e maus hábitos de vida.

O desequilíbrio da mente pode ser equilibrado através da ingestão de uma dieta adequada ao Dosha da constituição de nascimento, meditação, seguindo uma rotina diária para equilibrar o Prakriti (Matriz) e fitoterapia. A Ayurveda oferece também remédios à base de plantas que podem ser usados para acalmar a mente.

Quando o paciente está a fazer uma medicação alopática deve consultar um médico ou terapeuta ayurvédico antes de começar a tomar suplementos de ervas. Algumas ervas tradicionalmente usadas para a mente são o Brahmi (na forma de pó, óleo ou tintura), Bhringraj (em pó ou como um óleo), Bacopa (em pó ou tintura) e Shankhapushpi.

Manas prakruti é a nossa constituição mental inata na psicologia ayurvédica. Essa constituição pode ser determinado pelo sexto nível do pulso. É descrito como um lótus de oito pétalas. Cada uma das oito pétalas está ligada a uma divindade védica e aos atributos dessa divindade. Esses atributos revelarão qualidades como compaixão, introspectiva, crítica, etc. A avaliação do pulso identificará quais dessas pétalas são ativadas. Um adepto ayurvédico praticante será capaz de identificar o manas prakruti através desta avaliação de pulso refinada.

A Mente e os três Humores

Psicologia Vata

Pessoas com desequilíbrio Vata na psicologia ayurvédica exibem sintomas de medo, solidão, ansiedade extrema, nervosismo, uma mente inquieta e insónia contínua. O paciente fala muito depressa, muda rapidamente de assunto durante uma conversa, tem tendência à síndrome das pernas inquietas e anseia por estimulação externa contínua. O paciente terá pele muito seca, unhas quebradiças e uma língua instável.

Psicologia Pitta

Pessoas com desequilíbrios Pitta na psicologia ayurvédica são propensos à raiva, crítica, julgamento, birras e análise sem fim. A pessoa Pitta fala de forma incisiva, impaciente e concisamente e espera o mesmo em troca. O paciente muitas vezes fica calvo ou prematuramente grisalho, tem tendência a verrugas, sardas e condições inflamatórias.

Psicologia Kapha

Os pacientes que apresentam desequilíbrios kapha na psicologia ayurvédica tendem a umtipo pesado de depressão, ganância, apego e letargia. Gostam de rotinas e são muito carinhosos e gentis. Os pacientes com Kapha andam e falam devagar e tendem a ganhar peso. Podem ponderar uma questão por algum tempo antes de responderem ou formarem uma opinião. Depois de tomarem uma decisão dificilmente mudam de opinião.

Pele – Beleza e Longevidade com a Ayurveda

O conceito de beleza no Ayurveda estende-se a todas as dimensões do Ser. A verdadeira beleza nasce da Alma e tem uma dimensão mais vasta e etérica. Aos cuidados com o corpo físico são acrescidos os cuidados com o equilíbrio emocional, mental e espiritual para uma expressão transversal e total do conceito de Beleza. Na dimensão filosófica da Ayurveda a Beleza surge então da relação equilibrada entre o ser humano e o meio ambiente, ampliando para uma consciência ecológica o impacto que todos os cuidados que temos connosco, tornando sagrados os nossos rituais de bem-estar.

Aurveda-for-skin-and-hairA pele é a face exterior do plasma ou rasa dathu em sânscrito, o primeiro dos tecidos do corpo. A saúde do plasma está relacionada com a nossa capacidade digestiva e a qualidade dos alimentos que ingerimos. À semelhança da pele, os cabelos e as unhas são também subprodutos dos nossos tecidos, e a sua beleza depende da sua boa formação, podendo-se determinar a saúde de uma pessoa através do brilho e vigor da sua pele. Neste contexto, todos os cuidados com a pele são também cuidados para a longevidade.

A pele está também relacionada com o sub-dosha de Pitta, o Brajak. Localizado sob a pele, ele regula a temperatura da superfície do corpo, controla as glândulas sudoríferas e ajuda o Vata a dar lustro à pele. Quando equilibrado, o Brajak Pitta proporciona uma pele corada, irradiando alegria e vitalidade.

A Pele e as diferentes Bioenergias

face VPKToda a matéria que vibra no Universo é composta pelos cinco elementos básicos – Éter, Ar, Fogo, Água e Terra – que por sua vez se sintetizam na constituição humana nas três bioenergias básicas (os doshas): Vata (éter, ar), Pitta (fogo e água) e Kapha (Terra e Água). Estas três Bioenergias (Doshas) são muito sensíveis a todas as alterações do meio ambiente, alterando-se em consonância com elas. O nosso corpo (nas suas várias dimensões: físico, emocional, mental, espiritual) é muito atmosférico, reagindo para se reajustar e equilibrar perante as mudanças ao longo do dia, dos meses, dos anos. De forma muito simplificada pode-se afirmar que os desequilíbrios (as doenças) surgem em função da maior ou menor capacidade e flexibilidade que cada corpo tem de se adaptar às alterações do seu meio envolvente.

A terapêutica da Ayurveda procura primeiro compreender a pessoa em todas as suas dimensões, descortinando a sua constituição, e com base nela encontra estratégias que fomentem a resposta natural do corpo em função da sua Bioenergia, e quando isso não acontece, complementa com tratamentos mais profundos as funções do corpo usando a natureza exterior para reequilibrar a natureza interior. Em função da predominância dos elementos básicos a pele de cada Bioenergia apresenta diferentes características:

dryskinNo Vata (Éter e Ar) a pele tende a ser frágil, seca, e com o tempo a falta de hidratação desenvolve mais rapidamente a tendência a escamação, rugas e manchas acinzentadas. É fria ao toque e muitas vezes este tipo de pele é mais propensa a experimentar secura excessiva, podendo apresentar fissuras ou úlceras, descamação e até mesmo eczema em períodos de stress.

PITTA SKINNo Pitta (Água e Fogo) a pele é normalmente oleosa, húmida, clara ou pálida, suave, quente ao toque, com fragilidade capilar, tendência a manchas avermelhadas e mais suscetível a inflamações. Este tipo de pele, quando em desequilíbrio, é mais propenso a erupções cutâneas, dermatites, acne e feridas.

Kapha-SkinNo Kapha (Água e Terra) a pele é espessa, resistente, oleosa e bem lubrificada, pálida, normalmente muito leve e fresca ao toque. A pele do Kapha em desequilíbrio pode apresentar edema, sendo visíveis os poros dilatados, cravos e verrugas.

