Ayurveda e o caminho para a Fertilidade

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Deusas da Fertilidade

Ser fértil é ser capaz de estar disponível para a Vida, e como consequência ser capaz de dar Vida. A fertilidade é um bem natural com que todos nós nascemos. Contudo, o estilo de vida atual tem tendido a desequilibrar esta dádiva. Muito para além da capacidade de conceber, a fertilidade revela um corpo cuidado, equilibrado, um organismo saudável e corretamente nutrido.

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Shukra

A fisiologia do sistema reprodutivo como um todo é governada por sadhaka pitta, prana vata e apana vata, mas os próprios órgãos reprodutivos são dotados das qualidades de kapha. O Kapha é o dosha promotor de crescimento (anabólico), formador de estrutura, que gera e sustenta a criação. Juntamente com o ojas (força vital) e o rasa dhatu (tecido plasmático), o kapha dosha organiza a nutrição necessária para construir e reconstruir o revestimento do endométrio durante uma vida inteira de artava (menstruação), e tem uma qualidade untuosa que lubrifica o útero e a sua pele. O kapha também confere estabilidade e força aos tecidos reprodutivos, ajudando a manter a estrutura dos ovários e a boa forma uterina, o seu tónus e a capacidade de se contrair.

 

A Infertilidade

Segundo a Ayurveda, a fertilidade mantém-se quando o tecido reprodutivo de uma pessoa ou o Shukra dhatu permanece nutrido. A infertilidade surge geralmente quando o tecido reprodutivo perde a nutrição, e é definida como a incapacidade de conceber apesar de se sustentarem relações sexuais regulares por mais de um ano. Uma mulher cujo artava está exausto é chamada de vandhyatva (vandhya-estéril, sem filhos).

Estratégias diagnósticas e terapêuticas detalhadas haviam já sido descritas em 200 dC no texto Ᾱyurvédico Caraka Samhita (capítulo Cikitsa-sthana, Yonivyapat). Nos séculos que se seguiram, os textos especializados em ginecologia evoluíram, incluindo o Kashyapa-Samhita, que contém descrições detalhadas de várias doenças e dedica um capítulo completo à infertilidade feminina. Nestes manuscritos são habitualmente aconselhadas terapias shamana (gentis) e shodhana (fortes) para o tratamento da infertilidade.

shukradhatuExistem muitos fatores que atualmente afetam a fertilidade, em particular na mulher: a idade avançada da mulher quando decide ser mãe, anormalidades hormonais, as condições do sistema reprodutor. Nos homens, a infertilidade pode ocorrer devido à baixa quantidade de espermatozoides e/ou qualidade e espermatogénese, bem como à disfunção erétil. Em ambos os sexos, os aspectos psicossomáticos e os níveis de stress são importantes, contudo raramente abordados. A Ayurveda acrescente outro aspeto único: a infertilidade como um efeito kármico.

Promover a Fertilidade

easter-the-latvian-way-715x340Na abordagem holística da Ayurveda, todas as dimensões do corpo são tidas em consideração no intuito de promover a fertilidade. Como o Ayurveda é uma ciência holística, é importante considerar a condição de saúde geral do paciente, incluindo a sua saúde mental e a do seu ambiente de vida. A abordagem Ayurvédica da infertilidade enfatiza a melhoria da saúde geral de ambos os futuros pais.

Os principais objetivos do tratamento Ayurvédico são a purificação e a otimização funcional dos tecidos reprodutivos (artava e shukra-dhatu) de ambos os sexos. Segundo a Ayurveda, a saúde reprodutiva é determinada principalmente pela saúde do metabolismo e nutrição dos tecidos, ambos requisitos fundamentais para a concepção.

Dependendo da Prakriti (constituição única) do indivíduo, o passo inicial na sequência do tratamento é geralmente a realização de uma purificação – o Panchakarma. Essas medidas de purificação podem incluir emese, purgação, enema medicado, purificação do sangue e vários outros procedimentos específicos pertinentes à saúde reprodutiva.

Outros tratamentos adjuvantes do Panchakarma constituem técnicas especializadas de fisioterapia, incluindo Shirodhara (terapia de gotejamento de óleo sobre a testa), Shirobasti (retenção de óleo na coroa) e Lepa (máscara de lama herbária) com óleos medicinais precisamente selecionados e outras substâncias que facilitam ainda mais a estabilização da constituição geral.

Para além do Panchakarma são também dadas recomendações dietéticas, fitoterápicos, recomendações psicológicas e espirituais (por exemplo, recitação de mantras, uso de cristais, colocação de objetos sagrados em casa, orações, etc). Na Ayurveda, a infertilidade feminina é entendida como uma desintegração somato-psico-espiritual com tendência a somatizar conflitos emocionais e mentais por resolver; esses conflitos são total ou parcialmente causadores ou agravam ainda mais as causas epigenéticas, traumáticas e bioquímicas coexistentes.

Fitoterapia para a Fertilidade

Na Ayurveda, a fertilidade manifesta-se no nível mais profundo da saúde. Os fluidos reprodutivos como o sémen (Shukra dhatu) são o produto final da formação de tecido. Considera-se a essência de todo os dhatus. Uma dieta saudável é o fator importante responsável pela fertilidade.

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Shatavari – Asparagus Rancemosus

Uma das plantas mais usadas como um tónico do sistema reprodutor feminino é a Shatavari. A Shatavari (asparagus rancemosus) possui uma atividade diurética, melhora a digestão aumentando a atividade das enzimas digestivas, aumenta a libido feminina, humedece os tecidos secos dos órgãos sexuais, reduz e cura a inflamação dos órgãos sexuais e aumenta a ovulação. Assim, a Shatavari é muito benéfica para a fertilidade feminina. Também é conhecida por ajudar na prevenção de abortos e prepara o útero para a concepção. A Shatavari também é muito útil no tratamento de problemas relacionados com a menstruação, como o sangramento irregular, a síndrome pré-menstrual e dismenorreia (menstruação dolorosa), reduz as cólicas abdominais e os espasmos que geralmente ocorrem durante a menstruação. A Shatavari possui também propriedades adaptogénicas que ajudam na estabilidade da saúde mental, e antisstress, resultado da presença de flavonóides, polifenóis e saponinas que reduzem a produção de hormonas do stress, e aumentam a produção de hormonas ou substâncias químicas que fazem a pessoa sentir-se calma e feliz.

Existem muitas fórmulas fitoterápicas Ayurvédica usadas para a infertilidade voltadas principalmente para as propriedades adaptogénicas, rejuvenescedoras e afrodisíacas, e de fortalecimento geral (ojo vardhana), bem como para o  fortalecimento dos tecidos reprodutivos; elas também são projetados para melhorar a digestão e cognição, conforme necessário, e ter propriedades ansiolíticas e antidepressivas suaves.

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Ashwagandha – Withania somnifera

Algumas das plantas mais comuns usadas incluem Ashwagandha (W. somnifera), Shatavari (A. racemosus), Guduchi (T.cordifolia), Brahmi (B. monnieri), Yogaraj guggulu, Krishna Jeeraka (N. sativa ), Shatapushpa (A. graveolens), Atibala (A. indicum), dashmoolarishta, maharasnadi kwath.

A auto-medicação é desaconselhada. A toma de qualquer fitoterápico deve ser acompanhada sob rigorosa supervisão médica. A sobredosagem pode causar diarreia e desconforto abdominal.

 

Alimentação ayurvédica para a fertilidade

A dieta ayurvédica para a fertilidade concentra-se no enriquecimento e desenvolvimento do tecido reprodutivo saudável (Shukra dahtu). Qualquer medicação aplicada é mais eficiente se a alimentação correta for observada sobretudo de acordo com os doshas.

Alimentação para Vata: Para a constituição Vata é importante escolher alimentos bem cozidos, húmidos, quentes e pesados. Adicionar leite, e ghee juntamente com especiarias que inflamam o fogo digestivo para nutrir o tecido reprodutivo (Shukra dhatu).

Alimentação para Pitta: No caso de uma constituição Pitta, é importante favorecer uma dieta principalmente fresca e nutritiva. Tomar leite e ghee à temperatura ambiente com temperos refrescantes que nutrem o tecido reprodutivo (Shukra dhatu) e apoiam o muco cervical.

Alimentação para Kapha: Para Kapha deve-se favorecer uma dieta primariamente quente e leve. Comer com moderação.

De forma geral os alimentos que favorecem o Ojas: Leite, ghee, nozes, sementes de sésamo, tâmaras, sementes de abóbora, mel, açafrão da índia e abacate.

Outros alimentos que favorecem a fertilidade: Os alimentos integrais fornecem todos os nutrientes para a saúde do corpo, além de fibras, influenciando os níveis hormonais. Frutas e vegetais frescos e orgânicos, grãos integrais, proteínas de fontes vegetais como feijão e ervilhas, frutas doces e suculentas, como mangas, pêssegos, ameixas e peras, espargos, brócolos, feijão, espinafres, abóbora, tomate e beterraba. Vegetais de raiz, grãos, rúcula, agrião, cebola, alho, cebolinho melhoram a circulação e nutrem o sangue.

Frutos secos e nozes, como tâmaras, figos, passas, amêndoas e nozes. Especiarias como a semente de carambola (ajwain) em pó, cominhos (purifica o útero nas mulheres e o trato geniturinário nos homens), açafrão-da-índia (melhora a interação entre as hormonas) e os cominhos pretos estimulam a fertilidade. O corpo deve estar bem hidratado bebendo-se água morna e chás digestivos.

Alimentos que diminuem a fertilidade

Evitar hidratos de carbono processados, excesso de amido, carne com antibióticos e hormonas, leite ultrapasteurizado e produtos enlatados. Evitar alimentos ricos em gorduras trans, como bolos, biscoitos e fritos fast-food. Estes alimentos bloqueiam as artérias, ameaçam a fertilidade e prejudicam o coração e os vasos sanguíneos. Álcool em excesso, cafeína, tabaco, refrigerante, fumo, carne vermelha, hidratos de carbono refinados, como macarrão, pão branco e arroz, aumentam e exacerbam a infertilidade feminina.

Evitar alimentos que contenham conservantes e outros produtos químicos, como adoçantes artificiais. Estes incluem refrigerantes, gomas de mascar, doces, sumos de fruta e gelados. Evite glutamato de sódio mono (MSG). Evitar batatas fritas, jantares congelados, frios, molhos, molho de rancho, salgados, aromas e corantes artificiais.

Manter um peso saudável: Estar acima ou abaixo do peso pode prejudicar a fertilidade. Quando o peso é baixo o sistema reprodutivo fica frágil, e pode tornar o corpo instável perante uma gravidez. Por outro lado, ter excesso de peso ou obesidade diminui as hipóteses de uma mulher engravidar.

Estilo de Vida para a Fertilidade

ganesha-parvati-devi-67871A conexão entre desintoxicação, stress e fertilidade ainda está por revelar. Da perspetiva Ayurvédica, estas recomendações aparentemente suaves de mente-corpo são eficazes, também porque têm como alvo a regulação do Vata, neste caso, no nível de Manas (ou seja, a mente).

O estilo de vida, a rotina diária, o yoga, a meditação e a recitação de mantras ajudam a tratar o stress físico e mental melhorando a recetividade da mulher. Um dos mantras para a fertilidade mais usados é o

OM SHRI KAMAKHYAYE NAMAH

 

Uma outra prática interessante é sugerir com que uma mulher simplesmente coloque uma pedra shiva lingam de qualquer tamanho sob o pé da sua cama.

Para a concepção o casal deve preparar-se através de uma alimentação cuidada. A concepção deve ser planeada, e assistida pelo homem, sendo recomendável haver uma preparação física. O peso deve estar normal para receber o impacto e a força. A mobilidade do esperma também influi e é recomendável que o homem consuma canela, cardamomo e noz-moscada (apenas uma pitada). Deve consumir também amêndoas e outras oleaginosas com leite e especiarias. A mulher precisa de ter mais calor no corpo. Para produzir esse calor deve consumir iogurte e vinho (moderadamente).

Deve ser escolhida a estação do ano mais adequada para a concepção pois esta vai afectar a criança. Durante a concepção devem evitar-se conflitos, stress, tristeza já que todos esses estados e emoções afectam a energia da concepção. Há que haver energia, cumplicidade, felicidade entre o casal. A concepção é uma replicação e nós queremos que a criança seja melhor do que nós.

Receita ayurvédica para aumentar a fertilidade: Dahl indiano com coco fresco

Ingredientes

1 chávena de lentilhas

5 pitadas pimentões verdes ou flocos de pimenta seca

1 colher de sopa de folhas de coentros picados

1/2 colher de chá de açafrão em pó

1/2 chávena de coco ralado fresco

sal a gosto

1 colher de sopa de mostarda

1 colher de chá de sementes de cominhos

2 tomates picados

2 colheres de sopa de ghee de vaca

1 cebola de tamanho médio, fatiada

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Instruções

  1. Lave e mergulhe o dahl em água por 30 minutos.
  2. Moer o coco ralado com um pouco de água, e fazer uma pasta lisa no liquidificador e reservar.
  3. Refogue as cebolas fatiadas até dourar. Remova e reserve.
  4. Cozinhe o dahl com apenas água suficiente até ficar macio.
  5. Adicione as pimentas, açafrão em pó, tomate e sal. Cozinhe por 3 minutos.
  6. Quando os tomates estiverem cozidos, adicione a pasta de coco. Homogeneizar. Cozinhe por mais um minuto e retire do fogo.
  7. Aqueça o ghee numa panela. Adicione as sementes de mostarda. Quando as sementes de mostarda estalarem, adicione as sementes de cominhos. Refogue por alguns segundos mais em lume brando. Despeje a mistura sobre o dahl. Pode ser servido quente, e decorado com as cebolas e as folhas de coentros picados.

