Ayurveda e o Pós-parto | o nascimento da Mãe equilibrada

motherbaby-1024x682O parto dá à luz uma nova Mãe, tão delicada e sensível como o seu bebé recém-nascido. Nas seis semanas após o parto as mudanças que ocorrem no corpo da mulher são intensas, por vezes severas, e muitas vezes desenraizantes, como é habitualmente em qualquer aumento súbito do Vata. A energia da nova mãe está vulnerável tanto a nível físico, como também, emocional, mental e até espiritual, e todo o impacto que ela recebe deste intenso movimento e transição, tem consequências tanto no seu bebé, quanto na sua família. No pós-parto, a Ayurveda considera, por isso, a nova mãe, como a grande prioridade. Toda nutrição, amor e cuidado que ela receber, será naturalmente retribuído por ela em carinho, proteção, suporte e dedicação ao seu recém-nascido, e à sua família.

A depressão pós-parto tornou-se um lugar comum na nossa sociedade, em virtude da tendência em colocar-se o foco no bebé recém-nascido, que apesar de naturalmente necessitar de todo o cuidado e atenção, depende em quase 100% do bem-estar e equilíbrio da sua mãe.

O período pós-parto é, por isso, considerado vital para a recuperação e rejuvenescimento da mãe. O choro contínuo de um bebé em processo de encontrar um sono consonante pode produzir um grande desequilíbrio numa nova mãe desacompanhada.

O Pós-parto e o Vata | O que Mãe recebe, o bebé recebe

depNo corpo, o Vata é composto do elemento éter (espaço) e ar, e as suas qualidades são seco, leve, frio, móvel, subtil, claro, áspero e duro. O Vata é responsável por todos os movimentos e mudanças, e está ativo no corpo através da circulação, do nosso movimento muscular, pulsação, eliminação, sistema nervoso e processos de pensamento. Está por isso envolvido em todas as nossas mudanças, internas e externas, habilitando-nos para progredirmos e mudarmos na Vida.

O parto é uma força extrema de movimento e uma forma intensa de mudança no qual o Vata é intensamente provocado e aumentado. O incremento do Vata deve-se particularmente ao aumento súbito de espaço vazio deixado para trás no útero, após a expulsão do bebé. É assim natural que a nova mãe sinta um frio progressivo no seu corpo, que é neste caso perturbador e desequilibrante, e que necessita de cuidado, calor e carinho para se pacificar.

Com os sintomas do desequilíbrio do Vata pode surgir a insónia, os problemas de lactação, obstipação, pele seca, articulações secas e/ou doridas, sensação de frio, tremor, indigestão e cólica, medo e confusão, sinais de desequilíbrio de Vata no bebé e depressão pós-parto.

Quando as novas mães recebem cuidados pós-parto adequados, elas são menos propensas a sofrer de depressão pós-parto. A assistência pós-parto ayurvédica permite que as mães façam uma digestão mais saudável; tenham maior abundância de leite e imunidade; tenham mais energia, e façam uma regeneração e rejuvenescimento mais rápido; estabeleçam uma ligação mais profunda com o bebé, e tenham um relacionamento mais fluído com o companheiro e a família.

O bem-estar e a felicidade da nova mãe afeta a saúde familiar e o contentamento do bebé. A capacidade da mãe de se conectar com o bebé de forma amorosa afeta o sistema digestivo, a imunidade e as habilidades sociais do bebé. Após o parto a mente, o corpo e o coração do bebé estão profundamente abertos a todas as influências externas, em particular as da sua mãe.

Na Medicina Ayurvédica o foco é dado à prevenção e ao tratamento do desequilíbrio do Vata através de recomendações dietéticas, estilo de vida, fitoterapia, autocuidado, posturas e alongamentos (yoga), terapias corporais, e meditação.

Dor-na-Relacao-Sexual-Apos-uma-CesareaA massagem é uma parte fundamental dos cuidados pós-parto, habitualmente com óleo de sésamo, e azeite, sendo também aplicado óleo de coco na massagem à cabeça. É também recomendado um banho quente, em que água quente é vertida no abdómen inferior e na área pélvica da mãe. Normalmente, adicionam-se folhas de neem à água pelas suas propriedades antisépticas. Os sabonetes são substituídos por pó de grão de bico misturado com natas.

A amamentação e a Ayurveda

Baby eating mother's milk. Mother breastfeeding baby.A amamentação é única e individual para todas as mães, e quando elas se permitem honrar o seu natural instinto e sabedoria é mais provável que sejam bem sucedidas. Para que a amamentação flua de forma natural é importante que a nova mãe encontre um espaço de bem-estar e autocuidado na sua rotina diária.

Nessa rotina a consciência da respiração representa um papel fundamental. O bebé irá procurar sentir a respiração da mãe, sendo o ritmo respiratório o barómetro que permite ao bebé perceber o estado emocional da mãe, no intuito de a mimetizar. Quando amamenta a mãe pode tomar algum tempo para meditar, respirar, enraizar-se, e focar-se no equilíbrio das suas emoções, transmitindo assim aprendizagens subtis ao seu bebé.

Segundo o Charaka Samhita, um dos manuais de referência na Ayurveda, a amamentação e a oleação diária são as duas bases sólidas de nutrição e proteção do bebé. Idealmente, o bebé vive exclusivamente de leite materno por pelo menos 6 meses, e continua a amamentar pelo maior tempo possível. Ancestralmente a amamentação podia estender-se até aos 10 anos de idade. Na Ayurveda compreende-se que os anticorpos e imunidade presentes no leite da mãe são mais concentrados quanto mais tempo ela nutre, para compensar o fato de a criança não amamentar com tanta frequência.

Massagem diária da mama

Para preparar a amamentação a massagem diária da mama é um cuidado fundamental. Pode ser feita sozinha, ou com ajuda, antes ou depois do banho, de manhã ou à noite. Deve ser usado um óleo morno orgânico como girassol, coco, azeite, amêndoa ou óleo de sésamo, podendo a mãe consultar um terapeuta ayurvédico para descobrir qual é o óleo mais adequado à sua constituição. Existem muitos óleos infundidos à base de plantas ayurvédicas disponíveis para vários problemas. Ao criar o hábito de massajar os seios diariamente, ainda durante a gravidez evita a tendência aos ductos do leite entupidos.

Quando a mãe sofre de mastite deve evitar uma massagem vigorosa. Em vez disso, deve aplicar uma folha de repolho quente no seio infectado, descansar e aplicar pasta de açafrão da índia em torno do mamilo.

Uma dieta para um leito materno saudável

A dieta da mãe muito influente na qualidade do leite materno. O sistema digestivo tanto da mãe como do bebé é muito delicado após o parto, e basta apenas uma pequena quantidade dos alimentos desadequados para causar problemas.

É importante a mãe escolher alimentos e bebidas quentes, moles, assados, moídos, fáceis de digerir e nutrir. As refeições quentes e bem preparadas são realmente importantes. Sopas e ensopados são ótimos quando preparados com temperos digestivos, como cominhos, erva-doce, feno-grego, gengibre, aipo, feno-grego, açafrão da índia, pimenta do reino, alho, e coentros. Incluir de legumes, como cenouras, beterrabas, abóboras, abóboras, quiabos, espargos e inhames. Pudins preparados com cardamomo, cravinho-da-índia, canela e arroz, araruta ou aveia. O leite dourado e o ghee são alimentos privilegiados durante o período pós-parto.

O feijão mung e as lentilhas vermelhas que foram demolhadas durante a noite, e bem cozidas com açafrão da índia fornecem proteína facilmente digerível, assim como nozes e sementes demolhadas. Para os não-vegetarianos, a sopa de galinha é especialmente boa quando preparada com ossos para adicionar nutrientes.

A água é fervida com sementes de funcho e é dada à mãe frequentemente para aumentar o leite materno. Água fervida com sementes de feno-grego é dada após a refeição pela manhã para aliviar dores nas costas e nas articulações. Água fervida com sementes de jeera (cominhos) é dada para combater a infecção e a formação de gases.

O que evitar comer durante a amamentação

São de evitar todos os alimentos secos, frios, ásperos e difíceis de digerir, bem como substâncias estimulantes.

Quando uma nova mãe come muitos vegetais crus e saladas que são frias e ásperas, além de alimentos difíceis de digerir, o seu leite fica pesado e difícil de digerir, consequentemente o bebé provavelmente sofrerá de caimbras e cólicas.

Os alimentos difíceis de digerir incluem sobras de comida, queijo duro e frio, iogurte gelado, gelados, leite frio, água gelada, trigo, fritos, batatas fritas, e açúcar branco refinado. Substâncias muito estimulantes incluem café, chá preto, chocolate, álcool, açúcar refinado branco e alimentos picantes e muito quentes. Todos estes alimentos fazem produzem desequilíbrios e fomentam cólicas nos recém-nascidos.

Fórmula Angaya podi para o pós-natal

Angaya_PodiA Angaya podi é uma fórmula herbal pós-natal ayurvédica. É usada para manter a saúde e a beleza da mulher no pós-parto. Esta formulação tradicional é originária do estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, perto de Kerala, onde é transmitida geração após geração. A fórmula tem o intuito de melhorar o poder digestivo da mulher, que fica debilitado após o parto. Entre os ingredientes encontram-se especiarias e plantas que estimulam a digestão, podendo esta receita ser usada por outros, especificamente aqueles que padecem de má digestão, diabetes, colesterol e flatulência.

Receita | Ingredientes

1/2 chávena de sementes de coentros

1/4 chávena de flores de neem secas ou 1/2 chávena de folhas de neem secas

1/4 de chávena de manathakkali vattal (maravilha seca ou sunberry ou solanum retroflexum)

20 a 30 bagas de sundakkai vattal (baga de peru seco ou solanum torvum)

1/2 chávena de folhas de caril

3 colheres de chá de pimenta preta

um pequeno pau de 1 polegada de kandda thippili ou pimenta longa

1 pimentão vermelho seco

3 colheres de chá de sementes de cominhos

1 colher de chá de sementes de aipo (ajwain)

um pequeno pedaço de gengibre seco

uma pitada de perungayam (assafoetida)

sal (de preferência sal de rocha) – a gosto

Instruções

Os ingredientes acima são fritos a seco (sem óleo) numa wok. Moer a mistura depois de assada num pó suave usando um liquidificador de cozinha. Depois de ter feito o podi (pó), e provado, podem ajustar-se os ingredientes para se adequar ao paladar de quem a vai tomar.

A fórmula deve ser armazenada num recipiente limpo e hermético. O podi pode durar alguns meses. Servir o podi com uma colher de chá de ghee e arroz cozido. Também pode ser adicionado ao caril e pratos de legumes salteados.

Para recomendações mais precisas em função da sua constituição, a nova mãe deverá consultar um terapeuta ou médico ayurvédico.

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Shirodhara | Uma das mais relaxantes terapias da Ayurveda

Shirodhara1O Shirodhara é uma das mais divinas e relaxantes terapias que se possa experimentar. O termo shirodhara é uma união de duas palavras: “Shir” que significa cabeça, e “dhara” que significa derramar um fluxo ou aspersão. O Shirodhara significa assim o derramamento de um remédio líquido num fluxo contínuo sobre a cabeça, por um período estipulado de tempo. É uma terapia indicada para todas as estações do ano e para os três doshas. Esta terapia corporal insólita tem um profundo impacto no sistema nervoso. Acalma direta e imediatamente a mente, relaxa, e tem um efeito de limpeza no sistema nervoso. É um tratamento exclusivo da Ayurveda, e no universo das medicinas alternativas talvez seja a única terapia corporal que tem um efeito no sistema nervoso semelhante à prática regular de meditação. Após esta terapia o paciente irradia frescura na pele, saúde, vitalidade e profundo bem-estar, mostrando um sorriso de serenidade.

Se considerarmos o corpo humano como uma árvore invertida, as raízes estão no topo e os galhos apontam para baixo. A cabeça do corpo humano será a raiz desta árvore. O dorso, o tórax e o abdómen, será o tronco dessa árvore. Os membros, superiores e inferiores, serão os ramos desta árvore. Assim como as raízes de uma árvore alimentam e controlam todas as atividades e o bem-estar da árvore, a cabeça é o centro operacional de todo o corpo, controlando a função do cérebro e da medula espinhal.

A cabeça tem muitos marmas ou pontos vitais, e é a casa da glândula endócrina principal, a pituitária. A testa contém uma das sedes do Vata (do Prana Vata em particular), e também abriga os subtipos de Kapha (tarpak kapha) e Pitta (sadhak pitta); considera-se que a sede do Sadhak Pitta, um subtipo do Pitta, é o hridaya que significa “coração”. Contudo, na Ayurveda, o hridaya engloba tanto o coração quanto o cérebro. Então a cabeça, que abriga o cérebro, também se torna uma sede de sadhak Pitta.

Através dos respectivos centros nervosos no cérebro, a cabeça também controla a sensação de audição, olfato, paladar e visão. Uma vez que as três bioenergias (ou doshas) estão representados na região da cabeça, qualquer desequilíbrio no dosha pode causar distúrbios nesses respectivos centros, com repercussões generalizadas em todo o corpo. Assim, o shirodhara, através do uso de vários meios como óleos, ghee e soro de leite, pacifica estas bioenergias e funciona indiretamente em todo o corpo. O Shirodhara traz força e resistência à região da cabeça para que todo o corpo funcione suavemente.