 

A Pele e Estilo de Vida

Alimentação o que a pele gosta

A água e os alimentos são a principal fonte de nutrição para a pele recomendando-se, por isso, uma alimentação com base na sua Constituição ou Bioenergia (dosha) para prover à pele todos os nutrientes específicos de que necessita para se manter em equilíbrio. A Ayurveda recomenda alimentos frescos e sazonais que respeitem a compatibilidade com o Biótipo e evitem a geração de toxinas alimentares que serão naturalmente excretadas pela pele.

Sono, Exercício e Meditação

Um sono recuperador é uma componente básica para uma pele irradiante, já que as noites mal dormidas ficam claramente estampadas no nosso rosto. Torna-se por isso fundamental criar um Ritual de Sono, que incluam cuidados com a pele. Pode-se usar uma infusão de camomila para limpar a pele do rosto, e prepará-la para o repouso hidratando-a com gel de aloé vera e óleo de coco (ou outro óleo de acordo com a constituição da pessoa).

Praticar uma atividade física tem um enorme impacto sobre a saúde e vitalidade da pele. A transpiração é fundamental para libertar impurezas e toxinas do organismo e que ficam retidas na nossa pele. Desta forma a prática de exercício físico que fomente a transpiração é uma excelente forma de potenciar o suor como mecanismo de eliminação. O Yoga é o exercício habitualmente recomendado pela Ayurveda, enfatizando-se a adequação das posturas (asanas) à constituição de cada pessoa. As técnicas de respiração consciente praticadas no Pranayama são também potenciadoras de equilíbrio, e fomentam no corpo a expressão da pele que respira.

Uma das funções do timo é coadjuvar no nosso crescimento, na nossa imunidade, e no nosso sentido de plenitude e bem-estar. A tendência natural desta glândula é para diminuir de tamanho e reduzir a sua ação. Contudo alguns estudos recentes mostram que a glândula desacelera a sua diminuição nos corpos daqueles que meditam. A vibração, textura e vitalidade da pele irradia também os cuidados que provemos à nossa mente, e aos nossos corpos mais subtis.

Cuidados específicos com a pele

A tendência para a secura torna a pele do Vata especialmente vulnerável a mudanças no clima. A pele Vata deve ser protegida do calor e frio extremos, sobretudo do vento, e cuidada com substâncias mais emolientes para reter a sua humidade e os seus óleos naturais. Devem-se evitar banhos de água muito quente e usar sabonetes com um pH equilibrado, além de beber muita água para que a hidratação ocorra de dentro para fora. Adicionar folhas de hortelã ao banho quente com bastante vapor para abrir os poros e aumentar a circulação. O abacate é rico em antioxidantes, ácidos gordos e vitamina E também é ótimo para a pele Vata. Assim, podemos aplicar o abacate esmagado sobre a pele para a hidratar por 15 a 20 min, e depois lavar a pasta no banho.

A pele do Pitta deve ser mantida fresca e hidratada já que é muito suscetível a erupções cutâneas. Entre os cuidados com a pele Pitta incluem-se evitar substâncias muito oleosas e densas, assim como a exagerada exposição ao sol. A limpeza com água de rosas, uma esfoliação de açúcar e mel e hidratação com óleo de coco são ótimas opções.

A densidade da pele Kapha beneficia de uma limpeza mais frequente com substâncias adstringentes, já que tem tendência à acne. É importante por isso evitar os laticínios na sua dieta, assim como moderar a sua exposição ao sol e ao vento. Esta pele é favorecida por uma boa esfoliação com sal marinho e mel, assim como pela adição de açafrão da índia na alimentação.

Nos cuidados gerais com a pele o primeiro passo é de limpeza e higienização aplicando-se água de rosas. De seguida é aconselhável aplicar um óleo adequado para hidratá-la. Em terceiro lugar é preciso que a pele transpire, para isso pode-se vaporizar a pele com ervas medicinais.

No quotidiano a pele deverá ser nutrida e limpa através da utilização de óleo vegetal, recomendando-se o coco e a grainha de uva para Pitta, as amêndoas doces e mostarda para Kapha, e óleo de sésamo e rícino para Vata. Para as pessoas com uma pele Pitta ou Kapha a nutrição com óleo deverá ocorrer mesmo antes do duche, usufruindo da água quente do duche para abrir os poros permitindo uma penetração mais profunda do óleo. Para a Vata a oleação deverá ocorrer após o duche. Sendo uma pele mais seca necessitará que o óleo permaneça no corpo durante mais tempo.

O quarto passo é esfoliar o rosto. A esfoliação deve ser feita de acordo com cada tipo de pele. Se a pele for do tipo Vata é aconselhável triturar e misturar aveia (cereal exfoliante e nutritivo), lentilha amarela (ou feijão mungdal), amêndoas (fruto seco nutritivo, humedecedor, hidratante e regenerador) e água de rosas. No caso de a pele ser Pitta deve-se triturar e misturar aveia, lentilha amarela, tulsi (planta com propriedades calmantes e de prevenção de doenças da pele) e água de rosas. Se a pele for Kapha, o conselho é triturar e misturar milho, lentilha amarela (ou feijão mungdal), neem (planta antifúngica), mel e água de flor de laranjeira. Quando a pessoa tem manchas na pele pode-se misturar e triturar açafrão e sumo de limão.

Depois de esfoliar é tempo de limpar e tonificar a pele com água de rosas. O sexto passo é só para as peles Vata e Pitta: pode-se aplicar uma máscara nutritiva feita com ghee (manteiga clarificada), banana e manga, ou então uma pasta de arroz cozido e ghee e deixar actuar durante 15 minutos. O sétimo passo prevê a nova aplicação de vários tipos de óleo com propriedades nutritivas e hidratantes de acordo com a bioenergia da pessoa.

Algumas receitas caseiras

Óleo de coco para hidratar a pele diariamente: utilize óleo de coco para hidratar o rosto. Além de causar uma sensação refrescante ele é leve, resultando numa pele hidratada, mas sem excessos. Aplique-o em pequenas quantidades, espalhando por toda a face. Deixe-o agir por alguns minutos e retire-o lavando o rosto.