 

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Começar o Ano com um Detox | O Panchakarma e a Ayurveda

treatmentTodas as Tradições da Terra incluem nas suas práticas alguns rituais de limpeza profunda, habitualmente de ordem física, contudo, com o propósito mais enérgico de se limpar, através da sua aplicação, a Alma.

Na Ayurveda, a terapia Panchakarma cumpre essa função. Traduzida literalmente como “cinco ações”, o Panchakarma é uma forma de desintoxicação e rejuvenescimento integral, que envolve uma série de tratamentos, e está situado no contexto maior de shodhana chikitsa (medidas de limpeza), exposto nos textos clássicos como um dos dois principais membros das terapias ayurvédicas, o outro dos quais é shamana chikitsa (medidas paliativas). O Shodhana chikitsa emprega técnicas de limpeza, lavagem e descarga como meio de desintoxicação. Envolve a aplicação de lekhana (raspagem), karshana (remoção de crescimentos de corpos estranhos) e terapias de langhana (jejum), entre outros.

Benefícios do Panchakarma

Além do aspecto físico e tangível da limpeza dos tecidos corporais e do trato gastrointestinal, o Panchakarma pode ajudar o indivíduo a liberar bloqueios mentais, emocionais e espirituais, limpar os caminhos dos sentidos, revelar níveis elevados de consciência e promover um bem-estar holístico sustentável, curando os desequilíbrios atuais, para além de suportar a prevenção de doenças futuras. Alguns dos muitos benefícios de shodhana chikitsa e panchakarma:

  • Restaura o alinhamento com a prakrti (matrz individual) e encontro do equilíbrio constitucional
  • Limpeza e abertura dos canais grosseiros e subtis do corpo
  • Cura do desequilíbrio presente e prevenção de doenças futuras
  • Reforça a função imunológica e resistência à doença
  • Eliminação da ama do corpo e mente
  • Melhoria da digestão, absorção e assimilação
  • Aumento da clareza mental
  • Relaxamento profundo
  • Conexão com o Self
  • Inversão dos efeitos do stresse
  • Suporte do equilíbrio hormonal
  • Melhoria do funcionamento dos sentidos
  • Remoção das toxinas do organismo,
  • Eliminação da acidez metabólica que causa radicais livres no corpo
  • Limpeza das toxinas nos tecidos corporais
  • Restabelecimento do equilíbrio tridóshico
  • Restauro dos ritmos naturais e da força vital
  • Promoção o bem-estar e da longevidade sustentados.

Além de oferecer tratamento para desequilíbrios de longa data, a terapia Panchakarma encoraja os indivíduos a fazerem mudanças no seu estilo de vida e na sua dieta, práticas que para além de oferecerem a recuperação do desequilíbrio apresentado (vikruti), também promovem o alinhamento sustentável com a verdadeira natureza (prakrti).

Panchakarma com que ritmo?

De acordo com Susruta, o nosso estado natural de saúde engloba o equilíbrio e o funcionamento adequado dos humores (doshas), dos tecidos corporais (dhatus) e do fogo digestivo (jatharagni), além da eliminação adequada dos resíduos (malas). A saúde é caracterizada por svastha, a permanência do Ser em si mesmo, a fim de manter a harmonia na mente, nos sentidos e no espírito. De acordo com a Ayurveda, a saúde ocorre quando o nosso corpo pode digerir todos os aspectos da vida, e é capaz de metabolizar e absorver o que é bom e eliminar o que é desnecessário.  A doença ocorre quando o corpo/mente tem dificuldade em expelir as toxinas, conhecidas na Ayurveda como ama. Assim que a ama começa a acumular-se nos tecidos, o corpo desequilibra-se, e os sintomas de desequilíbrio tornam-se posteriormente doenças.

À medida que as pessoas se movem pelo mundo, ficam mais sujeitas ao desequilíbrio (vikruti), e mais expostas a situações e fatores stressantes, toxinas e outras causas de doenças, que geram debilidade e vulnerabilidade nos sistemas corporais. A má alimentação e as escolhas de estilo de vida afastam ainda mais o indivíduo do seu estado natural de equilíbrio ao viciar os doshas, e causar a formação e o acúmulo de ama no sistema digestivo e nos tecidos. Esse enfraquecimento dos tecidos por meio do desequilíbrio crónico cria as bases para que a doença se enraíze.

O Panchakarma é, por isso mesmo, recomendado sazonalmente como forma de prevenção, habitualmente acompanhando o ritmo das estações do ano, já que as mesmas representam momentos de transição. Na adaptação às mudanças no clima, e no ambiente em que vivem, as pessoas ficam mais vulneráveis​​. Assim sendo, a mudança de estação representa o melhor momento para a limpeza orgânica, porque o corpo está aberto e receptivo às renovações que precisam de ser feitas para rejuvenescer as células e o corpo/mente.

Para constituições propensas ao desequilíbrio de Pitta ou para distúrbios de Pitta presentemente manifestados, é melhor administrar o Panchakarma na transição entre a primavera e o verão. Da mesma forma, para os transtornos de Vata, é melhor limpar na transição do verão para o outono. Para o Kapha, é melhor administrar panchakarma na transição do inverno para a primavera.

Apesar destes serem os momentos ideais, o Panchakarma pode ser feito a qualquer momento em que a pessoa se sente fora de equilíbrio, ou tem a necessidade de reenergizar-se, ou ainda quando sofre de uma doença específica, atuando aqui como sistema de tratamento. O mais importante é que o indivíduo se possa comprometer em tirar tempo para transformar a consciência no seu interior, descansar e dedicar a sua energia ao processo de Panchakarma sem perturbações ou distrações.

Em que consiste o Panchakarma?

Os cinco métodos de limpeza do Panchakarma são vamana (vómito ou emese terapêutica), virechana (purgação), basti (clister ou enema medicado), nasya (administração de medicação pela passagem nasal) e rakta moksha (sangria ou coleta de sangue).

De um modo geral, o Kapha dosha, no estômago, é eliminado através do vamana. O dosha Pitta no intestino delgado é eliminado através do virechana, e o dosha Vata no cólon é eliminado através de basti. O Rakta Moksha é usado principalmente em distúrbios de Pitta para remover o excesso de Pitta de rasa e rakta dhatu (sangue). O Nasya é mais tridóshico na sua aplicação e é geralmente usada para eliminar dosha residual de majja dhatu, bem como para nutrir e limpar os canais subtis. Além das cinco ações eliminatórias, os indivíduos submetidos a panchakarma são guiados pelo Poorvakarma, as medidas preparatórias do Panchakarma, e pelo Rasayana, técnicas de rejuvenescimento e manutenção da saúde pós-panchakarma.

A terapia Panchakarma é executada numa série de tratamentos consecutivos que seguem um plano de desintoxicação que variam de 5 a 7 dias e é individualizado. Após o tratamento o paciente segue uma dieta de acordo com o biótipo corporal e um plano pós-panchakarma que ajuda a pessoa na manutenção da saúde e do bem-estar a todos os níveis.

Poorvakarma – preparar o Panchakarma

O Poorvakama surge enquadrado na Shamana Chikitsa – terapia que auxilia a eliminar a causa da doença, as toxinas causadoras dos desequilíbrios, e restaura o equilíbrio dos humores biológicos do corpo. A preparação pré-panchakarma começa habitualmente pelo menos dez dias antes do Panchakarma em si, e envolve um protocolo dietético específico que tem início com uma monodieta, que consiste geralmente em kitchari (receita que tem por base arroz e lentilhas), bem como snehana (oleção) e swedana (sudação).

A Snehaha envolve tanto a oleação interna quanto a externa. A oleação interna geralmente consiste no consumo de ghee até três vezes ao dia em doses crescentes por até uma semana. Além do ghee simples, ghees medicados podem ser administrados para atingir doshas, dhatus e srotamsi (canais) específicos. Por exemplo, o ghee simples pode ser tomado com sal grosso para pacificar Vata dosha e com trikatu para pacificar Kapha dosha. Tikta ghee pode ser usado para pacificar pitta dosha, enquanto shatavari ghee pode ser usado para apoiar o sistema reprodutivo feminino e ashwagandha ghee pode ser usado para apoiar o sistema reprodutor masculino. O Brahmi ghee pode ser usado para alvejar o majja vaha srotas, e o ghee de alcaçuz pode ser usado para pacificar a ulceração.

massage-oilsA oleação externa geralmente consiste na prática da abhyanga (massagem com oleação) matinal com um óleo apropriado ao prakrti da pessoa. Ambas as formas de snehana servem para lubrificar os tecidos profundos e empurrar o dosha viciado de volta para o trato gastrointestinal, preparando-os para a eliminação.

As sete medidas paliativas usadas no Poorvakarma são geralmente mais calmantes e de natureza gentil, e consistem em deepan (para acender agni), pachan (queimar a ama), ksud nigraha (observação da fome), trut nigraha (observação da sede), vyayama (exercício), atapa seva (banho de sol ou lua) e maruta seva (práticas de respiração).

sauna ayurvédicaA Swedana é a outra medida preparatória para o Panchakarma. A terapia com Swedana ajuda a liquefazer o Pitta e o Kapha e a acalmar o Vata dosha. A Swedana promove a transpiração ideal, a leveza no corpo, alivia a rigidez, a dor e os espasmos musculares, restaura o vetor adequado dos Vayus e regula os movimentos intestinais e o apetite. Existem várias formas de svedana, incluindo as seguintes:

  • Agni | Exposição direta ao calor (por exemplo, água quente, vapor, banho, sauna ayurvédica, sauna, pizichili)
  • Anagni | Estimulação do calor corporal através de exercícios, cobertores, fome, etc.
  • Fomentação | Aplicação local de calor
  • Bhaspa Sweda | Vapores à base de plantas (por exemplo, com nirgundi, eucalipto ou sândalo)
  • Dhara Sweda | Banho quente depois da abhyanga
  • Surya Sweda | Banhos de sol
  • Luz infravermelha | Para dores articulares e musculares locais

 

Vamana | Emese Terapêutica

O Vamana toma a ação de urdhva bhaga roga haraman – a eliminação do dosha através do caminho superior. Atua no kledaka kapha, assim como no udana e no prana vayu. O acúmulo de toxinas mucosas e pegajosas principalmente na parte superior do estômago, e no trato respiratório, são mobilizadas através de uma dieta apropriada, oleação interna, ingestão de ervas medicinais por um período específico e também com o auxilio da massagem  Abhyanga, que ajuda a mover estas toxinas corporais e liquidificá-las com a suana apropriada e  finalmente eliminá-las do organismo num único dia com o vómito terapêutico.

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As substâncias usadas para induzir o vómito incluem frequentemente os três elementos da água (para promover a salivação), o ar (que se move para cima) e o fogo (que é emético). Exemplos de substâncias vamana: Alcaçuz (Yasthi madhu), Cálamo, Noz-moscada, Água salgada, Neem, Sumo de melão amargo (Karela), Vidanga.

O Vamana é mais comumente indicado para constituições e distúrbios kapha, incluindo infecções sinusais, colesterol alto, alergias respiratórias, bronquite crónica, indigestão crónica, tuberculose, hipotiroidismo, obesidade, asma, linfoedema, fígado gordo, diabetes, metabolismo lento e depressão do tipo kapha.

Virechana | Purgação Terapêutica

O Virechana é um tratamento de purgação que elimina as toxinas acumuladas na parte inferior do estômago, intestino delgado, fígado e vesícula. É indicado para eliminar o excesso do dosha Pitta do organismo e de todas as toxinas causadas por este dosha. Remove a toxicidade fecal, estimula o agni, aumenta a inteligência e a concentração e traz estabilidade ao dhatus. Este tratamento tem uma ação descendente (apana kshetra) e funciona no samana vayu, apana vayu, kledaka kapha e pachaka pitta. As toxinas são mobilizadas através de uma oleação interna com a ingestão de ghee medicado com ervas amargas em jejum, seguido de uma dieta e procedimento específico. A liquidificação destas toxinas é feita com uma sauna especial e mobilizadas com a massagem abhyanga. No Virechana são utilizadas as seguintes substâncias:

Panchakarma-Treatments-bastiAnuloman | Laxantes que digerem ama nas fezes, como haritaki

Samsrana | Purgativos drásticos

Bhedana | Purgantes como kutki

Rechan | laxantes leves, como triphala, gel de aloé e nishottar

Virechana | limpeza, com pó para Kapha dosha

Bruhana | nutritivo, com leite ou óleo medicado para Vata dosha

Shamana | paliativo, com ghee ou leite medicado para Pitta dosha

O Virechana está indicado no caso de febre crónica, problemas dermatológicos como: acne, psoríase, dermatite atópica, vitiligo, aumento de calor no corporal, hipertiroidismo, síndrome do cólon irritado, irritação e inflamações dos olhos, cistite, hepatite, icterícia, colesterol, azia com hiperacidez estomacal, gota, fogo digestivo baixo ( falta de apetite), sudorese excessiva.