A terapia

3Sobre a testa ou ajna marma é vertido num fluxo contínuo óleo morno (ou outro líquido). Este tratamento é um tipo de procedimento “murdha taila“. Isso refere-se à aplicação de óleo na cabeça ou murdha. A pressão do fluxo do óleo na testa cria uma vibração, ao mesmo tempo que satura a testa e o couro cabeludo, penetrando suavemente no sistema nervoso. A vibração, a pressão suave e o calor reconfortante do óleo permitem que o corpo, a mente e o sistema nervoso experimentem um estado profundo de descanso, semelhante à meditação. A vibração produzida na terapia é amplificada pelo seio oco presente no osso frontal. A vibração é então transmitida para dentro através do meio fluido do líquido cefalorraquidiano. Esta vibração, juntamente com a temperatura, pode ativar as funções do tálamo e do cérebro anterior basal, que então leva a quantidade de serotonina e catecolamina ao estágio normal, trazendo a tranquilidade mental e induzindo o sono natural.

O Shirodhara é tradicionalmente feito como parte do processo de limpeza panchakarma usando-se um óleo especialmente preparado para o efeito. A aplicação de óleo pode ser feita de várias formas:

Shiro Abhyanga – Massajar a cabeça com óleos de ervas por um período fixo de tempo, geralmente de 20 a 40 minutos.

Shiro Seka/Shiro dhara – Um procedimento no qual os óleos vegetais ou líquidos medicinais como o leite ou leitelho são vertidos num fluxo sobre a cabeça do receptor por um período fixo de tempo, geralmente 20 minutos a 60 minutos.

Shiro Pichu – A aplicação de uma almofada de algodão embebida em óleo sobre a cabeça.

Shiro Basti (Vasti) – Este procedimento envolve uma represa construída sobre a cabeça de um paciente sentado. Um vaso de couro (ou outro material) é selado na cabeça com farinha de grão. É preenchido com óleos de ervas e mantido lá por um tempo estipulado.

Três tipos de Shirodhara

Óleos diferentes, misturas de óleos de ervas e ghee podem ser misturados e usados dependendo da experiência prática e sabedoria do praticante. No Sneha dhara usa-se óleo de ervas ou ghee. No Ksheer dhara usa-se leite infundido com ervas. No Takra dhara usa-se leitelho infundido com ervas adequadas. No Sneha Dhara: óleo Shirodhara.

Na predominância dos desequilíbrios de Vata ou Kapha, ou Vata Kapha, geralmente é utilizado óleo quente. Nas desordens de Vata pode ser usado óleo de Dhanwantram ou o óleo de Mahanarayana. Em caso de predomínio de Pitta ou desequilíbrios de Pitta, são utilizados óleos e outros líquidos frios (à temperatura ambiente). Nos distúrbios de Pitta, pode-se usar óleo quente como o óleo de Chandan Bala Lakshadi. Se o Pitta também é acompanhado pelo desequilíbrio do Vata, pode-se usar ghee de ervas quentes como o ghi Brahmi ou ghee saraswat pode ser usado para o shirodhara.

shirodhara-milkKsheer-dhara: Leite Shirodhara

Este é outro tipo de shirodhara em que o leite medicado ou o leite infundido com ervas é usado para o tratamento. É ritmicamente vertido na testa a partir de uma altura específica e durante um período de tempo específico, permitindo que o leite passe pelo couro cabeludo e pelo cabelo.

Takra-dhara: Leitelho Shirodhara

O Takra-dhara é um tipo de shirodhara em que takra ou leitelho infundido de ervas é derramado de uma altura específica e por um período de tempo específico continuamente e ritmicamente. O takra atravessa o couro cabeludo e entra no cabelo.

No procedimento o paciente fica deitado sobre uma marquesa ou droni (mesa de massagem tradicional da Ayurveda). Esta marquesa tem um desenho anatómico apropriado para escorrer o óleo de volta ao reservatório atrás da cabeça do paciente. A taça (reservatório de óleo pendurado acima da cabeça do paciente) deve estar a uma altura de 6 a 7 cm da cabeça. Ajusta-se a taça para que o fluxo caia exactamente sobre no meio da testa. O terapeuta prepara o óleo adequado ao paciente na quantidade de ½ a 1 litro de óleo medicado. Com um fogareiro, deve-se aquecer o óleo e em seguida despeja-lo dentro da taça. O fluxo do óleo deve ser contínuo e com temperatura pouco acima da temperatura do paciente, conforme o que também seja confortável para o mesmo. Antes de se acabar o óleo da taça, deve-se aquecer novamente e despejá-lo de volta. Repetir o procedimento até atingir o tempo necessário à terapia. Pergunta-se ao paciente se a temperatura do óleo está adequada, e procura-se regulá-la de acordo com a necessidade.

Pontualmente ao longo do tratamento, deve-se mover a taça em movimentos circulares, e cobrir com o fluxo toda a testa, movimento este que é bastante relaxante. Para finalizar puxa-se gentilmente a toalha que cobre os olhos em direcção à coroa (para se escorrer o óleo), e faz-se então uma massagem. Por fim, coloca-se uma toalha seca em torno da cabeça para secá-la. É aconselhável colocar-se uma touca ou um gorro após o tratamento, para evitar a sensação de frio que pode provocar o aumento do Vata.

Duração do Shirodhara

O Shirodhara pode ser feito por um período de 20 a 60 minutos, dependendo da natureza e gravidade do desequilíbrio do dosha ou dependendo da constituição do indivíduo ou Prakruti. A terapia é habitualmente realizada por um período de 7 a 14 dias ou conforme recomendado pelo praticante. O Shirodhara também pode ser feito por 7, 14, 21 ou 28 dias ou mais em casos crónicos. Geralmente, um pequeno intervalo de tempo é fornecido entre dois tratamentos e muitas vezes é descontinuado depois de três semanas.

O horário ideal para a realização do Shirodhara é geralmente nas primeiras horas da manhã, de preferência entre 6h e 10h. Em condições de Pitta alto, também pode ser feito à tarde.

Benefícios do Shirodhara

shirodhara-a.jpgO Shirodhara é um ótimo tratamento para o sistema nervoso comprometido. Pode também ajudar a aliviar os sintomas de ansiedade, stress, fadiga e hipertensão. Alivia a tensão, preocupação, medo e dor de cabeça, bem como a depressão. Regula o humor, estimula o Prana Vata, proporciona um relaxamento profundo, alivia a fadiga, revigora o corpo e a mente estimulando a memória cognitiva, e traz sentimentos de prazer e repouso.

O tratamento com o Shirodhara é recomendado para a prevenção de muitos distúrbios psicossomáticos. Num indivíduo saudável, o Shirodhara é um ótimo tratamento para manter e melhorar a saúde, a clareza, a calma e a imunidade, e prevenir doenças relacionadas com o corpo, a mente e os órgãos sensoriais.

Indicações Terapêuticas

O Shirodhara é indicado quando o paciente sofre de diabetes, úlceras, psoríase, doenças por distúrbios sexuais, fibromialgia, enxaqueca, pode ser associado ao tratamento de anemias e colite, pré-terapia Panchakarma, tratamento de beleza da pele e do cabelo, rugas, acne. Como Pós-Terapia para a quimio e radioterapias. No auxílio ao tratamento da Sida e como Rasayana (rejuvenescimento). Em particular em cada bioenergia:

Vata Problemas de natureza psicológica, falta de concentração, doenças do sistema nervoso, paralisias em geral, tremores, insónias, doenças psiquiátricas, manias, epilepsia, doenças psicossomáticas, todas as doenças da cabeça e órgãos dos sentidos, perda de cabelo, perda de audição, fadiga e exaustão mental, língua acinzentada, insónia, dores de cabeça, secura da face e do couro cabeludo, obstipação.

Pitta – Sensação de ardor na cabeça e no corpo, faringite, conjuntivite, excesso de suor, perda da visão, doenças no sangue, hemorragias, icterícia, herpes, língua amarelada, urina e fezes amareladas ou esverdeadas.

Kapha – Excesso de sono, peso no corpo, indigestão, muco em excesso, obesidade, digestão fraca, língua esbranquiçada, fezes e urina branca, perda de apetite, repulsa por comida.

O Shirodhara também pode ajudar nos seguintes desequilíbrios:

Transtorno de stress Pós-Traumático: o Shirodhara reduz o excesso de Vata, que é um fator primário neste transtorno.

Insónia e transtorno do trabalho por deslocamento do Sono: o Shirodhara é tradicionalmente conhecido pela sua capacidade de ajudar com problemas de sono. O processo do Shirodhara estimula a glândula pineal, que produz a melatonina, o regulador do ciclo vigília-sono. Acalma a mente inquieta e induz ao descanso. Se a insónia decorre do trabalho noturno e o ciclo vigília-sono estiver fora de sincronia com os ritmos naturais do sol, o shirodhara pode ajudar a remover a fadiga, restaurar a energia e restabelecer a harmonia nos doshas ou na constituição.

Jet lag: Quando as pessoas viajam muito, o seu ritmo de sono diário está muitas vezes fora de sincronia. O shirodhara pode ajudar a redefinir o padrão diário de acordar e deitar, bem como remover a fadiga acumulada. A pessoa pode levar consigo um óleo calmante Vata ou óleo de Bhringaraj e aplicar na cabeça antes de dormir, ou procurar um médico ayurvédico local para receber o tratamento.

Hipertensão: Raktagata Vata é um desequilíbrio do Vata que pode estar correlacionado com a hipertensão. O Shirodhara provou ser eficaz na redução da pressão arterial.

Dores de cabeça de vários tipos: como cefaleias, enxaquecas, dores de cabeça devidas à tensão, dor de cabeça originada nas têmporas, usando óleos vegetais ou leite infundido com ervas.

Contraindicações do Shirodhara

Shirodhara-Massage-in-Ayurveda-Itoozhi-AyurvedaO Shirodhara é adequado para qualquer dosha ou constituição, no entanto, existem algumas contraindicações. O Shirodhara não deve ser administrado a mulheres no terceiro trimestre da gravidez.

As contraindicações incluem tumor cerebral, lesão recente no pescoço, escoriações ou cortes na cabeça, doença aguda, náusea, vómito, fraqueza severa, exaustão, tontura, desmaios ou sudorese espontânea. O Shirodhara não deve ser feito em pacientes com erupção cutânea ou queimadura solar na testa ou no couro cabeludo, nem a pacientes alérgicos ao óleo usado.

Outras contra-indicações:

  • Febre de origem recente

  • Excesso de Kapha

  • Excesso Ama

  • Obesidade mórbida

  • Indigestão

  • Ascites

  • Edema

  • Condições tóxicas generalizadas, como septicemia

  • Qualquer doença aguda

  • Exaustão

  • Desidratação ou sede

  • Quando o fogo digestivo estiver muito alto ou muito baixo

  • Artrite reumatóide

  • Indigestão e anorexia

  • Enfermidades abdominais e do metabolismo

  • Amigdalites

  • Diarreia

  • Alcoolismo ou quando a pessoa estiver embriagada

Antes de realizar um tratamento Shirodhara o paciente deverá consultar um terapeuta ou médico ayurvédico para aferir o procedimento mais adequado, e qualquer contraindicação que possa existir.

Ayurveda e o Stress | Quando rir é o melhor remédio

risoCalma, paz interior e serenidade são alguns dos propósitos subtis associados à alma humana equilibrada. A alma clama por harmonia e por tempo, para inspirar e expirar os atritos do quotidiano, da vida, integrando-os ou expurgando-os de modo consciente, e repondo o equilíbrio através do necessário ajuste. Contudo, o nosso ritmo atual descompassou-se da cadência cósmica, e o nosso espírito voga muitas vezes em torno de nós, à espera do tempo, do momento em que a sua voz subtil seja escutada e validada como orientação equilibrada para as nossas escolhas quotidianas.

Num exemplo já referido anteriormente, há alguns milhares de anos, num dos primeiros ‘simpósios’ de Ayurveda, vários Rishis (sábios) reunidos debateram com preocupação a mudança de estilo de vida nómada, para os pequenos aglomerados crescentes, aldeias onde começava a desenvolver-se o sedentarismo. À medida que vários seres humanos começaram a viver em comunidades, a primeira tendência natural foi para se gerar atrito, diferenças de postura, de ideologias, e com essas diferenças o stress nos seus vários níveis. Estes sábios, souberam desde esses tempos imemoriais que o stress seria a grande origem de todos os desequilíbrios no futuro.

A resposta do stress humano é uma adaptação evolutiva que ajudou os humanos a lidar com momentos de crise através dos tempos. Ocorre em resposta ao perigo de qualquer forma – seja um desastre natural, uma guerra, uma perda emocional devastadora ou um encontro com um poderoso predador. Quando sofremos de episódios regulares de stress, muitos dos sistemas no corpo podem entrar em rutura: o sistema digestivo e a função metabólica (incluindo desequilíbrios no peso corporal), o sistema cardiovascular, o sistema músculo-esquelético, o sistema nervoso, o sistema reprodutivo e o sistema imunológico. O excesso de stress também pode afetar os nossos estados mentais e emocionais, os nossos relacionamentos, bem como a saúde dos nossos ossos (e tecidos relacionados, como dentes, cabelos e unhas). O stress tende a desgastar-nos a um nível sistémico, por isso, embora seja um fator que contribui para uma grande variedade de doenças, a sua influência é facilmente esquecida.

Hoje em dia vivemos em mega aglomerados sociais, e todas as facetas das nossas vidas são expostas à tensão, e ao atrito do consciente (e do inconsciente) coletivo. A facilidade com que os nossos sistemas orgânicos se desequilibram é tremenda, já que todas as condições estão reunidas para criar o desequilíbrio. As circunstâncias das nossas vidas mudaram rapidamente num período muito curto de tempo (falando em termos evolutivos). Os agentes de stress transformaram-se e multiplicaram-se; eles estão em toda parte, todos os dias: uma manhã agitada, lutas pelo poder com crianças voluntariosas, tráfego no caminho para o trabalho, encontros irritados no trânsito, um chefe irado, prazos apertados, longas horas de trabalho, contas que se acumulam desafiando a dinâmica interpessoal e outros incontáveis ​​fatores. É importante notar que as hormonas do stress estão sempre ativas, o que faz com que muito depois de um evento stressante, as hormonas libertadas ainda permanecem nos nossos sistemas.