Esfoliação com açúcar mascavado: este processo ajuda na renovação celular e na retenção da humidade natural da pele, deixando-a com uma aparência mais hidratada. Se desejar, misture com pétalas de rosas ou mesmo com o seu creme favorito.

Leite integral para acalmar e limpar o rosto: utilizando algodão, aplique leite integral por toda a sua face. O leite ajuda a remover impurezas impercetíveis a olho nu, garantindo brilho à sua pele.

Óleo de neem para acalmar pele irritada ou inflamada: utilize hastes flexíveis para aplicar o óleo na região inflamada ou irritada, deixando-o agir durante a noite. Além disso, é uma ótima opção como secativo de borbulhas e outros tipos de erupção cutânea.

Aloé Vera para tonificar a pele diariamente: muito utilizada para queimaduras solares, a Aloé Vera é um ótimo recurso para garantir tonicidade à pele. Ele amacia e rejuvenesce a pele.

turmericAçafrão-da-terra + sândalo contra acne: prepare uma pasta com 1 colher de açafrão-da-índia e 1 colher de sândalo adicionando água. Aplique em todo o rosto e deixe-a agir por 15 a 20 minutos. Passado este tempo, lave o rosto com água morna. Repita este procedimento diariamente para conseguir um bom controle da acne.

Batatas para diminuir manchas do rosto: ótimo clareador natural, a batata é considerada um dos melhores remédios ayurvédicos para uma pele com brilho natural. Basta esfregar gentilmente uma fatia de batata crua nos locais com manchas e hiperpigmentação.

Mel para hidratar a pele e evitar rugas: excelente humectante natural, o mel pode ajudar a conquistar uma pele mais macia e hidratada, além de ser muito útil para evitar rugas e tratar áreas de secura extrema. Basta aplicá-lo à região desejada, deixar agir por alguns minutos e retirá-lo com o auxílio de água morna e sabonete.

 

É importante lembrar, que segundo a Ayurveda, o corpo leva de 3 a 5 anos para se adaptar a mudanças de hábitos e a alterações climáticas. Por esse motivo sugere-se que as transições de estilo de vida sejam realizadas de forma suave e gradual, para potenciar os lentos processos de desintoxicação, entre mudanças, fomentado os sistemas naturais de purificação e saúde de forma consciente. Uma alimentação saudável aliada a um estilo de vida adequado resultará em beleza e longevidade em todo o corpo.

 

Mantraterapia: Som, Vibração e Energia

O som é a ferramenta natural mais simples e capaz de alterar o nosso estado de espírito, o nosso humor e o das pessoas e ambiente à nossa volta. No ventre, o som, a vibração da voz da nossa mãe, o seu ritmo cardíaco, as suas ondas emocionais, a orquestra dos seus órgãos em funcionamento, das células que nascem e morrem, começaram por ser o nosso primeiro contacto com a riqueza vibracional do mundo exterior. A vibração sonora é a matéria prima com que criamos a nossa biblioteca de memórias, interiorizamos escalas de emoções, e geramos os primeiros padrões da nossa inteligência emocional, armazenando e edificando um conhecimento baseado nas entoações e expressões usadas pelos nossos pais e cuidadores, construindo assim a estrutura do nosso léxico emocional.

Esse léxico vibracional e emocional tem lugar cativo nas nossas moléculas de água, e torna-se uma parte estruturada e inconsciente dos nossos padrões de emoção e reação. Mimetizamos as expressões e entoações dos nossos ancestrais reproduzindo um património de memórias acumuladas pela nossa genealogia específica, que conseguimos reativar através da reverberação da nossa (imensa) água interna. Cada pessoa herda assim uma escala específica de sons agregados por gerações, que se exprime em parte através da frase melódica que constitui o nosso nome. O nosso nome (completo) exprime tanto essa tremenda memória vibracional (nos apelidos) como adiciona o nosso padrão único de vibração (os nomes próprios), complementado pela sinfonia do nosso corpo em pleno funcionamento. O nosso nome é o nosso mantra pessoal!  Assim, a personalidade pode também ser definida pela forma única como vibramos e criamos padrões eletromagnéticos diferenciados, transmitindo uma impressão singular, ímpar, identificadora da nossa unicidade.

Dar corpo à Voz

Tudo à nossa volta gera ondas, reação, vibração. Tudo vibra de facto. O corpo humano é uma caixa de som, um aparelho de ressonância capaz de produzir uma escala de 52 sons essenciais que constituem a base as frequências verbais. A palavra falada, apesar de emitida ao nível da garganta, reverbera pelo o nosso corpo inteiro. Falamos com o corpo todo.

WhiteTaraMantraCircleOs Vedas – as escrituras sagradas do Hinduísmo – foram escritos em versos, cânticos tradicionalmente transmitidos na sua versão oral, que mantinham assim viva a mensagem da Criação, e ativavam o poder terapêutico das palavras neles contidas. Os mantras contidos nos Vedas tinham – para além do seu intuito educativo e religioso – a intenção de reorganizarem o padrão vibracional daquele que os recitasse devolvendo-lhe assim a sua clareza mental, a sua homeostase, a sua saúde.

Quando cantamos ou falamos criamos som, vibração, estímulos que por sua vez criam mudanças no fluxo de energia dentro dos órgãos vitais e nas glândulas. Existem sons que associamos a determinados estados emocionais, e a reprodução desses sons induz à sensação a eles aliada. Da mesma forma, a estrutura da nossa personalidade e do nosso ego cristalizou determinados padrões vibratórios com os quais ressoa, padrões mais sombrios e tóxicos formados em momentos em que sofremos algum tipo de transtorno emocional, gerando muitas vezes crenças limitadoras sedimentadas, e no corpo físico, patologia. No processo de interromper esses padrões vibratórios, diluirmos dramas cristalizados e libertarmo-nos de memórias trazendo-as à consciência, podemos usar a mantraterapia.

A palavra tem um poder criativo muito próprio; tanto pode ser edificadora como destrutiva. A Mantraterapia tem subjacente a intenção de se usar o poder regenerador da palavra viva, activa, consciente que faz vibrar centros específicos no corpo, abrindo espaço à mudança e à libertação dos nossos padrões inconscientes.

A Mantraterapia faz parte dos primórdios terapêuticos da Ayurveda enquadrando-a também como uma Medicina Vibracional. O Mantra gera foco na mente, e potencializa uma atitude concentrada, equilibrada, Presente no seu praticante.

