Ayurveda e o Stress | Quando rir é o melhor remédio

risoCalma, paz interior e serenidade são alguns dos propósitos subtis associados à alma humana equilibrada. A alma clama por harmonia e por tempo, para inspirar e expirar os atritos do quotidiano, da vida, integrando-os ou expurgando-os de modo consciente, e repondo o equilíbrio através do necessário ajuste. Contudo, o nosso ritmo atual descompassou-se da cadência cósmica, e o nosso espírito voga muitas vezes em torno de nós, à espera do tempo, do momento em que a sua voz subtil seja escutada e validada como orientação equilibrada para as nossas escolhas quotidianas.

Num exemplo já referido anteriormente, há alguns milhares de anos, num dos primeiros ‘simpósios’ de Ayurveda, vários Rishis (sábios) reunidos debateram com preocupação a mudança de estilo de vida nómada, para os pequenos aglomerados crescentes, aldeias onde começava a desenvolver-se o sedentarismo. À medida que vários seres humanos começaram a viver em comunidades, a primeira tendência natural foi para se gerar atrito, diferenças de postura, de ideologias, e com essas diferenças o stress nos seus vários níveis. Estes sábios, souberam desde esses tempos imemoriais que o stress seria a grande origem de todos os desequilíbrios no futuro.

A resposta do stress humano é uma adaptação evolutiva que ajudou os humanos a lidar com momentos de crise através dos tempos. Ocorre em resposta ao perigo de qualquer forma – seja um desastre natural, uma guerra, uma perda emocional devastadora ou um encontro com um poderoso predador. Quando sofremos de episódios regulares de stress, muitos dos sistemas no corpo podem entrar em rutura: o sistema digestivo e a função metabólica (incluindo desequilíbrios no peso corporal), o sistema cardiovascular, o sistema músculo-esquelético, o sistema nervoso, o sistema reprodutivo e o sistema imunológico. O excesso de stress também pode afetar os nossos estados mentais e emocionais, os nossos relacionamentos, bem como a saúde dos nossos ossos (e tecidos relacionados, como dentes, cabelos e unhas). O stress tende a desgastar-nos a um nível sistémico, por isso, embora seja um fator que contribui para uma grande variedade de doenças, a sua influência é facilmente esquecida.

Hoje em dia vivemos em mega aglomerados sociais, e todas as facetas das nossas vidas são expostas à tensão, e ao atrito do consciente (e do inconsciente) coletivo. A facilidade com que os nossos sistemas orgânicos se desequilibram é tremenda, já que todas as condições estão reunidas para criar o desequilíbrio. As circunstâncias das nossas vidas mudaram rapidamente num período muito curto de tempo (falando em termos evolutivos). Os agentes de stress transformaram-se e multiplicaram-se; eles estão em toda parte, todos os dias: uma manhã agitada, lutas pelo poder com crianças voluntariosas, tráfego no caminho para o trabalho, encontros irritados no trânsito, um chefe irado, prazos apertados, longas horas de trabalho, contas que se acumulam desafiando a dinâmica interpessoal e outros incontáveis ​​fatores. É importante notar que as hormonas do stress estão sempre ativas, o que faz com que muito depois de um evento stressante, as hormonas libertadas ainda permanecem nos nossos sistemas.

O stress crónico, tende, por isso, a manter nos nossos tecidos banhados em hormonas do stress quase continuamente, o que nos torna hipervigilantes e cada vez mais propensos a desencadear respostas violentas inoportunas e desproporcionadas.

Ayurveda e o stress

laughing red hair womanA Medicina Ayurvédica é brilhante na sua capacidade de destilar uma série de doenças complexas numa coleção elegantemente simples de padrões qualitativos, que ajudam gerar um caminho claro para a cura e equilíbrio de cada indivíduo. A abordagem ayurvédica para gerir o stress é um belo exemplo disso.

Um dos princípios fundamentais da Ayurveda está no compreender e equilibrar os opostos; sempre que uma das qualidades aumenta, o equilíbrio é alcançado pelo aumento da qualidade oposta. A Ayurveda conta com vinte sub gunas (qualidades) – organizadas em dez pares de opostos – para descrever os vários fenómenos de todo o mundo natural. Identificar as qualidades envolvidas num desequilíbrio ou doença particular ajuda a direcionar o tratamento apropriado dos opostos. Quando destilamos a resposta ao stress nas suas características mais essenciais, e começamos a entender as qualidades que ela ativa no corpo, obtemos uma compreensão intuitiva de como usar forças opostas para convidar a um retorno ao equilíbrio.

De acordo com os textos antigos da Ayurveda, um grupo de dez gunas é considerado como sendo de natureza edificante, nutritiva e anabólica, enquanto o outro é redutor, aligeirante e catabólico. Aqui estão os dez pares de opostos, divididos nestes dois campos:

Gunas redutores, aligeirantes, catabólicos

Gunas edificantes, nutritivos, anabólicos

Leve

Pesado

Afiado

Lento

Quente

Frio

Duro/áspero

Macio

Seco

Oleoso

Líquido

Denso

Móvel

Estável

Subtil

Bruto

Claro

Nublado

É importante entender que nenhuma dessas qualidades é inerentemente boa ou má. Cada uma delas suporta a manutenção do equilíbrio à sua maneira. Da mesma forma, muito ou pouco de qualquer uma das qualidades pode ser um problema.

A resposta ao stress cai firmemente na categoria catabólica de redução, clareamento. O stress está intensamente a ativar, energizar, fortalecer, motivar, mobilizar e acelerar. Como resultado, ativa as qualidades leves, quentes, secas, ásperas, móveis, sutis e claras do corpo. A curto prazo, isso pode ser muito adaptativo e benéfico, contudo, a continuação ininterrupta desse padrão gera inevitavelmente desgaste.

Práticas quotidianos de bom humor

A forma mais simples de evitar o esgotamento é através do equilíbrio das qualidades opostas às do stress. Se o semelhante aumenta, o antídoto do stress excessivo é oferecer aos nossos sistemas uma abundância de todo o grupo de qualidades edificantes e nutritivas – através da dieta, do estilo de vida, da rotina, dos bons relacionamentos, e da inclusão do riso como prática de descompressão. Isso significa acolher influências que são pesadas, enraizantes, lentas, untuosas, nutritivas, suaves e estabilizadoras, enquanto fazemos o melhor possível para minimizar a influência dos seus opostos. Na sua essência, a abordagem ayurvédica para equilibrar o excesso de stress é realmente simples.

Podemos simplesmente rir

laughing-endorphins-medicine-812284Independentemente de todas as outras recomendações que podem ser feitas para minimizar o stress na nossa vida, o riso é um método alegre e eficaz de cuidado de saúde preventivo que se enquadra como uma das respostas mais diretas, fáceis e eficazes para dissolver o stress.

O riso estimula e mantém uma boa saúde, aumenta a energia vital e é absolutamente único na sua terapêutica. Tem muitos efeitos benéficos ao nível emocional e social, ajudando a adoptar uma atitude mais optimista em relação à vida, conduzindo a um carisma positivo, e fomentando os laços sociais: o riso liga-nos, cria uma coesão social e uma atmosfera de tolerância, amor e respeito. Quando começamos a rir, a nossa fisiologia muda, e com ela a nossa química interna também. O riso prepara o corpo e a mente para a felicidade.

O riso tem duas fontes, uma é o corpo, a outra é a mente. Os adultos tendem a rir da mente, usando habitualmente do julgamento e das avaliações sobre o que é engraçado ou não. As crianças, que riem com muito mais frequência do que os adultos, riem do corpo, elas riem-se a toda agora, enquanto brincam. O Yoga do Riso é baseado no cultivo da brincadeira infantil, no despertar da criança em nós, que quer rir e quer brincar.

O riso relaxa todo o corpo. Rir às gargalhadas genuínas por 15 minutos seguidos tem um efeito anestésico, que equivale a 2h de sono sem dor, e a 1h de meditação. Um bom e saudável riso alivia a tensão física e o stress, deixando os músculos relaxados por até 45 minutos depois.

O riso aumenta a circulação, melhora a respiração profunda, otimiza o fornecimento de oxigénio, aumenta a produção de endorfinas, estimula o sistema imunológico, exercita os músculos e até revigora o cérebro. Alguns pesquisadores descobriram que o riso reduz a produção de cortisol, a hormona do stress e pode até mesmo ajudar a prevenir doenças cardíacas.

O conceito de Yoga do Riso veio da Índia pelo trabalho do Dr. Kataria. Ele criou o termo

“Hasya Yoga”. (Hasya é a palavra em sânscrito para riso). Com o tempo, o Dr. Kataria desenvolveu uma série de exercícios de riso, a maioria envolvendo interações com outras pessoas. Como ele praticava yoga há muitos anos e a sua esposa, Madhuri, era professora de yoga, o Dr. Kataria integrou técnicas de alongamento e respiração de yoga – particularmente respiração diafragmática profunda e exalação prolongada – nas sessões de riso.

Os exercícios de riso podem começar forçados. Para começar basta abrir a boca num sorriso largo e forçar a respiração do riso. O corpo acaba por vibrar e ativar a energia no pleno solar, de modo a que muito facilmente, a pessoa acaba a rir-se a sério. Mesmo o riso forçado, o riso que surge da estimulação mental que vem no momento da descoberta de uma boa piada consegue ter o mesmo efeito. Habitualmente, o foco nas sessões do riso é rirmo-nos das coisas do dia-a-dia que causam stress, como o trânsito, as contas para pagar, as discussões com parceiros ou colegas, etc

Exercícios de Yoga do Riso

kids-laughingRiso do leão: Faça como um Leão e estique a língua, arregale os olhos e estique as mãos como garras enquanto ri.

Riso silencioso: Abra a boca e ria sem fazer barulho. Olhe nos olhos de outras pessoas e faça gestos engraçados.

Riso gradiente: Comece por sorrir e, lentamente, comece a rir com uma risada gentil. Aumente a intensidade da risada até conseguir uma gargalhada. Então, gradualmente, trazer a risada para um sorriso novamente.

Riso de arranque de motor: Comece o riso como se estivesse a ligar a ignição, e persista até aumentar e chegar à gargalhada.

É importante permitirmos que a antiga risada interior, que reside profundamente dentro de nós – a grande capacidade de nos rirmos de nós mesmos, e dos dramas do nosso ego – nos liberte do stress quotidiano, e nos guie a um estado de perfeita saúde e felicidade. Rir é o melhor remédio.