O stress crónico, tende, por isso, a manter nos nossos tecidos banhados em hormonas do stress quase continuamente, o que nos torna hipervigilantes e cada vez mais propensos a desencadear respostas violentas inoportunas e desproporcionadas.

Ayurveda e o stress

laughing red hair womanA Medicina Ayurvédica é brilhante na sua capacidade de destilar uma série de doenças complexas numa coleção elegantemente simples de padrões qualitativos, que ajudam gerar um caminho claro para a cura e equilíbrio de cada indivíduo. A abordagem ayurvédica para gerir o stress é um belo exemplo disso.

Um dos princípios fundamentais da Ayurveda está no compreender e equilibrar os opostos; sempre que uma das qualidades aumenta, o equilíbrio é alcançado pelo aumento da qualidade oposta. A Ayurveda conta com vinte sub gunas (qualidades) – organizadas em dez pares de opostos – para descrever os vários fenómenos de todo o mundo natural. Identificar as qualidades envolvidas num desequilíbrio ou doença particular ajuda a direcionar o tratamento apropriado dos opostos. Quando destilamos a resposta ao stress nas suas características mais essenciais, e começamos a entender as qualidades que ela ativa no corpo, obtemos uma compreensão intuitiva de como usar forças opostas para convidar a um retorno ao equilíbrio.

De acordo com os textos antigos da Ayurveda, um grupo de dez gunas é considerado como sendo de natureza edificante, nutritiva e anabólica, enquanto o outro é redutor, aligeirante e catabólico. Aqui estão os dez pares de opostos, divididos nestes dois campos:

Gunas redutores, aligeirantes, catabólicos

Gunas edificantes, nutritivos, anabólicos

Leve

Pesado

Afiado

Lento

Quente

Frio

Duro/áspero

Macio

Seco

Oleoso

Líquido

Denso

Móvel

Estável

Subtil

Bruto

Claro

Nublado

É importante entender que nenhuma dessas qualidades é inerentemente boa ou má. Cada uma delas suporta a manutenção do equilíbrio à sua maneira. Da mesma forma, muito ou pouco de qualquer uma das qualidades pode ser um problema.

A resposta ao stress cai firmemente na categoria catabólica de redução, clareamento. O stress está intensamente a ativar, energizar, fortalecer, motivar, mobilizar e acelerar. Como resultado, ativa as qualidades leves, quentes, secas, ásperas, móveis, sutis e claras do corpo. A curto prazo, isso pode ser muito adaptativo e benéfico, contudo, a continuação ininterrupta desse padrão gera inevitavelmente desgaste.

Práticas quotidianos de bom humor

A forma mais simples de evitar o esgotamento é através do equilíbrio das qualidades opostas às do stress. Se o semelhante aumenta, o antídoto do stress excessivo é oferecer aos nossos sistemas uma abundância de todo o grupo de qualidades edificantes e nutritivas – através da dieta, do estilo de vida, da rotina, dos bons relacionamentos, e da inclusão do riso como prática de descompressão. Isso significa acolher influências que são pesadas, enraizantes, lentas, untuosas, nutritivas, suaves e estabilizadoras, enquanto fazemos o melhor possível para minimizar a influência dos seus opostos. Na sua essência, a abordagem ayurvédica para equilibrar o excesso de stress é realmente simples.

Podemos simplesmente rir

laughing-endorphins-medicine-812284Independentemente de todas as outras recomendações que podem ser feitas para minimizar o stress na nossa vida, o riso é um método alegre e eficaz de cuidado de saúde preventivo que se enquadra como uma das respostas mais diretas, fáceis e eficazes para dissolver o stress.

O riso estimula e mantém uma boa saúde, aumenta a energia vital e é absolutamente único na sua terapêutica. Tem muitos efeitos benéficos ao nível emocional e social, ajudando a adoptar uma atitude mais optimista em relação à vida, conduzindo a um carisma positivo, e fomentando os laços sociais: o riso liga-nos, cria uma coesão social e uma atmosfera de tolerância, amor e respeito. Quando começamos a rir, a nossa fisiologia muda, e com ela a nossa química interna também. O riso prepara o corpo e a mente para a felicidade.

O riso tem duas fontes, uma é o corpo, a outra é a mente. Os adultos tendem a rir da mente, usando habitualmente do julgamento e das avaliações sobre o que é engraçado ou não. As crianças, que riem com muito mais frequência do que os adultos, riem do corpo, elas riem-se a toda agora, enquanto brincam. O Yoga do Riso é baseado no cultivo da brincadeira infantil, no despertar da criança em nós, que quer rir e quer brincar.

O riso relaxa todo o corpo. Rir às gargalhadas genuínas por 15 minutos seguidos tem um efeito anestésico, que equivale a 2h de sono sem dor, e a 1h de meditação. Um bom e saudável riso alivia a tensão física e o stress, deixando os músculos relaxados por até 45 minutos depois.

O riso aumenta a circulação, melhora a respiração profunda, otimiza o fornecimento de oxigénio, aumenta a produção de endorfinas, estimula o sistema imunológico, exercita os músculos e até revigora o cérebro. Alguns pesquisadores descobriram que o riso reduz a produção de cortisol, a hormona do stress e pode até mesmo ajudar a prevenir doenças cardíacas.

O conceito de Yoga do Riso veio da Índia pelo trabalho do Dr. Kataria. Ele criou o termo

“Hasya Yoga”. (Hasya é a palavra em sânscrito para riso). Com o tempo, o Dr. Kataria desenvolveu uma série de exercícios de riso, a maioria envolvendo interações com outras pessoas. Como ele praticava yoga há muitos anos e a sua esposa, Madhuri, era professora de yoga, o Dr. Kataria integrou técnicas de alongamento e respiração de yoga – particularmente respiração diafragmática profunda e exalação prolongada – nas sessões de riso.

Os exercícios de riso podem começar forçados. Para começar basta abrir a boca num sorriso largo e forçar a respiração do riso. O corpo acaba por vibrar e ativar a energia no pleno solar, de modo a que muito facilmente, a pessoa acaba a rir-se a sério. Mesmo o riso forçado, o riso que surge da estimulação mental que vem no momento da descoberta de uma boa piada consegue ter o mesmo efeito. Habitualmente, o foco nas sessões do riso é rirmo-nos das coisas do dia-a-dia que causam stress, como o trânsito, as contas para pagar, as discussões com parceiros ou colegas, etc

Exercícios de Yoga do Riso

kids-laughingRiso do leão: Faça como um Leão e estique a língua, arregale os olhos e estique as mãos como garras enquanto ri.

Riso silencioso: Abra a boca e ria sem fazer barulho. Olhe nos olhos de outras pessoas e faça gestos engraçados.

Riso gradiente: Comece por sorrir e, lentamente, comece a rir com uma risada gentil. Aumente a intensidade da risada até conseguir uma gargalhada. Então, gradualmente, trazer a risada para um sorriso novamente.

Riso de arranque de motor: Comece o riso como se estivesse a ligar a ignição, e persista até aumentar e chegar à gargalhada.

É importante permitirmos que a antiga risada interior, que reside profundamente dentro de nós – a grande capacidade de nos rirmos de nós mesmos, e dos dramas do nosso ego – nos liberte do stress quotidiano, e nos guie a um estado de perfeita saúde e felicidade. Rir é o melhor remédio.

Ayurveda e a Intimidade | Orientações para uma vida sexual equilibrada

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Falar de Saúde íntima é ainda um desafio na nossa cultura. Nas culturas ancestrais era, contudo, fundamental para que a harmonia reinasse entre os pares. A Ayurveda, como linguagem de sabedoria, desde há milhares de anos que faculta informação e fomenta o nosso autoconhecimento ao nível da intimidade, tanto ao nível físico, como também ao nível emocional, mental e espiritual. Profundamente integrado no estilo de vida ayurvédico está o conceito da gestão da vida sexual como forma de manutenção da saúde e longevidade. A aplicação desta profunda e valiosa arte do saber resulta na fundação de relações saudáveis e felizes.

O contexto da saúde sexual pode ser, hoje em dia, um assunto sensível e confuso. Muito embora muitos dos media partilhem conteúdos muito explicitamente sexuais, e a sexualidade na internet seja um problema crescente, sobretudo em termos da educação sexual e da utilização da pornografia por jovens e adolescentes, todos esses assuntos carecem da profundidade e da real intimidade que é necessária para o nosso equilíbrio íntimo e relacional. A Medicina Ayurvédica contextualiza a sexualidade e a intimidade como fatores naturais, e como parte essencial da vida do indivíduo.

A Ayurveda analisa a totalidade da vida do indivíduo com cuidado e define claramente as fases da vida.

Os Quatro Objetivos da Vida

Na visão dos Vedas todas as nossas atividades estão alinhadas com os quatro objetivos.

Dharma – é o alinhamento interior com o que é correto segundo as Leis universais da Natureza, e é parte de todas as Sociedades, tradições, religiões, tal como é parte de cada ser humano. As atividades praticadas no dharma são oportunidades para o indivíduo servir a sua comunidade, e preservar o ecossistema do universo.

Artha – é a natural procura por riqueza. Esta categoria de atividade refere-se ao trabalho que produz rendimento ao indivíduo e à sua família. Ganhar pela vida é considerado um dos objetivos da vida.

Kama – é a natural procura por prazer na vida. Refere-se às atividades realizadas para satisfazer os sentidos da pessoa. Estas incluem comer, beber e outras experiências sensuais e prazerosas. O objetivo final do Kama é procriar e manter a espécie.

Moksha – é a liberdade absoluta, a salvação, ou a libertação de todas as atividades de artha, kama, e até mesmo de dharma. Esta categoria de atividades diz respeito à busca do desenvolvimento espiritual e da transcendência do mundo material. O objetivo é praticar o não-apego e permitir à pessoa entregar-se ao Universo ou ao Criador. Este é o objetivo mais importante da vida para aqueles atraídos pela filosofia espiritual das culturas orientais.

Os quatro objetivos da vida são continuados pelo indivíduo ao longo da vida. No entanto, cada fase da vida tem um foco único. A vida do indivíduo é dividida nas quatro seguintes fases:

Brahmacharya – Esta fase dura desde o nascimento até a idade de 25 anos. Este é considerado um tempo para o aprendizado, bem como para o desenvolvimento pessoal e espiritual. A maioria das pessoas conclui a sua educação até os 25 anos de idade, começa a sua carreira e até mesmo inicia uma família.

Grihasta – A segunda fase da vida dura de 26 a 50 anos. Este é considerado um momento para crescer na carreira, aplicando todos os recursos académicos, pessoais e espirituais no trabalho. É também nesta fase que as pessoas começam a vida familiar, relacionando-se e comprometendo-se com um ente querido, começando uma família, tendo filhos e amadurecendo.

Vanaprastha – A terceira fase da vida varia de 51 a 75 anos de idade. Nesta fase, a pessoa é convidada a abraçar o dom do presbiterado e da liderança. Compartilha livremente o seu conhecimento, experiência e sabedoria reunidos ao longo da vida. Durante esses anos, muitas das pessoas tornam-se avós e têm a oportunidade de compartilhar os seus dons com as gerações mais jovens, ajudando-os a aprender com as suas experiências.

Sanyasa – A fase final é descrita como durando dos 76 até a morte. Esta é a fase da vida mais espiritualmente focada, onde a pessoa desiste das atividades mundanas para dedicar a vida à transcendência espiritual ou moksha.

Na nossa Sociedade atual a esperança média de vida aumentou, razão pela qual os adultos mais velhos são sexualmente ativos por mais tempo. A grande maioria das pessoas, entre 50 e 75 anos, continuam sexualmente ativos, e alguns permanecem ativos entre as idades de 75 a 85 anos. Adaptar os princípios de equilíbrio ensinados pela Ayurveda à nossa vida atual é essencial para otimizar as experiências sexuais, a intimidade, a saúde e a vitalidade.

 

Vakjikarana Tantra – Afrodisíacos e Medicina Reprodutiva

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Vajikaran Tantra é o ramo terapêutico da medicina Ayurvédica dedicado à saúde íntima, e que visa tornar o ser humano suficientemente apto para produzir uma descendência saudável e feliz, no intuito de contribuir com a sua genealogia, para a criação de uma sociedade melhor. Os conteúdos do Vajikarana contêm dissertações sobre os procedimentos que o ser humano deve realizar para que consiga chegar a um nível supremo de elevação física, energética e espiritual a nível sexual. É uma prática considerada purificadora e espiritualizante, e uma forma de compreensão libertadora, que desobstrói as muitas formas de manifestação do desejo, sejam elas sexuais ou não. Por outras palavras, trata-se de uma prática que conduz à liberdade, ao Nirvana.

O Stree (o ser feminino) é o maior de todos os Dravya vajikaran como disse Charak. Antes do vajikaran, é essencial realizar-se uma terapia Panchakarma (as Cinco Ações de Purificação profunda). O Vajikaran é bom para a saúde e também influencia a saúde mental e a psique (mente), que é considerada a origem do impulso para o desejo sexual.

No intuito de se criar uma boa relação é fundamental conhecer-se e trabalhar-se com os Doshas de cada elemento do casal, já que ajuda a compreenderem-se mutuamente, a perceber qual a abordagem do parceiro perante a vida e a educação dos filhos. Após se ter encontrado o parceiro, deve-se colocar a atenção no equilíbrio da relação. Quando o propósito é a concepção, o ideal é começar os cuidados sugeridos pelo Vajikarana Tantra, pelo menos 3 a 4 meses antes de conceber, a tentar manter uma mente calma, relações equilibradas e uma dieta saudável.