A prática da Mantraterapia pode ser coadjuvada pelo uso de um japa mala – um colar semelhante a um rosário que instiga ao foco e à presença – contando com 108 contas, ou seja, as vezes que o mantra deve ser repetido, tanto sussurrado, cantado, ou recantado mentalmente. A repetição de um mantra terapêutico vai limpando a memória cristalizada e sombria, reprogramando-a com uma mensagem mais positiva, saudável, feliz.

Os sábios praticantes e transmissores da Mantraterapia consideravam a pronúncia e articulação correta das palavras, fundamental para o efeito pleno da sua ação, reforçando um carácter mágico, transcendente na atuação do mantra no corpo e na mente. Felizmente existem também Mestres que enfatizam que a intenção e a pureza da mente daquele que pratica a Mantraterapia, ressalvando a sua atuação e eficiência em quem pratica focado no coração. Mentes que vibram de forma mais focalizada e feliz produzem harmonia e equilíbrio à sua volta.

Mantraterapia no quotidiano: Quem canta seus males espanta

Cantar de peito aberto, cantar com a Alma, cantar de plenos pulmões. Quando cantamos com o coração, o nosso esterno tem tendência a vibrar. Essa vibração aumenta a eficiência do mantra sobre os nossos órgãos vitais que acolhem as ondas vibratórias curativas, e reajustam o pulsar da sua atividade para um ritmo mais equilibrado.

Na mente, o mantra tem uma atuação ainda mais significativa já que – à semelhança da Meditação, e em confluência com ela – ele ajuda a produzir estados alterados de consciência, serenando a mente, evitando que ela disperse em cadeias de pensamento inúteis, ao mesmo tempo que a eleva e a sintoniza com a sua paz interior.

Existem mantras construídos desde de tempos imemoriais, constituídos por arranjos de sílabas sagradas, variando de uma até vários milhares de sílabas. Muitos desses mantras são aparentemente vazios de sentido, pois a sua intenção é evitar a promoção de pensamentos conceptuais, possuindo antes uma relação misteriosa com o estado vibratório e a consciência de quem os usa.

Os mantras são profundamente adequados ao uso quotidiano, podendo estar presentes desde que despertamos, no banho, na intenção que damos ao alimento quando o cozinhamos, quando conduzimos, e obviamente, quando meditamos. A sua ativação é mais intensa quando colocamos uma intenção na sua entoação, e tanto os podemos cantar em voz alta, sussurrá-los, como repeti-los mentalmente. Podemos dirigir o som e a vibração para uma zona específica do nosso corpo, através da nossa intenção, e é a sua repetição que realmente proporciona reverberações que ajudam a renovar tecidos e a revigorar o corpo e a mente.

Alguns exemplos de mantras ancestrais e atuais:

OM SYMBOL

OM

“No princípio era o Verbo (OM), e o Verbo estava com Deus (Brahman), e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. (João 1.1-3).” Nas escrituras védicas aprendemos que o mantra original é o OM, formado pelas três letras A, U, M; significando: Brahma, Vishnu, Shiva – o princípio da criação, manutenção e dissolução (ou absorção) do Universo. A partir do Om nascem todos os outros mantras. Os mantras monossilábicos são chamados de bijas (semente), e o Om é o bija, a fonte dos restantes bijas. Diz-se atualmente que o Om tem a vibração 8Hz, semelhante à Ressonância Schumann (7,83Hz), ressonância em que vibra o campo eletromagnético no nosso planeta.

om mani

 

OM MANI PADME HUM (tibetano) – mantra para harmonizar os Chakras e iluminação

 

om tare tutare soha

 

OM TARE TUTTARE TURE SOHA (tibetano) – produz modificações no nosso interior e em todo o universo à nossa volta, para além de ser um mantra de cura

mahamantra Hare Krishna

Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare  Hare (sânscrito) – Chamado de Mahamantra, o Grande Mantra, evoca pureza mental e o mérito (punya) necessários para que a pessoa possa encontrar um bom professor e tenha a capacidade de entender os seus ensinamentos.

 

gayatri-mantraO Gayatri Mantra é um dos mantras mais conhecidos e usados na Índia, porque é considerado o mais poderoso e criativo, servindo para todos os propósitos. Para além disso ele promove o desenvolvimento do siddhi (poder) da cura:

OM BHUR BHUVAH SWAH, TAT SAVITUR VARENYAM, BHARGO DEVASYA DHI MAHI, DHIYO YO NA PRACHODAYAT

ho_oponopono2copyMantra Ho’oponopono adaptado ao Abraço da Paz:

Este é o mantra da aceitação e do perdão hawaiano e pode ser aplicado a nós mesmos, e/ou a pessoas, situações que necessitem que pratiquemos a energia do perdão e do desapego.

EU AMO-ME (Eu Amo-te), EU PERDOO-ME (Eu Perdoo-te), EU AGRADEÇO-ME (Eu Agradeço-te), EU RESPEITO-ME (Eu Respeito-te), EU LIBERTO-ME (Eu Liberto-te), EU ACEITO-ME TAL COMO EU SOU (Eu Aceito-te tal como Tu És)

A Grande Invocação, e o cristal de água por ela produzido:

O propósito último do mantra é assistir o trabalho interior de quem já escolheu encontrar-se com a sua própria divindade. Nesse caminho podemos criar no quotidiano as nossas próprias afirmações, os nossos próprios mantras: “Eu Sou o meu próprio Centro”, “Eu Sou Serenidade”, “Eu Sou Amor”, “Eu Sou”

Mente e Mantra

O nosso cérebro é capaz de segregar muitos dos químicos utilizados externamente em tratamentos médicos. A utilização dos químicos baseia-me na intenção de estimular ou substituir algumas dos químicos naturais produzidos pelo cérebro, melhorando e incrementando o seu funcionamento. As secreções naturais do cérebro produzem com simplicidade bem-estar, saúde e uma sensação geral de serenidade. Nas práticas do Yoga e Ayurveda a promoção dessas secreções salutares é estimulada através de algumas ervas, alimentos especiais, pranayama, posturas, meditação e mantras.

dhanwantariNo Ayurveda, a secreção gerada por uma mente harmonizada é denominada de amrita –  o nosso néctar imortal, elixir da longevidade, uma água subtil e purificada, capaz de renovar, rejuvenescer e revitalizar o corpo e a mente, criando um fluxo de bem-aventurança e bem-estar, movendo-se através dos nadis ou canais do corpo sutil e pelo sistema nervoso, preenchendo-os com uma sensação de êxtase e bem-estar. Esta substância aparece associada a um subdosha de Kapha, Tarpak Kapha que por sua vez surge associado ao conceito de Ojas, a essência de todos os tecidos, concentrando força, nutrição e vitalidade. O amrita é o produto de uma mente limpa, de uma consciência evoluída, em ressonância com o Universo.