 

Basti | Enema Terapêutico

O Basti tem um campo de ação muito amplo. Diz-se que trabalha em todos os sete dhatus, os upadhatus e os srotamsi, além dos principais locais de Vata (cólon, coxas, pelve, ossos, nervos, ouvidos). O Vata é o principal fator etiológico na manifestação das doenças. É a força motriz para a eliminação e a retenção de fezes, urina, da bílis e outras excreções corporais. A sede do Vata no nosso corpo é o cólon, contudo, apesar de estar localizado principalmente no intestino grosso, encontra-se também no tecido ósseo (asthi dhatu). Assim, o medicamento administrado por via retal tem um efeito benéfico no sistema ósseo. A membrana mucosa do cólon está relacionada com a cobertura exterior dos ossos (periósteo), que alimenta os ossos. Portanto, qualquer medicação administrada por via retal vai para os tecidos mais profundos, como os ossos, e corrigindo os seus desequilíbrios. O Vata controla o sistema nervoso e todos os desequilíbrios crónicos do sistema nervoso podem ser tratados com o basti com excelentes resultados. Existem muitos tipos diferentes de bastis:

bastiAnuvasan | oleação (lubrificante)

Niruha | limpeza com decocção

Bruhana |nutritivo

Lekhana | raspagem, desintoxicante

Piccha | vinculação

Esta terapia é auxiliar na obstipação intestinal, dores lombares, dores de ciática, dores articulares, dores de cabeça, distúrbios do sistema nervoso, distúrbios no sistema ósseo e dores generalizadas pelo corpo. É excelente para crepitações articulares e rigidez musculares. Verificam-se excelentes resultados em distúrbios do sistema locomotor e em doenças como Parkinson e Alzheimer. Os textos ayurvédicos clássicos dizem que o Basti sozinho pode curar 50% das enfermidades.

 

Rakta Moksha | Sangria

Rakta moksha significa literalmente liberar sangue do corpo, e consiste em extrair um pouco de sangue do organismo através de uma seringa ou de sanguessugas. Embora esta técnica raramente seja praticada por terapeutas ayurvédicos no ocidente, os textos tradicionais enfatizam o uso terapêutico de sangrias para liberar o excesso de dosha Pitta do rasa e rakta dhatus, particularmente no caso de doenças crónicas da pele, eczema, psoríase, hemorroidas, vitiligo, paralisia, gota, herpes genital, urticária, trombose, embolias, hematomas e outros. O Mestre Susruta enfatizou a importância do sangue, dando a rakta a permanência como o quarto dosha ao lado de Vata, Pitta e Kapha, sugerindo que a maioria das doenças surgem da toxemia. O Rakta moksha pode ser substituído por ervas que purificam o sangue como:  cáscara sagrada, neem e a curcuma.

Quando o sangue é removido do corpo, o sangue é espremido para fora do baço, que armazena cerca de um litro de sangue rico em linfócitos T. Assim, quando usado corretamente, rakta moksha pode estimular a função imunológica. O Rakta moksha é contra-indicado em casos de anemia, desidratação, edema, ascite, baixa contagem de plaquetas, pirexia aguda, inchaço generalizado, bem como em idosos e crianças.

 

Nasya | Limpeza nasal profunda

nasyaO Nasya é um tratamento ayurvédico que usa a administração de medicação através das vias nasais. O Nasya é particularmente útil no tratamento de doenças que ocorrem na zona cervical e cabeça. Este tratamento promove uma melhora nas funções dos órgãos sensoriais e motores.

Utiliza-se pó de gengibre, pó de cálamo, e óleos medicados. Desaconselha-se na gravidez ou no período menstrual.

O tratamento é precedido de uma massagem facial com estímulo dos pontos marmas e uso de calor localizado. Uma massagem localizada na zona cervical é aplicada e também calor localizado. Após a medicação indicada é introduzida pelas vias nasais que estimulam a retirada das toxinas e aliviam as dores.

Está indicado no caso de rigidez e contraturas cervicais, tensão na cabeça, dentes e mandíbula, paralisia facial, sinusite, rinite alérgica, dor de dente, dores de cabeça como hemicrania, dores nos ombros que irradiam para os braços e mãos.

 

Contradindicações do Panchakarma

O Shodhana chikitsa pode ser contraindicado em casos de fadiga extrema, agni debilitado, ama excessiva, toxicidade por drogas, stresse elevado, quimioterapia, gravidez, infância e velhice. Em tais casos, os terapeutas ayurvédicos podem usar o sapta shamana chikitsa (sete medidas paliativas) para estabilizar e pacificar os doshas in situ.

O Panchakarma deve ser criteriosamente acompanhado por um médico ayurvédico, e uma equipa bem formada, como forma de garantia a segurança e eficiência da sua aplicação.

 

Em Portugal o Pachakarma vai surgindo gradualmente no formato de eventos à medida que a procura aumenta, e se desenvolve o conceito de prevenção, equilíbrio do estilo de vida, e também o turismo de saúde.

Aconchegar e Aquecer | Inverno com a Ayurveda

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O inverno está à porta, e com ele o aumento do frio e da secura que incrementam o Vata. A rotina de inverno ayurvédica foi concebida para trazer a Luz, o calor e a Alegria tão necessárias nos longos dias de inverno.

Idealmente tanto a nossa rotina caseira como de trabalho seriam ajustadas à variação do número de horas solares, já que com o aumento da duração da noite tem um impacto grande sobre a nossa fisiologia. No Inverno cresce a necessidade de recuperação e descanso na proporção em que diminui a nossa rentabilidade no trabalho. Tendo em conta, que a rotina laboral e social demanda por uma rotina igual em todas as estações do ano, é importante fazermos alguns ajustes na nossa rotina caseira como forma de manter o equilíbrio.

Uma das principais partilhas da Ayurveda revela que a nossa constituição corporal reflete cada estação do ano. O que significa que nossos corpos têm a inteligência para se adaptar ao clima local quando entramos numa nova época do ano. Assim, para continuarmos com boa saúde e harmonia, é essencial mudarmos para uma rotina mais sazonalmente sensível.

Cuidar, Aconchegar e Prevenir no Inverno

1 | Massagem no couro cabeludo e nos pés antes de dormir

Na Ayurveda, o sono é considerado um dos três pilares da vida. É ideal criar um Ritual de Sono, bebendo uma aconchegante infusão de camomila, canela e noz-moscada, deitar-se entre as 21h e as 22h da noite, sincronizando o corpo com os ritmos diários da natureza, tornando-se assim mais fácil adormecer. Antes de se deitar, massajar suavemente o couro cabeludo e os pés com óleo de sésamo morno, ao qual pode-se adicionar umas gotas de óleo essencial de alfazema. Isso vai acalmar o corpo e a mente, gerar uma boa noite de sono e um despertar ainda melhor.

2 | Durma mais e acorde um pouco mais tarde (e relaxe!)

Em vez de acordar muito cedo, como é habitual no verão, o inverno propõe um sono um pouco mais longo e um despertar um pouco mais tardio. No inverno, o sol nasce mais tarde, por isso, na rotina de inverno Ayurvédica é benéfico deixar o corpo dormir por mais tempo, para que ele se alinhe com o sol e tenha mais tempo para se recuperar.

3 | Raspe a língua todas as manhãs

É importante remover a ama (toxinas) raspando a língua todas as manhãs. As toxinas da comida viajam através do trato digestivo durante a noite, alojando-se. O uso diário de um raspador de língua (de cobre), remove facilmente a camada desagradável que se deposita durante a noite.

4 | Bochechos de óleo

O bochecho de óleo é uma excelente forma de limpar e branquear os dentes naturalmente.

Pode-se colocar uma colher de sopa de óleo de sésamo ou de coco orgânico na boca, bochechar e gargarejar por 10 minutos e cuspi-lo para fora. Pode-se fazer durante o duche, contudo, o óleo deve ser expulso para o lixo, para evitar poluir a água.

5 | Massagem com óleo quente da cabeça aos pés

A massagem com óleo (chamada abhyanga na Ayurveda) elimina as toxinas, regenera os tecidos e órgãos, melhora a circulação, hidrata a pele, ajuda o corpo a livrar-se das toxinas e, na verdade, aumenta a imunidade. Fazer uma automassagem de corpo inteiro com óleo de sésamo quente é uma magnífica forma de autocuidado. Aqueça o óleo em banho maria numa tigela com água quente. Em seguida, massajar o corpo da cabeça aos pés, usando movimentos longos nos ossos longos e movimentos circulares ao redor das articulações. Deixar o óleo penetrar na pele por pelo menos 20 minutos antes de lavá-lo. Ou deixe o óleo na pele se esta estiver propensa a secar.

6 | Duche com água quente

Um banho quente é bom para lavar o excesso de óleo sobretudo depois da massagem. Os banhos quentes têm várias funções e benefícios que vão para além da limpeza: relaxam a tensão do corpo, aliviam os músculos rígidos, o vapor limpa as vias nasais e alivia qualquer congestionamento, aumentam a imunidade, aquecem o corpo internamente, além disso, acalmam a mente, equilibram as emoções e eliminam o estresse. Apontar para tomar um banho quente todos os dias no inverno. Adicione alguns óleos essenciais aquecidos, como eucalipto, cardamomo, manjericão ou alecrim. Relaxar e aproveitar o tempo no duche.

7 | Mova o corpo

O exercício torna-se difícil durante o inverno porque a motivação diminui, e a prática ao ar livre fica impedida pelo frio, o vento, a chuva, granizo, a neve. Um treino de yoga suave em ambientes fechados é ideal para o inverno. Podemos ativar todos os canais de energia começando com algumas saudações ao sol, seguidas por respiração alternada nas narinas ou nadi shodha pranayama.

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8 | Beber líquidos quentes ao longo do dia

Após o exercício, é importante beber um copo de água morna com limão. Espremer uma fatia de limão num copo de água morna e adquirir o hábito de fazer dele a primeira bebida do dia todas as manhãs. O limão é alcalino, e vai estimular o agni (fogo digestivo) e facilitar a digestão. Também é muito importante garantir a hidratação, bebendo água morna durante o dia.

9 | Usar ervas para a imunidade e a força interior

As ervas são os melhores presentes da natureza para aumentar a imunidade e a energia. Podem ser preparadas em infusão, ou polvilhadas na comida. Beber chá de gengibre diariamente manterá o corpo aquecido e aumentará a imunidade. Tulsi (manjericão sagrado), cardamomo, açafrão, alcaçuz, pimenta preta e gengibre são algumas das melhores ervas para esta temporada.

10 | Fazer uma desintoxicação

A terapia Panchakarma sugerida no Inverno é o Basti, o enema terapêutico. O Basti tem um campo de ação muito amplo. trabalha em todos os sete dhatus, os upadhatus e os srotamsi, além dos principais locais de Vata no corpo (cólon, coxas, pelve, ossos, nervos, ouvidos). Tendo em conta que o Inverno é a estação do ano de Vata é muito importante mantê-lo pacificado.

11 | Meditar, agradecer, partilhar

O Inverno é a época do ano para a reflexão. Os longos serões, e os períodos passados dentro no interior da casa servem para reflectir, meditar e preparar as sementes internas e externas do ano seguinte. Agradecer é fundamental. Há muito pelo que se ser grato. Encontrar tudo aquilo que traz gratidão ao coração, inspirar-se e partilhar.  O Inverno é o tempo da partilha.

12 | Escolher alimentos alinhados com o inverno

Durante o inverno o jatharagni (fogo digestivo) torna-se mais poderoso. Somos capazes de comer e digerir quantidades maiores e mais pesadas de alimentos. A maioria das pessoas deve comer mais. Favorecer os sabores doce, amargo, salgado. Alimentos quentes, bem cozinhados e oleosos. Ingerir mais alimentos que aqueçam. Cana-de-açúcar, óleos, arroz, água quente, promovem longevidade quando ingeridos no Inverno. Começar o dia com um pequeno-almoço quentinho feito com cereais como arroz integral, amaranto, aveia, cevada e centeio.

Elimine os alimentos que causam o acúmulo de toxinas. Quando o corpo está cheio de toxinas, torna-se um terreno fértil para os desequilíbrios, que no inverno se traduz em gripes e resfriados. Evite a ama eliminando estes alimentos da dieta: Comida e bebidas frias, água gelada, sobras, comida não saudável, alimentos pesados, difíceis de digerir, como queijo duro, iogurte e qualquer coisa frita. Evitar alimentos leves e evitar a exposição ao vento.