 

Os Dhatus (Tecidos corporais) e o seu papel na Sexualidade

Todos os tecidos do corpo humano são desenvolvidos a partir dos alimentos que são ingeridos pelo indivíduo. A nutrição vem através de três formas principais: alimentos, respiração e pensamentos. A pureza e o equilíbrio nessas três formas de nutrição tornam-se a base da pureza e do equilíbrio dos tecidos no indivíduo. À medida que os tecidos do corpo são desenvolvidos, o shukra ou os fluidos sexuais são os últimos a serem refinados.

O Shukra dhatu ou tecido sexual é considerado um tesouro fisiológico de energia, a nossa semente, o nosso elixir, subtilizado através dos processos alquímicos do corpo, e que contém a capacidade de dar Vida ou de regenerá-la. O seu uso adequado pode promover a saúde e a evolução espiritual. O uso desequilibrado do shukra pode levar à fraqueza e à doença. Uma metáfora para a função de shukra é compará-lo a uma taça. À medida que a taça enche, a nossa reserva de energia sexual cresce, dando-nos uma sensação de vitalidade e virilidade. À medida que o copo cheio de shukra transborda, esta energia fica ainda mais refinada para criar o ojas – o brilho da aura, a compleição.

Mais refinado que o shukra dhatu físico, o ojas alimenta o corpo subtil, fortalecendo a imunidade e a vitalidade do indivíduo. O ojas representa a capacidade restaurativa ou autocura do corpo. Um ojas saudável indica o equilíbrio perfeito do corpo, mente e espírito, onde o corpo alcança a homeostase fisiológica e o biorritmo equilibrado. O ojas está também associado à resiliência e suscetibilidade do indivíduo a doenças.

A atividade sexual excessiva e inapropriada provoca a depleção do shukra e do ojas. A Ayurveda aconselha o desenvolvimento da gestão cuidadosa da sexualidade, e considera a união sexual como uma experiência sagrada de expansão de consciência, que abre o coração para o amor próprio, e para o amor a todos os seres com uma paixão crescente.

 

O equilíbrio do masculino e do feminino

lakshmi shivaA Ayurveda relata o conceito de Ardh-nar-ishwar (ver a imagem), em que cada indivíduo é feito de um aspecto divino masculino e de um aspecto divino feminino. O equilíbrio entre essas polaridades produz o equilíbrio a todos os níveis (físico, mental, emocional e espiritual) do indivíduo. A integração do masculino e feminino através da união sexual promove também o equilíbrio. Tanto os homens como as mulheres têm hormonas, embora os homens tenham predominância de testosterona, e menor quantidade de estrogénio e progesterona. Nas mulheres, o estrogénio e a progesterona existem numa maior concentração, e a testosterona em menor concentração. Os bons níveis de testosterona, tendem a melhorar o desejo sexual e melhorar a saúde geral entre homens e mulheres. Ainda assim, o equilíbrio é essencial porque muita testosterona nas mulheres pode levar a doenças, enquanto o excesso de estrogénio entre os homens pode levar também a doenças e vice-versa.

Ainda assim, todas as pessoas têm uma expressão masculina e feminina no seu interior, embora externamente o comportamento individual recaia num dos géneros. O parceiro sexual representa o aspecto oposto dessa expressão no exterior. Assim, a união sexual tem a capacidade de promover o equilíbrio entre o masculino e o feminino interior. O conceito de “Ardh-nar-ishwar” pede aos amantes que se aproximem da união sexual, tendo presente que durante o ato sagrado entram em intimidade com o Divino através do ser amado. Isso requer envolver-se com o parceiro em profunda envolvência, amor e vulnerabilidade. Este envolvimento profundo promove a satisfação divina nos relacionamentos, e promove a inteligência emocional na relação.

Mesmo no que concerne às hormonas, nas 24 horas após a união sexual há um aumento da hormona do crescimento observado em ambos os sexos. Essa hormona produz um impacto positivo na composição corporal, na força muscular, no desempenho físico, no sistema cardiovascular, no metabolismo e na função imunológica. Uma atitude de sacralidade e união divina purifica o efeito desses resultados positivos da atividade sexual, tornando-a um ato de cura, em vez de uma necessidade primordial.

 

Disfunções na Sexualidade

Os problemas de disfunção sexual são prevalecentes em homens e mulheres de meia-idade e idosos. A testosterona, o estrogénio e a progesterona são as principais hormonas que afetam as funções sexuais entre os homens e as mulheres.

O estilo de vida, e a qualidade da alimentação quotidiana tem contribuído largamente para um crescente nível de infertilidade tanto nos homens como nas mulheres. Nos homens a tendência apresenta-se no défice da qualidade e na falta de motilidade dos espermatozoides. Entre as mulheres, os problemas prevalecentes surgem através de desequilíbrios hormonais, para além do baixo interesse sexual, a dor durante o coito, e a falta de prazer e intimidade.

À medida que envelhecemos, os homens experimentam andropausa, uma queda nas hormonas andrógenas; e as mulheres experimentam a menopausa, uma queda nas hormonas estrogénicas. Estas contribuem para o aumento dos níveis de disfunção sexual entre os idosos. A Ayurveda possui as ferramentas para o resgate e a manutenção dos fluidos sexuais, para uma atividade sexual ideal, equilibrada e prazerosa.

 

Ervas para a saúde sexual

Para além de uma correta e adequada atitude emocional e espiritual em relação à sexualidade, são muito importantes atitudes que levam a um senso compartilhado de responsabilidade, comunicação aberta, integridade e atenção plena na relação. A atividade sexual é também uma forma de exercício, e quando a pessoa abandona a atividade sexual, toda a musculatura envolvida fica enfraquecida. A Ayurveda fornece ferramentas simples para superar esses desafios.

Na Medicina Ayurvédica são descritos dois ramos específicos de ervas chamados rasayana e vajikarana. As ervas Rasayana são medicamentos rejuvenescedores e holísticos nas suas funções regenerativas. Estas ervas promovem efeitos tonificantes em todos os tecidos do corpo, que acabam por se transmutar no shukra dhatu e no ojas. As ervas Vajikarana são ervas regenerativas que promovem a eficácia do shukra dhatu ou tecidos sexuais, incluindo as hormonas e os órgãos físicos. Estas são algumas das ervas que são benéficas em termos de rasayana e vajikarana:

 

Ashwagandha – Withania somnifera – Esta é uma erva rasayana, uma erva rejuvenescedora. A principal função da Ashwagandha é rejuvenescer as enzimas antioxidantes do corpo, controlando os danos relacionados com a oxidação em todos os tecidos do corpo. Esta ação contribui para a atividade antienvelhecimento da Ashwagandha. As lactonas esteróides continas na Ashwagandha também ajudam a regular as hormonas sexuais.

Em estudos clínicos, o tratamento com a Ashwagandha triplicou a virilidade nos homens com baixa contagem de espermatozoides, bem como melhorou a motilidade dos espermatozoides. O benefício também foi observado em homens normais; neles, a virilidade melhorou em 50%. Noutro outro estudo, quando administrada a homens com baixa contagem de espermatozoides, a Ashwagandha aumentou a contagem de espermatozoides em 167%, o volume de sémen em 53% e a motilidade dos espermatozoides em 57%. Assim, pode-se comprovar a forma como a Ashwagandha promove a função normal em todos os níveis dos tecidos, restaurando a função sexual e a vitalidade.

Shatavari – Esparagos rancemosus – A Shatavari é considerada o principal tónico de saúde para as mulheres na medicina ayurvédica. A Shatavari é uma das fontes mais ricas de fitoestrogénios na forma de saponinas esteroidais (Shatavarin I-IV) e isoflavonas (diadzin e genestien). Estes compostos são essenciais para o efeito da shatavari na função sexual. Um estudo clínico revelou que entre as mulheres jovens, a shatavari melhorou a maturação do ovo e a ovulação. Entre as mulheres mais velhas, a shatavari ajudou a aliviar os sintomas da menopausa e a tonificar os órgãos sexuais. É também uma fonte de vários minerais, incluindo zinco, manganês, cobalto, cobre, potássio, cálcio, magnésio, etc.

Muitas mulheres experimentam secura vaginal e relação sexual dolorosa à medida que envelhecem, isto deve-se à queda dos níveis de estrogénios. Os cremes de estrogénio proporcionam alívio, contudo é tradicional usarem-se na Medicina Ayurvédica, entre outras receitas, óvulos de ghee com shatavari para colmatar a secura vaginal, com resultados muito positivos.

Gokhsura – Tribulus terrestris – Esta erva é comumente reconhecida como um afrodisíaco. A Gokhsura pode afetar os níveis hormonais; os pesquisadores observaram que o extrato de Tribulus tem a capacidade de elevar os níveis de uma hormona reguladora, a hormona luteinizante, bem como todos os andrógenos, incluindo a testosterona e diidrotestosterona. Foi também observado que a Tribulus melhora o interesse sexual e a função sexual nos homens.

Shilajit – Asphaltum punjabium – Este medicamento único é fruto de material vegetal petrificado, uma espécie de argila, que é colhida em pequenas quantidades a partir de rochas íngremes em altitudes entre 1000 e 5000 metros entre as montanhas do Himalaia. É considerado uma excelente fonte de 85 minerais na sua forma iónica. No estudo clínico em homens, o shilajit aumentou os níveis de hormonas testosterona e hormonas folículos estimulantes. Esses homens também tiveram uma melhoria de 61% na contagem de espermatozoides, e a motilidade melhorou em 18% com 90 dias de tratamento.

 

Fiel à sua tradição holística, a medicina ayurvédica prescreve essas ervas no contexto de mudanças dietéticas e de estilo de vida, e sempre com seguimento de um médico ou terapeuta de Ayurveda. Dieta à base de plantas, exercícios regulares e sono adequado são essenciais para a cura e a eficácia de qualquer medicamento. Estes podem ser melhorados com a prática regular de exercícios respiratórios e meditação, que promovem a transformação emocional e espiritual.

Celebrar a Ayurveda – a Ciência da Longevidade

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No próximo dia 5 de novembro de 2018 celebra-se, pela segunda vez, o Dia Internacional da Ayurveda. O recém criado Ministério do Yoga e Ayurveda do governo indiano fez recair a escolha do dia da Ayurveda em consonância com a celebração do dia de aniversário do Senhor Dhanwantari (Dhanwantari Jayanti), o lendário Deus Hindu da Medicina, o Mestre do Conhecimento Universal, Médico dos Deuses e a Deidade Guardião dos Hospitais, o Senhor Dhanwantari é também o patrono da Ayurveda.

Segundo a lenda, os deuses e os demónios criaram o néctar da Imortalidade – o amrita – batendo e agitando o oceano leitoso, e o Senhor Dhanwantari emergiu das águas oceânicas trazendo uma taça cheia do néctar, com a qual é habitualmente representado. dhanvantariO néctar, amrita,  é considerado a panaceia para todas as doenças e enfermidades, e a partilha que o Senhor Dhanwantari faz do conhecimento da Ayurveda, da Sabedoria inerente aos processos da Vida constituem só por si um Elixir para a Longevidade.

Independentemente da história mitológica do surgimento da Medicina Ayurvédica, a Ayurveda é atualmente aceite como o sistema médico mais antigo, mais original e ininterrupto do mundo,  reconhecido pela Organização Mundial de Saúde como um sistema médico coerente e eficaz.

O conceito

Somos seres plenos de Energia e Vontade de Viver que desde os primórdios da nossa existência procuramos a Paz e a Prosperidade. Experimentamos a Vida através dos nossos corpos, que manifestam unicidade e adaptação às necessidades de vivência individuais, providos de meios naturais de auto manutenção e cura.

A nossa memória acumula e arquiva a experiência adquirida através de vivências físicas, emocionais, mentais e espirituais. Todos os momentos que vivemos impregnam os nossos sentidos com uma tremenda quantidade de informação, em que todos os pormenores são importantes: cada golfada de ar, cada raio de Sol, cada alegria, e cada tristeza, cada escolha, sabor, aroma que saboreamos. Todas as experiências vivenciadas constituem uma dádiva, uma graça plena da Energia Vital que nos anima, e plena do conhecimento que nos permite enfrentar cada desafio da vida – nos seus vários níveis – com equilíbrio e confiança.

Dentro deste contexto de integração, de entendimento e de harmonia com a Natureza surge a Ayurveda. Ayus (Vida, movimento, seres vivos, modo diário de vida) e Veda (revelação; conhecimento empírico que deriva da observação e da experimentação) é a Ciência da Vida quotidiana, da Vida Plena, da Saúde e Longevidade, da Cura. A Ayurveda é o Manual de Instruções de que muitos sentem a falta para lidar com o seu quotidiano. Pleno de recomendações e linhas orientadoras, o conhecimento ayurvédico tem como propósito final ajudar a materializar uma vivência plena, saudável, consciente, e por isso tudo, feliz. A Ayurveda é uma medicina para a manifestação do Amor à vida no quotidiano.