Por detrás de todas as práticas da rotina diária no Ayurveda está o foco na promoção de um corpo saudável, uma mente lúcida, criativa, e uma consciência desperta, disponível para incrementar a paz em torno de si, a partir da partilha da sua própria experiência. A abordagem ancestral e visionária do Ayurveda baseia-se na contemplação da Natureza e do seu reflexo e impacto no Homem, e uma forma clara e compreensível de fomentarmos a felicidade quotidiana, está na assunção da responsabilidade de treinarmos os nossos pensamentos, a nossa mente, o curso das nossas intenções utilizando uma técnica revolucionariamente simples: o Mantra.

Webgrafia e Bibliografia:
https://liveanddare.com/mantra-meditation
http://www.masaru-emoto.net/english/water-crystal.html
http://collectivepsyche.com/2015/11/cymatics-mantra-tapping-into-matter-with-sound-vibrations/
http://www.cymatronsoundhealing.com/science-of-cymatics.html
http://www.hazrat-inayat-khan.org/php/views.php?h1=11&h2=7&h3=6
http://balance.chakrahealingsounds.com/om-solfeggio-schumann-resonance-meditations/
Soma in Yoga and Ayurveda (David Frawley, Lotus Press 2012)

 

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10 steps on the path back to yourself

We are all prodigal sons in search of the Grail, the amrita, the elixir of the long life, the path which will take us back to our Center, House of our Heart – Home Sweet Home of Plenitude. What if, when we arrived at this Sacred House, and when we lit the Light that illuminates this Sweet Home, we discovered that the House, the Center, which we had long been looking for, was always within us? And that the step that separated us from reaching our purest, enlightened, awakened dimension was always within our reach? What if we find that the path, instead of arduous, confusing, frustrating, can instead be (by our conscious choice) calm, focused, coherent, adjusted to our Essence?

Ayurveda is an ancestral wisdom geared to a visionary purpose: to transport each of us on its own golden path back to ourselves in the most holistic, gentle, responsible and coherent way possible. The focus of this path is the enlightened, conscious choices we make on each and every step of our daily lives. Everything matters! If we turned off the light when we left the room; if we separated the trash; if we consciously decide to eat the fruit as a snack; if we went back to return the cell phone that someone lost; if we blessed the stranger who asked for help. There are a serie of small steps, which by their persevering repetition opens up this pure and profound dimension of our Full Being.

One | Get grounded

Developing mindfulness is the first step back to ourselves. When we walk down the street, and we are fully present, Here and Now, we are freer to make the right choice. Barefoot whenever you can. And even with your shoes on visualize your roots of light growing under the soles of your feet and scattering in depth. Visualize an anchor, a strand of golden light that comes out of your Essence connecting your first chakra to the center of the Earth. Make rooting and anchoring the first gesture you perform when you wake up. Find an object you usually bring on, and use it to revive the intention (and memory) of anchoring and rooting your energy. Connecting with yourself is taking responsibility for choosing, for becoming a priority in your own life.

Two | Meditate

Start slowly. Remember that you have several bodies, and not everyone of them knows they want and like to meditate. Meditation enhances the mind’s ability to focus, yet the physical body also needs to learn to meditate. Be kind to him. Be gentle with his impatience. Start with 1 minute of meditation, and leave the meditation time slowly grow as meditation moves from obligation to pleasure. The body loves to meditate, yet this pleasure may still be undiscovered. Sing. Do Mantra. Laugh. Laughter opens the space of Meditation, empties the mind. Help the body physically feel the freshness of a cleared and showered mind. Over time the body will be the first to yearn for this moment of purity, tranquility, of inner hygiene.

Three | Prana – Breathe

Breathing could have been added to both rooting and meditation. Breathing is fundamental in the process of connecting to the electromagnetic field of Earth, it favors and is implicit in the meditative process. Since breathing is usually an unconscious process, whenever you breathe consciously you realize that attention to inspiration / expiration alters your attention, your awareness, and your mood. Breathing deeply for a few minutes immediately produces the effect of alkalizing the blood, resulting in a more present and serene mood. Breathing is much more than filling our lungs with air. Breathing imbues you with Prana, vital force, soul, fundamental to maintain the Joy and the will to live. Breathing brings you to our Presence. Relax, take a deep breath as soon as you wake up. Take a deep breath in all the little gestures of your daily life. Use your breath to rebalance during the day.

Four | Vata, Pitta & Kapha | Know yourself

There are many ways you can develop our self-knowledge. Ayurveda is one of the great trees of wisdom that offers in its fruits the light of the individual’s self-understanding. The Five Elements (Ether, Air, Fire, Water and Earth) express the different vibrational intensities of Matter (Prakriti). These Five Elements combine and form three bioenergies – Vata, Pitta and Kapha – through which all materialized forms, including humans, are recognized and categorized in Ayurveda. Each individualized Being/Self (Ahamkar) comes to express a unique combination of these bionergies, so it is important that in your interaction with the outside world, you can start from self-knowledge of how you vibrate, what harmonizes you, and what unbalances you. To know who You are allows you to take responsibility for your choices, develop tolerance for yourself and others, and walk more serenely and securely in the World.

Five | Sattva, Rajas & Tamas | Embrace change… gently

Sattva, Rajas and Tamas are the three qualities of vibranting matter. It can be said that Sattva is equilibrium / light, Rajas is movement, and Tamas is inertia. When each of them vibrates in its proper proportion you find consonance in various aspects of your Life. In a harmonious daily life the adaptability of Sattva prevails widely. When you are sattvic, you gently embrace the change, surrender yourself with confidence at every turn of the road. However, in order to reach the equilibrium of Sattva you need some movement, you need enough Rajas. Excessive movement, however, intensifies the day-to-day and brings agitation and imbalance. And everything can become more complex when there is no movement – Tamas, and inertia, and shadow dominates.