Atenha-se a uma rotina de inverno ayurvédica, fazendo refeições quentes feitas na hora com raízes, como cebola, batata, alho, nabo, beterraba, rabanete e cenoura. Vegetais cozidos no vapor, sopas e pães integrais funcionam bem para o almoço e jantar. Nenhuma rotina de inverno ayurvédica estaria completa sem um pouco de ghee de leite de vaca (ele mantém o corpo aquecido), assim como especiarias como gengibre, pimenta caiena e pimenta preta. Alinhar os hábitos diários com a atual temporada é a maneira mais natural de se viver, que é o que torna a simples rotina de inverno ayurvédica tão eficaz.

Alimentos para o Inverno

mel gengibreLacticínios: Todos

Adoçantes: Açúcar-de-cana, mel, melaço

Óleos: Todos com moderação

Cereais: Arroz basmati, arroz integral pequeno, trigo, aveia, cuscuz, centeio

Leguminosas: Feijão Mung, tofu, lentilhas

Frutos: Abacates, papaias, uvas, laranjas, cerejas, ameixas, melões, morangos, ananás, framboesas, mangas, bananas, figo, pêssegos, laranjas, azeitonas, limas, limões

Vegetais: Batata-doce, Inhame, agriões, cenouras, batatas, beringelas, ervilhas, beterraba, espargos, feijão verde, tomates, quiabo, nabos, abóboras, pimentos

Nozes e sementes: Todas com moderação

Condimentos/Ervas: Gengibre, canela, cominhos, coentros, rábano bravo, assa-fétida, funcho, pimenta preta, sal marinho, noz-moscada, açafrão-da-índia, basílico, alho, fenacho, cravinho-da-índia

Bebidas: Leite quente, água quente, sumos de fruta, infusões

Produtos animais: Frango, peru, peixe, ovos

 

Kitchari de Natal | Uma receita

kitchari-cleanse5O Kitchari é um prato tradicional ayurvédico que é nutritivo, purificador e versátil, sendo esta receita uma excelente receita que fornece calor e enraizamento ao Vata nos meses de inverno, trazendo a almejada cor e alegria da época. Esta receita de Kitchari permite criar uma rotina de digestão regular, descansar dos excessos das festividades enquanto se libertam algumas toxinas acumuladas. Em termos de benefícios o Kitchari fomenta a limpeza do sangue e do trato gastrointestinal, fornece ferro e outros nutrientes para a construção do sangue, fibras, vitaminas e minerais (especialmente vitaminas A, B, C, K), e proteína “completa” à base de plantas. Adequado a todos os tipos de corpo podendo, contudo, os tipos Kapha devem substituir o arroz basmati por quinoa ou millet e os tipos Pitta devem abster-se de usar pimenta caiena, canela e apenas uma pequena quantidade de pimenta preta.

Necessita de uma panela média, uma placa de corte e faca e um ralador de queijo.

Ingredientes

6 chávenas de água (ou caldo de legumes)

1 chávena de feijão mungo demolhado *

1 chávena de arroz basmati (substituto de quinoa, arroz integral ou painço)

1 beterraba média, descascada e picada em pequenos cubos

1 pequeno nabo, descascada e picada em pequenos cubos

1 cenoura média, picada em fatias finas

5 folhas grandes de couve

1 colher de sopa de ghee, óleo de gergelim, óleo de girassol ou óleo de coco

1 cubo de gengibre fresco, descascado e finamente ralado

1-2 colheres de chá de mistura de especiarias Agni Churna (Açafrão da índia, Gengibre, Erva-doce, Assa fétida, Aipo, Cardamomo, Pimenta preta, Pimenta longa, Feno grego, Semente de Mostarda preta, Cominhos, Cominhos pretos)

1 pau de canela

1 Pitada de pimenta caiena (opcional, não recomendado para Pitta)

Sumo de limão fresco de 1/2 de limão

3 cebolas verdes picadas

10 raminhos de coentros, picados

Sal e pimenta a gosto (sal do Himalaia é o melhor)

* Mergulhe 1 chávena de feijão mung em 4 chávenas de água durante a noite. Descarte a água no momento do uso. Os feijões inteiros podem ser substituídos por feijão mungo ou lentilha vermelha.

Instruções

  1. Adicione ghee ou óleo a uma panela média e coloque no fogão em fogo médio. Uma vez quente, adicione as especiarias Agni Churna e pimenta caiena (opcional). Misture as especiarias em fogo baixo por 1-3 minutos mexendo sempre para evitar que queimem.
  2. Adicione 6 chávenas de água ao mesmo prato, aumente o fogo e cubra até ferver. Enquanto aguarda a água ferver, pique a beterraba, o nabo e a cenoura.
  3. Depois de ferver, reduza o fogo para médio e adicione o pau de canela e os feijões juntamente com a beterraba picada, o nabo e a cenoura. Cubra apenas a meio caminho para evitar um excesso e cozinhe por 30 minutos. Agite a cada 10 minutos.
  4. Após 30 minutos, adicione o arroz basmati (ou outro grão de escolha) e cozinhe por mais 20 minutos. Agite a cada 10 minutos.

NOTA: Se você estiver usando arroz integral, isso exigirá muito mais tempo para cozinhar. Neste caso, é melhor adicionar o arroz integral ao mesmo tempo que o feijão mung. Também pode ter que adicionar um pouco mais de água.

  1. Enquanto estiver a cozinhar, comece a cortar a couve, a cebola verde, os coentros e rale o gengibre.
  2. Após os 20 minutos, adicione a couve picada e reduza o fogo para baixo. Cozinhe parcialmente coberto por mais 10 minutos mexendo a cada 5 minutos.
  3. Após os 10 minutos, retire do fogo. Adicione os coentros picados e a cebola verde, o gengibre ralado, o sumo de limão espremido fresco, sal e pimenta. Mexa bem. Sirva e desfrute deste belo prato vermelho e verde no seu prato favorito. Compartilhe com os outros, enquanto se aquece num belo dia de inverno!

Variações opcionais para cada humor:

Vidya-Kitchari4Vata: Para os tipos Vata, as melhores opções para óleo seriam ghee ou óleo de sésamo. Certifique-se de cozinhar todos os legumes até que eles fiquem bem moles. Todas as opções de grãos mencionadas são adequadas para Vata, embora o arroz basmati tenda a ser o mais fácil de digerir pelos tipos de Vata.

Pitta: Para as constituições Pitta, omita a pimenta caiena, o pau de canela e substitua o limão por lima. Coentros extra podem ser adicionados, se desejar. As melhores opções de óleo seriam ghee, óleo de girassol ou óleo de coco. As melhores opções de grãos são arroz basmati ou quinoa branca.

Kapha: Para as constituições de Kapha, mantenha o sal e o óleo no mínimo. As melhores opções de óleo são ghee ou óleo de girassol. As melhores opções de grãos para o Kapha serão a quinoa ou o painço, embora os grãos em geral devam ser usados ​​em quantidades menores, enquanto aumenta a quantidade de legumes. Especiarias extras e limão podem ser adicionados para aumentar o fogo digestivo e o metabolismo.

Mimo e cuidados de Outono com a Ayurveda

Apesar de começarmos a termos de nos habituar à indefinição das estações do ano derivadas às alterações climáticas, alguma regularidade pode ainda ser observada, e naturalmente respeitada de forma a mantermo-nos em equilíbrio.

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A mudança do verão para o outono é um período chamado Ritu Sandhi na Ayurveda. Refere-se à lacuna entre as estações. Este é um momento delicado para a digestão, porque os doshas (humores) estão flutuantes e a capacidade digestiva pode também oscilar. Este tempo de flutuação proporciona uma oportunidade natural para uma limpeza de Outono. A Ayurveda sugere que façamos bom uso da tendência natural do corpo para se purificar.

O Outono é uma das estações do ano em que o Vata predomina. O Vata e o Outono compartilham as qualidades de movimento, mudança, secura, frio, luz, mutável, rápida e irregular.

No Outono começamos a ver mudanças no clima, algumas delas repentinas, que se refletem na beleza da mudança da cor das folhas das árvores. Começamos por sentir mais frio e há movimento no ar quando o vento frio começa a soprar. É a estação que agrava o Vata devido ao clima frio e ventoso. O Vata pode manifestar-se no nosso corpo e mente como: secura, ansiedade, preocupação, dor nas articulações, alterações nos nossos padrões digestivos, incluindo obstipação e até insónia.

As estações vão-se sucedendo independentes da nossa vontade, e a Ayurveda é provida da informação que nos permite lidar de forma harmoniosa com o nosso ambiente externo, e o eventual stresse que o acompanha, através de pequenos ajustes na nossa rotina diária.

 

A Alimentação no Outono

A energia do Vata é naturalmente criativa e também agitada. Tendo isso em conta é fundamental manter o Vata calmo e feliz. Idealmente devem-se evitar alimentos com as caraterísticas do Vata como bebidas frias e alimentos secos, ásperos, grosseiros, frios e crus. Deve adicionar-se mel aos alimentos e às bebidas, assim como voltar às ervas digestivas de aquecimento como os gengibre, cominhos, canela, cravinho-da-índia, manjericão, erva-doce e pimenta preta.

As sopas de vegetais e ensopados são perfeitos para esta época do ano, assim como o ghee e alimentos quentes, e com os sabores picante, ácido e doce. A abóbora é um alimento muito típico da estação e muito adequado para nutrir o Vata, assim como vários tubérculos como a batata-doce, a beterraba e a cenoura, que facilitam o processo de ‘enraizamento’ da leve energia do Vata.

Idealmente as bebidas devem ser quentes como água quente, infusão de gengibre (usar gengibre fresco) ou de outras ervas, como erva-doce, cominhos e tomilho.

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Alimentos preferenciais de Outono

Lacticínios | todos

Adoçantes | Açúcar-de-cana, mel, melaço

Óleos | Todos com moderação

Cereais | Arroz basmati, arroz integral pequeno, trigo, aveia, cuscuz, centeio

Leguminosas | Feijão Mung, tofu, lentilhas

Frutos | Abacates, papaias, uvas, laranjas, cerejas, ameixas, melões, morangos, ananás, framboesas, mangas, bananas, figo, pêssegos, laranjas, azeitonas, limas, limões

Vegetais | Batata-doce, Inhame, agriões, cenouras, batatas, beringelas, ervilhas, beterraba, espargos, feijão verde, tomates, quiabo, nabos, abóboras, pimentos

Nozes/sementes | Todas com moderação

Condimentos/ervas | Gengibre, canela, cominhos, coentros, rábano bravo, assa-fétida, funcho, pimenta preta, sal marinho, noz-moscada, açafrão-da-índia, basílico, alho, fenacho, cravinho-da-índia

Bebidas | Leite quente, água quente, sumos de fruta, infusões

Produtos animais | Frango, peru, peixe, ovos

 

Rotina Diária adequada ao Outono

O Vata dosha desequilibra-se quando a rotina diária é irregular. É fundamental termos o cuidado de descansar bastante e manter uma rotina regular.

Massagem com Óleo Quente

Abhyanga: Aqueça um pouco de óleo orgânico de boa qualidade e faça uma pequena automassagem todos os dias. Esta prática ayurvédica diária nutre e cultiva uma pele bonita e também acalma o Vata. Tradicionalmente, é usado o óleo de sésamo, que contém propriedades antioxidantes, é amornante e um pouco pesado. Para além do óleo de sésamo, existem outros óleos vegetais adequados como o óleo de brahmi (sobretudo para a cabeça), o óleo de mostarda, e eventualmente até o óleo de amêndoas doces. Idealmente o óleo deve ficar na pele por duas horas para ser bem absorvido. Opcionalmente um banho de vapor ajuda na dilatação dos poros e absorção profunda dos benefícios do óleo usado. Tomar um banho quente após a massagem para lavar o óleo do corpo.

Movimento

Dança, Ioga, Caminhadas, e Chi Kung são alguns dos exercícios mais adequados para esta estação.

Respiração

Tire um tempo todos os dias para exercícios de Pranayama. Comece o dia com algumas repetições de respiração consciente completa. Inspire e expire a sua Intenção para o dia.

Desintoxicação | Panchakarma

Uma dieta purificadora fácil de digerir é recomendada durante o período de transição da estação e como preparação para o Panchakarma. São de evitar certos alimentos como carnes, sobras e alimentos processados já que são mais difíceis de digerir durante este período.

Dhal, arroz e legumes cozidos são adequados para uma limpeza de outono. Suplementar a dieta com Triphala, a fórmula tradicional de digestão ayurvédica, é uma forma prática de manter a digestão forte e uma eliminação regular.

O outono é um ótimo momento para receber Panchakarma, a tradicional limpeza Ayurveda. O Panchakarma pode ser feito numa clínica com um praticante ayurvédico qualificado, ou pode ser feito em casa, sob a orientação de um profissional qualificado. A terapia Panchakarma recomendada no Outono é o Basti – Oleação interna do cólon.

Fitoterapia

A Neem é uma planta famosa usada há séculos na Índia para tornar a pele mais radiante. O chá de neem é um tónico, e planta é também usada para limpar os dentes, e como um repelente natural de insetos. Embora nada possa substituir a experiência profunda e purificadora do Panchakarma, a Neem ajuda bastante no processo de desintoxicação. A sua ingestão deve orientada e seguida por um médico ou terapeuta ayurvédico habilitado.