RishiO conhecimento ayurvédico remonta há pelo menos 5 mil anos, trazido até nós primeiro através da tradição oral, e posteriormente através dos Samhitas, os Compêndios que aglomeram o grosso dos princípios da Medicina Ayurvédica. É um sistema holístico de medicina cujo conhecimento evoluiu a partir do conhecimento empírico, e também da observação, da “iluminação” prática, filosófica e religiosa dos Rishis (seres antigos realizados, ou videntes da verdade). Estes sábios alcançaram o conhecimento através de intensa e profunda meditação, compreendendo a dimensão da Vida a um nível subtil, compreendendo a matéria como partículas com diferentes intensidades de vibração – como só muito mais tarde viria a ser cientificamente entendido nos conceitos da Física Quântica –, e aplicaram esse conhecimento para estabelecer princípios de equilíbrio e orientação para a nossa prosaica vida diária. No estreito relacionamento entre o homem e o universo, os Rishis perceberam como se manifesta a energia cósmica em todas as coisas vivas e não-vivas, e esse conhecimento é utilizado desde então para ajudar a manifestar no quotidiano o propósito último do ser humano: a Felicidade e Realização plena.

A Ayurveda manifesta assim, uma filosofia de vida que está em comunhão com o Cosmos, na qual se integra a Medicina Ancestral da tradição Indiana, e que oferece na sua abordagem terapêutica, e pelo seu carácter preventivo e educativo, o fundamento para a manutenção quotidiana de uma saúde realizada, plena, holística.

O sistema de cura ayurvédico ajuda a pessoa sadia a manter a saúde, e a pessoa doente a recuperá-la. A prática da Ayurveda é indicada para promover o bem-estar, a saúde e o desenvolvimento criativo do ser humano. Por isso preconiza que a responsabilidade perante o estado de Saúde geral do indivíduo pertence ao próprio, sendo ele o agente restaurador do seu bem-estar, pela introdução de hábitos alimentares equilibrados, e cuidados com o corpo, com as emoções, a mente e o espírito. Através do equilíbrio apropriado de todas as energias do corpo, os processos de deterioração física e doença podem ser reduzidos, promovendo-se a capacidade de autocura individual.

Na Ayurveda, a jornada da vida na sua totalidade é considerada sagrada. A sua grande verdade é Ser, Existência Pura, Fonte de toda a vida.

Numa abordagem mais profunda e completa, a Ayurveda, o Yoga e o Tantra são as antigas disciplinas tradicionais de vida na Índia. O Yoga é a ciência da união com o Divino, o Tantra é um método de trabalho com a grande energia criadora de Vida e a Ayurveda é a ciência da Vida. O propósito de cada prática é ajudar a pessoa a alcançar longevidade, rejuvenescimento e a autorrealização.

Na evolução espiritual do homem, a Ayurveda é a base, o Yoga é o corpo e o Tantra a cabeça. Primeiro é necessário compreender a Ayurveda a fim de experimentar as práticas do Yoga e do Tantra. Assim a Ayurveda, o Yoga e o Tantra formam uma trindade de vida interdependente. A saúde do corpo, mente e consciência dependem do conhecimento e prática dos três na vida diária.

A prática

Respeitando o carácter profundamente preventivo, a Ayurveda tem como base os cuidados diários de saúde através de uma cuidada prática de Rotina Diária – Dina Charya, que tem o propósito de manter o nosso equilíbrio e fomentar a longevidade.

eight-branches-of-ayurvedaApesar de no Ocidente a sua prática ser ainda muito orientada basicamente como uma suave Medicina preventiva, na Índia a Ayurveda é praticada de acordo com oito especialidades – o Astanga. As divisões de especialidades do Ayurveda surgem ainda nos Vedas. O Atharva Veda consiste predominantemente em Bhutavidya (psiquiatria) e em Sarpavidya (toxicologia). Além dos dois acima, Rasayana (ciência do rejuvenescimento, atualmente conectado com a Geriatria) e Vajikarana (Medicina Reprodutiva e Afrodisíacos) que são também encontradas no Brahmanas e no Upanishads. A Ayurveda contém além das quatro divisões acima, outras quatro a saber Salya (cirurgia), Salyaka (otorrinolaringologia), Kaya-Chikitsa (medicina interna) e Kaumara-Bhrtya (Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia). O conhecimento sobre estas últimas quatro divisões existiu antes, mas tornou-se sistemático com a origem do Astanga Ayurveda (As Oito Divisões da Ayurveda) aproximadamente entre 800-600 a.C.

Dentro das Medicinas Tradicionais, a Ayurveda tem sido a última a ganhar o seu lugar e reconhecimento público. Apesar dos revezes históricos que coloriram a disseminação da Medicina Ayurvédica, o seu conhecimento prático – como Medicina primeira – acabou por orientar o surgimento de várias outras Medicinas, sendo a base e edificando os conhecimentos médicos atuais, incluindo os da Medicina Ocidental. A Ayurveda é uma Medicina Ancestral orientada por princípios visionários que colocam a saúde holística como a base para o desenvolvimento da plenitude e consciência no Ser Humano.

 

12 Inspirações para um Despertar Ayurvédico

Independentemente do ritmo que a vida atual nos impõe, a Natureza, e o nosso corpo – que é a Natureza a vibrar em nós – tem um ritmo próprio. Existem ciclos corporais naturais de metabolização de alimentos, emoções, pensamentos, toxinas; existem ritmos de sono, ritmos de fecundação, até o ritmo do nosso pulso altera-se de acordo com a hora, o momento do dia, a estação do ano, e contudo sempre em sintonia com o pulsar da Mãe Terra. Muitos dos desequilíbrios surgem precisamente pela inexistência de ritmo, e por uma desatenção instalada em relação ao pulsar da Vida no nosso corpo. Quando estamos dessincronizados adquirimos outro ritmo de vida, que entra em resistência com o pulsar da Terra. Dormir demasiado tarde, ou durante o dia. Comer fora do horário das refeições. Falhar a hora ideal para evacuar, e/ou conter a urina. Estes são alguns dos exemplos de como podemos facilmente desequilibrar-nos.

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1 | A hora de despertar

Com a primeira Luz do amanhecer, cerca de noventa minutos antes que o sol surja no horizonte oriental, ocorre uma grande onda de energia no planeta. As criaturas adormecidas despertam e sacodem dos seus organismos os vestígios da inércia, preparando-se para as actividades do dia. E, então meia hora antes do amanhecer uma segunda onda de energia ainda mais poderosa, corre pela atmosfera. Com esse segundo influxo de radiação, vem o momento mais importante do dia – o momento em que a química corporal é estabelecida para todos os seres vivos. O ser humano é também afectado por esse influxo. Nesse momento o sangue é diluído e banhado por novas substâncias químicas, as quais se exaurem gradualmente, até serem restauradas no amanhecer seguinte.

O banho do organismo com a nova energia ocorre dez minutos antes do amanhecer, estejamos ou não conscientemente preparados e despertos. As reacções químicas acontecem de modo mais adequado em recipientes limpos e livres de impurezas. A lógica diz-nos que uma reacção que ocorra num recipiente livre de resíduos produzirá resultados bem melhores do que uma reacção num recipiente impuro. Se uma pessoa está a dormir quando amanhece os gases e resíduos acumulados durante a noite estarão presentes durante o estabelecimento da química do sangue.

É da maior importância evitar ingerir qualquer alimento ou bebida nas horas que precedem o amanhecer. A manhã é um período em que devemos manter reduzida e tranquila a nossa velocidade.

Em resumo, é benéfico acordarmos antes que o Sol se levante, porque existem qualidades amorosas (sattvicas) na Natureza, que trazem paz mental e frescura aos sentidos. O nascer do Sol varia de acordo com as Estações, mas em média as pessoas de constituição Vata deveriam acordar por volta das 6 horas da manhã, as Pitta pelas 5h 30m da manhã, e os Kapha por voltas das 4h 30m da manhã. Logo após o despertar, é adequado conectarmos a nossa energia à da Terra, enraizando-nos, e fazermos algumas respirações profundas, colocando a intenção para o nosso dia.

2 | Limpar a noite do nosso rosto

Durante o sono a temperatura da pele sobe. Os cobertores mantêm a temperatura cutânea consideravelmente acima da temperatura ambiente. A lavagem reajusta o organismo às condições do ambiente e previne o tipo de choque provocado pela súbita mudança de temperatura que ocorre quando a pessoa salta da cama.

O rosto, em particular os olhos, devem ser lavados com água fria e refrescante, numa temperatura um pouco abaixo da ambiente, e deveríamos atirar a água ao rosto pelo menos sete vezes. Isto ativa o reflexo do mergulho, ativando também a nossa atenção. O rosto deve ser limpo como uma totalidade, pois a limpeza parcial pode criar problemas, devido à diferença de temperatura e condutibilidade eléctrica entre a parte limpa e a não limpa. Essas diferenças podem provocar um desequilíbrio na energia, afectando a visão, o olfacto, a audição e o paladar.

No corpo, os olhos representam o elemento fogo. Eles só funcionam quando estimulados pela luz. A água é o combustível do fogo. O que permanece após a extinção do fogo é a cinza ressecada, porque a água evaporou. A água conduz o calor e a energia eléctrica do fogo. Assim, quando se lavam os olhos, a pequena quantidade de força aplicada pelas mãos carrega electricamente a água – estimulando e acalmando os olhos e os nervos ópticos (os quais são extensões directas do cérebro). O acto de lavar os olhos deve ser acompanhado com bochechos, com água à mesma temperatura.

 

3 | Raspar a língua

raspadorAntes mesmo de bebermos água, a Ayurveda recomenda que raspemos a língua.

Durante a noite as toxinas (ama – alimentos não digeridos no trato digestivo ) a serem expelidas pelo organismo vão-se dirigindo para diversos pontos de saída. A língua é um deles. Torna-se por isso necessário elaborar-se uma higiene diária da língua, de forma a remover-se essa película de toxinas acumuladas sobre ela, sobre tudo antes da ingestão de qualquer alimento. Esta acção vai permitir uma acentuada clareza do sentido do paladar, para além de evitar que voltemos a ingerir a ama acumulada.

A língua é um órgão muito sensível e contém na sua superfície um mapa dos órgãos do corpo, podendo nós através da sua observação, fazer uma pequena análise do nosso estado de saúde. São de notar as zonas onde existe maior acumulação de ama. Podem surgir capas na língua de diversas cores associados a diferentes tipos de desequilíbrio. Um monte de revestimento branco pode sugerir Candidas.

Raspadores de língua de plástico e metal estão disponíveis na maioria das lojas de saúde. Raspe de trás para frente suavemente até que tenha raspado toda a superfície, entre 7 a 14 vezes, e lave o raspador de cada vez. Esta acção estimula os órgãos internos, ajuda na digestão e remove a ama (toxinas).

4 | Beba água morna de manhã

Após as lavagens beba um copo com água à temperatura ambiente (no Verão), e água morna (no resto do ano). Isto lava o sistema digestivo, inunda os rins, e estimula a peristáltica. Começar o dia com café ou chá é desaconselhável, já que estas bebidas drenam a energia dos rins, causam a obstipação e formam maus hábitos. À água morna podem ser adicionadas algumas gotas de limão de modo a fomentar uma limpeza mais profunda do trato intestinal.

5 | Evacuação

toiletstool3Após a ingestão da água o organismo fica estimulado para a expulsão dos detritos acumulados durante a noite. Em circunstância alguma, a pessoa deve passar demasiado tempo sentada a evacuar, pois isso pode interferir com os gases do cólon, resultando numa profusão de enfermidades leves ou graves. Muitas pessoas lêem ou estão no telemóvel, enquanto estão sentadas à espera que os intestinos funcionem. Esse é um hábito potencialmente desequilibrante. Todo o tipo de distração é inadequada nesse momento por duas razões importantes: primeiro, a energia é necessária nos intestinos e a leitura desvia-a para a cabeça; segundo, a leitura encoraja a pessoa a ficar sentada durante longos períodos, numa postura que pode causar-lhe muitas enfermidades.

A maioria das queixas relacionadas com os intestinos podem ser eliminadas, bastando que a pessoa adopte uma postura adequada à defecação. A invenção da sanita moderna trouxe uma era de imenso sofrimento humano, desde a obstipação até distúrbios intestinais correlatos. Hoje em dia, a pessoa é forçada a sentar-se numa posição não natural, que exige que a força seja aplicada de um modo muito inadequado. A prática da boa saúde prescreve que a defecação seja feita na única posição natural: agachado ou de cócoras. Esta postura abre completamente o ânus, sem necessidade de se aplicar força. Para ajudar na aquisição desta postura, pode-se usar um pequeno banco junto a sanita de forma a colocar o intestino na posição certa para a expulsão.

A importância de um funcionamento ordenado e regular dos intestinos, logo após o despertar é fulcral, já que nenhuma meditação, nenhuma concentração, nenhuma actividade física e nenhuma ingestão de bebida ou comida devem ser feitas antes da defecação.

6 | Gargarejos de Óleo (Oil Pulling)

Oil-PullingGargarejar ajuda a fortalecer os dentes, as gengivas e os maxilares, para melhorar a voz e remover as rugas das bochechas. O gargarejo deve ser feito com o estômago vazio, quando o corpo ainda está no seu modo natural de desintoxicação. Deve-se fazê-lo por 4 a 15 minutos, com uma decocção adequada, ou até mesmo com óleo de girassol, de coco, de sésamo; mantenha o óleo na boca, bocheche vigorosamente, depois cuspa e massaje as gengivas suavemente. Por fim deve-se bochechar com água morna para limpar. Durante o processo é necessário imaginar que o óleo ou a decocção fica impregnada com as bactérias que vão depois ser expelidas. O gargarejo deve ser feito também à noite e depois de todas as refeições. Os benefícios dos gargarejos são vários:

  • Reduz a doenças da gengiva e inflamação

  • Reduz a secura na boca e pele

  • Elimina o mau hálito

  • Melhora os Sentidos

  • Aumenta a clareza

  • Revigora a Mente

  • Reduz o Esgotamento

  • Ajusta desequilíbrios da anorexia e do kapha

  • Acalma a dor de garganta

Depois do gargarejo, lave a boca com água morna e, opcionalmente, um pouco de sal grosso. Lave então os dentes para uma boca saudável e fresca. Use uma pasta de dentes natural, livre de flúor. A Ayurveda recomenda cremes dentais que usem ervas como o neem, o alcaçuz, o cravinho da índia.