Advertisements

Celebrar a Ayurveda – a Ciência da Longevidade

dhanwantari 1

No próximo dia 5 de novembro de 2018 celebra-se, pela segunda vez, o Dia Internacional da Ayurveda. O recém criado Ministério do Yoga e Ayurveda do governo indiano fez recair a escolha do dia da Ayurveda em consonância com a celebração do dia de aniversário do Senhor Dhanwantari (Dhanwantari Jayanti), o lendário Deus Hindu da Medicina, o Mestre do Conhecimento Universal, Médico dos Deuses e a Deidade Guardião dos Hospitais, o Senhor Dhanwantari é também o patrono da Ayurveda.

Segundo a lenda, os deuses e os demónios criaram o néctar da Imortalidade – o amrita – batendo e agitando o oceano leitoso, e o Senhor Dhanwantari emergiu das águas oceânicas trazendo uma taça cheia do néctar, com a qual é habitualmente representado. dhanvantariO néctar, amrita,  é considerado a panaceia para todas as doenças e enfermidades, e a partilha que o Senhor Dhanwantari faz do conhecimento da Ayurveda, da Sabedoria inerente aos processos da Vida constituem só por si um Elixir para a Longevidade.

Independentemente da história mitológica do surgimento da Medicina Ayurvédica, a Ayurveda é atualmente aceite como o sistema médico mais antigo, mais original e ininterrupto do mundo,  reconhecido pela Organização Mundial de Saúde como um sistema médico coerente e eficaz.

O conceito

Somos seres plenos de Energia e Vontade de Viver que desde os primórdios da nossa existência procuramos a Paz e a Prosperidade. Experimentamos a Vida através dos nossos corpos, que manifestam unicidade e adaptação às necessidades de vivência individuais, providos de meios naturais de auto manutenção e cura.

A nossa memória acumula e arquiva a experiência adquirida através de vivências físicas, emocionais, mentais e espirituais. Todos os momentos que vivemos impregnam os nossos sentidos com uma tremenda quantidade de informação, em que todos os pormenores são importantes: cada golfada de ar, cada raio de Sol, cada alegria, e cada tristeza, cada escolha, sabor, aroma que saboreamos. Todas as experiências vivenciadas constituem uma dádiva, uma graça plena da Energia Vital que nos anima, e plena do conhecimento que nos permite enfrentar cada desafio da vida – nos seus vários níveis – com equilíbrio e confiança.

Dentro deste contexto de integração, de entendimento e de harmonia com a Natureza surge a Ayurveda. Ayus (Vida, movimento, seres vivos, modo diário de vida) e Veda (revelação; conhecimento empírico que deriva da observação e da experimentação) é a Ciência da Vida quotidiana, da Vida Plena, da Saúde e Longevidade, da Cura. A Ayurveda é o Manual de Instruções de que muitos sentem a falta para lidar com o seu quotidiano. Pleno de recomendações e linhas orientadoras, o conhecimento ayurvédico tem como propósito final ajudar a materializar uma vivência plena, saudável, consciente, e por isso tudo, feliz. A Ayurveda é uma medicina para a manifestação do Amor à vida no quotidiano.

RishiO conhecimento ayurvédico remonta há pelo menos 5 mil anos, trazido até nós primeiro através da tradição oral, e posteriormente através dos Samhitas, os Compêndios que aglomeram o grosso dos princípios da Medicina Ayurvédica. É um sistema holístico de medicina cujo conhecimento evoluiu a partir do conhecimento empírico, e também da observação, da “iluminação” prática, filosófica e religiosa dos Rishis (seres antigos realizados, ou videntes da verdade). Estes sábios alcançaram o conhecimento através de intensa e profunda meditação, compreendendo a dimensão da Vida a um nível subtil, compreendendo a matéria como partículas com diferentes intensidades de vibração – como só muito mais tarde viria a ser cientificamente entendido nos conceitos da Física Quântica –, e aplicaram esse conhecimento para estabelecer princípios de equilíbrio e orientação para a nossa prosaica vida diária. No estreito relacionamento entre o homem e o universo, os Rishis perceberam como se manifesta a energia cósmica em todas as coisas vivas e não-vivas, e esse conhecimento é utilizado desde então para ajudar a manifestar no quotidiano o propósito último do ser humano: a Felicidade e Realização plena.

A Ayurveda manifesta assim, uma filosofia de vida que está em comunhão com o Cosmos, na qual se integra a Medicina Ancestral da tradição Indiana, e que oferece na sua abordagem terapêutica, e pelo seu carácter preventivo e educativo, o fundamento para a manutenção quotidiana de uma saúde realizada, plena, holística.

O sistema de cura ayurvédico ajuda a pessoa sadia a manter a saúde, e a pessoa doente a recuperá-la. A prática da Ayurveda é indicada para promover o bem-estar, a saúde e o desenvolvimento criativo do ser humano. Por isso preconiza que a responsabilidade perante o estado de Saúde geral do indivíduo pertence ao próprio, sendo ele o agente restaurador do seu bem-estar, pela introdução de hábitos alimentares equilibrados, e cuidados com o corpo, com as emoções, a mente e o espírito. Através do equilíbrio apropriado de todas as energias do corpo, os processos de deterioração física e doença podem ser reduzidos, promovendo-se a capacidade de autocura individual.

Na Ayurveda, a jornada da vida na sua totalidade é considerada sagrada. A sua grande verdade é Ser, Existência Pura, Fonte de toda a vida.

Numa abordagem mais profunda e completa, a Ayurveda, o Yoga e o Tantra são as antigas disciplinas tradicionais de vida na Índia. O Yoga é a ciência da união com o Divino, o Tantra é um método de trabalho com a grande energia criadora de Vida e a Ayurveda é a ciência da Vida. O propósito de cada prática é ajudar a pessoa a alcançar longevidade, rejuvenescimento e a autorrealização.

Na evolução espiritual do homem, a Ayurveda é a base, o Yoga é o corpo e o Tantra a cabeça. Primeiro é necessário compreender a Ayurveda a fim de experimentar as práticas do Yoga e do Tantra. Assim a Ayurveda, o Yoga e o Tantra formam uma trindade de vida interdependente. A saúde do corpo, mente e consciência dependem do conhecimento e prática dos três na vida diária.

A prática

Respeitando o carácter profundamente preventivo, a Ayurveda tem como base os cuidados diários de saúde através de uma cuidada prática de Rotina Diária – Dina Charya, que tem o propósito de manter o nosso equilíbrio e fomentar a longevidade.

eight-branches-of-ayurvedaApesar de no Ocidente a sua prática ser ainda muito orientada basicamente como uma suave Medicina preventiva, na Índia a Ayurveda é praticada de acordo com oito especialidades – o Astanga. As divisões de especialidades do Ayurveda surgem ainda nos Vedas. O Atharva Veda consiste predominantemente em Bhutavidya (psiquiatria) e em Sarpavidya (toxicologia). Além dos dois acima, Rasayana (ciência do rejuvenescimento, atualmente conectado com a Geriatria) e Vajikarana (Medicina Reprodutiva e Afrodisíacos) que são também encontradas no Brahmanas e no Upanishads. A Ayurveda contém além das quatro divisões acima, outras quatro a saber Salya (cirurgia), Salyaka (otorrinolaringologia), Kaya-Chikitsa (medicina interna) e Kaumara-Bhrtya (Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia). O conhecimento sobre estas últimas quatro divisões existiu antes, mas tornou-se sistemático com a origem do Astanga Ayurveda (As Oito Divisões da Ayurveda) aproximadamente entre 800-600 a.C.

Dentro das Medicinas Tradicionais, a Ayurveda tem sido a última a ganhar o seu lugar e reconhecimento público. Apesar dos revezes históricos que coloriram a disseminação da Medicina Ayurvédica, o seu conhecimento prático – como Medicina primeira – acabou por orientar o surgimento de várias outras Medicinas, sendo a base e edificando os conhecimentos médicos atuais, incluindo os da Medicina Ocidental. A Ayurveda é uma Medicina Ancestral orientada por princípios visionários que colocam a saúde holística como a base para o desenvolvimento da plenitude e consciência no Ser Humano.

 

Mimo e cuidados de Outono com a Ayurveda

Apesar de começarmos a termos de nos habituar à indefinição das estações do ano derivadas às alterações climáticas, alguma regularidade pode ainda ser observada, e naturalmente respeitada de forma a mantermo-nos em equilíbrio.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

A mudança do verão para o outono é um período chamado Ritu Sandhi na Ayurveda. Refere-se à lacuna entre as estações. Este é um momento delicado para a digestão, porque os doshas (humores) estão flutuantes e a capacidade digestiva pode também oscilar. Este tempo de flutuação proporciona uma oportunidade natural para uma limpeza de Outono. A Ayurveda sugere que façamos bom uso da tendência natural do corpo para se purificar.

O Outono é uma das estações do ano em que o Vata predomina. O Vata e o Outono compartilham as qualidades de movimento, mudança, secura, frio, luz, mutável, rápida e irregular.

No Outono começamos a ver mudanças no clima, algumas delas repentinas, que se refletem na beleza da mudança da cor das folhas das árvores. Começamos por sentir mais frio e há movimento no ar quando o vento frio começa a soprar. É a estação que agrava o Vata devido ao clima frio e ventoso. O Vata pode manifestar-se no nosso corpo e mente como: secura, ansiedade, preocupação, dor nas articulações, alterações nos nossos padrões digestivos, incluindo obstipação e até insónia.

As estações vão-se sucedendo independentes da nossa vontade, e a Ayurveda é provida da informação que nos permite lidar de forma harmoniosa com o nosso ambiente externo, e o eventual stresse que o acompanha, através de pequenos ajustes na nossa rotina diária.

 

A Alimentação no Outono

A energia do Vata é naturalmente criativa e também agitada. Tendo isso em conta é fundamental manter o Vata calmo e feliz. Idealmente devem-se evitar alimentos com as caraterísticas do Vata como bebidas frias e alimentos secos, ásperos, grosseiros, frios e crus. Deve adicionar-se mel aos alimentos e às bebidas, assim como voltar às ervas digestivas de aquecimento como os gengibre, cominhos, canela, cravinho-da-índia, manjericão, erva-doce e pimenta preta.

As sopas de vegetais e ensopados são perfeitos para esta época do ano, assim como o ghee e alimentos quentes, e com os sabores picante, ácido e doce. A abóbora é um alimento muito típico da estação e muito adequado para nutrir o Vata, assim como vários tubérculos como a batata-doce, a beterraba e a cenoura, que facilitam o processo de ‘enraizamento’ da leve energia do Vata.