You need therefore a little Rajas, to overcome the inertia of Tamas, and through this you will reach your pure and brilliant Light in Sattva. A little yoga, dancing, a few laps in the pool, a few kung-fu steps, a walk … Book daily for a healthy and inspiring movement, and allow the brightness and light of Sattva prevail in your daily life .

Six | Eat Mindfully

Food is sacred. Food is also memory, information. All water molecules, of all foods, carry their history, which becomes your history, after you imbue yourself with their energy. You impregnate yourself every day of the Sun that each food assimilated and synthesized in its structure, the happiness that absorbed when being sown, harvested, cooked. The more aware you are, the more easily you are able to choose the foods that are suitable to nourish your physical vehicle, and for the maintenance of your vitality. The sattvic foods are those which are fresh, pure, biological, genuine, unprocessed, full of Prana.

More than what you eat, you are what you assimilate. In Ayurveda, proper assimilation of food is the major focus of the digestive process. You can make the right choice of food, but if your assimilation is insufficient, you benefit very little from all the Prana that is offered through food. Breathe before you eat, bless all the food you taste, and your Agni will shine bright.

Seven | Detox

Over the course of a year, your body reaches and tastes an absurd diversity of food. If you take into account that each food brings a wealth of information which loads your five senses, you understand that the body accumulates these immense ‘records’, and compacts them in your unconscious mind, such as a memory of a cell phone or PC. Of course these ‘records’, this saturated memory needs to be cleaned, so that the processing of food takes place in an efficient and integral way. Your gut is your emotional ‘brain’, and when your walls are congested, the processing of all external and internal information becomes conditioned. Your feelings and emotions, your thoughts and ideas, your inner alignment and your spirituality, loses clarity and coherence.

It is important to perform a regular detox, and every bioenergy – Vata, Pitta and Kapha – needs a suitable method to its vibration. Drinking warm water, eating fresh fruit (organic), making smoothies can be ways to detoxify. In Ayurveda it is customary to use Triphala to help this process, however consult a therapist or doctor for the right intake of this complex. Regular detox helps to transmute, regenerate and rejuvenate your different bodies, and this purification should be performed regularly in order to maintain fullness, vitality, the overall health of the body.

Eight | Surrender

Every human being is a multidimensional portal. We all bring bounding beliefs deeply ingrained, we all bring the need to control, we all bring expectations, and tremendous programming included and unconscious, fruits and heritages both of our karma – Law of Cause and Effect – as of the experiences that as Soul we choose to accomplish in our process of self-realization. We bring within us both the dimension of Light and Shadow, which are revealed in the various masks we wear in different contexts of our life. The first part of the path of self-knowledge goes a long way towards learning to accept yourself in your different and various dimensions, to accept your Shadow, to heal and cherish your inner child, and to find cohesion and coherence, to finally know who You are in your deep Essence. It is a path that begins by being lonely, but that transmutes into solitude when you learn to be your best traveling companion.

The evolutionary and qualitative leap happens, however, when you learn to share yourself with others, with each other. When you learn to surrender, when you allow yourself to become fragile, to become vulnerable, when you allow the other to ‘See’ you in your Essence, with the pros and cons, the virtues and the personal shapes, the transparency, and even so accept him/her, just as he/she accepts you, both by his/her Light, and by his/her Shadow (especially by his/her shadow), and surrender yourself naked, modest, humble, unconditioned, without ego. Intimate relationships are the perfect space to enhance your spiritual growth. The other is your mirror; he/she gently reveals your blind spot so that you may become aware of it and move forward and grow as a person. In Ayurveda, the development of a conscious and therapeutic sexuality is a pillar that sustains individual development, and it also has a direct impact on the community. The correct and balanced management of our intimacy is therefore a primordial field of expansion of our personal consciousness, as it plays a fundamental role in the development of family, community, social, global harmony.

Nine | Trust, Be grateful, Accept

When you accept responsibility for your choices, when you accept that nothing happens by chance, that you can’t blame anyone eles for your actions and choices, and that your happiness does not depend on external factors, you begin to accept yourself as you are. And when you begin to accept yourself as you are, you begin to feel that everything, really everything in your daily life is a blessing, and that you both give thanks to a ‘grace’ as to a ‘misfortune’, because you accept and understand and sense, that everything brings you an opportunity to know yourself better, to choose better also, and that this choice brings true freedom implied. And when you begin to accept yourself as you are, you begin to trust, you begin to intuit, you begin to feel that you have always been with yourself, and that the work you have been doing is the result of a co-creation, which for a long, long time has been unconscious on your side. When you take responsibility for your role in the co-creative process, you allow harmony, balance, clarity to become more and more present in your daily life.

Ten | Preserve & Simplify

I could also say, declutter. All the objects that you have around you are reflected inside your mind as spatial reference objects, to which often you also associate emotional value. These objects ‘fill’ the mind, overwhelm the memory, and leave little room for creativity, imagination, for your Essence.

árvore florAnd they also fill the earth. They also flood this sacred soil with unnecessary rubble, which pollutes, unbalances our natural space. Earth is an extension of your physical body. Would you like to have your body so cluttered? Air, Fire, Water, Earth are essential to Life, and these resources need to be preserved. Treat them with the affection and love that you would give your children, and with the respect that our elders deserve. The achievement of simplicity is in itself a journey.

Ayurveda is a visionary tree of knowledge, which expresses itself as an Inspirational Path, a Evolutionary Love, an impregnated Responsibility, and manifests itself as healing, as panacea, as Light, which applied daily, simplifies, moderates and materializes a path of self-knowledge which reaches and enriches us physically, emotionally, mentally and spiritually.

ayurveda doce ayurveda | 10 passos para o retorno a nós mesmos

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Somos todos filhos pródigos em busca do Graal, do amrita, do elixir da longa vida, do caminho nos leve de retorno ao nosso Centro, Casa do nosso Coração –  Lar doce Lar da Plenitude. E se, ao chegarmos a Casa, e ao acendermos a Luz que alumia esse Lar Sagrado, descobríssemos que a Casa, o Centro, que por longas caminhadas procurámos fora, esteve sempre dentro de nós? E que o passo que nos separava de alcançarmos a nossa dimensão mais pura, iluminada, desperta esteve sempre ao nosso alcance? E se descobríssemos que o caminho, em vez de árduo, confuso, frustrante, pode antes ser (mediante a nossa escolha consciente), calmo, focado, coerente, ajustado à nossa Essência?