 

Ventos em mudança: como afetam eles as Bioenergias

O vento é frequentemente caracterizado pelo Vata-dosha na Ayurveda, sendo ele próprio composto de akasha (espaço / éter) e vayu (vento / ar). Os vários tipos de vento são conhecidos geralmente por agravarem o vata, devido à natureza subtil do vento.

Os três humores biológicos em Ayurveda ou doshas são Vata-dosha, Pitta-dosha (composto de agni ou fogo e jala ou água) e Kapha-dosha (composto de jala ou água e prithivi ou terra). Destes, Vata, o humor do vento, é o mais subtil; Pitta, o fogo é o humor bilioso, sendo o seguinte mais subtil; e Kapha, o humor de água e fleuma, é o mais denso.

Na Ayurveda as várias mudanças do nosso ambiente natural – tão simples quanto as direções do vento – podem criar várias questões relacionadas com agravamento dessas bioenergias. Se formos dar um passeio ao vento, o Vata irá agravar, especialmente no outono e nas estações mais secas. Podemos também procurar perceber em que direção o vento sopra, o que também nos dá indicações de como as bioenergias podem ser agravadas.

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Ventos Orientais

Diz-se que o vento que sopra principalmente do Oriente é pesado e untuoso e tem um sabor doce e salgado. Assim, agrava o Kapha-dosha, que compartilha dessas propriedades, e o Pitta-dosha e o rakta (sangue), devido ao sabor salgado. Também agrava aqueles que sofrem de problemas como envenenamento, úlceras e ferimentos devido a acidentes, e causa sensações de ardor. Contudo, estes ventos orientais aliviam a fadiga e o inchaço, e reduzem o Vata.

Ventos do Sul

Diz-se que o vento que sopra primariamente da direção sul é leve em propriedade e doce, aliviando o Pitta-Dosha e o sangue, sem agravar o Vata. Ajuda a promover a força no corpo, e ajuda a visão, que está relacionada com o Pitta. Também pode aliviar o sangramento, devido à sua propriedade doce, que tem uma natureza redutora e refrescante de Pitta (shita-virya).

Ventos Ocidentais

O vento que sopra principalmente do oeste pode aliviar fortemente o Kapha-dosha, mas devido à sua natureza também afiada, seca, áspera e leve pode causar emagrecimento e reduzir a força (especialmente em tipos Vata). Reduz o tecido adiposo (devido à sua natureza seca), e diminui a untuosidade observada nos tipos Kapha, especialmente reduzindo o congestionamento e a fleuma.

Ventos do Norte

Diz-se que o vento que sopra principalmente da direção norte mantém as três Bioenergias em equilíbrio, e tem uma natureza untuosa, suave e pegajosa, com gostos doces e adstringentes. Para pessoas saudáveis, diz-se que promove a força e é útil em casos de emaciação devido à tuberculose e envenenamento. Quando o corpo acumulou toxinas, no entanto, pode agravar os doshas devido à sua natureza húmida.

Os Ventos e as Bioenergias

Naturalmente, devido aos vários climas ao redor do globo, existem variações, e podem haver efeitos contrários. No entanto, o fundamental é que vários tipos de vento agravam os doshas de diferentes maneiras, e podem ser usados ​​para reduzir outros doshas.

Podemos avaliar as várias propriedades ou gunas dos ventos que sopram ao nosso redor e, assim, entender como agravam os doshas, e quais os ventos predominantes.

Como exemplo, as comunidades costeiras ao longo das costas orientais sentirão uma forte e fresca brisa marítima proveniente dos ventos de Páscoa que provocarão os doshas – especialmente Vata e Kapha – devido às suas naturezas mais frias, apesar de outras propriedades. Nas estações de outono-inverno nessas regiões, é melhor que as pessoas – especialmente as constituições Vata e Kapha – evitem sair para passear quando esses ventos sopram, pois podem ser fatores causadores de doenças.

Vários ventos podem também afetar os nossos estados mentais pelas suas qualidades e propriedades. Ventos frios em dias nublados podem nos fazer sentir letárgicos, sem energia e deprimidos, devido à sua natureza mais escura (tamásicas), mais pesada e mais fria. Os ventos mais quentes têm uma natureza de secura, mas às vezes podem afetar uma pessoa pelas suas naturezas direcionais secundárias.

Na Ayurveda as diferentes propriedades do vento estão intimamente conectadas com desha (localização) e rtu (estação), e podem afetar as pessoas de forma diferente, baseadas na constituição biológica básica de uma pessoa (prakriti), quaisquer desvios temporais dela (vikriti), a sua idade ( estágio de vida), e sexo (por exemplo, as mulheres são mais propensas a serem agravadas por ventos). Com as mudanças planetárias, esses efeitos subtis apresentam um exemplo de outro nível mais profundo na Ayurveda, no qual várias doenças podem ser criadas pela viciação dos doshas ou pela redução dos seus efeitos pelos vários efeitos e qualidades da natureza ao nosso redor, como o vento.

Podemos começar a examinar essas propriedades ou qualidades (gunas) dos ventos ao nosso redor, nos nossos climas e locais para começarmos a avaliar os efeitos que eles têm na nossa bioenergia.

12 Inspirações para um Despertar Ayurvédico

Independentemente do ritmo que a vida atual nos impõe, a Natureza, e o nosso corpo – que é a Natureza a vibrar em nós – tem um ritmo próprio. Existem ciclos corporais naturais de metabolização de alimentos, emoções, pensamentos, toxinas; existem ritmos de sono, ritmos de fecundação, até o ritmo do nosso pulso altera-se de acordo com a hora, o momento do dia, a estação do ano, e contudo sempre em sintonia com o pulsar da Mãe Terra. Muitos dos desequilíbrios surgem precisamente pela inexistência de ritmo, e por uma desatenção instalada em relação ao pulsar da Vida no nosso corpo. Quando estamos dessincronizados adquirimos outro ritmo de vida, que entra em resistência com o pulsar da Terra. Dormir demasiado tarde, ou durante o dia. Comer fora do horário das refeições. Falhar a hora ideal para evacuar, e/ou conter a urina. Estes são alguns dos exemplos de como podemos facilmente desequilibrar-nos.

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1 | A hora de despertar

Com a primeira Luz do amanhecer, cerca de noventa minutos antes que o sol surja no horizonte oriental, ocorre uma grande onda de energia no planeta. As criaturas adormecidas despertam e sacodem dos seus organismos os vestígios da inércia, preparando-se para as actividades do dia. E, então meia hora antes do amanhecer uma segunda onda de energia ainda mais poderosa, corre pela atmosfera. Com esse segundo influxo de radiação, vem o momento mais importante do dia – o momento em que a química corporal é estabelecida para todos os seres vivos. O ser humano é também afectado por esse influxo. Nesse momento o sangue é diluído e banhado por novas substâncias químicas, as quais se exaurem gradualmente, até serem restauradas no amanhecer seguinte.

O banho do organismo com a nova energia ocorre dez minutos antes do amanhecer, estejamos ou não conscientemente preparados e despertos. As reacções químicas acontecem de modo mais adequado em recipientes limpos e livres de impurezas. A lógica diz-nos que uma reacção que ocorra num recipiente livre de resíduos produzirá resultados bem melhores do que uma reacção num recipiente impuro. Se uma pessoa está a dormir quando amanhece os gases e resíduos acumulados durante a noite estarão presentes durante o estabelecimento da química do sangue.

É da maior importância evitar ingerir qualquer alimento ou bebida nas horas que precedem o amanhecer. A manhã é um período em que devemos manter reduzida e tranquila a nossa velocidade.

Em resumo, é benéfico acordarmos antes que o Sol se levante, porque existem qualidades amorosas (sattvicas) na Natureza, que trazem paz mental e frescura aos sentidos. O nascer do Sol varia de acordo com as Estações, mas em média as pessoas de constituição Vata deveriam acordar por volta das 6 horas da manhã, as Pitta pelas 5h 30m da manhã, e os Kapha por voltas das 4h 30m da manhã. Logo após o despertar, é adequado conectarmos a nossa energia à da Terra, enraizando-nos, e fazermos algumas respirações profundas, colocando a intenção para o nosso dia.

2 | Limpar a noite do nosso rosto

Durante o sono a temperatura da pele sobe. Os cobertores mantêm a temperatura cutânea consideravelmente acima da temperatura ambiente. A lavagem reajusta o organismo às condições do ambiente e previne o tipo de choque provocado pela súbita mudança de temperatura que ocorre quando a pessoa salta da cama.

O rosto, em particular os olhos, devem ser lavados com água fria e refrescante, numa temperatura um pouco abaixo da ambiente, e deveríamos atirar a água ao rosto pelo menos sete vezes. Isto ativa o reflexo do mergulho, ativando também a nossa atenção. O rosto deve ser limpo como uma totalidade, pois a limpeza parcial pode criar problemas, devido à diferença de temperatura e condutibilidade eléctrica entre a parte limpa e a não limpa. Essas diferenças podem provocar um desequilíbrio na energia, afectando a visão, o olfacto, a audição e o paladar.

No corpo, os olhos representam o elemento fogo. Eles só funcionam quando estimulados pela luz. A água é o combustível do fogo. O que permanece após a extinção do fogo é a cinza ressecada, porque a água evaporou. A água conduz o calor e a energia eléctrica do fogo. Assim, quando se lavam os olhos, a pequena quantidade de força aplicada pelas mãos carrega electricamente a água – estimulando e acalmando os olhos e os nervos ópticos (os quais são extensões directas do cérebro). O acto de lavar os olhos deve ser acompanhado com bochechos, com água à mesma temperatura.

 

3 | Raspar a língua

raspadorAntes mesmo de bebermos água, a Ayurveda recomenda que raspemos a língua.

Durante a noite as toxinas (ama – alimentos não digeridos no trato digestivo ) a serem expelidas pelo organismo vão-se dirigindo para diversos pontos de saída. A língua é um deles. Torna-se por isso necessário elaborar-se uma higiene diária da língua, de forma a remover-se essa película de toxinas acumuladas sobre ela, sobre tudo antes da ingestão de qualquer alimento. Esta acção vai permitir uma acentuada clareza do sentido do paladar, para além de evitar que voltemos a ingerir a ama acumulada.

A língua é um órgão muito sensível e contém na sua superfície um mapa dos órgãos do corpo, podendo nós através da sua observação, fazer uma pequena análise do nosso estado de saúde. São de notar as zonas onde existe maior acumulação de ama. Podem surgir capas na língua de diversas cores associados a diferentes tipos de desequilíbrio. Um monte de revestimento branco pode sugerir Candidas.

Raspadores de língua de plástico e metal estão disponíveis na maioria das lojas de saúde. Raspe de trás para frente suavemente até que tenha raspado toda a superfície, entre 7 a 14 vezes, e lave o raspador de cada vez. Esta acção estimula os órgãos internos, ajuda na digestão e remove a ama (toxinas).

4 | Beba água morna de manhã

Após as lavagens beba um copo com água à temperatura ambiente (no Verão), e água morna (no resto do ano). Isto lava o sistema digestivo, inunda os rins, e estimula a peristáltica. Começar o dia com café ou chá é desaconselhável, já que estas bebidas drenam a energia dos rins, causam a obstipação e formam maus hábitos. À água morna podem ser adicionadas algumas gotas de limão de modo a fomentar uma limpeza mais profunda do trato intestinal.

5 | Evacuação

toiletstool3Após a ingestão da água o organismo fica estimulado para a expulsão dos detritos acumulados durante a noite. Em circunstância alguma, a pessoa deve passar demasiado tempo sentada a evacuar, pois isso pode interferir com os gases do cólon, resultando numa profusão de enfermidades leves ou graves. Muitas pessoas lêem ou estão no telemóvel, enquanto estão sentadas à espera que os intestinos funcionem. Esse é um hábito potencialmente desequilibrante. Todo o tipo de distração é inadequada nesse momento por duas razões importantes: primeiro, a energia é necessária nos intestinos e a leitura desvia-a para a cabeça; segundo, a leitura encoraja a pessoa a ficar sentada durante longos períodos, numa postura que pode causar-lhe muitas enfermidades.

A maioria das queixas relacionadas com os intestinos podem ser eliminadas, bastando que a pessoa adopte uma postura adequada à defecação. A invenção da sanita moderna trouxe uma era de imenso sofrimento humano, desde a obstipação até distúrbios intestinais correlatos. Hoje em dia, a pessoa é forçada a sentar-se numa posição não natural, que exige que a força seja aplicada de um modo muito inadequado. A prática da boa saúde prescreve que a defecação seja feita na única posição natural: agachado ou de cócoras. Esta postura abre completamente o ânus, sem necessidade de se aplicar força. Para ajudar na aquisição desta postura, pode-se usar um pequeno banco junto a sanita de forma a colocar o intestino na posição certa para a expulsão.

A importância de um funcionamento ordenado e regular dos intestinos, logo após o despertar é fulcral, já que nenhuma meditação, nenhuma concentração, nenhuma actividade física e nenhuma ingestão de bebida ou comida devem ser feitas antes da defecação.