Idealmente as bebidas devem ser quentes como água quente, infusão de gengibre (usar gengibre fresco) ou de outras ervas, como erva-doce, cominhos e tomilho.

autumn_food_cover2

Alimentos preferenciais de Outono

Lacticínios | todos

Adoçantes | Açúcar-de-cana, mel, melaço

Óleos | Todos com moderação

Cereais | Arroz basmati, arroz integral pequeno, trigo, aveia, cuscuz, centeio

Leguminosas | Feijão Mung, tofu, lentilhas

Frutos | Abacates, papaias, uvas, laranjas, cerejas, ameixas, melões, morangos, ananás, framboesas, mangas, bananas, figo, pêssegos, laranjas, azeitonas, limas, limões

Vegetais | Batata-doce, Inhame, agriões, cenouras, batatas, beringelas, ervilhas, beterraba, espargos, feijão verde, tomates, quiabo, nabos, abóboras, pimentos

Nozes/sementes | Todas com moderação

Condimentos/ervas | Gengibre, canela, cominhos, coentros, rábano bravo, assa-fétida, funcho, pimenta preta, sal marinho, noz-moscada, açafrão-da-índia, basílico, alho, fenacho, cravinho-da-índia

Bebidas | Leite quente, água quente, sumos de fruta, infusões

Produtos animais | Frango, peru, peixe, ovos

 

Rotina Diária adequada ao Outono

O Vata dosha desequilibra-se quando a rotina diária é irregular. É fundamental termos o cuidado de descansar bastante e manter uma rotina regular.

Massagem com Óleo Quente

Abhyanga: Aqueça um pouco de óleo orgânico de boa qualidade e faça uma pequena automassagem todos os dias. Esta prática ayurvédica diária nutre e cultiva uma pele bonita e também acalma o Vata. Tradicionalmente, é usado o óleo de sésamo, que contém propriedades antioxidantes, é amornante e um pouco pesado. Para além do óleo de sésamo, existem outros óleos vegetais adequados como o óleo de brahmi (sobretudo para a cabeça), o óleo de mostarda, e eventualmente até o óleo de amêndoas doces. Idealmente o óleo deve ficar na pele por duas horas para ser bem absorvido. Opcionalmente um banho de vapor ajuda na dilatação dos poros e absorção profunda dos benefícios do óleo usado. Tomar um banho quente após a massagem para lavar o óleo do corpo.

Movimento

Dança, Ioga, Caminhadas, e Chi Kung são alguns dos exercícios mais adequados para esta estação.

Respiração

Tire um tempo todos os dias para exercícios de Pranayama. Comece o dia com algumas repetições de respiração consciente completa. Inspire e expire a sua Intenção para o dia.

Desintoxicação | Panchakarma

Uma dieta purificadora fácil de digerir é recomendada durante o período de transição da estação e como preparação para o Panchakarma. São de evitar certos alimentos como carnes, sobras e alimentos processados já que são mais difíceis de digerir durante este período.

Dhal, arroz e legumes cozidos são adequados para uma limpeza de outono. Suplementar a dieta com Triphala, a fórmula tradicional de digestão ayurvédica, é uma forma prática de manter a digestão forte e uma eliminação regular.

O outono é um ótimo momento para receber Panchakarma, a tradicional limpeza Ayurveda. O Panchakarma pode ser feito numa clínica com um praticante ayurvédico qualificado, ou pode ser feito em casa, sob a orientação de um profissional qualificado. A terapia Panchakarma recomendada no Outono é o Basti – Oleação interna do cólon.

Fitoterapia

A Neem é uma planta famosa usada há séculos na Índia para tornar a pele mais radiante. O chá de neem é um tónico, e planta é também usada para limpar os dentes, e como um repelente natural de insetos. Embora nada possa substituir a experiência profunda e purificadora do Panchakarma, a Neem ajuda bastante no processo de desintoxicação. A sua ingestão deve orientada e seguida por um médico ou terapeuta ayurvédico habilitado.

 

Ventos em mudança: como afetam eles as Bioenergias

O vento é frequentemente caracterizado pelo Vata-dosha na Ayurveda, sendo ele próprio composto de akasha (espaço / éter) e vayu (vento / ar). Os vários tipos de vento são conhecidos geralmente por agravarem o vata, devido à natureza subtil do vento.

Os três humores biológicos em Ayurveda ou doshas são Vata-dosha, Pitta-dosha (composto de agni ou fogo e jala ou água) e Kapha-dosha (composto de jala ou água e prithivi ou terra). Destes, Vata, o humor do vento, é o mais subtil; Pitta, o fogo é o humor bilioso, sendo o seguinte mais subtil; e Kapha, o humor de água e fleuma, é o mais denso.

Na Ayurveda as várias mudanças do nosso ambiente natural – tão simples quanto as direções do vento – podem criar várias questões relacionadas com agravamento dessas bioenergias. Se formos dar um passeio ao vento, o Vata irá agravar, especialmente no outono e nas estações mais secas. Podemos também procurar perceber em que direção o vento sopra, o que também nos dá indicações de como as bioenergias podem ser agravadas.

Miscellaneous_Illustrations_The_Four_Winds

Ventos Orientais

Diz-se que o vento que sopra principalmente do Oriente é pesado e untuoso e tem um sabor doce e salgado. Assim, agrava o Kapha-dosha, que compartilha dessas propriedades, e o Pitta-dosha e o rakta (sangue), devido ao sabor salgado. Também agrava aqueles que sofrem de problemas como envenenamento, úlceras e ferimentos devido a acidentes, e causa sensações de ardor. Contudo, estes ventos orientais aliviam a fadiga e o inchaço, e reduzem o Vata.

Ventos do Sul

Diz-se que o vento que sopra primariamente da direção sul é leve em propriedade e doce, aliviando o Pitta-Dosha e o sangue, sem agravar o Vata. Ajuda a promover a força no corpo, e ajuda a visão, que está relacionada com o Pitta. Também pode aliviar o sangramento, devido à sua propriedade doce, que tem uma natureza redutora e refrescante de Pitta (shita-virya).

Ventos Ocidentais

O vento que sopra principalmente do oeste pode aliviar fortemente o Kapha-dosha, mas devido à sua natureza também afiada, seca, áspera e leve pode causar emagrecimento e reduzir a força (especialmente em tipos Vata). Reduz o tecido adiposo (devido à sua natureza seca), e diminui a untuosidade observada nos tipos Kapha, especialmente reduzindo o congestionamento e a fleuma.

Ventos do Norte

Diz-se que o vento que sopra principalmente da direção norte mantém as três Bioenergias em equilíbrio, e tem uma natureza untuosa, suave e pegajosa, com gostos doces e adstringentes. Para pessoas saudáveis, diz-se que promove a força e é útil em casos de emaciação devido à tuberculose e envenenamento. Quando o corpo acumulou toxinas, no entanto, pode agravar os doshas devido à sua natureza húmida.

Os Ventos e as Bioenergias

Naturalmente, devido aos vários climas ao redor do globo, existem variações, e podem haver efeitos contrários. No entanto, o fundamental é que vários tipos de vento agravam os doshas de diferentes maneiras, e podem ser usados ​​para reduzir outros doshas.

Podemos avaliar as várias propriedades ou gunas dos ventos que sopram ao nosso redor e, assim, entender como agravam os doshas, e quais os ventos predominantes.

Como exemplo, as comunidades costeiras ao longo das costas orientais sentirão uma forte e fresca brisa marítima proveniente dos ventos de Páscoa que provocarão os doshas – especialmente Vata e Kapha – devido às suas naturezas mais frias, apesar de outras propriedades. Nas estações de outono-inverno nessas regiões, é melhor que as pessoas – especialmente as constituições Vata e Kapha – evitem sair para passear quando esses ventos sopram, pois podem ser fatores causadores de doenças.

Vários ventos podem também afetar os nossos estados mentais pelas suas qualidades e propriedades. Ventos frios em dias nublados podem nos fazer sentir letárgicos, sem energia e deprimidos, devido à sua natureza mais escura (tamásicas), mais pesada e mais fria. Os ventos mais quentes têm uma natureza de secura, mas às vezes podem afetar uma pessoa pelas suas naturezas direcionais secundárias.

Na Ayurveda as diferentes propriedades do vento estão intimamente conectadas com desha (localização) e rtu (estação), e podem afetar as pessoas de forma diferente, baseadas na constituição biológica básica de uma pessoa (prakriti), quaisquer desvios temporais dela (vikriti), a sua idade ( estágio de vida), e sexo (por exemplo, as mulheres são mais propensas a serem agravadas por ventos). Com as mudanças planetárias, esses efeitos subtis apresentam um exemplo de outro nível mais profundo na Ayurveda, no qual várias doenças podem ser criadas pela viciação dos doshas ou pela redução dos seus efeitos pelos vários efeitos e qualidades da natureza ao nosso redor, como o vento.

Podemos começar a examinar essas propriedades ou qualidades (gunas) dos ventos ao nosso redor, nos nossos climas e locais para começarmos a avaliar os efeitos que eles têm na nossa bioenergia.

Ayurveda e as diferentes dimensões da Mente

ayurveda-vata-pittaNa visão da Medicina Ayurvédica todos os desequilíbrios (sharirika) têm para além de uma dimensão física, uma componente mental activa (manasika).

O exame da mente e das doenças psicológicas na Ayurveda é potencialmente tão complexo quanto o exame do corpo e das doenças físicas. Esta é uma observação penetrante e atenta que requer perícia, dado que requer a habilidade de compreender em profundidade o funcionamento da mente, que vai além dos aspectos físicos observados nos outros ramos da Ayurveda.

Dimensões da Mente

“Como o Sol que observa a Terra não é tocado pelas impurezas terrestres, assim também o Espírito que habita em todas as coisas não é tocado pelos sofrimentos externos”

Upanishades

Na Ayurveda, a mente é concebida a mente existindo em quatro níveis:

Chitta: ou Consciência. Ela funciona mesmo independente dos sentidos. Também é onde todas as memórias das nossas vidas passadas estão guardadas. Ela existe em todos os três corpos e funciona mesmo enquanto dormimos. Através da hipnose a nossa mente pode ser levada ao nível de Chitta. Ela representa a totalidade do nosso campo mental, contendo todas as emoções, hábitos, impressões e apegos profundamente enraizados em nós.

Manas: É aquela parte de nossa mente que está conectada com os sentidos, coordenando as

nossas actividades motoras e sensitivas, e está dominada pelas nossas emoções e opiniões. Ela

inclui a consciência sensorial externa ou “mente desejante”, assim como o nosso subconsciente e inconsciente pessoal. Ela expressa-se nas nossas capacidades de pensar, considerar, imaginar (samkalpavikalpa), nas nossas emoções e reacções primárias às impressões sensoriais. Este nível de Manas não existe no corpo causal, porque ela necessita de ser alimentada pelas impressões sensoriais.