 

7 | Limpeza nasal (Jala Neti)

Limpar o nariz deveria ser entendido como limpar a testa a partir de dentro. Inalamos uma infinidade de substâncias químicas que são entendidas por nós como cheiros. Essas substâncias químicas alojam-se no nariz e nas cavidades nasais. Por isso, a limpeza do nariz compreende muitas funções e deveria ser incluída como parte da limpeza diária.

TwoNetisEsta limpeza de ser feita primeiro com a ajuda de um neti pot. Água morna com uma pitada de sal marinho deve ser escorrida pelas narinas para lavá-las. De seguida pode-se colocar duas a cinco gotas de ghee ou óleo de mostarda, sésamo, azeite em cada narina, e deixe permanecer por um minuto. Este processo ajuda a lubrificar o nariz, limpa os sinus, melhora a voz, a visão e proporciona a clareza mental. O nosso nariz é a porta do cérebro, por isso estas gotas nutrem a entrada de Prana e trazem a inteligência.

Para Vata: óleo de sésamo, ghee ou óleo de cálamo.

Para Pitta: ghee com brahmi, óleo de coco ou de girassol.

Para Kapha: óleo de cálamo

 

8 | Lubrificando o corpo – Abhyanga

Poucas práticas diárias oferecem tantos benefícios. Quando feita de acordo com as leis naturais da anatomia humana e do fluxo de energia, a massagem diária energiza e faz vibrar simultaneamente a pele, os músculos e os nervos. O calor e a vitalidade do corpo aumentam à medida que o coração e o sistema circulatório começam a fornecer oxigénio puro e energia vital a todas as partes do organismo – ao mesmo tempo que lavam os gases e as substâncias químicas. A automassagem regular, quando executada adequadamente, ajuda o corpo a ficar leve, activo e enérgico, e impede o desenvolvimento da maioria das doenças de pele. Para além destes benefícios, ela também aumenta a inteligência, a presença de espírito, o vigor, a vitalidade sexual, a autoconfiança e a beleza.

Shiva_MassageDe todas as práticas de massagem, as que envolvem o uso de óleo são as mais benéficas, porque o óleo suaviza a pele, lubrifica-a evitando o atrito, distribui uniformemente o calor e garante uma camada de protecção, força e resistência contra os extremos da temperatura ambiente. O óleo impede a secura da pele, aumenta a flexibilidade e evita muitos dos efeitos do envelhecimento precoce.

Aplique óleo morno na cabeça e no corpo. Uma massagem suave com óleo pode trazer a felicidade, e previne tanto as dores de cabeça, como a calvície, os cabelos grisalhos, e o recuar da linha dos cabelos. Olear o corpo antes do deitar promoverá um sono profundo e mantém a pele macia.

Para Vata use óleo de sésamo morno. Para Pitta use óleo de coco ou de girassol morno. Para Kapha use óleo de girassol ou mostarda morno. O óleo de Brahmi é também muito usado, sobretudo para massajar a cabeça. Conhecido por ajudar a estimular o cérebro e trazer mais clareza mental. Pode-se adicionar alguns óleos aromáticos, de acordo com o seu dosha. Para equilibrar vata use gengibre, cardamomo ou laranja; pitta prefere os aromas frescos e doces de sândalo ou lavanda; Os kaphas respondem melhor ao eucalipto, alecrim ou sálvia.

As pessoas que estão com febre não devem ser massajadas, nem as que estão acometidas com constipação, vómitos ou indigestão. Quem tomou purgativos ou praticou um Basti e Vamana também deveriam evitar a massagem. É contra-indicado quando existem problemas de excesso de Kapha (mucos).

 

9 | Esfoliação

dryBrushing_body.jpgPode ser feita com a pele seca, mas também se pode aproveitar a pele ainda oleada para diminuir um pouco o atrito que provoca. A esfoliação é excelente para ativar a circulação e estimular o sistema linfático. Os movimentos devem ser leves e circulares, sem muita pressão já que a linfa está muito próxima da superfície da pele. Use uma escova de materiais naturais, e massaje em direção ao coração, começando pelas pernas, tronco, braços, muito levemente no rosto e depois nas costas. A esfoliação da pele é ótima para a desintoxicação do corpo.

 

10 | Hora do banho

Depois de oleados, um banho ou duche de manhã é ótimo para ajudar a reduzir a fadiga. As constituições Pitta se beneficiam da água fria, enquanto a água morna é ideal para os Vatas, e mesmo as temperaturas mais quentes são as melhores para equilibrar os Kaphas de boa índole. O banho diário purifica a mente e o corpo, aumenta o sémen, promove a longevidade, alivia a fadiga, detém a transpiração, aumenta a força, proporciona o brilho vital da saúde, remove o sono, o suor e a fadiga, dissipa a irritação, e aplaca sede crónica. Bom para todos os órgãos motores e órgãos sensoriais, o banho purifica os nervos, cura a sonolência, dissolve a tristeza, aumenta o entusiasmo, fornece energia vital ao sistema e traz clareza à mente.

Apesar de muito benéfico, tomar banho mais de duas vezes por dia deve ser evitado, pois isso sobrecarrega o organismo. Do mesmo modo, deve evitar-se o banho com água muito quente ou muito fria. Os banhos com água fria aumentam a quantidade de frio nos nervos e podem acarretar vários tipos de dor muscular. O calor do banho quente expande os músculos, tornando-os gradualmente frouxos e flácidos. Os efeitos dessas duas práticas talvez não sejam sentidos na juventude, mas se continuadas irão manifestar-se mais tarde sob a forma de fraqueza, cãibras, problemas renais e deficiência de sémen. A água do banho deve ser, em geral, quente, excepto para a cabeça e olhos. É contra-indicado quando existe paralisia facial, indigestão, diarreia, febre, infecções no ouvido, obstipação, sinusite, doenças dos olhos e doenças que afectam a boca e os ouvidos, e outras relacionadas.

Lembre-se de que a pele absorve tudo o que se coloca nela. É por isso fundamental escolher produtos de higiene que diminuam a toxicidade do corpo, evitando produtos cheios de perfumes e produtos químicos sintéticos. Isso inclui parabenos e SLS.

 

11 | Alongar e Respirar

rituais tibetanosExercício regular, especialmente o yoga, melhora a circulação, a força e a endurance. Ajuda a relaxar e ter um sono repousante, e melhora a digestão e a eliminação. O exercício diário deve ser feito até metade da nossa capacidade (que até se formar suor na testa, nas axilas e nas costas), geralmente durante 10, ou no máximo 15 minutos diários.

Vata: 12 vezes a saudação ao Sol, feitas devagar; levantar de pernas; camelo; cobra; gato; vaca. Todos feitos devagar e suavemente.

Pitta: 16 vezes a saudação à Lua, moderadamente rápidas; levantar de pernas; peixe, barco; arco. Exercício de relaxamento.

Kapha: 12 vezes a saudação ao Sol, feitas rapidamente; ponte; pavão; palmeira; leão. Exercício vigoroso.

Outra opção é realizar os Cinco Rituais Tibetanos. Uma sequência que se adapta às várias constituições.

12 | Meditar

Os momentos mais preciosos da vida de uma pessoa vão desde o instante em que ela completa a limpeza matinal até os minutos seguintes ao raiar do novo dia. Purificado por dentro e por fora, o sistema orgânico converte-se num estado “em branco”. Quem usa com sabedoria esses momentos consegue construir um campo de energia capaz de funcionar como um bom escudo para as aventuras do dia a dia.

meditaçãoA meditação é uma forma de trabalhar conscientemente a fim de elevar o nível do nosso ser, através da elevação do nível de energia presente no interior da nossa mente. Devemos começar a perceber o mundo sem apegos, sem juízos de valor, sem desejos. E para alcançar esse estado, a energia do organismo precisa primeiro focar-se num único ponto. Esse estado de concentração é o precursor necessário da própria meditação.

Para ser mais eficaz, a meditação deve ser praticada diariamente a uma hora regular. As melhores horas para praticar são aquelas que sincronizam a vida quotidiana com os ciclos maiores do planeta e do cosmos. As condições do planeta mudam dramaticamente nas horas do amanhecer e entardecer. Essa mudança, que começa cerca de trinta minutos antes de o sol tocar o horizonte e que dura uma hora, também produz mudanças acentuadas na química do sangue. Além disso, no momento exacto em que o sol toca o horizonte, o organismo respira automaticamente por ambas as narinas ao mesmo tempo. Esse é o estado em que a energia consegue subir pelo canal central da coluna vertebral, o Sushumna, até ao cérebro. Durante esse instante a química do corpo é equilibrada. Como as duas narinas estão a trabalhar, a temperatura do ar nas cavidades nasais é igualada. O metabolismo estabiliza e a temperatura de ambos os hemisférios cerebrais é equilibra-se, permitindo-lhes funcionar em sincronia. O meditador deveria sempre estar atento a esses ciclos planetários e às mudanças no organismo.

É importante meditar-se de manhã e à noite por, pelo menos, 15 minutos. Medite na forma como está habituado, ou experimente a meditação de “esvaziar a taça”. A meditação traz paz e equilíbrio na vida.

Laticínios e a Ayurveda – porque se utilizam?

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Os laticínios, em especial o leite e o ghee (manteiga clarificada), continuam a ser uma parte importante das recomendações dietéticas ayurvédicas, e são ingredientes comuns nos medicamentos ayurvédicos e nos produtos à base de plantas.

A vaca na cultura da Índia

Na Índia as vacas são veneradas, reverenciadas como a mãe, Gomata, personificando a Mãe Terra, Bhumi Mata, como símbolo da abundância universal.

A sociedade agrária tradicional indiana baseia-se no cuidado da vaca. O estábulo ou o goshala é uma parte fundamental da vida, constituindo até um local para estudo e convívio. As vacas são parte da família, e a relação com elas começa desde a infância, quando as crianças que são encorajadas a integrá-las nas suas brincadeiras. O consumo da sua carne foi estritamente proibido, e o abate de vacas é considerado um crime grave. As vacas foram integradas da vida espiritual na Índia com os Vedas, e a maioria dos ashrams na Índia têm hoje em dia as suas próprias vacas e goshalas para uso quotidiano.

A vaca tradicional indiana é uma raça muito diferente das criadas no Ocidente. Ela tem uma constituição especial que a ajuda a coletar a luz do sol através de um surya nadi especial ou canal solar, a fim de produzir um leite de melhor qualidade. Embora produza menos leite que as raças modernas, o leite é de muito maior qualidade e mais fácil de digerir. A Ayurveda considera os laticínios, particularmente o leite e o ghee desta raça nativa, como os melhores para todas as recomendações de alimentos ayurvédicos e produtos fitoterápicos.

Os laticínios formam há muito uma parte importante da dieta indiana. O Ghee tem sido o principal óleo de cozinha recomendado. O leite tem sido uma importante bebida e ingrediente culinário. O Iogurte é tomado com a maioria das refeições sob a forma de lassi. No entanto, além de vacas, são usados outros animais, como as búfalas e as cabras, para se extrair o leite e produzir o ghee. Muitos medicamentos ayurvédicos e produtos fitoterápicos são feitos com laticínios ou ingeridos com eles.

Hoje em dia, mesmo na Índia, tem vindo a crescer o cuidado na criação respeitada deste animal, assim como o uso do leite de forma parcimoniosa e mais consciente.

O uso de Laticínios na Ayurveda

dairy_indiaMuitas dietas especiais e jejuns de cura do Yoga e da Ayurveda enfatizam o leite ou consistem principalmente dele, particularmente para os tratamentos de rejuvenescimento, fortalecimento e fertilidade. Leite, ghee, manteiga, iogurte, lassi, takra / chaas (buttermilk) e paneer são os principais laticínios utilizados na dieta.

A Ayurveda geralmente recomenda produtos de vaca para os tipos Vata e Pitta, tanto para as dietas quotidianas quanto para tratar doenças especiais, o que proporciona uma ampla variedade de aplicações. Aos tipos Kapha, que tendem ao excesso de muco, água e peso, é frequentemente recomendado o leite de cabra, devendo os mesmos evitar os produtos oriundos do leite de vaca.

Os gheit, medicamentos ayurvédicos (ghritams) formam uma extensa linha de produtos amplamente utilizados para fortalecer a mente e o sistema nervoso e combater as febres. Um bom exemplo disso é o Brahmi Ghritam, considerado um dos melhores remédios para o rejuvenescimento da mente e para promover a meditação. Shatavari Ghritam é um dos principais medicamentos para mulheres que nutre o sistema reprodutivo feminino.

Uma série de óleos de massagem ayurvédica dos quais existem numerosos tipos, embora baseados principalmente em óleo de sésamo ou coco, contêm por vezes leite ou ghee. O Kshirabala, por exemplo, um dos principais óleos para aplicação na cabeça, contém leite pelas suas propriedades refrescantes. Muitos óleos ayurvédicos contêm ghee, incluindo às vezes ghee de outros animais que não vacas. O Ghee na verdade pode ser usado como um óleo de massagem em si, para várias condições inflamatórias da pele. O famoso Chayavan Prash, uma geleia de ervas, contém ghee e esta forma de ingestão de ghee constitui uma outra linha significativa de produtos à base de plantas.

É habitual ver muitas ervas ayurvédicas, como a Ashwagandha, serem administradas com leite morno. O leite morno é frequentemente recomendado antes de dormir com várias ervas e especiarias, como o açafrão, açafrão-da-índia, noz-moscada, cardamomo, e com um pouco de ghee também. Também o iogurte é conhecido pelos seus diversos poderes de cura sendo particularmente usado para promover a longevidade.