6 | Gargarejos de Óleo (Oil Pulling)

Oil-PullingGargarejar ajuda a fortalecer os dentes, as gengivas e os maxilares, para melhorar a voz e remover as rugas das bochechas. O gargarejo deve ser feito com o estômago vazio, quando o corpo ainda está no seu modo natural de desintoxicação. Deve-se fazê-lo por 4 a 15 minutos, com uma decocção adequada, ou até mesmo com óleo de girassol, de coco, de sésamo; mantenha o óleo na boca, bocheche vigorosamente, depois cuspa e massaje as gengivas suavemente. Por fim deve-se bochechar com água morna para limpar. Durante o processo é necessário imaginar que o óleo ou a decocção fica impregnada com as bactérias que vão depois ser expelidas. O gargarejo deve ser feito também à noite e depois de todas as refeições. Os benefícios dos gargarejos são vários:

  • Reduz a doenças da gengiva e inflamação

  • Reduz a secura na boca e pele

  • Elimina o mau hálito

  • Melhora os Sentidos

  • Aumenta a clareza

  • Revigora a Mente

  • Reduz o Esgotamento

  • Ajusta desequilíbrios da anorexia e do kapha

  • Acalma a dor de garganta

Depois do gargarejo, lave a boca com água morna e, opcionalmente, um pouco de sal grosso. Lave então os dentes para uma boca saudável e fresca. Use uma pasta de dentes natural, livre de flúor. A Ayurveda recomenda cremes dentais que usem ervas como o neem, o alcaçuz, o cravinho da índia.

 

7 | Limpeza nasal (Jala Neti)

Limpar o nariz deveria ser entendido como limpar a testa a partir de dentro. Inalamos uma infinidade de substâncias químicas que são entendidas por nós como cheiros. Essas substâncias químicas alojam-se no nariz e nas cavidades nasais. Por isso, a limpeza do nariz compreende muitas funções e deveria ser incluída como parte da limpeza diária.

TwoNetisEsta limpeza de ser feita primeiro com a ajuda de um neti pot. Água morna com uma pitada de sal marinho deve ser escorrida pelas narinas para lavá-las. De seguida pode-se colocar duas a cinco gotas de ghee ou óleo de mostarda, sésamo, azeite em cada narina, e deixe permanecer por um minuto. Este processo ajuda a lubrificar o nariz, limpa os sinus, melhora a voz, a visão e proporciona a clareza mental. O nosso nariz é a porta do cérebro, por isso estas gotas nutrem a entrada de Prana e trazem a inteligência.

Para Vata: óleo de sésamo, ghee ou óleo de cálamo.

Para Pitta: ghee com brahmi, óleo de coco ou de girassol.

Para Kapha: óleo de cálamo

 

8 | Lubrificando o corpo – Abhyanga

Poucas práticas diárias oferecem tantos benefícios. Quando feita de acordo com as leis naturais da anatomia humana e do fluxo de energia, a massagem diária energiza e faz vibrar simultaneamente a pele, os músculos e os nervos. O calor e a vitalidade do corpo aumentam à medida que o coração e o sistema circulatório começam a fornecer oxigénio puro e energia vital a todas as partes do organismo – ao mesmo tempo que lavam os gases e as substâncias químicas. A automassagem regular, quando executada adequadamente, ajuda o corpo a ficar leve, activo e enérgico, e impede o desenvolvimento da maioria das doenças de pele. Para além destes benefícios, ela também aumenta a inteligência, a presença de espírito, o vigor, a vitalidade sexual, a autoconfiança e a beleza.

Shiva_MassageDe todas as práticas de massagem, as que envolvem o uso de óleo são as mais benéficas, porque o óleo suaviza a pele, lubrifica-a evitando o atrito, distribui uniformemente o calor e garante uma camada de protecção, força e resistência contra os extremos da temperatura ambiente. O óleo impede a secura da pele, aumenta a flexibilidade e evita muitos dos efeitos do envelhecimento precoce.

Aplique óleo morno na cabeça e no corpo. Uma massagem suave com óleo pode trazer a felicidade, e previne tanto as dores de cabeça, como a calvície, os cabelos grisalhos, e o recuar da linha dos cabelos. Olear o corpo antes do deitar promoverá um sono profundo e mantém a pele macia.

Para Vata use óleo de sésamo morno. Para Pitta use óleo de coco ou de girassol morno. Para Kapha use óleo de girassol ou mostarda morno. O óleo de Brahmi é também muito usado, sobretudo para massajar a cabeça. Conhecido por ajudar a estimular o cérebro e trazer mais clareza mental. Pode-se adicionar alguns óleos aromáticos, de acordo com o seu dosha. Para equilibrar vata use gengibre, cardamomo ou laranja; pitta prefere os aromas frescos e doces de sândalo ou lavanda; Os kaphas respondem melhor ao eucalipto, alecrim ou sálvia.

As pessoas que estão com febre não devem ser massajadas, nem as que estão acometidas com constipação, vómitos ou indigestão. Quem tomou purgativos ou praticou um Basti e Vamana também deveriam evitar a massagem. É contra-indicado quando existem problemas de excesso de Kapha (mucos).

 

9 | Esfoliação

dryBrushing_body.jpgPode ser feita com a pele seca, mas também se pode aproveitar a pele ainda oleada para diminuir um pouco o atrito que provoca. A esfoliação é excelente para ativar a circulação e estimular o sistema linfático. Os movimentos devem ser leves e circulares, sem muita pressão já que a linfa está muito próxima da superfície da pele. Use uma escova de materiais naturais, e massaje em direção ao coração, começando pelas pernas, tronco, braços, muito levemente no rosto e depois nas costas. A esfoliação da pele é ótima para a desintoxicação do corpo.

 

10 | Hora do banho

Depois de oleados, um banho ou duche de manhã é ótimo para ajudar a reduzir a fadiga. As constituições Pitta se beneficiam da água fria, enquanto a água morna é ideal para os Vatas, e mesmo as temperaturas mais quentes são as melhores para equilibrar os Kaphas de boa índole. O banho diário purifica a mente e o corpo, aumenta o sémen, promove a longevidade, alivia a fadiga, detém a transpiração, aumenta a força, proporciona o brilho vital da saúde, remove o sono, o suor e a fadiga, dissipa a irritação, e aplaca sede crónica. Bom para todos os órgãos motores e órgãos sensoriais, o banho purifica os nervos, cura a sonolência, dissolve a tristeza, aumenta o entusiasmo, fornece energia vital ao sistema e traz clareza à mente.

Apesar de muito benéfico, tomar banho mais de duas vezes por dia deve ser evitado, pois isso sobrecarrega o organismo. Do mesmo modo, deve evitar-se o banho com água muito quente ou muito fria. Os banhos com água fria aumentam a quantidade de frio nos nervos e podem acarretar vários tipos de dor muscular. O calor do banho quente expande os músculos, tornando-os gradualmente frouxos e flácidos. Os efeitos dessas duas práticas talvez não sejam sentidos na juventude, mas se continuadas irão manifestar-se mais tarde sob a forma de fraqueza, cãibras, problemas renais e deficiência de sémen. A água do banho deve ser, em geral, quente, excepto para a cabeça e olhos. É contra-indicado quando existe paralisia facial, indigestão, diarreia, febre, infecções no ouvido, obstipação, sinusite, doenças dos olhos e doenças que afectam a boca e os ouvidos, e outras relacionadas.

Lembre-se de que a pele absorve tudo o que se coloca nela. É por isso fundamental escolher produtos de higiene que diminuam a toxicidade do corpo, evitando produtos cheios de perfumes e produtos químicos sintéticos. Isso inclui parabenos e SLS.

 

11 | Alongar e Respirar

rituais tibetanosExercício regular, especialmente o yoga, melhora a circulação, a força e a endurance. Ajuda a relaxar e ter um sono repousante, e melhora a digestão e a eliminação. O exercício diário deve ser feito até metade da nossa capacidade (que até se formar suor na testa, nas axilas e nas costas), geralmente durante 10, ou no máximo 15 minutos diários.

Vata: 12 vezes a saudação ao Sol, feitas devagar; levantar de pernas; camelo; cobra; gato; vaca. Todos feitos devagar e suavemente.

Pitta: 16 vezes a saudação à Lua, moderadamente rápidas; levantar de pernas; peixe, barco; arco. Exercício de relaxamento.

Kapha: 12 vezes a saudação ao Sol, feitas rapidamente; ponte; pavão; palmeira; leão. Exercício vigoroso.

Outra opção é realizar os Cinco Rituais Tibetanos. Uma sequência que se adapta às várias constituições.

12 | Meditar

Os momentos mais preciosos da vida de uma pessoa vão desde o instante em que ela completa a limpeza matinal até os minutos seguintes ao raiar do novo dia. Purificado por dentro e por fora, o sistema orgânico converte-se num estado “em branco”. Quem usa com sabedoria esses momentos consegue construir um campo de energia capaz de funcionar como um bom escudo para as aventuras do dia a dia.

meditaçãoA meditação é uma forma de trabalhar conscientemente a fim de elevar o nível do nosso ser, através da elevação do nível de energia presente no interior da nossa mente. Devemos começar a perceber o mundo sem apegos, sem juízos de valor, sem desejos. E para alcançar esse estado, a energia do organismo precisa primeiro focar-se num único ponto. Esse estado de concentração é o precursor necessário da própria meditação.

Para ser mais eficaz, a meditação deve ser praticada diariamente a uma hora regular. As melhores horas para praticar são aquelas que sincronizam a vida quotidiana com os ciclos maiores do planeta e do cosmos. As condições do planeta mudam dramaticamente nas horas do amanhecer e entardecer. Essa mudança, que começa cerca de trinta minutos antes de o sol tocar o horizonte e que dura uma hora, também produz mudanças acentuadas na química do sangue. Além disso, no momento exacto em que o sol toca o horizonte, o organismo respira automaticamente por ambas as narinas ao mesmo tempo. Esse é o estado em que a energia consegue subir pelo canal central da coluna vertebral, o Sushumna, até ao cérebro. Durante esse instante a química do corpo é equilibrada. Como as duas narinas estão a trabalhar, a temperatura do ar nas cavidades nasais é igualada. O metabolismo estabiliza e a temperatura de ambos os hemisférios cerebrais é equilibra-se, permitindo-lhes funcionar em sincronia. O meditador deveria sempre estar atento a esses ciclos planetários e às mudanças no organismo.

É importante meditar-se de manhã e à noite por, pelo menos, 15 minutos. Medite na forma como está habituado, ou experimente a meditação de “esvaziar a taça”. A meditação traz paz e equilíbrio na vida.

Laticínios e a Ayurveda – porque se utilizam?

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Os laticínios, em especial o leite e o ghee (manteiga clarificada), continuam a ser uma parte importante das recomendações dietéticas ayurvédicas, e são ingredientes comuns nos medicamentos ayurvédicos e nos produtos à base de plantas.

A vaca na cultura da Índia

Na Índia as vacas são veneradas, reverenciadas como a mãe, Gomata, personificando a Mãe Terra, Bhumi Mata, como símbolo da abundância universal.

A sociedade agrária tradicional indiana baseia-se no cuidado da vaca. O estábulo ou o goshala é uma parte fundamental da vida, constituindo até um local para estudo e convívio. As vacas são parte da família, e a relação com elas começa desde a infância, quando as crianças que são encorajadas a integrá-las nas suas brincadeiras. O consumo da sua carne foi estritamente proibido, e o abate de vacas é considerado um crime grave. As vacas foram integradas da vida espiritual na Índia com os Vedas, e a maioria dos ashrams na Índia têm hoje em dia as suas próprias vacas e goshalas para uso quotidiano.

A vaca tradicional indiana é uma raça muito diferente das criadas no Ocidente. Ela tem uma constituição especial que a ajuda a coletar a luz do sol através de um surya nadi especial ou canal solar, a fim de produzir um leite de melhor qualidade. Embora produza menos leite que as raças modernas, o leite é de muito maior qualidade e mais fácil de digerir. A Ayurveda considera os laticínios, particularmente o leite e o ghee desta raça nativa, como os melhores para todas as recomendações de alimentos ayurvédicos e produtos fitoterápicos.

Os laticínios formam há muito uma parte importante da dieta indiana. O Ghee tem sido o principal óleo de cozinha recomendado. O leite tem sido uma importante bebida e ingrediente culinário. O Iogurte é tomado com a maioria das refeições sob a forma de lassi. No entanto, além de vacas, são usados outros animais, como as búfalas e as cabras, para se extrair o leite e produzir o ghee. Muitos medicamentos ayurvédicos e produtos fitoterápicos são feitos com laticínios ou ingeridos com eles.

Hoje em dia, mesmo na Índia, tem vindo a crescer o cuidado na criação respeitada deste animal, assim como o uso do leite de forma parcimoniosa e mais consciente.

O uso de Laticínios na Ayurveda

dairy_indiaMuitas dietas especiais e jejuns de cura do Yoga e da Ayurveda enfatizam o leite ou consistem principalmente dele, particularmente para os tratamentos de rejuvenescimento, fortalecimento e fertilidade. Leite, ghee, manteiga, iogurte, lassi, takra / chaas (buttermilk) e paneer são os principais laticínios utilizados na dieta.