AHANKAR: Literalmente significa “O fabricador do eu” e trata-se de um processo e não de uma realidade intrínseca. Ele é uma força necessária de diferenciação inerente à natureza, um estágio de evolução, mas não representa a verdade profunda ou real identidade das criaturas. Ele é a noção de “eu” por detrás dos outros pensamentos da mente. A sua acção é uma série de identificações do self ou aspecto subjectivo do nosso ser com alguma forma ou qualidade objectiva, tal como o corpo ou os vários estados mentais. Manas ou “mente externa” é uma série de reacções emocionais internalizadas. O ego (Ahamkar) apropria-se disso dizendo “eu gosto disso” ou “eu não gosto daquilo” etc. Desta forma o ego fornece energia para as reacções da mente. O seu aspecto positivo é que o ego possibilita uma mente com capacidade de foco. Ele ajuda a consciência a diferenciar-se da natureza externa. Contudo o ego é de facto uma das principais causas dos desequilíbrios e das doenças físicas e psicológicas.

Buddhi: Esta é a nossa faculdade de discernimento, a qual nos permite distinguir entre o

verdadeiro e o falso. Ela capacita-nos de estabelecer valores e princípios nas nossas vidas, os

quais são as bases da nossa consciência. Ela é nossa mente consciente e inteligência. Quando

dirigida externamente torna-se o intelecto e faz-nos discriminar os nomes e as formas do mundo externo. Quando dirigida para dentro ela torna-se a inteligência que nos faz discriminar entre o que está dentro de nós e fora de nós, e entre o que é aparente e o que é real. Quando dirigida externamente a sua função dá-se através de Manas (mente externa) e Ahamkara (ego) e não é independente deles. Porém, na sua essência é independente dos sentidos e existe em todos os três corpos (físico, subtil e causal).

Os três Gunas e a Mente

gunasConforme a criação se desenvolve, são formados três princípios básicos que sustentam toda a vida: as leis de criação, manutenção e dissolução. Tudo na vida nasce ou é criado, vive, e então morre. Esses princípios são conhecidos como Sattva, Rajas e Tamas e são chamadas de os três Gunas ou qualidades, atributos, tendências ou modos da criação e da natureza material. Toda a vida, humana ou celeste obedece a essas leis.

Os Gunas determinam a ressonância da nossa consciência, e a ressonância da nossa consciência determina nossa “realidade, ” este é o conhecimento mais importante da ciência dos Gunas. Os Gunas mostram as predisposições básicas da mente e as coisas que ela valoriza. No geral, a constituição mental segue a física. Porém, em alguns casos, a actividade mental pode ser mais forte do que o corpo.

• No nível físico, Sattva é harmonia; Rajas é actividade; Tamas é inércia.

• No nível mental, Sattva é verdade; Rajas é paixão; Tamas é indiferença.

As qualidades mentais dos Gunas são as seguintes:

Mente Sattvica

Sattva é capaz de produzir Luz. É na Luz de Sattva que vemos os nossos sonhos; Sattva é a luz onírica. Os olhos e todos os outros órgãos dos sentidos estão fechados, porém a escuridão não governa os sonhos. Por esse motivo, Sattva está ligado à melatonina, a hormona produzida pela glândula pineal. Sendo capaz de gerar Luz, Sattva remove a confusão ao proporcionar uma perspectiva clara. Quando Sattva predomina todos os sentimentos de inspiração para realizar-se alguma acção, bem como o apego desaparecem. Desaparece toda a inspiração para o trabalho, e toda a ignorância. Não há nada para fazer, nenhum lugar para onde ir, nenhum trabalho no qual mergulhar, nenhuma vontade de comer nem dormir, nenhuma confusão. Tudo o que permanece é luz e bem-venturança – as quais, por sua vez, criam mais luz, mais paz e maior tranquilidade.

Esta é uma mente harmoniosa. Sattva representa um estado de flexibilidade mental. A pessoa sáttvica é flexível e reage aos acontecimentos na hora em que eles acontecem; as suas reacções emocionais são proporcionais às situações. É uma pessoa aberta às coisas novas e não tem apego às suas opiniões; é pacífica e não gosta de entrar em conflitos; sente-se igualmente à vontade sozinha ou junto a outras pessoas; gosta da natureza e tem a mente em paz. Por isso, dorme bem e não se deixa abalar pelo passado nem pelo futuro. Tem bastante motivação, mas não em excesso. Tem confiança nas outras pessoas, mas sua intuição é aguçada e inteligência brilhante. A mente sáttvica é pura, clara e luminosa, e pode ser desenvolvida pela prática espiritual. É necessário um estilo de vida que promova o Guna sattva, associado a uma dieta alimentar que elimine as substâncias rajásicas e tamásicas.

Os alimentos Sáttvicos são aqueles que contribuem para a serenidade, promovem a vida, a força, a saúde, a felicidade e a satisfação. Proporcionam o essencial e mantêm o organismo doce e limpo. São os alimentos puros.

Mente Rajásica

Rajas tem o poder de dar energia. Este Guna motiva e inspira o trabalho. Contém na sua

natureza a dor, pois a dor só surge a partir da actividade. Quando Rajas é dominante

surge um grande ímpeto de energia e um imenso desejo de realizar trabalho, projectos e

actividades. A acção é o modo dominante.

Rajas representa por isso um estado activo da mente. A pessoa rajásica tende a ter o pensamento rígido e aferrar-se tenazmente às suas opiniões. Tende a reagir às situações com emoções que não se encaixam no contexto. Mentalmente é brilhante e agressiva. É activa e enérgica, mas muitas vezes não sabe quando vai parar ou ir mais devagar. Precisa de uma forte motivação para viver. No geral, vive ocupada com alguma coisa; considera o descanso como uma perda de tempo ou associa-o à depressão. A pessoa rajásica é capaz de fazer qualquer coisa para se curar, desde que tenha certeza que isso vai beneficiá-la e não vai reduzir-se a uma simples perda de tempo ou energia. Tem a capacidade de motivar os outros. O seu sono é perturbado, pois não põe freio aos pensamentos. Os alimentos Rajásicos contribuem para o

dinamismo e acção, mas podem causar dor, pesar e doença.

Mente Tamásica

Tamas é inerte. Este Guna é a fonte da resistência, dos obstáculos e das obstruções. Quando existe uma predominância de Tamas, o indivíduo sente preguiça e apego. Não se incomoda de ir a algum lado, e prefere permanecer onde está. Tamas representa um estado de inércia e estagnação mental. A pessoa tamásica é obtusa, revela pouca clareza mental. Não tem motivação e não é capaz de fazer nada se não for pressionada ou forçada (às vezes força-se a si mesma). Dorme demais, come demais e tende a exceder-se em tudo. Costuma sofrer de depressão emocional e é letárgica. O tratamento de qualquer pessoa tamásica é desafiante, a menos que tenha rajas em quantidade suficiente para provocar uma mudança. Os alimentos Tamásicos produzem a preguiça e a indolência. Todos os produtos farmacêuticos são tamásicos, assim como a carne e o álcool.

Nos níveis físicos, podemos correlacionar Tamas com o Corpúsculo ou a Partícula, e Rajas com a Onda (na dicotomia Partícula/Corpúsculo vs. Onda, da Física moderna) ou, então, Tamas com a Matéria e Rajas com a Energia; e, em qualquer dos casos, Sattva com a(s) lei(s) que tudo rege(m).

A influência dos Gunas e das suas subtis nuances podem ser comparadas à mistura das três cores básicas, amarelo, magenta e azul. Podem ser infinitamente misturadas, e a cada adição a cor muda. Realmente, cada espécie ou mesmo cada corpo individual pode ser comparado a um destas misturas específicas dos três Gunas. Os Gunas dão cor à nossa consciência, e a nossa consciência “colora” o nosso corpo. Isto é literalmente verdadeiro no caso do nosso corpo astral, que muda de cores de acordo com nossos estados de consciência. A energia subtil que flui no nosso corpo astral influencia a energia que flui no nosso corpo grosseiro.

A matriz dos desequilíbrios da Mente

Os desequilíbrios da mente (Manas vikruti) na psicologia ayurvédica são atribuídos a vários fatores. Estes incluem seguir uma dieta que cria mais desequilíbrio, combinação de alimentos incompatíveis, toxinas de emoções reprimidas, emoções não resolvidas, stress, trauma e maus hábitos de vida.

O desequilíbrio da mente pode ser equilibrado através da ingestão de uma dieta adequada ao Dosha da constituição de nascimento, meditação, seguindo uma rotina diária para equilibrar o Prakriti (Matriz) e fitoterapia. A Ayurveda oferece também remédios à base de plantas que podem ser usados para acalmar a mente.

Quando o paciente está a fazer uma medicação alopática deve consultar um médico ou terapeuta ayurvédico antes de começar a tomar suplementos de ervas. Algumas ervas tradicionalmente usadas para a mente são o Brahmi (na forma de pó, óleo ou tintura), Bhringraj (em pó ou como um óleo), Bacopa (em pó ou tintura) e Shankhapushpi.

Manas prakruti é a nossa constituição mental inata na psicologia ayurvédica. Essa constituição pode ser determinado pelo sexto nível do pulso. É descrito como um lótus de oito pétalas. Cada uma das oito pétalas está ligada a uma divindade védica e aos atributos dessa divindade. Esses atributos revelarão qualidades como compaixão, introspectiva, crítica, etc. A avaliação do pulso identificará quais dessas pétalas são ativadas. Um adepto ayurvédico praticante será capaz de identificar o manas prakruti através desta avaliação de pulso refinada.

A Mente e os três Humores

Psicologia Vata

Pessoas com desequilíbrio Vata na psicologia ayurvédica exibem sintomas de medo, solidão, ansiedade extrema, nervosismo, uma mente inquieta e insónia contínua. O paciente fala muito depressa, muda rapidamente de assunto durante uma conversa, tem tendência à síndrome das pernas inquietas e anseia por estimulação externa contínua. O paciente terá pele muito seca, unhas quebradiças e uma língua instável.

Psicologia Pitta

Pessoas com desequilíbrios Pitta na psicologia ayurvédica são propensos à raiva, crítica, julgamento, birras e análise sem fim. A pessoa Pitta fala de forma incisiva, impaciente e concisamente e espera o mesmo em troca. O paciente muitas vezes fica calvo ou prematuramente grisalho, tem tendência a verrugas, sardas e condições inflamatórias.

Psicologia Kapha

Os pacientes que apresentam desequilíbrios kapha na psicologia ayurvédica tendem a umtipo pesado de depressão, ganância, apego e letargia. Gostam de rotinas e são muito carinhosos e gentis. Os pacientes com Kapha andam e falam devagar e tendem a ganhar peso. Podem ponderar uma questão por algum tempo antes de responderem ou formarem uma opinião. Depois de tomarem uma decisão dificilmente mudam de opinião.