A Ayurveda é uma sabedoria ancestral votada a um propósito visionário: transportar cada um de nós na sua senda dourada de retorno a nós mesmos da forma mais holística, suave, individual, responsável e coerente possível. O foco deste caminho são as escolhas iluminadas, conscientes que fazemos a cada pequeno passo do nosso quotidiano. Tudo importa! Se desligámos a luz quando saímos da sala; se separámos o lixo; se decidimos conscientemente comer a fruta como snack; se voltámos atrás para devolver o telemóvel que alguém perdeu; se abençoámos o estranho que pedia ajuda. Existem uma série de pequenos passos, que pela sua perseverante repetição abrem esta dimensão pura e profunda do nosso Ser Pleno.

Um | Enraíza-te

Desenvolveres a atenção plena é o primeiro passo de retorno a ti próprio. Quando caminhas pela rua, e estás presente, no Aqui e no Agora, és mais livre para fazeres as escolhas certas. Descalça-te sempre que puderes. E mesmo calçado/a visualiza as tuas raízes de luz a crescerem sob as plantas dos teus pés e a espalharem-se em profundidade. Visualiza uma âncora, um cordão de luz dourada que sai da tua Essência ligando o teu primeiro chakra ao centro da Terra. Torna o enraizamento e a ancoragem o primeiro gesto que realizas quando acordas. Encontra um objecto que tragas habitualmente contigo, e usa-o para reavivar a intenção (e a memória) de ancorares e enraizares a tua energia.  Conectares-te é tomares a responsabilidade de te escolheres, de te tornares a prioridade na tua própria vida.

Dois | Medita

Começa devagar. Lembra-te que tens vários corpos, e que nem todos sabem que querem e gostam de meditar. A Meditação potencializa a capacidade de foco da mente, contudo o corpo físico também precisa de aprender a meditar. Sê gentil com ele. Sê gentil com a impaciência dele. Começa com 1 minuto de meditação, e deixa o tempo em que meditas ir crescendo à medida que a meditação passa de obrigação a prazer. O corpo adora meditar, contudo esse prazer pode ainda estar por descobrir. Canta. Mantra. Ri. O riso abre o espaço da Meditação, esvazia a mente. Ajuda o corpo a sentir fisicamente a frescura do duche da mente. Com o tempo o corpo será o primeiro a ansiar por esse momento de pureza, tranquilidade, de higiene interior.

Três | Prana – Respira

A respiração poderia vir agregada tanto ao enraizamento como à meditação. Respirares é fundamental no processo de te conectares ao campo electromagnético da Terra, favorece e está implícito ao processo meditativo. Sendo a respiração um processo habitualmente inconsciente, sempre que fazes uma respiração consciente podes perceber que atenção dada à inspiração/expiração altera a tua atenção, a tua consciência e o teu humor. Inspirar profundamente durante uns minutos produz imediatamente o efeito de alcalinizar o sangue, resultando num estado de espírito mais presente e sereno. Respirar é muito mais do que encheres os pulmões de ar. Respirar impregna-te de Prana, de força vital, anímica, fundamental para manteres a Alegria e a vontade de viver. Respirar traz-te à tua Presença. Espreguiça-te, respira fundo logo depois de acordares. Respira fundo em todos os pequenos gestos do teu quotidiano. Usa a respiração para te reequilibrares durante o dia.

Quatro | Vata, Pitta e Kapha | Conhece-te a ti mesma/o

Existem muitas formas de desenvolvermos o nosso autoconhecimento. A Ayurveda é uma das grandes árvores de sabedoria que oferece nos seus frutos a luz da auto-compreensão do indivíduo. Os Cinco Elementos (Éter, Ar, Fogo, Água e Terra) exprimem as diferentes intensidades de vibração da Matéria (Prakriti). Estes Cincos Elementos combinam-se e formam três bioenergias – Vata, Pitta e Kapha – através das quais na Ayurveda são reconhecidas e categorizadas todas as formas materializadas, incluindo o ser humano. Cada Ser individualizado (Ahamkar) vem expressar uma combinação única destas bionergias, sendo por isso importante que na tua interacção com o mundo exterior, possas partir do autoconhecimento de como vibras, o que te harmoniza, e o que te desequilibra. Saberes quem És permite-te assumires a responsabilidade pelas tuas escolhas, desenvolveres a tolerância para contigo e para com os outros, e caminhares de forma mais serena e segura no Mundo.

Cinco | Sattva, Rajas e Tamas | Abraça a mudança… suavemente

Sattva, Rajas e Tamas são as três qualidades da matéria vibrante. Pode-se dizer que Sattva é equilíbrio/luz, Rajas é movimento, e Tamas é inércia. Quando cada das qualidades vibra na sua devida proporção encontras a consonância nos vários aspectos da tua Vida. Num quotidiano harmonioso a adaptabilidade de Sattva impera largamente. Quando estás sattvico abraças suavemente a mudança, entregas-te com confiança a cada curva do caminho. Contudo para alcançares o equilíbrio de Sattva precisas de algum movimento, precisas de Rajas qb. Movimento em excesso, no entanto, intensifica o dia-a-dia e traz agitação e desequilíbrio. E tudo pode tornar-se mais complexo quando há ausência de movimento – Tamas , e a inércia, e a sombra imperam.

Precisas por isso de um pouco de Rajas, para venceres a inércia de Tamas, e desta forma alcançares a tua Luz pura e brilhante em Sattva. Um pouco de Yoga, Dança, Tai-Chi, umas braçadas na piscina, uns passos de Kung-fu, uma caminhada… Reserva diariamente um tempo para manteres um movimento saudável e inspirador, e permitires que o brilho e a luz de Sattva predominem no teu quotidiano.

Seis | Alimenta-te Conscientemente

O alimento é sagrado. O alimento também é memória, informação. Todas as moléculas de água, de todos os alimentos, transportam a sua história, que se torna a tua história, depois de te imbuíres da sua energia. Impregnas-te todos os dias do Sol que cada alimento assimilou e sintetizou na sua estrutura, da felicidade que absorveu ao ser semeado, colhido, cozinhado. Quanto mais consciente estiveres mais facilmente consegues escolher os alimentos que são adequados à nutrição do teu veículo sagrado físico, e à manutenção da tua vitalidade. Os alimentos sattvicos são aqueles que são mais frescos, puros, biológicos, genuínos, nada processados, plenos de Prana.