A Ayurveda geralmente recomenda produtos de vaca para os tipos Vata e Pitta, tanto para as dietas quotidianas quanto para tratar doenças especiais, o que proporciona uma ampla variedade de aplicações. Aos tipos Kapha, que tendem ao excesso de muco, água e peso, é frequentemente recomendado o leite de cabra, devendo os mesmos evitar os produtos oriundos do leite de vaca.

Os gheit, medicamentos ayurvédicos (ghritams) formam uma extensa linha de produtos amplamente utilizados para fortalecer a mente e o sistema nervoso e combater as febres. Um bom exemplo disso é o Brahmi Ghritam, considerado um dos melhores remédios para o rejuvenescimento da mente e para promover a meditação. Shatavari Ghritam é um dos principais medicamentos para mulheres que nutre o sistema reprodutivo feminino.

Uma série de óleos de massagem ayurvédica dos quais existem numerosos tipos, embora baseados principalmente em óleo de sésamo ou coco, contêm por vezes leite ou ghee. O Kshirabala, por exemplo, um dos principais óleos para aplicação na cabeça, contém leite pelas suas propriedades refrescantes. Muitos óleos ayurvédicos contêm ghee, incluindo às vezes ghee de outros animais que não vacas. O Ghee na verdade pode ser usado como um óleo de massagem em si, para várias condições inflamatórias da pele. O famoso Chayavan Prash, uma geleia de ervas, contém ghee e esta forma de ingestão de ghee constitui uma outra linha significativa de produtos à base de plantas.

É habitual ver muitas ervas ayurvédicas, como a Ashwagandha, serem administradas com leite morno. O leite morno é frequentemente recomendado antes de dormir com várias ervas e especiarias, como o açafrão, açafrão-da-índia, noz-moscada, cardamomo, e com um pouco de ghee também. Também o iogurte é conhecido pelos seus diversos poderes de cura sendo particularmente usado para promover a longevidade.

O Ghee – Manteiga clarificada

gheeO Ghee é um alimento de sabor doce, refrescante e tem reacção doce no seu pós digestivo. É suave, nutritivo, pesado e frio, habitualmente produzido a partir da purificação da manteiga de leite de vaca ou da manteiga de leite de qualquer outro animal mamífero. Existem várias maneiras de denominá-lo como: óleo purificado da manteiga, manteiga clarificada, emoliente básico, manteiga de garrafa, usli-ghee.

Nos Shastras (escrituras sagradas antigas da Índia), e especialmente na Ayurveda, o Ghee tem diversas funções terapêuticas. Possui propriedades altamente rejuvenescedoras das células, incrementando a longevidade, melhorando a memória, a discriminação e a inteligência, fortalecendo os tecidos, fomentando a fertilidade. É um excelente alimento para a voz e para a garganta. O Ghee é muito importante para o crescimento das crianças por promover a construção dos sete Dathus (Tecidos Corporais), já que possui o mesmo valor nutritivo do leite. Contém ácidos gordos saturados em grandes quantidades, devendo por isso as pessoas obesas e com problemas de coração evitá-lo.

Tem também uma ação terapêutica no ardor, hemorragias, fraqueza, doenças dos olhos e ouvidos, dores abdominais, dores de cabeça, insanidade, epilepsia, desmaio, febre crónica, intoxicação, erupções, cortes, queimaduras, herpes, úlceras, enfermidades do peito e problemas mentais. Aumenta a quantidade de sémen e de energia vital (Pranshakti), e é benéfico para os órgãos genitais. Tomado em pequena quantidade aumenta o fogo digestivo. Melhora a compleição da pele, a beleza, o lustro. É adequado para sarar feridas, úlceras e doenças de pele. O ghee fresco e puro contém vitaminas A,D, E e K.

Elimina o envenenamento. Deve ser evitado: nas primeiras fases de uma doença, na perda de apetite, na tosse, diarreia, indigestão, desordens metabólicas associadas com o aumento da urina, como a diabetes, por recém-nascidos, pessoas idosas, pessoas com hábitos sedentários.

O Ghee é largamente utilizado na Fitoterapia tradicional, servindo como veículo para diversas ervas. As ervas são maceradas ou fervidas com o Ghee, e em seguida administra-se uma colher de sopa ou um cálice diariamente dependendo do caso. O Ghee tem como qualidade especial acender o fogo da digestão sem perturbar o Pitta. O Ghee que tenha sido envelhecido durante 10 anos ou mais converte-se num poderoso tónico que é utilizado como medicamento na Ayurveda, para tratamento de obesidade, epilepsia, dores de cabeça e problemas dos olhos e ouvidos; para isso, mescla-se em água e administra-se em gotas. Pessoas que tem problemas de obstipação podem tomar uma colher de Ghee com um copo de leite quente. Combinado com alcaçuz ou cálamo, é extensivamente usado na Ayurveda como um excelente tónico pulmonar.

Na culinária o ghee é um excelente alimento para abrir o apetite, já que incrementa o sabor de todos os alimentos, podendo ser utilizado para todos os tipos de preparações culinárias da mesma forma que os demais óleos, sendo contudo usado em menor quantidade.

Abhyanga – o Toque terapêutico na Medicina Ayurvédica

abhyanga-body-massageO toque é desde tempos imemoriais a forma mais simples e profunda de serenar, acalmar e apaziguar a agitação do quotidiano, tendo uma função enraizante. No contexto da Medicina Ayurvédica o maior número de desequilíbrios surge pelo desajuste do Vata (Ar e Éter) no corpo. Todas as nossas experiências físicas, emocionais, mentais, espirituais produzem memória, consciente ou inconsciente, que acaba por ser armazenada no corpo, tornando-se parte da profunda inteligência do corpo. As experiências desafiantes da vida ancoram, contudo, stress e impurezas que intoxicam o nosso corpo e travam o fluxo natural do Prana (energia vital). O propósito primordial da Massagem Abhyanga é prover ao corpo e aos Três Humores o seu equilíbrio, libertando-o das toxicidades acumuladas, repondo o fluxo do Prana e reintegrando a nossa conexão à natureza, à saúde, ao nosso estado natural de felicidade.

Existem muitas abordagens terapêuticas na medicina Ayurvédica e a massoterapia é a base de todas elas. Abhyanga (mãos amorosas) significa em Sânscrito untar ou esfregar. É uma Massagem terapêutica que faz parte da milenar ciência Ayurvédica, e que envolve uma série de tratamentos ao nível corporal e subtil sobre os pontos marma (o encontro entre os sete Dathus – os tecidos do corpo), e o Sistema de Nadis (Canais) que controlam o Prana – o fluxo de energia vital.

A Massagem Abhyanga é tradicionalmente realizada numa tábua de madeira específica para os tratamentos em Medicina Ayurvédica (Droni) ou numa marquesa comum. A sua aplicação pode envolver um ou dois Terapeutas de Ayurveda, que utilizam o óleo morno realçado com essências de ervas ou flores, apropriado à tipologia do paciente. Os óleos mais comuns usados para cada uma das Bioenergias são o óleo de Sésamo para Vata, o óleo de Coco para Pitta e o óleo de Mostarda para Kapha, embora possam usar-se vários outros óleos, e até combinações de óleos para adequar ao propósito terapêutico da Massagem.

Função da Massagem Abhyanga

De tempos a tempos, o mecanismo de purificação do nosso corpo torna-se inadequado para lidar com as quantidades maiores de toxinas que encontra. É neste sentido que a Massagem Abhyanga fornece uma ferramenta poderosa que age na remoção dessas toxinas e excessos acumulados no corpo. Contudo torna-se obviamente importante evitar as toxinas tanto quanto possível, assim como prevenir a sua acumulação em cada estação do ano, pela sua eliminação regular. Desta forma é aconselhável a prática diária da Abhyanga tornando-a um hábito, que para além de eliminar as toxinas beneficia a saúde no geral, purificando, rejuvenescendo e provendo ao corpo força e fluidez.

Todas as toxinas exógenas entram no nosso organismo pelos nossos órgãos dos sentidos. A pele é o nosso maior órgão dos sentidos e um importante órgão de assimilação. São por isso usados óleos vegetais prensados a frio, e óleos medicados com ervas e essências naturais, que se adequam e equilibram os três doshas respondendo à necessidade terapêutica de cada pessoa, e que são facilmente assimilados pela pele. No contexto da Medicina Ayurvédica à pele devem ser oferecidos apenas substâncias que se podem comer, já que a pele metaboliza os nutrientes que com ela entram em contacto. A pele tem dificuldade em metabolizar óleos minerais e cremes contendo substâncias inorgânicas, retendo na sua superfície os componentes não metabolizados, que geram por vezes alergias e outras reações a longo prazo.

A Massagem Abhyanga tem por objeto o desequilíbrio do corpo e da mente, sendo trabalhada directamente para corrigi-lo. A prática correta da Massagem pressupõe que a mesma só é aplicada com base no diagnóstico de um Médico Ayurvédico ou Terapeuta habilitado. Seja qual for a razão que motive a procura da Massagem é essencial determinar o Prakruti (Constituição) do paciente, assim como o Vrikruti (ou o seu estado actual). Só com estas informações se torna possível estabelecer uma Terapia Ayurvédica e elaborar os tratamentos adequados, escolhendo o tipo de óleo, a temperatura ideal, a intensidade e o ritmo do toque, quais os alongamentos e qual o tipo de pó a usar. A Abhyanga é uma maravilhosa arte de combinações que gera uma Massagem personalizada.

abhyanga-massageA Massagem Abhyanga divide-se em três tipos:

– A Massagem quotidiana preventiva realizada por um terapeuta;

– Série de tratamentos terapêuticos, no enquadramento de um procedimento médico específico;

– Automassagem regular, integrada na rotina diária.

Em geral, as Terapias Ayurvédicas estão divididas em dois ramos distintos: fortalecimento – Brimhana – e redução – Langhana. As terapias de fortalecimento têm o propósito de aumentar a força do paciente. As terapias de redução são mais complexas e servem para eliminar os desequilíbrios dos doshas. Estas terapias são habitualmente realizadas antes das de fortalecimento para limpar e preparar o organismo para a regeneração e revitalização. A Massagem Abhyanga pode ser usada nos dois sentidos – tanto para fortalecer o corpo como para ajudar a limpar e a reduzir os excessos do organismo.

Tal como a alimentação, a massagem também é necessária para o ser humano desde o nascimento até à morte. A comida fornece nutrição de fontes externas ao organismo, enquanto que a massagem proporciona nutrição na forma de proteínas, glicose, e outros vitalizantes químicos que estão dentro do sistema, e que ficam disponíveis através da dinamização proporcionada pelos movimentos da Massagem. A Abhyanga preserva a energia do corpo e resguarda o organismo da deterioração, ao mesmo tempo que ajuda o organismo a remover as toxinas para fora do corpo através do suor, urina e muco, rejuvenescendo, consequentemente, o corpo.

Na Índia é tradição massajar o corpo desde o primeiro dia de nascimento, o que continua por todos os dias até pelo menos ao terceiro ano. Após os três anos de idade a rotina muda e a massagem é feita ao menos uma ou duas vezes por semana, até por volta do sexto ano. Depois disso a criança é capaz de massajar outras pessoas e receber massagem em troca, isto continua até ela começar a jogar e praticar exercícios físicos. A massagem semanal é uma cena familiar e faz parte da vida.

Também existem massagens cerimoniais. Uma delas é a massagem antes do casamento, que fornece o brilho e a beleza para o jovem casal. Feita com óleos medicados e outras substâncias, a massagem relaxa quem se vai casar, dá vigor, proporciona força psíquica e aumenta a beleza. Outra massagem recomendada é a da mulher depois do parto, esta é feita diariamente durante no mínimo 40 dias.

Benefícios da Massagem Abhyanga

abhyanga-massage2De acordo com o antigo texto do Ayurveda, o “Charaka Samhita”, e outros contos da tradição terapêutica védica, a Abhyanga promove a suavidade, elasticidade e o brilho na pele, lubrifica os músculos, tecidos e articulações, aumenta a flexibilidade e revitaliza o corpo por inteiro. Retarda o envelhecimento, porque nutre os sete componentes do corpo humano (dhatus). Tem o propósito de desobstruir os canais energéticos (nadis), equilibrar os doshas, prevenir e eliminar ama (toxinas) do corpo. Promove uma respiração mais profunda e natural. Equilibra o corpo, a mente e a energia vital para estarmos em harmonia com nossa própria natureza e com o mundo. Aplicada diariamente fortalece o indivíduo, torna-o resistente ao envelhecimento, mais capaz de suportar trabalhos extenuantes e ferimentos acidentais.

Ao friccionar, comprimir e pressionar a musculatura, e ao manipular os pontos de pressão, intensifica-se a circulação da energia, do sangue, da linfa e das hormonas, que por sua vez, fortalecem os sistemas nervoso e imunológico, estimula o sistema digestivo, aumenta a imunidade, o apetite, leva ao sono profundo e restaurador, torna a vida mais alegre e saudável. Atua nos sistemas linfático, sanguíneo e nervoso, promove também a virilidade e combate o stress hormonal, a ansiedade, a tensão e a depressão, para além de ajudar a tratar a dor.