Pele – Beleza e Longevidade com a Ayurveda

O conceito de beleza no Ayurveda estende-se a todas as dimensões do Ser. A verdadeira beleza nasce da Alma e tem uma dimensão mais vasta e etérica. Aos cuidados com o corpo físico são acrescidos os cuidados com o equilíbrio emocional, mental e espiritual para uma expressão transversal e total do conceito de Beleza. Na dimensão filosófica da Ayurveda a Beleza surge então da relação equilibrada entre o ser humano e o meio ambiente, ampliando para uma consciência ecológica o impacto que todos os cuidados que temos connosco, tornando sagrados os nossos rituais de bem-estar.

Aurveda-for-skin-and-hairA pele é a face exterior do plasma ou rasa dathu em sânscrito, o primeiro dos tecidos do corpo. A saúde do plasma está relacionada com a nossa capacidade digestiva e a qualidade dos alimentos que ingerimos. À semelhança da pele, os cabelos e as unhas são também subprodutos dos nossos tecidos, e a sua beleza depende da sua boa formação, podendo-se determinar a saúde de uma pessoa através do brilho e vigor da sua pele. Neste contexto, todos os cuidados com a pele são também cuidados para a longevidade.

A pele está também relacionada com o sub-dosha de Pitta, o Brajak. Localizado sob a pele, ele regula a temperatura da superfície do corpo, controla as glândulas sudoríferas e ajuda o Vata a dar lustro à pele. Quando equilibrado, o Brajak Pitta proporciona uma pele corada, irradiando alegria e vitalidade.

A Pele e as diferentes Bioenergias

face VPKToda a matéria que vibra no Universo é composta pelos cinco elementos básicos – Éter, Ar, Fogo, Água e Terra – que por sua vez se sintetizam na constituição humana nas três bioenergias básicas (os doshas): Vata (éter, ar), Pitta (fogo e água) e Kapha (Terra e Água). Estas três Bioenergias (Doshas) são muito sensíveis a todas as alterações do meio ambiente, alterando-se em consonância com elas. O nosso corpo (nas suas várias dimensões: físico, emocional, mental, espiritual) é muito atmosférico, reagindo para se reajustar e equilibrar perante as mudanças ao longo do dia, dos meses, dos anos. De forma muito simplificada pode-se afirmar que os desequilíbrios (as doenças) surgem em função da maior ou menor capacidade e flexibilidade que cada corpo tem de se adaptar às alterações do seu meio envolvente.

A terapêutica da Ayurveda procura primeiro compreender a pessoa em todas as suas dimensões, descortinando a sua constituição, e com base nela encontra estratégias que fomentem a resposta natural do corpo em função da sua Bioenergia, e quando isso não acontece, complementa com tratamentos mais profundos as funções do corpo usando a natureza exterior para reequilibrar a natureza interior. Em função da predominância dos elementos básicos a pele de cada Bioenergia apresenta diferentes características:

dryskinNo Vata (Éter e Ar) a pele tende a ser frágil, seca, e com o tempo a falta de hidratação desenvolve mais rapidamente a tendência a escamação, rugas e manchas acinzentadas. É fria ao toque e muitas vezes este tipo de pele é mais propensa a experimentar secura excessiva, podendo apresentar fissuras ou úlceras, descamação e até mesmo eczema em períodos de stress.

PITTA SKINNo Pitta (Água e Fogo) a pele é normalmente oleosa, húmida, clara ou pálida, suave, quente ao toque, com fragilidade capilar, tendência a manchas avermelhadas e mais suscetível a inflamações. Este tipo de pele, quando em desequilíbrio, é mais propenso a erupções cutâneas, dermatites, acne e feridas.

Kapha-SkinNo Kapha (Água e Terra) a pele é espessa, resistente, oleosa e bem lubrificada, pálida, normalmente muito leve e fresca ao toque. A pele do Kapha em desequilíbrio pode apresentar edema, sendo visíveis os poros dilatados, cravos e verrugas.

 

A Pele e Estilo de Vida

Alimentação o que a pele gosta

A água e os alimentos são a principal fonte de nutrição para a pele recomendando-se, por isso, uma alimentação com base na sua Constituição ou Bioenergia (dosha) para prover à pele todos os nutrientes específicos de que necessita para se manter em equilíbrio. A Ayurveda recomenda alimentos frescos e sazonais que respeitem a compatibilidade com o Biótipo e evitem a geração de toxinas alimentares que serão naturalmente excretadas pela pele.

Sono, Exercício e Meditação

Um sono recuperador é uma componente básica para uma pele irradiante, já que as noites mal dormidas ficam claramente estampadas no nosso rosto. Torna-se por isso fundamental criar um Ritual de Sono, que incluam cuidados com a pele. Pode-se usar uma infusão de camomila para limpar a pele do rosto, e prepará-la para o repouso hidratando-a com gel de aloé vera e óleo de coco (ou outro óleo de acordo com a constituição da pessoa).

Praticar uma atividade física tem um enorme impacto sobre a saúde e vitalidade da pele. A transpiração é fundamental para libertar impurezas e toxinas do organismo e que ficam retidas na nossa pele. Desta forma a prática de exercício físico que fomente a transpiração é uma excelente forma de potenciar o suor como mecanismo de eliminação. O Yoga é o exercício habitualmente recomendado pela Ayurveda, enfatizando-se a adequação das posturas (asanas) à constituição de cada pessoa. As técnicas de respiração consciente praticadas no Pranayama são também potenciadoras de equilíbrio, e fomentam no corpo a expressão da pele que respira.

Uma das funções do timo é coadjuvar no nosso crescimento, na nossa imunidade, e no nosso sentido de plenitude e bem-estar. A tendência natural desta glândula é para diminuir de tamanho e reduzir a sua ação. Contudo alguns estudos recentes mostram que a glândula desacelera a sua diminuição nos corpos daqueles que meditam. A vibração, textura e vitalidade da pele irradia também os cuidados que provemos à nossa mente, e aos nossos corpos mais subtis.

Cuidados específicos com a pele

A tendência para a secura torna a pele do Vata especialmente vulnerável a mudanças no clima. A pele Vata deve ser protegida do calor e frio extremos, sobretudo do vento, e cuidada com substâncias mais emolientes para reter a sua humidade e os seus óleos naturais. Devem-se evitar banhos de água muito quente e usar sabonetes com um pH equilibrado, além de beber muita água para que a hidratação ocorra de dentro para fora. Adicionar folhas de hortelã ao banho quente com bastante vapor para abrir os poros e aumentar a circulação. O abacate é rico em antioxidantes, ácidos gordos e vitamina E também é ótimo para a pele Vata. Assim, podemos aplicar o abacate esmagado sobre a pele para a hidratar por 15 a 20 min, e depois lavar a pasta no banho.

A pele do Pitta deve ser mantida fresca e hidratada já que é muito suscetível a erupções cutâneas. Entre os cuidados com a pele Pitta incluem-se evitar substâncias muito oleosas e densas, assim como a exagerada exposição ao sol. A limpeza com água de rosas, uma esfoliação de açúcar e mel e hidratação com óleo de coco são ótimas opções.

A densidade da pele Kapha beneficia de uma limpeza mais frequente com substâncias adstringentes, já que tem tendência à acne. É importante por isso evitar os laticínios na sua dieta, assim como moderar a sua exposição ao sol e ao vento. Esta pele é favorecida por uma boa esfoliação com sal marinho e mel, assim como pela adição de açafrão da índia na alimentação.

Nos cuidados gerais com a pele o primeiro passo é de limpeza e higienização aplicando-se água de rosas. De seguida é aconselhável aplicar um óleo adequado para hidratá-la. Em terceiro lugar é preciso que a pele transpire, para isso pode-se vaporizar a pele com ervas medicinais.

No quotidiano a pele deverá ser nutrida e limpa através da utilização de óleo vegetal, recomendando-se o coco e a grainha de uva para Pitta, as amêndoas doces e mostarda para Kapha, e óleo de sésamo e rícino para Vata. Para as pessoas com uma pele Pitta ou Kapha a nutrição com óleo deverá ocorrer mesmo antes do duche, usufruindo da água quente do duche para abrir os poros permitindo uma penetração mais profunda do óleo. Para a Vata a oleação deverá ocorrer após o duche. Sendo uma pele mais seca necessitará que o óleo permaneça no corpo durante mais tempo.

O quarto passo é esfoliar o rosto. A esfoliação deve ser feita de acordo com cada tipo de pele. Se a pele for do tipo Vata é aconselhável triturar e misturar aveia (cereal exfoliante e nutritivo), lentilha amarela (ou feijão mungdal), amêndoas (fruto seco nutritivo, humedecedor, hidratante e regenerador) e água de rosas. No caso de a pele ser Pitta deve-se triturar e misturar aveia, lentilha amarela, tulsi (planta com propriedades calmantes e de prevenção de doenças da pele) e água de rosas. Se a pele for Kapha, o conselho é triturar e misturar milho, lentilha amarela (ou feijão mungdal), neem (planta antifúngica), mel e água de flor de laranjeira. Quando a pessoa tem manchas na pele pode-se misturar e triturar açafrão e sumo de limão.

Depois de esfoliar é tempo de limpar e tonificar a pele com água de rosas. O sexto passo é só para as peles Vata e Pitta: pode-se aplicar uma máscara nutritiva feita com ghee (manteiga clarificada), banana e manga, ou então uma pasta de arroz cozido e ghee e deixar actuar durante 15 minutos. O sétimo passo prevê a nova aplicação de vários tipos de óleo com propriedades nutritivas e hidratantes de acordo com a bioenergia da pessoa.

Algumas receitas caseiras

Óleo de coco para hidratar a pele diariamente: utilize óleo de coco para hidratar o rosto. Além de causar uma sensação refrescante ele é leve, resultando numa pele hidratada, mas sem excessos. Aplique-o em pequenas quantidades, espalhando por toda a face. Deixe-o agir por alguns minutos e retire-o lavando o rosto.

Esfoliação com açúcar mascavado: este processo ajuda na renovação celular e na retenção da humidade natural da pele, deixando-a com uma aparência mais hidratada. Se desejar, misture com pétalas de rosas ou mesmo com o seu creme favorito.

Leite integral para acalmar e limpar o rosto: utilizando algodão, aplique leite integral por toda a sua face. O leite ajuda a remover impurezas impercetíveis a olho nu, garantindo brilho à sua pele.

Óleo de neem para acalmar pele irritada ou inflamada: utilize hastes flexíveis para aplicar o óleo na região inflamada ou irritada, deixando-o agir durante a noite. Além disso, é uma ótima opção como secativo de borbulhas e outros tipos de erupção cutânea.

Aloé Vera para tonificar a pele diariamente: muito utilizada para queimaduras solares, a Aloé Vera é um ótimo recurso para garantir tonicidade à pele. Ele amacia e rejuvenesce a pele.

turmericAçafrão-da-terra + sândalo contra acne: prepare uma pasta com 1 colher de açafrão-da-índia e 1 colher de sândalo adicionando água. Aplique em todo o rosto e deixe-a agir por 15 a 20 minutos. Passado este tempo, lave o rosto com água morna. Repita este procedimento diariamente para conseguir um bom controle da acne.