Mais do que aquilo que comemos, somos aquilo que assimilamos. Na Ayurveda, a correta assimilação dos alimentos é o grande foco do processo digestivo. Podes fazer a escolha mais correta de alimentos, contudo se a tua assimilação for insuficiente, beneficias pouco de todo o Prana que te é oferecido através dos alimentos. Respira antes de comeres, abençoa todos os alimentos que degustas, e o teu Agni brilhará forte.

Sete | Purifica

Ao longo de um ano, o teu corpo entra em contacto e degusta uma diversidade absurda de alimentos. Se tiveres em conta que cada alimento traz um manancial de informação que carrega os teus cinco sentidos, compreendes que o corpo acumula estes imensos ‘registos’, e os compacta no teu inconsciente, tal como uma memória de telemóvel ou PC. Naturalmente estes ‘registos’, esta memória saturada precisa de ser limpa, para que o processamento do alimento ocorra de forma eficiente e integral. O teu intestino é o teu ‘cérebro’ emocional, e quando as suas paredes estão congestionadas, o processamento de toda a informação externa e interna fica condicionado. Os teus sentimentos e emoções, os teus pensamentos e ideias, o teu alinhamento interno e a tua espiritualidade perdem a clareza e a coerência. É importante realizar um detox regular, e cada bioenergia – Vata, Pitta e Kapha – necessita de um método adequado à sua vibração. Beber água morna, comer fruta fresca (biológica), fazer smoothies podem ser formas de desintoxicar. Na Ayurveda é habitual usarmos a Triphala para coadjuvar este processo, contudo convém consultar um terapeuta ou médico para a correta ingestão deste complexo. O detox regular ajuda a transmutar, regenerar e rejuvenescer os teus diferentes corpos, e existe uma regularidade com que esta depuração deve ser realizada, no intuito de manter a plenitude, a vitalidade, a saúde global do corpo.

Oito | Entrega-te

Cada ser humano é um portal multidimensional. Todos trazemos crenças limitadoras profundamente arreigadas, todos trazemos a necessidade de controlar, todos trazemos expectativas, e uma tremenda programação inclusa e inconsciente, frutos e heranças tanto do nosso karma – Lei da Causa e Efeito – como das experiências que como Alma escolhemos realizar no nosso processo de auto-realização. Trazes no teu interior tanto a dimensão da Luz, como a dimensão da Sombra, que se revelam nas diversas máscaras que vestes nos diferentes contextos da tua vida. A primeira parte da senda do autoconhecimento, passa muito pelo processo de aprenderes a aceitar-te nas tuas diversas e diferentes dimensões, a aceitares a tua Sombra, a sanares e acarinhares a tua criança interior, e encontrares coesão e coerência, para finalmente saberes quem És, na tua profunda Essência. É um caminho que começa por ser solitário, mas que se transmuta em solitude, em aceitação, quando aprendes a ser o teu melhor companheiro de viagem.

O salto evolutivo e qualitativo, acontece contudo, quando aprendes a partilhar-te com os outros, com o outro. Quando aprendes a render-te, quando te permites fragilizar-te, vulnerabilizar-te, quando permites que o outro te ‘Veja’ na tua Essência, com os prós e os contras, com as virtudes e os feitios, à transparência, e que mesmo assim te aceite, como o aceitas a ele, tanto pela sua Luz, como pela sua Sombra (sobretudo pela sua sombra), e te entregas nu(a), modesta(o), humilde, sem condições, sem ego. As relações íntimas são o espaço perfeito para potenciares o teu crescimento espiritual. O outro é o teu espelho; ele revela-te com doçura o teu ângulo morto, para que possas tomar consciência dele e avançares e cresceres como pessoa. Na Ayurveda, o desenvolvimento de uma sexualidade consciente e terapêutica é um pilar que sustenta o desenvolvimento individual, tendo também, um impacto direto na qualidade das relações do colectivo. A correta e equilibrada gestão da nossa intimidade é por isso, um campo primordial de expansão tanto da nossa consciência pessoal, como tem um papel fundamental no desenvolvimento da harmonia familiar, comunitária, social, global.

Nove | Confia, agradece, aceita

Quando aceitas a responsabilidade pelas tuas escolhas, quando aceitas que nada acontece por acaso, que não existem bodes expiatórios que justifiquem as tuas acções, e que a tua Felicidade não depende de factores externos, começas a aceitar-te como És. E quando começas a aceitar-te como És, começas a sentir que tudo, mas mesmo tudo no teu quotidiano é uma bênção, e que tanto agradeces de coração uma ‘graça’ como um ‘infortúnio’, porque aceitas e entendes, e compreendes, que tudo te traz uma oportunidade de conheceres melhor, de escolheres melhor também, e que essa escolha traz a verdadeira liberdade implícita. E quando começas a aceitar-te como És, começas a confiar, começas a intuir, começas a sentir que afinal tiveste sempre acompanhada(o), e que o trabalho que tens vindo a realizar é resultado de uma co-criação, que durante muito tempo foi inconsciente da tua parte. Quando te responsabilizas pelo teu papel no processo co-criativo permites que a harmonia, o equilíbrio, a clareza estejam cada vez mais presentes no teu quotidiano.

Dez  |  Preserva e Simplifica

Também podia dizer, destralha. Todos os objectos que tens à tua volta plasmam-se dentro da tua mente como objectos de referência espacial, aos quais muitas vezes associas também valor emocional. Estes objectos ‘enchem’ a mente, atulham a memória, e deixam pouco espaço para a criatividade, a imaginação, para a tua Essência.

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E também enchem a Terra. Também inundam este solo sagrado de entulho desnecessário, que polui, desequilibra. A Terra é uma extensão do teu corpo físico. Gostarias de ter o teu corpo tão entulhado? O Ar, o Fogo, a Água, a Terra são essenciais à Vida, e estes recursos precisam de ser preservados. Trata-os com o carinho e o Amor que merecem os nossos filhos, com o respeito que merecem os nossos anciões. A conquista da simplicidade é só por si uma jornada.

A Ayurveda é uma árvore de saber visionário, que se exprime em Senda inspirada, em Amor Evolutivo, em Responsabilidade impregnada, e manifesta-se como cura, como panaceia, como Luz, que praticada quotidianamente, simplifica, modera e materializa um caminho de auto-conhecimento que nos toca e nos enriquece física, emocional, mental e espiritualmente.