O Ghee – Manteiga clarificada

gheeO Ghee é um alimento de sabor doce, refrescante e tem reacção doce no seu pós digestivo. É suave, nutritivo, pesado e frio, habitualmente produzido a partir da purificação da manteiga de leite de vaca ou da manteiga de leite de qualquer outro animal mamífero. Existem várias maneiras de denominá-lo como: óleo purificado da manteiga, manteiga clarificada, emoliente básico, manteiga de garrafa, usli-ghee.

Nos Shastras (escrituras sagradas antigas da Índia), e especialmente na Ayurveda, o Ghee tem diversas funções terapêuticas. Possui propriedades altamente rejuvenescedoras das células, incrementando a longevidade, melhorando a memória, a discriminação e a inteligência, fortalecendo os tecidos, fomentando a fertilidade. É um excelente alimento para a voz e para a garganta. O Ghee é muito importante para o crescimento das crianças por promover a construção dos sete Dathus (Tecidos Corporais), já que possui o mesmo valor nutritivo do leite. Contém ácidos gordos saturados em grandes quantidades, devendo por isso as pessoas obesas e com problemas de coração evitá-lo.

Tem também uma ação terapêutica no ardor, hemorragias, fraqueza, doenças dos olhos e ouvidos, dores abdominais, dores de cabeça, insanidade, epilepsia, desmaio, febre crónica, intoxicação, erupções, cortes, queimaduras, herpes, úlceras, enfermidades do peito e problemas mentais. Aumenta a quantidade de sémen e de energia vital (Pranshakti), e é benéfico para os órgãos genitais. Tomado em pequena quantidade aumenta o fogo digestivo. Melhora a compleição da pele, a beleza, o lustro. É adequado para sarar feridas, úlceras e doenças de pele. O ghee fresco e puro contém vitaminas A,D, E e K.

Elimina o envenenamento. Deve ser evitado: nas primeiras fases de uma doença, na perda de apetite, na tosse, diarreia, indigestão, desordens metabólicas associadas com o aumento da urina, como a diabetes, por recém-nascidos, pessoas idosas, pessoas com hábitos sedentários.

O Ghee é largamente utilizado na Fitoterapia tradicional, servindo como veículo para diversas ervas. As ervas são maceradas ou fervidas com o Ghee, e em seguida administra-se uma colher de sopa ou um cálice diariamente dependendo do caso. O Ghee tem como qualidade especial acender o fogo da digestão sem perturbar o Pitta. O Ghee que tenha sido envelhecido durante 10 anos ou mais converte-se num poderoso tónico que é utilizado como medicamento na Ayurveda, para tratamento de obesidade, epilepsia, dores de cabeça e problemas dos olhos e ouvidos; para isso, mescla-se em água e administra-se em gotas. Pessoas que tem problemas de obstipação podem tomar uma colher de Ghee com um copo de leite quente. Combinado com alcaçuz ou cálamo, é extensivamente usado na Ayurveda como um excelente tónico pulmonar.

Na culinária o ghee é um excelente alimento para abrir o apetite, já que incrementa o sabor de todos os alimentos, podendo ser utilizado para todos os tipos de preparações culinárias da mesma forma que os demais óleos, sendo contudo usado em menor quantidade.

Pele – Beleza e Longevidade com a Ayurveda

O conceito de beleza no Ayurveda estende-se a todas as dimensões do Ser. A verdadeira beleza nasce da Alma e tem uma dimensão mais vasta e etérica. Aos cuidados com o corpo físico são acrescidos os cuidados com o equilíbrio emocional, mental e espiritual para uma expressão transversal e total do conceito de Beleza. Na dimensão filosófica da Ayurveda a Beleza surge então da relação equilibrada entre o ser humano e o meio ambiente, ampliando para uma consciência ecológica o impacto que todos os cuidados que temos connosco, tornando sagrados os nossos rituais de bem-estar.

Aurveda-for-skin-and-hairA pele é a face exterior do plasma ou rasa dathu em sânscrito, o primeiro dos tecidos do corpo. A saúde do plasma está relacionada com a nossa capacidade digestiva e a qualidade dos alimentos que ingerimos. À semelhança da pele, os cabelos e as unhas são também subprodutos dos nossos tecidos, e a sua beleza depende da sua boa formação, podendo-se determinar a saúde de uma pessoa através do brilho e vigor da sua pele. Neste contexto, todos os cuidados com a pele são também cuidados para a longevidade.

A pele está também relacionada com o sub-dosha de Pitta, o Brajak. Localizado sob a pele, ele regula a temperatura da superfície do corpo, controla as glândulas sudoríferas e ajuda o Vata a dar lustro à pele. Quando equilibrado, o Brajak Pitta proporciona uma pele corada, irradiando alegria e vitalidade.

A Pele e as diferentes Bioenergias

face VPKToda a matéria que vibra no Universo é composta pelos cinco elementos básicos – Éter, Ar, Fogo, Água e Terra – que por sua vez se sintetizam na constituição humana nas três bioenergias básicas (os doshas): Vata (éter, ar), Pitta (fogo e água) e Kapha (Terra e Água). Estas três Bioenergias (Doshas) são muito sensíveis a todas as alterações do meio ambiente, alterando-se em consonância com elas. O nosso corpo (nas suas várias dimensões: físico, emocional, mental, espiritual) é muito atmosférico, reagindo para se reajustar e equilibrar perante as mudanças ao longo do dia, dos meses, dos anos. De forma muito simplificada pode-se afirmar que os desequilíbrios (as doenças) surgem em função da maior ou menor capacidade e flexibilidade que cada corpo tem de se adaptar às alterações do seu meio envolvente.

A terapêutica da Ayurveda procura primeiro compreender a pessoa em todas as suas dimensões, descortinando a sua constituição, e com base nela encontra estratégias que fomentem a resposta natural do corpo em função da sua Bioenergia, e quando isso não acontece, complementa com tratamentos mais profundos as funções do corpo usando a natureza exterior para reequilibrar a natureza interior. Em função da predominância dos elementos básicos a pele de cada Bioenergia apresenta diferentes características:

dryskinNo Vata (Éter e Ar) a pele tende a ser frágil, seca, e com o tempo a falta de hidratação desenvolve mais rapidamente a tendência a escamação, rugas e manchas acinzentadas. É fria ao toque e muitas vezes este tipo de pele é mais propensa a experimentar secura excessiva, podendo apresentar fissuras ou úlceras, descamação e até mesmo eczema em períodos de stress.

PITTA SKINNo Pitta (Água e Fogo) a pele é normalmente oleosa, húmida, clara ou pálida, suave, quente ao toque, com fragilidade capilar, tendência a manchas avermelhadas e mais suscetível a inflamações. Este tipo de pele, quando em desequilíbrio, é mais propenso a erupções cutâneas, dermatites, acne e feridas.

Kapha-SkinNo Kapha (Água e Terra) a pele é espessa, resistente, oleosa e bem lubrificada, pálida, normalmente muito leve e fresca ao toque. A pele do Kapha em desequilíbrio pode apresentar edema, sendo visíveis os poros dilatados, cravos e verrugas.

 

A Pele e Estilo de Vida

Alimentação o que a pele gosta

A água e os alimentos são a principal fonte de nutrição para a pele recomendando-se, por isso, uma alimentação com base na sua Constituição ou Bioenergia (dosha) para prover à pele todos os nutrientes específicos de que necessita para se manter em equilíbrio. A Ayurveda recomenda alimentos frescos e sazonais que respeitem a compatibilidade com o Biótipo e evitem a geração de toxinas alimentares que serão naturalmente excretadas pela pele.

Sono, Exercício e Meditação

Um sono recuperador é uma componente básica para uma pele irradiante, já que as noites mal dormidas ficam claramente estampadas no nosso rosto. Torna-se por isso fundamental criar um Ritual de Sono, que incluam cuidados com a pele. Pode-se usar uma infusão de camomila para limpar a pele do rosto, e prepará-la para o repouso hidratando-a com gel de aloé vera e óleo de coco (ou outro óleo de acordo com a constituição da pessoa).

Praticar uma atividade física tem um enorme impacto sobre a saúde e vitalidade da pele. A transpiração é fundamental para libertar impurezas e toxinas do organismo e que ficam retidas na nossa pele. Desta forma a prática de exercício físico que fomente a transpiração é uma excelente forma de potenciar o suor como mecanismo de eliminação. O Yoga é o exercício habitualmente recomendado pela Ayurveda, enfatizando-se a adequação das posturas (asanas) à constituição de cada pessoa. As técnicas de respiração consciente praticadas no Pranayama são também potenciadoras de equilíbrio, e fomentam no corpo a expressão da pele que respira.

Uma das funções do timo é coadjuvar no nosso crescimento, na nossa imunidade, e no nosso sentido de plenitude e bem-estar. A tendência natural desta glândula é para diminuir de tamanho e reduzir a sua ação. Contudo alguns estudos recentes mostram que a glândula desacelera a sua diminuição nos corpos daqueles que meditam. A vibração, textura e vitalidade da pele irradia também os cuidados que provemos à nossa mente, e aos nossos corpos mais subtis.

Cuidados específicos com a pele

A tendência para a secura torna a pele do Vata especialmente vulnerável a mudanças no clima. A pele Vata deve ser protegida do calor e frio extremos, sobretudo do vento, e cuidada com substâncias mais emolientes para reter a sua humidade e os seus óleos naturais. Devem-se evitar banhos de água muito quente e usar sabonetes com um pH equilibrado, além de beber muita água para que a hidratação ocorra de dentro para fora. Adicionar folhas de hortelã ao banho quente com bastante vapor para abrir os poros e aumentar a circulação. O abacate é rico em antioxidantes, ácidos gordos e vitamina E também é ótimo para a pele Vata. Assim, podemos aplicar o abacate esmagado sobre a pele para a hidratar por 15 a 20 min, e depois lavar a pasta no banho.

A pele do Pitta deve ser mantida fresca e hidratada já que é muito suscetível a erupções cutâneas. Entre os cuidados com a pele Pitta incluem-se evitar substâncias muito oleosas e densas, assim como a exagerada exposição ao sol. A limpeza com água de rosas, uma esfoliação de açúcar e mel e hidratação com óleo de coco são ótimas opções.

A densidade da pele Kapha beneficia de uma limpeza mais frequente com substâncias adstringentes, já que tem tendência à acne. É importante por isso evitar os laticínios na sua dieta, assim como moderar a sua exposição ao sol e ao vento. Esta pele é favorecida por uma boa esfoliação com sal marinho e mel, assim como pela adição de açafrão da índia na alimentação.

Nos cuidados gerais com a pele o primeiro passo é de limpeza e higienização aplicando-se água de rosas. De seguida é aconselhável aplicar um óleo adequado para hidratá-la. Em terceiro lugar é preciso que a pele transpire, para isso pode-se vaporizar a pele com ervas medicinais.

No quotidiano a pele deverá ser nutrida e limpa através da utilização de óleo vegetal, recomendando-se o coco e a grainha de uva para Pitta, as amêndoas doces e mostarda para Kapha, e óleo de sésamo e rícino para Vata. Para as pessoas com uma pele Pitta ou Kapha a nutrição com óleo deverá ocorrer mesmo antes do duche, usufruindo da água quente do duche para abrir os poros permitindo uma penetração mais profunda do óleo. Para a Vata a oleação deverá ocorrer após o duche. Sendo uma pele mais seca necessitará que o óleo permaneça no corpo durante mais tempo.

O quarto passo é esfoliar o rosto. A esfoliação deve ser feita de acordo com cada tipo de pele. Se a pele for do tipo Vata é aconselhável triturar e misturar aveia (cereal exfoliante e nutritivo), lentilha amarela (ou feijão mungdal), amêndoas (fruto seco nutritivo, humedecedor, hidratante e regenerador) e água de rosas. No caso de a pele ser Pitta deve-se triturar e misturar aveia, lentilha amarela, tulsi (planta com propriedades calmantes e de prevenção de doenças da pele) e água de rosas. Se a pele for Kapha, o conselho é triturar e misturar milho, lentilha amarela (ou feijão mungdal), neem (planta antifúngica), mel e água de flor de laranjeira. Quando a pessoa tem manchas na pele pode-se misturar e triturar açafrão e sumo de limão.

Depois de esfoliar é tempo de limpar e tonificar a pele com água de rosas. O sexto passo é só para as peles Vata e Pitta: pode-se aplicar uma máscara nutritiva feita com ghee (manteiga clarificada), banana e manga, ou então uma pasta de arroz cozido e ghee e deixar actuar durante 15 minutos. O sétimo passo prevê a nova aplicação de vários tipos de óleo com propriedades nutritivas e hidratantes de acordo com a bioenergia da pessoa.

Algumas receitas caseiras

Óleo de coco para hidratar a pele diariamente: utilize óleo de coco para hidratar o rosto. Além de causar uma sensação refrescante ele é leve, resultando numa pele hidratada, mas sem excessos. Aplique-o em pequenas quantidades, espalhando por toda a face. Deixe-o agir por alguns minutos e retire-o lavando o rosto.

Esfoliação com açúcar mascavado: este processo ajuda na renovação celular e na retenção da humidade natural da pele, deixando-a com uma aparência mais hidratada. Se desejar, misture com pétalas de rosas ou mesmo com o seu creme favorito.

Leite integral para acalmar e limpar o rosto: utilizando algodão, aplique leite integral por toda a sua face. O leite ajuda a remover impurezas impercetíveis a olho nu, garantindo brilho à sua pele.