Batatas para diminuir manchas do rosto: ótimo clareador natural, a batata é considerada um dos melhores remédios ayurvédicos para uma pele com brilho natural. Basta esfregar gentilmente uma fatia de batata crua nos locais com manchas e hiperpigmentação.

Mel para hidratar a pele e evitar rugas: excelente humectante natural, o mel pode ajudar a conquistar uma pele mais macia e hidratada, além de ser muito útil para evitar rugas e tratar áreas de secura extrema. Basta aplicá-lo à região desejada, deixar agir por alguns minutos e retirá-lo com o auxílio de água morna e sabonete.

 

É importante lembrar, que segundo a Ayurveda, o corpo leva de 3 a 5 anos para se adaptar a mudanças de hábitos e a alterações climáticas. Por esse motivo sugere-se que as transições de estilo de vida sejam realizadas de forma suave e gradual, para potenciar os lentos processos de desintoxicação, entre mudanças, fomentado os sistemas naturais de purificação e saúde de forma consciente. Uma alimentação saudável aliada a um estilo de vida adequado resultará em beleza e longevidade em todo o corpo.

 

Mantraterapia: Som, Vibração e Energia

O som é a ferramenta natural mais simples e capaz de alterar o nosso estado de espírito, o nosso humor e o das pessoas e ambiente à nossa volta. No ventre, o som, a vibração da voz da nossa mãe, o seu ritmo cardíaco, as suas ondas emocionais, a orquestra dos seus órgãos em funcionamento, das células que nascem e morrem, começaram por ser o nosso primeiro contacto com a riqueza vibracional do mundo exterior. A vibração sonora é a matéria prima com que criamos a nossa biblioteca de memórias, interiorizamos escalas de emoções, e geramos os primeiros padrões da nossa inteligência emocional, armazenando e edificando um conhecimento baseado nas entoações e expressões usadas pelos nossos pais e cuidadores, construindo assim a estrutura do nosso léxico emocional.

Esse léxico vibracional e emocional tem lugar cativo nas nossas moléculas de água, e torna-se uma parte estruturada e inconsciente dos nossos padrões de emoção e reação. Mimetizamos as expressões e entoações dos nossos ancestrais reproduzindo um património de memórias acumuladas pela nossa genealogia específica, que conseguimos reativar através da reverberação da nossa (imensa) água interna. Cada pessoa herda assim uma escala específica de sons agregados por gerações, que se exprime em parte através da frase melódica que constitui o nosso nome. O nosso nome (completo) exprime tanto essa tremenda memória vibracional (nos apelidos) como adiciona o nosso padrão único de vibração (os nomes próprios), complementado pela sinfonia do nosso corpo em pleno funcionamento. O nosso nome é o nosso mantra pessoal!  Assim, a personalidade pode também ser definida pela forma única como vibramos e criamos padrões eletromagnéticos diferenciados, transmitindo uma impressão singular, ímpar, identificadora da nossa unicidade.

Dar corpo à Voz

Tudo à nossa volta gera ondas, reação, vibração. Tudo vibra de facto. O corpo humano é uma caixa de som, um aparelho de ressonância capaz de produzir uma escala de 52 sons essenciais que constituem a base as frequências verbais. A palavra falada, apesar de emitida ao nível da garganta, reverbera pelo o nosso corpo inteiro. Falamos com o corpo todo.

WhiteTaraMantraCircleOs Vedas – as escrituras sagradas do Hinduísmo – foram escritos em versos, cânticos tradicionalmente transmitidos na sua versão oral, que mantinham assim viva a mensagem da Criação, e ativavam o poder terapêutico das palavras neles contidas. Os mantras contidos nos Vedas tinham – para além do seu intuito educativo e religioso – a intenção de reorganizarem o padrão vibracional daquele que os recitasse devolvendo-lhe assim a sua clareza mental, a sua homeostase, a sua saúde.

Quando cantamos ou falamos criamos som, vibração, estímulos que por sua vez criam mudanças no fluxo de energia dentro dos órgãos vitais e nas glândulas. Existem sons que associamos a determinados estados emocionais, e a reprodução desses sons induz à sensação a eles aliada. Da mesma forma, a estrutura da nossa personalidade e do nosso ego cristalizou determinados padrões vibratórios com os quais ressoa, padrões mais sombrios e tóxicos formados em momentos em que sofremos algum tipo de transtorno emocional, gerando muitas vezes crenças limitadoras sedimentadas, e no corpo físico, patologia. No processo de interromper esses padrões vibratórios, diluirmos dramas cristalizados e libertarmo-nos de memórias trazendo-as à consciência, podemos usar a mantraterapia.

A palavra tem um poder criativo muito próprio; tanto pode ser edificadora como destrutiva. A Mantraterapia tem subjacente a intenção de se usar o poder regenerador da palavra viva, activa, consciente que faz vibrar centros específicos no corpo, abrindo espaço à mudança e à libertação dos nossos padrões inconscientes.

A Mantraterapia faz parte dos primórdios terapêuticos da Ayurveda enquadrando-a também como uma Medicina Vibracional. O Mantra gera foco na mente, e potencializa uma atitude concentrada, equilibrada, Presente no seu praticante.

A prática da Mantraterapia pode ser coadjuvada pelo uso de um japa mala – um colar semelhante a um rosário que instiga ao foco e à presença – contando com 108 contas, ou seja, as vezes que o mantra deve ser repetido, tanto sussurrado, cantado, ou recantado mentalmente. A repetição de um mantra terapêutico vai limpando a memória cristalizada e sombria, reprogramando-a com uma mensagem mais positiva, saudável, feliz.

Os sábios praticantes e transmissores da Mantraterapia consideravam a pronúncia e articulação correta das palavras, fundamental para o efeito pleno da sua ação, reforçando um carácter mágico, transcendente na atuação do mantra no corpo e na mente. Felizmente existem também Mestres que enfatizam que a intenção e a pureza da mente daquele que pratica a Mantraterapia, ressalvando a sua atuação e eficiência em quem pratica focado no coração. Mentes que vibram de forma mais focalizada e feliz produzem harmonia e equilíbrio à sua volta.

Mantraterapia no quotidiano: Quem canta seus males espanta

Cantar de peito aberto, cantar com a Alma, cantar de plenos pulmões. Quando cantamos com o coração, o nosso esterno tem tendência a vibrar. Essa vibração aumenta a eficiência do mantra sobre os nossos órgãos vitais que acolhem as ondas vibratórias curativas, e reajustam o pulsar da sua atividade para um ritmo mais equilibrado.

Na mente, o mantra tem uma atuação ainda mais significativa já que – à semelhança da Meditação, e em confluência com ela – ele ajuda a produzir estados alterados de consciência, serenando a mente, evitando que ela disperse em cadeias de pensamento inúteis, ao mesmo tempo que a eleva e a sintoniza com a sua paz interior.

Existem mantras construídos desde de tempos imemoriais, constituídos por arranjos de sílabas sagradas, variando de uma até vários milhares de sílabas. Muitos desses mantras são aparentemente vazios de sentido, pois a sua intenção é evitar a promoção de pensamentos conceptuais, possuindo antes uma relação misteriosa com o estado vibratório e a consciência de quem os usa.

Os mantras são profundamente adequados ao uso quotidiano, podendo estar presentes desde que despertamos, no banho, na intenção que damos ao alimento quando o cozinhamos, quando conduzimos, e obviamente, quando meditamos. A sua ativação é mais intensa quando colocamos uma intenção na sua entoação, e tanto os podemos cantar em voz alta, sussurrá-los, como repeti-los mentalmente. Podemos dirigir o som e a vibração para uma zona específica do nosso corpo, através da nossa intenção, e é a sua repetição que realmente proporciona reverberações que ajudam a renovar tecidos e a revigorar o corpo e a mente.

Alguns exemplos de mantras ancestrais e atuais:

OM SYMBOL

OM

“No princípio era o Verbo (OM), e o Verbo estava com Deus (Brahman), e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez. (João 1.1-3).” Nas escrituras védicas aprendemos que o mantra original é o OM, formado pelas três letras A, U, M; significando: Brahma, Vishnu, Shiva – o princípio da criação, manutenção e dissolução (ou absorção) do Universo. A partir do Om nascem todos os outros mantras. Os mantras monossilábicos são chamados de bijas (semente), e o Om é o bija, a fonte dos restantes bijas. Diz-se atualmente que o Om tem a vibração 8Hz, semelhante à Ressonância Schumann (7,83Hz), ressonância em que vibra o campo eletromagnético no nosso planeta.

om mani

 

OM MANI PADME HUM (tibetano) – mantra para harmonizar os Chakras e iluminação

 

om tare tutare soha

 

OM TARE TUTTARE TURE SOHA (tibetano) – produz modificações no nosso interior e em todo o universo à nossa volta, para além de ser um mantra de cura

mahamantra Hare Krishna

Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare  Hare (sânscrito) – Chamado de Mahamantra, o Grande Mantra, evoca pureza mental e o mérito (punya) necessários para que a pessoa possa encontrar um bom professor e tenha a capacidade de entender os seus ensinamentos.

 

gayatri-mantraO Gayatri Mantra é um dos mantras mais conhecidos e usados na Índia, porque é considerado o mais poderoso e criativo, servindo para todos os propósitos. Para além disso ele promove o desenvolvimento do siddhi (poder) da cura:

OM BHUR BHUVAH SWAH, TAT SAVITUR VARENYAM, BHARGO DEVASYA DHI MAHI, DHIYO YO NA PRACHODAYAT

ho_oponopono2copyMantra Ho’oponopono adaptado ao Abraço da Paz:

Este é o mantra da aceitação e do perdão hawaiano e pode ser aplicado a nós mesmos, e/ou a pessoas, situações que necessitem que pratiquemos a energia do perdão e do desapego.