O Ayurveda diz que dores e males são causados pela obstrução do fluxo de vayu (vento), através dos vasos condutores de vayu. O calor gerado pela fricção, faz o ar do corpo expandir-se e mover-se; a circulação do vayu alivia a tensão e reduz a dor.

Esta Massagem incide profundamente no Sistema Linfático pois este tem como função nutrir, drenar e fazer circular os nutrientes no organismo, para além de ser o produtor de glóbulos brancos. Este Sistema carece de um motor próprio (como o coração para o Sistema Circulatório) necessitando por isso do movimento, de uma respiração cuidada e de massagem. A Massagem acaba por aumentar o poder imunitário do organismo, e o poder de absorção de nutrientes, assim como restaura a circulação geral de energia. É essencial que esta seja acompanhada de uma respiração profunda.

Precauções na aplicação da Massagem Abhyanga

A massagem não deve ser aplicada em pacientes nestas condições, excepto sob orientação médica:

  • Pacientes em uso de quimioterapia e radioterapia.
  • Cancro em estágio terminal, ou qualquer patologia que indique estágio terminal.
  • Pacientes com HIV, principalmente com sarcoma Koposi – (lesão na pele) ou outras lesões de pele.
  • Gestantes, a não ser sob orientação médica.
  • Trombose venosa profunda.
  • Infeções, dores associadas e febre.
  • Fratura até que esteja consolidada.
  • Hemorragias, ou qualquer sangramento que possa ser aumentado pela massagem.
  • Erupções na pele.
  • Náuseas, vómitos e diarreia.
  • Psoríase em atividade.
  • Veias varicosas importantes.
  • Artrite séptica.
  • Distensão abdominal, inchaço do fígado e do baço.
  • Quando a pessoa acabou de fazer uma refeição completa.
  • Quando uma pessoa acabou de ter uma relação sexual.

Advertências à execução da Massagem Abhyanga

Todo e qualquer ser humano que não se encontre em estados fisiopatológicos comprometedores, podem e devem realizar a massagem com o objetivo de prevenir desequilíbrios na sua saúde física, emocional, mental e espiritual.

Durante a gravidez é de evitar qualquer tipo de Massagem sobretudo no que toca aos pontos que percorrem o interior das pernas, que estão ligados à bexiga e têm um poder abortivo. O mesmo se aplica à Massagem dos pés.

A pessoa que aplica massagem deve ser física e mentalmente saudável. Se o terapeuta tiver boa aparência e vibrações calmantes a massagem pode fazer milagres.

Deve-se ensinar massagem às crianças. Elas então fazem-na por diversão, a sua energia é pura e não sofrem de perda de energia.

Frequência e Duração da Massagem Abhyanga

abhyanga-massage1O tratamento inicial é ideal para avaliar e determinar a natureza da pessoa e as condições em que ela se encontra. A partir do 1º tratamento/consulta, pode-se determinar e aconselhar mais aplicações. Podendo ser uma, duas, ou três vezes por semana, conforme a avaliação responsável do nível de desgaste energético no quotidiano do próprio paciente.

Uma sessão completa de massagem dura cerca de uma hora, porém isso também é determinado pelo terapeuta de acordo com a avaliação realizada previamente. Para pessoas com boa saúde e que desejam apenas relaxar, a sessão pode durar 40 minutos com mais 5 de descanso. Para pessoas com enrijecimento muscular ou dores articulares pode variar entre 45 e 65 minutos com ênfase nestas zonas, e mais 5 de descanso. Crianças e idosos deverão receber 35 minutos mais 5 de relaxamento.

O conforto caseiro da Massagem Indiana à Cabeça

indian-head-massage2A massagem indiana à cabeça (ou “Champi” em hindi) é uma prática que teve origem há mais de quatro mil anos na Índia, oriunda de uma tradição e práticas de preparação e embelezamento da mulher para um noivado auspicioso. As Mães indianas tinham por hábito massajar o cabelo das suas filhas com diferentes óleos terapêuticos e aromáticos para estimular o seu crescimento e gerar longas e brilhantes madeixas. Com o tempo tornou-se popular em todas as faixas etárias tornado-se parte integrante das partilhas familiares quotidianas, e da rotina diária de prevenção relacionada com a saúde, longevidade e bem-estar. A Indian Head Massage, como também é conhecida, é praticada em bebés e crianças, para estimular a sua inteligência; nos jovens, para acalmar as alterações próprias da adolescência; nos adultos, para fomentar a sua boa disposição e foco; nos idosos para incrementar a sua longevidade e saúde.

Narendra Metha, um homem cego que cresceu numa comunidade indígena onde a Champi era uma parte importante da vida familiar e comunitária, foi a primeira pessoa a desenvolver e formalizar a massagem indiana numa terapia estruturada. A Champissage é hoje, uma das formas mais populares de massagem à cabeça – uma sequência registrada de movimentos de massagem.

Metha chegou à Inglaterra na década de 70, onde se formou como fisioterapeuta. Em 1978 ele retornou à Índia, onde estudou os benefícios e a prática da Champi. Metha incluiu também o pescoço, os ombros e o rosto na massagem, e empregou o conhecimento ancestral dos pontos Marma (Marmaterapia), com os conhecimentos de shiatsu e acupressão para relaxar áreas tensas, reequilibrar a energia e limpar quaisquer áreas de tensão concentrada.

Os benefícios da Champi

A Massagem indiana à Cabeça é um dos tratamentos principais recomendados pela Ayurveda na rotina diária para a prevenção dos distúrbios de Vata (Ar e Éter). A massagem age profundamente no corpo todo, aumentando o fluxo de Prana pelos canais ou Nadis. Eis alguns dos benefícios:

– Ela traz claridade à mente;

– Alivia e trata a insónia;

– Incrementa a memória;

– Alivia o stress e a ansiedade;

– Diminui a pressão alta e a fadiga crónica;

– Retrai a perda de cabelo, retarda a calvície, e diminui a incidência prematura de cabelos grisalhos porque aumenta a oxigenação e nutrição no couro cabeludo;

– Dinamiza a circulação sanguínea e a drenagem linfática na zona do pescoço, libertando o corpo de substâncias tóxicas;

– Aumenta o oxigénio e a glicose no cérebro, melhora a circulação do elemento vital (o fluído cerebroespinal);

– Aumenta a secreção de hormonas de crescimento e enzimas necessárias ao crescimento e desenvolvimento das células do cérebro;

– Aumenta o nível de energia prânica no cérebro, promove altos níveis de atenção e concentração, previne estados depressivos;

– Alivia a fibromialgia e a congestão das vias aéreas;

– Ajuda a recuperar dos efeitos nocivos da radiação acumulada pelo uso de telemóveis;

– Melhora a visão nos adultos, para além de fomentar o desenvolvimento da visão e do cérebro dos bebés de seis a nove meses de idade.

A Massagem indiana à cabeça trabalha em áreas afetadas pelo stresse mental e emocional e tem a capacidade de produzir um alívio bastante rápido. Pessoas que sofrem de dores de cabeça, enxaquecas, insónia, tinitis, vertigem e depressão podem beneficiar bastante com esta massagem.

O ar condicionado, a iluminação artificial do ambiente de escritório causam muitas vezes dores de cabeça, assim como ficar sentado à frente do computador o dia todo ou ao volante, pode resultar na formação de nódulos de tensão no pescoço e nos ombros.

Com a vantagem de poder ser realizada na postura sentada e a seco, a massagem indiana à cabeça tem vindo a tornar-se popular em grandes empresas, que as oferecem aos seus funcionários, como forma de aumentar a produtividade, reduzir o absentismo e fomentar a qualidade de vida dos seus trabalhadores.

O que esperar numa sessão de massagem à cabeça

serenity-indian-head-massageNormalmente realizada enquanto o paciente está sentado, esta massagem leva cerca de 20 a 30 minutos e está focada na parte superior das costas, ombros (eventualmente braços e mão), pescoço, cabeça e rosto para ajudar a aliviar uma variedade de condições relacionadas com o stresse, para além de libertar a tensão muscular.

O terapeuta colocará o foco em restaurar o equilíbrio e a harmonia trabalhando os três chakras superiores. Em sânscrito, essas áreas são chamadas Vishuddha (a base da garganta – a Tiróide), Ajna (a 3ª Visão – a Pituitátia) e Sahasrara (a coroa – a Pineal). O chakra (“roda” ou “disco”) é um centro de energia vital na forma de uma flor de lótus. A cabeça da “flor” é encontrada na parte frontal do corpo, estando o seu caule enraizado na coluna vertebral. Existem sete chakras principais situados em torno da coluna vertebral, começando pelo chakra da raiz na base da coluna, e terminando com o chakra da coroa – logo acima da cabeça. Quando o terapeuta equilibra os três chakras superiores, o resto dos chakras equilibram-se pela ressonância e vibração produzidas pela massagem.

Uma massagem de cabeça indiana profissional provoca uma sensação semelhante a uma massagem de reflexologia, que é realizada nos pés, mas que é sentida em todo o corpo. Isso ocorre porque existem vários pontos de Marma importantes na cabeça, que se refletem pelo corpo todo, e que quando sabiamente estimulados e reequilibrados produzem uma saúde e bem-estar perfeitos.

A massagem indiana na cabeça pode ser seca ou com a utilização de óleos medicados, sendo esta a mais habitual. Para além de nutrirem os cabelos, os óleos também acalmam o sistema nervoso, já que as raízes do cabelo estão ligadas às fibras nervosas.

Os óleos na Massagem indiana à cabeça

Indian-Head-Massage-smallUm dos óleos mais utilizados na Massagem Indiana à cabeça é o Óleo de Brahmi (Bacopa Monieri). Conhecido pelas suas propriedades regeneradoras dos neurónios e a estimulação da circulação sanguínea no cérebro, este óleo tem uma longa tradição de utilização como óleo capilar, diminuindo a inflamação provocada pelo excesso de Pitta, fomentado a inteligência em crianças pequenas, e a memória nos idosos, para além dos seus benefícios no tratamento de desequilíbrios do couro cabeludo.

Para a cobertura dos cabelos grisalhos e o tratamento da calvície, são habitualmente usados óleos com plantas antioxidantes que rejuvenescem o couro cabeludo, com o Óleo de Amla, o Óleo de Neem e o Óleo de Bringaraj.

Uma das fórmulas ayurvédicas mais conhecidas para o cuidado capilar, nutrição e fomento da memória é o Himtaj. Esta fórmula contém algumas das plantas já mencionadas além de outras menos comuns em Portugal.

Efeitos colaterais da Champi

massage head 1Todos os tratamentos têm as suas consequências no corpo, sendo alguns deles mais perturbadores do que outros. A Champi tem como base a observação da pessoa na sua dimensão holística, e como tal são tidas em conta as características específicas da massagem que deve ser aplicada em função do perfil, da idade, da condição física da pessoa, das suas necessidades individuais. Alguns dos efeitos da Massagem indiana à cabeça são os seguintes:

Efeito diurético: A Champi tende a eliminar todas as toxinas e resíduos do corpo. Consequentemente é natural que sinta uma vontade mais urgente de urinar após a massagem. É inclusive recomendável que ingira um pouco mais de água para coadjuvar neste processo de limpeza propiciado pela Champi.

Dores musculares: Ao ajudar a liberar todos os músculos tensos, a Champi tem por vezes como consequência o surgimento de alguma dor muscular após a massagem. A dor que surge no músculo está associada ao processo de reparação do mesmo.

Melhoria da consciência do nossa envolvência: A Champi tem muitas vezes como resultado uma melhoria significativa na perceção sensorial, consequência da melhoria da memória, da clareza proporcionada pela massagem. É muito adequado descansar após a terapia de forma a libertar todo o stresse, dor, tensão e peso que estava a ser carregado.

Baixa ligeiramente nível de açúcar no sangue: No caso de padecer de diabetes convém aferir o impacto que a massagem pode ter no seu corpo, confirmando os seus níveis de açúcar após a mesma, de modo a confirmar o benefício ou desequilíbrio que a Champi possa ou não trazer.

Rigidez dos ombros e pescoço: Para quem já sente os ombros e o pescoço rígidos, pode sentir a manipulação como algo um pouco intenso, aumentando por vezes um pouco a própria rigidez após a massagem. Essa dor agravada é temporária, e é resultado dos nós e músculos que foram libertos durante a Champi, sendo a mobilidade e liberdade dos músculos recuperada e melhorada pouco tempo depois da massagem.

Tonturas: A sensação de tonturas após a massagem pode ser um sintoma importante a ter em conta. A Champi tende a estimular a circulação do sangue em certas partes do corpo, e dependendo da condição física do mesmo, pode aumentar ou diminuir a pressão arterial. É natural que após a libertação da tensão a que o corpo estava sujeito surja uma certa leveza que provoque a sensação de desequilíbrio. Esta sensação é habitualmente passageira, diminuindo com a repetição do tratamento.

A massagem indiana à cabeça constitui um ícone de partilha, de geração de laços mais profundos entre os membros de uma família, e também entre amigos, fomenta ligações, boa disposição, saúde, alegria, bem-estar, e por isso tudo previne tristezas e desequilíbrios. Em suma, contém todos os ingredientes para continuar a ser uma excelente etapa a acrescer numa rotina e estilo de vida equilibrado e saudável.