Óleo de neem para acalmar pele irritada ou inflamada: utilize hastes flexíveis para aplicar o óleo na região inflamada ou irritada, deixando-o agir durante a noite. Além disso, é uma ótima opção como secativo de borbulhas e outros tipos de erupção cutânea.

Aloé Vera para tonificar a pele diariamente: muito utilizada para queimaduras solares, a Aloé Vera é um ótimo recurso para garantir tonicidade à pele. Ele amacia e rejuvenesce a pele.

turmericAçafrão-da-terra + sândalo contra acne: prepare uma pasta com 1 colher de açafrão-da-índia e 1 colher de sândalo adicionando água. Aplique em todo o rosto e deixe-a agir por 15 a 20 minutos. Passado este tempo, lave o rosto com água morna. Repita este procedimento diariamente para conseguir um bom controle da acne.

Batatas para diminuir manchas do rosto: ótimo clareador natural, a batata é considerada um dos melhores remédios ayurvédicos para uma pele com brilho natural. Basta esfregar gentilmente uma fatia de batata crua nos locais com manchas e hiperpigmentação.

Mel para hidratar a pele e evitar rugas: excelente humectante natural, o mel pode ajudar a conquistar uma pele mais macia e hidratada, além de ser muito útil para evitar rugas e tratar áreas de secura extrema. Basta aplicá-lo à região desejada, deixar agir por alguns minutos e retirá-lo com o auxílio de água morna e sabonete.

 

É importante lembrar, que segundo a Ayurveda, o corpo leva de 3 a 5 anos para se adaptar a mudanças de hábitos e a alterações climáticas. Por esse motivo sugere-se que as transições de estilo de vida sejam realizadas de forma suave e gradual, para potenciar os lentos processos de desintoxicação, entre mudanças, fomentado os sistemas naturais de purificação e saúde de forma consciente. Uma alimentação saudável aliada a um estilo de vida adequado resultará em beleza e longevidade em todo o corpo.

 

Mantraterapia: Som, Vibração e Energia

O som é a ferramenta natural mais simples e capaz de alterar o nosso estado de espírito, o nosso humor e o das pessoas e ambiente à nossa volta. No ventre, o som, a vibração da voz da nossa mãe, o seu ritmo cardíaco, as suas ondas emocionais, a orquestra dos seus órgãos em funcionamento, das células que nascem e morrem, começaram por ser o nosso primeiro contacto com a riqueza vibracional do mundo exterior. A vibração sonora é a matéria prima com que criamos a nossa biblioteca de memórias, interiorizamos escalas de emoções, e geramos os primeiros padrões da nossa inteligência emocional, armazenando e edificando um conhecimento baseado nas entoações e expressões usadas pelos nossos pais e cuidadores, construindo assim a estrutura do nosso léxico emocional.

Esse léxico vibracional e emocional tem lugar cativo nas nossas moléculas de água, e torna-se uma parte estruturada e inconsciente dos nossos padrões de emoção e reação. Mimetizamos as expressões e entoações dos nossos ancestrais reproduzindo um património de memórias acumuladas pela nossa genealogia específica, que conseguimos reativar através da reverberação da nossa (imensa) água interna. Cada pessoa herda assim uma escala específica de sons agregados por gerações, que se exprime em parte através da frase melódica que constitui o nosso nome. O nosso nome (completo) exprime tanto essa tremenda memória vibracional (nos apelidos) como adiciona o nosso padrão único de vibração (os nomes próprios), complementado pela sinfonia do nosso corpo em pleno funcionamento. O nosso nome é o nosso mantra pessoal!  Assim, a personalidade pode também ser definida pela forma única como vibramos e criamos padrões eletromagnéticos diferenciados, transmitindo uma impressão singular, ímpar, identificadora da nossa unicidade.

Dar corpo à Voz

Tudo à nossa volta gera ondas, reação, vibração. Tudo vibra de facto. O corpo humano é uma caixa de som, um aparelho de ressonância capaz de produzir uma escala de 52 sons essenciais que constituem a base as frequências verbais. A palavra falada, apesar de emitida ao nível da garganta, reverbera pelo o nosso corpo inteiro. Falamos com o corpo todo.

WhiteTaraMantraCircleOs Vedas – as escrituras sagradas do Hinduísmo – foram escritos em versos, cânticos tradicionalmente transmitidos na sua versão oral, que mantinham assim viva a mensagem da Criação, e ativavam o poder terapêutico das palavras neles contidas. Os mantras contidos nos Vedas tinham – para além do seu intuito educativo e religioso – a intenção de reorganizarem o padrão vibracional daquele que os recitasse devolvendo-lhe assim a sua clareza mental, a sua homeostase, a sua saúde.

Quando cantamos ou falamos criamos som, vibração, estímulos que por sua vez criam mudanças no fluxo de energia dentro dos órgãos vitais e nas glândulas. Existem sons que associamos a determinados estados emocionais, e a reprodução desses sons induz à sensação a eles aliada. Da mesma forma, a estrutura da nossa personalidade e do nosso ego cristalizou determinados padrões vibratórios com os quais ressoa, padrões mais sombrios e tóxicos formados em momentos em que sofremos algum tipo de transtorno emocional, gerando muitas vezes crenças limitadoras sedimentadas, e no corpo físico, patologia. No processo de interromper esses padrões vibratórios, diluirmos dramas cristalizados e libertarmo-nos de memórias trazendo-as à consciência, podemos usar a mantraterapia.

A palavra tem um poder criativo muito próprio; tanto pode ser edificadora como destrutiva. A Mantraterapia tem subjacente a intenção de se usar o poder regenerador da palavra viva, activa, consciente que faz vibrar centros específicos no corpo, abrindo espaço à mudança e à libertação dos nossos padrões inconscientes.

A Mantraterapia faz parte dos primórdios terapêuticos da Ayurveda enquadrando-a também como uma Medicina Vibracional. O Mantra gera foco na mente, e potencializa uma atitude concentrada, equilibrada, Presente no seu praticante.

A prática da Mantraterapia pode ser coadjuvada pelo uso de um japa mala – um colar semelhante a um rosário que instiga ao foco e à presença – contando com 108 contas, ou seja, as vezes que o mantra deve ser repetido, tanto sussurrado, cantado, ou recantado mentalmente. A repetição de um mantra terapêutico vai limpando a memória cristalizada e sombria, reprogramando-a com uma mensagem mais positiva, saudável, feliz.

Os sábios praticantes e transmissores da Mantraterapia consideravam a pronúncia e articulação correta das palavras, fundamental para o efeito pleno da sua ação, reforçando um carácter mágico, transcendente na atuação do mantra no corpo e na mente. Felizmente existem também Mestres que enfatizam que a intenção e a pureza da mente daquele que pratica a Mantraterapia, ressalvando a sua atuação e eficiência em quem pratica focado no coração. Mentes que vibram de forma mais focalizada e feliz produzem harmonia e equilíbrio à sua volta.

Mantraterapia no quotidiano: Quem canta seus males espanta

Cantar de peito aberto, cantar com a Alma, cantar de plenos pulmões. Quando cantamos com o coração, o nosso esterno tem tendência a vibrar. Essa vibração aumenta a eficiência do mantra sobre os nossos órgãos vitais que acolhem as ondas vibratórias curativas, e reajustam o pulsar da sua atividade para um ritmo mais equilibrado.

Na mente, o mantra tem uma atuação ainda mais significativa já que – à semelhança da Meditação, e em confluência com ela – ele ajuda a produzir estados alterados de consciência, serenando a mente, evitando que ela disperse em cadeias de pensamento inúteis, ao mesmo tempo que a eleva e a sintoniza com a sua paz interior.

Existem mantras construídos desde de tempos imemoriais, constituídos por arranjos de sílabas sagradas, variando de uma até vários milhares de sílabas. Muitos desses mantras são aparentemente vazios de sentido, pois a sua intenção é evitar a promoção de pensamentos conceptuais, possuindo antes uma relação misteriosa com o estado vibratório e a consciência de quem os usa.

Os mantras são profundamente adequados ao uso quotidiano, podendo estar presentes desde que despertamos, no banho, na intenção que damos ao alimento quando o cozinhamos, quando conduzimos, e obviamente, quando meditamos. A sua ativação é mais intensa quando colocamos uma intenção na sua entoação, e tanto os podemos cantar em voz alta, sussurrá-los, como repeti-los mentalmente. Podemos dirigir o som e a vibração para uma zona específica do nosso corpo, através da nossa intenção, e é a sua repetição que realmente proporciona reverberações que ajudam a renovar tecidos e a revigorar o corpo e a mente.

Alguns exemplos de mantras ancestrais e atuais:

OM SYMBOL

OM

“No princípio era o Verbo (OM), e o Verbo estava com Deus (Brahman), e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. (João 1.1-3).” Nas escrituras védicas aprendemos que o mantra original é o OM, formado pelas três letras A, U, M; significando: Brahma, Vishnu, Shiva – o princípio da criação, manutenção e dissolução (ou absorção) do Universo. A partir do Om nascem todos os outros mantras. Os mantras monossilábicos são chamados de bijas (semente), e o Om é o bija, a fonte dos restantes bijas. Diz-se atualmente que o Om tem a vibração 8Hz, semelhante à Ressonância Schumann (7,83Hz), ressonância em que vibra o campo eletromagnético no nosso planeta.

om mani

 

OM MANI PADME HUM (tibetano) – mantra para harmonizar os Chakras e iluminação

 

om tare tutare soha

 

OM TARE TUTTARE TURE SOHA (tibetano) – produz modificações no nosso interior e em todo o universo à nossa volta, para além de ser um mantra de cura

mahamantra Hare Krishna

Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare  Hare (sânscrito) – Chamado de Mahamantra, o Grande Mantra, evoca pureza mental e o mérito (punya) necessários para que a pessoa possa encontrar um bom professor e tenha a capacidade de entender os seus ensinamentos.

 

gayatri-mantraO Gayatri Mantra é um dos mantras mais conhecidos e usados na Índia, porque é considerado o mais poderoso e criativo, servindo para todos os propósitos. Para além disso ele promove o desenvolvimento do siddhi (poder) da cura:

OM BHUR BHUVAH SWAH, TAT SAVITUR VARENYAM, BHARGO DEVASYA DHI MAHI, DHIYO YO NA PRACHODAYAT

ho_oponopono2copyMantra Ho’oponopono adaptado ao Abraço da Paz:

Este é o mantra da aceitação e do perdão hawaiano e pode ser aplicado a nós mesmos, e/ou a pessoas, situações que necessitem que pratiquemos a energia do perdão e do desapego.

EU AMO-ME (Eu Amo-te), EU PERDOO-ME (Eu Perdoo-te), EU AGRADEÇO-ME (Eu Agradeço-te), EU RESPEITO-ME (Eu Respeito-te), EU LIBERTO-ME (Eu Liberto-te), EU ACEITO-ME TAL COMO EU SOU (Eu Aceito-te tal como Tu És)

A Grande Invocação, e o cristal de água por ela produzido:

O propósito último do mantra é assistir o trabalho interior de quem já escolheu encontrar-se com a sua própria divindade. Nesse caminho podemos criar no quotidiano as nossas próprias afirmações, os nossos próprios mantras: “Eu Sou o meu próprio Centro”, “Eu Sou Serenidade”, “Eu Sou Amor”, “Eu Sou”

Mente e Mantra

O nosso cérebro é capaz de segregar muitos dos químicos utilizados externamente em tratamentos médicos. A utilização dos químicos baseia-me na intenção de estimular ou substituir algumas dos químicos naturais produzidos pelo cérebro, melhorando e incrementando o seu funcionamento. As secreções naturais do cérebro produzem com simplicidade bem-estar, saúde e uma sensação geral de serenidade. Nas práticas do Yoga e Ayurveda a promoção dessas secreções salutares é estimulada através de algumas ervas, alimentos especiais, pranayama, posturas, meditação e mantras.

dhanwantariNo Ayurveda, a secreção gerada por uma mente harmonizada é denominada de amrita –  o nosso néctar imortal, elixir da longevidade, uma água subtil e purificada, capaz de renovar, rejuvenescer e revitalizar o corpo e a mente, criando um fluxo de bem-aventurança e bem-estar, movendo-se através dos nadis ou canais do corpo sutil e pelo sistema nervoso, preenchendo-os com uma sensação de êxtase e bem-estar. Esta substância aparece associada a um subdosha de Kapha, Tarpak Kapha que por sua vez surge associado ao conceito de Ojas, a essência de todos os tecidos, concentrando força, nutrição e vitalidade. O amrita é o produto de uma mente limpa, de uma consciência evoluída, em ressonância com o Universo.

Por detrás de todas as práticas da rotina diária no Ayurveda está o foco na promoção de um corpo saudável, uma mente lúcida, criativa, e uma consciência desperta, disponível para incrementar a paz em torno de si, a partir da partilha da sua própria experiência. A abordagem ancestral e visionária do Ayurveda baseia-se na contemplação da Natureza e do seu reflexo e impacto no Homem, e uma forma clara e compreensível de fomentarmos a felicidade quotidiana, está na assunção da responsabilidade de treinarmos os nossos pensamentos, a nossa mente, o curso das nossas intenções utilizando uma técnica revolucionariamente simples: o Mantra.

Webgrafia e Bibliografia:
https://liveanddare.com/mantra-meditation
http://www.masaru-emoto.net/english/water-crystal.html
http://collectivepsyche.com/2015/11/cymatics-mantra-tapping-into-matter-with-sound-vibrations/
http://www.cymatronsoundhealing.com/science-of-cymatics.html
http://www.hazrat-inayat-khan.org/php/views.php?h1=11&h2=7&h3=6
http://balance.chakrahealingsounds.com/om-solfeggio-schumann-resonance-meditations/
Soma in Yoga and Ayurveda (David Frawley, Lotus Press 2012)