EU AMO-ME (Eu Amo-te), EU PERDOO-ME (Eu Perdoo-te), EU AGRADEÇO-ME (Eu Agradeço-te), EU RESPEITO-ME (Eu Respeito-te), EU LIBERTO-ME (Eu Liberto-te), EU ACEITO-ME TAL COMO EU SOU (Eu Aceito-te tal como Tu És)

A Grande Invocação, e o cristal de água por ela produzido:

O propósito último do mantra é assistir o trabalho interior de quem já escolheu encontrar-se com a sua própria divindade. Nesse caminho podemos criar no quotidiano as nossas próprias afirmações, os nossos próprios mantras: “Eu Sou o meu próprio Centro”, “Eu Sou Serenidade”, “Eu Sou Amor”, “Eu Sou”

Mente e Mantra

O nosso cérebro é capaz de segregar muitos dos químicos utilizados externamente em tratamentos médicos. A utilização dos químicos baseia-me na intenção de estimular ou substituir algumas dos químicos naturais produzidos pelo cérebro, melhorando e incrementando o seu funcionamento. As secreções naturais do cérebro produzem com simplicidade bem-estar, saúde e uma sensação geral de serenidade. Nas práticas do Yoga e Ayurveda a promoção dessas secreções salutares é estimulada através de algumas ervas, alimentos especiais, pranayama, posturas, meditação e mantras.

dhanwantariNo Ayurveda, a secreção gerada por uma mente harmonizada é denominada de amrita –  o nosso néctar imortal, elixir da longevidade, uma água subtil e purificada, capaz de renovar, rejuvenescer e revitalizar o corpo e a mente, criando um fluxo de bem-aventurança e bem-estar, movendo-se através dos nadis ou canais do corpo sutil e pelo sistema nervoso, preenchendo-os com uma sensação de êxtase e bem-estar. Esta substância aparece associada a um subdosha de Kapha, Tarpak Kapha que por sua vez surge associado ao conceito de Ojas, a essência de todos os tecidos, concentrando força, nutrição e vitalidade. O amrita é o produto de uma mente limpa, de uma consciência evoluída, em ressonância com o Universo.

Por detrás de todas as práticas da rotina diária no Ayurveda está o foco na promoção de um corpo saudável, uma mente lúcida, criativa, e uma consciência desperta, disponível para incrementar a paz em torno de si, a partir da partilha da sua própria experiência. A abordagem ancestral e visionária do Ayurveda baseia-se na contemplação da Natureza e do seu reflexo e impacto no Homem, e uma forma clara e compreensível de fomentarmos a felicidade quotidiana, está na assunção da responsabilidade de treinarmos os nossos pensamentos, a nossa mente, o curso das nossas intenções utilizando uma técnica revolucionariamente simples: o Mantra.

Webgrafia e Bibliografia:
https://liveanddare.com/mantra-meditation
http://www.masaru-emoto.net/english/water-crystal.html
http://collectivepsyche.com/2015/11/cymatics-mantra-tapping-into-matter-with-sound-vibrations/
http://www.cymatronsoundhealing.com/science-of-cymatics.html
http://www.hazrat-inayat-khan.org/php/views.php?h1=11&h2=7&h3=6
http://balance.chakrahealingsounds.com/om-solfeggio-schumann-resonance-meditations/
Soma in Yoga and Ayurveda (David Frawley, Lotus Press 2012)

 

O aroma terapêutico da Canela

cinnamon-stick-500x500Conhecida desde tempos imemoriais, pela maravilhosa capacidade de melhorar o aroma de quase qualquer alimento, a Canela chegou a ser mais valiosa que Ouro, numa altura em que este abundava, e a Caneleira era menos acessível. A Canela tornou-se assim uma referência na nossa culinária, e obrigatória na nossa cozinha.

Oriunda do Sri Lanka, Índia, Indonésia, Ceilão e Birmânia, a caneleira é uma árvore de porte médio e é do seu interior que são extraídos pequenos ramos enrolados, que tanto são usados tanto em pau como em pó. O aroma da canela deriva do cinnamaldeído, um óleo essencial encontrado na casca de canela. Conhecido em sânscrito como twak, em Hindi como dalchini, e em Gujarati como taj, a canela tem uma longa história de uso em remédios caseiros ayurvédicos. Os egípcios usavam-na para perfumar durante o processo de embalsamamento, e foi até mesmo mencionada no Antigo Testamento como um ingrediente no óleo da santa unção. Os árabes trouxeram-na para a Europa, onde ficou igualmente popular, transportaram-na através das rotas terrestres. A canela era particularmente desejada uma vez que pode ser utilizada como um conservante para a carne durante o inverno. Apesar do seu uso generalizado, as origens da canela foram bem guardadas em segredo pelos mercadores árabes, até ao início do século XVI.

 

Hoje em dia, geralmente encontram-se dois tipos de canela: canela de origem Cassia canela é produzida principalmente na Indonésia e tem o cheiro forte e sabor das duas variedades. Esta variedade mais barata é o que se costuma comprar em supermercados para uso culinário, e contém grandes doses de cumarina composta que alguns efeitos colaterais indesejáveis, tais como aumento da frequência cardíaca e problemas no fígado e nos rins. A canela do Ceilão mais cara, é produzida sobretudo no Sri Lanka, é a que transmite verdadeiros benefícios para a saúde, tem um sabor mais suave, mais doce e é usada para assar e aromatizar bebidas quentes, como café ou chocolate quente.

Muito para além do delicioso aroma que ela proporciona às iguarias nas quais a adicionamos, a Canela possui – como todas as ervas e especiarias – uma ação terapêutica, sendo usada regularmente nos tratamentos e na alimentação ayurvédica, por essa mesma razão.

Caneleira – Cinnamonum Zeylanicum Nees

Canela – Cinnamomum aromaticum

Em termos ayurvédicos, canela pacifica o Vata e o Kapha, mas pode agravar o dosha de Pitta se tomada em excesso. Tem um rasa doce, pungente e amargo, um virya quente, e tem um vipak picante. É oleosa. Utiliza-se a casca. Pela destilação prolongada de suas folhas obtém-se um óleo avermelhado que funciona como um tónico excelente, quando aplicado com massagens suaves.

Cria o calor interno e tem uma acção de limpeza natural, que é por isso que é um remédio caseiro muito utilizado para gripes e constipações, e auxilia na absorção de outros medicamentos. É uma planta com efeito excitante, diaforética, anti-espasmódica, digestiva, antioxidante e aromática; ajuda a prevenir osteoporose, a controlar a pressão sanguínea e a aliviar sintomas da menopausa. Promotora de saúde para tratar resfriados, diabetes, indigestão e colesterol alto.

Indicada no tratamento do escorbuto, de escrófulas (tuberculose ganglionar linfática), digestão difícil e outras afecções do estômago, na leucorreia e febres adinâmicas. Estimula o trabalho do coração e eleva a pressão sanguínea. É usada externamente em fricções para eliminar certos germes que atacam o couro cabeludo. Eficaz para fortalecer e harmonizar o fluxo sanguíneo. Indicada na inapetência, náuseas e vómitos. É diurética e estimulante do sistema nervoso.

Na alimentação:

Para reduzir as propriedades fomentadoras de Kapha em alimentos como o arroz, aveia e outros carboidratos, adicione canela.

Pode ser usada como pacificadora dos efeitos colaterais do café, chá, chocolate.

Aqui estão alguns remédios caseiros ayurvédicos comuns para canela:

Colesterol LDL: tome ½ colher de chá de canela diariamente para prevenir.

Diarreia e Desinteria: toma-se três vezes ao dia, 1 gr de pó de canela com gengibre seco, cravinho e noz-moscada, em partes iguais, misturados em água quente. Ou combine ½ colher de chá de canela em pó, uma pitada de noz-moscada, ½ chavena de iogurte e consuma esta combinação duas a três vezes por dia.

Dor de cabeça sinusal (sinusite): faça uma pasta de ½ colher de chá de canela e água e aplique topicamente.

Flatulência, Falta de apetite e má digestão: misturar gengibre seco, casca de canela e cardamomo em pó e triturar. Ingerir 1 a 2 g antes das refeições.

Gripes, constipações, dores menstruais e TPM: fazer a decocção de 3 partes de gengibre, 3 partes de canela e 1 parte de cravo, todos em pó. Colocar em água e ferver em torno de 5 a 10 minutos. Tomar 1 chávena de 4/4 horas. Ou combine ½ colher de chá de canela e 1 colher de chá de mel cru e não cozido e tome duas ou três vezes por dia.

Pasta dentífrica: 1 gr de pó de canela com gengibre seco, cravinho e noz-moscada, em partes iguais, adicionando-se também cânfora, e outras plantas e barro para unir.

Tosse, resfriado e dor de garganta: ferver paus de canela em água e inalar o vapor.

Pesquisas:

Um excelente benefício da canela é a sua eficácia na regulação do açúcar no sangue. Um dos estudos iniciais foi publicado na revista Diabetes Care, em 2003. Sessenta pessoas com diabetes tipo 2 consumiram diariamente 1, 3 ou 6 gramas de canela por dia (equivalente a ¼ – 1 colher de chá). Após quarenta dias, as três quantidades de canela reduziram os níveis de glicemia em jejum dos indivíduos entre 18 a 29%, o colesterol LDL (o mau colesterol) em 7 a 27%, o colesterol total em 12-26% e os seus triglicerídeos em 23 – 30%.

O Journal of Diabetic Medicine publicou uma pesquisa em que os indivíduos que tomaram suplementos de canela apresentaram uma melhoria significativa nos seus níveis de glicose no sangue, em comparação com aqueles que tomaram medicamentos regulares para diabetes.

A Universidade de Copenhague realizou um estudo com pacientes com artrite e administrou ½ colher de chá de canela em pó com 1 colher de sopa de mel crua todas as manhãs antes do pequeno-almoço. Esses pacientes experimentaram uma redução notável na dor após uma semana e foram capazes de caminhar sem dor num mês.

Investigadores da Universidade Estadual do Kansas descobriram que a canela combate a bactéria E. coli em sumos não pasteurizados. Estudos descobriram que possui propriedades antibacterianas e antifúngicas. É ativa contra Candida albicans, o fungo responsável pelas infeções por levedura e Helicobacter pylori, a bactéria que causa úlceras no estômago. O Departamento de Agricultura dos EUA em Maryland publicou um estudo que mostra como a canela reduziu a proliferação de células de cancro de leucemia e linfoma.

O uso espiritual da Canela

Dependendo da sua conexão espiritual, a canelam convida o sucesso e dá-lhe o poder de realizar mudanças.

A casca da canela pode ser usada como incenso elevando as vibrações espirituais da casa e fortalecendo as propriedades de qualquer erva usada em conjunto com ela, para além de ajudar a desenvolver as habilidades psíquicas e espirituais. Combinada com sândalo ajuda a trazer clareza às nossas ideias.

O óleo de canela é um dos óleos aromáticos mais antigos e foi mencionado no Antigo Testamento, sendo usado em poções de amor, aplicadas em banhos, vestuário ou espaços.

A canela também pode ser usada como proteção, espalhando um pouco de pó pelos cantos da casa.

 

Webgrafia:

https://vedichealing.com/cinnamon-the-ancient-healing-spice/

http://www.beneficiosdacanela.com/a-canela-e-boa-para-a-saude/

http://www.beneficiosdacanela.com/propriedades-medicinais-da-canela/

http://www.plantasquecuram.com.br/ervas/canela-da-india.html#.VEfFQiLF9e8

http://tvl.pt/2013/12/06/tao-natural-20131206-a-medicina-ayurveda-e-a-canela-a-pimenta-e-o-gengibre/

http://www.hierbitas.com/nombrecomun/CANELA.htm

http://www.saladeayurveda.com/2010/01/farmacia-na-cozinha-parte-i.html

http://www.outramedicina.com/100/beneficios-da-canela

http://www.alimentacaosaudavel.org/canela.html

 

“The Complete Illustrated Encyclopedia of Magical Plants,” Susan Gregg

 

ayurveda sweet ayurveda

ayurveda sweet ayurveda banner 1

10 steps on the path back to yourself

We are all prodigal sons in search of the Grail, the amrita, the elixir of the long life, the path which will take us back to our Center, House of our Heart – Home Sweet Home of Plenitude. What if, when we arrived at this Sacred House, and when we lit the Light that illuminates this Sweet Home, we discovered that the House, the Center, which we had long been looking for, was always within us? And that the step that separated us from reaching our purest, enlightened, awakened dimension was always within our reach? What if we find that the path, instead of arduous, confusing, frustrating, can instead be (by our conscious choice) calm, focused, coherent, adjusted to our Essence?

Ayurveda is an ancestral wisdom geared to a visionary purpose: to transport each of us on its own golden path back to ourselves in the most holistic, gentle, responsible and coherent way possible. The focus of this path is the enlightened, conscious choices we make on each and every step of our daily lives. Everything matters! If we turned off the light when we left the room; if we separated the trash; if we consciously decide to eat the fruit as a snack; if we went back to return the cell phone that someone lost; if we blessed the stranger who asked for help. There are a serie of small steps, which by their persevering repetition opens up this pure and profound dimension of our Full Being.

One | Get grounded

Developing mindfulness is the first step back to ourselves. When we walk down the street, and we are fully present, Here and Now, we are freer to make the right choice. Barefoot whenever you can. And even with your shoes on visualize your roots of light growing under the soles of your feet and scattering in depth. Visualize an anchor, a strand of golden light that comes out of your Essence connecting your first chakra to the center of the Earth. Make rooting and anchoring the first gesture you perform when you wake up. Find an object you usually bring on, and use it to revive the intention (and memory) of anchoring and rooting your energy. Connecting with yourself is taking responsibility for choosing, for becoming a priority in your own life.

Two | Meditate

Start slowly. Remember that you have several bodies, and not everyone of them knows they want and like to meditate. Meditation enhances the mind’s ability to focus, yet the physical body also needs to learn to meditate. Be kind to him. Be gentle with his impatience. Start with 1 minute of meditation, and leave the meditation time slowly grow as meditation moves from obligation to pleasure. The body loves to meditate, yet this pleasure may still be undiscovered. Sing. Do Mantra. Laugh. Laughter opens the space of Meditation, empties the mind. Help the body physically feel the freshness of a cleared and showered mind. Over time the body will be the first to yearn for this moment of purity, tranquility, of inner hygiene.

Three | Prana – Breathe

Breathing could have been added to both rooting and meditation. Breathing is fundamental in the process of connecting to the electromagnetic field of Earth, it favors and is implicit in the meditative process. Since breathing is usually an unconscious process, whenever you breathe consciously you realize that attention to inspiration / expiration alters your attention, your awareness, and your mood. Breathing deeply for a few minutes immediately produces the effect of alkalizing the blood, resulting in a more present and serene mood. Breathing is much more than filling our lungs with air. Breathing imbues you with Prana, vital force, soul, fundamental to maintain the Joy and the will to live. Breathing brings you to our Presence. Relax, take a deep breath as soon as you wake up. Take a deep breath in all the little gestures of your daily life. Use your breath to rebalance during the day.

Four | Vata, Pitta & Kapha | Know yourself

There are many ways you can develop our self-knowledge. Ayurveda is one of the great trees of wisdom that offers in its fruits the light of the individual’s self-understanding. The Five Elements (Ether, Air, Fire, Water and Earth) express the different vibrational intensities of Matter (Prakriti). These Five Elements combine and form three bioenergies – Vata, Pitta and Kapha – through which all materialized forms, including humans, are recognized and categorized in Ayurveda. Each individualized Being/Self (Ahamkar) comes to express a unique combination of these bionergies, so it is important that in your interaction with the outside world, you can start from self-knowledge of how you vibrate, what harmonizes you, and what unbalances you. To know who You are allows you to take responsibility for your choices, develop tolerance for yourself and others, and walk more serenely and securely in the World.

Five | Sattva, Rajas & Tamas | Embrace change… gently

Sattva, Rajas and Tamas are the three qualities of vibranting matter. It can be said that Sattva is equilibrium / light, Rajas is movement, and Tamas is inertia. When each of them vibrates in its proper proportion you find consonance in various aspects of your Life. In a harmonious daily life the adaptability of Sattva prevails widely. When you are sattvic, you gently embrace the change, surrender yourself with confidence at every turn of the road. However, in order to reach the equilibrium of Sattva you need some movement, you need enough Rajas. Excessive movement, however, intensifies the day-to-day and brings agitation and imbalance. And everything can become more complex when there is no movement – Tamas, and inertia, and shadow dominates.

You need therefore a little Rajas, to overcome the inertia of Tamas, and through this you will reach your pure and brilliant Light in Sattva. A little yoga, dancing, a few laps in the pool, a few kung-fu steps, a walk … Book daily for a healthy and inspiring movement, and allow the brightness and light of Sattva prevail in your daily life .

Six | Eat Mindfully

Food is sacred. Food is also memory, information. All water molecules, of all foods, carry their history, which becomes your history, after you imbue yourself with their energy. You impregnate yourself every day of the Sun that each food assimilated and synthesized in its structure, the happiness that absorbed when being sown, harvested, cooked. The more aware you are, the more easily you are able to choose the foods that are suitable to nourish your physical vehicle, and for the maintenance of your vitality. The sattvic foods are those which are fresh, pure, biological, genuine, unprocessed, full of Prana.

More than what you eat, you are what you assimilate. In Ayurveda, proper assimilation of food is the major focus of the digestive process. You can make the right choice of food, but if your assimilation is insufficient, you benefit very little from all the Prana that is offered through food. Breathe before you eat, bless all the food you taste, and your Agni will shine bright.

Seven | Detox

Over the course of a year, your body reaches and tastes an absurd diversity of food. If you take into account that each food brings a wealth of information which loads your five senses, you understand that the body accumulates these immense ‘records’, and compacts them in your unconscious mind, such as a memory of a cell phone or PC. Of course these ‘records’, this saturated memory needs to be cleaned, so that the processing of food takes place in an efficient and integral way. Your gut is your emotional ‘brain’, and when your walls are congested, the processing of all external and internal information becomes conditioned. Your feelings and emotions, your thoughts and ideas, your inner alignment and your spirituality, loses clarity and coherence.

It is important to perform a regular detox, and every bioenergy – Vata, Pitta and Kapha – needs a suitable method to its vibration. Drinking warm water, eating fresh fruit (organic), making smoothies can be ways to detoxify. In Ayurveda it is customary to use Triphala to help this process, however consult a therapist or doctor for the right intake of this complex. Regular detox helps to transmute, regenerate and rejuvenate your different bodies, and this purification should be performed regularly in order to maintain fullness, vitality, the overall health of the body.

Eight | Surrender

Every human being is a multidimensional portal. We all bring bounding beliefs deeply ingrained, we all bring the need to control, we all bring expectations, and tremendous programming included and unconscious, fruits and heritages both of our karma – Law of Cause and Effect – as of the experiences that as Soul we choose to accomplish in our process of self-realization. We bring within us both the dimension of Light and Shadow, which are revealed in the various masks we wear in different contexts of our life. The first part of the path of self-knowledge goes a long way towards learning to accept yourself in your different and various dimensions, to accept your Shadow, to heal and cherish your inner child, and to find cohesion and coherence, to finally know who You are in your deep Essence. It is a path that begins by being lonely, but that transmutes into solitude when you learn to be your best traveling companion.

The evolutionary and qualitative leap happens, however, when you learn to share yourself with others, with each other. When you learn to surrender, when you allow yourself to become fragile, to become vulnerable, when you allow the other to ‘See’ you in your Essence, with the pros and cons, the virtues and the personal shapes, the transparency, and even so accept him/her, just as he/she accepts you, both by his/her Light, and by his/her Shadow (especially by his/her shadow), and surrender yourself naked, modest, humble, unconditioned, without ego. Intimate relationships are the perfect space to enhance your spiritual growth. The other is your mirror; he/she gently reveals your blind spot so that you may become aware of it and move forward and grow as a person. In Ayurveda, the development of a conscious and therapeutic sexuality is a pillar that sustains individual development, and it also has a direct impact on the community. The correct and balanced management of our intimacy is therefore a primordial field of expansion of our personal consciousness, as it plays a fundamental role in the development of family, community, social, global harmony.

Nine | Trust, Be grateful, Accept

When you accept responsibility for your choices, when you accept that nothing happens by chance, that you can’t blame anyone eles for your actions and choices, and that your happiness does not depend on external factors, you begin to accept yourself as you are. And when you begin to accept yourself as you are, you begin to feel that everything, really everything in your daily life is a blessing, and that you both give thanks to a ‘grace’ as to a ‘misfortune’, because you accept and understand and sense, that everything brings you an opportunity to know yourself better, to choose better also, and that this choice brings true freedom implied. And when you begin to accept yourself as you are, you begin to trust, you begin to intuit, you begin to feel that you have always been with yourself, and that the work you have been doing is the result of a co-creation, which for a long, long time has been unconscious on your side. When you take responsibility for your role in the co-creative process, you allow harmony, balance, clarity to become more and more present in your daily life.

Ten | Preserve & Simplify

I could also say, declutter. All the objects that you have around you are reflected inside your mind as spatial reference objects, to which often you also associate emotional value. These objects ‘fill’ the mind, overwhelm the memory, and leave little room for creativity, imagination, for your Essence.

árvore florAnd they also fill the earth. They also flood this sacred soil with unnecessary rubble, which pollutes, unbalances our natural space. Earth is an extension of your physical body. Would you like to have your body so cluttered? Air, Fire, Water, Earth are essential to Life, and these resources need to be preserved. Treat them with the affection and love that you would give your children, and with the respect that our elders deserve. The achievement of simplicity is in itself a journey.

Ayurveda is a visionary tree of knowledge, which expresses itself as an Inspirational Path, a Evolutionary Love, an impregnated Responsibility, and manifests itself as healing, as panacea, as Light, which applied daily, simplifies, moderates and materializes a path of self-knowledge which reaches and enriches us physically, emotionally, mentally and spiritually.